domingo, janeiro 13, 2019

Há três cenários diferentes para as perspectivas do governo de Jair Bolsonaro


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Charge do Paixão (Gazeta do Povo)
Merval PereiraO Globo
Com citações da análise do historiador Jorge Caldeira e de um estudo do IPEA, além de sua experiência no campo da gestão pública, o economista Claudio Porto, fundador da consultoria Macroplan, especializada em planejamento e gestão, montou três cenários para o governo de Jair Bolsonaro que ora se inicia.
Para tanto, considerou o jogo de interesses de três grandes grupos de atores no país: os agentes econômicos, que demandam equilíbrio fiscal, crescimento sustentável e competitividade; as corporações, que reivindicam a manutenção de direitos especiais, privilégios e proteções; e a população, que hoje exige segurança, integridade, políticas e serviços públicos de qualidade e oportunidades de trabalho.
ENORME PASSIVO – Porto alerta que não é possível superar o enorme passivo de problemas e desafios estruturais do Brasil em apenas quatro anos. Lembra que, como desataca o historiador Jorge Caldeira, na década de 1970, Brasil e China adotaram estratégias opostas de crescimento econômico.
O Brasil “mirou a economia interna e … previu construir, ao mesmo tempo, tudo o que faltava para o país virar uma grande potência…  apostou no (mercado interno) e no Estado como o centro da economia …  Já a China, país milenarmente isolado, anunciou que se atiraria aos negócios globais”.
A história é conhecida: em dezembro passado, a China celebrou os 40 anos das reformas econômicas que transformaram o país na segunda maior economia do planeta, com uma extraordinária redução de pobreza.
ABAIXO DA MÉDIA – O Brasil desde os anos de 1980 cresce menos que a média mundial (Brasil 2,4% x mundo 2,9%).  A China criou um setor privado exuberante, que aproveitou as oportunidades da globalização. Citando Caldeira, Claudio Porto ressalta que as empresas globais chinesas compram empresas brasileiras em penca.
Agora, Porto vê o otimismo brasileiro ressurgindo, prenunciando que uma mudança disruptiva pode estar em curso no país. Os gargalos fiscais e financeiros destruíram as margens de manobra, e será necessário, segundo sua análise, ao menos o triplo deste tempo para construir uma saída para o crescimento sustentável.
Por isso, a Macroplan projeta três cenários para o país para o horizonte 2019-2030: (1) globalização econômica inclusiva; (2) crescimento com desigualdade; ou (3) pacto da mediocridade.
FAZER ESCOLHA – Este  jogo leva a um trilema que envolve um conflito distributivo:  o País terá de fazer uma escolha entre as três opções, das quais apenas duas podem ser conciliadas simultaneamente, pois, na visão de Porto, não há margem de manobra para acomodações no curto e médio prazos.
O melhor cenário antecipa uma mudança radical do Brasil: uma aposta firme e continuada na globalização econômica inclusiva. 40 anos depois da China, as principais forças políticas, econômicas e sociais brasileiras escolhem apostar na inserção global de nossa economia e conjugar o atendimento das demandas dos agentes econômicos competitivos com as da população em detrimento das corporações.
Nesse ambiente, o país empreende sucessivos ciclos de reformas macro e microeconômicas com uma abertura progressiva e expressiva da economia. Forte ajuste fiscal estrutural, redução e focalização do gasto público, desregulamentação, desestatização e parcerias público-privadas.
CAPITAL EXTERNO – Um ambiente de negócios previsível e seguro estimula a concorrência e atrai capital externo de qualidade. Estado compacto, com função empresarial reduzida e mais intenso como regulador e provedor de segurança nacional e jurídica. Além da segurança pública, a agenda social privilegia educação básica, proteção social aos mais vulneráveis, e política trabalhista que estimula o emprego.
Com essas medidas, a economia acelera o crescimento. Mas são previsíveis fortes resistências e pressões contrárias, especialmente nos anos iniciais. O rendimento médio de servidores públicos e aposentados sofre perdas significativas. E vários segmentos da indústria, comércio e serviços desaparecem ou são absorvidos por cadeias globais.
Do ponto de vista econômico, este cenário se aproxima do “cenário transformador” de Cavalcanti & Souza Júnior, publicado na Nota Técnica 41 do IPEA (4º trimestre de 2018), que estima taxas de crescimento médias do PIB e do PIB per capita de 4,0% e 3,4% ao ano, respectivamente.
(Amanhã, o perigo da mediocridade)  

