terça-feira, outubro 29, 2024

Entre a cadeira de prefeito e a honra, Boulos errou ao escolher a cadeira

Publicado em 28 de outubro de 2024 por Tribuna da Internet

O candidato Guilherme Boulos  (PSOL) durante coletiva de imprensa após resultado da final da apuração das eleições municipais em São Paulo

Boulos errou ao fazer a sabatina com Marçal, que o ofendeu

Marcelo Godoy
Estadão

Maquiavel dizia que sem piedade se podia empalmar o poder, mas não a glória. Há várias formas de se empalmar o poder, além da união entre a Fortuna e a Virtù para eleger o príncipe ou o prefeito. Os tempos mudaram e Guilherme Boulos, o candidato do PSOL, pareceu querer se adaptar a ele e, assim, não ser dobrado pelos ventos novos. Derrotado, ele disse ontem: Perdemos, mas recuperamos a dignidade da esquerda”. Será?

Por essa e outras, o eleitor da capital paulista viu exemplos formidáveis nesta campanha. Além do ex-coach Pablo Marçal, cujas razões de sucesso – e do fracasso final – já foram debatidas à exaustão, há outra candidatura que merece uma sessão de terapia: a do próprio deputado federal Boulos.

ACEITOU SABATINA – O psolista foi além da esquerda que troca a defesa dos direitos trabalhistas e da distribuição da riqueza pela mudança de pronomes: em sua luta para ganhar uns votos a mais no segundo turno, o Boulos resolveu aceitar o desafio de Marçal para uma sabatina em suas redes sociais.

Em 14 de agosto, no debate promovido pelo Estadão, pela Fundação Armando Álvares Penteado e pelo Terra, Marçal insinuou que Boulos consumia cocaína. Na plateia, assessores do candidato do PRTB fungavam fortemente quando o deputado psolista começava a falar. Até que o ex-coach resolveu exorcizar Boulos, exibindo-lhe uma carteira de trabalho, como se fosse um crucifixo.

Boulos reagiu de forma intempestiva: tentou retirar de Marçal a carteira. Virou meme. Enquanto isso, o ex-coach não perdia a oportunidade de dizer que ia revelar uma bomba contra o “comunista”. Seria no último dia de campanha.

CHORO DA FILHA – O deputado do PSOL chegou a relatar o choro da filha diante dos ataques do adversário. Marçal parecia não ter limites. Nem se conter. E angariava votos na mesma medida em que ameaçava os favoritos Nunes e Boulos.

Seus adversários alertavam para o passado do candidato e para a proximidade de aliados do ex-coach com o Primeiro Comando da Capital (PCC) até que ele levou em um debate um golpe com um banquinho desferido pelo tucano José Luiz Datena.

Visto como um pária na campanha eleitoral, Marçal queria mesmo se vender assim, como alguém contra todos os que ele chamava de “consórcio”. Teve 28% dos votos e ficou um ponto porcentual abaixo de Boulos e 1,5 ponto abaixo de Nunes, os candidatos que passaram para o segundo turno.

E o que fez o psolista para tentar vencer a aritmética desfavorável que indicava Nunes como herdeiro dos votos de Marçal? Tentou mimetizar a estética, as ideias e até o caráter da candidatura de Marçal.

Foi assim que no dia 23 de outubro, o deputado publicou um vídeo no X, o antigo Twitter, no qual eleitores que diziam ter votado em Marçal decidiam escolher Boulos no 2º turno. Terminava com um deles retirando o boné com a letra M, símbolo da campanha do ex-coach, trocando-o por um da mesma cor e modelo, mas com a letra B.

BOA IDEIA? – Parecia uma boa ideia. Pode-se dizer que a mensagem se dirigia aos eleitores. Mas a identificação de Boulos com os símbolos de Marçal era algo que não se imaginava possível no dia 5 de outubro.

Naquele dia, o deputado pedira a prisão e a cassação de Marçal, depois de o ex-coach divulgar à noite anterior o falso laudo que imputava ao adversário “ideias homicidas” em um estado de “surto psicótico” pelo consumo de cocaína.

Logo no mesmo dia 23, Boulos anunciou que aceitava o convite de Marçal para a sabatina que o ex-coach propunha com os candidatos. Era a aposta final do deputado para conquistar um eleitor improvável e baixar a sua rejeição nas pesquisas.

