segunda-feira, outubro 09, 2023

Defesa de direitos humanos não pode ser causa exclusiva de políticos progressistas

Publicado em 9 de outubro de 2023 por Tribuna da Internet

charge-desigualdade-social

Charge do Lane (Arquivo Google)

Maria Hermínia Tavares
Folha

Em vários países, as esquerdas debatem como acomodar seu tradicional compromisso com as lutas pela redistribuição dos frutos do trabalho coletivo com a chamada pauta identitária, que transporta a questão da equidade para outras esferas: modelos de família, relações raciais, atitudes diante de diferentes gêneros, etnias e culturas.

Sobretudo nos Estados Unidos, a discussão é ácida. Prova disso são os recentes livros da filósofa Susan Neiman, “Left Is not Woke” (a esquerda não é identitária, em tradução livre), e do cientista político Yascha Mounk, “The Identity Trap” (a armadilha da identidade).

JUSTIÇA SOCIAL – Assim como o economista francês Thomas Piketty fala de uma esquerda brâmane, equiparando-a à casta dos sacerdotes na antiga Índia, ambos os autores localizam a origem da agenda identitária na elite universitária.

Os críticos apontam um zangado indicador contra o que entendem ser o pouco-caso com as angústias dos trabalhadores mais carentes e dos setores médios empobrecidos. E acreditam de todo impossível que as duas formas de conceber a justiça social possam se reconciliar em um projeto progressista politicamente viável.

Ecos desse debate começam a se ouvir no Brasil, em reação a manifestações extremas da retórica identitária. Mas aqui a questão tem outros contornos.

EXEMPLO DO BRASIL – No PT, desde a sua fundação, as demandas por direitos de grupos específicos conviveram — não sem conflitos— com a luta contra a pobreza e as desigualdades de renda. Assim como dão vida e fisionomia própria ao PSOL, além de estarem tensamente representadas no governo Lula 3.

O principal desafio comum aos seus similares é encontrar formas de falar com os muitos brasileiros que se situam politicamente além das fronteiras das esquerdas. Estas, mesmo detendo a Presidência, têm o apoio de apenas uma pequena parcela da sociedade.

Aquela maioria alheia à esquerda é hoje diligentemente disputada pela direita reacionária, que mobiliza emoções em defesa dos valores e tradições postos em xeque pelas lutas identitárias mas se opõe, isso sim, a todas as formas de justiça social, seja ela a melhor distribuição da riqueza socialmente gerada; o tratamento respeitoso devido a um concidadão negro; ou o reconhecimento do direito de povos indígenas às terras de seus ancestrais.

CAUSA DA HUMANIDADE – No discurso de posse como presidente do Supremo Tribunal Federal, o ministro Luís Roberto Barroso afirmou que a defesa de direitos humanos, neles incluídas as aspirações de diferentes minorias, é uma causa da humanidade — não só dos progressistas.

Mas a eles é que cabe encontrar a forma de persuadir os demais sobre essa verdade elementar.

Polícia Federal investiga o general Braga Netto por incentivar acampamento golpista

Publicado em 9 de outubro de 2023 por Tribuna da Internet

Ex-vice de Bolsonaro, Braga Netto faz planos para o caso de escapar do TSE

Quem acreditou em Braga Netto está preso hoje na Papuda

Reynaldo Turollo Jr e Eduardo Gonçalves
O Globo

A Polícia Federal investiga se o general da reserva Walter Braga Netto, ex-ministro da Defesa e candidato a vice na chapa de Jair Bolsonaro no ano passado, atuou como elo entre o ex-presidente e integrantes dos acampamentos montados em frente aos quartéis do Exército que pediam intervenção militar após a vitória do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

A apuração tem como base o depoimento do ex-ajudante de ordens Mauro Cid, que fechou um acordo de delação premiada com a PF homologado pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF). Procurado, Braga Netto afirmou, por meio de sua assessoria de imprensa, que desconhece o teor da delação e não pode se manifestar sobre processo sigiloso.

