domingo, junho 12, 2022

‘Eu e Ciro estamos no mesmo lado da história”, diz Simone Tebet, que não venderá a Petrobras

Publicado em 11 de junho de 2022 por Tribuna da Internet

A pré-candidata do MDB à Presidência, Simone Tebet; senadora tem apoio do PSDB e do Cidadania

Simone Tebet demonstra estar preparada para a Presidência

Pedro Venceslau
Estadão

Após consolidar seu nome no MDB e conseguir o apoio do PSDB e do Cidadania para sua pré-candidatura presidencial, a senadora Simone Tebet (MS), de 52 anos, pretende agora abrir canais de diálogo com os demais nomes do centro político. A senadora emedebista vê espaço para uma aproximação com Ciro Gomes, pré-candidato do PDT. “No momento certo essa conversa tem que acontecer e vai acontecer. Estamos no mesmo lado da história. Essa conversa é necessária, afirmou em entrevista ao Estadão.

Simone se diz ciente do desafio de tornar seu nome conhecido do eleitorado. Ela minimiza as resistências regionais no MDB a seu nome – em vários Estados, os candidatos locais devem se alinhar às candidaturas de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e do presidente Jair Bolsonaro (PL) – diz confiar numa decisão tardia do eleitorado.

“Não quero palanque exclusivo. Quero espaço de fala”, afirmou. “Essa é uma eleição de dois rejeitados e que tem uma franja muito grande de eleitores que buscam alternativa.”

Acredita que é possível concentrar mais o centro? Pretende procurar os outros pré-candidatos desse campo?
Na segunda-feira (dia 13) os presidentes dos partidos vão se reunir para discutir essa agenda. Agora não falo mais só pelo MDB, mas sou também o PSDB e o Cidadania. Sou o centro democrtático. Os presidentes dos partidos têm autonomia para conversar com os partidos que não têm pré-candidato e em seguida com os que têm.

Mas acha possível reduzir o número de candidaturas e concentrar forças em uma só?
Acredito que sim. As convenções estão distantes, só começam no dia 20 de julho. São 45 dias. Em menos de 15 dias um pré-candidato mudou de partido, outro abriu mão e o meu nome foi escolhido no centro democrático. Saímos de três pré-candidaturas fortes, com Sérgio Moro, João Doria e Simone, e hoje temos uma.

Pretende abrir um canal de diálogo com Ciro Gomes (PDT) na campanha?
Da minha parte, sem dúvida estou aberta para conversar com o Ciro. Nós dois sempre nos falamos por zap. Me dou muito bem com o irmão dele (o senador Cid Gomes) também. No momento certo essa conversa tem que acontecer e vai acontecer. Estamos no mesmo lado da história. Essa conversa é necessária. Em que sentido, o tempo vai dizer. Hoje o centro democrático tem candidatura própria. Respeito o Ciro, que não abre mão da candidatura. Mas política é diálogo.

Por que sra. coloca a sua candidatura como sendo o ‘centro democrático’? E os demais nomes desse campo?
O União Brasil estava, mas achou melhor caminhar paralelo, e eu respeito. No centro, nós temos três partidos, e não quaisquer partidos. Eu pertenço ao maior partido do Brasil. O PSDB já governou o País e sempre esteve no caminho do centro democrático. O centro democrático está apresentando através do meu nome. E o Cidadania, com a história do Roberto Freire.

A sra. vai tolerar traições políticas na campanha nos Estados onde o MDB é alinhado com Lula ou Bolsonaro?
O MDB sempre respeitou os palanques regionais. O PSDB, como um partido democrático que é, também entende que é preciso respeitar. Essa é uma eleição em que o apoio do partido, com o tempo de rádio e TV e a estrutura, nos dá capacidade de crescer. O MDB tem 2 milhões de filiados, e eles estão às margens dos palanques regionais. O crescimento vai fazer com que a gente atraia os palanques. A democracia é a liberdade de escolha. Não quero palanque exclusivo. Quero espaço de fala. Sempre tive que empurrar portas. As coisas não me vieram fácil para eu achar que alguém pode me carregar. Não vou prejudicar qualquer projeto de companheiros. A política é uma via de duas mãos. Em alguns Estados terei dois palanques, em outros vou ter que dividir com outros pré-candidatos.

Mas em muitos casos o palanque local vem acompanhado da retaguarda da máquina do governo…
Mas a máquina nunca trabalhou para candidato a presidente. Qual é o candidato a governador que vai usar a máquina para eleger um candidato a presidente da República?

