segunda-feira, julho 28, 2025

Trump confirma para 1º de agosto as tarifas que atingem o Brasil

Publicado em 27 de julho de 2025 por Tribuna da Internet

Tarifas: Trump e chefe da Comissão Europeia se reúnem na Escócia |  Metrópoles

Trump esquece o Brasil e negocia com a União Europeia

Deu na Folha

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou neste domingo (27) que tarifas sobre produtos vindos de outros países entrarão em vigor em 1º de agosto, como planejado. A sobretaxa atinge o Brasil e foi estabelecida em 50%, uma das maiores do mundo.

“O 1º de agosto é para todos”, disse o republicano durante entrevista coletiva ao lado de Ursula von der Leyen, presidente da Comissão Europeia, com quem se encontrou na Escócia.

SEM PRORROGAR – Mais cedo, o secretário de Comércio, Howard Lutnick, já havia descartado adiamento. “Não haverá prorrogação nem mais períodos de carência. Em 1º de agosto as tarifas serão fixadas. Entrarão em vigor. As alfândegas começarão a arrecadar o dinheiro”, declarou Lutnick à Fox News.

No entanto, Trump manterá abertas as portas abertas para negociação, disse o secretário. Tentar adiar o início das tarifas é um dos pleitos do empresariado brasileiro ao governo de Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

Ao menos cinco países firmaram acordos comerciais com Washington: Reino Unido, Vietnã, Indonésia, Filipinas e Japão.

MESA PREPARADA – Sobre a União Europeia, com quem o presidente americano negocia neste domingo na Escócia, o secretário de Comércio disse: “Esperam chegar a um acordo, e isso depende do presidente Trump, que lidera esta mesa de negociações. Nós preparamos a mesa”.

As tarifas acordadas por esses Estados superam a taxa de 10% que os Estados Unidos aplicam desde abril à grande maioria dos países, mas ainda assim estão muito abaixo dos níveis com os quais Trump ameaçou se os governos não chegassem a um acordo com Washington que pôs fim ao que ele considera como práticas desleais.

As tarifas de 10% foram anunciadas em 2 de abril em cerimônia na Casa Branca. Na ocasião, Trump afirmou que o objetivo é trazer empregos e fábricas de volta ao país.

TARIFAS ADICIONAIS – Trump também determinou a cobrança de tarifas adicionais a um grupo de países que, segundo ele, têm sido injustos com os EUA no comércio internacional.

O tarifaço provocou forte reação negativa dos mercados financeiros por todo o mundo. Em 9 de abril, Trump anunciou uma pausa de 90 dias nas tarifas recíprocas para os países, com exceção da China. Dias depois, o presidente americano também recuou das tarifas sobre smartphones e computadores.

No final de maio, um tribunal comercial dos Estados Unidos bloqueou a maioria das tarifas do presidente Donald Trump e concluiu que ele havia excedido sua autoridade, provocando alívio nos mercados. Um dia depois, entretanto, um tribunal federal de apelação restabeleceu temporariamente as tarifas, pausando a decisão para analisar recurso do governo.

###
NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG 
– Lula ficou irredutível e agora tenta colocar a culpa no Trump e no Bolsonaro. Agora, já se sabe que candidato será apoiado pelas classes produtoras, como se dizia antigamente. (C.N.)

O que fazer nessa guerra de Trump e dos Bolsonaro contra o Brasil?

Publicado em 27 de julho de 2025 por Tribuna da Internet

Um homem está sentado à mesa, assinando um documento. Ele usa um terno escuro e uma gravata vermelha. Ao fundo, há bandeiras dos Estados Unidos e outros símbolos presidenciais. Algumas pessoas estão aplaudindo.

O que se sabe é que Trump só negocia sem escrúpulos

Vinicius Torres Freire
Folha

Donald Trump vai levar algum butim em sua guerra contra o Brasil. É um negocista bandoleiro, que gosta de combater, incutir medo e dominar. Quer se impor, apoiando a conspiração dos Bolsonaro ou subjugando os países das Américas.

 De resto, tem apoio de empresas e de outros interesses que promovem a causa deles de modo direto ou embarcam de modo oportunista na ofensiva de Trump, não importa o dano de longo prazo para os EUA.

