segunda-feira, outubro 21, 2024

ONU esconde ‘Guerra e Paz’, de Portinari, e o filho planeja tour pelo mundo


Os painéis Guerra e Paz, de Candido Portinari, voltarão ao Brasil -  Helvécio Carlos - Estado de Minas

Direção da ONU mudou a localização e ocultou a obra-prima de Portinari

 

Jamil Chade
do UOL

Entre as bandeiras do corredor da ONU, João Cândido Portinari cantarolava o que era o sentimento que tomava conta daquele homem com intensos olhos azuis: “prepare o seu coração”, numa referência à canção de Geraldo Vandré. Com 86 anos, o filho de um dos maiores artistas brasileiros parecia saber de cor o caminho que levava até as obras de seu pai, Cândido Portinari.

Num dos saguões da ONU, em Nova York, estão duas das principais obras do pintor — “Guerra e Paz”, telas doadas pelo Brasil para a instituição que representava o sonho de uma utopia. Os raios de sol que entravam pelas janelas naquele dia de visita tornavam o momento do reencontro entre João e as telas ainda mais mágico.

CORAÇÃO APERTADO – Questionado pelo UOL, que acompanhava a visita, sobre o que sentia quando via as obras, João não hesitou: “um coração apertado”.

O motivo de seu comentário é a decisão da ONU de impedir que as telas sejam visitadas nos tours organizados aos turistas de todo o mundo ao prédio.

Tampouco os jornalistas que cobrem diariamente as reuniões da ONU podem ter acesso. Os quadros ficam em uma área reservada, por onde apenas diplomatas passam.

SEM UNIDADE – E, mesmo assim, o espaço passou a ser local de exposições de outras iniciativas, rompendo a unidade entre as duas telas gigantes —”Guerra” e “Paz”— que se contrapõem. Enquanto o filho de Portinari examinava a obra do pai, negociadores e embaixadores percorriam o local, ignorando as telas ou já acostumados com elas.

João contou que essa não é a primeira vez que as telas desaparecem do público. No início da década de 50, o então secretário-geral da recém-criada ONU, Trygve Lie, pediu que governos de todo o mundo presenteassem a instituição com obras de arte que representassem as respectivas culturas.

O governo brasileiro encomendou a Portinari uma peça que tratasse de guerra e de paz.

NA ENTRADA – Os murais foram colocados na entrada na Assembleia Geral, numa disposição pela qual os negociadores encarariam a guerra, em sua entrada. E, ao sair, a paz. Uma espécie de visualização de seu trabalho de negociadores em um mundo sem conflitos armados.

Os painéis chegaram à ONU em 1956. Mas permaneceram durante um ano inteiro em caixotes. “Meu pai ficou preocupadíssimo [com a possibilidade de] que eles pudessem estragar”, contou o filho.

“Houve até um movimento de artistas e intelectuais que sugeriram que o Brasil pedisse as obras de volta”, disse.

OBRA DE PICASSO – Enquanto os painéis ficavam fechados, diplomatas discutiam se elas deveriam ser colocadas em outro local do prédio. “Havia um debate se aquele saguão deveria ser usado para uma obra de Pablo Picasso”, relatou João.

Mas, por uma operação exitosa do Itamaraty nos bastidores, Portinari manteve seu espaço e, finalmente, as obras foram instaladas em 1957.

Na inauguração, porém, quem desapareceu foi o próprio pintor. Ao solicitar o visto americano para viajar para Nova York, Portinari recebeu um alerta: teria de declarar que não era comunista. “Ele se recusou”, contou João.

VISTO NEGADO – O visto jamais lhe foi concedido. “Isso mostra o homem que ele era. Aquela era a maior oportunidade de passar uma mensagem de paz”, afirmou o filho, responsável por manter e democratizar o acervo do pai.

Não foi a única ocasião de um veto ao pintor. Em 1949, Portinari também foi impedido de viajar aos EUA para uma conferência mundial da paz.

