Nota da Redação deste Blog - A Atualidade das Palavras de Rui Barbosa diante do Caos Ético dos Três Poderes
Diante de tantos desmandos, escândalos e atos de corrupção que assolam os Três Poderes da República — Executivo, Legislativo e Judiciário — as palavras imortais de Rui Barbosa soam mais atuais do que nunca:
“De tanto ver triunfar as nulidades, de tanto ver prosperar a desonra, de tanto ver crescer a injustiça, de tanto ver agigantarem-se os poderes nas mãos dos maus, o homem chega a desanimar da virtude, a rir-se da honra, a ter vergonha de ser honesto.”
Essas palavras, proferidas há mais de um século, parecem descrever com precisão cirúrgica o cenário político e moral do Brasil contemporâneo. O país vive uma crise de valores, onde a ética pública e o compromisso com o bem comum são constantemente sufocados por interesses pessoais, conchavos e impunidade.
Nos bastidores do poder, a corrupção tornou-se um sistema enraizado, alimentado por um ciclo vicioso em que os mesmos rostos se revezam entre escândalos e cargos públicos. No Legislativo, leis são frequentemente moldadas para atender grupos de influência, enquanto o Executivo, em muitas esferas, se perde em promessas não cumpridas e administrações marcadas por desvio de recursos. O que dizer, então, do Judiciário, que deveria ser o guardião da Constituição, mas que, por vezes, se vê manchado por decisões políticas e privilégios incompatíveis com o princípio da igualdade perante a lei?
A sociedade, cansada de assistir a esse espetáculo de impunidade, corre o risco de cair na apatia moral. É o que Rui Barbosa alertava: o perigo não está apenas na ação dos maus, mas no silêncio dos bons, na desistência dos honestos, na descrença na virtude. Quando o cidadão de bem se acostuma ao erro e o considera normal, a corrupção deixa de ser exceção e passa a ser regra.
Mas é justamente nesses momentos sombrios que a voz da consciência deve se erguer. Não podemos permitir que a desonra e a injustiça se tornem permanentes. É dever de cada cidadão exigir transparência, ética e responsabilidade de seus governantes, juízes e legisladores. O Brasil só encontrará o caminho da verdadeira democracia quando os valores morais voltarem a ter mais peso do que os interesses políticos e econômicos.
A lição de Rui Barbosa, portanto, não é apenas um lamento, mas um chamado à resistência moral. Que não nos envergonhemos de ser honestos. Que não percamos a esperança de que a virtude ainda pode triunfar. Porque, apesar das nulidades que se multiplicam e das injustiças que se avolumam, a história sempre mostra que o bem, mesmo que demore, encontra seu caminho de volta.