Que expectativa tem em relação ao seu desempenho nas pesquisas?
O crescimento será proporcional à queda do desconhecimento em relação ao meu nome. Essa é uma eleição de dois rejeitados e que tem uma franja muito grande de eleitores que buscam alternativa. Não é questão de quando, ou se é antes ou depois da convenção. (O crescimento nas pesquisas) pode acontecer antes ou depois. Vai haver um crescimento rápido a partir do momento em que as pessoas se interessarem pela eleição.

As pesquisas mostram que grande parte do eleitorado decide o voto mais tarde. Em 2018 foram 46%, segundo dados de pesquisa da época. A sra. conta com esse ‘voto volátil’ na reta final?
É muito mais fácil romper essa barreira e alcançar esse eleitor. Ele não está decidido pelo sim, mas pelo não. Esse é o diferencial dessa eleição que me dá certeza que posso chegar ao 2° turno.

O horário eleitoral na TV nesta eleição será decisivo?
Será muito importante. Engana-se quem pensa que a população não está preocupada com a eleição.

Luciano Huck publicou um artigo no ‘Estadão’ no qual apresentou propostas para o Brasil elaboradas pelo grupo dele e defendeu o diálogo. Esse diálogo já existe?
Existe. Eu tenho um carinho muito grande pelo Luciano Huck. Estivemos juntos em algumas ocasiões. Ele tem um compromisso social muito forte. Li a matéria e concordo com grande parte das propostas apresentadas. Não é muito diferente dos programas que estão no nosso plano de governo. Nossa candidatura vai ganhar musculatura porque tem a capacidade de ouvir. Não vamos entregar o prato pronto.

O alinhamento da terceira via é possível no 2° turno, caso se confirme a polarização?
O meu calendário político só tem uma data: o 1° turno. Estou convicta de que temos condições de chegar ao 2° turno, apesar do tempo estar ficando menor. Há sete ou oito meses eram oito pré-candidatos, hoje são praticamente dois. Não tem porque discutir segundo turno.

O senador Tasso Jereissati (PSDB-CE) será seu candidato a vice?
Nós confiamos demais no PSDB e sabemos que ele vai entregar o melhor nome para o centro democrático. O PSDB tem valorosos nomes. Minha ligação com o Tasso é umbilical. Tenho uma história de vida com ele. Começou com meu pai e depois fomos colegas no Senado por sete anos. Mas a escolha é do PSDB.

O teto de gastos foi criticado por Lula. Como a sra vai tratar esse tema se for eleita?
É um grande equívoco (criticar o teto de gastos) de quem não está entendendo a realidade do Brasil. Se você não tem limite para a gastança pública, o dinheiro do povo será usado para benefícios próprios. Se não fosse o teto de gastos, de quanto seria o orçamento secreto no Brasil? Quanto seria a conta para se pagar no ano que vem nos currais eleitorais?

E a reforma trabalhista, qual será a sua posição caso seja eleita?
Não podemos retroceder na reforma trabalhista, mas pactuar com algumas categorias. Não dá para olhar para trás. É hora de falar de reforma tributária e uma reforma administrativa que seja a favor do serviço público.

A sra. mudaria a legislação sobre o porte de armas, que é uma bandeira do bolsonarismo?
Se eu for eleita, um dos primeiros atos será por decreto rever qualquer avanço de porte de armas. Determinados temas são tão complexos que não pode prevalecer a vontade pessoal de um único governante. Sou contra o porte de armas no Brasil. Votei a favor do porte de armas na zona rural, pelas mulheres. A mulher fica sozinha na sede enquanto o marido vai trabalhar e não tem como proteger seu filho.

A sra. vai reduzir o espaço das Forças Armadas no governo se for eleita?
Isso é besteira. Não é esse o problema do Brasil. As Forças Armadas são uma instituição tão importante para a democracia quanto o Congresso Nacional. O problema não está na militarização da política. Os militares nos ajudam a governar como sempre ajudaram. O problema está na politização da polícia.

O que acha da ideia de privatizar a Petrobras? O que deve ser privatizado no Brasil?
Sou a favor das privatizações desde que elas tenham um fim social. Houve um momento em que se privatizou para pagar dívida. Isso passou. Temos mais 40 estatais. Mas sou contra a privatização da Petrobras. Podem haver subsidiárias e setores da Petrobras privatizados, como já tem. Mas neste momento em que mesmo estatal ela não consegue conter a alta, se não fizermos o dever de casa em relação ao refino, não dá para falar em privatizar uma estatal que está dando lucro. Vamos com calma. Tem muitas outras estatais para serem privatizadas. São critérios básicos: entre as deficitárias quais não são estratégicas?

