terça-feira, julho 29, 2025

Celular de Bolsonaro tinha contato de Moraes e mensagens para Fux

 Foto: Saulo Cruz/Agência Senado/Arquivo

O ex-presidente Jair Bolsonaro (PL)29 de julho de 2025 | 13:00

Celular de Bolsonaro tinha contato de Moraes e mensagens para Fux

brasil

A extração de dados do celular do ex-presidente Jair Bolsonaro mostra que ele tinha salvo em seus contatos um número de telefone do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes e disparou mensagens de sua lista de transmissão para outro ministro da Corte, Luiz Fux. A defesa de Bolsonaro não quis comentar o assunto.

A Polícia Federal extraiu 7.268 arquivos do celular de Bolsonaro apreendido em 3 de maio de 2023, na investigação sobre suspeita de fraudes em certificados de vacinas. A maior parte dos diálogos acessados pela PF, porém, estava restrita a um período de uma semana antes do aparelho celular ter sido apreendido. Conversas anteriores a essa data foram apagadas e não foram recuperadas. Os diálogos são de 2023, da época da apreensão.

Em sua agenda de contatos, Bolsonaro tinha salvo o número de telefone do ministro Alexandre de Moraes. Tratava-se de um número usado antigamente por ele, no período em que Bolsonaro era o presidente da República. No final do governo, Moraes já havia trocado de telefone. Nos dados extraídos do celular, não havia nenhum diálogo entre eles.

Durante seu período como presidente da República, Bolsonaro fez tentativas de aproximação com Moraes por meio de interlocutores, como o ex-presidente Michel Temer. As tratativas, entretanto, fracassaram porque o próprio Bolsonaro continuou realizando diversos ataques públicos ao ministro, que é o relator da ação por tentativa de golpe de Estado na qual o ex-presidente é réu.

No celular, ficaram registradas duas mensagens enviadas por Bolsonaro ao ministro Luiz Fux, que também foram repassadas pelo ex-presidente a diversos interlocutores que faziam parte de sua lista de transmissão.

As duas mensagens a Fux foram enviadas em 1º de maio de 2023, dois dias antes da busca e apreensão realizada pela PF contra o ex-presidente.

Uma delas era um vídeo de Bolsonaro ovacionado por apoiadores em um evento público. Após o vídeo, o ex-presidente mandou uma mensagem de texto explicando que a imagem se referia à sua participação em um evento do agronegócio, o Agrishow, no interior de São Paulo. “Obrigado meu Deus… Ribeirão Preto/SP. 01/maio/2023. Agrisho. [sic]”, escreveu.

Não houve resposta do ministro Fux. A extração não obteve diálogos mais antigos entre os dois.

De acordo com interlocutores do ministro, seu contato direto com Bolsonaro teve início de forma institucional quando Fux exerceu a Presidência do STF, entre 2020 e 2022, período no qual Jair Bolsonaro era presidente da República.

Integrante da Primeira Turma do STF, o ministro Fux tem se posicionado de forma contrária a medidas adotadas por Alexandre de Moraes contra o ex-presidente, como a aplicação da tornozeleira eletrônica, e vem se colocando como um contraponto a Moraes no julgamento do caso do golpe.

Procurados por meio da assessoria de imprensa do STF, os ministros não se manifestaram.

Aguirre Talento/EstadãoPolitica livre

Foragida da Justiça, Carla Zambelli é presa na Itália, diz Polícia Federal

 Foto: Vinícius Loures/Câmara dos Deputados/Arquivo

A deputada federal Carla Zambelli (PL-SP)29 de julho de 2025 | 17:19

Foragida da Justiça, Carla Zambelli é presa na Itália, diz Polícia Federal

brasil

A deputada federal Carla Zambelli (PL-SP) foi presa nesta terça-feira, 29, na Itália. A informação foi confirmada pela Polícia Federal e pelo Ministério da Justiça.

