terça-feira, maio 25, 2021

Sob pressão de Bolsonaro, ministério estuda isenção de pedágio a motociclistas

por Julio Wiziack | Folhapress

Sob pressão de Bolsonaro, ministério estuda isenção de pedágio a motociclistas
Foto: Isabella Araújo/ Poder 360

O presidente Jair Bolsonaro (sem partido) determinou que as concessões rodoviárias em preparo isentem motociclistas do pagamento de pedágios, e o Ministério da Infraestrutura agora prevê que outras categorias possam recorrer até à Justiça para conseguir o mesmo tratamento.

 

Estudos preliminares do ministério indicam que a perda de receita gerada com o afago dado pelo presidente será inferior a 1% ao ano, valor que deverá ser repassado para motoristas de veículos e caminhões.

 

Antiga promessa de Bolsonaro, a isenção foi anunciada pelo presidente em sua página em uma rede social após ter participado de uma passeata com apoiadores de motocicletas neste domingo (23), no Rio de Janeiro.

 

A medida é mais um aceno do presidente, que vem baixando medidas em favor de setores que o apoiam mirando sua reeleição. Bolsonaro já agradou militares, policiais e caminhoneiros que, recentemente, ganharam um pacote de benesses.

 

Apesar do baixo impacto financeiro, desta vez a área técnica da pasta comandada por Tarcísio de Freitas se posicionou contra. O ministro é um dos preferidos de Bolsonaro, que já sinalizou a intenção de lançá-lo ao governo de São Paulo.

 

Com a isenção, a preocupação do ministério é que outras categorias possam recorrer à Justiça em busca de isonomia. Dentre elas estão veículos médicos, funerários, motoristas de aplicativos, como Uber, e carros oficiais.

 

Nesse cenário, o impacto na arrecadação das concessionárias poderia ultrapassar 2% ao ano.

 

Embora os estudos ainda estejam em andamento, técnicos da Infraestrutura afirmam que Tarcísio foi voto vencido e a medida será implementada já nas concessões da NovaDutra, rodovia que liga São Paulo ao Rio de Janeiro, e da BR-381/262, entre Minas Gerais e Espírito Santo.

 

Os editais foram enviados ao TCU (Tribunal de Contas da União) e exigirão mudanças devido à determinação de Bolsonaro. Mesmo assim, os técnicos avaliam que não haverá atrasos na realização do leilão.

 

As concessões da BR-116/493, que liga Rio de Janeiro a Minas Gerais, e o pacote de rodovias do Paraná também serão obrigadas a incluir a isenção no modelo de cálculo da receita a ser gerada com pedágio.

 

No caso da Dutra, a gratuidade aos motociclistas levará a um aumento de 0,5% nas tarifas dos demais usuários. Nas vias do Paraná, o pedágio ficará até 0,6% mais caro para carros e caminhões.

 

Nas concessões passadas, no entanto, a medida não terá validade, o que, segundo representantes do setor, cria uma distorção.

 

Em setembro do ano passado, Bolsonaro disse que tinha dado instruções ao ministro Tarcísio para beneficiar os motociclistas nas novas concessões. Naquele momento, a ABCR (Associação Brasileira de Concessionárias de Rodovias) avaliou que a proposta representava um retrocesso por privilegiar setores.

 

Em nota, a ABCR informou que estima um aumento de até 5% no pedágio com a benesse de Bolsonaro aos motociclistas.

Bahia Notícias

CPI da Pandemia vai votar convocação de 9 governadores e 12 prefeitos

por Jade Coelho

CPI da Pandemia vai votar convocação de 9 governadores e 12 prefeitos
Foto: Edilson Rodrigues/Agência Senado

Governadores e gestores municipais devem ser ouvidos na Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Covid-19 nas próximas semanas. Os senadores vão votar nesta quarta-feira (26) o requerimento para convocação de nove governadores e 12 prefeitos e ex-prefeitos.

 

De acordo com o presidente da CPI, senador Omar Aziz (PSD-AM) o foco será nos mandatários dos estados e capitais onde a Polícia Federal (PF) investiga suspeitas de desvio de recursos no enfrentamento da pandemia da Covid-19.