CASO INDONÉSIA – Do ponto de vista dele, Trump começa a ter vitórias para cantar. Vide o que fez com a Indonésia. Cerca de 99% dos impostos de importação sobre produtos americanos irão a zero; as exportações indonésias serão tributadas em 19%.

O país vai aceitar regulações de produtos e comércio americanas, acabar com a restrição de exportação de minerais críticos e isentar empresas americanas de regras de conteúdo local. A lista de imposições vai longe.

A Indonésia não tem o peso geopolítico e regional do Brasil. Talvez por isso mesmo, o risco brasileiro possa ser maior. De qualquer modo, o PIB da Indonésia é de US$ 1,4 trilhão (16º do mundo); o do Brasil, de US$ 2,2 trilhões (9º). O comércio entre EUA e Indonésia foi de US$ 38 bilhões em 2024 (com o Brasil, de US$ 91 bilhões). Se não serve de modelo, o caso da Indonésia é um alerta.

BRASIL EMPAREDADO – O que o Brasil pode fazer no curto prazo? Quase nada, a não ser negociar para evitar o embargo (tarifa de 50% é embargo) ou ataques mais destrutivos. O que é “negociar”? Ao que parece, o governo Trump pode ouvir de empresas sugestões de acertos quanto a impostos de importação (“tarifas”), se o Brasil não retaliar. Mas o problema pode ser maior.

O Representante de Comércio dos EUA (USTR) tem lista longa e velha de queixas contra o Brasil, até agora sem consequência prática maior. O buraco desceu. Estão no alvo subsídios, impostos e regulações sobre empresas americanas, regras de conteúdo local e de compras governamentais, de propriedade intelectual etc.

Há sugestões de intervenção no comércio de minerais críticos. De sanções financeiras. Mesmo se houver canal de conversa, se vier ameaça de imposições nesses assuntos, vai restar pouco a negociar a não ser abertura comercial —ou enfrentar conflito inglório.

ALVO PREFERÍVEL – O Brasil já deixava de ser café-com-leite no jogo geoconômico e político. No mundo de Trump, até por ter um governo de esquerda, se tornou alvo preferencial, assim como o restante das Américas, que têm pouco poder de retaliar.

Antes de o Brasil entrar na mira, Canadá e México eram objeto das maiores agressões. Trump já havia ameaçado jogar na Colômbia o equivalente econômico das bombas que lançou no Irã.

Pode ser que o establishment americano leve Trump a limitar o ataque ao Brasil. Trump é imprevisível e este jornalista não leu ou ouviu descrição mesmo vaga do processo de decisão do ataque —Bolsonaros, regulação de “big techs”, Brics, dominação do quintal, tudo pode ser motivo. Sabe-se que o risco é enorme —um país que é alvo de ataques dos EUA pode se tornar perigoso para o investimento estrangeiro.

EFEITOS PROLONGADOS – Por fim, eventuais resultados da ofensiva podem permanecer, mesmo sob democratas, se for do interesse de empresas e política dos EUA (vide a sobrevida de sanções de Trump 1 sob Joe Biden).

O Brasil tem de pensar na vida. Saber das vantagens tangíveis da política “Sul Global”. Em estratégia objetiva, pensar em ter política de desenvolvimento para um mundo de barbárie política sem freio. Sem submissão, sem fantasia ideológica.

EUA vão usar Lei Magnitsky e cassar vistos de outros membros do governo

Publicado em 27 de julho de 2025 por Tribuna da Internet

Charge | O Imparcial

Charge do Sena (O Imparcial)

Lourival Sant’Anna
Estadão

As sanções do governo dos Estados Unidos a autoridades brasileiras devem ser ampliadas nos próximos dias. Na próxima semana devem ser aplicadas sanções que vão incluir também integrantes do alto escalão do governo Lula.

No médio prazo, até a expulsão da embaixadora brasileira Maria Luiza Ribeiro Viotti estaria na lista das sanções, o que representaria um rompimento de relações diplomáticas entre os dois países.