SITE DENUNCIOU – De acordo com o relato de Cid à PF, Braga Netto costumava atualizar Bolsonaro sobre o andamento das manifestações golpistas e fazia um elo entre o ex-presidente e integrantes dos acampamentos antidemocráticos.

Reportagem do site Metrópoles, publicada em novembro do ano passado, exibiu fotos de pessoas que estavam acampadas em frente ao Quartel General do Exército, em Brasília, frequentando a casa onde funcionou o comitê de campanha da chapa Bolsonaro-Braga Netto. Na ocasião, o ex-ministro da Defesa dava expediente no local.

O acampamento é apontado pelas investigações como o epicentro dos ataques de 8 de janeiro, quando uma multidão invadiu e depredou as sedes dos Três Poderes.

DISSE O GENERAL – No dia 18 de novembro, na mesma semana em que os manifestantes foram flagrados no comitê de campanha de Bolsonaro em Brasília, Braga Netto saiu para cumprimentar e tirar fotos com apoiadores em frente à residência oficial após visitar o ex-presidente. Naquela ocasião, o militar pediu a eles para “não perderem a fé”

— O presidente está bem, está recebendo gente. Vocês não percam a fé, tá bom?! É só o que eu posso falar agora — declarou ele.

Em seguida, uma apoiadora disse ao general, aos prantos, que bolsonaristas estavam “na chuva e no sol” nos acampamentos . Braga Netto, então, respondeu: — Eu sei. A senhora fica… Tem que dar um tempo, eu não posso conversar.

TUDO GRAVADO – As declarações foram filmadas, disseminadas por diferentes redes bolsonaristas e interpretadas pelos apoiadores do ex-presidente como um pedido para que as estruturas em frente aos quartéis não fossem desmobilizadas àquela altura.

Para checar o relato de Cid, os investigadores estão mapeando todas as reuniões realizadas entre Bolsonaro, Braga Netto e integrantes das Forças Armadas no fim de 2022. Uma das informações analisadas são os registros confidenciais da agenda do ex-presidente, administrados pela Ajudância de Ordens da Presidência. A maioria desses encontros ocorreu no Palácio da Alvorada, onde o ex-chefe do Poder Executivo ficou recluso depois da derrota para Lula nas urnas.

Dados dessas agendas secretas de Bolsonaro, obtidos pelo GLOBO, mostram que Braga Netto esteve com Bolsonaro no Alvorada em ao menos quatro ocasiões diferentes.

BRAGA NETO MENTIU – Ao falar sobre esses encontros com militares no Alvorada, Braga Netto disse para a colunista Bela Megale que “evitava comparecer a essas reuniões para não causar constrangimentos”, porque já “estava na reserva”.

Mas no dia 14 de novembro, o general da reserva participou de uma reunião junto com os comandantes das Forças Armadas e os ministros da Defesa à época, Paulo Sérgio Nogueira, e da Justiça, Anderson Torres.

Braga Netto se tornou um dos principais aliados de Bolsonaro no governo quando assumiu a chefia da Casa Civil, em fevereiro de 2020. Depois, o militar passou a comandar o Ministério da Defesa, em abril de 2021, quando o então presidente decidiu demitir o comandante da pasta e a cúpula das Forças Armadas em meio a cobranças de maior alinhamento político das tropas.

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NOTA DA REDAÇÃODO BLOG
 – Nada de novo no front ocidental. Tudo isso já era sabido. A matéria do Metrópoles, no mesmo dia, foi publicada também aqui na Tribuna. Mas a Polícia não acredita na imprensa, esperou até Mauro Cid fazer delação. Geisel diria que Braga Netto é um mau militar. As pessoas que acreditaram nele no acampamento estão na cadeia e ele é funcionário do PL, onde ganha mais de R$ 30 mil para não fazer nada, absolutamente nada. (C.N.)


Guerra perdida




O crime organizado está em toda a parte, com estrutura, armas e dinheiro. Cadê o Estado?

