quinta-feira, janeiro 13, 2022

A nova geração de ditadores na América Latina




Se no passado eles vestiam verde-oliva e recorriam a golpes e ao poderio militar, hoje déspotas latino-americanos ironicamente garantem sua sobrevivência por meio de mecanismos do sistema democrático, opina Johan Ramírez

Por Johan Ramírez* (foto)

"Ortega é uma prova viva de que, sem golpes de Estado e por meio de eleições também se pode ser um ditador"

Os ditadores latino-americanos aprenderam a se adaptar. Eles perceberam que, para sobreviver no século 21, precisavam se renovar, se maquiar, se disfarçar de mil maneiras e, acima de tudo, deixar de lado as revoltas de quartel. É por isso que os tiranos que hoje governam as nações mais pobres da região não vestem mais verde-oliva. Eles não impõem mais seus regimes com balas de fuzil, como em décadas passadas.

Desde o início do milênio, e por ironias da vida, eles têm usado mecanismos democráticos para construir seus totalitarismos modernos à vista de todos. Eles recorrem sobretudo a três instâncias: eleições, órgãos internacionais e processos regulamentados. Ao manipular esses mecanismos a seu bel-prazer, eles se fortaleceram sem resistência.

Democracia de faz de conta

Prova disso é o que estamos testemunhando na Nicarágua: no último domingo (09/01), uma Assembleia Nacional fraudulenta começou seus trabalhos, e no dia seguinte, o ditador Daniel Ortega tomou posse para um novo mandato de cinco anos. Mas, ao contrário das ditaduras clássicas que semearam o terror na América Latina nos anos 1970 e 80, Ortega e sua Assembleia assumem o poder por mandato das urnas.

É claro que foram urnas manipuladas, que em novembro disseram o que Ortega queria que elas dissessem. Porque ele usou as instituições do Estado para purgar as listas eleitorais, removendo da corrida aqueles que, em uma verdadeira democracia, teriam arrancado o poder dele graças ao voto popular.

Ele usou o Judiciário para colocar os adversários na cadeia, para perseguir jornalistas inconvenientes e para banir organizações civis que denunciavam seus abusos. E usou o direito democrático ao voto para criar um parlamento a seus moldes e para ser eleito para mais um mandato. Ortega é uma prova viva de que, sem golpes de Estado e por meio de eleições também se pode ser um ditador.

Apoio de fora

Mas manipular o sistema doméstico não seria suficiente. Os autocratas dos dias de hoje também aprenderam a usar organizações internacionais a seu favor. A Venezuela chavista deixou claro que, contanto que tenha dinheiro, pode comprar apoio em encontros de cúpula para bloquear processos que vão contra ela.

Afinal, muitas pequenas ilhas caribenhas precisam de alguém que lhes ajude a construir uma estrada, um hospital ou uma central elétrica. Chávez fez isso apresentando-se sempre como um humanista solidário, mas garantindo em troca que esses países, junto com alguns aliados ideológicos, vetassem repetidamente resoluções que de outra forma impediriam a consolidação de seu poder absoluto e, com ela, a transformação da antiga potência petrolífera num império da miséria.

Para fazer um contraponto a organizações históricas, inventaram a Alternativa Bolivariana para as Américas (Alba) e a Unasul, e depois uma dúzia de espaços e fóruns partidários nos quais disfarçam o despotismo para se reivindicarem como líderes dos "países não alinhados".

Enquanto isso, as democracias conservadoras e arcaicas, ainda acreditando nessas instâncias, convocam suas assembleias gerais para redigir declarações inúteis condenando crimes e abusos, textos longos e sonsos que não levam a lugar algum. 

Processos de fachada

As ditaduras modernas acrescentam um terceiro elemento aos dois anteriores: o dos processos regulamentados. Como os para investigar alegações de detenções arbitrárias, desaparecimentos forçados e execuções extrajudiciais dentro de suas forças de segurança. São investigações que podem levar uma vida inteira, mas isso não é culpa de ninguém: é o tempo que leva o devido processo. E enquanto os resultados não chegam, as vítimas voltam a ser vítimas.