 

A informação foi divulgada no Twitter por alguns integrantes da CPI, além de Aziz, também divulgaou  a informação o senador  e vice-presidente do colegiado, Randolfe Rodrigues (Rede-AP). 

 

Conforme apurado pela GloboNews, devem ser convocados os governadores Wilson Lima (Amazonas), Waldez Goes (Amapá), Ibaneis Rocha (Distrito Federal), Helder Barbalho (Pará), Claudio Castro (Rio de Janeiro), Marcos Rocha (Rondônia), Antonio Denarium (Roraima), Eduardo Leite (Rio Grande do Sul) e Carlos Moisés (Santa Catarina).

Bahia Notícias

Documentos mostram que Brasil cortou pela metade doses de vacinas por meio da Covax

Documentos mostram que Brasil cortou pela metade doses de vacinas por meio da Covax
Foto: Sesab

Documentos enviados à CPI da Covid pelo Ministério das Relações Exteriores mostram que o Brasil reduziu à metade o número de doses de vacinas a serem recebidas por meio da Covax Facility.

 

Aliança global formada por mais de 150 países, a Covax é liderada pela Organização Mundial da Saúde e foi criada para impulsionar o desenvolvimento e a distribuição de vacinas.

 

De acordo com documentos enviados pelo Itamaraty, o governo optou por doses para imunizar 20% da população, em setembro. Entretanto, reduziu para 10% em setembro. As informações são do G1.

 

O Covax permitia a compra de vacinas pelos países para até 50% de suas populações. O Brasil optou pela cota mínima oferecida pela iniciativa (10%).

 

CPI DA PANDEMIA
Um dos pontos de investigação da CPI é o atraso nas negociações para adquirir vacinas. O ex-ministro da Saúde, Eduardo Pazuello, afirmou que o Brasil escolheu comprar a quantidade mínima de doses da Covax porque, segundo ele, o contrato apresentava "riscos".

Bahia Notícias

América Latina já ultrapassa 1 milhão de mortes por Covid-19, com Brasil à frente


Fila caótica no México para aplicação de vacinas

Deu na Folha

O saldo de mortes pela Covid-19 na América Latina e no Caribe ultrapassou a marca de 1 milhão de pessoas na sexta-feira (21), de acordo com contagem da agência de notícias Reuters. O Brasil é quem conta mais óbitos na região, correspondendo a quase 45% das mortes.

A marca é atingida em um momento de aumento dos casos confirmados de Covid-19 na região, que registra a maior taxa de mortalidade pela doença no mundo.

NÃO HÁ VACINAS – Com os casos registrados em queda na Europa, na Ásia e na América do Norte e em níveis estáveis na África, a América do Sul é a única região do mundo onde a taxa de contágio segue em tendência de alta.

Em vários países da região, a vacinação avança a passos lentos e os sistemas de saúde estão perto do limite, enquanto parte da população mais pobre não consegue realizar o isolamento social sem comprometer sua fonte de renda.

Durante a última semana, as oito nações com maior número de mortes por Covid-19 registradas em relação ao tamanho da sua população ficavam na América Latina.

COMPARAÇÃO SINISTRA – Na média do mês de maio, a América Latina e o Caribe concentraram 31% das mortes por Covid-19 no mundo. A região tem somente 8,4% da população mundial.

A média de mortes diárias em maio somando todos os países da região é de 3.872, abaixo da média de 4.558 em abril. Um aumento do total de casos na região, entretanto, acende o alerta de uma possível piora na pandemia.

O Brasil é o país com mais óbitos registrados pela Covid-19 na América Latina, com um 450 mil mortes (44,6% do total de óbitos na região), de acordo com a contagem da Universidade Johns Hopkins. Depois do Brasil, vêm o México (221.256 mortes) e a Colômbia (83.719). Já no ranking mundial de óbitos confirmados, o Brasil se mantém na segunda posição, ficando somente atrás dos Estados Unidos, que soma 589.643 mortes.

Brasil de Bolsonaro torna-se igual à uma casa abandonada que sofre pilhagem de quem passa

 


A charge do Alpino | VEJA

Charge do Alpino (Yahoo Notícias)

Cristina Serra
Folha

Não é de hoje que as emendas parlamentares se prestam ao toma lá, dá cá. Mas a coisa ganha outra dimensão quando se sabe quem pediu o quê, para quem e quanto, como mostrou o repórter Breno Pires, de O Estado de S. Paulo.