Por Eliane Cantanhêde (foto)

O Brasil assistiu, na semana passada, a uma síntese da gravíssima crise de segurança pública, que só piora e não se sabe até onde pode chegar. Os 33 tiros contra quatro médicos num quiosque no Rio e a chacina de uma família inteira na Bahia não deixam dúvidas: o crime está ganhando a guerra, enraizou-se no País inteiro, tem comando, estrutura, quadros, armas e dinheiro, muito dinheiro. O Estado está tonto, inseguro, despreparado e passivo. A política aplicada há 40 anos deu nisso.

O episódio no Rio revela muito dessa nossa tragédia cotidiana. Não havia nenhum esquema de segurança para um evento internacional com milhares de pessoas. O alvo dos tiros era um bandido conhecido, filho de um ex-PM que virou chefe de milícia (como tantos outros...), morador de uma das áreas mais luxuosas do País, a um quilômetro não apenas de uma delegacia de polícia, mas de uma delegacia de homicídios. Parte da paisagem, à luz do dia, à luz da lua, à vista de todos.

Já a “inteligência” da quadrilha, com olheiros por toda parte, identificou e avisou sobre o “alvo” no quiosque, os matadores estavam a postos e já chegaram atirando não em um, mas em todos à mesa. O erro macabro foi a confusão entre o bandido e um dos médicos, com altura, peso, barba, cabelo e até óculos muito parecidos. E isso custou a morte de três cidadãos de bem e também dos seus executores. Em 12 horas, o crime julgou, condenou e matou os que mataram. E o “tribunal” foi convocado de dentro da prisão, por celular.

Em Jequié, cidade mais violenta de um País tão violento, que fica na Bahia, Estado recordista em assassinatos e letalidade policial, criminosos dizimaram uma família inteira de ciganos. Entraram na casa – na casa! – e atiraram numa moça de 22 anos, grávida de nove meses, numa menininha de quatro anos, duas mulheres e dois homens. Um terceiro já havia sido morto.

O ministro da Justiça, Flávio Dino, e o diretor geral da PF, Andrei Passos, estavam justamente na Bahia, anunciando mais RS 134 milhões para o combate ao crime organizado. O que, como o próprio Dino deve saber, não resolve nada. Pinuts. Sem um pacto nacional entre os três poderes, Estados, municípios, universidades, mídia e setor privado, com assessoria dos maiores especialistas daqui e do mundo, não tem governo, ministro, PF ou dinheiro que deem jeito.

E mais. Segundo o Sou da Paz e a Oxfam Brasil, a reforma tributária em tramitação no Congresso pode reduzir drasticamente (é literal) os impostos sobre armas no País. De 75,5% no Rio e de 63,5% em São Paulo para 10% nos dois Estados. Tudo que está ruim pode piorar...

O Estado de São Paulo

EUA entrega armas e munições e reforça presença militar em Israel




Os Estados Unidos começaram, neste domingo (8), a enviar ajuda militar para Israel e aproximar sua força naval do Mediterrâneo, após os ataques surpresa da organização palestina Hamas.

No domingo, em uma chamada com o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, o presidente dos EUA, Joe Biden, anunciou que "haverá ajuda adicional para as forças armadas israelenses e haverá mais nos próximos dias", de acordo com um comunicado da Casa Branca.

Biden prometeu "apoio total ao governo e ao povo israelense após os ataques terríveis e sem precedentes dos terroristas do Hamas".

O primeiro pacote de ajuda militar "começará a ser enviado hoje e chegará nos próximos dias", disse neste domingo o secretário de Defesa dos EUA, Lloyd Austin.

Ele também destacou que havia ordenado ao grupo de ataque do porta-aviões USS Gerald Ford, o maior navio de guerra do mundo, que se dirigisse ao Mediterrâneo Oriental, vindo do Mar Jônico, onde estava.

A Força Aérea também aumentou a presença de suas aeronaves de combate na região, afirmou Austin.

