domingo, março 29, 2026

A alta hospitalar de Bolsonaro e a influência de Michelle durante a prisão domiciliar

 

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MÁGOA FAMILIAR

A alta hospitalar de Bolsonaro e a influência de Michelle durante a prisão domiciliar | O ex-presidente Jair Bolsonaro recebeu alta hospitalar nesta sexta-feira, 27, e foi transferido para sua residência em Brasília, onde vai cumprir prisão domiciliar devido à condenação a 27 anos e 3 meses de pena por tentativa de golpe de Estado. Segundo decisão do ministro do STF Alexandre de Moraes, ele passará os próximos 90 dias em casa para se recuperar da pneumonia bacteriana bilateral decorrente de broncoaspiração responsável por sua internação no dia 13 de março. Depois desse prazo, o ministro decidirá se Bolsonaro permanecerá em regime domiciliar ou se voltará para a Papudinha. Do ponto de vista político, o confinamento caseiro será um período de expectativa entre aliados do ex-presidente em relação à influência que a ex-primeira-dama Michelle pode exercer sobre o marido. Ela resiste à candidatura do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) ao Planalto e pode usar esse tempo para tentar convencer o ex-presidente a mudar de ideia e apoiar o nome do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos). LEIA+

EFEITO ELEITORAL

No BC temor é de que medidas de Lula para reduzir juros pressionem a inflação | As medidas encomendadas pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva para reduzir os juros do rotativo do cartão de crédito e do consignado privado podem pressionar ainda mais a inflação, afirmaram ao PlatôBR técnicos do Banco Central. Essa discussão é encarada com cautela na autoridade monetária, diante da sensibilidade do tema, sobretudo em ano eleitoral. A avaliação entre os auxiliares do presidente do BC, Gabriel Galípolo, é de que as taxas praticadas são, de fato, exageradas e contribuem para o endividamento das famílias. Ele próprio afirmou que os juros cobrados no rotativo do cartão são punitivos, que os arranjos de pagamentos devem ter custos mais “saudáveis” e que a autoridade monetária estuda como seria possível encontrar soluções para o problema. Entretanto, Galípolo não deu detalhes sobre o que é debatido tecnicamente. LEIA+

ANÚNCIO SERIA HOJE

O que mais surpreendeu Kassab na desistência de Ratinho Jr. | O anúncio da candidatura de Ratinho Jr. ao Planalto seria nesta sexta-feira, 27. Todas as pesquisas internas do PSD indicavam o governador do Paraná como o nome da sigla com mais chances de avançar na campanha, já largando com algo próximo de 10% das intenções de voto. LEIA+

DECISÃO JUDICIAL

O que ainda pode acontecer com a reviravolta na eleição do presidente da Alerj | A correria para realizar a eleição que escolheu Douglas Ruas (PL) como novo presidente da Alerj resultou em sequelas na política do Rio de Janeiro. O TJRJ acolheu o pedido da oposição e anulou o resultado da sessão realizada, nesta quinta-feira, 26, para restabelecer a linha sucessória do estado. LEIA+

APOIO PARCIAL

As dificuldades de Flávio para unir a direita, apesar de bons resultados em pesquisas | O crescimento do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) registrado nas pesquisas teve uma comemoração apenas tímida entre membros da direita. Uma das razões apontadas por parlamentares aliados do senador é que ele, apesar de ter se mostrado competitivo diante do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, até então favorito, ainda precisa unificar o campo conservador em torno de seu nome. Os resultados neste momento favorecem esse esforço que será feito por Flávio e aliados na busca de manifestações públicas de apoio. De acordo com a pesquisa Atlas/Bloomberg, divulgada nesta semana, Flávio aparece com 47,6% das intenções de voto, contra 46,6% de Lula em uma disputa no segundo turno. LEIA+

Caso você ainda não tenha lido:

Lulinha, Bolsonaro e Flavitcho

 

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Arte: Marcelo Chello

O supremo não sextou na quinta e ainda botou todo mundo para trabalhar até sábado quando determinou que a CPI do INSS não poderia ser prorrogada. Resultado: a notícia ainda está acontecendo neste momento e talvez quando você estiver lendo já estaremos desatualizados. Dito isto, para surpresa de zero pessoas, o relator da CPI, senador Alfredo Gaspar (PL), pediu o indiciamento do Lulinha e mais umas trocentas pessoas (foram umas duzentas na verdade) e a situação, leia-se, o governo, já maneja para emplacar outro relatório que indicia Bolsonaro e Flavitcho, o filho 01.