Se a sra. fosse presidente hoje, faria alguma intervenção na Petrobras para conter a alta dos combustíveis?
Primeiro é preciso ter um presidente da Petrobras com autonomia e capacidade de dialogar com os acionistas. Ele precisa dizer que sim, vocês podem ter lucro, afinal é uma S.A. Ninguém discute isso. Mas a Petrobras tem um fim social. Com esse diálogo é possível fazer uma política nacional estratégica para fazer com que a Petrobras seja autossuficiente na produção e no refino. O governo tenta intervir na Petrobras de forma totalmente equivocada. A gente tem que respeitar a Petrobras como ela é, uma sociedade de economia mista com um função social estratégica para o Brasil. É possível conciliar os dois.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG – Grande entrevista, em que Simone Tebet teve oportunidade de mostrar sua capacidade invulgar. O mais importante é a afirmação de que o diálogo como Ciro Gomes é inevitável e vital para o Brasil. Os dois, juntos na mesma chapa, vão sacudir este país. (C.N.)


Fachin deve convidar Paulo Sérgio Nogueira para um encontro sobre o sistema eleitoral


Nogueira diz que Forças Armadas não se sentem prestigiadas 

Pedro do Coutto

No ofício que encaminhou ao ministro Edson Fachin, presidente do Tribunal Superior Eleitoral, o ministro da Defesa, general Paulo Sérgio Nogueira, afirmou que as Forças Armadas não se sentem prestigiadas pelo TSE em matéria de contribuição para evitar fraudes eleitorais e erros da computação dos votos nas urnas de 2 de outubro.

O ministro Edson Fachin, a meu ver, deve educada e gentilmente convidar o general Paulo Sérgio Nogueira para um encontro público sobre o assunto, possivelmente através da GloboNews e com a participação de jornalistas também de outros órgãos da imprensa. É uma oportunidade, sem tumulto, sem plateia, sem torcida, para que possa elucidar dúvidas que ainda existem por parte do general sobre o processo de escolha que ocorrerá em poucos meses.

EXAME MAIS PROFUNDO – Para Paulo Sérgio Nogueira há a necessidade de um exame mais profundo sobre a inviolabilidade das urnas e da computação final das eleições. As fraudes, que de 1996 para cá nunca se verificaram, são praticamente impossíveis de ocorrer. Para que houvesse fraudes seria necessário o preenchimento de votos em branco.

No caso das urnas eletrônicas, haveria a necessidade que ocorresse a manipulação de cada urna individualmente e nelas localizar o registro de votos em branco. Nas eleições teremos milhões de urnas em funcionamento. Como poderia-se fraudar tantas urnas em tão pouco tempo? Não se trata de entrar no sistema, mas fraudar uma a uma.

CONVITE – O general Paulo Sérgio Nogueira diz que as Forças Armadas atenderam a um convite feito pelo ex-presidente do TSE Luís Roberto Barroso para integrar o Comitê de Transparência das eleições. Para ele, não houve a oportunidade das Forças Armadas de apresentarem a sua visão sobre o sistema de forma geral.

A matéria publicada no O Globo deste sábado é de Jussara Soares, Maniana Muniz, Aguirre Talento, Bela Megale e Janaína Figueiredo. A Folha de S. Paulo aborda o assunto, mas com um ângulo diferente. Numa reportagem de Marianna Holanda e Matheus Vargas, baseia-se no Instituto indicado por Jair Bolsonaro para mudar as regras de auditoria e práticas do TSE.

Quando sugiro que o encontro poderia ocorrer através da GloboNews é porque a emissora tem realizado coberturas muito eficientes sobre trabalhos de Comissões Parlamentares de Inquérito, Plenários do Senado e da Câmara e julgamentos do Supremo Tribunal Federal. Logo, são coberturas bastante longas, como devem ser para que não ocorram dúvidas no encontro entre Fachin e Nogueira.

SEM MUDANÇAS – O TSE  afirma que não houve mudanças no software, e logo as informações individuais de cada urna não possuem ligação com nenhuma rede, apurando-se cada uma de forma individual. O ministro da Defesa sustenta que as divergências entre o ponto de vista da representação das Forças Armadas e do TSE podem ser resolvidas com a discussão entre as equipes técnicas das duas partes, mas cita o que considera falta de profundidade no debate em curso.Diz o general que o processo eleitoral não se restringe às urnas eletrônicas.