A manobra rendeu a Boulos 42 publicações na rede X – 25 delas no dia da sabatina, 25 de outubro – e outras 20 no Instagram.

OPRESSOR E OPRIMIDO – Em uma delas, Boulos anunciava: “Jesus é inspiração para todos nós. Isso eu aprendi no movimento social”. Contou com 12,6 mil visualizações. Um apoiador respondeu-lhe: “Acho que Jesus largou a cidade de São Paulo faz tempo, olha o absurdo que temos que assistir: o opressor e o oprimido do primeiro turno”.

Se conquistou algum voto, é difícil saber. No domingo à noite, as urnas mostravam que o psolista tivera 40,65% dos votos, um pouco mais do que os 40,21% que obtivera quatro anos antes.

Para muitos de seus colegas de partido, ao aceitar o convite de Marçal, Boulos mostrava a degradação de quem busca conciliar com o que não há conciliação. Entre a honra e a cadeira de prefeito, ele escolheu a cadeira. E acabou sem ambas. Não teve Virtù, nem lhe abraçou a Fortuna.

Lula e Bolsonaro saem destas eleições rebaixados do comando do espetáculo


Eleições 2022: quais são as propostas de Lula e Bolsonaro? - BBC News Brasil

Os dois mitos realmente estão em queda no eleitorado

Dora Kramer
Folha

Eleição municipal atípica, a que termina agora, dá um sinal claro para a próxima, daqui a dois anos, coisa que normalmente não ocorria: duas das mais relevantes lideranças políticas no plano nacional não obtiveram vitórias significativas. Ou, por outra, tiveram derrotas eloquentes.

Isso não antecipa necessariamente o cenário de 2026, mas evidencia que o presidente Luiz Inácio da Silva (PT) e o antecessor Jair Bolsonaro (PL) não comandam o espetáculo da política na dimensão em que ambos acreditaram ou talvez ainda acreditem.

AMBOS PERDERAM – No cômputo geral dos resultados nas capitais, a aparência foi de prevalência de Bolsonaro, cujo partido elegeu quatro prefeitos contra apenas um do PT de Lula. No detalhe, porém, vê-se que ambos perderam, e muito em função de erros de cálculo sustentados em excesso de confiança nos respectivos tacos.

Lula já tivera uma ideia ruim quando impôs Dilma Rousseff em 2010 apostando numa volta fácil em 2014. Agora teve três más ideias: chamar a polarização à cena, confiar na transferência de votos e considerar a aliança com Marta Suplicy receita de sucesso.

O presidente gabaritou no equívoco: o eleitorado preferiu julgar gestões e Guilherme Boulos (PSOL) manteve o patamar de votos de 2020, quando não tinha dinheiro nem presidente na retaguarda. Além disso, houve o retraimento de Marta, que por impossibilidade de falar mal de Ricardo Nunes (MDB), de quem foi secretária de Relações Internacionais, não foi a debates de vices e recusou-se a dar entrevistas.

CHEIRO DE QUEIMADO – Bolsonaro perdeu para o próprio ego ao se confrontar com governadores e parlamentares de seu campo, comprovando-se mais uma vez desleal. Nesse quesito, também perdeu para Lula, que soube detectar o cheiro de queimado a tempo de se distanciar de embates com partidos aliados em Brasília.

O presidente levou em conta o dia de amanhã, mas seu antecessor preferiu combater ao sol e à chuva sem cacife robusto o suficiente para ganhar. Contratou desafetos na forma de potenciais adversários futuros.

Juntos no estrelato em 2022, Lula e Bolsonaro terminam 2024 unidos no infortúnio.


segunda-feira, outubro 28, 2024

Piada do Ano! Eleição mostra “satisfação do povo” com o governo, diz Mercadante


Mercadante quer ajudar Haddad a conseguir superávit fiscal

Até a sombra de Mercadante se assustou com a Piada dele…

Hamilton Ferrari
Poder360

O presidente do BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social), Aloizio Mercadante, disse nesta segunda-feira (28.out.2024) que o fato de 80% dos prefeitos terem sido reeleitos demonstra a “satisfação do povo” com a vida no Brasil.