CASO DO STJ – Também haveria punições ainda mais duras a ministros do Supremo Tribunal Federal (STF). Oito deles já perderam o visto de entrada em território americano: Alexandre de Moraes, Gilmar Mendes, Cármen Lúcia, Luiz Roberto Barroso, Flávio Dino, Edson Fachin, Cristiano Zanin e Dias Toffoli.

 O objetivo é sancionar aqueles que têm votado pelas punições ao ex-presidente Jair Bolsonaro, aliado do presidente americano Donald Trump, e a favor da responsabilidade das plataformas de redes sociais

Agora, eles seriam alvos da Lei Magnitsky, com sanções econômicas e financeiras. Assim, bens que eles por ventura tiverem nos Estados Unidos seriam congelados. Além disso, haveria restrições a empresas e instituições que fizessem negócios com esses ministros. Com isso, o objetivo seria tentar bloquear o acesso desses integrantes do STF a serviços bancários proporcionados por empresas que façam negócio com os americanos.

OUTROS ATINGIDOS – No caso dos integrantes do governo Lula, a expectativa é de que o presidente e a primeira-dama Janja escapem da perda do visto. Contudo, integrantes do alto escaldão do Palácio do Planalto seriam afetados com a proibição de viajarem para os Estados Unidos.

O Brasil está sendo usado como experimento de um plano do governo Trump, a ser aplicado também a outros países governados pela esquerda na América Latina, como Colômbia e México. O objetivo é demonstrar a capacidade dos EUA de impor alinhamento ideológico e geopolítico nas Américas.

Empresas brasileiras que exportam para os EUA precisam negociar diretamente com autoridades e companhias americanas compromissos de investimentos e parcerias comerciais para contornar a tarifa e outras sanções.

Com o quadro, a iniciativa privada precisaria se desmarcar dos dois pólos políticos nessa briga, que não interessa a ela: Lula e Bolsonaro. Para se salvar, as empresas exportadoras devem atuar abaixo do radar político e da mídia.

NEGOCIAÇÕES – Os desfechos das negociações do Japão, Indonésia e Filipinas com os EUA indicam o caminho, com exceção do fato de que foram conduzidas pelos respectivos governos, enquanto no caso do Brasil a essência política da disputa significa que ela deve ser superada pelas empresas.

O governo americano anunciou que companhias japonesas teriam se comprometido a investir um total de US$ 550 bilhões nos setores de energia, semicondutores e farmacêutica nos EUA. Em troca, o governo Trump reduziu a tarifa sobre exportações japonesas de produtos industriais de 25 % para 15%, com aplicação recíproca.

A Casa Branca divulgou um comunicado intitulado “Restaurando o poder industrial americano”, no qual não estão detalhados os investimentos de cada empresa. Isso não é casual: os compromissos são volumosos o suficiente para servir de peça de propaganda e nebulosos o bastante para não serem cobrados no futuro. O governo japonês desmentiu as informações.

PODERIA SER PIOR – Indonésia e Filipinas, bem menos industrializadas que o Brasil, zeraram suas tarifas para produtos industriais americanos, em troca de pagar alíquotas de 19% — que não são baixas, mas os governos foram advertidos de que poderia ser pior.

O Brasil não tem essa opção, por causa da falta de diálogo político com os EUA e do protecionismo da indústria brasileira.

Os aliados potenciais dos exportadores brasileiros são importadores, atacadistas e varejistas americanos, para indicar investimentos e concessões que podem pavimentar o caminho da negociação. O importante é oferecer algo que a Casa Branca possa anunciar como resultados positivos de sua estratégia no campo comercial, para que possa ceder também nesse campo. Na esfera política, o jogo será diferente e potencialmente desastroso para o Brasil.

LEI MAGNITSKY – O pedido é embasado na Lei Global Magnitsky, legislação que permite punir estrangeiros acusados de corrupção ou violações graves de direitos humanos. Nomes de outros ministros não foram citados no pedido.

A lei foi aprovada em 2012, durante o governo de Barack Obama, e prevê sanções como o bloqueio de contas bancárias e de bens em solo norte-americano, além de visto cancelado e proibição de entrar no país.

A decisão de punir alguém embasado na legislação é do presidente dos Estados Unidos. Segundo o texto da lei Magnitsky, Trump, que tem maioria nas duas Casas legislativas americanas, precisaria apresentar provas ao Congresso das supostas violações de direitos humanos.

