segunda-feira, outubro 09, 2023

Israel enfrentará 'guerra longa e difícil' após ataque do Hamas




Pontos de Israel em que há confrontos ativos entre soldados israelenses e combatentes palestinos

Por Paul Kirby

Os militares de Israel alertaram que militantes do Hamas ainda estão lutando dentro de Israel depois de se infiltrarem nas comunidades do sul e deixarem mais de 600 mortos.

O primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, anunciou o início de uma “guerra longa e difícil”.

Centenas de homens armados do Hamas invadiram o sul de Israel, mataram soldados e civis e levaram para Gaza mais de uma centena de reféns.

Israel respondeu com mísseis e ataques aéreos.

O ataque prosseguiu pela manhã de domingo (8/10), com a Força Aérea Israelense dizendo que tinha como alvo a “infraestrutura operacional” do Hamas em Gaza.

Os militares israelenses também realizaram ataques de artilharia no sul do Líbano, depois que morteiros foram disparados contra posições israelenses na disputada área de Mount Dov.

O movimento militante Hezbollah, do Líbano, afirmou ter realizado o ataque "em solidariedade à resistência palestina".

Até o momento, 370 pessoas foram mortas por ataques israelenses em Gaza desde que militantes se infiltraram em Israel, segundo autoridades de saúde palestinas.

Os moradores de Gaza receberam mensagens de texto israelenses durante a noite orientando-os a deixar as próprias casas e buscar abrigo.

O primeiro-ministro israelense disse numa mensagem durante a noite que a guerra foi "forçada por um ataque assassino do Hamas" e que a primeira fase terminaria nas próximas horas, quando a maioria dos militantes que segue no país forem exterminados.

Assim, Israel restauraria a segurança dos seus cidadãos e venceria, acrescentou ele.

O governo israelense também disse que cortaria o fornecimento de eletricidade, combustível e outros insumos para Gaza.

O cenário de pesadelo de Israel — militantes palestinos armados em liberdade no sul do país — começou na manhã de sábado, um feriado judaico.

Homens armados atravessaram a cerca do perímetro de Gaza e invadiram Israel em motos, parapentes e por mar.

O porta-voz das Forças de Defesa de Israel (IDF) disse que foram centenas de invasores, enquanto mais de 3 mil foguetes foram disparados contra o território israelense ao longo do dia.

“Eles atacaram dezenas de comunidades israelenses e bases das FDI e foram de porta em porta, de casa em casa”, detalhou o tenente-coronel Jonathan Conricus.

“Eles executaram civis israelenses a sangue frio e depois continuaram a arrastar para Gaza civis e militares israelenses. Estou falando de mulheres, crianças, idosos e deficientes."

Nas redes sociais, foram compartilhados vídeos angustiantes de civis israelenses fugindo para salvar a própria vida durante uma rave no deserto. Algumas das mulheres que estavam na festa foram colocadas em veículos e raptadas.

Os pontos vermelhos do mapa indicam alguns dos lugares em que foram registradas incursões de combatentes do Hamas em território israelense
Legenda da foto,

Os pontos vermelhos do mapa indicam alguns dos lugares em que foram registradas incursões de combatentes do Hamas em território israelense

Alguns israelenses ligaram para os canais de notícias dizendo que estavam escondidos em casa e temiam pela própria vida.

Na cidade de Netiv HaAsara, 15 residentes foram mortos a tiros por militantes do Hamas.

Já em Sderot, um morador chamado Shlomi descreveu ter visto um “mar de corpos ao longo da estrada”.

Gradualmente, os militares israelenses começaram a retomar o controle sobre a maior parte das comunidades do sul.

Reféns mantidos em uma sala de jantar em Be'eri foram libertados após 18 horas de cárcere, informou a mídia israelense.

Pouco depois, novos relatórios afirmaram que as tropas também libertaram reféns na cidade de Ofakim e que os agressores foram mortos.

O presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, falou do apoio "sólido e inabalável" do país a Israel, que estava "sob ataque orquestrado por uma organização terrorista".

Segundo as últimas informações, mais de 2,2 mil pessoas haviam sido feridas em Gaza e mais 2 mil em Israel, disseram autoridades.

O Exército israelense disse que o nível de violência sem precedentes do Hamas seria recebido com uma resposta também sem precedentes.

Dezenas de milhares de reservistas foram mobilizados e espera-se em breve uma operação terrestre na Faixa de Gaza.