"Os Estados Unidos mantêm suas forças prontas globalmente para fortalecer a postura de dissuasão, se necessário", enfatizou.

- Americanos reféns do Hamas -

O chefe de diplomacia dos EUA, Antony Blinken, que aumentou neste domingo suas aparições na mídia, compartilhou informações de que havia americanos entre as vítimas dos ataques.

"Estamos trabalhando para verificar", afirmou.

Por sua vez, o embaixador de Israel nos Estados Unidos, Michael Herzog, indicou que entre as cerca de 100 pessoas - civis e soldados - sequestradas pelo Hamas em Israel, há cidadãos americanos.

Os contatos de alto nível entre autoridades dos EUA e Israel aumentaram após a ofensiva surpresa lançada a partir da Faixa de Gaza pelo movimento islâmico palestino.

Apesar do apoio unânime a Israel por parte da liderança política dos Estados Unidos, a situação institucional é complicada para o governo de Biden, já que uma das duas câmaras do Congresso está paralisada depois que seu líder foi destituído na semana passada, devido a divergências internas entre os republicanos.

A poucos meses das eleições presidenciais, Biden está sob pressão da oposição republicana, que o acusa de fraqueza em sua defesa de Israel e em sua política em relação ao Irã.

Blinken lembrou no domingo, na CNN, que o ex-presidente Barack Obama assinou um acordo com Israel em 2016 "para fornecer US$ 3,8 bilhões (R$ 12,2 bilhões, na cotação da época) anuais em ajuda militar".

"Todo o Poder Executivo (dos Estados Unidos) se comprometeu com toda a região, e além, para gerar apoio a Israel e garantir que cada país utilize todos os meios e toda a influência que possui para uma retirada do Hamas e para garantir que o conflito não se espalhe para outros lugares", disse ele no canal ABC.

Quando questionado sobre uma possível intenção de hostilidades do Hamas para sabotar as discussões destinadas a normalizar as relações diplomáticas entre Israel e a Arábia Saudita, apoiadas por Washington, o secretário de Estado democrata declarou: "Isso pode ser parte da motivação. Olha, quem se opõe à normalização? Hamas, Hezbollah, Irã. Então, não seria uma surpresa".

O número de mortos na guerra entre o Hamas e Israel subiu neste domingo para mais de 400 na Faixa de Gaza e mais de 600 em Israel, além de milhares de feridos, de acordo com os últimos relatórios das respectivas autoridades.

AFP / Estado de Minas

***

Hamas equipara ajuda dos EUA a Israel a 'agressão' contra palestinos

O movimento islâmico Hamas comparou neste domingo (8) a ajuda militar dos Estados Unidos a Israel a uma "agressão" contra os palestinos, depois de Washington ter começado a enviar material e aproximar sua força naval do país.

"O anúncio dos EUA de que fornecerá um porta-aviões para apoiar a ocupação [de Israel] implica uma participação real na agressão contra nosso povo", declarou em um comunicado o Hamas, que lançou no sábado uma ofensiva por terra, mar e ar contra Israel.

AFP / Estado de Minas

As guerras partidárias




A crise na Câmara dos EUA exemplifica a luta por poder entre partidos

Por Gaudêncio Torquato

Os EUA, infelizmente, borram sua imagem de liderança no painel das democracias planetárias. Quais as razões para tal mudança de paradigma? A principal aponta para a alteração da fisionomia política na sociedade pós-industrial. A política deixa de ser missão para se tornar profissão. 

O motor econômico, por sua vez, passou a puxar a máquina política do mundo globalizado, como se pode conferir com os embates que se travam nos EUA e na Europa, a partir da guerra entre a Rússia e a Ucrânia. Escopos doutrinários tornam-se apêndices da economia.

Cabe indagar: como essa “nuvem de disfunção” (é assim que alguns analistas enxergam a crise norte-americana) afeta países como o Brasil? O fio desse rolo já chegou até nós há muito tempo. Nosso país abriga a prática da intransigência, do impasse político e da polarização entre as duas bandas que puxam o cabo de guerra: bolsonaristas e votantes em Lula.