Há uma preocupação sobre o debate por parte do general Paulo Sérgio Nogueira. No documento enviado ao presidente do TSE, o ministro da defesa refere-se à possibilidade de ataques cibernéticos, a ocorrência de falhas e fraudes que possam comprometer as eleições. Portanto, o general deve ter se baseado em informações que chegaram ao seu conhecimento. É preciso ver quais os setores suspeitos de tentarem fraudar os resultados das eleições.

QUEDA DA RENDA –  Carolina Nalin e Jéssica Marques, O Globo de sábado, publicam uma ótima reportagem com base no resultado de pesquisa nacional por domicílios do IBGE revelando que a queda da renda média domiciliar per capita em 2021 foi de 48% para os mais pobres em relação a 2021, e 6,9% entre os de salários mais altos.

A redução para mim é resultado do congelamento de salários e do aumento de preços. Tanto que isso está se refletindo no consumo de alimentos. O resultado da queda de renda per capita não é o mais expressivo indicador da situação dramática que se encontra a população assalariada do Brasil, pois a renda per capita é resultado da divisão do Produto Interno Bruto pelo número de habitantes. No caso brasileiro, resultado da divisão de R$ 6,5 trilhões por 220 milhões de pessoas.

Dará uma renda per capita anual. Mas sobre a renda média referente ao trabalho humano esse cálculo não serve. Fica a ressalva da diferença entre a renda do trabalho e a renda per capita que inclui o trabalho e as outras forças produtivas que integram o PIB. Alessandra Brito, analista da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios, destaca que as diversas faixas de renda perderam poder aquisitivo no período de 2012 a 2021.

RENOVAÇÃO DO JB –  Com o brilho de sempre, Ruy Castro na Folha de S. Paulo de sexta-feira, dia 10, escreveu um artigo muito importante sobre a reforma do Jornal do Brasil em 2 de junho de 1959 que acarretou um forte impacto na produção dos jornais da época – e eram muitos – e abriu uma perspectiva nova para o espaço da leitura dos textos, de forma mais nítida, o aproveitamento e a exposição das fotos nas edições.

A reforma foi realizada pelo jornalista Janio de Freitas que se encontrava à frente do JB naquele período. A produção do jornal é muito complexa, pois inclui os textos, sua qualidade, objetividade, sua exposição gráfica, sua clareza e também o seu conteúdo.

MUDANÇAS – A reforma foi muito ampla. Por exemplo, a primeira página tinha oito colunas. Uma coluna à esquerda do leitor, logo à direita da página, era uma coluna de notícias e por incrível que pareça as outras sete colunas eram preenchidas pelos classificados do jornal. Janio de Freitas mudou isso.

O JB passou a ter uma manchete expressiva, uma coluna de classificados e sete colunas para textos e fotografias. Vários outros jornais seguiram o exemplo. A reforma do Jornal do Brasil separou os fios que ligavam uma matéria à outra, tornando as páginas mais leves. A reforma foi extraordinária, promovendo mudanças também em outros veículos que passaram a exercer um novo comportamento editorial.

sábado, junho 11, 2022

Fala de José Dirceu sobre TSE e reeleição de Bolsonaro circula fora de contexto

José Dirceu foi ministro-chefe da Casa Civil durante primeiro mandato do governo do ex-presidente Lula em 15 de novembro 2013 (Foto: Reuters / Nacho Doce)
José Dirceu foi ministro-chefe da Casa Civil durante primeiro mandato do governo do ex-presidente Lula em 15 de novembro 2013 (Foto: Reuters / Nacho Doce)
  • Mensagem alega que José Dirceu teria afirmado que Bolsonaro não se reelegeria porque o TSE e seus ex-presidentes se manifestaram contra ele

  • Ex-ministro da Casa Civil disse isso em uma entrevista a um programa do PT

  • Na verdade, Dirceu elencou uma série de fatores para justificar por que acreditava que a reeleição do presidente não deve ocorrer

Uma publicação com centenas de interações nas redes sociais é compartilhada como se o ex-ministro da Casa Civil, José Dirceu (PT), tivesse afirmado que "Bolsonaro não ganhará as eleições porque todo o TSE, e seus ex-presidentes, já se manifestaram contra ele". Contudo, na entrevista completa, é possível ouvir que Dirceu se referia também à rejeição do presidente Jair Bolsonaro (PL) entre diversas parcelas da população e que por isso o mandatário não se reelegeria nas eleições deste ano.