Zambelli foi condenada pelo Supremo Tribunal Federal (STF) a dez anos de prisão por ter pedido a um hacker a invasão dos sistemas do Conselho Nacional de Justiça, para emitir um mandado de prisão falso contra o ministro Alexandre de Moraes.

A pena estabelecida pela Primeira Turma do STF foi de dez anos de prisão, em regime inicial fechado, no julgamento realizado em maio deste ano. Depois da condenação, Zambelli fugiu para o exterior.

O STF pediu à Itália a extradição dela, para o cumprimento de pena no Brasil. Por isso, a polícia italiana cumpriu sua prisão. Entretanto, a Justiça italiana ainda deve abrir um processo para decidir se determinará a extradição da deputada. Ela possui cidadania italiana.

Aguirre Talento/EstadãoPolitica Livre

Governo Lula quer excluir a Embraer e os alimentos do tarifaço de Trump

 

Governo Lula quer excluir a Embraer e os alimentos do tarifaço de Trump

Sobre a Embraer - Embraer

Embraer compra nos EUA as suas peças principais

Catia Seabra, Nathalia Garcia e Mariana Brasil
Folha

A três dias da aplicação da sobretaxa de 50% sobre produtos brasileiros anunciada pelos Estados Unidos, o governo Lula (PT) negocia a exclusão de alguns itens do tarifaço de Donald Trump. Segundo integrantes do governo envolvidos com o tema, o vice-presidente e ministro Geraldo Alckmin (Desenvolvimento, Indústria e Comércio) tem conversado com o secretário de Comércio dos EUA, Howard Lutnick, na tentativa de poupar, por exemplo, alimentos da lista de produtos a serem sobretaxados pelo governo Trump.

O Brasil é hoje, por exemplo, o maior produtor e exportador de suco de laranja do planeta, vendendo 95% de sua produção para o exterior. Desse volume, 42% tem os Estados Unidos como destino. O país também é o principal fornecedor de café ao mercado norte-americano. Entre janeiro e maio de 2025, os EUA compraram 2,87 milhões de sacas, o equivalente a 17,1% de todo o volume exportado pelo Brasil, conforme dados do Cecafé (Conselho dos Exportadores de Café do Brasil).

ADIAMENTO – Além de buscar junto à gestão Trump o adiamento do anúncio, haveria ainda um pedido de exclusão das aeronaves fabricadas pela empresa Embraer, que tem o mercado norte-americano como principal comprador para a aviação regional. Um dos argumentos em favor da medida seria o de que a fabricante brasileira importa peças dos EUA.

Sem uma resposta concreta dos Estados Unidos, o governo brasileiro continua estudando cenários possíveis de reação e segura a divulgação do plano de contingência até que o tarifaço de Trump se concretize.

O desenho geral do plano para proteger empresas exportadoras foi concluído pela equipe técnica na semana passada e aguarda aval de Lula, segundo o ministro Fernando Haddad (Fazenda). Nesta segunda-feira (28), o chefe da equipe econômica se reuniu com o presidente no Palácio do Planalto. Alckmin também participou do encontro. Após a reunião, Haddad afirmou ter levado a Lula “todas as possibilidades que estão à disposição do Brasil e dele à frente da Presidência da República”. O ministro disse, no entanto, que o “foco do Brasil é negociar”.

NEGOCIAÇÃO – Segundo Haddad, o vice-presidente Alckmin está em contato e “à disposição permanentemente” das autoridades americanas. “Tem havido conversas. Então, aquilo que foi dito semana passada, [semana] retrasada, de que o Brasil não vai deixar a mesa de negociação em nenhum momento, está valendo e vai continuar valendo.”

O ministro da Fazenda deixou claro que Lula não tomará decisão antes de conhecer o ato executivo dos EUA com o detalhamento das decisões sobre o comércio com o Brasil. Questionado se o presidente já havia decidido qual será a reação a uma sobretaxa americana, Haddad respondeu que não. Não sabemos nem a decisão que vai ser tomada. Possivelmente, a gente espera que não seja unilateral no dia 1º. Então, nós vamos insistir de que a medida não seja unilateral por parte dos Estados Unidos”, disse ele.