E, para melhorar sua imagem, as ditaduras criam órgãos de direitos humanos, nomeiam ouvidorias e colaboram com o Tribunal Penal Internacional em Haia. Mas fazem tudo isso enquanto protegem os torturadores, zombam dos mortos e enchem suas prisões clandestinas com prisioneiros políticos.

Mesmo assim, as democracias continuam a dar uma chance aos déspotas, criando missões de observação e grupos de contato, como se os assassinos tivessem essa coisa nobre que chamamos de boa-fé.

Para sempre impunes

Ao manipular a democracia, os ditadores conseguiram se adaptar e sobreviver por tempo suficiente para Fidel morrer de velhice e Chávez de câncer; Raúl Castro simplesmente se aposentar; Maduro engordar no Palácio de Miraflores e para Ortega se enraizar na Nicarágua, prometendo nunca desistir do poder.

Ortega não precisa invadir prédios do governo ou usar tanques de guerra. Ele usa o que ditadores que outrora derrubaram revolucionários como ele temiam tanto: eleições.

Os novos ditadores vestem gravatas e participam de cúpulas internacionais, dando tempo ao tempo, convencidos de que serão intocáveis até o fim e de que, graças à democracia, esta geração de ditadores viverá para sempre impune.

*Johan Ramírez é jornalista da DW. 

Deutsche Welle

EUA advertem que quase todos terão covid-19 em algum momento

 




Principal epidemiologista do governo americano, Anthony Fauci, afirmou, porém, que graças às vacinas e às doses de reforço, a maioria das pessoas não desenvolverá formas graves da doença.

O principal conselheiro do governo dos Estados Unidos em relação à pandemia, Anthony Fauci, disse nesta quarta-feira (12/01) que quase todas as pessoas vão contrair covid-19 mais cedo ou mais tarde, mas destacou que a doença será "menos grave" graças às vacinas e às doses de reforço.

"Praticamente todos vão acabar expostos e, provavelmente, serão infectados, mas se forem vacinados e receberem os reforços, as chances de ficarem doentes são muito, muito baixas", disse o epidemiologista em entrevista coletiva na Casa Branca.

A fala dele endossou as palavras de Janet Woodcock, comissária interina da Administração de Alimentos e Medicamentos dos EUA (FDA, na sigla em inglês), a agência reguladora americana, que havia afirmado na terça-feira que "a maioria das pessoas vai acabar tendo covid-19".

Fauci esclareceu que o fato de grande parte dos casos recentes estarem ligados à variante ômicron não significa que a maioria das pessoas ficará gravemente doentes, já que as vacinas "melhoram a proteção contra hospitalização e morte".

Convivendo com a doença

O epidemiologista destacou que a covid-19 "não pode ser erradicada", mas pode ser controlada graças a vacinas e doses de reforço, e que as pessoas "vão conviver com isso".

Na mesma coletiva, a diretora do Centro de Controle de Doenças dos EUA (CDC, na sigla em inglês), Rochelle Walensky, ressaltou que o risco de internação pela variante ômicron é 53% menor do que em relação à variante delta. Já a chance de internação em uma Unidade de Terapia Intensiva (UTI) é 74% menor, e de morte, 91% mais baixa.

Os Estados Unidos bateram um novo recorde de internações por covid-19 na terça-feira, com mais de 145 mil pessoas em hospitais, devido ao avanço da ômicron, que já é a variante dominante, respondendo por 98% dos casos.

Variante dominante no mundo

De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), a ômicron já é a variante dominante também em todo mundo, presente em 58,5% dos casos de covid-19 analisados globalmente. 

O relatório epidemiológico semanal divulgado nesta terça-feira pela OMS afirma que, dos mais de 357 mil casos sequenciados reportados à iniciativa global para o compartilhamento de dados sobre influenza e covid-19 (Gisaid, na sigla em inglês) nos últimos 30 dias, mais de 208 mil foram causados pela variante ômicron.