A reportagem revela a existência de um orçamento secreto e o intrigante pendor dos congressistas por máquinas agrícolas, especialmente tratores. A malandragem já vem batizada: é o tratoraço de Bolsonaro.

INVESTIGAÇÃO – A reportagem é o roteiro de uma investigação. Nomes, valores e destinação das máquinas estão ali. Tudo cheira mal na rapinagem de R$ 3 bilhões do orçamento público.

Teoricamente, as máquinas vão ser usadas em obras de prefeituras. Algumas estão localizadas a milhares de quilômetros da base eleitoral dos parlamentares, e foi detectado superfaturamento de até 259% nas compras. Ora, mas Bolsonaro não havia acabado com a corrupção?

O tratoraço de Bolsonaro explica a eleição folgada de Arthur Lira para a presidência da Câmara, o engavetamento dos pedidos de impeachment (além dos que foram herdados de Rodrigo Maia) e a dificuldade de criação da CPI da Covid-19 no Senado, arrancada a fórceps por decisão do STF.

DINHEIRO PÚBLICO – A pilhagem tem que ser investigada no contexto da pandemia. O mesmo Bolsonaro que usa dinheiro público para aliciar parlamentares é o que está no comando do genocídio brasileiro.

O que sobra para encomendar tratores e, claro, produzir cloroquina falta para comprar oxigênio, abrir leitos de UTI e para as tão esperadas vacinas. Por falta delas, capitais suspenderam a imunização. Sem a matéria-prima da China, o Butantan interrompeu a produção de doses. Sem vacina para todos, a morte, a fome e o desemprego seguirão nos ameaçando por tempo indefinido.

Penso no Brasil de Bolsonaro como a metáfora de uma casa abandonada, onde os ratos se sentem à vontade para disputar os despojos. Para não chegarmos a isso, é preciso CPI, impeachment, processo, condenação e prisão.

Grande parte do Orçamento secreto foi destinada para empresas ligadas a políticos

Publicado em 25 de maio de 2021 por Tribuna da Internet

Gilmar Fraga / Agencia RBS

Charge do Gilmar Fraga (Gaúcha/ZH)

André Shalders, Breno Pires e Vinícius Valfré
Estadão

Parte da verba do orçamento secreto revelado pelo Estadão foi parar nos cofres de empresas ligadas a políticos e também de firmas que já figuraram nas páginas de outro escândalo, a operação Lava Jato. Uma análise da destinação do dinheiro mostra estabelecimentos caseiros fechando contratos de dezenas de milhões de reais para compra de maquinário pesado.

Na quarta-feira, dia 19, o subprocurador-geral da República junto ao Tribunal de Contas da União (TCU), Lucas Furtado, formulou uma representação para que sejam apuradas possíveis irregularidades envolvendo as empresas contratadas com esses recursos. O assunto será agora investigado pela área técnica.

PADRÕES DE ATUAÇÃO – “É óbvio – deve ser registrado por dever de ofício – que nem todas as empresas tenham atuado de forma ilícita na obtenção dos contratos. Cabe, contudo, ao controle externo, identificar padrões de atuação”, escreveu Furtado na representação.

O esquema do orçamento secreto foi criado pelo presidente Jair Bolsonaro e operado com verba do Ministério do Desenvolvimento Regional, uma pasta loteada pelo Centrão. Com o aval do Planalto, um grupo de deputados e senadores pôde impor o que seria feito com ao menos R$ 3 bilhões. Toda negociação foi sigilosa e fere a lei orçamentária, o que pode levar o presidente a responder por crime de responsabilidade.

DIRECIONAMENTO – A pasta comandada pelo ministro Rogério Marinho recebeu a maior parte dos recursos em 2020: R$ 8,3 dos 20,1 bilhões. O dinheiro foi usado pela própria pasta e por órgãos ligados a ela, como o Departamento Nacional de Obras Contra a Seca e a Companhia de Desenvolvimento do Vale do São Francisco, a Codevasf.