Reconheceu, porém, que o país tem problema com as contas públicas e que será necessário adotar medidas para atingir o grau de investimento nas agências de risco.

CRESCIMENTO – Mercadante participa em São Paulo do BIF (Brazil Investmet Forum), o 7º Fórum de Investimento do Brasil. Ele disse que a projeção de PIB acima de 3% é potencializada pelo crescimento industrial e investimentos.

“Temos um problema fiscal. O país vai ter que fazer ajustes nas contas públicas. Nós temos que colocar a meta de grau de investimento como a meta fundamental, e está muito próxima a ser atingida. Terminaremos, para os pessimistas, com mais uma derrota nas suas previsões. Não só manteremos a relação dívida-PIB, eu tenho a convicção, mas, principalmente, temos que fazer isso com crescimento econômico”, declarou.

Sobre as eleições, o presidente do BNDES disse que a reeleição de 80% dos prefeitos mostra uma “satisfação do povo” com as prefeituras e com a vida no Brasil.

CONTINUÍSMO – “O resultado da eleição é o continuísmo. Foi o grande recado que veio das urnas”, declarou. Mercadante avaliou que o Brasil é um país com cultura de “paz” e o mundo passa por uma escalada militar “preocupante”.

Afirmou que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) tem a paz como “princípio inegociável” e que busca saída diplomática e suspensão das guerras.

“Nós somos um país que há 150 anos não tem guerra com nenhum vizinho e é um fator de estabilidade decisiva na região”, disse. Mercadante declarou que o Brasil tem estabilidade política, apesar da “tentativa de golpe”, o ato do 8 de Janeiro de 2023.

CLIMA DE PAZ – “A Justiça brasileira foi eficaz, rápida. Nesta eleição municipal, mais de 5 mil municípios, não tem um vereador que questionou urna eletrônica e nenhum prefeito. Ninguém invadiu prefeitura. Nós estamos vivendo um clima totalmente tranquilo e de paz”, declarou.

Mercadante defendeu rever as emendas parlamentares para projetos estruturantes. Segundo ele, há uma “parlamentarização” do Orçamento que é exagerada.

Os poderes Executivo e Legislativo se comprometeram com o STF (Supremo Tribunal Federal) a entregar um Projeto de Lei Complementar sobre a regulação da execução das emendas de congressistas. Quem está costurando o projeto é o senador Angelo Coronel (PSD-BA).

INVESTIMENTO – Morgan Doyle, gerente de países do Cone Sul no BID (Banco Interamericano de Desenvolvimento), disse que a América Latina, e particularmente o Brasil, é parte fundamental para desafios do futuro, como a transição energética. Defendeu que a relevância global cria também oportunidades de investimento e desenvolvimento.

Afirmou que o Brasil registrará, em 2024, o 4º ano de crescimento anual “robusto”. O PIB (Produto Interno Bruto) do país avançou 4,8% em 2021, 3,0% de 2022, 2,9% em 2023 e, segundo as projeções de analistas do mercado financeiro, 3,08% em 2024.

Doyle declarou ainda que as taxas de crescimento ficaram acima das projeções dos economistas nos últimos anos. Disse que a taxa de desemprego está nos menores níveis históricos e o cenário favorável está sendo “muito percebido pelos investidores”.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
 – Mercadante é um dos melhores quadros do PT, já trabalhou na iniciativa privada com Henrique Meirelles e tem futuro garantido. Fica feio para ele fazer essas bajulações a Lula, que mal o suporta. Além do mais, lançar Piadas do Ano com a economia é mais vergonhoso ainda. Detalhe intrigante: Por incrível que pareça, Mercadante era amigo de Carlos Lessa e Maria da Conceição Tavares, que devem ter fechado as contas mais cedo para não ver esses vexames bajulatórios do economista do PT(C.N.)


Festivais gastronômicos movimentam economia e turismo de Salvador; veja os números

 






Na Bahia, em 2023, festivais gastronômicos movimentaram mais de R$ 16 milhões

Além de promover a democratização da boa gastronomia, a Salvador Restaurant Week fortalece o turismo ao estimular visitantes a explorarem diferentes áreas de Salvador. Mais de 100 restaurantes participantes se tornam pontos de interesse turístico, contribuindo para uma experiência cultural enriquecedora. Este panorama promove um crescimento econômico e cultural, consolidando a capital baiana como um destino gastronômico de destaque no Brasil.