Mas mesmo que se aprove, por um lado ou por outro, a gente já sabe que é sexta e acaba em pizza. O que vai definir mesmo daqui pra frente é a investigação da Polícia Federal, que já está em cima do Lulinha, diga-se de passagem. Lulinha era amigo do “careca do INSS” e a suspeita é que ele pode ter atuado para facilitar o esquema. Como todos hão de se lembrar, o caso do INSS é aquele em que uma série de instituições descontava ilegalmente do salário dos aposentados, sem autorização. Estamos falando de um esquema que começou no governo Bolsonaro e explodiu no governo Lula, com bilhões sendo retirados dos beneficiários do INSS. O governo Lula diz que pelo menos eles começaram a investigação. Mas o ministro da Previdência caiu e todo mundo questionou a demora da investigação.

Xandão também não sextou na quinta

Xandão mandou prender o Bacellar, o ex-presidente da Assembleia Legislativa do Rio, que é acusado de atuar como líder do núcleo político de uma organização criminosa ligada ao Comando Vermelho. Ele teria vazado informações sigilosas de operações da polícia que estavam atrás do TH Joias e otrascositasmas.

E o Xandão também decidiu hoje restringir as atividades do Coaf, aquele órgão que fiscaliza as movimentações financeiras. Lá atrás, foi o Coaf que descobriu a movimentação atípica do Flavitcho Bolsonaro no esquema das rachadinhas e que depois acabou em nada porque a investigação foi barrada no Supremo. Agora o Xandão diz que o Coaf não pode ter acesso livre e irrestrito a contas bancárias e não pode ficar fazendo relatórios sob encomenda. O supremo disse que o Coaf só pode produzir relatórios se existe uma investigação criminal formalmente aberta (ou um processo administrativo ou judicial). Nada de ficar fazendo pescaria em conta bancária alheia.

Até parece razoável, não é? A questão é que a decisão chega depois que as CPIs em curso no Congresso andaram usando documentos do Coaf para mostrar relações comerciais e financeiras do supremo Dias Toffoli (dono do Tayayá) e do filho do supremo Nunes Marques.

Impeachment, diz Dudu

O Dudu Bolsonaro disse que eles estão certos de que terão maioria no Senado e que com isso vão fazer o impeachment do Xandão. Crônica de uma morte anunciada, todo mundo já sabe que se o bolsonarismo conseguir maioria no Senado os ministros do Supremo terão trabalho. Mas Dudu não pensa muito estrategicamente levando em conta que abandonou seu mandato no Brasil, foi para os EUA e lá ficou e assim perdeu a chance de ser um destes senadores eleitos. Há alguns meses a expectativa era de termos uns 4 Bolsonaros no Senado, agora já caiu pra dois. Dudu não será candidato, Flávio será candidato a presidente. Ficaram Michelle e Carluxo.

Temos um Marçal candidato à presidência?

Flavitcho Bolsonaro já tem um Marçal no sapato. Renan Santos do MBL, que agora é do partido Missão (eles não podiam ter registrado o nome do partido como MBL para facilitar nossa vida?), já começou a tática Marçal. Ele só tem uma chance de bagunçar o rolê que é conseguindo os votos da direita. Então começou a tirar sarro de Flavitcho dizendo que ele é um boneco de posto ao dançar, já fica dizendo nas redes que Flavitcho está traindo a direita e votando a favor de lei do feminismo (no caso é a lei que transforma misoginia em crime equivalente ao racismo) e por aí vai. E parece que o Flavitcho se abalou com essa história de ser chamado de boneco de posto. Bobagem, Flavitcho, assume o bonecão.