Por aqui, a política não dá trégua aos competidores. A gana pelo poder é tão desmesurada que os climas eleitorais se intercambiam. A campanha municipal de 2024 já começa a agitar a mesa de debates. Em São Paulo, a guerra eleitoral começou com os questionamentos ao programa de privatizações do governo Tarcísio de Freitas.

No Brasil, é assim. A eleição seguinte abre as cortinas logo após a apuração dos resultados da anterior. Em todas as instâncias, programas e projetos, mesmo os mais abrangentes, comportam ações de cunho eleitoreiro. Políticas de longo prazo? No baú do esquecimento. E esse novo PAC não seria projeto do amanhã? Ora, está contaminado pelo olho nas urnas.

O megaempresário Jorge Gerdau, certa feita, fez o alerta: “numa visão estratégica de longo prazo, é preciso ter políticas de desenvolvimento industrial, ter emprego de qualidade e não depender apenas de commodities e do minério”.

A ausência de estratégia de longo prazo deriva da efervescência eleitoral que impregna o ânimo dos conjuntos. Como nos EUA, por aqui não se abre espaço para a busca de consenso entre blocos de um lado e de outro a respeito de temáticas relevantes. A disputa obedece a uma lógica que Thomas Hobbes cunhou de política de golpes preventivos: A teme que B ataque e decide atacar primeiro, mas B, temendo isso, quer se antecipar, fazendo que A, pressentindo o golpe, tente reagir, e assim por diante.

O ataque não abriga armas de destruição ideológica (até porque as ideologias estão no buraco), mas movimentos táticos. As clivagens partidárias do passado, originadas em antagonismos de classes, perdem sentido no fluxo da expansão econômica e do consequente ingresso de parcelas de parte das margens sociais no centro da pirâmide. As siglas se assemelham em seus lemas: o poder pelo poder.

O Tempo

A legitimidade da ‘omissão’ do Congresso - Editorial




Em temas controversos, a omissão do Congresso não é exatamente uma omissão. Ela expressa a vontade política da sociedade. Cabe a todos, também ao Supremo, respeitar essa vontade

O embate entre o Congresso e o Supremo Tribunal Federal (STF) a respeito de temas controversos resgatou a discussão sobre as prerrogativas de cada um dos Poderes. Como se sabe, o Legislativo deve elaborar as leis que regulam a vida em sociedade, enquanto à Justiça cabe interpretá-las e aplicá-las, mas esses conceitos básicos não são suficientes para explicar o tênue e complexo equilíbrio da relação entre os Poderes.

Cresce no Congresso – e na sociedade – a sensação de que o Supremo assumiu competências próprias do Legislativo, sobretudo ao se dispor a regular temas que deveriam ser discutidos entre representantes eleitos pelo povo, e não por juízes. É o caso, por exemplo, do avanço do debate sobre o aborto, em que a então ministra Rosa Weber votou pela descriminalização do procedimento até a 12.ª semana de gestação. Se a tese prosperar depois dos votos dos demais ministros, o tipo penal do aborto será completamente modificado pelo Judiciário, algo que apenas o Legislativo poderia fazer. O mesmo pode ocorrer se o STF, a pretexto de corrigir interpretações equivocadas do próprio Judiciário, se dispuser a redigir uma nova legislação antidrogas, o que só cabe ao Legislativo.

Esse ativismo judicial é, em boa medida, alimentado por partidos sem capacidade de vencer o debate democrático no Congresso. O mecanismo constitucional que permite a minorias buscar no Supremo a proteção de direitos supostamente violados por leis aprovadas no Congresso tornou-se, na prática, o terceiro turno de votações em que legendas com baixíssima representação popular foram derrotadas. Não é à toa que partidos minúsculos, como Rede (1 deputado), PV (6), PSOL (13) e Novo (3), estão entre os recordistas de ações no Supremo.

