terça-feira, julho 12, 2011

Danos morais - TJ/RJ – Carioca deve indenizar vizinhos a quem acusou de dar gritos escandalosos na hora do sexo


O desembargador Sérgio Silveira, da 4ª câmara Cível do TJ/RJ, manteve decisão que condenou um carioca a indenizar vizinhos a quem acusou em reunião de condomínio de dar gritos escandalosos na hora do sexo.

De acordo com a decisão, o carioca tornou publico as intimidades do casal em um livro do condomínio, no qual especificava de forma ofensiva os ruídos originados no apartamento, "comparando-os com àqueles somente omitidos em prostíbulos, causando constrangimento aos demais moradores do prédio".

Para o desembargador Sérgio Silveira, as assertivas registradas no livro do condomínio "extrapolam o âmbito da liberdade de expressão para atingir honra dos autores". Segundo o magistrado, elas "excedem a mera abordagem à reclamação tornando publica as intimidades do casal perante os demais condôminos".

A sentença mantida condenou o réu a indenizar a cada um dos autores na quantia de R$ 5.100,00 a titulo de dano moral, quantia considerada mais do que suficiente à reparação do dano, pelo magistrado, "a fim de que o recorrente repense sua conduta e, com a satisfação da obrigação, possam as partes por um fim no infortúnio que lhes acometeu".

Confira abaixo a decisão na íntegra.

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Estado do Rio de Janeiro

Poder Judiciário

Tribunal de Justiça

4ª Câmara Cível

Acórdão na Apelação Cível nº – Quarta Câmara Cível – jc. 01
APELAÇÃO
APELANTE: L. B. F.
APELADOS: J. C. S. L. E OUTRA
RELATOR: DES. SÉRGIO JERÔNIMO ABREU DA SILVEIRA

Ação de indenização por danos morais. Reconvenção indeferida. Dano moral configurado. As assertivas registradas no livro do condomínio excedem a mera abordagem à reclamação tornando pública as intimidades do casal perante os demais condôminos. Extrapolam o âmbito da liberdade de expressão para atingir a honra dos autores.

Quantum fixado pelo juízo a quo de R$ 5.100,00 para cada autor é mais do que suficiente à reparação do dano, seja pelo seu aspecto lenitivo, seja por sua natureza dissuasória. Recurso que se nega seguimento na forma do art. 557, caput do Código de Processo Civil.

DECISÃO MONOCRÁTICA

A demanda versa sobre pedido de indenização por danos morais proposta pelos autores, em razão do réu ter tornado publico as intimidades do casal através do livro do condomínio, onde especificava de forma ofensiva os ruídos originados em seu apartamento, comparando-os com àqueles somente omitidos em prostíbulos, causando constrangimento aos demais moradores do prédio. Afirmam que as reclamações atingiram sua honra, denegrindo a imagem perante os demais moradores, tornando publica a intimidade do casal. Requerem em preliminar a concessão do segredo de justiça, bem como a condenação do réu ao pagamento de indenização a título de danos morais.

Reconvenção às fls. 40/44, acompanhada dos documentos de fls. 45/52 onde o reconvinte pretende inverter a situação, de modo que sejam os autores a indenizá-lo por danos morais.

Contestação de fls. 54/60, acompanhado dos documentos de fls. 60/72, requerendo inicialmente à inclusão do condomínio no pólo passivo, como litisconsorte necessário. No mérito, afirma que os autores não negaram em momento algum não serem os responsáveis pelo barulho. Relata que lançou as reclamações no livro próprio do condomínio, uma vez que as mesmas não obtiveram resultado, sustentando que o condômino encaminhou carta aos autores solicitando providências, inclusive, com aplicação das medidas administrativas.

Requer a citação do condomínio com a improcedência do feito.

Dizem os reconvindos em resposta à reconvenção, que jamais tiveram a intenção de causar qualquer incômodo aos vizinhos, e que a reclamação deveria ter sido levada diretamente aos autores e não por meio de livro que expuseram sua intimidade (fls. 85/91 e doc. 101/103).

Audiência de conciliação sem êxito às fls. 108.

Decisão saneadora às fls. 111/112, onde foi indeferida a inicial de reconvenção e o pedido de formação de litisconsórcio passivo, bem como a produção de provas.

Audiência de instrução e julgamento de fls. 119, com depoimento de três testemunhas (fls. 120/122).

Nova audiência de instrução e julgamento às fls. 124, onde foi ouvida a testemunha conduzida por ter faltado à anterior, apesar de intimada. O réu requereu e foi deferida prova pericial de engenharia.

Laudo pericial às fls. 180/189, tendo as partes se manifestado as fls. 193/195 e 197.

Sentença de fls. 199/202, julgando procedente o pedido para condenando o réu a indenizar a cada um dos autores na quantia de R$ 5.100,00 a titulo de dano moral, acrescida de juros de mora a contar da citação e correção monetária da data da sentença. Condenando ainda o réu nas despesas judiciais e honorários advocatícios fixados em 10% sobre o valor da condenação.

Apelação da parte ré às fls. 204/212, reeditando os argumentos interpostos por ocasião da apresentação da contestação, afirmando que a sentença não esta de acordo com as provas dos autos, notadamente as provas testemunhais. Pugna pela reforma in totum da sentença

Contrarrazões dos autores às fls. 216/221.

É o relatório.

Decido.

O recurso é tempestivo e corretamente preparado. Registre-se, desde logo, que o recurso comporta julgamento abreviado, consoante dispõe o art. 557 do CPC.

Conforme consta do relatório a demanda versa sobre pedido de indenização por danos morais, formulado pelos autores em razão do réu ter exposto as intimidades do casal no livro de reclamações do condomínio.

Por seu turno, o réu apresentou pedido reconvencional objetivando ser indenizado por danos morais, face a conduta dos autores. Entendeu o magistrado singular indeferir a inicial da reconvenção julgando procedente o pedido autoral.

Desta forma, não assiste razão ao apelante, afigurando-se correto o decisum. A sentença recorrida se encontra, portanto, em sintonia com a jurisprudência uníssona da E. Corte Superior, não estando a merecer, reforma inexistido, outrossim, fato novo a ensejar a sua modificação.

Incumbe ressaltar quanto à autoria das reclamações, foram cabalmente comprovadas, notadamente às fls. 10, verbis: “Mais uma vez, faço uso deste instrumento para pedir providenciais urgentes no sentido de resolver definitivamente a questão de comportamento adotada pelo casal residente no apartamento 304.

Tal comportamento, já relatado em outros registros feitos por mim, vem se tornando cada vez menos adequado e apenas aceitável em prostíbulos e motéis baratos de beira de estrada. O casal a quem me refiro, em suas atividades íntimas, passam de gemidos indiscretos a gritos escandalosos”, podendo-se absorver dos autos juízo de mérito condenatório.

Há, portanto, inequívoca pessoalização em tais comentários.

Portanto, a procedência da demanda, restringe-se essa à ocorrência de dano moral em prejuízo dos requerentes, dano esse que, indubitavelmente, há de ser reconhecido.

Indiscutível, no presente caso, a obrigação indenizatória, uma vez que presentes os pressupostos básicos para a caracterização do dever de indenizar, tais: conduta antijurídica, dolosa ou culposa, nexo entre o ato ilícito e o dano, e, por fim, o dano.

As assertivas registradas no livro do condomínio excedem a mera abordagem à reclamação tornando publica as intimidades do casal perante os demais condôminos. Extrapolam o âmbito da liberdade de expressão para atingir honra dos autores.

A parte demandada, no caso, desbordou dos limites do razoável ao registrar a sua inconformidade damaneira como o fez. Nas palavras do Desembargador do Tribunal de Justiça do Estado do Rio de Janeiro, SÉRGIO CAVALIERI FILHO: Programa de Responsabilidade Civil. 6.ed.rev,aum. E atual,São Paulo: Malheiros Editores ,2005,p.41.

“Sendo o ato ilícito, conforme já assinalado, o conjunto de pressupostos da responsabilidade, quais seriam esses pressupostos na responsabilidade subjetiva? Há primeiramente em elemento formal, que é a violação de um dever jurídico mediante conduta voluntária; um elemento subjetivo, que pode ser o dolo ou a culpa; e, ainda, um elemento causal-material, que é o dano e a respectiva relação de causalidade. Esse três elementos, apresentados pela doutrina francesa como pressupostos da responsabilidade civil subjetiva, podem ser claramente identificados no art. 186 do Código Civil, mediante simples análise de seu texto, a saber:

a) conduta culposa do agente, o que fica patente pela expressão ‘aquele que, por ação ou omissão voluntária, negligência ou imperícia’;

b) nexo causal, que vem expressa no verbo causar; e c) dano, revelado nas expressões ‘violar direito ou causar dano a outrem’. Portanto, a partir do momento em que alguém, mediante conduta culposa, viola direito de outrem e causa-lhe dano, está-se diante de um ato ilícito, e deste ato deflui o inexorável dever de indenizar, consoante o art. 927 do Código Civil. Por violação de direito deve-se entender todo e qualquer direito subjetivo, não só os relativos, que se fazem mais presentes no campo da responsabilidade contratual, como também e principalmente os absolutos, reais e personalíssimos, nestes incluídos o direito à vida, à saúde, à liberdade, à honra, à intimidade, ao nome e à imagem”. (grifo nosso).

Dessa forma, resta evidente a ocorrência de dano moral diante da sua publicidade.

Assim, em relação à prova dos danos morais, por se tratar de dano imaterial, ela não pode ser feita nem exigida a partir dos meios tradicionais, a exemplo dos danos patrimoniais. Exigir tal diligência seria demasia e, em alguns casos, tarefa impossível.

Considerando que o dano moral diz respeito à violação dos direitos referentes à dignidade humana, a doutrina especializada e a jurisprudência dominante do Superior Tribunal de Justiça já sedimentou que a conseqüência do dano encontra-se ínsita na própria ofensa, porquanto deflui da ordem natural das coisas, tomando-se como parâmetro a vida comum das pessoas.

Nessa perspectiva, para a demonstração do dano moral basta a realização da prova do nexo causal entre a conduta (indevida ou ilícita), o resultado danoso e o fato.

Não se trata de uma presunção legal, pois é perfeitamente admissível a produção de contraprova, se demonstrado que não consiste numa presunção natural.