FUNDO PRIVADO – Como mostrou a Folha, entre as medidas de contingência há a possibilidade de se criar um fundo privado temporário para facilitar a concessão de crédito a empresas ou setores afetados pelo tarifaço. O governo também avalia incluir ações de preservação de empregos em modelo similar ao programa emergencial de manutenção de trabalho e renda criado na pandemia.

Em conversa com jornalistas, Alckmin elogiou a elaboração do plano de contingência, mas afirmou que a prioridade do governo é avançar na negociação com os americanos. “O plano de contingência é um plano que está sendo elaborado, bastante completo, bem feito, mas todo o empenho agora nessa semana é para a gente buscar resolver o problema. Quero dizer a vocês que nós estamos dialogando neste momento pelos canais institucionais e sob reserva”, afirmou.

Questionado sobre a possibilidade de o presidente Lula ligar a Trump para uma negociação direta, Alckmin disse não ter tratado do assunto com o chefe do Executivo. “Eu não conversei com o presidente Lula sobre isso, mas o presidente Lula é o homem do diálogo. Ele sempre defendeu o diálogo, que é o que nós fazemos permanentemente”, disse. Neste domingo (27), Trump confirmou a aplicação de sobretaxas, que no caso do Brasil foram definidas em 50%, a partir de 1º de agosto. Se confirmada, a tarifa será uma das maiores do mundo.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
 – A negociação não existe, é uma obra de ficção. Tudo depende diretamente de Trump, um exibicionista imprevisível. Se depender da perseguição a Bolsonaro no Supremo, o Brasil está liquidado. (C.N.)]

Estados anunciam medidas por conta própria para socorrer empresas afetadas por tarifaço de Trump

 Foto: Pablo Jacob/Arquivo/GOVSP

Tarcísio de Freitas29 de julho de 2025 | 11:30

Estados anunciam medidas por conta própria para socorrer empresas afetadas por tarifaço de Trump

economia

Os Estados mais impactos pelo tarifaço imposto pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, ao Brasil começaram a anunciar medidas de socorro às empresas afetadas por conta própria, às vésperas de a taxação de 50% sobre os produtos importados pelos norte-americanos entrar em vigor, no dia 1º de agosto.

As medidas incluem a concessão de crédito para empresas de diferentes setores que vendem para os Estados Unidos e temem inviabilizar negócios no Brasil e até suspender atividades e demitir funcionários. Os setores impactados vão desde o suco de laranja até aeronaves. O governo federal também prometeu socorrer empresas, mas decidiu esperar pelo “Dia D” para bater o martelo sobre as ações, como mostrou o Estadão.

Os governadores também querem chamar o vice-presidente e ministro da Indústria, Geraldo Alckmin (PSB), para uma reunião no Fórum dos Governadores. O objetivo é discutir o impacto das tarifas nos Estados brasileiros.

“Cada Estado vai mostrar os seus impactos, e queremos formar uma comissão para acompanhar as negociações. É hora de agir com diálogo e união para proteger empregos, renda e a população, que é quem mais sofre”, disse o coordenador do fórum e governador do Distrito Federal, Ibaneis Rocha (MDB), nas redes sociais após se reunir com Alckmin.