Hospital Albert Einstein decide processar o ator José de Abreu por difamação


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Abreu acusou o hospital de complô para eleger Bolsonaro
Deu na Folha
O Hospital Israelita Albert Einstein anunciou que irá processar o ator da Globo José de Abreu, 72 anos, por conta de um tuíte no qual ele acusa a instituição de ter apoiado o atentado contra o então candidato à Presidência Jair Bolsonaro (PSL).  “Teremos um governo repressor, cuja eleição foi decidida numa facada elaborada pelo Mossad, com apoio do hospital Albert Einstein, comprovada pela vinda do PM (primeiro-ministro) israelense, o fascista matador e corruptor Bibi. A união entre a igreja evangélica e o governo israelense vai dar m*”, dizia o tuíte em questão, publicado por Abreu no dia da posse de Bolsonaro como presidente do Brasil e apagado minutos depois.
Em nota, o hospital qualifica a acusação como “grave, insultuosa e infundada”, além de afirmar que tomará medidas judiciais contra Abreu, para “zelar por seu compromisso com a sociedade brasileira”.
Durante a corrida eleitoral, Abreu, que apoiou Haddad no segundo turno, chegou a se indispor com a colega de canal Regina Duarte, por seu apoio a Bolsonaro.
“Não respeito artista que apoia fascista”, afirmou na ocasião.
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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
 – A direção do Hospital Albert Einstein deveria rever sua decisão. O ator retirou do ar a ofensa minutos depois de tê-la postado, praticamente ninguém leu, até porque José de Abreu não está com essa bola toda. Seu comportamento foi infantil e patético. Na verdade, ele não ofendeu ao hospital – o principal ofendido foi ele próprio, que demonstrou ser irresponsável e não ter medo do ridículo. Depois dessa bobajada, quem pode levar a sério alguma coisa dita por ele? (C.N.)

Nomeações de apadrinhados inexperientes e golpes de marketing prejudicam o governo


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Sem currículo, Carreiro foi nomeado de forma equivocada
Bruno BoghossianFolha
O governo levou dez dias para perceber que o protegido político nomeado para o comando da Agência de Promoção de Exportações não tinha qualificação para a vaga. A indicação de Alex Carreiro e sua demissão atrapalhada são sintomas de um apagão gerencial.
Jair Bolsonaro e seus ministros fizeram estardalhaço para remover funcionários que consideravam incapazes de seguir o programa do novo presidente. Em vez de recorrer ao golpe de marketing da “despetização”, o governo deveria ter dedicado mais tempo a uma análise cuidadosa de suas próprias nomeações.
E O CURRÍCULO? – Ninguém deve ter lido o currículo de Carreiro antes de dar a ele a presidência da Apex. A maior qualificação do publicitário era a devoção a Bolsonaro nas redes sociais e o contato com alguns figurões de sua equipe durante a campanha.
Em poucos dias no comando da agência, ele foi fritado por colegas. Na quarta-feira (dia 9), o chanceler Ernesto Araújo declarou no Twitter que Carreiro havia pedido demissão. O problema é que o publicitário apareceu para dar expediente no dia seguinte.
Araújo confundiu a rede social com o Diário Oficial. Carreiro se amarrou à cadeira, disse que não havia pedido para deixar o cargo e afirmou que só sairia demitido pelo próprio Bolsonaro. O presidente deixou o chanceler na chuva por 24 horas até confirmar a troca na agência.
APAGÃO INICIAL – O improviso e o blá-blá-blá da politicagem enferrujam as engrenagens do novo governo. Nomeações de apadrinhados inexperientes e bravatas administrativas atrasam e paralisam até atividades burocráticas.
A Casa Civil chegou a ficar travada com o expurgo tolo promovido pelo ministro Onyx Lorenzoni. A situação é inusitada: servidores que pediram exoneração não conseguem ser demitidos porque não há funcionários administrativos para cuidar disso.
Assim que assumiu o poder, Bolsonaro anunciou uma revisão geral dos atos assinados nos últimos meses do governo Temer. Talvez seja mais importante fazer um pente-fino nas decisões dos últimos dez dias.