No caso dos autos, é preciso levar-se em consideração o fato de que a discussão envolve danos morais puros e, portanto, danos que se esgotam na própria lesão à personalidade, na medida em que estão ínsitos nela. Por isso, a prova destes danos restringir-se-á à existência do ato ilícito, devido à impossibilidade e à dificuldade de realizar-se a prova dos danos incorpóreos.

Trata-se de dano moral in re ipsa, que dispensa a comprovação da extensão dos danos, sendo estes evidenciados pelas circunstâncias do fato. Nesse sentido, destaca-se a lição de Sérgio Cavalieri Filho, Desembargador do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro:

“Entendemos, todavia, que por se tratar de algo imaterial ou ideal a prova do dano moral não pode ser feita através dos mesmos meios utilizados para a comprovação do dano material. Seria uma demasia, algo até impossível, exigir que a vitima comprove a dor, a tristeza ou a humilhação através de depoimentos, documentos ou perícia; não teria ela como demonstrar o descrédito, o repúdio ou o desprestígio através dos meios probatórios tradicionais, o que acabaria por ensejar o retorno à fase da irreparabilidade do dano moral em razão de fatores instrumentais.

Neste ponto, a razão se coloca ao lado daqueles que entendem que o dano moral está ínsito na própria ofensa, decorre da gravidade do ilícito em si. Se a ofensa é grave e de repercussão, por si só justifica a concessão de uma satisfação de ordem pecuniária ao lesado. Em outras palavras, o dano moral existe in re ipsa; deriva inexoravelmente do próprio fato ofensivo, de tal modo que, provada a ofensa, ipso facto está demonstrado o dano moral à guisa de uma presunção natural, uma presunção hominis ou facti, que decorre das regras de experiência comum.” (Programa de Responsabilidade Civil, 5ª ed., Malheiros, 2004, p. 100/101).

No entanto, não sendo possível a restitutio in integrum em razão da impossibilidade material desta reposição, transforma-se a obrigação de reparar em uma obrigação de compensar, haja vista que a finalidade da indenização consiste, justamente, em ressarcir a parte lesada.

Demonstrada a presença dos pressupostos da obrigação de indenizar, passa-se à quantificação da indenização.

Da quantificação do dano moral.

Primeiro ponto que se deve ressaltar é ter a condenação única e exclusiva finalidade reparatória, ou seja, mensurasse indenização, não podendo estabelecer-se valores elevados, requisito esse ditado pelo caso concreto; sob pena de desfigurar a natureza da medida, e, sob a suposta justificativa de se estar ressarcindo a vítima do evento, estar-se, a toda evidencia e unicamente, sancionado o agente da conduta lesiva.

Não é, para isso, a finalidade do direito civil. Eventual reprovação por conduta típica, ilícita e culpável deve ficar adstrita à seara competente. Nota-se que da lesão, repercussões essas muito mais emocionais trouxeram, saliento, às partes, do que qualquer outra consequência. Essa circunstância, sem dúvida alguma, já esta a sinalizar a necessidade de arbitramento ponderado e razoável ante a extensão do prejuízo, ainda que estritamente imaterial.

O Novo Código Civil, especificamente nos dispositivos 944, § único e 953, § único, refere expressamente a necessidade de aplicação da eqüidade como parâmetro oferecido ao juiz para a fixação da indenização do dano moral, daí resulta a imprescindibilidade de serem consideradas as circunstâncias alhures mencionadas.

Considerando a peculiaridade do caso e a real tutela que se deve legitimar com a presente, tenho que o montante da indenização fixado pelo juízo a quo de R$ 5.100,00 para cada autor é mais do que suficiente à reparação do dano, seja por seu aspecto lenitivo, seja por sua natureza dissuasória, a fim de que o recorrente repense sua conduta e, com a satisfação da obrigação, possam as partes por um fim no infortúnio que lhes acometeu.

Ante o exposto, na forma acima, com fulcro no art. 557, caput do Código de Processo Civil, nego seguimento ao recurso, mantendo na íntegra a sentença guerreada.

Rio de Janeiro, 01 de julho de 2011

Sérgio Jerônimo Abreu da Silveira

Des. Relator.

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Fonte: Migalhas

Nos jornais: empresa que doou para PR e ministra multiplica contratos

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Nos jornais: empresa que doou para PR e ministra multiplica contratos

Folha de S. Paulo Empresa que doou para PR e ministra multiplica contratos Uma empreiteira do Paraná, que concentrou doações eleitorais para partidos aliados do governo e é alvo de investigações por irregularidades, aumentou em 1.273% seus contratos com o …

Folha de S. Paulo

Empresa que doou para PR e ministra multiplica contratos

Uma empreiteira do Paraná, que concentrou doações eleitorais para partidos aliados do governo e é alvo de investigações por irregularidades, aumentou em 1.273% seus contratos com o Dnit (Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes) de 2004 a 2010. Desde o início do governo Lula, a Sanches Tripoloni, de Maringá, vive um crescimento em seus contratos. Saiu de R$ 20 milhões em 2004 para R$ 267 milhões no ano passado (valores atualizados). Em maio de 2009, a empresa foi declarada inidônea pelo TCU (Tribunal de Contas da União), ou seja, proibida de fazer negócios com a administração pública.

Auditoria concluiu que a licitação em que a empreiteira conquistou um contrato com o Dnit para fazer o contorno rodoviário em Foz do Iguaçu (PR) “deu-se de forma extremamente viciada”. Entre as irregularidades, foi apontado um sobrepreço de R$ 9,9 milhões. Em dezembro passado, após recurso apresentado pela empreiteira, o TCU aceitou argumentos de que as provas colhidas contra a empresa não eram conclusivas, mas apenas “indiciárias”. Ano passado, quando estava impedida de fechar contratos, a Tripoloni doou R$ 2,5 milhões para campanhas do PR, que controla o Dnit.

Do total, R$ 500 mil foram para o padrinho do diretor-geral afastado do órgão, Luiz Antonio Pagot, o senador Blairo Maggi (PR-MT). A construtora também repassou R$ 510 mil para a campanha da ministra da Casa Civil, Gleisi Hoffmann (PT-PR), mulher do ministro Paulo Bernardo (Comunicações). Desde o início da crise nos Transportes, políticos do PR dizem, sem apresentar provas, que Paulo Bernardo atuou em prol de empreiteiras, o que ele nega.

Ministros do PT negam ter feito pedidos a Pagot

O ministro Paulo Bernardo e a ministra Gleisi Hoffmann disseram que os donos da construtora Sanches Tripoloni são apenas “conhecidos”. Eles negaram ter pedido ao Dnit ou ao seu diretor Luiz Antonio Pagot que liberassem recursos para a obra da Tripoloni em Maringá (PR). “Não [pedi a Pagot]. Conseguimos uma emenda de bancada, a pedido da prefeitura de Maringá, que foi liberada”, informou Bernardo. Sobre as doações de campanha, Gleisi disse que a iniciativa partiu da Tripoloni: “Visitei Maringá na campanha e eles perguntaram se podiam ajudar. Respondi que sim e pedi à minha assessoria que os procurasse. Está tudo devidamente registrado no site da Justiça Eleitoral”.

Procuradoria vai apurar suspeita de fraude na Petrobras

O procurador-geral da República, Roberto Gurgel, disse ontem que o Ministério Público Federal vai apurar se a empresa Manchester Serviços, do senador Eunício Oliveira (PMDB-CE), participou de uma fraude em uma licitação da Petrobras. O Tribunal de Contas da União também vai investigar o caso. A empresa procurou ao menos uma concorrente antes de uma licitação para apoio à gestão empresarial da estatal -um contrato de cerca de R$ 300 milhões. A lista de participantes não é divulgada antes do certame. O caso, revelado pelo jornal “O Estado de S. Paulo”, levantou a suspeita de que a Manchester teve acesso à lista antes da disputa.

Dilma contraria PR e confirma interino nos Transportes

A presidente Dilma Rousseff nomeou ontem o secretário-executivo do Ministério dos Transportes, Paulo Sérgio Passos, 60, para assumir definitivamente a pasta. O Planalto informou em nota que “o convite foi aceito”.
À frente do ministério há nove anos, o PR fazia restrições ao nome, dizendo que Passos, filiado desde 2006, não contempla a legenda. Dilma tomou a decisão sem consulta prévia ao partido. Lideranças da sigla se reuniram ontem à noite para avaliar a indicação.

O líder do PR na Câmara, Lincoln Portela (MG), limitou-se a dizer: “Cumpra-se”. Ele desembarcava em Brasília quando recebeu a notícia da ministra Ideli Salvatti (Relações Institucionais).

Passos era o número dois de Alfredo Nascimento, derrubado semana passada por suspeita de irregularidades na pasta. Ao nomeá-lo, Dilma fez prevalecer sua vontade à do PR, mesmo sob ameaças veladas de rompimento.
O novo ministro passou os últimos dias sob bombardeio constante de líderes do próprio partido. Eles diziam que o aumento de gastos com obras aconteceu durante a campanha de 2010, quando Passos era ministro interino.

Governo tenta esfriar tom do depoimento de Pagot

O governo montou estratégia para impedir que o depoimento do chefe afastado do Dnit (Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes), Luiz Antonio Pagot, seja explosivo. A pedido do Planalto, aliados de Pagot e dirigentes do Ministério dos Transportes alertaram que ele será corresponsabilizado caso faça acusações hoje no Senado.

A Folha apurou que, além do PR, técnicos do governo o procuraram para pedir serenidade e avisar que qualquer arroubo será um tiro no pé. O senador Blairo Maggi (MT), que o indicou ao Dnit, também foi recrutado.
Para conter Pagot, líderes aliados admitiram até sua permanência no cargo.

Waldomiro Diniz é denunciado por crimes financeiros

Pivô do primeiro grande escândalo político do governo Lula, o ex-assessor da Presidência Waldomiro Diniz foi denunciado pelo Ministério Público de Brasília por crimes contra a ordem tributária. O dano aos cofres públicos calculado em 2005 pela Receita Federal, de acordo com a denúncia, foi de R$ 259.348,02. O valor, no entanto, pode ser ainda maior, uma vez que não foi atualizado e nele não incide juros. Na ação, o Ministério Público apresenta dados da Receita de 1999 e 2000. Ele não conseguiu comprovar a origem de valores depositados em sua conta e não pagou imposto.