No entanto, embora sempre se possa dizer que o Supremo só reage quando provocado, o fato é que parte dos próprios ministros considera sua obrigação tomar decisões em temas sobre os quais o Congresso supostamente se omite. Esse ânimo legiferante do Supremo desconsidera que o Congresso, quando se “omite”, está tomando uma decisão legitimamente democrática.

“Não legislar também é dar uma resposta”, disse corretamente o deputado Marcos Pereira (Republicanos-SP), vice-presidente da Câmara, em recente programa Roda Viva, da TV Cultura. Citando a imensa pluralidade que o Legislativo federal representa, o parlamentar sugeriu que há temas espinhosos sobre os quais não há consenso possível neste momento, razão pela qual não são levados a votação. Eventual falta de consenso não é necessariamente uma omissão, mas sinal de que o assunto não tem apoio parlamentar para ir adiante naquele momento.

Ademais, aconselha-se cuidado com o que se deseja. Como bem lembrou o deputado, pesquisas indicam rejeição dos brasileiros ao direito ao aborto – recente sondagem do Datafolha, por exemplo, indica que 52% dos entrevistados entendem que não cabe à mulher decidir sobre a interrupção da gravidez. Ou seja: não é improvável que, se resolvesse “parar de se omitir” e legislasse, o Congresso recrudescesse a legislação existente, limitando ainda mais os excludentes de ilicitude nela previstos. Ou seja, a tal “omissão” do Congresso sobre o tema não é rigorosamente um retrocesso, como querem fazer crer alguns.

O deputado Pereira lembrou, ainda, que temas que geram muito barulho nas redes sociais raramente chegam ao plenário. É o caso do projeto de lei que tenta proibir a união homoafetiva, equiparada juridicamente às uniões heterossexuais pelo STF há mais de 12 anos. A proposta, debatida na Comissão de Previdência, Assistência Social, Infância, Adolescência e Família da Câmara, tem baixíssima chance de avançar, disse o parlamentar. “Não vejo, salvo melhor juízo, que esse tema tenha apoio da ampla maioria do colégio de líderes”, afirmou Pereira.

Ou seja, a democracia tem seu tempo próprio de avaliação dos grandes temas nacionais. Pode demorar mais do que desejam aqueles que se julgam capazes de mudar o mundo numa sentença judicial, mas certamente a decisão tomada por meio dos representantes do povo, se respeitada a Constituição, terá sempre muito mais legitimidade.

O Estado de São Paulo

História de Israel: conflitos, relação com Gaza e o que você precisa saber




Imagem de um cartaz com o rosto do primeiro-ministro Benjamin Netanyahu durante um protesto contra sua reforma judicial em Tel Aviv, Israel

País vive confrontos com seus vizinhos desde sua criação e sofreu ataque sem precedentes do grupo islâmico Hamas no sábado (7)

Israel declarou independência em 1948 e, desde a sua criação, vivenciou conflitos com seus vizinhos, principalmente países árabes e muçulmanos, e com os palestinos.

Dados básicos

De acordo com o Livro Mundial de Fatos da CIA:

    Área: 20.770 quilômetros quadrados (aproximadamente o tamanho do estado de Nova Jersey, nos EUA)

    População: 8.787.045 (estimada em julho de 2021, incluindo as Colinas de Golã e Jerusalém Oriental)

    Idade: 30,4 anos

    Capital: Israel declarou Jerusalém como sua capital em 1950 (muitas embaixadas internacionais estão em Tel Aviv)

    Grupos étnicos: Judeus 74,4%, Árabes 20,9%, outros 4,7% (2018)

    Religião: Judeus 74,3%, Muçulmanos 17,8%, Cristãos 1,9%, Drusos 1,6%, outros 4,4% (2018)

    Desemprego: 3,81% (2019)

Israel faz fronteira com o Mar Mediterrâneo, o Egito, o Mar Vermelho, a Jordânia, a Síria e o Líbano no Oriente Médio.