No sábado (7/10), os ataques israelenses destruíram a Torre Palestina, de 11 andares, no centro da cidade de Gaza, que abrigava estações de rádio do Hamas no telhado.

A força aérea israelense disse que atingiu a "infraestrutura militar em dois edifícios de vários andares usados por importantes agentes do Hamas para realizar atividades terroristas" e que alertou os ocupantes para evacuarem o local antes do ataque.

Também houve violência em vários locais da Cisjordânia no sábado. Médicos relataram que seis palestinos foram mortos a tiros durante confrontos com as forças israelenses.

O comandante militar do Hamas, Mohammed Deif, apelou aos palestinos de todo o mundo para se juntarem à operação.

“Decidimos colocar um fim a estas ofensas israelenses, com a ajuda de Deus, para que o inimigo entenda que o tempo de causar estragos sem ser responsabilizado acabou”, declarou ele.

Ismail Haniyeh, o líder do Hamas no exílio, afirmou que as facções palestinas pretendem expandir a escalada de violência para Cisjordânia e Jerusalém.

Enquanto isso, Ghazi Hamad, porta-voz do Hamas, disse à BBC que o grupo tinha apoio direto do Irã para realizar o ataque.

O presidente palestino, Mahmoud Abbas — um rival político do Hamas — disse que o povo tem o direito de se defender contra o “terror dos colonos e das tropas de ocupação”.

Houve uma forte condenação internacional dos ataques do Hamas.

O secretário-geral da ONU, António Guterres, afirmou estar "horrorizado com relatos de que civis foram atacados e sequestrados em suas próprias casas", enquanto o secretário de Relações Exteriores do Reino Unido, James Cleverly, disse que "condena inequivocamente os horríveis ataques do Hamas a civis israelenses".

No entanto, a Arábia Saudita apelou à suspensão imediata da escalada de violência, afirmando ter alertado repetidamente sobre os perigos decorrentes da "ocupação contínua" e da "privação do povo palestino dos seus direitos legítimos".

BBC Brasil

ANÁLISE-Reféns israelenses complicam plano de "vingança poderosa" de Netanyahu contra Hamas




Por Maayan Lubell e Michael Georgy

JERUSALÉM/DUBAI - As possibilidades do primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, de retaliar contra o Hamas após o ataque devastador do grupo contra o país no sábado podem ser limitadas devido à preocupação com os inúmeros israelenses que foram feitos reféns. Isso ocorre em um momento em que uma nação com histórico de crises de reféns enfrenta talvez sua situação mais desafiadora até agora

No sábado, em um ataque lançado a partir de Gaza, o grupo palestino Hamas invadiu cidades israelenses, resultando na morte de mais de 700 israelenses e na captura de dezenas de reféns. Foi o dia mais letal para Israel desde a Guerra do Yom Kippur, em 1973. 

Netanyahu prometeu uma "vingança poderosa", mas a situação é complicada devido à incerteza sobre o destino dos soldados, idosos, mulheres e crianças israelenses levados para Gaza. Isso torna desafiador para Israel cumprir a promessa de retaliação eficaz e rápida, ao mesmo tempo em que mantém o compromisso de longa data de não deixar ninguém para trás. 

Uma jovem israelense soluçava ao falar sobre sua irmã que foi morta no ataque, enquanto ela e seus pais eram mantidos como reféns, lamentando que não havia esperança de sua irmã voltar. O relato foi publicado em vídeo na rede social X pelo funcionário do alto escalão do Ministério das Relações Exteriores de Israel, o embaixador David Saranga.

Em 2011, Israel realizou uma troca envolvendo centenas de prisioneiros palestinos para garantir a libertação do soldado israelense Gilad Shalit, que estava detido há cinco anos. Essa troca, que na época foi criticada por alguns israelenses como desequilibrada, parece agora uma negociação impossível, dada a situação em que dezenas de israelenses podem estar detidos.

Em resposta ao ataque de sábado, Israel matou mais de 300 palestinos quando aviões de guerra atacaram locais em Gaza. Esse tipo de retaliação imediata tem sido característico de Israel quando confrontado com escaladas de violência. Além disso, milhares de soldados foram mobilizados para a região sul de Israel, próxima a Gaza, onde as forças israelenses se retiraram em 2005.

"POLÍTICA DE SEGURO" DE REFÉNS

"A dura realidade é que o Hamas está mantendo reféns como uma espécie de seguro contra uma resposta militar israelense, especialmente um ataque terrestre em grande escala, e também como uma tática de negociação com prisioneiros palestinos", disse Aaron David Miller, um membro sênior do Carnegie Endowment for International Peace.

