sexta-feira, setembro 13, 2019

Procuradoria ficar sob comando interino ao menos uma semana após saída de Raquel Dodge


Sabatina de Aras na no Senado deve acontecer no próximo dia 25
Daniel Carvalho
Folha
Com a saída de Raquel Dodge e o nome de Augusto Aras ainda pendente no Senado, a Procuradoria-Geral da República deve ficar sob comando interino por ao menos uma semana. Nesta quarta-feira, dia 11, foi definido que a sabatina de Aras na Comissão de Constituição e Justiça do Senado deve acontecer no próximo dia 25. Se for aprovada na CCJ, sua indicação à PGR pelo presidente Jair Bolsonaro (PSL) ainda precisa passar por votação no Plenário da Casa.  O mandato de Dodge na Procuradoria-Geral, por sua vez, acaba na próxima terça-feira, dia 17.  Com isso, assume interinamente o vice-presidente do Conselho Nacional do Ministério Público, o subprocurador-geral Alcides Martins. 
CONSERVADOR – Descrito como um homem de perfil conservador, ligado à Igreja Católica e à comunidade portuguesa, Martins, 70, tornou mais palatável para o governo a interinidade na PGR. Nascido em Portugal, ele se formou em direito pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj ) em 1975 e tem mestrado pela Universidade de Coimbra. Já deu aula em diversas faculdades e ocupou vários cargos no Ministério Público Federal (MPF), no qual ingressou em 1984.
Martins deve permanecer no comando da PGR até que o novo procurador-geral assuma. Nesta quarta-feira, a presidente da CCJ, senadora Simone Tebet (MDB-MS), anunciou o nome de Eduardo Braga (MDB-AM), líder do partido na Casa, para relatar a indicação de Aras ao cargo. A mensagem da indicação de Bolsonaro foi lida no Plenário pelo presidente do Senado, Davi Alcolumbre (DEM-AP).
VISITAS – Desde segunda-feira, dia 9, Aras tem percorrido gabinetes de senadores para se apresentar e pedir apoio. Num gesto atípico, Alcolumbre o levou à reunião de líderes partidários na terça-feira, dia 10. Bolsonaro anunciou na última quinta-feira, dia 5, a indicação de Aras, que é subprocurador-geral, para chefiar a Procuradoria-Geral da República (PGR ), em substituição a Raque Dodge, cujo mandato de dois anos chega ao fim.  Para ser confirmado no cargo, Aras depende agora de aval dos senadores.
Após a leitura do relatório na CCJ, é dado um período de vista coletiva. Em seguida, é feita a sabatina e a votação no colegiado. Então, a indicação vai a plenário. Aras precisa de no mínimo 41 votos para ser aprovado (de um total de 81 senadores). Ao indicar o subprocurador, Bolsonaro deixou de lado a lista tríplice divulgada em junho por eleição interna da  Associação Nacional de Procuradores da República (ANPR) e escolheu um nome que correu por fora, de perfil conservador e que buscou mostrar afinidade com ideias dele.
Pela Constituição Federal, Bolsonaro não era obrigado a indicar alguém da lista tríplice, mas a tradição vinha sendo seguida desde 2003 pelos presidentes da República. A escolha de Aras gerou reação da categoria e da ANPR. Na segunda-feira, procuradores fizeram protestos em todo o país em defesa da lista tríplice e da independência do Ministério Público Federal. A categoria diz que não vai aceitar um procurador-geral que seja alinhado com o Executivo. Já o Ministério Público Militar e a  Associação dos Servidores do MPF (ASMPF) anunciaram apoio a Aras. Em nota, o Ministério Público Militar disse que ele conta com “experiência bastante para o exercício” da PGR.

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