Captura de tela de uma publicação no Twitter afirmando que José Dirceu teria afirmado que Bolsonaro não se reelegerá por conta do TSE (Foto: Twitter / Reprodução)
Captura de tela de uma publicação no Twitter afirmando que José Dirceu teria afirmado que Bolsonaro não se reelegerá por conta do TSE (Foto: Twitter / Reprodução)

Em entrevista publicada em agosto de 2021 no canal do PT no YouTube, Dirceu declarou que o presidente Jair Bolsonaro "está absolutamente isolado na sociedade brasileira". E completou: "é verdade que ele tem um eleitorado conservador, um eleitorado que vai apoiá-lo [...]. Mas ele não será eleito neste país no segundo turno".

Na fala completa, ele justificou essa posição, falando sobre a rejeição e falta de apoio do mandatário entre segmentos da sociedade, não somente sobre a falta de apoio do TSE.

Ele destacou que bastava observar "a manifestação de todo o TSE e de todos os ex-presidentes do TSE, do empresariado" contra o presidente, assim como o "repúdio que o Bolsonaro tem entre artistas, intelectuais, cientistas e acadêmicos. A rejeição entre as mulheres, os jovens, negros e negras e a ampla reprovação do seu governo pelo país".

O ex-ministro afirmou também que o impeachment de Jair Bolsonaro já é uma realidade na sociedade e que tem convicção de que esse impedimento "se expressará nas urnas".

E concluiu: "a partir das próprias pesquisas da realidade, da experiência histórica do Brasil, Bolsonaro não vencerá as eleições".

https://br.yahoo.com/noticias/fala-de-jose-dirceu-sobre-reeleicao-de-bolsonaro-circula-fora-de-contexto-200012988.html

O Cafezinho



Aliados pedem a presidente que pare de atacar urna, sob risco de soar derrotado

 Foto: Abdias Pinheiro/TSE/Arquivo

Urnas eletrônicas11 de junho de 2022 | 17:25

Aliados pedem a presidente que pare de atacar urna, sob risco de soar derrotado

BRASIL

O comitê de campanha do presidente Jair Bolsonaro (PL) quer convencê-lo a parar de atacar a urna eletrônica e o processo eleitoral brasileiro.

Pesquisas internas apontam que o objetivo de aglutinar a base já foi alcançado e, fora da bolha bolsonarista, as falas estão sendo interpretadas como derrotistas.

Em levantamentos qualitativos feitos em grupos, uma visão comum é a de que Bolsonaro já estaria esperando uma vitória do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) em outubro e está preparando o discurso para desacreditar sua derrota.

A preocupação reside no chamado voto útil. Como as previsões, neste momento, são de uma eleição que tem tudo para ser apertada, o objetivo com o fim dessas falas é evitar a perda de espaço para outros candidatos.

A expectativa, no entanto, é que Bolsonaro tenha dificuldade em reduzir o tom das ameaças que tem feito ao TSE (Tribunal Superior Eleitoral). Na terça-feira (7), por exemplo, o presidente voltou a atacar ministros e repetiu, sem provas, que houve fraude nas eleições de 2018.

O próprio PL, partido ao qual o presidente se filiou, embarcou no discurso e contratou uma empresa para auditar o processo, após o pleito. A legenda já pesquisou até uma segunda empresa, caso a primeira não possa assumir a tarefa.

Juliana Braga/Folhapress

Simone Tebet afirma que Bolsonaro não tem força para golpe

 Foto: Marlene Bergamo/Folhapress

A senadora Simone Tebet (MDB-MS)11 de junho de 2022 | 18:40

Simone Tebet afirma que Bolsonaro não tem força para golpe

BRASIL

Pré-candidata do MDB e da terceira via à Presidência da República, a senadora Simone Tebet (MS) afirma que o presidente Jair Bolsonaro (PL) não tem a força necessária para dar um golpe caso perca as eleições e diz que as divergências dentro do próprio partido em torno de seu nome são normais.

Em entrevista ao jornal Folha de S.Paulo neste sábado (11), dois dias depois de ter obtido aval da cúpula do PSDB para aliança, ela reconheceu ainda que não seria o nome do MDB para a disputa presidencial se os principais caciques do partido estivessem unidos para fazer a escolha.

“Estamos vivendo um momento em que a democracia está sob ataque, diante de uma análise muito clara, mas o Brasil soube se armar contra esses ataques nos últimos três anos”, declara Tebet.

“O presidente não tem mais a força… Porque você não tem golpe, não tem ataque à democracia sem povo na rua. Você não vai ter povo na rua brigando por outro resultado que não o resultado do dia das eleições. Não há ataque à democracia sem povo, quando as instituições estão fortes. Então, eu não me preocupo.”