A variante delta, que foi a cepa dominante durante grande parte do ano passado, respondeu por 147 mil dos casos sequenciados (41%). 

Dribla imunidade, mas é menos grave

O relatório destaca haver cada vez mais evidências de que a variante ômicron é capaz de "escapar à imunidade", pois há transmissão mesmo entre os vacinados e pessoas que já tiveram a doença.

Por outro lado, a OMS ressalta que há "evidências crescentes" de que a ômicron é menos grave do que variantes anteriores do coronavírus Sars-Cov-2.

Deutsche Welle

Covid: como é a estratégia da China de tolerância zero contra o coronavírus




'Pontos de verificação e barricadas são montados do lado de fora de bairros em Xi'an, que está sob lockdown'

China está fazendo um grande esforço para manter o vírus fora do país

Por Kai Wang e Wanyuan Song

A China diz estar adotando todas as medidas de segurança necessárias contra o coronavírus para os Jogos Olímpicos de Inverno de 2022, que começam no próximo mês.

Então, o que está sendo planejado para o evento e quão bem-sucedida foi a política chinesa de "tolerância zero" contra a covid?

Medidas mais rígidas do que na Olimpíada de Tóquio

A China está fazendo um grande esforço para manter o vírus fora do país.

O governo chinês disse que visitantes estrangeiros serão barrados — somente moradores da China continental estarão autorizados a participar dos eventos, sob a condição de permanecerem em quarentena quando voltarem para casa. As pessoas são aconselhadas a não viajar para a capital de outras partes do país.

Uma das medidas foi a criação de "bolhas": imprensa, atletas e observadores foram separados em três bolhas distintas — quem entrar nessas bolhas deve estar totalmente vacinada ou passar 21 dias em quarentena, segundo as regras.

Os testes para covid são realizados diariamente, e as máscaras, obrigatórias em todos os momentos.

'Trens de alta velocidade funcionarão dentro de um sistema de transporte fechado para a Olimpíada'

Ninguém pode deixar as bolhas. Os participantes estrangeiros entrarão nelas na chegada à China e permanecerão em sua bolha até deixarem o país.

Funcionários locais de apoio, incluindo voluntários, cozinheiros e motoristas, também fazem parte de uma bolha selada. Eles não terão contato físico com o mundo exterior, mesmo com suas famílias.

'Wuhan ficou fechada por quase três meses no início da pandemia'

Esse sistema se aplica não apenas a moradias, hospitais e locais destinados a servir as Olimpíadas, mas também às ligações de transporte.

Existem aeroportos de circuito fechado e sistemas ferroviários de alta velocidade (dado que a maioria dos principais locais de competição está fora de Pequim).

Todos os veículos designados para as Olimpíadas receberam um rótulo vermelho especial na frente, e as autoridades de trânsito locais até aconselharam o público a "evitar contato" se houver um acidente de trânsito com eles. O lixo será mantido em locais de armazenamento temporário, para evitar infecções cruzadas.

O que já está em vigor para a prevenção de vírus?

As viagens dentro e fora da China são severamente restritas para estrangeiros, e houve restrições ao movimento interno desde o início da pandemia.

Quaisquer viajantes do exterior que tenham permissão para entrar na China são rastreados na chegada e enviados para hotéis designados pelo governo para uma quarentena obrigatória de pelo menos duas semanas.

'Todos os passageiros internacionais devem fazer verificações de temperatura antes de desembarcar'

Na maioria das cidades, a próxima etapa é cumprir quarentena em hotel ou em casa por sete dias e, em seguida, um período de monitoramento também de sete dias, durante o qual o visitante não pode se misturar com outras pessoas e tem que enviar informações regulares sobre seu estado de saúde a autoridades locais.

A China parou de emitir e renovar passaportes para "fins não urgentes" para seus próprios cidadãos, tanto no país quanto no exterior, para minimizar ainda mais as viagens internacionais.