"Isso limitará a maneira como Israel pode responder? Quando os números de reféns são substanciais, é difícil ver como não afetaria", acrescentou.

O Ministério das Relações Exteriores de Israel afirmou que tomará medidas para libertar os reféns, causar danos significativos à "infraestrutura terrorista" do Hamas e garantir que nenhum grupo terrorista em Gaza seja capaz de ameaçar novamente a segurança dos cidadãos israelenses.

Entretanto, não há decisões simples a serem tomadas. Tentar resgatar todos aqueles que, segundo o Hamas, estão agora detidos em diferentes locais, poderia colocar suas vidas em perigo. Por outro lado, negociações prolongadas com o Hamas em busca de uma troca de prisioneiros representariam uma grande vitória para um inimigo declarado de Israel.

Netanyahu, que lidera um dos governos mais à direita da história de Israel, convidou os líderes da oposição a se unirem a um governo de unidade, buscando ampliar o apoio a qualquer resposta.

Para Netanyahu, a libertação dos reféns traz consigo memórias dolorosas. Em 1976, seu irmão mais velho foi morto durante uma missão de resgate de reféns no aeroporto de Entebbe, na Uganda. Essa ação foi um evento que, segundo o jovem Netanyahu, "moldou sua vida futura".

O tenente-coronel Yonatan “Yoni” Netanyahu liderou uma equipe de 29 comandos em uma missão de resgate que envolveu a invasão do terminal do aeroporto. O objetivo era salvar israelenses e outros passageiros de um voo da Air France que havia sido sequestrado por palestinos e alemães e desviado para Uganda.

Anteriormente, em 1972, membros da equipe olímpica israelense foram feitos reféns na Vila Olímpica em Munique por homens armados palestinos do grupo Setembro Negro. Em um trágico incidente que durou 24 horas, 11 israelenses, cinco palestinos e um policial alemão morreram durante uma tentativa de resgate que terminou em tiroteio.

Em resposta, Israel lançou uma operação secreta que durou anos, enviando agentes para eliminar os indivíduos que considerava responsáveis pelo planejamento do ataque. Vários palestinos foram assassinados em diferentes locais na Europa e no Oriente Médio como parte dessa operação.

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NOVA ESCALA DE DESAFIO

Gaza apresenta desafios únicos. Durante sua longa carreira, Netanyahu demonstrou relutância em iniciar campanhas terrestres, e Gaza seria um local complexo para travar uma guerra, uma vez que abriga mais de 2 milhões de pessoas em uma pequena faixa de terra controlada pelo Hamas, mas cercada por Israel. O Hamas assumiu o controle após um breve conflito com as forças de segurança leais ao presidente palestino Mahmoud Abbas, com base na Cisjordânia, em 2007.

Ariel Sharon, veterano da Guerra de 1973 e primeiro-ministro quando Israel se retirou de Gaza em 2005, considerou a retirada israelense como uma decisão dolorosa, mas argumentou que manter o controle sobre uma área tão densamente povoada seria extremamente desafiador.

Netanyahu pode optar por seguir uma estratégia mais familiar de eliminar líderes do Hamas por meio de ataques aéreos e bombardeios. Um dos ataques de maior destaque foi o assassinato do xeque Ahmed Yassin, líder espiritual do Hamas, em um ataque de helicóptero com mísseis em 2004. No entanto, esses ataques não conseguiram desalojar o Hamas.

O vice-chefe do Hamas, Saleh al-Arouri, informou à Al Jazeera que o grupo detém atualmente um grande número de prisioneiros israelenses, embora o Hamas não tenha divulgado um número específico até o momento. Al-Arouri afirmou que eles têm prisioneiros suficientes para garantir a libertação de todos os detidos palestinos.

A Associação de Prisioneiros Palestinos estima que cerca de 5.250 palestinos estão detidos nas prisões israelenses. Se Israel concordasse em libertar todos esses prisioneiros, representaria uma grande vitória para o Hamas e outros grupos militantes. No entanto, essa seria uma decisão politicamente difícil para Netanyahu ou qualquer líder israelense tomar.

Mohanad Hage Ali, do Carnegie Middle East Center, observou que, neste momento, as negociações parecem ser a única opção clara. “Independentemente da dor que Israel possa causar aos palestinos, seja bombardeando edifícios ou assassinando líderes em Gaza, isso não diminuirá em comparação com o que o Hamas infligiu a Israel”, afirmou.