Bolsonaro promove diversos ataques ao sistema eleitoral brasileiro e insinuações golpistas sobre o pleito deste ano. O mandatário alega que aceitará o resultado se eleições forem limpas, ao mesmo tempo em que semeia dúvidas sobre a segurança das urnas eletrônicas.

Tebet foi escolhida a candidata da terceira via numa aliança que também envolve o PSDB e o Cidadania. Embora tenha sido indicada candidata pela cúpula do MDB, ela ainda enfrenta resistências em diferentes estados, onde os dirigentes se dividem entre Bolsonaro e o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

“É uma construção [a minha candidatura]. Se fosse uma candidatura uníssona [no MDB], unânime, absoluta, não seria eu a candidata. Eu não tenho dúvida disso”, diz.

Pelos termos da aliança em construção, o vice na chapa de Simone deve ser indicado pelo PSDB.

A senadora evita entrar no mérito de suas preferências para o posto. Apenas adianta que seria uma “honra” ter como companheiro de chapa o senador Tasso Jereissati (PSDB-CE), que vem sendo apontado como favorito pela cúpula dos dois partidos.

Afirma ainda que tem poder de veto ao nome do seu vice, mas que se sente “muito confortável” em deixar a escolha para os presidentes dos partidos.

A senadora por Mato Grosso do Sul também rebate as críticas de que evita tomar posição em relação a temas polêmicos. Adversários de sua candidatura apontam que ela fica em cima do muro e procura não se comprometer em temas espinhosos.

A parlamentar responde que essa visão vem sendo divulgada justamente como uma forma de desacreditá-la, em um momento de confirmação de seu nome na corrida eleitoral.

“O Brasil é muito mais complexo do que um sim ou não. Se alguém espera um sim ou não da minha parte, vai cair do cavalo”, diz. “Eu sou contra o aborto, salvo nos casos previstos na Constituição. Agora, como democrata que sou, vou dizer que não aceito que o Congresso Nacional discuta essa questão? Como assim?”, questiona.

“Eu sou a favor de privatização, mas sou contra a privatização da Petrobras. Por isso sou em cima do muro?”, afirmou a senadora. “Então não tem sentido. Eu não tenho respostas prontas para um Brasil tão complexo. Ninguém tem. E quem acha que é oito ou 80 está levando o Brasil para a mesma radicalização que condena”.

A senadora afirma que não vai ser atraída para “um lado ou outro radical” e que sempre buscou “alternativas equilibradas de centro”.

Simone Tebet patina nas intenções de voto, somando apenas 2% na última pesquisa Datafolha. Sua pré-candidatura havia sido lançada pelo MDB no dia 8 de dezembro, embora ela só tenha sido confirmada o nome da terceira via recentemente.

A pré-candidata, no entanto, afirma que parte da dificuldade em subir nas sondagens ocorreu porque “ninguém acreditava” em sua candidatura.

“Hoje não, hoje eu sou a pré-candidata. Começamos nesta semana ou na semana passada. E a partir de agora é só crescer […] Temos pelo menos 40% de pessoas que dizem que não votam nem em um nem outro, que estão prontos a mudar o voto”, completa.

Sobre a Petrobras, a senadora disse que nada impede que a empresa tenha lucros, mas que não pode haver “só um lado da moeda”.

“O fato de ela estar mal gerida e mal administrada não pode servir de desculpa para a privatização. Isso é desculpa de quem quer privatizar”, afirmou. “Ela não deu certo no passado e não dá certo no presente porque sempre foi usada como instrumento ideológico ou de política erráticas para comprar o Congresso Nacional ou para ganhar eleição.”

A pré-candidata busca sempre ressaltar a importância de ser mulher na corrida presidencial, mas pesquisas ainda mostram que suas intenções de voto são predominantemente de homens. Simone Tebet afirma que isso se dá porque as mulheres ainda não decidiram o seu voto.

“As pesquisas têm mostrado que a mulher também é a mais indecisa e a que mais rejeita Lula e Bolsonaro. Ela ainda não se decidiu. E isso para mim é muito importante, é um grande ativo. Como ela é a que mais rejeita Lula e Bolsonaro e como ela ainda não se decidiu, vai ser decisiva para essa eleição”, afirma.

Ao mesmo tempo em que se mostra como uma candidata para as mulheres, Tebet virou motivo de memes na internet por conta de fotos que a mostram rodeada dos dirigentes políticos que articularam a sua candidatura, sendo que todos são homens.