Bolsonaro será operado no dia 28 e o general Mourão ficará duas semanas no poder


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Bolsonaro vai se afastar e Mourão ficará 14 dias no poder
Carlos Newton
Se não houver contratempos, a nova cirurgia do presidente eleito Jair Bolsonaro, para a retirada da bolsa de colostomia, está marcada para o próximo dia 28 de janeiro, segundo a equipe médica do Hospital Albert Einstein, de São Paulo. Mas tudo vai depender do exame a ser feito pela equipe do cirurgião Antônio Luiz de Vasconcellos Macedo, antes de Bolsonaro viajar para participar do Fórum Econômico Mundial, em Davos, na Suíça, entre os dias 22 e 25.
TERCEIRA CIRURGIA – Se estiver tudo bem, o presidente terá permissão para fazer a viagem e depois passar pela terceira operação, que retirará a bolsa de colostomia, para que seu aparelho intestinal volte a funcionar normalmente.
Segundo o chefe da equipe médica, o presidente ficará cerca de duas semanas afastado – sete dias no hospital, com acompanhamento permanente, e mais sete dias em casa, para completa recuperação.
Durante sua ausência, Bolsonaro será substituído pelo vice-presidente Hamilton Mourão, que assumirá o cargo interinamente.
MATRIZ E FILIAL – Como se vê, o sistema de poder aqui na Filial Brasil é diferente do adotado na Matriz Estados Unidos. Lá, o vice-presidente somente assume quando o presidente está impedido de exercer a função. Ao viajar, o presidente norte-americano continua no poder e despacha normalmente a bordo do Air Force One ou no país onde se encontrar.
Recorde-se o caso de Ronaldo Reagan, que sofreu um grave atentado em 30 de março de 1981, 69 dias após ter assumido a presidência. Quanto saía do Hilton Hotel em Washington, a comitiva foi atacada a tiros por John Hinckley Jr., que era desequilibrado mental. O primeiro tiro atingiu a cabeça de James Brady, secretário de Imprensa da Casa Branca, que ficou incapacitado pelo resto da vida. O segundo disparo foi nas costas do policial Thomas Delahanty e o terceiro projétil atingiu a janela de um prédio do outro lado da rua. O quarto tiro acertou o abdómen do agente Tim McCarthy, da CIA, o quinto disparo atingiu o vidro à prova de balas da limusine presidencial, e o sexto e último projétil ricocheteou na carroceria e acertou o presidente na sua axila esquerda, passando de raspão por uma costela e se alojando no pulmão, parando quase a uma polegada do coração.
EM CONSCIÊNCIA – Em estado grave, Reagan foi internado para operação de emergência, mas surpreendeu a equipe médica e não permitiu receber anestesia geral, para não ser substituído pelo vice-presidente. Foi operado assim, em estado de consciência, aos 70 anos, e teve uma surpreendente recuperação, sem abandonar o poder em momento algum.
Aqui na Filial a conversa é outra. Toda vez que o presidente viaja, o vice tem de assumir, com aquela cerimônia ridícula e tudo o mais, em plena Era da Cibernética, com comunicação imediata em tempo real.
Assim, Mourão vai assumir e espera-se que não faça como o vice Manuel Vitorino Pereira, que ocupou o cargo durante quatro meses, em 1896, quando o presidente Prudente de Moraes adoeceu. Vitorino não conhecia limites, comprou o Palácio do Catete, transferiu o governo para lá, criou várias crises e causou a demissão do ministro da Justiça, Alberto Torres, um dos políticos mais importantes do país.
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P.S.
 – Como há males que vêm para bem, vamos ter oportunidade de ver Mourão no poder. Espera-se que não nomeie o filho para a presidência do Banco do Brasil, alegando que o rebento foi “perseguido em governos anteriores”.(C.N.)

Inflação de 2018 é de 3,75%, mas muitos setores subiram bem mais do que o IPCA


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Charge do Nani (nanihumor.com)
Pedro do Coutto
Reportagem de Daniela Amorim e Maria Regina Silva, edição de ontem de O Estado de São Paulo, destaca o índice geral da inflação registrado em 2018. Ficou em 3,75%, portanto ,abaixo da meta do governo Temer, que esperava uma variação de 4%. Mas a mim parece que o índice inflacionário varia na renda das famílias. Podemos citar como exemplo os planos de saúde, cuja correção foi de 11,1% ao longo dos doze meses. O setor de alimentos, claro, foi o que mais subiu, como é natural, porque para os grupos sociais de renda menor o peso da alimentação é maior.
A inflação tem de ser calculada através da média algébrica, cálculo em que cada setor possui um peso diferente. A partir daí é que se identificam os aumentos de preço no mercado de consumo.
COMPLEXIDADE – A questão é bastante complexa, como já afirmei em artigo anterior, porque os itens das despesas obrigatórias não podem somente ser calculados à base dos preços mínimos registrados nos vários setores do mercado. Porém, esta é a regra adotada pelo IBGE e que portanto temos de seguir.
O que acontece com o índice inflacionário é que ele se destina a registrar a reposição do custo de vida ocorrido ao longo de um ano. Portanto, os reajustes de salários não antecedem, mas sim sucedem a inflação. Este aspecto pode ser sintetizado no fato de a reposição inflacionária se esgotar no mês da recomposição do salário.  A partir daí, os preços continuam a subir e sua reposição para os vencimentos dos trabalhadores e funcionários públicos continua perdendo para as elevações de preço. Esse critério é inevitável, porém ele espelha uma realidade insubstituível.
COMPRESSÃO SALARIAL – O índice de desemprego que atinge doze milhões e brasileiros e brasileiras vai contribuir inevitavelmente para uma compressão salarial, pois a oferta de mão de obra continua sendo muito maior do que a demanda para as empresas particulares e estatais, além de limitar, como está limitando, o acesso a cargos públicos de modo geral.
O panorama aí está e dentro da nuvem econômica não se vislumbra qualquer esperança otimista. Pois não se investe porque o consumo não se expande, e o consumo não se expande porque não há investimento.
Esta dualidade atravessa o espelho do tempo e apaga qualquer pensamento otimista.