Para se ter uma ideia, em 2023, os festivais gastronômicos da Bahia tiveram um faturamento superior a R$ 16 milhões, segundo a Agência Sebrae de Notícias. A gastronomia é um atrativo turístico-cultural  porque possibilita que se conheça, de forma prazerosa e peculiar, a partir de aromas e sabores, a história, hábitos e costumes de um povo. 

A Salvador Restaurant Week (SRW), por exemplo, está realizando a 24ª edição até 03 de novembro, com mais de 100 restaurantes participantes e espera vender mais de 160 mil menus, totalizando cerca de R$ 20 milhões em vendas. Na edição anterior, foram vendidos cerca de 100 mil menus.

Segundo Emerson West, sócio do charmoso e aconchegante restaurante Zaffe, localizado no Candeal, (antigo Zafferano), eventos gastronômicos desempenham um papel fundamental na promoção da diversidade cultural e na valorização da identidade culinária de uma região tão rica como a nossa. “Além de oferecerem experiências únicas e deliciosas, esses eventos também contribuem para o desenvolvimento econômico local, impactando diretamente no turismo e na economia. É também uma bela oportunidade para chefs e produtores locais mostrarem suas habilidades e conceitos, fortalecendo a conexão entre a comunidade e a culinária. Aqui no Zaffe, por exemplo, esse caldeirão cultural está sempre vivo”, disse West.

Já o Salvador Burger Gourmet (SBG), que contou com a participação de mais de 50 estabelecimentos de gastronomia e hamburguerias na sua última edição, apesar de ser um evento novo, vendeu cerca de 40 mil experiências, injetando mais de R$ 1,5 milhão na economia local.

Ao todo, espera-se que os dois eventos promovam, aproximadamente, a circulação de 200 mil pessoas pelos empreendimentos gastronômicos da capital baiana. No Brasil, até a última edição, Salvador era a terceira cidade em movimento para a Restaurant Week, atrás apenas de São Paulo e Brasília. Hoje, proporcionalmente, a capital baiana já está empatada tecnicamente em movimentação de consumidores durante o festival.

Até o momento, foram realizadas 47 edições nacionais da SRW, com mais de seis milhões de pessoas e 4,5 milhões de experiências (menus) vendidas, totalizando mais de meio bilhão de reais injetados na economia soteropolitana. É um aumento no faturamento de cerca de 40%.

Sugestão de entrevistas: Emerson West, sócio do restaurante Zaffe e demais donos de restaurantes para falarem sobre a movimentação econômica nos seus estabelecimentos.

Contatos para marcação de entrevistas com a assessoria oficial da Salvador Restaurant Week:

Verônica Macêdo / Jornalista responsável - DRT 1770/ BA.

Verôt Comunicação Integrada / (71) 99959-9484 (Whats App - Vivo)

verotcomunicacao@gmail.com

Pauta enviada pelo Jornalista Fábio Almeida

STF vai decidir regras da aposentadoria de servidor após reforma da Previdência de 2019

 Foto: Gustavo Moreno/Arquivo/Divulgação

Plenário do STF28 de outubro de 2024 | 07:20

STF vai decidir regras da aposentadoria de servidor após reforma da Previdência de 2019

economia

O futuro da aposentadoria de servidores públicos pode ser definido ainda em 2024 pelos ministros do STF (Supremo Tribunal Federal). O julgamento das 13 ADIs (Ações Diretas de Inconstitucionalidade) que questionam a reforma da Previdência de 2019 já pode ser marcado.

A decisão sobre as novas regras foi interrompida em junho deste ano, após pedido de vista —solicitação de prazo maior para analisar melhor um caso— do ministro Gilmar Mendes. O processo foi devolvido por ele no último dia 23 e já está pronto para ser julgado novamente.

Os servidores travam também batalhas no Congresso, mas têm obtido vitória. O trecho da PEC (proposta de emenda à Constituição) 66, que obrigava estados e municípios a replicarem regras da reforma nos regimes próprios, a não ser nos casos em que já houvesse normas mais duras, foi retirado.