A denúncia, contudo, é estritamente tributária: não apura a origem do dinheiro depositado, só contesta que não houve pagamento de imposto em cima do valor recebido.

Aliado de Tarso diz ter “cota” de R$ 80 mil em nomeações

Um deputado estadual do PTB gaúcho disse que ele e cada um dos demais deputados do partido, por serem da base aliada do governador Tarso Genro (PT), têm direito a indicar funcionários comissionados que somam R$ 80 mil mensais em salários. A afirmação foi feita pelo deputado Ronaldo Santini durante debate na rádio Gaúcha com o deputado federal Sérgio Moraes (PTB-RS): “Nós temos um valor de R$ 80 mil para cada deputado estadual nomear”.
Procurado pela Folha, Santini disse que não iria se manifestar sobre o assunto.

A declaração acirrou a polêmica sobre a partilha de cargos no Estado. Neste ano, a administração do PT criou mais secretarias e ao menos 334 cargos de confiança. Em junho, o governo Tarso, com uma ligeira maioria na Assembleia, precisou recuar em alguns pontos para aprovar um pacote de reforma da previdência estadual. Na ocasião, o governador disse que a vitória no Legislativo impediria uma “crise grega” no Rio Grande do Sul.

O Estado de S. Paulo

TCU vai investigar fraude em licitação

O Tribunal de Contas da União (TCU) abriu um processo para investigar os contratos da Manchester Serviço Ltda com a Petrobrás. A empresa pertence ao senador Eunício Oliveira (PMDB-CE). O procurador Paulo Bugarin, representante do Ministério Público no TCU, entrou com representação pedindo a apuração das relações entre a Manchester e a estatal.

Já o PPS protocolou ontem um pedido na Procuradoria-Geral da República para que o próprio Eunício seja investigado. “Há uma fundada suspeita de envolvimento do representado nos fatos”, afirmou o partido. O PSDB promete para hoje representação semelhante.

O Estado tem revelado desde semana passada uma série de suspeitas envolvendo Manchester e Petrobrás. A empresa do senador recebeu R$ 57 milhões sem licitação desde fevereiro do ano passado e está ligada a uma fraude numa concorrência de R$ 300 milhões realizada em março deste ano. O relator do processo no TCU será o ministro Raimundo Carreiro.

Técnicos do tribunal no Rio de Janeiro, onde a Manchester atua dentro da Petrobrás, assumiram a tarefa de iniciar a investigação.

Na representação, o procurador Paulo Bugarin pede, entre outras coisas, que se apure a legalidade dos contratos que renderam R$ 57 milhões sem licitação. Bugarin solicita detalhes dos contratos e os motivos que levaram a Petrobrás a escolher a empresa do senador do PMDB. O procurador protocolou seu pedido na quinta-feira e o tribunal divulgou ontem a informação. Será incluída na investigação a fraude revelada pelo Estado no domingo na licitação de R$ 300 milhões para um contrato de mão de obra terceirizada.

Dilma efetiva ministro e age contra crise

O ministro interino dos Transportes, Paulo Sérgio Passos, foi efetivado no cargo pela presidente Dilma Rousseff. Ela formalizou o convite ontem, e Passos aceitou. A posse ocorrerá amanhã. A decisão não agrada à bancada de deputados, mas a presidente já providenciou um encontro no Palácio da Alvorada para acalmar os aliados e não deixar a crise do PR contaminar a base governista.

Desde a semana passada Passos vinha substituindo Alfredo Nascimento (PR-AM), afastado depois de denúncias de corrupção nos Transportes. Para o lugar de Nascimento a presidente chamou o senador Blairo Maggi (PR-MT), mas ele não aceitou o convite. O preferido da presidente passou a ser Paulo Sérgio Passos. Mas, por problemas com o PR, principalmente com a bancada de deputados, Dilma teve de esperar o partido se acalmar.

PF investiga Transportes “há tempos”

O ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, informou ontem que “há tempos” a Polícia Federal investiga denúncias de fraudes em licitação, desvio de dinheiro público e corrupção no Ministério dos Transportes e em órgãos vinculados. Ele disse que, a pedido dos partidos de oposição, determinou que o órgão analise se há fatos novos que justifiquem a abertura de outros inquéritos. “A PF tem o dever legal de investigar todo tipo de crimes dessa natureza que afetem o patrimônio público.”

Em entrevista no ministério, acompanhado do diretor-geral da PF, Leandro Daiello Coimbra, Cardozo explicou que, tão logo recebeu o pedido da oposição, determinou ao órgão uma triagem sobre o que é novo e o que já é objeto de apuração. Ele disse que aguardará também a auditoria que a Controladoria-Geral da União (CGU) realiza nos contratos da pasta, a mando da presidente Dilma Rousseff. “Qualquer fato novo verificado determinará a abertura de inquérito.”

Pagot “não vai apontar o dedo” a ninguém, garante Blairo Maggi

O depoimento do diretor afastado do Departamento Nacional de Infraestrutura em Transporte (Dnit), Luiz Antonio Pagot, aguardado desde a semana passada no Senado como uma espécie de exibição de um “homem-bomba” do governo, não deve provocar sobressaltos. Foi o que seu padrinho político e senador Blairo Maggi (PR-MT) afirmou em telefonema ao ministro das Comunicações, Paulo Bernardo, a quem adiantou que Pagot “não vai apontar o dedo” a ninguém, hoje, para se defender das denúncias de um suposto esquema de corrupção no Ministério dos Transportes.

A garantia dada no telefonema só foi possível por conta da operação política que o próprio Blairo conduziu para acalmar o antigo auxiliar, com quem trabalhou no grupo AMaggi nos dois períodos em que esteve à frente do governo do Mato Grosso. Depois da solidariedade aos protestos iniciais de Pagot, o senador o chamou para dizer que era hora de se calar e costurar uma “saída honrosa”. Nas conversas dos dois em Rondonópolis (MT), no fim de semana, foi levantada até a possibilidade de Pagot ficar no cargo provisoriamente por mais uns meses, como forma de “resgatar sua dignidade”.

“Marina foi autoritária”, diz presidente do PV

Com a saída da ex-senadora Marina Silva, o PV já começa a se articular para a eleição municipal de 2012. Em entrevista ao Estado, o presidente da legenda, deputado José Luiz Penna (SP), enfatizou ontem que vai reforçar a aliança política dos verdes com o prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab – que deixou o DEM para montar um novo partido, o PSD. Conta com o apoio dele para lançar como candidato a prefeito da capital o atual secretário do Meio Ambiente, Eduardo Jorge (PV-SP). No Rio, o candidato citado por ele é Fernando Gabeira.

Sobre as críticas que vinha recebendo de Marina, de que o PV está engessado numa estrutura de comando verticalizada e autoritária e que é graças a isso que Penna se mantém no cargo de presidente há 12 anos, ele respondeu: “Não mando nem em minha casa. Sou apenas porta-voz do partido. Os conservadores têm dificuldades para nos codificar, devido à nossa experiência original de direção coletiva, horizontal. O grupo político de Marina não digeriu bem isso. Por mais que eu dissesse que precisava consultar o coletivo antes de tomar decisões, eles não levavam em consideração. Traziam propostas autoritárias de afastamento de pessoas que não iam bem. Ora, se uma pessoa segura o partido em determinada região do País há 20 anos, eu preciso sentar e dialogar com ele. Não dá para tratorar o PV”.

Crise atinge a Itália e derruba bolsas no mundo

Depois da Grécia, da Irlanda e de Portugal, ontem foi a vez de a Itália levar pânico aos investidores, em mais um capítulo da crise das dívidas soberanas que atinge a União Europeia. Em todo o continente, as bolsas de valores operaram no vermelho – em Milão, o índice caiu 3,96% e em Lisboa, 4,28% e houve reflexos fora da Europa. No Brasil, a Bovespa caiu 2,1%, para o menor nível em mais de um ano. A onda de especulações sobre a estabilidade do governo de Silvio Berlusconi cresceu após um novo escândalo de corrupção, agora envolvendo o ministro da Economia, Giulio Tremonti, autor do plano de austeridade aprovado em primeira votação na quinta-feira. Preocupada, a chanceler da A1emanha, Angela Merkel, telefonou a Berlusconi para pedir que a Itália adore o plano de rigor o quanto antes.

Após fracasso, governo divide nova licitação do trem-bala

O governo não recebeu ontem nenhuma proposta para o leilão do trem-bala, planejado para ligar Campinas, São Paulo e Rio de Janeiro. Diante do fracasso do leilão, que ocorreria no próximo dia 29, o governo decidiu dividir a licitação em duas partes, com o objetivo de tentar tornar o projeto mais atrativo para as empresas. A obra está orçada em R$ 33 bilhões.

MPF denuncia três por acidente da TAM

Às vésperas do quarto aniversário da tragédia do A320, o Ministério Público Federal (MPF) apresentou ontem denúncia criminal contra Denise Maria Ayres Abreu, então diretora da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac), e contra dois diretores da TAM na época do acidente: Alberto Fajerman (vice-presidente de Operações) e Marco Aurélio dos Santos de Miranda e Castro (diretor de Segurança de Voo).

A denúncia tem 50 páginas e foi registrada ontem na 1.ª Vara Criminal Federal de São Paulo. Os três denunciados pelo procurador da República Rodrigo De Grandis foram acusados de ter exposto a perigo o Airbus, provocando o acidente e a morte de 199 pessoas naquela que é a maior tragédia da história da aviação brasileira.

Folha de S. Paulo

Estado vai repassar conta de hospitais a planos de saúde

Hospitais estaduais paulistas gerenciados por OSs (Organizações Sociais) passarão a cobrar diretamente dos planos de saúde o atendimento feito a seus conveniados. Esses hospitais, porém, não poderão reservar leitos ou dar tratamento diferenciado a pacientes particulares. É o que diz o decreto do governador Geraldo Alckmin (PSDB), publicado no “Diário Oficial” do Estado na última quinta, que regulamenta lei que permite a oferta de até 25% dos atendimentos a doentes particulares.