Também existem controles rígidos sobre a movimentação entre as cidades chinesas (e às vezes mesmo entre bairros) com mais períodos obrigatórios de auto-isolamento para aqueles autorizados a viajar.

Com os Jogos se aproximando, a China implementou lockdowns em algumas cidades onde casos foram detectados.

Durante todo o evento, as pessoas só podem sair para "assuntos urgentes", como ir ao hospital. A vigilância da polícia e de voluntários locais também está sendo intensificada, com penalidades severas para quem infringir as regras.

Os moradores podem ser retirados de suas casas a curto prazo e enviados para instalações de quarentena se infecções forem detectadas durante uma campanha de testes em massa. Todos os negócios não essenciais estão fechados, exceto lojas de alimentos e alguns outros fornecedores essenciais.

As escolas estão fechadas e o transporte público está suspenso, com quase todo o movimento de veículos proibido.

A 'tolerância zero' funciona?

Diante disso, a China teve um sucesso notável na contenção da pandemia.

Desde o final de 2019, o país registrou pouco mais de 4,6 mil mortes (segundo a plataforma Our World in Data, ligada à Universidade de Oxford, na Inglaterra).

Nos Estados Unidos, foram 830 mil mortes. E no Brasil, pouco mais de 620 mil.

'Verificações de temperatura são obrigatórias em muitos locais'

Por milhão de pessoas, são cerca de três mortes na China, em comparação com 2.500 nos EUA e 2.940 no Brasil.

As infecções registradas na China também foram muito baixas, raramente passando de 150 por dia em todo o país durante a pandemia.

Houve quem expressasse dúvida sobre a precisão dos dados oficiais, mas parece claro que as taxas de infecção e mortalidade foram baixas quando comparadas com outros países. A Comissão Nacional de Saúde da China diz que 85% de sua população já está totalmente vacinada.

Apesar disso, a China é um dos poucos países que segue uma política de "tolerância zero" para a covid, independentemente do custo para as liberdades pessoais e para a economia.

Custo

Outros países, como Austrália, Nova Zelândia e Cingapura, modificaram sua estrita adesão a essa abordagem no fim de 2021. A variante delta estava se consolidando de qualquer maneira e esses países também conseguiram aumentar suas taxas de vacinação.

Os casos aumentaram nesses três países, mas a esperança é que a vacinação suficiente mantenha doenças graves e mortes em níveis administráveis.

No caso da China, deve haver preocupações de que o país possa estar em risco de surtos generalizados se seus controles rígidos forem suspensos muito rapidamente.

BBC Brasil

Conta do empresário bolsonarista Luciano Hang é suspensa no Twitter por violação de regra

Conta do empresário bolsonarista Luciano Hang é suspensa no Twitter por violação de regra
Foto: Alan Santos / PR

O Twitter suspendeu, nesta quarta-feira (12), a conta do empresário bolsonarista Luciano Hang, dono da rede de lojas Havan, por violação de regras da plataforma. Não há detalhes sobre qual regra ele infrigiu.

 

Em 2021, Hang teve seus perfis em todas as redes sociais suspensos por ordem judicial do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), no âmbito do inquérito das fake news. Tempos depois, suas contas foram liberadas.

 

Foto: Reprodução / Twitter

Candida auris: Anvisa confirma terceiro caso de superfungo no Brasil

Candida auris: Anvisa confirma terceiro caso de superfungo no Brasil
Foto: Reprodução/Reptile8488/GettyImages

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) confirmou o terceiro caso de infecção pelo fungo Candida auris no Brasil. A infecção ocorreu em um hospital público de Recife.

 

A contaminação foi confirmada na terça-feira (11), mas só foi divulgada pela agência reguladora nesta quarta-feira (12). “Ainda há outro caso suspeito, que está em investigação laboratorial”, alerta a Anvisa, segundo o Metrópoles.