Ao todo, o STF julga de forma conjunta 13 ADIs que questionam regras como alíquota de contribuição previdenciária dos servidores, que passou a ser progressiva e trouxe novos percentuais de desconto, aposentadoria especial, cálculo de benefícios e pensão por morte, entre outras.

Há ainda outras ações tramitando, que já tiveram desfechos favoráveis e desfavoráveis. A regra da pensão por morte, que diminui em até 40% o valor do benefício, foi julgada constitucional em ação que debatia os aposentados do INSS (Instituto Nacional do Seguro Social).

Já os policiais obtiveram vitória recente, com a decisão do ministro Flávio Dino de que a idade mínima de mulheres policiais deve ser igual a das mulheres que se aposentam pelo INSS e das demais servidoras. Neste último caso, as mulheres se aposentam antes dos homens.

As ações sobre as contribuições tiveram um reviravolta. Inicialmente, o ministro relator Luís Roberto Barroso negou liminar alegando que a progressividade seria constitucional. Ele é defensor das novas regras para aposentadorias no RPPS (Regime Próprio de Previdência Social) e no RGPS (Regime Geral de Previdência Social).

O primeiro a ser contrário ao relator foi o ministro Edson Fachin, que apontou cinco pontos de inconstitucionalidade nas normas: progressividade das alíquotas; contribuição extraordinária cobrada de quem já está aposentado; majoração da base de cálculo com novas alíquotas de desconto; anulação das aposentadorias do RPPS com tempo do RGPS sem comprovação de contribuição; e critério de cálculo diferente entre mulheres do RPPS e do RGPS.

No caso das alíquotas, a reforma da Previdência mudou não apenas para servidores públicos, mas também para trabalhadores da iniciativa privada. Nos dois casos, foram criadas alíquotas progressivas, aplicadas por faixa salarial.

Para os servidores, no entanto, a cobrança, que era de 11% sobre a renda, chega a 22% após a reforma, dependendo do salário. Especialistas falam em confisco. Além disso, a emenda constitucional também determinou que poderá haver desconto a aposentados e pensionistas do serviço público caso seja comprovado déficit no regime previdenciário.

Em reviravolta, o ministro Barroso votou pela inconstitucionalidade da regra que permite descontar valores de quem já está aposentado, a não ser que se comprove a real necessidade de custear o sistema de aposentadorias. Os demais pontos foram considerados por ele constitucionais.

O advogado Rômulo Saraiva, especialista em Previdência e colunista da Folha, diz que a reforma da Previdência de 2019 foi uma das mais abrangentes, alterando muitas regras.

“Os servidores públicos foram afetados de diferentes formas, a exemplo de alíquota da contribuição previdenciária extraordinária, alíquota progressiva, idade mínima para se aposentar, valor da pensão por morte, perda ao cumular benefícios, regras de transição mais austeras e base de cálculo com depreciadores”, afirma.

Segundo ele, o problema maior está no fato de que os ministros do Supremo não estão debatendo apenas as regras em si, mas a fonte de custeio da Previdência Social, que tem fechado com déficit há anos.

“Sobre a sustentabilidade do sistema, merece atenção a discussão da constitucionalidade das contribuições previdenciárias extraordinárias do funcionalismo que buscam equilibrar as finanças, como também a sistemática das alíquotas progressivas.”

A advogada Thais Riedel, diretora do IBDP (Instituto Brasileiro de Direito Previdenciário), acredita que, além da questão da alíquota, que já tem voto favorável de cinco ministro dizendo que a regra é inconstitucional, o cálculo diferente na aposentadoria de mulheres do regime próprio e de regime geral também deverá ser julgado como inconstitucional.

“A forma de cálculo das servidoras públicas ficou sendo a mesma dos homens servidores públicos, então só conseguem ter 100% da média quando alcançam 40 anos de contribuição, diferentemente das segurados do INSS, que conseguem ter 100% [da média salarial como aposentadoria] com 35 anos de contribuição”, diz.

Cristiane Gercina e Júlia Galvão/FolhapressPolitcaLivre

MDB e PSD são os maiores vencedores nas capitais com 5 prefeituras cada; PT conquista primeira vitória desde 2016

 

Urna eletrônica utilizada pelo TSE nas eleições 2024
Fonte: Assessoria de Comunicação TSE

Com 100% das urnas apuradas neste domigo (27) de segundo turno nas 51 cidades em que ainda acontecia disputa pelas prefeituras, PSD e MDB encerraram as eleições municipais como os dois partidos mais vitoriosos nas capitais. Contando as 11 cidades que tiveram a eleição encerrada no primeiro turno com as 15 que elegeram seus prefeitos hoje, os dois partidos consolidaram vitórias em cinco capitais cada um. 