POSSÍVEL REVISÃO – Para ter o nome retirado da lista, o punido precisa provar que não teve ligação com as atividades ilegais que levaram à punição, que já respondeu na Justiça pelos atos ou que mudou de comportamento de forma significativa.

O próprio governo também pode retirar as sanções, caso entenda que é importante para a segurança do país.

Senador do Val ironiza Moraes e diz que já se tornou “cidadão norte-americano”

Publicado em 27 de julho de 2025 por Tribuna da Internet

Senador exibe seus dois passaportes e diz que tem visto

Do UOL e da CNN

O senador Marcos do Val (Podemos-ES), que viajou para fora do país com passaportes suspensos pelo STF (Supremo Tribunal Federal), postou foto com os documentos. A publicação não está disponível no Brasil e só pode ser visualizada por quem está fora do país.

Na publicação o senador afirma que chegou aos EUA “depois de dois anos e meio de perseguição impiedosa por parte de Alexandre de Moraes”.

CIDADÃO AMERICANO -O congressista ainda afirma ter sido acolhido oficialmente como cidadão americano. “Reconheceram, reafirmaram e ampliaram minha função diplomática. E mais: me acolheram oficialmente como cidadão americano”, escreveu.

Do Val ainda afirmou que enquanto Moraes “encara o peso das suas próprias decisões”, ele segue com a “missão, com dignidade, honra e a verdade como aliadas”.

A CNN apurou que o senador entrou nos Estados Unidos na última quarta-feira (23), por Miami. Em fevereiro deste ano, entretanto, o STF negou recurso e manteve decisão que bloqueou e determinou a entrega dos passaportes do senador.

INFORMOU AO STF – Marcos do Val, mesmo diante da decisão, alega que foi aos EUA de maneira legal. O parlamentar afirma que os documentos estão válidos e que informou ao Supremo sobre viagem entre 23 de julho e 3 de agosto.

“Meu passaporte diplomático, emitido pelo Ministério das Relações Exteriores, está válido até julho de 2027 e sem restrição. Além disso, meu visto oficial de entrada nos Estados Unidos foi recentemente renovado, com validade até 2035”, afirmou em nota.

Em agosto do ano passado, a PF (Polícia Federal) esteve em um endereço do senador Marcos Do Val, em Vitória (ES), para apreender passaportes do parlamentar, inclusive o diplomático por determinação do STF. Na ocasião, os itens não teriam sido localizados.

BLOQUEIO MANTIDO – Já em fevereiro deste ano, a Primeira Turma do STF rejeitou, por unanimidade, um recurso do senador e manteve o bloqueio e a entrega dos passaportes. Na época, o senador chamou atenção para o bloqueio de seus documentos oficiais enquanto ainda ocupava o cargo no Congresso.

“A maior perseguição política da história partindo de um único ministro. Infelizmente com a conivência da Mesa do Senado, sou o único senador da história do Brasil que enquanto exerce seu mandato está censurado com redes sociais bloqueadas, salários bloqueados […] Tive meu passaporte civil e diplomático suspenso”, disse Do Val.

A CNN questionou o STF sobre a suspensão do passaporte do senador e se havia autorização para a viagem, mas não houve resposta.

###
NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG –
 Sem alternativa, o ministro Alexandre de Moraes determinou o bloqueio dos cartões de crédito do senador Marcos do Val (Podemos-ES) após o parlamentar viajar para os Estados Unidos mesmo com uma ordem para cancelar seu passaporte diplomático. O objetivo deve ser matar de fome o senador (C.N.)


Direita unida em 2026 e apoiada por Bolsonaro, anunciam governadores

Publicado em 27 de julho de 2025 por Tribuna da Internet

Os governadores de direita demonstram muita unidade

Leticia Martins e Renan Fiuza,
da CNN

Os governadores de São Paulo, Goiás e Paraná afirmaram, neste sábado (26), durante evento Expert XP, em São Paulo, que a direita está unida para as eleições de 2026.