O governo deve publicar ainda uma resolução em que identificará as unidades de saúde que poderão firmar contratos com os convênios. A lei passa a valer em 30 dias. Levantamento da Secretaria Estadual da Saúde aponta que um em cada cinco pacientes atendidos em hospitais estaduais na capital paulista têm algum tipo de convênio ou plano de saúde. Mas quem paga essa conta, avaliada em R$ 468 milhões anuais, é o SUS.

Leilão do trem-bala fracassa e regra muda

O leilão do trem-bala fracassou. Nenhum consórcio apresentou proposta para o projeto, o que fez o governo mudar as regras e dividir a licitação em duas etapas. Na primeira fase, será escolhido o operador, que definirá a tecnologia a ser adotada, o projeto executivo e o controle de qualidade da obra. Com isso, fica mais fácil definir o valor de construção do trem-bala ligando Campinas, São Paulo e Rio. Segundo Bernardo Figueiredo, diretor-geral da ANTT (Agência Nacional de Transportes Terrestres), essa etapa será realizada no começo do próximo ano.

No segundo momento, serão escolhidos os grupos responsáveis pela obra civil e pela infraestrutura do empreendimento. Essa etapa também será aberta a empresas internacionais. O governo ficou irritado com a atitude das empreiteiras nacionais, que boicotaram o leilão de ontem por não concordar com os custos estimados pela ANTT. Foi por isso que a agência decidiu que a segunda fase do leilão também será uma concorrência internacional.

Dilma contraria PR e confirma interino nos Transportes

A presidente Dilma Rousseff nomeou ontem o secretário-executivo do Ministério dos Transportes, Paulo Sérgio Passos, 60, para assumir definitivamente a pasta. O Planalto informou em nota que “o convite foi aceito”. À frente do ministério há nove anos, o PR fazia restrições ao nome, dizendo que Passos, filiado desde 2006, não contempla a legenda. Dilma tomou a decisão sem consulta prévia ao partido. Lideranças da sigla se reuniram ontem à noite para avaliar a indicação.

O líder do PR na Câmara, Lincoln Portela (MG), limitou-se a dizer: “Cumpra-se”. Ele desembarcava em Brasília quando recebeu a notícia da ministra Ideli Salvatti (Relações Institucionais). Passos era o número dois de Alfredo Nascimento, derrubado semana passada por suspeita de irregularidades na pasta. Ao nomeá-lo, Dilma fez prevalecer sua vontade à do PR, mesmo sob ameaças veladas de rompimento.

Governo tenta esfriar tom do depoimento de Pagot

O governo montou estratégia para impedir que o depoimento do chefe afastado do Dnit (Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes), Luiz Antonio Pagot, seja explosivo. A pedido do Planalto, aliados de Pagot e dirigentes do Ministério dos Transportes alertaram que ele será corresponsabilizado caso faça acusações hoje no Senado. A Folha apurou que, além do PR, técnicos do governo o procuraram para pedir serenidade e avisar que qualquer arroubo será um tiro no pé. O senador Blairo Maggi (MT), que o indicou ao Dnit, também foi recrutado.

Empresa que doou para PR e ministra multiplica contratos

Uma empreiteira do Paraná, que concentrou doações eleitorais para partidos aliados do governo e é alvo de investigações por irregularidades, aumentou em 1.273% seus contratos com o Dnit (Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes) de 2004 a 2010. Desde o início do governo Lula, a Sanches Tripoloni, de Maringá, vive um crescimento em seus contratos. Saiu de R$ 20 milhões em 2004 para R$ 267 milhões no ano passado (valores atualizados). Em maio de 2009, a empresa foi declarada inidônea pelo TCU (Tribunal de Contas da União), ou seja, proibida de fazer negócios com a administração pública.

Procuradoria vai apurar suspeita de fraude na Petrobras

O procurador-geral da República, Roberto Gurgel, disse ontem que o Ministério Público Federal vai apurar se a empresa Manchester Serviços, do senador Eunício Oliveira (PMDB-CE), participou de uma fraude em uma licitação da Petrobras. O Tribunal de Contas da União também vai investigar o caso. A empresa procurou ao menos uma concorrente antes de uma licitação para apoio à gestão empresarial da estatal -um contrato de cerca de R$ 300 milhões. A lista de participantes não é divulgada antes do certame. O caso, revelado pelo jornal “O Estado de S. Paulo”, levantou a suspeita de que a Manchester teve acesso à lista antes da disputa.

O Globo

Dilma manda BNDES sair do negócio com Pão de Açúcar

A presidente Dilma Rousseff mandou o BNDES desistir de apoiar o empresário Abílio Diniz na fusão do Pão de Açúcar com o Carrefour, em reunião sexta-feira com o presidente do banco, Luciano Coutinho, informa o colunista ANCELMO GOIS. A BNDESPar, braço de participações, injetaria pelo menos R$ 4 bilhões no negócio. Na avaliação de Dilma, o BNDES teria saído desgastado do episódio porque Diniz, aliado do PT nas últimas eleições e amigo do ex-presidente Lula, não deixara claro que o banco só investiria com o aval do sócio Casino. Hoje, Diniz se reúne com acionistas do Casino em Paris, numa última tentativa de manter o acordo.

Após fracasso, governo já admite que trem-bala vai custar mais

Com a falta de interessados no trem-bala – ninguém apresentou proposta no leilão de ontem -, a União decidiu assumir mais riscos e desembolsar recursos públicos se a construção custar mais do que os R$ 23 bilhões previstos. O governo também vai fatiar o processo em dois: um para escolher o operador da linha e outro para fazer a construção.

Crise nos Transportes: presidente contraria PR e efetiva o interino

Após a recusa do senador Blairo Maggi (PR-MT) a assumir os Transportes, a presidente Dilma efetivou como ministro o interino Paulo Sérgio Passos, contrariando o PR. Embora o nome seja o que Dilma queria desde o começo, Passos é ligado ao partido e já estava na pasta quando aconteceram as supostas irregularidades.

Entre Pagot e aloprados, governistas terão um dia duro

A terça-feira promete emoções fortes para o governo. Além das incertezas que envolvem o depoimento hoje do diretor-geral do Dnit, Luiz Antonio Pagot, no Senado, os partidos da base terão de se dividir em mais duas outras frentes para evitar que a oposição ressuscite o escândalo dos aloprados.

Na pauta das comissões de Constituição e Justiça (CCJ) e de Assuntos Econômicos (CAE), estão para votação requerimentos de convocação do petista Expedito Veloso, secretário-adjunto na Secretaria de Desenvolvimento Econômico do Distrito Federal, que admitiu à revista “Veja” o suposto envolvimento do ministro de Ciência e Tecnologia, Aloizio Mercadante, na fabricação de um falso dossiê contra seu adversário tucano, José Serra, na campanha pelo governo de São Paulo em 2006.

— Vamos ter de dividir a nossa tropa, pois não teremos apenas de cuidar do Pagot. Temos de acompanhar as reuniões da CAE e CCJ para não sermos surpreendidos — admitiu o senador Lindbergh Farias (PT-RJ).

O líder do governo no Senado, Romero Jucá (PMDB-RR), adiantou que sua prioridade será resolver a votação de requerimentos indesejados pelo Palácio do Planalto.

Paulo Sérgio Passos foi interlocutor de Dilma na área dos transportes do PAC

No convívio com o economista Paulo Sérgio Passos, a presidente Dilma Rousseff abandona a formalidade. E o tom ríspido que já deixou marcas em outros assessores dá lugar a um tratamento quase fraternal. O novo ministro dos Transportes é considerado, desde o governo Lula, um dos escolhidos da presidente da República. Eles se aproximaram quando Dilma, então ministra-chefe da Casa Civil, transformou-se na mãe do PAC, o Programa de Aceleração do Crescimento, e tinha Passos como o interlocutor na área dos transportes.

A presidente viu no economista, a quem chama carinhosamente de Paulinho, um técnico competente e aplicado, que jamais deixou uma pergunta sem resposta nas reuniões onde tantos outros assessores já passaram por saias-justas. E a empatia colocou o agora ministro dos Transportes naquele grupo seleto de colaboradores em quem Dilma confia sem reservas. O economista que ingressou no serviço público em 1973, por meio de concurso, ocupando postos de comando em vários governos, também conquistou a confiança do ex-presidente Lula. Ele mantém, desde o lançamento do PAC, em 2007, um canal direto com Dilma.

Gurgel investigará denúncias contra empresa de Eunício Oliveira

O procurador-geral da República, Roberto Gurgel, anunciou [ontem] que vai investigar as denúncias de fraude em licitações da Petrobras que teriam beneficiado uma empresa do presidente da Comissão de Constituição e Justiça do Senado, Eunício Oliveira (PMDB-CE), com um contrato de R$ 300 milhões.

A denúncia, publicada no jornal “O Estado de S.Paulo”, tem deixado o presidente da CCJ muito irritado. O PPS e o PSDB também pedem investigação sobre as denúncias.

Com esse espírito, e com notícias de fogo amigo dentro da base aliada, Eunício comanda nesta terça-feira a votação do requerimento de convocação de Expedito Veloso, o petista que acusa o ministro da Ciência e Tecnologia, Aloizio Mercadante, de ter participado do escândalo dos aloprados.

Promotor apurará gasto de suplente de Itamar, Zezé Perrella, com jatos

A Promotoria de Defesa do Patrimônio Público de Minas Gerais decidiu investigar o uso da verba indenizatória da Assembleia Legislativa do estado pelo ex-deputado estadual e atual senador Zezé Perrella (PDT-MG). Os promotores pretendem solicitar as notas originais e relatórios de reembolso dos gastos do parlamentar com combustível entre 2007 e 2010, período em que Perrella exerceu mandato como deputado estadual em Minas.

Como revelou O GLOBO domingo passado , apenas nos últimos 18 meses de mandato Perrella apresentou 29 notas fiscais de abastecimento de seus dois jatinhos particulares, que somam R$ 26,3 mil e foram ressarcidas pela Assembleia. Os aviões do político foram abastecidos em postos localizados não apenas em Belo Horizonte, cidade onde o político mora, mas também em Salvador e Brasília.

Calote tem a maior alta em nove anos

No primeiro semestre, o calote cresceu 22,3% em relação ao mesmo período de 2010. Foi a maior alta em nove anos, segundo a Serasa. A avaliação é que o consumidor de baixa renda foi o principal responsável pelo aumento da inadimplência.