Seu modelo de governo é uma democracia parlamentar composta pelos poderes legislativo, executivo e judiciário.

Aproximadamente 93% das terras são propriedade do Estado de Israel, do Fundo Nacional Judaico (JNF) e da Autoridade de Desenvolvimento. A Autoridade Terrestre de Israel (ILA) administra a terra. O Governo emite direitos de arrendamento de terras a longo prazo.

Cronologia

    2 de novembro de 1917 

O governo britânico expressa o seu apoio ao estabelecimento de um estado judeu permanente na Palestina com uma carta chamada Declaração Balfour.

    1922 

A Liga das Nações autoriza a Grã-Bretanha a ajudar o povo judeu a estabelecer uma pátria na Palestina com o Mandato Britânico para a Palestina.

    1936-1939 

A tensão entre árabes e colonos judeus leva a tumultos.

    1937

Na sequência da agitação, uma comissão britânica publica um relatório recomendando a divisão de Israel num Estado árabe, num Estado judeu e numa zona neutra para locais sagrados. Um ano depois, uma comissão separada conclui que a divisão é impraticável e o plano é abandonado.

    1939-1945

A Segunda Guerra Mundial é travada na Europa e no Pacífico. Mais de seis milhões de judeus morrem no Holocausto.

    29 de novembro de 1947

As Nações Unidas aprovam um plano para a divisão da Palestina.

    14 de maio de 1948

O estado independente de Israel é declarado com David Ben-Gurion como primeiro-ministro.

    Maio de 1948

Forças do Egito, Síria, Jordânia, Iraque e Líbano invadem o território, levando à primeira de uma série de guerras árabe-israelenses.

    1949

É alcançado um acordo de armistício. A Cisjordânia é separada de Israel para se tornar território jordaniano e Gaza é designada como território egípcio. O armistício pretende ser um acordo temporário, um prelúdio para tratados de paz permanentes.

    1949

Israel é admitido nas Nações Unidas.

    1950

A ONU começa a operar uma agência de ajuda aos refugiados palestinos. Quando a agência for introduzida, cerca de 750 mil palestinos deslocados necessitarão de serviços.

    5 de julho de 1950

O governo adota a Lei do Retorno: “Todo judeu tem o direito de vir para este país como um oleh (um imigrante judeu).”

    Janeiro de 1964

O Papa Paulo VI visita Israel.

    1964

É formada a Organização para a Libertação da Palestina (OLP).

    5 a 10 de junho de 1967

A Guerra dos Seis Dias é travada entre Israel e o Egito, a Jordânia e a Síria. No final desta guerra, Israel duplica as suas terras para incluir a Península do Sinai, as Colinas de Golã, Gaza e a Cisjordânia.

    Setembro de 1972

Onze membros da equipe olímpica israelense são assassinados por terroristas em Munique, na Alemanha.

    Outubro de 1973

O Egito e a Síria lançam ataques aéreos contra Israel no dia sagrado do Yom Kippur. Os combates continuam por mais de duas semanas e terminam depois que a ONU adota uma resolução para parar a guerra.

    19 de novembro de 1977

O presidente egípcio Anwar Sadat visita Jerusalém para negociações de paz com o primeiro-ministro Menachem Begin.

    5 a 17 de setembro de 1978

O presidente dos EUA, Jimmy Carter, patrocina uma cúpula entre Israel e Egito em Camp David. A cúpula conduz a um acordo denominado “O Quadro para a Paz no Oriente Médio”, que estabelece um caminho potencial para colocar fim aos conflitos entre Israel e os países vizinhos. Begin e Sadat compartilham o Prêmio Nobel da Paz de 1978.

    Março de 1979

Begin e Sadat assinam o Tratado de Paz Egito-Israel. Israel concorda em retirar as suas forças da Península do Sinai, enquanto o Egito concorda em estabelecer relações diplomáticas com Israel e conceder aos navios israelitas passagem livre através do Canal de Suez.

CNN

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