Tarcísio de Freitas (Republicanos-SP), Ronaldo Caiado (União-GO) e Ratinho Jr. (PSD-PR), dividiram o palco no evento que reuniu empresários e investidores e foram bastante aplaudidos ao criticarem a atual gestão de Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

COMPETÊNCIA – Para o governador do Paraná, Ratinho Jr., “aquele que tiver a alegria de ir pro segundo turno, vai ter a competência de juntar todo esse time aqui pra apresentar um novo projeto ao Brasil”.

Caiado, que governa o estado de Goiás é já oficializou sua pré-candidatura à Presidência da República para o pleito de 2026, disse que irá derrotar o petista.

“A primeira medida que eu vou tomar é extremamente simpática, que é derrotar o Lula, essa é a primeira medida […] nós vamos ganhar essas eleições”, afirmou.

ACIMA DE TUDO – O governador do estado paulista, Tarcísio de Freitas, declarou que “o projeto nacional está acima de todas as vaidades, então eu prego, sim, a união. A gente tem que mudar o rumo do Brasil”.

Tarcísio ainda mandou um recado direcionado a oposição: “Se engana quem pensa que uma liderança como Jair Bolsonaro vai ficar de fora desse processo, seja na condição que for, porque ele vai participar desse processo. Se engana quem pensa que vai haver um racha na direita, porque não vai, essa turma vai estar unida”.

Bolsonaro está inelegível até 2030 por decisão do TSE (Tribunal Superior Eleitoral). O ex-presidente também é réu por envolvimento na trama golpista após as eleições de 2022.

###
NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
 – É uma notícia destinada a ganhar pouca divulgação, mas sua importância é inquestionável. A meu ver, se não houver alguma surpresa, com essa união dos governadores de direita, que inclui Zema (MG), Castro (RJ), Jorginho (SC) e outros, a eleição já pode ser considerada decidida. Lembrando que, por mais que se esforce na campanha, como já está fazendo, a idade não perdoa e Lula já está com a data de validade vencida. O resto é folclore, como dizia Sebastião Nery(C.N.)

Publicado em  9 Comentários | 

Fux tenta sair limpo nesse Supremo emporcalhado, mas é tarde demais

Publicado em 28 de julho de 2025 por Tribuna da Internet

Leia a íntegra do voto de Fux sobre restrições a Bolsonaro

Na chamada undécima hora, Fux vota em nome da lei

Hugo Henud
Estadão

Ministro adota postura mais garantista em casos ligados ao bolsonarismo do que em casos anteriores; em 21% das ações relatadas por Moraes na Primeira Turma, Fux votou em divergência; juristas veem inflexão política e apontam que dissenso pode fortalecer legitimidade do STF, desde que bem fundamentado.

Na última semana, Luiz Fux divergiu novamente de Alexandre de Moraes e contestou as medidas restritivas impostas a Jair Bolsonaro. O voto marca uma guinada do ministro, que passou a liderar as divergências contra Moraes, votando em sentido oposto em cerca de 21% dos casos – a maioria deles relacionada ao 8 de Janeiro e à investigação sobre a tentativa de golpe, na qual Bolsonaro é réu.

PADRÃO RECENTE – A posição reforça um padrão recente e contrasta com o histórico de Fux, tradicionalmente associado a posições mais duras em matéria penal, como nos julgamentos do Mensalão e da Operação Lava Jato.

Levantamento do Estadão, com base na plataforma Corte Aberta, mostra que, desde 2023, Fux é o ministro que mais divergiu em ações penais relatadas por Moraes na Primeira Turma do STF. De 100 processos, o ministro votou contra o relator em cerca de 21% dos casos e lidera o número de pedidos de vista, com 11 solicitações que suspenderam temporariamente os julgamentos para permitir uma análise mais aprofundada.

A maioria dos processos envolve réus dos atos antidemocráticos de 8 de janeiro, incluindo o próprio ex-presidente Bolsonaro. Já entre 2019 e 2022, em 108 ações penais relatadas por Moraes e outros ministros e julgadas no Plenário do STF, Fux divergiu apenas em cerca de 9% dos casos.

CASO DA TORNOZELEIRA – Fux foi o último a votar na decisão de Moraes que impôs cautelares a Bolsonaro, que incluem, entre outras medidas, o uso de tornozeleira eletrônica e a proibição de acessar redes sociais.