“Sim, é óbvio que me incomoda até porque eu luto contra isso a vida inteira”, afirma sobre a situação, embora evite criticar aqueles que articulam a sua candidatura.

“E não foi nessa reunião. Não é culpa do MDB ou do PSDB, isso é a formação partidária no Brasil”, conclui.

Danielle Brant/Renato Machado/FolhapressINFONET

Randolfe pede convocação de ministro da Defesa para explicar ofício ao TSE

 Foto: Dida Sampaio/Estadão/Arquivo

O senador Randolfe Rodrigues (Rede-AP)11 de junho de 2022 | 20:00

Randolfe pede convocação de ministro da Defesa para explicar ofício ao TSE

O senador Randolfe Rodrigues (Rede-AP) protocolou neste sábado (11) um pedido na Comissão de Assuntos Exteriores e Defesa Nacional da Câmara para a convocação do ministro da Defesa, Paulo Sérgio Nogueira, para explicar o ofício enviado ao TSE (Tribunal Superior Eleitoral). No documento, Nogueira disse que os militares não se sentem “prestigiados” pela Corte Eleitoral.

“Até o momento, reitero, as Forças Armadas não se sentem devidamente prestigiadas por atenderem ao honroso convite do TSE para integrar a CTE [Comissão de Transparência das Eleições]”, diz um trecho do documento enviado por Nogueira.

O ofício diz ainda que aos militares “não interessa” concluir o processo eleitoral sob a “desconfiança dos eleitores”. “Eleições transparentes são questões de soberania nacional e de respeito aos eleitores”, disse o ministro da Defesa.

Segundo Randolfe, as declarações representam um “ataque à democracia” e que o governo está politizando as Forças Armadas.

“Não podemos admitir a institucionalização de fake news em um momento tão crítico como este que o Brasil enfrenta. Questionar a lisura das eleições é um movimento político para tentar manipular a opinião do povo brasileiro e fragilizar a imagem dos poderes. O senhor ministro precisa esclarecer e provar essas alegações infundadas”, disse o senador.

Recentemente, o presidente do TSE afirmou que quem trata das eleições no Brasil são as “forças desarmadas” e que a Justiça Eleitoral não aceitará intervenções no processo eleitoral. A declaração de Fachin aconteceu em meio à escalada dos ataques infundados do presidente Jair Bolsonaro (PL) ao sistema eleitoral e às urnas eletrônicas.

No mesmo dia, Fachin afirmou que quem põe em dúvida o processo eleitoral é porque “não confia na democracia”. Segundo o magistrado, “quem dá a palavra final é a Justiça Eleitoral”. A fala foi dias após o TSE afirmar, em resposta a Bolsonaro, que não há uma “sala escura” para apuração da eleição, e de negar sugestões das Forças Armadas ao processo eleitoral.

Na terça (7), Bolsonaro afirmou que ele e as Forças Armadas “não farão papel de idiota”, em resposta a uma declaração do ministro Edson Fachin, presidente do TSE (Tribunal Superior Eleitoral), que disse que as eleições são assunto para “forças desarmadas”.

“As Forças Armadas descobrem centenas de vulnerabilidades [nas urnas], apresentam nove sugestões, não gostaram. Eleição é coisa para forças desarmadas. Convidaram eles para que, ora bola? Para fazer papel de quê? Eu que sou chefe das Forças Armadas. Nós não vamos fazer o papel de idiotas. Eu tenho a obrigação de agir. Tenho jogado dentro das quatro linhas, não acho uma só palavra minha, gesto ou ato fora da constituição”, disse Bolsonaro.

UOL/FolhapressPolítica Livre

Fernanda Torres sucumbiu à quarta onda da Covid, junto com a torcida do Flamengo

Publicado em 11 de junho de 2022 por Tribuna da Internet

Gilmar Fraga: quarta onda... | GZH

Charge do Gilmar Fraga (Gaúcha/Zero Hora)

Fernanda Torres
Folha

O meu caso ocorreu numa filmagem. Testes de antígeno na chegada, todos negativos, só que um de nós positivou durante o dia e, como ator não usa máscara para trabalhar, voltei para casa em má companhia. Não foi a primeira e, ao que tudo indica, não será a última vez. Vacinemo-nos e acomodemo-nos.

A Covid 2022 é uma licença do mundo. Nada se espera do doente, que não o isolamento e a cura. E a reclusão deve ser mesmo obrigatória, porque o corpo se transmuta numa usina de expelir perdigotos.