• Governo de São Paulo libera crédito para fazer capital de giro nas empresas
• Ceará é o Estado que mais depende de exportações para os EUA; governador recorre a Alckmin
• Paraná aponta impacto para setores como madeira e cerâmica e anuncia pacote de crédito
• Rio de Janeiro cria grupo de trabalho para estudar medidas
• Rio Grande do Sul lança programa de crédito com R$ 100 milhões a exportadores
• Espírito Santo estuda medidas de curto e médio prazos

Governo de São Paulo libera crédito para fazer capital de giro nas empresas

O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), lançou uma linha de crédito com juros subsidiados para exportadores paulistas, conforme a Coluna do Estado antecipou. A linha de crédito “Giro Exportador” disponibilizará R$ 200 milhões com taxas de juros a partir de 0,27% ao mês mais a inflação. O prazo para pagamento é de até 60 meses, com carência de até 12 meses inclusa nesse período. Cada cliente pode financiar até R$ 20 milhões.

Estão em São Paulo algumas das maiores empresas afetadas, como a Embraer, que estima um custo adicional de R$ 50 milhões por avião por conta da tarifa, e o setor do suco de laranja, com a produção liderada pelo Estado.

“Se a gente não botar a bola no chão, não agir com adulto e não resolver o problema, quem vai perder é o Brasil e a consequência virá. E aí nós vamos trabalhar para que a consequência não venha”, disse Tarcísio durante um evento da XP Investimentos, em São Paulo, no sábado, 26.

O financiamento será dado pela Desenvolve SP, agência de fomento do Estado. Outra medida anunciada por Tarcísio é a liberação de créditos do ICMS acumulados por empresas exportadoras, que ficam retidos no sistema tributário do Estado e que serão devolvidos às companhias. O impacto dessa parte pode atingir R$ 1 bilhão. O governo ainda prometeu ampliar o Fundo Garantidor no Estado, que possibilita acesso ao crédito com menos exigência de garantias.

Ceará é o Estado que mais depende de exportações para os EUA; governador recorre a Alckmin
São Paulo é o Estado que mais vende aos Estados Unidos, mas, em termos proporcionais, o mais impactado é o Ceará. No primeiro semestre deste ano, mais da metade do que o Ceará exportou teve como destino o país norte-americano. Em todo o ano passado, os EUA representaram 44,9% das exportações do Ceará, sobretudo por conta do aço e dos pescados.

O governador do Ceará, Elmano de Freitas (PT), irá a Brasília na terça-feira, 29, com uma comitiva de empresários e se reunirá com o vice-presidente e ministro da Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), Geraldo Alckmin, coordenador do grupo que estuda medidas em resposta ao tarifaço de Trump no governo Lula (PT).

“Temos absoluta preocupação com os empregos que isso representa, com o pescado que está em contêiner, estamos discutindo que solução podemos dar, da mesma maneira com a castanha de caju, com a cera de carnaúba”, disse o governador cearense no sábado, 26. Ele citou o caso da ArcelorMittal, que representa metade das cargas movimentadas no Porto do Pecém e 78% do que exporta vai para os EUA.

O Ceará não anunciou nenhuma medida específica, mas estuda alinhar um plano de ação com o governo federal. Uma das possibilidades é também liberar créditos do ICMS para exportadores, mas há cobranças para que o governo federal repasse recursos ao Estado para compensar esses créditos retidos, como prevê a Lei Kandir, o que é tema de uma disputa histórica entre os governos estaduais e a União.

“Esse é um dos assuntos que vamos tratar com o vice-presidente Alckmin. Nós achamos que é uma das medidas que pode ser debatida”, disse Elmano.

Paraná aponta impacto para setores como madeira e cerâmica e anuncia pacote de crédito
No Paraná, o governador Ratinho Júnior (PSD) anunciou um pacote que inclui a liberação de créditos do ICMS para que as empresas vendam esses valores no mercado ou usem como aval para novos empréstimos.

O governo estadual também estuda beneficiar exportadores com uma renegociação de empréstimos na Fomento Paraná e no Banco Regional de Desenvolvimento do Extremo Sul (BRDE) e fazer um aporte no Fundo de Desenvolvimento Econômico (FDE) para novos empréstimos com juros mais baixos. Outra medida é deixar de exigir todas as contrapartidas de empresas que receberam benefícios tributários ao se instalarem no Estado.