Processos contra Temer, que estavam parados, agora vão correr na primeira instância


Toffoli vai enviar os processo de Temer para primeira instância
José Carlos Werneck
O presidente do Supremo Tribunal Federal, ministro Dias Toffoli, decidiu que o ministro Luís Roberto Barroso é que deverá analisar, depois do recesso judiciário, o pedido de remeter para a primeira instância a denúncia da procuradora-geral da República, Raquel Dodge, no processo contra Michel Temer referente ao episódio dos portos, bem como abrir cinco novos inquéritos contra o ex- presidente.
Realmente, o presidente do STF tomou a decisão acertada, já  que o ministro Luís Roberto Barroso é o relator do processo, no tribunal.
CORRUPÇÃO E LAVAGEM – Michel Temer foi denunciado por Raquel Dodge, no episódio do decreto dos portos, por corrupção e lavagem de dinheiro, em 19 de dezembro, quando o Supremo já estava entrando em recesso, e os pedidos da procuradora-geral, para que o ex-presidente responda em Primeira Instância e para instaurar cinco novas investigações, ficaram com Toffoli, que regimentalmente, como presidente, é o responsável pelo plantão judiciário, no tribunal.
Segundo a denúncia, o ex-presidente teria, por decreto, favorecido empresas do setor portuário.
Toffoli entendeu que não haver urgência que exija pronta decisão da presidência do STF no recesso e, desse modo, o tema será analisado pelo ministro relator Luís Roberto Barroso, findo o recesso.
FIM DO RECESSO – As outras duas denúncias e uma investigação contra Michel Temer, que estão com o ministro Luiz Edson Fachin, igualmente serão remetidas à Primeira Instância após o dia 20, quando o recesso do Judiciário terminar. Michel Temer não responde mais perante o STF, em virtude de ter perdido o foro privilegiado, por ter deixado a Presidência da República.
Temer foi denunciado por corrupção no episódio da mala contendo R$ 500 mil, recebida da JBS, por Rodrigo Rocha Loures e por ser supostamente líder de quadrilha do MDB que fraudava estatais, mas a Câmara barrou o prosseguimento dos dois processos no Supremo.
OUTRA PROPINA – O ex-presidente também é alvo de investigação, por suposto recebimento de propina da Odebrecht, mas, nesse caso, ainda não sofreu denúncia da procuradora-geral, que entendeu que ele não poderia ser acusado por ato cometido fora do cargo. E a decisão, assim, seria de alçada da Primeira Instância, quando terminasse o mandato.
O caso de recebimento de propina da Odebrecht, em que Raquel Dodge não ofereceu denúncia por serem crimes praticados antes de Temer se tornar presidente, também deverá seguir para um juiz de 1ª instância. Temer teria recebido parte de R$ 10 milhões acordados com a Odebrecht em um jantar no Palácio do Jaburu.
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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
 – Temer é um homem acuado, que vive em estado permanente de tensão. Sabe que não terá como escapar das condenações, pois as provas contra ele são abundantes. Mas dificilmente irá para a cadeia, porque é um homem muito “doente”, tipo Paulo Maluf e Jorge Picciani, e sempre haverá um ministro no Supremo disposto a libertá-lo, assim que passar a usar fraldas geriátricas. Aliás, Maluf está tão bem de saúde que solicitou sua reintegração como deputado. Quer dizer, tem saúde para reassumir o cargo em Brasília, mas está doente demais para cumprir pena na Papuda… E la nave va, cada vez mais fellinianamente(C.N.)

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