O que ele está olhando são as pesquisas, Renan já desponta em terceiro lugar na pesquisa AtlasIntel.

O fim do peru

O supremo acabou com os penduricalhos dos salários dos juízes e agora apresentaram uma estimativa que na média, com a decisão, os juízes vão receber cerca de 25 mil reais a menos. Antes recebiam uns 95 mil e agora vão receber 70 mil. Um desses não cai na minha conta. E bote reparo que o teto constitucional é de 46 mil reais.

Chega, BRASEW, que a CPI nem acabou, mas a gente já quer ir devorar uma pizza.


Spike, o cacto: o primeiro de seu nome

 

Agência Pública

Spike, o cacto: o primeiro de seu nome

O que descobri com o ritual da minha avó e que nenhum manual ensina

Por Nicolas Aquino | Edição Thiago Domenici

Uma das minhas memórias mais nítidas da minha avó não é uma imagem, e sim um ritual. Lembro dela atravessando o quintal devagar, banhada pela luz que entrava pelas frestas do portão enferrujado, cantarolando e conversando com as plantas como quem atualiza uma amiga íntima. O espaço não era grande, mas na minha cabeça de criança, parecia uma floresta particular.

Sempre que precisava afastar um galho ou colher uma flor, ela pedia: “Licença, minhas queridas”. O pedido se repetia nos dias de poda, quando a tesoura e o inseticida entravam em cena. Nada ali era feito sem aviso, nem sem afeto. Crescer naquela casa despertou um lado místico em mim. Entre histórias, superstições e santos, aprendi cedo uma verdade: as plantas sentem.

Os anos passaram. Minha avó já não caminha pelo quintal, mas o hábito de ter plantas por perto floresceu em mim, talvez como uma tentativa de mantê-la. Hoje, idealizo um apartamento cheio de verde, mas, na vida real, me adapto ao que é possível: espadas-de-são-jorge, cactos, jiboias. Plantas resistentes, que talvez estejam preparadas para lidar com o temperamento do seu dono.

Por um tempo, tudo prosperou. Até que notei algo: minhas plantas pareciam sentir comigo. A comprovação veio com a morte do meu cacto mais antigo: Spike, o primeiro de seu nome, que não resistiu após um período de ansiedade. Antes dele, outras suculentas também se foram, apesar de todos os cuidados descritos nos manuais. Faltava algo que nenhum manual ensina: equilíbrio. Elas sobreviveram a possíveis afogamentos, mas não às minhas fases de desordem interna.

Reparei que, nos dias de alegria, as folhas pareciam mais vivas. Não que as plantas exijam uma felicidade constante — muitas vezes, foram elas que me fizeram levantar da cama em dias de desânimo. Mas percebi que as mortes aconteciam quando eu me perdia em mim mesmo. O aviso vinha em tom de tragédia, quase teatral, quase shakespeariano. Nunca fui muito fã de Shakespeare, mas minhas plantas parecem gostar de uma boa tragédia. Talvez devesse apresentá-las a Homero, para variar o repertório.

Cuidar de plantas é um exercício de autocuidado disfarçado. A vida adulta se parece com ter raízes na terra: receber nutrientes não basta. É preciso movimento, tempo e, acima de tudo, luz. Girassóis sabem disso. Nós esquecemos.

Assumo a culpa pela partida de muitas que, como Spike, tentaram me lembrar de que a vida precisa de equilíbrio. Que viver exige claridade, mesmo para quem prefere a sombra. Pequenas vitórias — um bom diálogo, um banho demorado, o silêncio — funcionam como adubo. É assim que a gente germina de novo.

Não concluo nada, porque crônicas raramente se concluem. Elas deixam sementes. Talvez minha avó já soubesse, quando pedia licença às plantas, que aquele gesto nunca foi só sobre folhas. Era, desde o princípio, um jeito de pedir licença para cuidar de si — e dos outros.

