quarta-feira, setembro 04, 2019

Após críticas de Bachelet, Bolsonaro rebate e ataca pai de chilena morto durante a ditadura

Após críticas de Bachelet, Bolsonaro rebate e ataca pai de chilena morto durante a ditadura

Bachelet disse que “espaço democrático” no Brasil estava encolhendo
Guilherme Mazui
G1
O presidente Jair Bolsonaro disse nesta quarta-feira, dia 4,que a alta comissária da Organização das Nações Unidas (ONU) para os direitos humanos, Michelle Bachelet, defende “direitos de vagabundos” ao criticar ações de policiais no Brasil. Bachelet, que é ex-presidente do Chile, alertou sobre uma “redução do espaço democrático” no Brasil, especialmente com ataques contra defensores da natureza e dos direitos humanos. “Nos últimos meses, observamos [no Brasil] uma redução do espaço cívico e democrático, caracterizado por ataques contra defensores dos direitos humanos, restrições impostas ao trabalho da sociedade civil”, disse Bachelet em entrevista coletiva em Genebra.
`VAGABUNDOS´– Bolsonaro comentou as críticas da ex-presidente chilena durante entrevista no Palácio da Alvorada. “Ela agora vai na agenda de direitos humanos. Está acusando que eu não estou punindo policiais que estão matando muita gente no Brasil. Essa é a acusação dela. Ela está defendendo direitos humanos de vagabundos”, disse Bolsonaro. O presidente ainda citou o pai de Bachelet, o general Alberto Bachelet, para rebater a crítica sobre perda de espaço democrático. Segundo Bolsonaro, “se não fosse o pessoal” do general Augusto Pinochet, o Chile viveria um regime de esquerda como o de Cuba. “E ela [Bachelet] diz mais ainda, ela critica dizendo que o Brasil está perdendo o seu espaço democrático. Senhora Michelle Bachelet: se não fosse o pessoal do Pinochet derrotar a esquerda em 73, entre eles o seu pai, hoje o Chile seria uma Cuba. Acho que não preciso falar mais nada para ela”, disse.
“Parece que quando tem gente que não tem o que fazer, como a senhora Michelle Bachelet, vai lá para cadeira de direitos humanos da ONU. Passar bem, dona Michelle”, acrescentou. Alberto Bachelet foi um general da Força Aérea do Chile, opositor do golpe militar liderado por Augusto Pinochet em setembro de 1973. Segundo um relatório do Serviço Médico Legal, ele morreu vítima dos maus-tratos sofridos após ser preso e acusado de traição à pátria pela ditadura.
Bachelet e outros militares constitucionalistas foram presos e segundo registros eram levados diariamente à Academia de Guerra Aérea, onde sofriam tortura. Em 12 de março de 1974, o pai da atual presidente do Chile morreu em função de uma parada cardíaca após uma dessas sessões de tortura.
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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
 –  Por mais impulsivo que Bolsonaro seja, seria de bom tom ceder um pouco e aceitar a orientação de assessores de Comunicação antes de escrever ou falar, ainda mais se tratando de assuntos que envolvam  personagens internacionais. Sua previsibilidade em responder “na lata”, usando argumentos vazios, é notória e assustadora. Até quando a suposta razão está ao seu lado é preciso ter cuidado para não ser ridicularizado . (M.C.)

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