
Mais do que numa “fria”, Nélson Teich entrou numa “gelada”
Pedro do Coutto
O dilema transpareceu nesta sexta-feira, quando o presidente da República deu posse ao novo ministro da Saúde e este admitiu levemente a flexibilização do isolamento, mas deixou claro que qualquer mudança dependeria da realidade na qual se refletem os índices de contaminação e os casos letais que vêm se verificando. Esta posição foi ao encontro das opiniões científicas e distanciou-se da visão do presidente da República, que voltou a acentuar sua preocupação com a retomada da taxa de empregos.
Entretanto, como se constatou no final da tarde o índice das contaminações no país superou os 33 mil casos. Um avanço de 10% nas últimas vinte e quatro horas, sem falar na falta de notificação ideal.
A PANDEMIA AVANÇA – A taxa de mortalidade avançou também no mesmo percentual passando de 2000 casos. Diante desse quadro, mantido esses ritmos, a liberação de atividades comerciais como deseja o presidente da República torna-se praticamente impossível. Basta verificar a média diária superior a 10% tanto num caso quanto no outro.
Sinal de que a pandemia avança e está ganhando velocidade incontestável. Nesse panorama o ministro da Saúde não terá condições de concordar com a tese de Bolsonaro. Seria uma atitude simplesmente absurda. Também ontem o governador João Dória prorrogou o isolamento até meados de maio. Pergunto: qual o governador e também qual ministro da Saúde seria capaz, num quadro como esse, de liberar grande parcela dos trabalhadores e funcionários públicos?
UM IMPACTO ENORME – Seria um risco enorme se tal fato viesse a acontecer com o impacto político muito grande na vida nacional. Verifica-se que a progressão dos contaminados é muito alta. Indica claramente que o ponto máximo da curva de ascensão ainda não foi alcançado e, dessa forma, os números absolutos causados pela pandemia só podem aumentar. Ainda atravessamos uma fase longe de significar o ponto máximo da virose.
Além do mais, como o prazo assintomático é de 14 dias, muitos contaminados ainda não foram ingressar nas estatísticas oficiais. Portanto, qualquer decisão tanto do governo federal quanto dos governadores e prefeitos poderá estimular esse fenômeno capaz de acrescentar números estatísticos ainda piores.
Ou seja, o presidente Bolsonaro está praticamente sozinho ao defender a redução do isolamento.