"Livro Corrupção Entrave ao Desenvolvimento..." by Roberto Teixeira

 

Livro Corrupção Entrave ao Desenvolvimento do Brasil 2013 Oscar Pilagallo
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Municípios que mais desmatam têm renda 27% abaixo da média do Brasil

 

Municípios que mais desmatam têm renda 27% abaixo da média do Brasil

Por Gabriel Gama e Gustavo Queirolo, Folhapress

29/03/2026 às 09:48

Atualizado em 29/03/2026 às 09:34

Foto: Daniel Beltrá/Greenpeace/Arquivo

Imagem de Municípios que mais desmatam têm renda 27% abaixo da média do Brasil

Especialistas afirmam que destruição das florestas gera economia clandestina e pobreza

As 50 cidades brasileiras que mais destroem a vegetação têm renda 27% inferior à média dos municípios do país, aponta levantamento da Folha.

A análise comparou o desmatamento acumulado de 2008 a 2022, segundo o sistema Prodes, do Inpe (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais), com o rendimento mensal por município em 2022, o dado mais recente do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística).

Em média, a renda nacional do trabalho das pessoas de 14 anos ou mais era de R$ 2.850,64 em 2022, sem o ajuste da inflação. Nas cidades que lideram a devastação da natureza, o valor cai para R$ 2.092,68.

"Existe um mito de que o desmatamento traz progresso e desenvolvimento humano, mas a literatura científica mostra que isso não é verdadeiro", diz Patrícia Pinho, autora do próximo relatório do IPCC, o painel das Nações Unidas sobre mudança climática, e diretora adjunta de ciência da ONG Ipam (Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia).

Das 50 cidades campeãs na destruição de ecossistemas, 47 apresentam rendimento abaixo da média. É o caso de Altamira (PA), município mais extenso do país e que soma o maior desmate no período, com renda per capita de R$ 2.491,17, e de Lábrea (AM), líder de desmatamento no Amazonas e com rendimento de R$ 1.590,46.

Apenas três cidades, todas de Mato Grosso, possuem renda acima da média nacional: Aripuanã (R$ 3.209,40), Nova Bandeirantes (R$ 2.875,32) e Paranatinga (R$ 2.852,79).

Em Paranatinga, a área plantada para soja quadruplicou de 2008 a 2022: passou de 63 mil hectares para 260 mil hectares, segundo o IBGE. Em Aripuanã e Nova Bandeirantes, não havia cultivo do grão em 2008, mas, em 2022, as áreas plantadas saltaram para 4.200 e 3.700 hectares, respectivamente.

Jaçanan Milani, professora de engenharia florestal na UFMT (Universidade Federal de Mato Grosso), diz que o aumento da renda média não significa distribuição da riqueza. "As regiões de Aripuanã e Paranatinga concentram grandes propriedades rurais, pertencentes a poucos fazendeiros que detêm a maior parte dos recursos."

A cientista Luciana Gatti, do Inpe, também afirma que os lucros ficam nas mãos de poucos indivíduos. "A roda econômica é pequena, porque a agricultura ultramecanizada é uma atividade que emprega pouca gente e cria uma pressão que leva as pessoas a serem pobres nos municípios."

Patrícia Pinho, do Ipam, enxerga prejuízos financeiros e sociais com a devastação, incluindo doenças e violência. "O desmatamento tem um boom, com evidências de que a renda possa talvez melhorar, porque as pessoas são empregadas para retirar a madeira, mas não gera uma renda estável nem progresso com desenvolvimento social", afirma.

Outra consequência da destruição de florestas é o avanço das mudanças climáticas. "O desmatamento significa redução de chuva e aumento de temperatura, e isso impacta diretamente a produção agrícola. As regiões mais desmatadas vão ter um clima mais modificado, desfavorecendo as populações", diz Gatti.

Além disso, há a sonegação fiscal associada ao desmate. "A economia clandestina com o desmatamento é enorme e se fermenta pela lavagem de dinheiro", diz Philip Fearnside, cientista do Inpa (Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia).

De acordo com uma estimativa do governo Lula (PT) publicada no Plano Clima, 74% do desmatamento registrado em imóveis rurais no Brasil em 2022 foi ilegal. Segundo a análise, a ilegalidade alcança 50% das supressões de vegetação no cerrado, e o índice chega a 90% na amazônia.

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