 

Entre os dois partidos, o maior crescimento em relação às eleições municipais de 2020, entretanto, foi do PSD, já que na eleição passada a sigla havia conquistado apenas duas capitais. Já o MDB manteve a quantidade de cinco vitórias como nas eleições passadas. 

 

O MDB foi responsável por eleger o prefeito da maior cidade do Brasil, São Paulo, com a vitória do candidato Ricardo Nunes. Já o PSD venceu na segunda maior capital, o Rio de Janeiro, com a reeleição, ainda no primeiro turno, do prefeito Eduardo Paes. 

 

Logo após os dois maiores vencedores aparecem o União Brasil e o PL, do ex-presidente Jair Bolsonaro, ambos com quatro conquistas de prefeituras. O maior salto, porém, foi dado pelo PL, já que nas eleições passadas, de 2020, não havia vencido em qualquer uma das 26 capitais. 

 

Na sequência da lista dos partidos com mais vitórias em capitais aparecem o Podemos e o PP, ambos com duas vitórias cada. E com uma cidade cada, estão o PT, o PSB, o Republicanos e o Avante. 

 

Para o PT, partido do presidente Lula, a vitória em uma capital nesta eleição de 2024, com a eleição do prefeito de Fortaleza, se reveste de maior importância, já que o partido há quase sete anos não administrava nenhuma das principais cidades brasileiras. A última vitória do partido em uma das 26 capitais tinha sido em Rio Branco, com Marcos Alexandre, na eleição de 2016. Ele renunciou ao cargo em 2018 para concorrer ao governo naquele ano.

 

Além do PT, os partidos de esquerda também conquistaram vitória em Recife, capital de Pernambuco, com João Campos, do PSB. A vitória de Campos se deu ainda no primeiro turno, com mais de 70% dos votos válidos. 

 

Quatro partidos que elegeram prefeitos em capitais em 2020 ficaram sem nenhuma cidade em 2024: o Cidadania elegeu naquele ano o prefeito de Macapá (AP), Dr. Furlan, que migrou para o MDB. O Psol elegeu o atual prefeito de Belém (PA), Edmilson Rodrigues, que foi eliminado ainda no primeiro turno nestas eleições, alcançando menos de 10% do eleitorado de sua cidade.

 

O terceiro partido que minguou em número de vitórias foi o PDT, que conquistou quatro prefeituras em 2020 e agora, neste ano, não obteve nenhuma vitória. E a quarta sigla que já havia ganhado e agora ficou sem nada foi o PSDB, outrora um dos maiores ganhadores de eleições nas capitais.

 

Na eleição de 2016, o PSDB foi o grande "papão" de prefeituras, com sete conquistas, três a mais do que o segundo colocado, o MDB, com quatro. Em 2020 os tucanos já começaram a perder espaço, e venceram em apenas quatro cidades. O declínio da agremiação que já presidiu o Brasil por oito anos se consolidou agora em 2024, com o PSDB perdendo todas as disputas em que teve candidatos nas capitais. 

 

Confira o  desempenho de cada partido nas capitais:

 

MDB - 5 (Boa Vista - RR, Belém - PA, Macapá - AP, São Paulo - SP e Porto Alegre - RS)

PSD - 5 (São Luís - MA, Rio de Janeiro - RJ, Belo Horizonte - MG, Curitiba - PR e Florianópolis - SC)

União Brasil - 4 (Teresina - PI, Natal - RN, Salvador - BA e Goiânia - GO)

PL - 4 (Rio Branco - AC, Maceió - AL, Aracaju - SE e Cuiabá - MT)

PP - 2 (João Pessoa - PB e Campo Grande - MS)

Podemos - 2 (Porto Velho - RO e Palmas - TO)

PT - 1 (Fortaleza - CE)

Republicanos - 1 (Vitória - ES)

PSB - 1 (Recife - PE)

Avante - 1 (Manaus - AM)
 

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