Posted on by Tribuna da Internet

Ilustração reproduzida do Arquivo Google
Carlos Newton
É preciso reconhecer o esforço do economista Roberto Campos Neto à frente do Banco Central, para tentar manter sob controle a dívida pública. Já baixou os juros para 4,25% ao ano. Como o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), que mede a inflação oficial, está em 4,19%, isso significa que estamos perto dos juros negativos, que levam ao desespero os rentistas, já acostumados ao lucro sem risco, gerado pelo capital imobilizado, que nada produz, não gera empregos e aumenta a desigualdade social.
Os rentistas fugiram para a Bolsa de Valores, mas o sonho acabou, porque no mercado de capitais tudo tem limite e as ações não podem ter valor maior do que o patrimônio da empresa.
INFLANDO O DÓLAR – O fato concreto é que os rentistas, quando descobriram que a Bolsa bateu no teto e agora vai ficar naquele sobe-e-desce normal, começaram a se mudar para o dólar.
Com isso, os exportadores rurais da filial Brazil estão em festa. porque poderão oferecer aos compradores preços mais favoráveis, que vão levar à loucura os concorrentes da nossa matriz USA, obrigando mister Trump a subsidiar ainda mais a produção agrícola norte-americana neste ano eleitoral.
É possível imaginar o que Trump vai dizer a seu grande amigo Bolsonaro sobre a queda da cotação do real, ms logo isso vai parar, porque o mercado de câmbio também tem limite gravitacional, como se fosse uma Lei de Newton transposta para o mercado financeiro.
A DÍVIDA DISPARA – Enquanto isso, a dívida pública federal fechou o ano passado em R$ 4,24 trilhões, uma alta de 9,5% em relação a 2018, no maior patamar da série histórica, iniciada em 2004. Como se sabe, o governo emite dívida para financiar despesas que não cabem no Orçamento. O sonho de Guedes e de seus antecessores era pagar os juros dessa dívida com o chamado superávit primário. Porém, desde 2014 o governo gasta mais do que arrecada. E a dívida virou uma bomba-relógio.
Em 2019, a dívida interna cresceu R$ 355 bilhões e a externa, resultado da emissão de bônus soberanos no mercado internacional e de contratos firmados no passado, aumentou outros R$ 17,48 bilhões.
NÃO HÁ PLANOS – Esses dados fazem parte do Plano Anual de Financiamento. A previsão da equipe econômica é que a dívida em 2020 fique entre R$ 4,5 trilhões e R$ 4,7 trilhões. A ideia da equipe econômica é aumentar as emissões de títulos corrigidos pela taxa flutuante em relação ao ano anterior. Ou seja, Guedes não tem plano para controlar a dívida. Além disso, o ministro também não apresentou nenhum plano para reduzir os gastos públicos e eliminar os privilégios da nomenclatura estatal.
“O desafio fiscal atual envolve, sobretudo, o controle dos gastos públicos, de forma que as contas públicas voltem a gerar superávits primários e assegurem uma trajetória sustentável para o endividamento”, diz o próprio relatório do Banco Central.
AS OPÇÕES DO BC – No âmbito do Banco Central, o presidente Roberto Campos Neto só tem duas cartas na manga. A primeira é eliminar a estranhíssima remuneração diária da sobra de caixa dos bancos. Essa prática é herança do tempo de descontrole inflacionário, quando havia o chamado “overnight”. Esse benefício aos banqueiros tem de acabar, não há duvida,
A segunda opção de Roberto Campos Neto é cessar os contratos que o BC faz em sigilo com clientes privilegiados (entre os quais os bancos, para variar) com objetivo de segurar a variação do dólar, e essa prática vem causando gigantescos prejuízos ao país, pagos às custas da dívida pública.
Como disse o almirante Francisco Barroso, espera-se que cada um cumpra seu dever. Ou seja, que Guedes reduza a máquina estatal e elimine os privilégios da nomenclatura, e que Campos Neto acabe como esse desperdício de recursos públicos no Banco Central, se for autorizado por Guedes e Bolsonaro, é claro.
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P.S. – Entre Paulo Guedes e Roberto Campos Neto, com toda certeza, prefiro confiar no presidente do Banco Central. Posso estar enganado, mas acho que nada vai mudar. Só acredito em mudanças quando o governo implantar um verdadeiro um plano de carreiras no serviço público, sem penduricalhos nem regalias, e quando os banqueiros forem proibidos de cobrar juros de agiotagem nos cartões de crédito. (C.N.)
P.S. – Entre Paulo Guedes e Roberto Campos Neto, com toda certeza, prefiro confiar no presidente do Banco Central. Posso estar enganado, mas acho que nada vai mudar. Só acredito em mudanças quando o governo implantar um verdadeiro um plano de carreiras no serviço público, sem penduricalhos nem regalias, e quando os banqueiros forem proibidos de cobrar juros de agiotagem nos cartões de crédito. (C.N.)