Correio Braziliense

A cada hora, um carro é roubado no DF. E já foi pior!

Em qualquer lugar, uma estatística dessas é um absurdo. Imagine na capital da República! E sabe onde os bandidos mais furtam veículos no Plano Piloto? Na área central de Brasília – a menos de um quilômetro da Esplanada dos Ministérios. No caso de roubos, Taguatinga encabeça a situação mais crítica. Mesmo assim, a polícia comemora: na comparação com o primeiro semestre de 2010, a ocorrência desses crimes no Distrito Federal caiu de 5.115 para 4.143.

Brasília em alerta contra as queimadas

Somente ontem, o Corpo de Bombeiros atendeu 65 chamados de incêndios florestais, como o que atingiu um terreno perto de Sobradinho. Este ano, o fogo já destruiu 955 hectares de vegetação – área equivalente a 955 campos de futebol. Com a umidade do ar perto dos 20%, o problema deve se agravar nos próximos dias.

O risco Itália

Temor de que crise grega contagie finanças italianas derruba bolsas mundo afora. No Brasil, a Bovespa afundou 2,10% e fechou no pior nível em mais de um ano.

Mais folga para Deborah Guerner

Promotora de Justiça envolvida em escândalo de corrupção entra com nova licença médica para não ter de voltar ao trabalho. Atestado é de 90 dias.

Dilma afaga o PR e contraria Valdemar Neto

Ao efetivar Paulo Sérgio Passos na pasta dos Transportes, a presidente manteve o partido no comando da área e evitou uma crise na sua base de apoio no Congresso. A decisão, no entanto, desagrada o principal cacique da legenda.

Alunos do Detran pegos ao volante

Motoristas que tiveram as carteiras suspensas e participavam do curso de reciclagem foram multados ao sair da aula dirigindo seus carros, estacionados perto do prédio do Departamento de Trânsito na 906 Sul. Eles podem ter a habilitação cassada por dois anos.

Fonte: Congressoemfoco

Deputados celebridades valeram os seus votos?

Bahia é o 2º estado que mais registrou assaltos a banco

Agência Brasil

No primeiro semestre de 2011 foram registrados 838 ataques a bancos em todo o País, média de 4,63 ocorrências por dia. Deste total, 301 foram assaltos (incluindo sequestro de bancários e vigilantes) e 537 arrombamentos de agências, postos de atendimento e caixas eletrônicos (incluindo uso de maçaricos e explosões por dinamite).

Em decorrência desses crimes, 20 pessoas foram mortas, incluindo 11 vítimas da chamada “saidinha de banco”, quando o cliente é rendido por bandidos após sacar dinheiro em agências ou caixas eletrônicos.

Estes dados constam da primeira Pesquisa Nacional de Ataques a Banco, divulgada na segunda-feira, 11, em Curitiba, pela Confederação Nacional dos Vigilantes (CNTV) e Confederação Nacional dos Trabalhadores do Ramo Financeiro (Contraf).

A pesquisa aponta a Bahia como o segundo estado onde mais ocorrera esse tipo de crime, com 61 casos. Em primeiro lugar está São Paulo (283 casos). A maioria dos assassinatos também foi registrada em São Paulo, com 12 mortos. Paraná aparece em terceiro (56). O Amazonas foi o único estado que não registrou ataques a bancos ou a clientes.

Os sindicalistas responsáveis pela pesquisa esperam que os bancos invistam mais em segurança. “A segurança bancária é tema mais importante até mesmo que questões salariais, porque envolve vidas. Os bancos não podem transferir essa responsabilidade para os clientes, proibindo, por exemplo, o uso de celulares dentro das agências”, disse o presidente da CNTV, João Boaventura.

As confederações apresentaram algumas propostas para melhorar a segurança nos bancos. Uma delas é a isenção de tarifas de transferência de recursos como forma de desestimular saques em dinheiro vivo e a instalação de biombos ou tapumes entre a fila de espera e os balcões dos caixas.

O Sindicato dos Vigilantes de Curitiba e Região, que apresentou um estudo relativo apenas ao Paraná, mostrou que o número de ataques no primeiro semestre deste ano, 56, já supera o registrado no mesmo período de 2010 (52).

Fonte: A Tarde

Bahia é o 2º estado que mais registrou assaltos a banco

Agência Brasil

No primeiro semestre de 2011 foram registrados 838 ataques a bancos em todo o País, média de 4,63 ocorrências por dia. Deste total, 301 foram assaltos (incluindo sequestro de bancários e vigilantes) e 537 arrombamentos de agências, postos de atendimento e caixas eletrônicos (incluindo uso de maçaricos e explosões por dinamite).

Em decorrência desses crimes, 20 pessoas foram mortas, incluindo 11 vítimas da chamada “saidinha de banco”, quando o cliente é rendido por bandidos após sacar dinheiro em agências ou caixas eletrônicos.

Estes dados constam da primeira Pesquisa Nacional de Ataques a Banco, divulgada na segunda-feira, 11, em Curitiba, pela Confederação Nacional dos Vigilantes (CNTV) e Confederação Nacional dos Trabalhadores do Ramo Financeiro (Contraf).

A pesquisa aponta a Bahia como o segundo estado onde mais ocorrera esse tipo de crime, com 61 casos. Em primeiro lugar está São Paulo (283 casos). A maioria dos assassinatos também foi registrada em São Paulo, com 12 mortos. Paraná aparece em terceiro (56). O Amazonas foi o único estado que não registrou ataques a bancos ou a clientes.

Os sindicalistas responsáveis pela pesquisa esperam que os bancos invistam mais em segurança. “A segurança bancária é tema mais importante até mesmo que questões salariais, porque envolve vidas. Os bancos não podem transferir essa responsabilidade para os clientes, proibindo, por exemplo, o uso de celulares dentro das agências”, disse o presidente da CNTV, João Boaventura.

As confederações apresentaram algumas propostas para melhorar a segurança nos bancos. Uma delas é a isenção de tarifas de transferência de recursos como forma de desestimular saques em dinheiro vivo e a instalação de biombos ou tapumes entre a fila de espera e os balcões dos caixas.

O Sindicato dos Vigilantes de Curitiba e Região, que apresentou um estudo relativo apenas ao Paraná, mostrou que o número de ataques no primeiro semestre deste ano, 56, já supera o registrado no mesmo período de 2010 (52).

Fonte: A Tarde

Concursos na área federal têm 5.633 vagas

Steferson Faria/Agência Petrobras
Petrobras é a segunda empresa preferida dos  universitários e recém-formados brasileiros
Da Redação

Três empresas federais estão com seleções abertas para profissionais de níveis médio e superior. É a chance para conquistar um emprego bem remunerado e estável.

As inscrições para o concurso da Petrobras estão abertas nesta terça-feira, 12, até o próximo dia 31. As provas, elaboradas pela Cesgranrio, exigem memorização e utilizam textos de jornais e revistas sobre temas da atualidade. Conhecimentos sobre a empresa e sobre a economia do petróleo são importantes diferenciais. O salário inicial pode chegar a R$ 6,2 mil.

O concurso do Sebrae (Serviço Brasileiro de Apoio às Pequenas e Microempresas) está aberto às inscrições até o próximo dia 17. São quatro vagas por tempo determinado, com salários de até R$ 7 mil. Outros três postos são para o quadro efetivo da empresa. A taxa de inscrição é única – R$ 100 – e a organização é da Cespe/UnB.

Outras oportunidades estão na EBC (Empresa Brasileira de Comunicação), que realiza o primeiro concurso desde a criação, em 2008. A EBC é responsável por gerir canais públicos de comunicação, a exemplo da TV Brasil, da Agência Brasil e de oito emissoras de rádio.

Confirmando notícia dada por ATARDE em primeira mão, o Ministério do Planejamento autorizou a abertura de certame para o IBGE.

Leia mais sobre concursos na edição impressa do Jornal A Tarde desta terça-feira,

Governo reparte 400 cargos no interior

Lílian Machado

Chegou à reta final a articulação entre o governo e os partidos para distribuição dos mais de 400 cargos regionais, espalhados pelo interior do Estado. O governador Jaques Wagner (PT) e o secretário de Relações Institucionais, Cézar Lisboa encerraram ontem a sequência de conversas com as siglas que compõem a base aliada.

O encontro dessa vez ocorreu com o PSB, legenda que na Bahia é comandada pela senadora Lídice da Mata. Além dos espaços de cada partido, os diálogos serviram para unificar a aliança em torno do governo.

Além da senadora Lídice da Mata estiveram presentes os representantes do PSB na Assembleia Legislativa, os deputados Capitão Tadeu e Sargento Isidório. Apesar da tendência de fechamento dos cargos, a socialista negou que o encontro fosse para tratar do assunto.

“Foi uma conversa onde ele (o governador) avaliou os seis primeiros meses (do segundo mandato) e a perspectiva de crescimento da base.

Ficou clara a busca do governador por maior contato com a própria base, movimento muito bem recebido por todos”, exaltou Lídice. Segundo a senadora o diálogo teria sido “franco”, onde os deputados expuseram seus pensamentos e defenderam seus projetos.

“O governador mais uma vez nos deixou muito à vontade, revelando sua personalidade extremamente democrática e não se incomodando com quem discorda dele”, disse. Wagner também teria expressado sua opinião, em relação às candidaturas dentro da base para as eleições em Salvador.

“O governador está consciente de que cada partido tem seu projeto político”, contou. Em conversa recente com a Tribuna, o secretário de Relações Institucionais, Cézar Lisboa, disse que as reuniões com os partidos não estão ligadas apenas aos cargos regionais.

“Nossas conversas estão muito mais associadas à avaliação do primeiro semestre e, sobretudo como assegurar a unidade da base para 2012”, afirmou. Segundo ele, o objetivo é planejar mecanismos que projetem um maior número de vitórias nas eleições municipais do próximo ano.

Sobre os integrantes da base que supostamente teriam expressado insatisfação com os critérios de divisão dos cargos, Lisboa frisou que é “absolutamente normal que os partidos achem que deveriam ter maior espaço.