Reuters / SWI

Faixa de Gaza sofre dia mais mortal em 15 anos após resposta de Israel a ataques do Hamas




Ministério da Saúde de Gaza relatou mais de 350 mortos após contra-ofensiva de Israel

Por Nidal al-Mughrabi

A Faixa de Gaza sofreu, neste domingo (8), o dia mais mortal em 15 anos após resposta de Israel ao ataque sem precedentes do Hamas contra o país no sábado (7). Quase 300 palestinos foram mortos em 24 horas, de acordo com autoridades palestinas.

Entre os mortos estão gêmeos de três meses de idade, que morreram com a mãe e três irmãs em um ataque aéreo em Khan Younis, no sul da Faixa de Gaza, segundo membros da família.

Pelo menos 10 pessoas foram mortas nesse ataque, que destruiu quatro casas. As equipes de resgate ainda tentam encontrar sobreviventes nos escombros neste domingo.

O principal porta-voz militar de Israel chamou o ataque dos combatentes do Hamas, que mataram pelo menos 700 israelenses e sequestraram dezenas de pessoas, de “o pior massacre de civis inocentes na história de Israel” e a resposta tem sido igualmente dura.

O Ministério da Saúde da Faixa de Gaza, controlada pelo Hamas, relatou 370 palestinos mortos até o momento e outros 2.200 feridos, com quase 300 mortos no sábado, o maior número de palestinos mortos em Gaza por ataques israelenses em um único dia desde 2008.

O primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, prometeu exercer uma “poderosa vingança por esse dia perverso”.

Em Gaza, Sabreen Abu Daqqa, que foi retirada dos escombros das casas atingidas em Khan Younis, acordou no hospital e soube que três de seus filhos foram mortos, dois deles ficaram feridos e o destino de um sexto não estava claro.

“Tudo desabou em cima de nós. Meus filhos estavam ao meu redor”, disse ela, com a voz fraca ao falar do hospital. Ela chamou por seus filhos debaixo dos escombros, mas não obteve resposta. “Eles começaram a remover os escombros de mim pouco a pouco. Levou três horas”, disse ela.

Os ataques aéreos israelenses em Gaza começaram logo após o ataque do Hamas e continuaram durante a noite e o domingo, destruindo os escritórios e os campos de treinamento do grupo, além de casas e outros edifícios.

Abu Daqqa e os moradores de três outras casas destruídas nos ataques aéreos disseram que não receberam nenhum aviso prévio de Israel, afirmando que isso era diferente das rodadas anteriores de bombardeio, durante as quais as forças de segurança israelenses ligaram para os moradores ordenando retirada antes de um ataque.

Os militares israelenses, que regularmente acusam o Hamas de operar deliberadamente em edifícios residenciais e outros edifícios civis, não quiseram comentar.

Ataques aéreos

O exército israelense afirmou que seus caças destruíram 800 alvos militantes até o momento na Faixa de Gaza. Salama Marouf, chefe do escritório de mídia do governo do Hamas, rejeitou essa informação como um “disfarce para justificar a agressão da ocupação contra pessoas e propriedades civis”.

Na cidade de Rafah, próxima à fronteira com o Egito, um ataque aéreo israelense matou 12 membros da família Abu Qouta, segundo parentes. Acredita-se que outros sete membros da família estejam sob os escombros, acrescentaram.

Lar de cerca de 2 milhões de pessoas, a Faixa de Gaza é administrada pelo Hamas desde que assumiu o controle do território em 2007. A economia do território tem sido sufocada por um bloqueio imposto por Israel com a ajuda do Egito.

Quando os ataques aéreos começaram no sábado, milhares de palestinos que viviam perto da fronteira com Israel fugiram de suas casas.

A UNRWA, a agência da ONU que fornece serviços essenciais aos palestinos, disse que pelo menos 20 mil palestinos estavam se abrigando em 44 das escolas que opera na Faixa de Gaza.

Em um comunicado, a UNRWA disse que dois meninos, ambos estudantes de escolas administradas pela ONU em Khan Younis e Beit Hanoun, foram confirmados como estando entre os mortos. Três escolas da UNRWA sofreram “danos colaterais” causados por ataques aéreos israelenses, acrescentou.

Eid Al-Attar, um professor, correu para uma escola da UNRWA com seus cinco filhos e seu irmão em cadeira de rodas quando os ataques aéreos israelenses atingiram áreas perto de suas casas na cidade de Beit Lahiya, no norte da Faixa de Gaza. “Passamos por cinco guerras desde 2008, e cada uma foi mais dura e mais difícil do que a outra”, disse ele.