As tarifas anunciadas por Donald Trump impactam principalmente o setor de madeira no Paraná, que vendem desde de madeira cerrada até painéis prontos para os norte-americanos, mas também afeta fabricantes de cerâmica, café solúvel, peças para máquinas, peixes e mel. “Tem cidade aqui que metade da economia depende de uma fábrica que é exportadora para os Estados Unidos”, disse o secretário da Fazenda, Norberto Ortigara, ao Estadão, ao citar o caso de Bituruna (PR).

Todas as medidas em estudo se restringem a empresas que vendem para os Estados Unidos e forem afetadas. Só em financiamentos, o Estado pretende usar R$ 80 milhões do seu orçamento para alimentar linhas de crédito, que podem chegar a R$ 400 milhões.

Daniel Waterman/Estadão Conteúdo

Lula busca retomar popularidade com pacote social em meio ao tarifaço


Pacote de programas sociais deve ser lançado no 2º semestre

Pedro do Coutto

O presidente Lula da Silva prepara um amplo pacote de investimentos sociais para o segundo semestre, numa tentativa de reconquistar índices de popularidade que sofreram queda desde o início do ano. O projeto, que deve incluir habitação, transporte, educação e combate à fome, surge como resposta tanto às demandas internas quanto ao cenário de tensão internacional.

Lula aposta que um plano robusto de inclusão social pode consolidar apoio político e reafirmar sua liderança num momento em que pressões externas começam a influenciar a agenda doméstica. Essas pressões ganharam corpo após Donald Trump anunciar tarifas de até 50% sobre produtos brasileiros, condicionando a redução das taxas à concessão de anistia ao ex-presidente Jair Bolsonaro.

IMPASSE – A iniciativa foi interpretada como uma tentativa direta de ingerência na política interna brasileira, criando um impasse diplomático sem precedentes. Para Lula, essa postura não apenas fere a soberania nacional, como também fortalece uma narrativa de resistência diante de uma ameaça estrangeira.

Em meio à crise, a estratégia norte-americana parece ter produzido o efeito inverso. Em vez de enfraquecer o governo, a pressão externa começou a gerar uma onda de solidariedade interna, inclusive entre setores conservadores que até então orbitavam a base bolsonarista. A opinião pública, sensível ao discurso de defesa nacional, passou a enxergar em Lula um contraponto firme à tentativa de condicionamento político por parte da Casa Branca.

Lula reagiu com um tom assertivo, deixando claro que a independência do Judiciário não será colocada em xeque para satisfazer exigências externas. Em pronunciamentos recentes, o presidente destacou que o Brasil não aceitará nenhuma forma de tutela internacional e sinalizou que poderá aplicar medidas retaliatórias caso as tarifas sejam efetivamente implementadas.

IMPACTOS – A Lei de Reciprocidade Comercial, aprovada pelo Congresso no primeiro semestre, dá ao governo brasileiro instrumentos para responder proporcionalmente a ações consideradas hostis. Os impactos econômicos, no entanto, não podem ser ignorados.

O aumento tarifário ameaça setores estratégicos da economia, como exportadores de café, suco de laranja, aço e autopeças, que têm nos Estados Unidos um de seus principais mercados. Pequenos e médios produtores, especialmente do agronegócio, já expressam preocupação com perdas significativas, caso a crise não encontre solução negociada.

Por outro lado, esse cenário adverso pode ser politicamente útil para o governo. Ao se colocar como defensor da soberania e, ao mesmo tempo, propor medidas de proteção social, Lula constrói uma narrativa que mistura resistência externa e compromisso interno. Essa combinação, se bem administrada, pode inverter a curva negativa da popularidade presidencial, transformando a crise em oportunidade de fortalecimento político.