Sempre há essa discussão que é legitima, mas vale dizer que o debate sobre os critérios foi algo muito consensuado. Teve suas diferenças, mas saiu de lá um consenso”

Fonte: Tribuna da Bahia

Governo reparte 400 cargos no interior

Lílian Machado

Chegou à reta final a articulação entre o governo e os partidos para distribuição dos mais de 400 cargos regionais, espalhados pelo interior do Estado. O governador Jaques Wagner (PT) e o secretário de Relações Institucionais, Cézar Lisboa encerraram ontem a sequência de conversas com as siglas que compõem a base aliada.

O encontro dessa vez ocorreu com o PSB, legenda que na Bahia é comandada pela senadora Lídice da Mata. Além dos espaços de cada partido, os diálogos serviram para unificar a aliança em torno do governo.

Além da senadora Lídice da Mata estiveram presentes os representantes do PSB na Assembleia Legislativa, os deputados Capitão Tadeu e Sargento Isidório. Apesar da tendência de fechamento dos cargos, a socialista negou que o encontro fosse para tratar do assunto.

“Foi uma conversa onde ele (o governador) avaliou os seis primeiros meses (do segundo mandato) e a perspectiva de crescimento da base.

Ficou clara a busca do governador por maior contato com a própria base, movimento muito bem recebido por todos”, exaltou Lídice. Segundo a senadora o diálogo teria sido “franco”, onde os deputados expuseram seus pensamentos e defenderam seus projetos.

“O governador mais uma vez nos deixou muito à vontade, revelando sua personalidade extremamente democrática e não se incomodando com quem discorda dele”, disse. Wagner também teria expressado sua opinião, em relação às candidaturas dentro da base para as eleições em Salvador.

“O governador está consciente de que cada partido tem seu projeto político”, contou. Em conversa recente com a Tribuna, o secretário de Relações Institucionais, Cézar Lisboa, disse que as reuniões com os partidos não estão ligadas apenas aos cargos regionais.

“Nossas conversas estão muito mais associadas à avaliação do primeiro semestre e, sobretudo como assegurar a unidade da base para 2012”, afirmou. Segundo ele, o objetivo é planejar mecanismos que projetem um maior número de vitórias nas eleições municipais do próximo ano.

Sobre os integrantes da base que supostamente teriam expressado insatisfação com os critérios de divisão dos cargos, Lisboa frisou que é “absolutamente normal que os partidos achem que deveriam ter maior espaço.

Sempre há essa discussão que é legitima, mas vale dizer que o debate sobre os critérios foi algo muito consensuado. Teve suas diferenças, mas saiu de lá um consenso”

Fonte: Tribuna da Bahia

Sucessão no TJ deverá ser resolvida em bate-chapa

Raul Monteiro

A seis meses da sucessão da presidente Telma Brito, os bastidores do Tribunal de Justiça vivem uma verdadeira ebulição, decorrente da existência de pelo menos três candidaturas praticamente declaradas ao seu cargo.

Uma delas é a do desembargador Mário Alberto Hirs, atual presidente do Tribunal Regional Eleitoral (TRE), que teria o apoio declarado da atual presidente. Ele deve disputar o cargo com pelo menos dois outros colegas.

Uma delas é a desembargadora Lícia Laranjeira, que parte para a campanha apoiada pelo grupo da desembargadora Sylvia Zarif, que se tornou uma adversária ferrenha de Telma Brito no curso desse um ano e meio de mandato.

O outro concorrente é o desembargador Eserval Rocha, que estaria disputando os votos dos colegas de pleno sob o argumento de que é independente e quer pôr fim ao rodízio dos mesmos grupos na presidência do TJ.

Apesar do quadro de disputa, alguns dos contendores ainda acreditam que, mais à frente, contarão com a intervenção do desembargador Carlos Alberto Dultra Cintra no sentido de buscar uma candidatura de consenso entre os três competidores.

“Há muita expectativa de que Cintra, usando toda a sua experiência, entre no processo buscando uma solução consensual”, diz uma fonte do TJ, brincando com o fato de o ex-presidente ter sido visto muito mais magro do que de costume.

“É preciso ser um atleta para enfrentar o clima de divergências que contaminou o TJ nos últimos tempos”, acrescenta a fonte sob o mesmo tom de brincadeira. De fato, só muita força, jogo de cintura e perseverança para impedir um bate-chapa no Judiciário baiano dessa vez, comenta uma magistrada.

Segundo ela, os desembargadores nunca estiveram tão desejosos de ver uma campanha e um confronto aberto entre os candidatos como agora. A magistrada só não explica exatamente o porquê.

Fonte: Tribuna da Bahia

Varejo no atacado. A operação pretendida pelo Pão de Açúcar não nacionaliza o grupo, apenas aumenta o poder de arbítrio de Abilio Diniz.

Carlos Lessa

Nas últimas semanas, a fusão do grupo Pão de Açúcar com o grupo Carrefour para a criação do Novo Pão de Açúcar abriu um debate que percorreu a dimensão ética, jurídica, de interesse privado e dos interesses nacionais. Praticamente todos os articulistas da mídia impressa, televisiva e radiofônica colocaram em pauta a questão (corretamente, pois o BNDES, banco histórico do desenvolvimento industrial brasileiro, estava se propondo a aplicar mais de US$ 2 bilhões em uma operação global de quase US$ 3 bilhões!).

Pelo lado ético, foram feitos reparos a diversos protagonistas públicos e privados envolvidos na operação. Pelo ângulo jurídico, a redução do peso do grupo francês Casino em um Novo Pão de Açúcar tem as características de um divórcio parcial do empresário brasileiro e sua nova parceria com outro grupo francês, o Carrefour. Tem ou não um valor impeditivo para a
operação pretendida (a existência de um acordo de acionistas entre
o Pão de Açúcar e o Casino)?

Neste momento, tudo leva a crer que a operação é juridicamente contestável e, levada aos tribunais, seria extremamente nociva para os parceiros atuais e os novos (Carrefour e BNDES). Isso, aparentemente, não foi levado em conta pelo BNDES, que não apenas avançou num comprometimento prévio com Abilio Diniz como lhe pôs nas mãos o poderoso argumento de R$ 3,7 bilhões.

Hoje, 7 de junho, li em jornal de grande circulação que o dr. Abilio declarou: “Fiz um trabalho extenuante”. Costurar esse trabalho que foi feito não é fácil e entendo por quê; afinal, não é todos os dias que um empresário pode dizer a outros: tenho a chave para um suprimento financeiro superior a US$ 2 bilhões.

Luciano Coutinho, atual presidente do BNDES, declarou antes da
controvérsia que o BNDES somente faria a operação se houvesse acordo do grupo Casino. O negócio não foi desmanchado, por isso o dr. Abilio, com a chave do BNDES, desafia o grupo Casino a demonstrar que a fusão não é uma boa ideia.

Obviamente, a fusão é magnífica para o interesse privado do dr. Abilio, que, em entrevista, declara que quer “continuar levando a companhia que tem o DNA dele”. Porém, isso não o impediu de, há alguns anos, assinar com o grupo Casino o direito de, em 2012, trocar, por R$ 1, a possibilidade de o grupo Casino consolidar os resultados do grupo Pão de Açúcar, diluindo o
seu DNA. Quando assinou o acordo, era pré-datada a diluição do DNA
brasileiro.

É transparente a vantagem da operação pretendida para dr. Abilio. É inteiramente obscuro o interesse da sociedade brasileira nessa fusão que daria origem a um trio (dois franceses e um brasileiro).

É importante advertir a ministra-chefe da Casa Civil, Gleisi Hoffmann, que o BNDESPar é o braço do BNDES em operações no mercado de capitais e que é uma subsidiária 100% de propriedade do banco oficial. Este, como a ministra deve saber, é 100% do Tesouro. Assim sendo, são recursos públicos que, pela missão do BNDES, devem ser aplicados em projetos que gerem emprego e renda para os brasileiros.

Fusões podem ser meritórias, porém essa operação do Pão de Açúcar não nacionaliza o grupo de varejo, apenas aumenta o poder de arbítrio do dr. Abilio, restaurando seu DNA. Não é uma operação geradora de crescimento da economia.

E, ao contrário do que declarou o ministro do Desenvolvimento, da Indústria e do Comércio, Fernando Pimentel, não gerará saldo comercial positivo. O ministro declarou que o grupo Carrefour iria, associado ao Pão de Açúcar, “ampliar exportações brasileiras” (?!). O atual Pão de Açúcar é uma rede varejista que importa muito mais do que exporta, gerando um saldo comercial negativo.

O grupo Carrefour já participa da rede brasileira de varejo e não é exportador líquido para o varejo mundial; a entrada do Carrefour não ampliará a rede de varejo. O que amplia o varejo é a multiplicação de emprego e renda no interior da economia brasileira.

Alguém afirmou que a aplicação do BNDESPar em papéis do Pão de Açúcar é um ótimo negócio para o BNDES. A elevação de valor patrimonial passa por um aumento futuro de lucratividade do cogitado NPA – Novo Pão de Açúcar. Isso pode ser obtido por redução dos custos operacionais (inclusive massa de salários) ou pelo aumento da margem comercial na compra e venda das mercadorias que distribui como rede varejista.

Cabe ao Cade julgar se essa concentração do varejo vai baratear o custo de vida ou a lucratividade maior será um jogo perverso em relação às famílias brasileiras. De qualquer forma, o BNDES não é vocacionado a maximizar seu lucro (não é um banco de investimento); é um banco de desenvolvimento cuja primeira função é ampliar o emprego e a renda dos brasileiros. Tenho a preocupação de que se produza um desgaste na imagem do BNDES, o que seria um subproduto perverso da cogitada operação.

O dr. Abilio diz que foram encomendados “estudos” a três consultorias para avaliar a operação. É óbvia a vantagem patrimonial privada de dispor de mais de US$ 2 bilhões de recursos públicos. As três consultorias devem estar construindo “argumentos” para seduzir o grupo Casino; outras deveriam mostrar “vantagens” para a sociedade brasileira.

Fonte: Tribuna da Imprensa

A cassação de JK, vista 47 anos depois

Pedro do Coutto

Muito se tem lembrado JK aqui no blog, e é sempre bom lembrar que a cassação do mandato de senador e dos direitos políticos do ex- presidente foi uma das maiores violências e injustiças da história do Brasil. O homem que pacificou o país depois das rupturas de 24 de agosto de 54 e 11 de novembro de 55, promoveu o desenvolvimento econômico brasileiro e mudou a estrutura nacional, punido pelo regime militar que derrubou o governo João Goulart. Por quê? Aí o absurdo. Para que não vencesse a eleição de 65, eleição que não houve.