 

Desde a identificação do caso suspeito, o hospital estabeleceu medidas de precaução e adotou ações para prevenção e controle do surto.

 

É o terceiro caso de Candida auris no país. Em dezembro do ano passado, o fungo foi identificado na ponta do cateter de um homem de 59 anos, que estava internado na unidade de terapia intensiva (UTI) de um hospital da Bahia e na amostra clínica de urina de um paciente de 88 anos internado em um hospital de Salvador.

 

“A Anvisa está acompanhando as ações relacionadas ao surto, articulando-se com os envolvidos e apoiando as ações da força-tarefa nacional”, destaca a agência, em nota.

 

Segundo a Anvisa, existe a “propensão [do fungo] causar surtos em decorrência da dificuldade de identificação oportuna pelos métodos laboratoriais rotineiros e de sua difícil eliminação do ambiente contaminado.

Bahia Noticias

Servidores de ao menos 19 categorias podem paralisar atividades por reajuste


por Fábio Pupo | Folhapress

Servidores de ao menos 19 categorias podem paralisar atividades por reajuste
Foto: Alan Santos / PR

Ao menos 19 categorias de servidores podem começar a paralisar atividades para elevar a pressão contra o governo por reajustes salariais, após a sinalização do presidente Jair Bolsonaro (PL) de que apenas policiais seriam atendidos em 2022.
 

O Fonacate (Fórum Nacional Permanente de Carreiras Típicas de Estado) afirma que os sindicatos dessas categorias apoiam seus trabalhadores a suspenderem os trabalhos em três dias —em 18, 25 e 26 de janeiro (calendário aprovado pelo Fonacate em 29 de dezembro).
 

Assembleias ainda precisam ser feitas nos próximos dias para confirmar as adesões, o que é esperado em boa parte dos casos pelos dirigentes do fórum. Além das paralisações já planejadas, os servidores vão discutir em fevereiro uma possível greve.
 

De acordo com levantamento do Fonacate, discussões sobre paralisações envolvem auditores da Receita, funcionários do Banco Central, servidores da CVM (Comissão de Valores Mobiliários), auditores e técnicos da CGU (Controladoria-Geral da União) e do Tesouro Nacional, servidores da Susep (Superintendência de Seguros Privados), auditores do trabalho, oficiais de inteligência e servidores das agências de regulação.
 

Também integram a lista analistas de comércio exterior, servidores do Itamaraty, servidores do Ipea (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada), defensores públicos federais, especialistas em políticas públicas e gestão governamental, auditores fiscais federais agropecuários, peritos federais agrários, além de servidores do Legislativo, do Judiciário e do TCU (Tribunal de Contas da União).
 

Em alguns casos, a suspensão dos trabalhos já está confirmada.
 

Nesta quarta-feira (12), a Unacon —que representa servidores do Tesouro Nacional e da CGU (Controladoria-Geral da União)— decidiu por unanimidade em assembleia a adesão à suspensão dos trabalhos no dia 18. Os protestos serão feitos em frente à sede do Banco Central às 10h e na Esplanada dos Ministérios às 14h.
 

"Além disso, a exemplo do que os servidores do Tesouro já fizeram, vamos circular um abaixo-assinado na CGU contra a política remuneratória discriminatória do governo federal, que protege apenas militares e possivelmente segurança pública das perdas contra inflação", afirmou Bruno Cerqueira, presidente da Unacon.
 

"Também vamos intensificar as conversas com os comissionados dos órgãos para sinalizar possível entrega de cargos", disse Cerqueira.
 

Fábio Faiad, presidente do Sinal (Sindicato Nacional dos Funcionários do Banco Central), afirmou que está mantida a paralisação da categoria no dia 18, das 10h às 12h.
 

A decisão por manter a suspensão dos trabalhos foi tomada após representantes da entidade se reunirem nesta terça-feira (11) com o presidente do BC, Roberto Campos Neto, e saírem sem uma promessa concreta de reajuste.
 

