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Charge de Guto Cassiano (Arquivo Google)
Pedro do Coutto
A queda do poder de compra que está atingindo fortemente a população brasileira chegou agora a atingir os contratos de TV por assinatura. No mês de julho, 1 milhão e 300 mil contratos foram rescindidos. A informação é do presidente da ANATEL, Leonardo de Morais, e a reportagem é de Ivone Santana, edição de quarta-feira do Valor. Com isso caiu a audiência em 16,5% do total de assinantes. As principais operadoras são a NET e Sky. Os contratos da Vivo e da Oi, as duas juntas têm um pouco mais de 3 milhões de assonantes. O total de assinantes no país passou a ser de 16,5 milhões de domicílios. As perdas de julho atingiram 7,4% dos contratos.
Na minha opinião trata-se de um problema que está atingindo de fora intensa os assalariados brasileiros. Os cortes, assim, começaram a ser escalonados pelo grau de importância, dos quais se excetuam os produtos alimentícios e os remédios.
EFEITO NEGATIVO – É um assunto que deve chamar atenção do presidente Jair Bolsonaro porque está comprovado que o efeito negativo na economia da perda gradual do poder de compra. Pode-se acrescentar que 64% da população encontram-se com dívidas contraídas nos últimos 20 meses. Quadro difícil de reverter, eis aqui uma informação ao ministro Paulo Guedes.
A queda não ficou restrita aos contratos de TV a cabo. A repórter Daniela Amorim, O Estado de São Paulo, revela que a produção industrial do país caiu no mês de julho e retornou ao nível de 2009. É um péssimo indicador, sobretudo porque de 2009 até hoje lá se vai uma década e nessa década nasceram 20 milhões de pessoas.
A retração da indústria é uma consequência clara de uma outra retração: a do comércio. Pois ninguém vai querer produzir para estocar. Seria uma atitude antieconômica. Como se constata a compressão sobre os salários não está causando um movimento positivo. Pelo contrário, eis outra informação a Paulo Guedes.
CONTROVÉRSIAS – Enquanto isso as repórteres Adriana Fernandes, Idiana Tomazelli e Tânia Monteiro, em O Estado de São Paulo, destacam a existência de um choque entre a equipe de Onyx Lorenzoni e a de Paulo Guedes. Revela a reportagem que o ponto central da questão encontra-se na flexibilização do teto salarial, posição de Onix e a resistência contra a ideia, posição de Paulo Guedes. O presidente Jair Bolsonaro terá que decidir qual rumo a ser adotado. A questão é bastante sensível porque ao lado de Onyx encontram-se lideranças militares.
O argumento de Lorenzoni baseia-se, como ele próprio diz, no risco de um apagão político e econômico. Ministérios estão sem dinheiro e daí surge a ameaça de paralisação de serviços públicos essenciais. Como se constata mais uma vez, a população perde poder de compra e esse processo atinge diretamente a indústria, o comércio e a arrecadação de impostos. E Guedes não sabe o que fazer.