Naquele momento, de fato, o ciclo dos generais no poder, ditadura que se estendeu por 21 anos, revelava seu projeto e sua face política. Escolhia o caminho. Começavam os anos de chumbo, marcados pelo arbítrio, pela censura, pela tortura. Era tempo do neomarcatismo entre nós. Caça às bruxas, com a idéia da aliança entre o militarismo e a tecnocracia de se apossar do comando da nação.

Repórter do Correio da Manhã, naquela noite de 8 de junho, estive na casa de Juscelino Kubitschek na Avenida Vieira Souto. Ele divulgava um manifesto prevendo que líderes da insurreição de 31 de março terminariam sendo cassados também pelo tigre que retiraram da jaula e nele montaram.

Acertou em cheio. Foi exatamente isso o que aconteceu com o governador Carlos Lacerda em dezembro de 68. O militarismo não queria nada com as urnas. O poder exercido primeiro pelo General Castelo Branco, depois pelo general Costa e Silva, ministro do Exército, mas em oposição a Castelo, não podia perder. Residia neste ponto sua maior contradição. Quem não pode perder não sintoniza com a democracia. Uma longa noite de arbítrio descia sobre o Brasil.

Contribuiu enormemente para que se firmasse um sistema de concentração de renda. Os números, contidos nos relatórios do Banco Central, comprovam. Com João Goulart, o PIB brasileiro era formado em dois terços pela massa salarial, um terço pela remuneração do capital. Vinte e um anos depois, o PIB passara a ser composto em dois terços pela remuneração do capital, em terço pela participação dos salários. Este quadro atravessou o tempo e permanece até hoje. Um levantamento do professor Cláudio Contador, da UFRJ, comprova a assertiva. Mas este é um ângulo da questão. Não a questão toda. Aliás, em política, é fundamental decifrar-se o conjunto, por mais fascinante que seja a análise através de prismas isolados.

A lei, de 64 até 85, quando Sarney assumiu a presidência da República, encontrava-se a serviço do poder, não da sociedade e da justiça. A palavra greve fora banida do dicionário. Na verdade, neste caso, até 80, quando Lula, o metalúrgico, comandou uma greve no ABCD paulista e terminou preso. A greve foi reprimida, mas o futuro se descortinava para o sindicalista. Enfim os tempos passaram, e, como sempre acontece na história, hoje são outros.

Entretanto é fundamental colocar-se a importância dos episódios que se desencadearam. Atualizando-os à luz do tempo. Hoje, verifica-se, quase meio século depois, como foi grotesca e se tornou ridícula a cassação de JK. O poder militar não podia nem sabia perder.

Fonte: Tribuna da Imprensa

Pausa para um tema sério (final)

Carlos Chagas

Na tarde de 31 de março, consegui localizá-lo pelo telefone. Eu trabalhava no “Globo” e tivera a informação de que Juscelino havia estado no palácio das Laranjeiras, com o presidente João Goulart. Ele foi seco, do outro lado da linha: “Estive sim, estou chegando agora do Laranjeiras. Mas não me pergunte mais nada porque não vou contar.”

Os militares batiam cabeça, com a queda de Jango, até que dez dias depois de os tanques terem ido para a rua, os generais decidiram botar ordem na bagunça e substituir o Comando Supremo da Revolução (Costa e Silva, Augusto Rademaker e Francisco de Assis Correia de Melo) pelo general Castelo Branco.

Imaginando que as instituições funcionavam, ou fingindo muito bem, Castelo Branco quis ser eleito pelo Congresso. Mesmo com as esquerdas cassadas, votos eram necessários, e o futuro presidente foi recebido pela direção do PSD, maior partido nacional. Foi na casa do deputado Joaquim Ramos, em Copacabana. Lá estavam Amaral Peixoto, José Maria Alkimin, Negrão de Lima, Martins Rodrigues e outros. Juscelino também.

A conversa seguia amável, mas tensa, e JK não parava de olhar o relógio de pulso. Seu diálogo com Castelo foi curto. Quis saber se teríamos eleições presidenciais no ano seguinte, e o futuro presidente garantiu que sim. Malicioso, ao notar que Juscelino continuava olhando o relógio, comentou: “Senador, percebo que o senhor deve ter outro compromisso. Não se prenda por mim, ainda que eu tenha reservado esta noite para dialogar com o PSD”.

Por mais estranho que pudesse parecer, Juscelino retirou-se logo depois, para espanto dos companheiros. Na manhã seguinte, Negrão de Lima telefonou: “Juscelino, você ficou maluco? Abandonar o todo poderoso general que vai tomar posse amanhã! O que você tinha de tão urgente assim?”

Resposta: “Uma reunião na casa do Bené Nunes, que ia tocar piano para um grupo de amigos…”

Como senador por Goiás, JK votou em Castelo Branco, sem perceber que se transformaria na maior vítima do regime de arbítrio. Não demorou para que o mandato do primeiro general-presidente fosse prorrogado por um ano, sob o argumento de que o país não poderia viver em 1965 uma convulsão eleitoral. A verdade é que a impopularidade da chamada Revolução aumentava dia a dia e todos previam que Juscelino seria eleito por larga margem. Quando da prorrogação, foi alertado de que dificilmente o deixariam ser candidato, mas só acreditou quando, em julho, teve seu mandato cassado e seus direitos políticos suspensos por dez anos. Seu maior algoz foi o então governador Carlos Lacerda, que também se julgava candidato.

Avisado por José Maria Alkimin de que seria atingido pelo Ato Institucional, veio a Brasília para pronunciar seu último discurso. Contou-me depois que após o protesto feito pela tribuna, uma das maiores peças de oratória que produziu, deixou o plenário do Senado pelo corredor central. Rostos se viravam quando passava. Nenhum cumprimento. Desceu com Dona Sarah até o saguão principal do Congresso. A vida soube ser cruel com quem, meses antes, era bajulado aos extremos. �

Um apressado retorno do exílio levou-o à humilhação de responder a dois Inquéritos Policiais Militares, tratado com desdém por coronéis e majores, obrigado a passar horas sentado num banquinho, sem direito sequer à presença de seu advogado, Sobral Pinto. Logo voltou para Portugal, sendo que no aeroporto do Galeão, pela primeira vez na vida, botou um pequeno revolver na cintura. O Rio estava cheio de boatos de que não o deixariam embarcar, que o prenderiam na hora. Disse-me que se fosse humilhado, ou se Dona Sarah submetida a violências, atiraria no primeiro oficial da Aeronáutica que surgisse à sua frente. Seria morto depois, mas com honra. �

O tempo passou, a angústia de JK crescia em progressão geométrica, longe do Brasil. Pensou em dar fim à vida, num Natal passado em Paris só com o fiel coronel Afonso Heliodoro.

No final de 1966 o general Costa e Silva havia imposto sua candidatura ao presidente Castelo Branco, mas as relações entre eles eram tão tensas que o segundo presidente do ciclo revolucionário entendeu de viajar para o exterior. Fui mandado acompanhá-lo, pelo “O Globo”. Lisboa era a primeira parada. No intervalo de uma visita e outra do general a autoridades portuguesas, em companhia do jornalista Washington Novaes, aproveitei para visitar o ex-presidente Juscelino. Ele tinha escritório no Chiado, bem defronte à Lisboa Antiga. Recebeu-nos emocionado, pediu notícias do Brasil e em dado momento, levou-nos á sacada, para ver a vista. Estávamos os três de frente para a paisagem e aí percebi o porque da iniciativa. Olhando-o de soslaio, vi que chorava.

De noite, no hotel, um daqueles coronéis truculentos da comitiva veio tirar satisfações. Como tínhamos ido conversar com o inimigo da Revolução? Para falta de sorte dele o general Costa e Silva vinha saindo do elevador e quis saber sobre o que discutíamos. Contei sobre a visita e ainda perguntei ao futuro presidente: “Se um dia desses, passeando na rua, o senhor desse de frente com o presidente Juscelino? Faria o quê?”

O sempre surpreendente general respondeu, encerrando o assunto: “Nos cumprimentaríamos, como todo brasileiro deve fazer com outro brasileiro, quando se encontram no exterior…”

Juscelino acabou voltando ao Brasil, mesmo suspenso em seus direitos políticos, proibido de entrar em Brasília e recebendo os ônus de se haver composto com Carlos Lacerda, na estranha Frente Ampla que os reuniu a João Goulart numa luta efêmera pela volta do país à democracia.

O resultado foi a agitação dos radicais e a edição do Ato Institucional número 5, o mais hediondo de todos. O presidente era paraninfo de uma turma de formandos, na noite de 13 de dezembro de 1968. Depois de discursar no Teatro Municipal, no Rio, ao sair foi preso, conduzido ao Forte Copacabana, onde permaneceu alguns dias. Horror dos horrores, naquela mesma hora Carlos Lacerda também tinha sido detido e conduzido a um quartel da Polícia Militar do Rio de Janeiro. O cárcere não deixou sequelas em JK, ao contrário do antigo desafeto.

Fonte: Tribuna da Imprensa

Paraná teve 56 ataques a caixas e agências em 2011

Vida e Cidadania

Terça-feira, 12/07/2011

Arquivo/ Gazeta do Povo

Arquivo/ Gazeta do Povo / Agência de Bocaiuva do Sul, na Grande Curitiba, foi explodida por ladrões: 24 roubos a bancos ocorreram no Paraná em 2011 Agência de Bocaiuva do Sul, na Grande Curitiba, foi explodida por ladrões: 24 roubos a bancos ocorreram no Paraná em 2011
SEGURANÇA

Paraná teve 56 ataques a caixas e agências em 2011

Estado é o terceiro colocado no ranking nacional dessa modalidade de crime. Segundo estatísticas, tendência é de aumento

Publicado em 12/07/2011 | Osny Tavares


O Paraná é o terceiro estado brasileiro com mais ataques a bancos e caixas eletrônicos. Ao longo do primeiro semestre de 2011, ocorreram 56 crimes desse tipo. Em todo o Brasil, no mesmo período, foram 838 ataques, que resultaram em 20 mortes (ne­­nhuma no Paraná). O dado integra a Pesquisa Nacional de Ataques a Bancos, elaborada pela Confederação Nacional dos Vigilantes (CNTV) e pela Con­federação Nacional dos Tra­balhadores do Ramo Financeiro (Contraf).

