domingo, setembro 08, 2019

Cardeal alemão diz que Sínodo da Amazônia é intromissão agressiva ao Brasil


Papa errou na dose e a reação contra o Sínodo está sendo muito forte
Celso Serra 
Sob intensa expectativa internacional, o papa Francisco abrirá no Vaticano, dia 6 de outubro, o “Sínodo da Amazônia”, que se prolongará até o dia 23. O tema, altamente controverso, está dividindo a própria Igreja desde 17 de junho, quando foi divulgado o “Instrumentum Laboris”, documento-base do evento, que reunirá cardeais e bispos dos nove países que compõem a Amazônia.
Uma das reações mais duras foi do cardeal alemão Walter Brandmüller, de grande peso político e intelectual, por ser respeitadíssimo historiador da Igreja, presidente do Pontifício Comitê de Ciências Históricas de 1998 a 2009.
HERESIA E APOSTASIA – Em sua denúncia, Brandmüller acusa o documento papal “Instrumentum Laboris” de heresia e apostasia, duas gravíssimas irregularidades. A heresia ocorre  quando alguém é contrário às mensagens ensinadas por Jesus, enquanto a apostasia significa negação e abandono da fé.
“Para começar, precisamos nos perguntar por que um sínodo de bispos deveria tratar de temas que — como é o caso de três quartos do “Instrumentum Laboris” — têm apenas marginalmente algo relacionado com os Evangelhos e a Igreja. Obviamente, a partir deste sínodo de bispos, realiza-se uma intromissão agressiva em assuntos puramente mundanos do Estado e da sociedade do Brasil. Há que se perguntar: o que a ecologia, a economia e a política têm a ver com o mandato e a missão da Igreja?
Com essas colocações, o cardeal alemão Walter Brandmüller fez o debate sobre o Sínodo da Amazônia subir de patamar, pois chamou a atenção de estudiosos de todo o mundo para pontos estranhos à doutrina da Igreja, tendo em vista que os participantes foram convidados a tratar de questões sem relação direta com a missão da Igreja, como o desmatamento, o impacto climático, a extração mineral e a biodiversidade. “Isso não é senão uma forma inaceitável de “mundanismo” e “clericalismo”, resumiu o cardeal.
BRASIL BARRADO – Por sua vez, o governo brasileiro já detectou que o Sínodo mostra a nítida intenção de se imiscuir em assuntos privativos do Estado brasileiro e de sua soberania, como a situação das comunidades indígenas e ribeirinhas; a exploração internacional dos recursos naturais; a violência, o narcotráfico e a exploração sexual dos povos locais; o extrativismo ilegal e/ou insustentável; o desmatamento, o acesso à água limpa e ameaças à biodiversidade;  o aquecimento global e possíveis danos irreversíveis na Amazônia; e a conivência de governos com projetos econômicos que prejudicam o meio ambiente.
Frise-se que o governo do Brasil não foi convidado para a reunião, nem como simples espectador  – embora a maior parte da floresta (cerca de 60%) esteja dentro de seu território.
E o atual governo brasileiro, devido a esse contexto, também tem razão em estar alerta, pois a Amazônia sempre foi alvo da cobiça internacional e os últimos fatos ocorridos em países europeus com forte influência católica, passam a nítida impressão de serem atos preparatórios de um jogo geopolítico de apropriação criminosa das riquezas da região, dando seguimento à ação de ONGs nacionais e estrangeiras, graças à inércia e à omissão dos últimos governos, nos quais o interesse público foi desprezado, em benefício de interesses pessoais de enriquecimento ilícito.

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