Ainda assim, na inauguração dos painéis na ONU, em setembro de 1957, o prêmio Nobel Dag Hammarskjöld, então secretário-geral da entidade, declarou que aquelas eram as obras de arte mais importantes doadas às Nações Unidas.

SEM PORTINARI – O chefe da Missão do Brasil junto à ONU, embaixador Cyro de Freitas Valle, lamentou que Portinari não estivesse presente.

“Com pesar, não o vejo entre nós”, disse “Desejo salientar um ponto: o Brasil acredita estar oferecendo hoje à ONU o que tem de melhor para dar”, completou.

Foram necessários mais de 50 anos para que a ONU fizesse um reconhecimento público da dimensão da doação brasileira. Depois de as telas terem sido restauradas no Brasil e devolvidas para a ONU, o então secretário-geral da entidade, Ban Ki-moon, qualificou “Guerra e Paz” como “mais do que magníficas obras de arte”. “Elas são o chamado de Portinari para a ação. Graças a ele, todos os líderes que entram nas Nações Unidas veem o terrível preço da guerra e o sonho universal pela paz”, disse.

DEU A VIDA -Ban Ki-mooncontou como “o próprio Portinari foi advertido por seus médicos a parar de trabalhar nos murais porque estava ficando doente por causa da tinta de chumbo. Mas ele se recusou. Ele literalmente deu sua vida para terminar essas obras-primas. Ele nunca viveu para vê-las instaladas”, lamentou.

Mas nem sempre as telas foram marcadas por invisibilidade. Antes de deixar o Brasil, em 1956, as obras foram expostas no palco do Teatro Municipal do Rio de Janeiro. João, na época com 17 anos, se lembra de tudo. Inclusive do impacto de uma crônica de Carlos Drummond de Andrade sobre o que havia visto.

“Se tais pinturas não se gravarem por toda a vida na tela interior, é que não mereceríamos tê-las visto. Usando a linguagem da obra de arte, que é uma alegria perfeita mesmo quando nos expõe o pranto e a solidão mortuária, Portinari nos diz : Olha, vê bem, penetra o fundo destas imagens, e escolhe”, escreveu.

VOLTA AO MUNDO – O pintor escolheu a paz e, agora, seu filho quer levar as telas para percorrer o mundo, com paradas na Itália e na COP30, em Belém, em 2025. O trecho final envolveria uma exposição no Museu Nacional de Pequim, em 2026. Mas nada está garantido ainda, diante dos elevados custos, exigência de um planejamento cuidadoso e do fato de envolver peças que foram doadas para a ONU.

Portinari, o filho, já demonstrou que não lhe falta planejamento nem experiência. Há dez anos, o Projeto Portinari obteve a guarda das telas por seis anos, o que permitiu que elas fossem restauradas e expostas no Rio de Janeiro, em São Paulo, em Belo Horizonte e em Paris.

A esperança de João Cândido é que a obra-prima de seu pai possa, agora, dar a volta ao mundo numa missão de paz.

Haddad quer reduzir os supersalários, mas esqueceu de combinar com Lula

Publicado em 21 de outubro de 2024 por Tribuna da Internet

Fernando Haddad: o ministro de Lula que vai baixando a guarda do mercado

Haddad tem boa intenção, mas está no governo errado

Carlos Newton

Faz tempo que não se ouviam tantas gargalhadas na Praça dos Três Poderes e na Esplanada dos Ministérios, em Brasília. Foi na semana passada, quando a mídia e as redes sociais divulgaram a notícia de que o governo vai estabelecer limites aos supersalários no setor público, como uma das medidas em estudo no governo e que serão encaminhadas ao presidente Lula da Silva.

Não se trata de fake news, nada disso. A importante informação não pretende sabotar o governo nem destruir a democracia, o ministro Alexandre de Moraes pode até dormir tranquilo, se é que ele consegue. Trata-se de uma notícia oficial, divulgada pelo próprio ministro da Fazenda, Fernando Haddad, que até então não havia revelado seus dotes humorísticos.