Enquanto isso, diz Faiad, a mobilização avança com entrega de cargos. "A adesão às listas de não assunção de comissões e de entrega das comissões no BC já está próxima de 2.000 servidores, mesmo sendo mês de férias", afirma.
 

Os substitutos eventuais também serão convidados a aderir, abrindo mão de substituir os titulares.
 

De acordo com Faiad, o objetivo da mobilização no BC é que o reajuste salarial não seja exclusivo para os policiais federais, mas que se estenda também para os servidores da autarquia. Além disso, eles pedem a reestruturação de carreira de analistas e técnicos do BC.
 

Eles esperam que, em janeiro, haja nova reunião com o presidente do BC em que seja apresentada uma proposta concreta. "Caso contrário, passaremos a debater a proposta de greve por tempo indeterminado", afirma Faiad.
 

Na Receita Federal, o sindicato responsável já registra 1.288 pedidos de entrega de cargos de chefia (o que corresponde a 64% do total).
 

As primeiras exonerações começaram a ser formalizadas no Diário Oficial da União nesta quarta, segundo o Sindifisco (Sindicato Nacional dos Auditores-Fiscais da Receita).
 

A categoria foi a primeira a entregar cargos, movimento iniciado em dezembro como forma de pressionar o governo a ampliar recursos para a Receita e regulamentar o pagamento do bônus de eficiência.
 

Atividades administrativas e programas de fiscalização em postos aduaneiros também foram reduzidos pelos protestos dos servidores, que instauraram a chamada operação padrão. Em cidades como Foz do Iguaçu (PR) estão sendo registradas filas de caminhões.
 

Em meio à pressão, o Sindifisco conseguiu marcar uma reunião com o ministro Paulo Guedes (Economia) para a próxima quinta-feira (13) à tarde. O presidente da entidade, Isac Falcão, vai representar os servidores pela demanda do bônus de eficiência e contra os cortes orçamentários no Fisco.
 

Assembleias de outras categorias estão marcadas para discutir a adesão às paralisações.
 

Na sexta-feira (14), as demais entidades do Fonasefe (Fórum das Entidades Nacionais dos Servidores Públicos Federais) vão deliberar sobre a participação, mas os interlocutores já indicam que haverá adesão.
 

O Fonasefe reúne 30 entidades, como funcionários da área de saúde, Previdência e assistência social.
 

Juntos, esses fóruns (Fonacate e Fonasefe), segundo a cúpula dessas organizações, representam mais de 80% do funcionalismo do Executivo federal, que hoje tem aproximadamente 585 mil ativos.
 

Além da pauta salarial, os servidores pretendem demonstrar insatisfação com outros aspectos na relação com o governo.
 

A Univisa (Associação dos Servidores da Agência Nacional de Vigilância Sanitária), por exemplo, divulgou documento nesta semana dizendo que vai discutir a adesão à paralisação e exigindo "um basta para os ataques do governo às prerrogativas institucionais e à honra dos servidores e gestores".
 

"Nós, servidores e cumpridores das nossas atribuições funcionais, não aceitaremos passivamente a destruição desta agência reguladora", afirmou a entidade, em nota.
 

Bolsonaro deu recentemente declarações em que levanta suspeitas sobre o interesse da Anvisa na aprovação de vacinas.
 

Ele foi respondido pelo diretor-presidente da Anvisa, Antonio Barra Torres, que cobrou de Bolsonaro a determinação de investigação, caso tenha informações a esse respeito, ou uma retratação.
 

"Se o senhor dispõe de informações que levantem o menor indício de corrupção sobre este brasileiro, não perca tempo nem prevarique, senhor presidente. Determine imediata investigação policial sobre a minha pessoa", escreveu o diretor-presidente da agência.
 

"Agora, se o Senhor não possui tais informações ou indícios, exerça a grandeza que o seu cargo demanda e, pelo Deus que o senhor tanto cita, se retrate", acrescentou Barra Torres, que tem mandato até 2024 e não pode ser demitido pelo presidente da República.
 