Uma das empresas na mira do TCU é a JND Representações. Ela fechou três contratos com a Codevasf no fim de 2020 para fornecer maquinário pesado, totalizando R$ 11,04 milhões. Um feito e tanto para uma microempresa aberta em 2018, sediada em um apartamento residencial e comandada por um jovem de 29 anos. A JND tem capital social de R$ 50 mil – ou seja, este é o valor do investimento inicial.

Os contratos foram fechados em uma indicação do ex-presidente do Senado, Davi Alcolumbre (DEM-AP). Segundo o Fisco, as microempresas como a JND devem ter receita bruta anual que não ultrapasse R$ 360 mil – valor bem inferior aos contratos da JND com a Codevasf. No caso desses contratos, a JND sagrou-se vencedora dentro da cota destinada a pequenas empresas.

EMPRESA “ESPECIALIZADA” – A sigla “JND” faz referência ao nome do dono. Jonathan Allison Dias é um engenheiro civil de 29 anos e de origem mineira. Sua empresa parece ser especialista em licitações da Codevasf: foram onze desde agosto de 2020. A firma não participou de outras licitações do governo.

Em um dos certames, a Codevasf arrematou da JND seis motoniveladoras de 193 cavalos de potência e 17 toneladas de peso, por R$ 656,5 mil cada uma. O valor total é de R$ 3,9 milhões. No outro edital, a JND vendeu 11 escavadeiras hidráulicas por R$ 6,6 milhões. Em ambos os casos, os equipamentos foram comprados “com vistas a atender o Estado do Amapá”.

Questionado pela reportagem, Jonathan Allison afirmou não ter qualquer conhecimento sobre a indicação de Alcolumbre e que sequer o conhece. “Minha empresa cumpre com todos os requisitos de qualificação exigidos pelo edital.”

NO SITE DE COMPRAS – A Codevasf informou que os contratos vencidos pela JND “foram realizados no site oficial de Compras do Governo Federal, onde ficam registrados todos os atos praticados pelo pregoeiro responsável”.

A empresa baiana Liga Engenharia Ltda não tinha contrato com o governo federal até setembro de 2019. Foi quando começou a ganhar uma série de licitações na Codevasf e no Departamento Nacional de Obras Contra as Secas (DNOCS), órgãos aparelhados pelo Centrão.

Em 1 ano e 3 meses firmou oito contratos com valores somados de R$ 58 milhões, dos quais já recebeu R$ 53 milhões. Um sócio da empresa é cunhado de um sobrinho do senador Fernando Bezerra Coelho (MDB-PE).

BEZERRA NA MIRA – Foi um Termo de Execução Descentralizada indicado pelo senador, em 2019, antes da criação do orçamento secreto, que representou o primeiro grande aporte na empresa, de R$ 28 milhões. A maior parte foi para serviço de pavimentação asfáltica em vias urbanas e rurais de municípios na região de atuação da 3.ª Superintendência Regional da Codevasf, em Petrolina-PE. O chefe da superintendência, Aurivalter Cordeiro, é ex-assessor de Bezerra Coelho.

Do orçamento secreto, a empresa deve receber R$ 18 milhões da Codevasf por novos contratos. São os valores previstos em uma licitação que a empresa venceu, mas que a área técnica do TCU quer suspender. A Liga foi uma das dezoito empresas a ganhar licitações consideradas irregulares por auditores para obras de pavimentação.

O TCU deve retomar a análise do caso nesta quarta-feira. No caso da Liga, esses R$ 18 milhões devem ser bancados por transferências feitas pelo ministério para a Codevasf por indicações do senador Fernando Bezerra Coelho e do seu filho, deputado Fernando Filho (DEM-PE), bem como do presidente da Câmara, Arthur Lira (Progressistas-AL).

OUTROS POLÍTICOS – No bolo de R$ 2 bilhões do orçamento secreto destinados às empresas há ainda outras firmas ligadas à políticos. Uma delas é a empreiteira Ética Construtora, sediada em Goiânia (GO) e que pertence à família do ex-deputado federal Marcos Abrão (Cidadania-GO).