As restrições foram determinadas no âmbito da investigação que apura uma suposta atuação coordenada entre o ex-presidente e seu filho, o deputado federal Eduardo Bolsonaro, para coagir o Supremo, por meio de autoridades americanas, e tentar reverter a ação penal do golpe, na qual Bolsonaro é réu.

O dado reforça um movimento recente do ministro, avalia o pesquisador da UFMG Shandor Torok, especialista no comportamento judicial do STF. Ele destaca a mudança brusca de postura de Fux, a despeito da gravidade dos crimes investigados.

VIÉS GARANTISTA – Torok lembra que, ao longo da trajetória no Supremo, Fux teve uma atuação marcada pelo rigor punitivista, o que contrasta com o posicionamento adotado nos últimos julgamentos da Primeira Turma. “Justamente nesses casos, Fux faz uma guinada de 180 graus e se revela um garantista”, afirma.

Esse movimento não tem sido isolado. O ministro tem se notabilizado por abrir contrapontos com os demais integrantes da Primeira Turma em temas relacionados ao 8 de janeiro, especialmente na dosimetria das penas dos condenados. Foi o que ocorreu, por exemplo, no caso da cabeleireira Débora Rodrigues dos Santos, que pichou, com batom, a frase “Perdeu, mané” na estátua A Justiça, em frente ao prédio do Supremo.

Fux pediu vista do processo e, posteriormente, divergiu da pena proposta por Moraes, que fixou 14 anos de prisão e foi seguido pela maioria. Para Fux, a pena adequada seria de 1 ano e 6 meses.

NÚCLEO CENTRAL – Além disso, Fux também fez ressalvas durante o recebimento da denúncia contra o núcleo central do golpe, que tem como réu Bolsonaro. Na ocasião, embora tenha votado a favor do recebimento da denúncia contra todos os acusados, ele foi o único ministro a acolher uma das preliminares da defesa: a de que o processo deveria ir para instâncias inferiores ou, caso permanecesse no STF, ser julgado pelo Plenário, e não pela Primeira Turma.

Ao mesmo tempo em que adota um posicionamento mais garantista nesses processos, Fux mantém seu perfil rígido em decisões individuais sobre liberdade. Entre 2023 e 2025, concedeu apenas 0,84% dos habeas corpus e recursos apresentados para contestar prisões supostamente ilegais ou abusivas, um dos índices mais baixos da Corte.

TUTELA DA LIBERDADE – Para o criminalista e pesquisador David Metzker, responsável pelo levantamento, a variação decorre do perfil do ministro. A rigidez nos pedidos de liberdade acompanha a trajetória de Fux. Ele votou de forma dura em casos como o Mensalão e a Lava Jato, defendeu a prisão após condenação em segunda instância e relativizou o princípio do in dubio pro reo, segundo o qual, na dúvida, a decisão deve favorecer o réu.

Da mesma forma, resistiu ao uso – em favor da defesa – das mensagens obtidas por hackers entre procuradores da Lava Jato e o então juiz Sergio Moro, e negou o pedido de entrevista de Lula enquanto este estava preso.

Para o professor do Insper e pesquisador da USP Luiz Gomes Esteves, o comportamento de Fux nos casos ligados a Bolsonaro e ao 8 de Janeiro não reflete, necessariamente, uma mudança de convicção jurídica, mas sim uma reação ao contexto do momento. “São pontos fora da curva no histórico do tribunal”, afirma.

###
NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
 – Não era possível ver Fux votando em 17 anos ou 14 anos de prisão para os acampados do 8 de Janeiro. Mas o fez. Com isso, manchou sua biografia. Agora, revolveu acordar contra Moraes e seus desmandos. Mas na verdade é tarde demais. Fux dormiu como um porco, no meio da porcalhada. Tem esperança de sair lImpo, daqui pela frente. Vai depender da intensidade de suas colocações em nome da Justiça. (C.N.)


Em destaque

Julgamento no TSE faz Alessandro Vieira passar de caçador a caça

Julgamento no TSE faz Alessandro Vieira passar de caçador a caça Senador se declarou pardo em 2022 e usou dinheiro do Fundo Partidário desti...

Mais visitadas