Bolsonaristas aplaudem enquanto Argentina colapsa
Enquanto a Argentina colapsa, os bolsonaristas seguem aplaudindo Milei no mundo invertido. O general Pazuello, o ministro da Saúde que deixou faltar oxigênio nos hospitais em Manaus no auge da pandemia, ficou encantado em ver o presidente argentino suando no palco. “VALE CONFERIR", gritou nas redes sociais em uma publicação de um vídeo com trecho do show do presidente argentino.
“Prestando homenagem a Charlie Kirk, Jair Bolsonaro, Miguel Uribe Turbay e Alberto Nisman, Milei emocionou milhares de fãs no lançamento do seu novo livro ‘A Construção do Milagre’. E para fechar com chave de ouro, subiu ao palco e cantou ‘Libre’, clássico de Nino Bravo, arrancando aplausos e emoção do público. Golaço.”
Tudo na Argentina está piorando. A popularidade do governo desabou e o país está à beira de um colapso social. Uma comitiva do presidente foi apedrejada em Buenos Aires. Mas para o bolsonarismo, Milei está marcando golaço atrás de golaço.
A cartilha ultraliberal: superávit fiscal às custas dos pobres
A extrema direita brasileira considera o projeto econômico argentino um modelo a ser seguido. O principal argumento é a de que a inflação foi controlada e o governo tem registrado superávit fiscal. De fato, a inflação caiu e a inflação galopante foi contida. Mas a que custo? A resposta é simples: às custas do povo mais pobre.
O governo reduziu drasticamente os gastos públicos — leia-se educação, saúde, aposentadoria, etc — e sufocou a população que mais depende dos serviços públicos. Bom, sabemos que esse custo é um mero detalhe para os ultraliberais que enxergam a vida a partir de uma planilha do Excel.
Mas não são apenas os bolsonaristas que tapam o sol com a peneira. Todos os devotos de Paulo Guedes, incluindo os que se julgam de uma direita moderada, verdadeiramente liberal, também olham com bons olhos o que acontece na Argentina.
MBL e Tarcísio querem modelo Milei para o Brasil
A turma do MBL, por exemplo, que acabou de criar um partido, trata Milei como um herói que está “salvando a Argentina", como escreveram há menos de um ano.
Em fevereiro do ano passado, o grupelho ficou abobado com o fato de Milei ter viajado para o Vaticano em avião comercial: “Certas atitudes importam. Milei sabe que seu país está quebrado e precisa economizar: viaja de avião comercial. Lula e Janja sabem que o Brasil está quebrado com déficit de 230 bilhões, mas gastam mais 14 milhões na internet para o avião. E o povo que pague tudo”.
Agora estamos diante do seguinte cenário: o Brasil com déficit fiscal, mas com queda de desemprego e aumento da renda; enquanto a Argentina ostenta superávit fiscal, mas sofre com alta de desemprego e queda brutal da renda. A popularidade do governo brasileiro sobe, enquanto a do argentino despenca. A tara pelo superávit fiscal é apenas mais um sonho delirante.
Há pouco mais de quatro meses, em um evento promovido pelo Banco Safra, o presidenciável bolsonarista Tarcísio de Freitas falou o que os banqueiros queriam ouvir e exaltou os cortes drásticos que Milei fez nos gastos públicos: “Se você me perguntasse há um ano se seria possível o Milei cortar 5% do PIB de gasto público em um ano, eu diria que não é possível, mas foi”, afirmou.
Para não deixar dúvidas, Tarcísio concluiu que Milei está mostrando “o caminho que a gente tem de adotar”. A Argentina de hoje é o que Tarcísio quer ver no Brasil de amanhã.
Paulo Guedes errou todas as previsões
Vale lembrar também da previsão do então ministro da Economia Paulo Guedes para o Brasil caso o modelo econômico de Lula fosse implantado: “Para virar a Argentina, seis meses; para virar Venezuela, um ano e meio. Se fizer errado, vai rápido.”
Bom, não viramos nem Argentina nem Venezuela e absolutamente todos os índices econômicos melhoraram após a saída de Guedes. “Ah, mas e o superávit fiscal…?", seguem perguntando os doidinhos.
O fato é que o modelo que os bolsonaristas e os devotos do ultraliberalismo querem para o Brasil foi cumprido à risca pelo governo argentino. A motosserra dos gastos funcionou do jeitinho que eles sonham.
Milhares de funcionários públicos foram demitidos e muitos cortes no orçamento foram feitos para atingir o tão sonhado superávit fiscal. Todas as ações de Milei na economia seguiram rigorosamente a cartilha que essa gente defende para o Brasil. O resultado está aí. Haja show de rock para tentar maquiar a realidade!