A Ética foi contratada pela Codevasf para realizar serviços no Piauí com recursos direcionados pelo presidente nacional do PP, o senador Ciro Nogueira (PI), e pelo governador de Brasília, Ibaneis Rocha (MDB). O dinheiro empenhado (isto é, reservado pelo governo) para a firma chega a R$ 22 milhões.

Ciro Nogueira também está relacionado à outra empresa que recebeu recursos do orçamentos secreto. A agência de viagens Open Tour, de Teresina (PI), pertence a Ermelinda Jacob. Ela é casada com Roberto Théophile Jacob, padrinho de casamento do senador. Questionado pela reportagem, Ciro Nogueira não respondeu.


Pazuello não será punido, com base na impunidade do general Mourão em 2015 e 2017

Publicado em 25 de maio de 2021 por Tribuna da Internet

Pazuello

Pazuello vai imitar Mourão e passar para a reserva

Carlos Newton

Está um tiroteio danado, porque não existe vazamento de informações no Alto Comando do Exército, portanto ninguém sabe o desfecho do caso do general de Divisão Eduardo Pazuello, que o presidente Jair Bolsonaro, seu companheiro de academia militar, conseguiu transformar num problema ambulante e desmoralizante para as Forças Armadas.

A situação é delicadíssimo, porque o trêfego Pazuello está na profissão errada, não se comporta como militar, mente sob juramento e desonra a farda que não mais deveria vestir.

DESAFIOU O COMANDANTE – Como se sabe, ele tem de ser punido por afrontar as normas internas das Forças Armadas e desafiar a autoridade do comandante-geral do Exército, general Paulo Sérgio Nogueira, ao participar de uma manifestação política a favor do presidente Jair Bolsonaro, no Rio de Janeiro, na manhã deste domingo (dia 23), tendo inclusive discursado na ocasião, em cima do carro de som.

Nesta segunda-feira, aguardava-se que o Alto Comando do Exército se reunisse para discutir a punição de Pazuello, dada a invulgar importância do assunto, mas o ministro da Defesa, general Braga Netto, se adiantou e convocou uma reunião com o comandante Nogueira.

Braga Netto tentou “amaciar” a situação de Pazuello, que cometeu uma transgressão disciplinar clara, ao afrontar publicamente a autoridade do comandante do Exército.

PROBLEMA GRAVÍSSIMO – O fato concreto é que se trata de um problema gravíssimo, porque o presidente Bolsonaro pode revogar qualquer punição ao general Pazuello e até demitir o atual comandante do Exército.

Em Brasília, os bastidores do Forte Apache dão conta de que a solução encontrada é empurrar o problema para a frente. Isso significa que será obedecido o trâmite militar, com o máximo de lerdeza. Primeiro, Pazuello será comunicado de que cometeu transgressão disciplinar, e vai ganhar três dias para responder.

Em seguida, quando a punição estiver em estudo no Alto Comando, pedirá passagem para a reserva, que no seu caso específico tem de ser decisão individual.

IGUAL A MOURÃO – Ou seja, será reprisado o caso do general Hamilton Mourão, que em 2015 deu várias declarações defendendo a tortura no regime militar e fazendo críticas ao governo da presidente Dilma Rousseff, mas não foi punido. O comandante Eduardo Villas Bôas apenas tirou Mourão do Comando do Sul e colocou-o na Secretaria de Economia, um cargo burocrático.

Mas Mourão não ficou quieto. Em 2017, vestiu o uniforme de gala e fez um longo pronunciamento na Maçonaria, falando sobre a possibilidade de uma intervenção militar. E novamente não foi punido. O comandante Villas Bôas sugeriu que ele passasse para a reserva, Mourão concordou, logo virou presidente do Clube Militar e depois foi eleito vice-presidente da República, nota-se que é um homem de sorte.

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P.S. – Diante do curriculum vitae de Mourão, causou surpresa no Alto Comando sua atitude, defendendo a punição de Pazuello, cujas transgressões foram muito menos graves do que as cometidas por ele no governo Dilma. Mas  parece que 
o general Mourão está com problemas de memória, não é mesmo? (C.N.)