PRIMA GROSSA – É abdução. Espirros pornográficos, embebidos numa coriza Foz do Iguaçu, baba alienígena que a tudo adere e contamina. Quando não mata, a Covid é uma prima grossa da gripe. Em dezembro de 2021, a pena foi de duas semanas em regime fechado, sendo que ainda cumpri três meses de perda de olfato e risco de trombose. Passou.

Agora, juram os doutos, entrarei no semiaberto em uma semana, isso se a fatiga crônica, a confusão mental e a parada cardíaca não alongarem, ou encurtarem, o processo.

Padecer de Covid é como estar vivo nos dias de hoje, você se sente mal o tempo inteiro, mas é suportável, se não pensar em demasia no que ainda pode acontecer.

AMEAÇAS CONCRETAS – AVC, cardiopatia, golpe, guerra, chacina, cataclismo climático. As ameaças concretas são tantas, e de tal magnitude, que é preciso ignorá-las para levantar da cama. Não prego a alienação, mas aconteceu comigo. Foi depois da invasão da Ucrânia, desenvolvi uma aversão preocupante ao noticiário, aos debates, prognósticos, análises e previsões.

Sêmele, mãe de Dionísio, foi pedir a Zeus que se mostrasse a ela em todo seu esplendor e morreu torrada pela irradiância olímpica. É como eu me sinto, às vezes, diante da televisão, cozida pelas más novas. Não culpo a imprensa, são os fatos mesmo que estão de arrepiar.

Sem meios para barrar Putin, demover um terço da população do país da sua intenção de voto, e impedir furacões e pragas, acomodei-me a esse não futuro do presente. Fui levando, até perceber que não sonhava mais. Não se desiste do porvir impunemente. Já escrevi sobre a minha pobreza onírica aqui, que melhorou, sem voltar a ser o que era.

CIÊNCIA DO SONO – “Oráculo da Noite”, de Sidarta Ribeiro, faz uma breve história do sonho e da ciência do sono. A vantagem evolutiva do sonhador, explica o neurocientista, é a de experimentar sentimentos, planejar estratégias e medir riscos no ambiente seguro da mente.

O corpo inibe as sinapses de movimento, ativa as da memória e o cérebro se ocupa de treinar, de enfrentar, sentir e calcular as probabilidades de êxito ou fracasso na caça, no amor, no perigo.

César, Touro Sentado, Luther King e Constantino sonharam grande e pesado. O sonho, portanto, como acreditavam os antigos, aponta para perspectivas futuras. Mas e quando não se enxerga nenhuma, ou as que estão à vista, durante a vigília, se deseja evitar? Adoece-se. Não sonhar, dormindo e acordado, é sintoma grave.

INDIGÊNCIA ONÍRICA – O sonho exige silêncio e introspecção, artigos raros desde que nos ligaram em rede. Sidarta pensou que a indigência onírica fosse fato consumado na maturidade, até desligar do mundo e, acampado à beira rio numa floresta erma, ser agraciado com um sonho jovem e lisérgico.

Fui uma criança dada a pesadelos traiçoeiros, tramas que começavam bem e, do nada, guinavam para o horror. Eu tinha medo de dormir e aprendi a me acordar dentro do sonho, quando pressentia a virada do enredo. A técnica espantou os maus espíritos e embalei um longo período de paz sonífera, até notar o apagão recente. O sonho lúcido é um talento que abandonei na infância e gostaria de recuperar.

Isolada no quarto, na lerdeza do dia acamado, com o raciocínio oco e um torniquete de dor de cabeça a me pressionar os miolos, durmo e deliro. Peço perdão pelo vago da crônica. Culpo a moléstia e deixo de objetivo a pergunta: Você, leitor, como tem sonhado?

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG 
– Fernanda Torres é um encanto em tudo o que faz. Suas crônicas são uma luz nas trevas, na vereda aberta na Folha pelo talento de Ruy Castro, um nome luminoso que faz uma falta danada na Academia Brasileira de Letras. Assim como Fernanda, estou me recuperando da segunda Covid, que ela descreve com uma precisão absoluta. Parece que vai ser assim, daqui pela frente. Por isso, tenho sempre antibiótico em casa. Desta vez, bobeei. Deveria ter tomado quando a coriza e a dor de garganta começaram. Mas ainda deu tempo e estou escapando mais uma vez. Que deu abençoe a eterna presença de Alexander Fleming, que inventou a penicilina. Conhece a belíssima estória da vida dele? Não? Depois eu conto, como dizia meu grande amigo Maneco Muller, o Jacinto de Thormes(C.N.)

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