*
 

CATEGORIAS QUE PODEM CRUZAR OS BRAÇOS
 

Analistas de comércio exterior
 

Servidores do Itamaraty
 

Servidores do Ipea
 

Defensores públicos federais
 

Especialistas em políticas públicas e gestão governamental
 

Auditores fiscais federais agropecuários
 

Auditores fiscais da Receita Federal
 

Auditores e técnicos da CGU
 

Auditores e técnicos da STN
 

Oficiais de inteligência
 

Servidores das agências nacionais de regulação
 

Auditores fiscais do trabalho
 

Funcionários do Banco Central
 

Servidores da CVM
 

Servidores do Poder Legislativo
 

Servidores do Poder Judiciário
 

Servidores do TCU
 

Peritos federais agrários
 

Servidores Susep


Bahia Notícias

Nos EUA, energia causa inflação de 7% em 2021, a maior desde 1982 (governo Reagan)

Publicado em 12 de janeiro de 2022 por Tribuna da Internet

Charge 18/10/2021 |

Charge do Marco Jacobsen (Folha de Londrina)

Rosana Hessel
Correio Braziliense

A inflação está se espalhando pelo mundo e não é um privilégio do Brasil. Conforme dados divulgados nesta quarta-feira (12/10) pelo Bureau of Labor Statistics, centro norte-americano de estatísticas, o Índice de Preços ao Consumidor (CPI, na sigla em inglês), registrou alta de 0,5% em dezembro, com ajuste sazonal, desacelerando em relação a novembro, quando o indicador avançou 0,8%.

No acumulado nos 12 meses de 2021, o indicador de preços para todos os preços ao consumidor urbano avançou 7%, antes do ajuste sazonal. Essa é a maior taxa registrada para o indicador do custo de vida desde junho de 1982, no governo Ronald Reagan, segundo a instituição.

ENERGIA DISPARA – De acordo com dados do órgão de estatísticas, os preços de todos os itens, menos alimentos e energia, subiram 5,5%, a maior variação em 12 meses desde fevereiro de 1991.

A inflação dos custos de energia chegou a 29,3% no ano, impulsionada pelo salto de 49,6% nos preços da gasolina. Enquanto isso, os preços dos alimentos registraram aumento de 6,3% no acumulado em 12 meses, com elevação de 6,5%, para os custos da alimentação em casa, e de 6%, na alimentação fora de casa.

A confirmação dessa inflação persistente e elevada na maior economia do planeta, assim como vem ocorrendo nos países desenvolvidos, acende um alerta sobre os emergentes, como bem sinalizou o Fundo Monetário Internacional (FMI) nesta semana, uma vez que a alta dos juros dos bancos centrais das economias desenvolvidas será inevitável, o que será péssimo para os países com endividamento elevado e com as contas públicas desequilibradas, como é o caso do Brasil.

DOLAR ALTO – Analistas não têm dúvidas de que uma das principais consequências será o dólar elevado, entre R$ 5,60 e R$ 5,70, o que ajudará a pressionar a inflação, que deverá continuar acima do teto da meta, deste ano, de 5%.

Consequentemente, os juros aqui continuarão subindo, o que, provavelmente, vai ajudar a travar a economia e ainda agravar o quadro fiscal, elevando os custos da dívida pública.

Nesta terça-feira, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulgou os dados da inflação oficial de 2021, que foi a maior desde 2015, acumulando alta de 10,06% em 12 meses. O dado ficou acima do teto da meta para o custo de vida, de 5,25%. Foi quase o dobro.


Ômicron infectará o mundo, mas vacinados sofrerão menos, diz médico da Casa Branca

Publicado em 12 de janeiro de 2022 por Tribuna da Internet

Anthony Fauci

Dr. Fauci chefia a força-tarefa antiCovid nos Estados Unidos

Deu no Estadão

A variante Ômicron do novo coronavírus infectará “quase todo mundo”, independentemente do status de vacinação, disse o principal especialista em doenças infeccionas dos Estados Unidos, Anthony Fauci na última terça-feira, 11. Porém, pessoas vacinadas devem responder melhor às infecções.

