segunda-feira, setembro 23, 2019

Bolsonaro caiu na armadilha e vai à ONU para falar de Amazônia e soberania


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Macron, o arqui-inimigo, está preparando a “recepção”
Guilherme Mazui e Filipe Matoso
G1 — Brasília
O presidente Jair Bolsonaro viajará nesta segunda-feira a Nova York (EUA) para participar da Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU). Será a estreia de Bolsonaro no encontro que reúne chefes de Estado, de governo e chanceleres. O presidente tem dito que em seu discurso, marcado para terça-feira (24), fará uma defesa do que chama de “soberania nacional” e da atuação do governo brasileiro na Amazônia.
Na sexta-feira (20), em uma breve conversa com jornalistas na entrada da residência oficial do Palácio da Alvorada, o presidente disse que seus antecessores, quando iam à ONU, “falavam e não diziam nada”.
PATRIOTISMO – “Eu ouvi pronunciamentos anteriores de outros chefes de Estado do Brasil”, afirmou Bolsonaro. “No passado, tinha muita… Falava, falava, falava e não dizia nada. Temos que falar do patriotismo nosso, da questão da soberania, do que o Brasil representa para o mundo”, completou o presidente.
Na semana passada, em uma transmissão em uma rede social, Bolsonaro afirmou que fará um discurso “bastante objetivo” e diferente dos presidentes anteriores porque, na opinião dele, está “na cara” que os líderes de outros países o cobrarão na questão ambiental.
“Estou me preparando para um discurso bastante objetivo e diferente de outros presidentes que me antecederam. Ninguém vai brigar com ninguém, podem ficar tranquilos. Vou apanhar da mídia de qualquer maneira. A mídia tem sempre o que reclamar, mas eu vou falar como anda o Brasil nessa questão”, afirmou Bolsonaro.
ABERTURA – Tradicionalmente, desde 1949, cabe ao Brasil fazer a abertura do debate geral na Assembleia Geral da ONU. Mas, segundo a Presidência, o primeiro presidente brasileiro a discursar no debate geral da Assembleia da ONU foi João Baptista Figueiredo, em 1982.
Bolsonaro será o oitavo a discursar, depois do próprio Figueiredo e de José Sarney, Fernando Collor, Fernando Henrique Cardoso, Luiz Inácio Lula da Silva, Dilma Rousseff e Michel Temer. Desde Figueiredo, o único que não compareceu foi Itamar Franco.
Além do discurso na ONU, a agenda prevê uma reunião com o secretário-geral da ONU, António Guterres. Bolsonaro afirmou para a imprensa que deve ainda participar de um jantar com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.
COMITIVA – De acordo com o Palácio do Planalto, estarão na comitiva oficial da viagem a Nova York, entre outros integrantes, a primeira-dama Michelle Bolsonaro, os ministros Luiz Eduardo Ramos (Secretaria de Governo) e Augusto Heleno (Gabinete de Segurança Institucional) e o deputado Eduardo Bolsonaro (PSL-SP), filho de Bolsonaro e presidente da Comissão de Relações Exteriores da Câmara.
Eduardo está sendo indicado para embaixador do Brasil em Washington.
CRISE AMBIENTAL – A estreia de Bolsonaro na ONU gera expectativa em razão da crise diplomática e ambiental provocada pelas declarações do presidente em meio à crise com o aumento das queimadas na Amazônia. Nos últimos meses, o presidente fez declarações críticas à Alemanha e à Noruega e chegou a trocar farpas públicas com o presidente francês, Emmanuel Macron, que deixou em aberto uma possível discussão sobre status internacional para a Amazônia.
Macron chegou a anunciar a intenção do G7, grupo que reúne as sete principais economias do mundo, de destinar ao Brasil US$ 20 milhões, mas Bolsonaro questionou a motivação do envio e afirmou que o montante era uma “esmola”.
Bolsonaro chegou a afirmar, sem apresentar provas, que organizações não-governamentais (ONGs) estariam envolvidas nas queimadas na Amazônia a fim de desgastar o governo, declaração contestada por ambientalistas.
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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG – 
Esperto, Macron já chegou a Nova York e participa nesta segunda-feira de uma reunião internacional  sobre a Amazônia, na qual Bolsonaro é o prato do dia, porque não terá ninguém para defendê-lo. Aliás, não se pode saber o que acontecerá a Bolsonaro. Muito provavelmente, ele caiu numa armadilha ao ir à ONU. Pode ser hostilizado nas ruas, que já receberam milhares de pessoas na sexta-feira. E pode também sofrer boicote no plenário. Tudo é possível, porque sua imagem no exterior é a pior possível, por culpa, única e exclusivamente, dele próprio(C.N.)

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