ESTRANHEZA – Esse tipo de procedimento contra supersalários jamais constou em programa de partido político de porte nem em campanha de candidato com chance, por isso a notícia causou muita estranheza e descrédito.

Enquanto as elites do funcionalismo caíam na risada e espalhavam a Piada do Ano, tipo “sabem da última?”, os jornalistas ficaram atônitos e foram buscar confirmação. E conseguiram.

Um integrante da equipe econômica confirmou à Folha que a ideia é buscar um acordo no Congresso para aprovação do projeto de lei que regulamenta os supersalários e limita a poucas exceções o pagamento fora do teto remuneratório do funcionalismo, que tem como base o salário dos ministros do STF (Supremo Tribunal Federal), atualmente em R$ 44 mil.

MEIA VERDADE – Era tudo verdade, o ministro Fernando Haddad não estava de brincadeira, e todos o brasileiros de boa vontade têm obrigação de apoiá-lo nessa guerra insana do rochedo contra o mar. Com essa disposição de enfrentar os mais poderosos inimigos do povo, o chefe da equipe econômica não percebe que está sozinho nessa briga.

Ninguém o ajudará nessa empreitada, especialmente Lula, que foi tirado da cadeia e ganhou uma ficha limpa justamente para servir a essa elite do funcionalismo civil e militar, que corre em dobradinha com as elites empresariais do poder econômico.

É lugar comum dizer que o Brasil é o país da corrupção e da impunidade, mas essas distorções só ocorrem quando as elites funcionais e empresariais entram em acordo, para se beneficiarem desviando recursos públicos.

SEM NEGÓCIO – Repetindo: a corrupção só acontece quando essas duas elites se entendem, digamos assim. Quando uma delas diz não, a negociata cai por terra. Assim, Haddad cometeu um ato falho, ao anunciar uma iniciativa do governo que não acontecerá.

Os supersalários são absolutamente inconstitucionais, a pretexto de constituírem “direito adquirido” ou outras embromações aparentemente judiciais.

A culpa é toda do Supremo, cujos ministros, envergonhados ao garantir la dolce vita dos operadores do direito, tiveram que estendê-la aos demais servidores civis e militares.

DEU ERRADO – Na Constituinte, houve um esforço enorme para reduzir os supersalários. Para garantir que isso de fato aconteceria, os parlamentares aprovaram as restrições em dois dispositivos diferentes. Um deles foi o art. 17 das Disposições Transitórias, que deveria ser lido em toda reunião ministerial.

Os vencimentos, a remuneração, as vantagens e os adicionais, bem como os proventos de aposentadoria que estejam sendo percebidos em desacordo com a Constituição serão imediatamente reduzidos aos limites dela decorrentes, não se admitindo, neste caso, invocação de direito adquirido ou percepção de excesso a qualquer título.”

O texto e claríssimo e foi revisado por Celso Cunha, da Academia Brasileira de Letras, e dois lexicólogos contratados por Dr. Ulysses Guimarães.

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P.S.
 – E os penduricalhos? Como surgiram? Ora, foram sendo inventados pela elite dos servidores e depois legalizados pelo Supremo, que os reinterpretou com invulgar criatividade. Aliás, o Supremo brasileiro faz a merecer o Oscar de Efeitos Especiais justamente pela consagração desses penduricalhos, que seriam motivo de escárnio em qualquer país minimamente civilizado. (C.N.)


domingo, outubro 20, 2024

A necessária erradicação do trabalho infantil no Brasil

Publicado em 20 de outubro de 2024 por Tribuna da Internet

Charge do Nando Motta (Arquivo do Google)

Pedro do Coutto

Uma reportagem publicada no O Globo deste sábado, revela que, em 2023, havia 1,6 milhão de crianças e adolescentes entre 5 e 17 anos trabalhando no Brasil. O número representa uma queda de 14,6% em relação a 2022, sendo o menor registrado desde o início da série histórica em 2016, conforme divulgado pelo IBGE. Embora a proporção de menores no trabalho infantil estivesse diminuindo ao longo dos anos, houve um aumento para 4,9% em 2022, após a pandemia. No entanto, em 2023, o índice recuou para 4,2%, o menor percentual desde 2016.