Segundo ele, aqueles que foram vacinados “muito provavelmente, com algumas exceções, se sairão razoavelmente bem” e evitarão hospitalização e morte, disse Fauci, falando em um evento virtual com o Centro de Estudos Estratégicos e Internacionais.

VACINA SALVA – Fauci também disse em uma audiência no Senado, no mesmo dia, que os não vacinados são 20 vezes mais propensos a morrer, 17 vezes mais propensos a serem hospitalizados e 10 vezes mais propensos a serem infectados do que os vacinados.

“Aqueles que ainda não foram vacinados sofrerão o impacto do aspecto grave disso”, disse ele, referindo-se ao aumento de casos. “E embora seja menos grave caso a caso, quando você tem quantitativamente tantas pessoas infectadas, uma fração delas vai morrer”, disse ele.

Um funcionário da Organização Mundial da Saúde previu na terça-feira que a variante omicron infectará mais da metade da população na região europeia nas próximas seis a oito semanas, em pleno inverno, se as tendências atuais se mantiverem.

TENDÊNCIA A CAIR – Os cientistas estão vendo sinais de que a alarmante onda da Ômicron pode estar perto de atingir o pico nos Estados Unido e logo deve começar a cair drasticamente. O mesmo parece estar sendo observado no Reino Unido. O motivo: a variante provou ser tão contagiosa que já pode estar ficando sem pessoas para infectar, apenas um mês e meio depois de ter sido detectada pela primeira vez na África do Sul .

“Vai cair tão rápido quanto subiu”, disse Ali Mokdad, professor de análises de métricas de saúde da Universidade de Washington em Seattle.

Ao mesmo tempo, especialistas alertam que ainda há muita incerteza sobre como a próxima fase da pandemia pode se desenrolar. O platô ou refluxo nos dois países não está acontecendo em todos os lugares ao mesmo tempo ou no mesmo ritmo. E semanas ou meses de sofrimento ainda estão por vir para pacientes e hospitais sobrecarregados, mesmo que a queda aconteça.

PICO VEM AÍ – “Ainda há muitas pessoas que serão infectadas à medida que descermos a curva”, disse Lauren Ancel Meyers, diretora do Consórcio de Modelagem covid-19 da Universidade do Texas, que prevê que os casos relatados atingirão o pico dentro de uma semana.

Na verdade, ela disse, pelos cálculos complexos da universidade, o número real de novas infecções diárias nos EUA – uma estimativa que inclui pessoas que nunca foram testadas – já atingiu o pico, atingindo 6 milhões em 6 de janeiro.

Um novo estudo com quase 70.000 pacientes na Califórnia demonstra que a Ômicron causa infecções menos graves do que outras variantes, resultados que se alinham com descobertas semelhantes da África do Sul, Grã-Bretanha e Dinamarca, bem como uma série de experimentos em animais .

MENOS GRAVE – Em comparação com a Delta, as infecções por Ômicron tinham metade da probabilidade de enviar pessoas para o hospital. Dos mais de 52 mil pacientes identificados a partir de registros médicos eletrônicos, os pesquisadores descobriram que nem um único paciente precisou de respirador durante esse período.

“É realmente um fator viral responsável pela redução da gravidade”, disse o Dr. Lewnard, epidemiologista da Universidade da Califórnia, Berkeley, autor do estudo, que foi publicado online na terça-feira e ainda não foi publicado em uma revista científica.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG – A menor gravidade da Ômicron é fator altamente positivo. O mais importante, porém, é a comprovação da importância das vacinas, mesmo que seu efeito possa se reduzir com o passar do tempo. Vacinas mais duradouras estão sendo testadas e os medicamentos específicos começam a surtir efeito. Assim, vamos em frente, mas vacinados, é claro(C.N.)


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