Ashraf Al-Qidra, porta-voz do Ministério da Saúde de Gaza, disse que os hospitais estão sobrecarregados e dependem de geradores para eletricidade depois que Israel cortou no sábado fornecimento de energia à Faixa de Gaza.

Reuters / CNN

***

Ataque aéreo israelense mata 13 familiares em Gaza, incluindo 4 crianças, diz parente das vítimas

Pessoas avaliam a causa da destruição causada pelos ataques aéreos israelenses na Cidade de Gaza

Bombardeio teria acontecido em Khan Younis, no Sul da Faixa de Gaza; segundo o jornalista Hassan Eslayeh, outras quatro pessoas morreram

Por Kareem Khadder, Ibrahim Dahman e Mohammed Tawfeeq

Treze membros de uma mesma família, incluindo quatro crianças, foram mortos num ataque aéreo israelense em Khan Younis, no Sul da Faixa de Gaza, neste domingo (8), segundo o jornalista Hassan Eslayeh, familiar das vítimas.

O ataque aéreo também matou mais quatro pessoas e feriu outras 25, segundo Eslayeh. Ele também compartilhou com a CNN os nomes das pessoas que foram mortas.

Imagens e um vídeo compartilhados nas redes sociais mostraram as quatro crianças da família Abu Daqqa, envoltas em roupas brancas, em um hospital em Gaza, com ferimentos visíveis na cabeça.

Mohammad Abu Daqqa, um familiar, disse que cinco edifícios residenciais foram destruídos no ataque aéreo israelense. Cada prédio tinha três ou quatro andares de altura.

“Eles nos atingiram com dois ou três barris de explosivos e derrubaram edifícios inteiros”, disse Abu Daqqa. “Apelamos aos países árabes e europeus para que interfiram. E à ONU para resolver esta situação, porque estamos numa situação terrível“, acrescentou Abu Daqqa.

Alguns antecedentes: o Hamas, o grupo militante islâmico designado como organização terrorista pelos EUA, União Europeia e Israel, controla Gaza. O enclave densamente povoado é o lar de cerca de 2 milhões de palestinos.

Israel declarou formalmente guerra ao Hamas no domingo, após o ataque surpresa do grupo no dia anterior, preparando o terreno para uma resposta militar massiva. Israel tem atacado Gaza com ataques aéreos.

Pelo menos 370 palestinos foram mortos e outros 2.200 feridos em Gaza desde sábado, disse o Ministério da Saúde palestino.

CNN

Conflito Israel-Hamas: o que acontece agora?


Faixa de Gaza, território palestino, foi alvo de uma série de ataques aéreos israelenses nas últimas horas

Por Yolande Knell, em Jerusalém

Cinquenta anos depois da Guerra do Yom Kippur, que começou com uma invasão surpresa de Israel por parte do Egito e da Síria, militantes palestinos lançaram um novo grande ataque no sábado (7/10).

O ato foi inesperado, e aconteceu durante um feriado judaico.

As tensões aumentaram recentemente na Faixa de Gaza, mas a opinião geral era que nem o Hamas, o grupo islâmico que governa a região, nem Israel queriam uma escalada.

O Hamas, no entanto, planejava uma operação sofisticada e coordenada.

Na manhã de sábado (7/10), quando uma intensa sequência de mísseis foi lançada, alguns deles atingindo lugares tão distantes como Jerusalém e Tel Aviv, os combatentes palestinos entraram no sul de Israel por mar, terra e ar.

Os combatentes mantiveram cidades e postos militares israelenses sob cerco durante horas, mataram muitas pessoas e levaram um número desconhecido de civis e soldados israelenses como reféns para Gaza.

O drama se desenrolou ao vivo nas redes sociais e na imprensa.

Milhares de israelenses que tinham saído para uma rave durante a noite em campos perto de Gaza se viram rapidamente sob fogo cerrado. As imagens mostraram pessoas correndo para salvar as próprias vidas.

Depois que o parceiro foi procurá-la, Gili Yoskovich contou à BBC como ela havia se escondido dos combatentes fortemente armados no meio da mata.

“Eles andavam de árvore em árvore e atiravam para todos os lados. Vi pessoas morrendo por toda parte.”

"Eu pensei: 'Ok, vou morrer, está tudo bem, apenas respire e feche os olhos', porque [ouvia] tiros por toda parte. Estava muito, muito perto de mim."

