sexta-feira, abril 24, 2020

Se Moro se demitir, Bolsonaro irá voar de um trapézio para outro sem rede de proteção


Aroeira ironiza silêncio de Moro - Brasil 247
Charge do Aroeira (Jornal O Dia/RJ)
Pedro do Coutto
Na tarde de ontem foram intensas as notícias de que o ministro Sérgio Moro teria pedido demisão, inconformado com a decisão de Jair Bolsonaro afastar o delegado Maurício Valeixo do cargo de diretor-geral da Polícia Federal. Se isso  acontecer, o presidente Jair Bolsonaro passará a correr um enorme risco político, causado pela repercussão das afirmações que lotaram o dia de ontem em Brasília, transmitidas pelas emissoras de televisão e redes sociais.
É que Moro não teria aceitado a decisão, pois o cargo pertence a sua administração, de sua inteira confiança. E não é a primeira vez que não aceita interferências na Polícia Federal.
DISSE BRAGA NETTO – Escrevo este artigo no início da noite de ontem, quinta-feira, quando uma afirmação foi dada pelo general Braga Netto, que confirmou a informação de que Moro ainda não teria chegado a pedir demissão, e isso significaria que Bolsonaro teria recuado.
O ministro Sérgio Moro recebeu de Valeixo a informação de que o diretor-geral da PF seria substituído e mandou vazar a informação de que deixaria o cargo de ministro se o presidente da República persistisse em alterar o comando e a independência da Polícia Federal.
Será um desastre para o governo Bolsonaro pela repercussão profundamente negativa de tal ato. Mas esta é outra questão. Bolsonaro cujo prestígio junto à opinião pública foi reduzido, como o Datafolha acentuou, se acrescentado o impacto de o ministro da Justiça e Segurança ser substituído, sua imagem teria caído mais pontos do que caiu recentemente.
HOUVE ALTERNATIVA… – No final da tarde correram notícias de que havia a hipótese da substituição de Valeixo, mas com Sérgio Moro permanecendo na Pasta, desde que pudesse indicar um substituto de sua inteira confiança pessoal.
O motivo que estava levando o presidente Jair Bolsonaro a baixar um ato demitindo Valeixo não veio à tona de forma clara. Especula-se que teria dois motivos para fazê-lo: a investigação a respeito de quem patrocinou a manifestação de domingo seria uma hipótese. A outra é a atuação da Polícia Federal no caso Fabrício de Queiroz. Mas há uma terceira: a soma das duas hipóteses.
PAULO GUEDES EM CRISE – Nas suas edições de ontem, O Globo e a Folha de São Paulo destacaram o plano econômico produzido pelo ministro-chefe da Casa Civil, General Braga Neto. Na Folha de São Paulo a matéria foi analisada por Igor Gielow, no Globo a matéria foi assinada por Manoel Ventura , Henrique Gomes Batista, Mateus Schuch e Gabriel Shinohara.
O fato é que ao reunir a imprensa para divulgar o plano que visa a recuperação econômica do país, Braga Neto não deu maior importância a ausência do titular da Economia.
O plano de recuperação da economia prevê o investimento de 30 bilhões de reais para retomar 70 obras públicas que estão paralisadas. Paulo Guedes defende uma tese oposta: é favorável à transferência de recursos para a iniciativa privada. O choque está aí. Braga Neto é favorável a investimentos estatais diretos. Paulo Guedes pensa que as verbas devem ser oferecidas a empresas privadas. Entretanto, o episódio revela que Guedes perdeu apoio no Palácio do Planalto. Vamos ver qual dos dois critérios prevalecerá.

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