A pesquisa também revela que mais de 586 mil crianças e adolescentes estavam envolvidos em atividades perigosas e insalubres, como operação de máquinas, manuseio de produtos químicos e extração de minério. Embora o número tenha caído 22,5% em relação a 2022, quando 756 mil menores estavam nessas condições, seis em cada dez crianças de 5 a 13 anos remuneradas desempenhavam trabalhos perigosos.

AUMENTO DA RENDA – A queda no trabalho infantil pode ser atribuída ao aumento da renda familiar, impulsionado pela melhora no mercado de trabalho e pela expansão do programa Bolsa Família em termos de cobertura e valor do benefício. Além disso, é preciso ressaltar a importância das políticas públicas e a intensificação da fiscalização na redução desses números, fora o impacto do aumento do salário mínimo na redução do trabalho infantil, já que as famílias com melhores condições financeiras tendem a tirar as crianças do trabalho e incentivá-las a frequentar a escola.

A tendência é de novas reduções no trabalho infantil, à medida que ações promovidas pelo Fórum Nacional de Prevenção e Erradicação do Trabalho Infantil ganham força. O Brasil é signatário do compromisso de erradicar o trabalho infantil até o ano que vem, conforme as metas da Agenda 2030 da ONU.

Apesar do progresso neste cenário, é sempre importante lembrar que o trabalho infantil colide com a Constituição do país, revelando uma triste face que marca a realidade de milhares de famílias brasileiras. Inclusive porque muitas das crianças que deveriam estar nas escolas e não trabalhando, sequer recebem um salário mínimo.

INSALUBRIDADE – Desempenham tarefas, muitas vezes insalubres, em troca de tentar garantir a alimentação básica de seus familiares. Esta ainda é uma situação que deve envergonhar a sociedade, mostrando o quanto é possível que, pessoas, grupos ou empresas, disponham de mão-de-obra infantil para as suas atividades.

As crianças sequer se dão conta do que estão fazendo ao contribuir para uma injustiça social enorme. Até porque entendem que não têm outro caminho, mesmo numa fase da vida em que deveriam estar estudando e tendo os seus direitos garantidos.É necessário que as ações em prol das crianças e adolescentes se ampliem e garantam a todos o direito à educação, à saúde e à vida digna.


Brasil é campeão do comprometimento de renda para pagar dívidas pessoais

Publicado em 20 de outubro de 2024 por Tribuna da Internet

Enquanto bancos têm lucros bilionários, 62% dos brasileiros estão endividados | Sindicato dos Bancários

Charge reproduzida do Google

José Roberto de Toledo
do UOL

O brasileiro sobe no mais alto lugar do pódio quando o assunto é comprometimento de renda para pagar dívidas, afirmou o professor Lauro Gonzales, da Fundação Getúlio Vargas (FGV-SP). O primeiro lugar se deve a uma inclusão financeira apoiada numa obtenção de crédito predatória. Segundo o especialista, enquanto o acesso e uso a serviços financeiros explodiram recentemente, a qualidade ainda deixa muito a desejar.

Acesso é, digamos, as pessoas terem possibilidade de acessar um serviço financeiro. Isso é diferente do uso, porque não é porque você tem acesso, que você vai usar. (…) Tem três grupos de fatores andando juntinhos. Um é o próprio Banco Central e uma série de mudanças regulatórias que aconteceram, eu diria que nos últimos vários anos, cujos efeitos se somaram, não é uma coisa só.