Países ricos compram vacinas demais e criam escassez nos países pobres

Publicado em 25 de maio de 2021 por Tribuna da Internet

Tedros Adhanom Ghebreyesus, diretor geral da OMS

Tedros Ghebreyesus, da OMS, critica as nações ricas

Flávia Mantovani e Gustavo Queirolo
Folha

Em dezembro do ano passado, uma britânica então com 90 anos fez história ao receber a dose que inaugurou a vacinação contra a Covid-19 no mundo. Seis meses depois, mais de 1,6 bilhão de doses foram aplicadas. A maioria delas, porém, em braços de habitantes de países ricos.

Com 15% da população mundial, esses países concentram quase metade das vacinas disponíveis. Enquanto um terço de seus habitantes recebeu ao menos uma dose, nas nações pobres a proporção é de apenas 0,2%.

RESERVA DE MERCADO – Assim como ocorreu com o acesso a respiradores e máscaras ao longo da pandemia, os países que tinham mais recursos e poder na geopolítica global chegaram primeiro e reservaram para si a maior parte dos imunizantes disponíveis. As primeiras compras foram feitas pelos EUA e pelo Reino Unido em maio de 2020, quando as vacinas ainda estavam em desenvolvimento.

“Isso cria uma reserva de mercado. Os países disputam quem vai sair antes da crise econômica, e os que se posicionaram estrategicamente entraram na frente na fila da vacina, que é fundamental para essa retomada”, diz o médico sanitarista Ulysses Panisset, da Faculdade de Medicina da UFMG (Universidade Federal de Minas Gerais), especialista em cooperação internacional na área da saúde.

Como resultado, os Estados Unidos, por exemplo, têm quantidade suficiente para vacinar três vezes sua população e o Canadá comprou 10 doses por habitante. Enquanto isso, países como Guatemala, Honduras e Mali não imunizaram nem 1% de seus moradores, e seis países africanos nem começaram suas campanhas.

APARTHEID DAS VACINAS – O cenário é o que o diretor-geral da OMS, Tedros Adhanom, definiu, na última semana, como “apartheid das vacinas”. Adhanom, que também classificou a situação como um “fracasso moral catastrófico”, fez um apelo para que os países doem parte de seus excedentes ao Covax Facility, consórcio global criado para distribuir os imunizantes aos países de renda baixa e média.

Cientistas alertam que a reserva de doses pode se voltar contra os mais ricos. Se o vírus continuar circulando, pode sofrer mutações que resultem em variantes mais perigosas, como a B.1.617, que surgiu na Índia. Essas variantes se espalham pelo mundo e podem ser, eventualmente, resistentes às vacinas.

Em suma, o chamado “vacinacionalismo” pode vir a ser contraproducente inclusive para aqueles países com imunização eficiente.

INSEGURANÇA TOTAL – “Só estaremos seguros quando todos estiverem seguros”, diz Joan Costa-i-Font, professor de economia da saúde na London School of Economics. “Uma variante pode surgir a qualquer hora. Isso não pode ser uma competição entre ganhadores e perdedores.”

Costa-i-Font, que considera a reserva excessiva de vacinas um “autointeresse míope”, afirma que esses países “logo vão perceber que, para que suas economias se recuperem, seus vizinhos e parceiros comerciais também precisam ficar livres do vírus.”

“Na Europa, isso é uma preocupação muito forte atualmente”, diz o médico e advogado sanitarista Daniel Dourado, pesquisador da USP e da Universidade de Paris. “Na França, por exemplo, há muito intercâmbio com países da África francófona. Deixar o vírus circulando nos países pobres pode derrubar a estratégia de vacinação de todo mundo”, afirma.

ABISMO ESPERADO – Para Dourado, o abismo entre os países no acesso à imunização já era esperado. “A lógica da vacina é a lógica de mercado. Os países centrais têm mais recursos e capacidade de produção, e os periféricos dependem de doações.”

Ele faz uma analogia com a fome no planeta. “Tem comida suficiente para todo mundo, mas continua havendo fome. Da mesma forma, em breve teremos vacinas suficientes para imunizar o mundo inteiro, mas não significa que vão ser bem distribuídas.”

Até o fim de 2021, estima-se que a indústria farmacêutica consiga produzir 11 bilhões de doses, o suficiente para a população adulta mundial, diz um documento divulgado na última quarta-feira (19) por associações profissionais do setor na Europa e nos EUA.

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