MOBILIZAÇÃO – A história recente mostra que governos sob pressão internacional costumam utilizar o sentimento nacionalista como combustível para mobilização social. Foi assim no Canadá, no México e na Austrália, diante de sanções comerciais impostas por grandes potências. Lula segue essa trilha, reforçando sua imagem de líder que não se dobra diante de pressões e, ao mesmo tempo, garantindo que o povo brasileiro não será penalizado por disputas políticas externas.

O pacote social, previsto para os próximos meses, é mais do que um conjunto de medidas econômicas: é uma resposta simbólica à tentativa de condicionamento político. Programas como o Minha Casa, Minha Vida, obras de infraestrutura e investimentos em educação básica devem compor o núcleo dessa iniciativa, reforçando a mensagem de que o governo está focado em melhorar a vida da população, mesmo em um ambiente internacional hostil.

AUTONOMIA – Para Lula, esse momento é uma encruzilhada histórica: ou sucumbe às pressões, sacrificando princípios democráticos, ou reafirma a autonomia institucional e retoma o protagonismo social que marcou sua trajetória política. Tudo indica que o presidente optou pelo segundo caminho, ancorando sua estratégia na defesa da soberania e na ampliação dos direitos sociais.

Se bem-sucedido, esse movimento poderá não apenas recuperar a popularidade perdida, mas também consolidar um novo pacto político em torno da ideia de que o Brasil não se curva a imposições externas. Em tempos de crise global e disputas de poder, transformar adversidade em oportunidade é uma habilidade reservada a poucos líderes — e Lula parece disposto a jogar essa partida com todas as cartas na mesa.

General relata desabafo que Bolsonaro lhe fez após perder a eleição para Lula

Publicado em 29 de julho de 2025 por Tribuna da Internet

General Estevam Cals Theóphilo Gaspar de Oliveira - Comandante CMA Metrópoles

General diz que Bolsonaro não falou em golpe na reunião

Deu no Metrópoles

O general Estevam Theophilo Gaspar de Oliveira, réu na ação penal da suposta trama golpista contra o resultado das eleições de 2022, afirmou que se reuniu com o ex-presidente Bolsonaro em novembro de 2022 e ouviu do ex-mandatário um desabafo sobre os motivos que o levaram a ser derrotado por Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

Theophilo foi interrogado no Supremo Tribunal Federal (STF), na tarde desta segunda-feira (28/7), e afirmou que esteve com Bolsonaro em uma reunião, a pedido do então comandante do Exército, Freire Gomes, para conversar com o ex-presidente. O general negou que tenha tratado de uma tentativa de golpe.

RECLAMAÇÕES – “Ele reclamou de problemas no processo eleitoral, reclamou até algumas coisas dele próprio. Ele achava que podia ter agido diferente, que poderia ter minorado a sua veemência em algumas coisas”, disse o general, que é um dos réus do núcleo 3, dos kids pretos.

O general salientou que Bolsonaro disse no encontro — que, segundo ele, era oficial — que ficava incomodado, porque não “podia falar nada”, “não podia transmitir live de não sei onde”, dizendo que o “outro lado podia”.

“Então, o que ele desabafou foi isso. E, como eu já falei, no prosseguimento ele também conversou sobre o governo dele: o que tinha feito, o que não tinha feito, o que ele poderia, também dentro desse aspecto, ter melhorado para evitar o resultado que acabou tendo nas eleições. Então foi nesse aspecto esse desabafo — situação, particularmente, durante o processo eleitoral”, completou Theophilo.

CARTA GOLPISTA – A acusação aponta que, em 28 de novembro de 2022, após a vitória de Lula na eleição presidencial, os réus se reuniram para discutir a elaboração de uma carta de teor golpista a ser enviada aos comandantes das Forças Armadas.

Além disso, afirma a PGR, o grupo planejava ações para provocar um fato de forte impacto e mobilização social, o que permitiria a Bolsonaro e seus aliados avançarem no plano golpista.

Contra o general Estevam, só existe essa acusação de que foi chamado a palácio por Bolsonaro para disponibilizar tropas para o golpe.

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