VEJAM O PIX – Para dar exemplos concretos, o Pix. O Pix é uma mudança recente, final de 2020 (…). A existência das fintechs, dessas instituições de pagamento, onde a gente vai, a gente vê aquelas maquininhas hoje (…). A explosão disso tem a ver com mudanças regulatórias que aconteceram também nesse período todo.

O segundo grupo de fatores são as novas tecnologias e novos atores que, hoje, oferecem serviços que só bancos ofereciam. O terceiro é o grande aumento no volume de transferência de recursos, caso do Bolsa Família recentemente.

O Brasil ficou muito tempo numa espécie de ‘série B’ de contas correntes, por exemplo, ou de contas em instituições formais. Acho que esse é um bom exemplo. Por quê? Porque essas contas são a porta de entrada para vários outros serviços. O Brasil estava lá naquela faixa, mais ou menos assim, cerca de 60% dos adultos com conta corrente.

VIROU FRANÇA – Então, o Brasil estava numa posição intermediária. O Brasil não estava lá embaixo na ‘série C’, mas não estava como os países desenvolvidos. Nos últimos anos, deu um salto. O Brasil, em poucos meses, virou a França.

O acesso, o número de adultos com conta corrente hoje, é semelhante ao de países desenvolvidos, acima de 90%. Se a gente pega, por exemplo, o número de pessoas que são beneficiárias do Bolsa Família e tem conta corrente, esse número hoje já está próximo de 100%. Utilizando essas contas formais, acesso e uso, nesse caso. Então, aumentou drasticamente.

Segundo Lauro Gonzales, professor da FGV, se o acesso e o uso explodiram, a qualidade tem muito a melhorar, e o resultado é o endividamento da população, sobretudo da parcela mais pobre.

ENDIVIDADOS – Quando a gente olha, por exemplo, o comprometimento de renda da galera que está dentro do Bolsa Família — e esse número me assustou, confesso, quando eu olhei essa pesquisa —, a gente vê, assim, coisa da casa de 35% da renda comprometida com pagamento de amortização e juros de dívida para usuários do Bolsa Família. Sendo que esse número já é alto para a população em geral. No Brasil, tipicamente, esse número varia entre 25% e 27%, conforme dados do próprio Banco Central (…).

“De cada R$ 100 que você ganha, em média, R$ 36 está indo para o pagamento, só sobra R$ 64”, diz Lauro Gonzales. “Isso é muito por duas razões. Primeiro, se a gente comparar com outros países, o segundo colocado tem um nível de comprometimento de renda que é tipicamente metade do existente no Brasil. Isso é, a população em geral. Entre os pobres, eu tenho certeza que o Brasil é campeão com esses números que eu estou falando”.

O professor da FGV salienta que os dados da pesquisa refletem a dimensão da qualidade.

TIPO DE CRÉDITO – “Então, que tipo de serviço, que tipo de crédito essa população está consumindo? Não é o crédito que o Acredita [programa de crédito do governo federal] está se propondo a fazer”, indaga Lauro Gonzales, acrescentando:

“Esse crédito que hoje está inchando, está engrossando o caldo do endividamento, é um crédito muito ligado a consumo e muito ligado a uma combinação de cartão de crédito e consignado. Aliás, o consignado é um capítulo à parte nessa história toda, porque muito embora as taxas sejam baixas, ele pode acabar sendo utilizado assim como alavanca para outros créditos, ele pode acabar comprometendo uma parcela muito grande da renda também”, conclui o economista, preocupado com o crescente endividamento do governo e da população.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
 – Lula abriu o empréstimo consignado, descontado em folha, a pretexto de que ajudaria a melhorar as condições dos aposentados, mas ajudou mesmo foi a melhorar os lucros das instituições financeiras. De grandes ideias desse tipo já estamos cheios, e não causa surpresa que o Brasil esteja na liderança do endividamento pessoal. Cobrando nos cartões de crédito juros reais (descontada a inflação) superiores a 350 por cento ao ano, que outro país ousaria competir conosco? Realmente, fica difícil nos tirar desse vergonhoso pódio. (C.N.)