O levantamento foi feito a partir de informações das secretarias de segurança dos estados, notícias da imprensa e relatórios de sindicatos de bancários e vigilantes. Foram computados assaltos à mão armada (durante o horário de funcionamento dos bancos) e arrombamentos de caixas eletrônicos. Tentativas de roubo frustradas também foram computadas, porém a modalidade “saidinha”, em que o cliente é assaltado na rua logo após sacar dinheiro, não faz parte do levantamento.

Bancos

Febraban contesta a pesquisa

A Federação Brasileira de Bancos (Febraban) contesta os dados divulgados na pesquisa. Segundo a entidade, o número de assaltos caiu 82% ao longo de uma década, passando de 1.903 ocorrências em 2000 para 337 em 2010.

Em nota, a entidade afirma investir valores expressivos em segurança. “Anualmente, R$ 9,4 bilhões são gastos pelas instituições financeiras tanto em sistemas de segurança física quanto em segurança eletrônica, com o objetivo de garantir a integridade de seus clientes e colaboradores”, informa o texto.

Usuários

Aos usuários, a federação dos bancos recomenda evitar saques em quantias elevadas, optando por usar transferências eletrônicas, cheque, cartões de crédito e débito e serviços por telefone ou internet.

Metodologia

Como esta é a primeira vez que a pesquisa é realizada, não é possível detectar se houve aumento ou diminuição no número de roubos. Entretanto, dados com metodologia e recorte semelhantes sugerem um crescimento nos ataques. Segundo a Federação Brasileira de Bancos (Febraban), em 2010 ocorreram 369 assaltos, número que representa mais de 80% do acumulado nos seis primeiros meses de 2011. O Paraná também aponta crescimento: em todo o ano ano passado foram registradas 29 ocorrências desse gênero, segundo o sindicato dos vigilantes, apenas cinco a mais que o acumulado no primeiro semestre deste ano.

O aparente aumento no número de ataques a banco coincide com a adoção de duas amplas medidas de segurança: a proibição ao uso de celulares nas agências e a colocação de biombos entre os caixas e a sala de espera. “A proibição de celulares é paliativa. Os bancos querem transferir a responsabilidade pela segurança aos usuários”, critica João Soares, presidente do Sindicato dos Vigi­­lantes de Curitiba e Região. No entanto, ele avalia como positiva a implantação de biombos. “Mas, infelizemente, não são todas as agências que instalaram”, ressalta.

Os vigilantes e bancários propõem aos bancos instalar portas giratórias recuadas em relação à calçada e disponibilizar guarda-volumes para os clientes. Tam­­bém sugerem a colocação de vidros blindados na fachada das agências, dificultando as tentativas de arrombamento de caixas eletrônicos. “Somente no primeiro trimestre deste ano, os bancos lucraram R$ 12 bilhões. Queremos que parte desse dinheiro seja investido em segurança”, defende Ademir Wie­der­kehr, coordenador do Coletivo Nacional de Segurança Bancária. Os grupos sindicais também de­­fendem que as tarifas para transferência eletrônica de valores sejam reduzidas. Com isso, os clientes evitariam sacar grandes somas em dinheiro vivo, tornando-se menos visados.

Essas reivindicações fazem parte de uma mesa temática permanente reunindo o sindicato dos vigilantes, representantes dos bancários e a Febraban. Mas, com a data-base marcada para 1.º de setembro, a tendência é que as sugestões se tornem exigências para o fechamento do acordo coletivo.

Fonte: Gazeta do Povo

Infância à deriva

Jonathan Campos

Jonathan Campos / Beleza da Ilha do Mel oculta exploração de adolescentes Beleza da Ilha do Mel oculta exploração de adolescentes
Precocidade

O fim da inocência

Em três anos, 12 meninas de Paranaguá foram para clínicas de recuperação, mas a falta de estrutura as leva de volta para as ruas

12/07/2011 | 00:06 | Texto: Mauri König

Valéria e Suelen* perderam a inocência às margens da estrada de acesso ao Porto de Paranaguá. Na famosa “Rua 24 Horas”, porque ininterrupta a oferta de sexo barato, uma começou aos 12, ou­­tra aos 14. Valéria foi resgatada dez vezes pelo Con­­selho Tutelar, Sue­len, 15. Pros­­tituída e viciada em crack, Valéria foi internada uma vez numa clínica de desintoxicação; Suelen, duas vezes. Vítimas de uma família ausente e da omissão dos governos, elas caíram nas redes da exploração sexual. Não são as únicas com o destino traçado. Não há em Paranaguá um só lugar que as possa amparar. Falta um abrigo, uma clínica, uma casa de passagem.

O primeiro resgate de Valéria na “Rua 24 Horas” se deu em agosto de 2008, aos 12 anos. Até em abrigo para órfãos a instalaram na tentativa de mantê-la longe das drogas e da prostituição, mas faltou amparo legal para tanto. Filha de dependentes químicos, e ela também viciada em crack, aos 14 anos ficou seis meses internada para desintoxicação num hospital a 500 quilômetros, em Jandaia do Sul, no Norte do Paraná. Retornou com boas chances de recuperação, mas teve de voltar à realidade de antes, entregue a uma família indiferente e sem acompanhamento social ou psicológico. Destino traçado, voltou para a prostituição.

“Estava cada vez pior”, recorda o conselheiro tutelar Edmilson da Silva Costa. O último atendimento, em abril de 2010, não deixou boas lembranças. Cansada da ineficiência do sistema, Valéria passou a fugir. Os conselheiros insistem na missão, embora não possam fazer plantão na porta da casa dela. Valéria repete uma sina recorrente em Paranaguá, como ilustra a história de Suelen. Aban­­do­­nada por pai e mãe, ela mora numa favela com a avó cega. In­­ternada uma vez em Jandaia do Sul e outra em União da Vitória, no Sul do Paraná, voltou sem qualquer apoio à mesma vida de antes.

Detrás da câmera

A alvorada ainda demora quando a mulher sacode a menina metida em lençóis puídos sobre a cama improvisada de espuma encardida. “Está na hora”, anuncia em tom grave. O corpo mirrado se contrai, por instinto, e a mão pesada o chacoalha com mais força. Ela se levanta, sonolenta. Sem ter o que pôr no estômago, sai em jejum forçado. É preciso apertar o passo para vencer os seis quilômetros a pé, de modo a chegar até as 6h30, antes que a vejam entrando naquele lugar imundo. Não gosta do que tem de fazer, mas não há outro jeito. Tem 11 anos, e isso que fazem com ela é um crime. Um crime inafiançável.

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Quando a lenda vira realidade na Ilha do Mel

A Ilha do Mel tem o acesso mais controlado do litoral do Paraná. Nesse pedaço da baía de Paranaguá, onde não podem entrar mais de 5 mil turistas por vez e 95% da superfície é mata intocável, os encantos do lugar deram origem a histórias fantásticas. Segundo a fábula caiçara, em noite de luar lindas mulheres seduziam visitantes que andavam distraídos pela praia e os arrastavam para a Gruta das Encantadas, fazendo-os desaparecer. A realidade contradiz a lenda não na veracidade dos fatos, mas no papel dos personagens.

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Ao completar 18 anos dia 4 de junho, Suelen enfim se viu livre da tutela de conselheiros que, apesar das boas intenções, nada podem fazer além de conseguir estadas inócuas em clínicas de desintoxicação. Ela precisava era de um destino diferente, e quando mais precisou não pôde contar com o Estado. Agora terá de fazer o futuro por conta própria, na Rua 24 Horas. Esse mesmo lugar, a Rua 24 Horas, é o destino quase certo de Carine*, outra dessas meninas dali tiradas e para ali regressadas depois do fracas­­so do sistema de proteção de crianças e adolescentes de Pa­­ranaguá.

Internada pela segunda vez no mesmo hospital de União da Vitória, Carine está prestes a ter alta. O primeiro internamento, em agosto de 2009, aos 15 anos, foi após denúncia pelo Disque 100 de que era explorada sexualmente por um tal Sombra. Agora, perto de deixar o hospital, uma dúvida aflige os conselheiros tutelares: que destino terá Carine? Algo interessada, a mãe bem que tenta ajudar, mas não faz frente à vida precária e às imposições do marido usuário de drogas. Não deu certo para Carine da primeira vez, e há grandes chances de não dar certo outra vez. Para quem aspirava um dia ser modelo, muito em breve ela terá a Rua 24 Horas por passarela.

Carine não é a única. Nos últimos três anos, o Conselho enviou 12 meninas prostituídas e dependentes químicas para clínicas de desintoxicação. “Por falta de estrutura, elas acabam voltando para a antiga vida”, lamenta o conselheiro tutelar Adilson Santos Costa.

Fonte: Gazeta do Povo

Paciente recebe duas pernas em transplante inédito

Agências

O cirurgião espanhol Pedro Cavadas concluiu na manhã de ontem, no Hospital La Fe de Valência, o primeiro transplante bilateral de pernas realizado no mundo.

A intervenção feita pelo especialista, com apoio da equipe de profissionais do hospital, começou na noite de anteontem.

A técnica, considerada de alta complexidade, não contava com antecedentes nem experiências prévias. O centro médico não divulgou dados sobre o paciente operado nem sobre o doador.

Segundo o cirurgião, é necessário esperar pelo menos 48 horas para poder divulgar mais informações.

Para realizar a operação, foi fundamental a coordenação entre a Organização Nacional de Transplantes, os profissionais da Fundação Pedro Cavadas e médicos da rede pública valenciana.

Em agosto de 2009, o cirurgião Cavadas já havia realizado o primeiro transplante do mundo de rosto que incluiu mandíbula e língua, em um homem de 43 anos que recebeu alta cerca de um mês depois da intervenção.

O cirurgião é também o autor do primeiro transplante bilateral de antebraços e mãos em uma mulher colombiana, que foi operada em novembro de 2006 e que recebeu alta um ano e meio depois. Além disso, em novembro de 2008, o médico conseguiu reimplantar a perna direita em um jovem de 20 anos que havia sido amputada em um acidente de trabalho.

Fonte: Agora

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