O jornal Israel HaYom citou Ella, uma residente de Be'eri, que teme pelo pai. O homem foi para um abrigo depois que as sirenes dispararam para alertar sobre o lançamento de mísseis.

“Ele me escreveu dizendo que os terroristas estavam no abrigo. Depois, vi a foto dele no Telegram dentro da Faixa de Gaza”, relatou ela.

Muitos israelenses expressaram choque pelo fato de as forças de segurança não terem agido mais rapidamente para os ajudar. Entretanto, imagens compartilhadas nos canais do Hamas mostraram que soldados em postos do Exército de Israel e um tanque foram rendidos.

Também foram várias as imagens de celebrações em Gaza, onde veículos militares israelenses capturados foram conduzidos pelas ruas.

“Estou feliz com o que o Hamas fez até agora, vingando-se das ações israelenses em al-Aqsa”, disse um jovem morador da cidade de Gaza à BBC, referindo-se ao recente aumento de visitantes judeus ao complexo em Jerusalém Oriental, anexada por Israel, durante feriados importantes.

A Mesquita de al-Aqsa é o terceiro local mais sagrado do Islã e também o lugar mais importante para os judeus, conhecido como Monte do Templo.

Ainda assim, o homem expressou medo pelo que aconteceria a seguir, após avisos de que as ações militares israelenses iriam começar.

“Estamos preocupados, a minha família já perdeu a nossa loja quando a Torre Shorouk foi atingida por Israel na guerra de 2021”, disse ele.

"A atitude que o Hamas tomou desta vez foi grande, por isso haverá uma resposta israelense ainda maior."

Os hospitais palestinos já estão sobrecarregados pelas vítimas dos ataques aéreos israelenses, que causaram grande destruição.

A Faixa de Gaza — um pequeno enclave costeiro que alberga cerca de 2,3 milhões de palestinos — foi tomada pelo Hamas em 2007, um ano depois de o grupo ter vencido as eleições parlamentares locais.

À época, Israel e Egito reforçaram ainda mais o bloqueio ao território.

A Faixa de Gaza continua a ser uma região empobrecida, com desemprego na faixa dos 50%.

Após o grave conflito entre Israel e o Hamas em 2021, negociações indiretas mediadas por Egito, Qatar e Nações Unidas ajudaram a garantir milhares de autorizações para que os habitantes de Gaza pudessem trabalhar em Israel.

Também foram relaxadas outras restrições em troca de uma relativa tranquilidade.

No mês passado, quando centenas de palestinos começaram a se juntar aos protestos — numa recordação das manifestações em massa que começaram há cinco anos — presumia-se que esse crescimento das animosidades acontecia com o aval do Hamas e tinha como objetivo extrair mais concessões de Israel e ajuda financeira do Qatar.

Os protestos agora parecem uma pista falsa. Alguns especulam se eles foram de fato uma oportunidade de inspecionar as barreiras antes da infiltração realizada no sábado (7/10).

A partir da mais recente operação, o Hamas parece interessado em polir mais uma vez as suas credenciais como organização militante. Tudo indica que a missão do grupo continua comprometida com a destruição de Israel.

No início da ofensiva, o obscuro comandante militante do Hamas, Mohammed Deif, apelou aos palestinos e a outros árabes para se juntarem à ação que tinha como objetivo "varrer a ocupação [israelense]".

Uma grande questão agora é se os palestinos na Cisjordânia ocupada, em Jerusalém Oriental ou em qualquer outro lugar da região atenderão ao apelo.

Israel vê, sem dúvida, potencial para uma guerra que poderá abrir-se em múltiplas frentes.

O pior cenário é o que poderia atrair para a batalha o poderoso grupo militante libanês, o Hezbollah.

Entretanto, os militares israelenses ordenaram um reforço maciço nas tropas. Para além dos intensos ataques aéreos a Gaza, as forças armadas do país indicaram que planejam uma operação terrestre no local.

A captura de soldados e civis israelitas, que os militantes palestinos esperam utilizar como escudos humanos ou moeda de troca, é uma complicação grave neste cenário.

“Atualmente estamos ocupados em recuperar o controle da região, com ataques amplos e cuidado com a área ao redor da Faixa de Gaza”, disse o porta-voz das forças israelenses, o contra-almirante Daniel Hagari.

"Faremos uma revisão muito precisa e completa."

Embora uma revisão completa possa estar ainda um pouco distante, não há dúvidas de que o sistema de inteligência e de segurança de Israel será questionado sobre por que não previu o ataque surpresa — e como não conseguiu evitar as enormes consequências dele.

BBC Brasil

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