A alta rejeição de Guilherme Boulos prejudica sua arrancada na reta final


19.out.2024 - Apoiadores de Guilherme Boulos (PSOL) aguardavam por candidato e pelo presidente Lula (PT) na zona sul de São Paulo, mas ato foi cancelado

Neste sábado, Lula cancelou caminhada por causa da chuva

Roberto Nascimento

O eleitor de São Paulo foi massificado pela estratégia do prefeito Ricardo Nunes (MDB), que associa o candidato do PSOL como radical de esquerda, isso assustou a classe média e até eleitores da periferia.
Nem mesmo a gestão incompetente de Nunes no Apagão Elétrico, ao não retirar em tempo hábil, as árvores caídas nas vias urbanas e culpando exclusivamente a ENEL, deu os resultados esperados por Boulos. Na última semana, o prefeito recuou apenas 4 %, nas pesquisas.

DESCOLADO – Nunes inteligentemente, dispensou o apoio de Bolsonaro, com alta rejeição na capital, o que poderia contaminar o prefeito como um negacionista, reacionário, golpista e anticiência, as marcas do ex-presidente. Nunes preferiu colar no governador privatista e atual queridinho dos poderosos empresários da Avenida Faria Lima.

Aliás, o sucesso nas pesquisas do candidato Nunes, tem sido colocado na conta de Tarcísio, o que tem tornado Jair Bolsonaro uma fera ferida, porque gregos e troianos do poder político e empresarial já “elegeram” o governador como futuro presidente.

Bastou Valdemar da Costa Neto, presidente do PL, expressar o óbvio, dizendo que Tarcísio é o candidato da direita para 2026, dando como certa a inelegibilidade de Bolsonaro, para abrir um climão entre Bolsonaro e Valdemar.

PLANO B – O ex-presidente ameaçou abandonar o PL e criar um partido para chamar de seu. Costa Neto quase teve um infarto. Tentou botar panos quentes, incluindo o filho Eduardo Bolsonaro como um bom nome para presidente, mas Bolsonaro ficou ainda mais irritado, porque o número um da Direita é ele e o plano B sempre foi Flávio Bolsonaro, o senador.

No campo da esquerda, Boulos foi praticamente abandonado pelo PT e por Lula, que nunca acreditaram na viabilidade do candidato do PSOL. O PT está um pote até aqui de lágrimas com o eleitor paulista, que não crê como antes no sonho das propostas petistas, agora defasadas com os novos desafios de um tempo tecnológico, de IA e do empreendedorismo, tão bem percebido e explorado pel  /,o enganador e encantador de serpentes Pablo Marçal.

Neste sábado, Lula ia fazer uma caminhada com Boulos pela capital paulista, mas teve de ser cancelada, por causa da chuva. Seria muito pouco, para alavancar o candidato do PSOL. Lula não entendeu que a derrota de Boulos será também uma derrota dele e de toda a esquerda. É melhor perder, sabendo que tudo foi feito para ganhar, do que fingir que apoia, para não ficar atrelado a um perdedor.

COVARDEMENTE – Nesse ponto, Lula agiu covardemente com Boulos, como Bolsonaro fez com Nunes. Na campanha, Bolsonaro fincou um pé na canoa de Nunes e outro pé na canoa de Marçal, enquanto Lula tirava os dois pés da canoa de Boulos, e agora tenta desesperadamente ajudar na última semana antes do segundo turno, sabendo de antemão que não dá mais.

Em eleição, não se pode recuperar o tempo perdido, se errar a escolha, só é possível corrigir na próxima eleição, mesmo assim, se tiverem humildade para reconhecer os erros e mudar radicalmente de rumos, caso contrário, vão perder novamente e de maneira avassaladora.


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