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Ministros do Supremo se metem onde não devem, e sempre no lado errado da briga

Publicado em 11 de abril de 2022 por Tribuna da Internet

TRIBUNA DA INTERNET | Jair Bolsonaro, um conservador assumido, deseja um Supremo de volta ao passado

Charge do Alpino (Yahoo Notícias)

Luís Ernesto Lacombe
Gazeta do Povo

Não quero um “pai de todos” para pegar na mão de cada cidadão e conduzi-lo ao reino da correção, da verdade. Um lugar que, no fim, nem existe, mal disfarçado sobre leis rasgadas e conceitos particulares, quebradiços, insanos. Só esse tutor sabe o que é correto, o que é real. Vende-se como o detentor das soluções para todos os problemas. Só ele mesmo sabe o que é melhor para todos nós.

Ele nos diz o que é verdade e o que é mentira. Ele diz o que podemos ver, ouvir, ler… Ele diz o que podemos pensar, o que podemos dizer, o que podemos emitir como opinião. Ele nos impede de perguntar, elimina o questionamento, o debate. Ele persegue, censura, prende. E é tudo para nossa salvação e segurança.

REINO NO SUPREMO – De uns tempos para cá, o STF tem criado um reino absoluto. O povo, despreparado, ingênuo, vulnerável, será salvo pelos seres supremos, os “senhores da razão”, aqueles que sabem verdadeiramente o que é democracia e como defendê-la…

É por isso que os juízes estão, de novo, envolvidos em matéria legislativa: a discussão sobre o projeto de lei das fake news. Não bastam as garantias a liberdades previstas na Constituição, a proteção à liberdade de manifestação do pensamento, da atividade intelectual, artística, científica e de comunicação, sem qualquer tipo de censura ou licença.

NO LADO ERRADO – Os juízes se metem onde não devem, e sempre no lado errado da briga. Os ministros defendem o projeto, a despeito do que diz a Constituição, além dos crimes contra a honra – calúnia, injúria e difamação – previstos no Código Penal, do próprio Marco Civil da Internet e da Lei Geral de Proteção de Dados.

O que temos de leis já nos garante a liberdade de opinião, com responsabilidade, e a liberdade de receber e transmitir informações ou ideias, sem ingerência do poder público.

Já temos as bases para um Estado plural e democrático, mas o Supremo e 249 deputados federais querem destruir tudo isso, querem censura.

APENAS DESCULPA – O combate à desinformação e às fake news, conceitos obscuros e subjetivos, não tipificados criminalmente, serve sempre de desculpa… E caminhamos para o fim da liberdade de expressão, do livre acesso à informação, com a criação de um aparato de controle estatal das redes sociais e de seus usuários.

As grandes empresas de tecnologia são contra o projeto, mas não por amor à liberdade. Elas próprias apostam na censura, no cancelamento e banimento. Não querem concorrência, quando o assunto é controle de conteúdo… Há tantos interesses em jogo. A mídia tradicional, que tinha o monopólio da informação, que era a dona da verdade, está de olho grande. No fundo, são todos ardilosos…

Falam em liberdade? Entenda-se censura. Falam em democracia? Entenda-se ditadura. São campeões da mentira metidos a tutores. Vamos esfregar na cara deles nosso senso crítico e rasgar toda dissimulação, principalmente as travestidas de leis.

(Artigo enviado por Mário Assis Causanilhas)

Frustrados com Bolsonaro, caminhoneiros tentam se aproximar de Lula, Ciro e Moro


Piada de mau gosto', diz líder dos caminhoneiros sobre auxílio

Chorão se arrepende de ter apoiado Jair Bolsonaro em 2018

Rosana Hessel
Correio Braziliense

Enquanto não consegue resolver o imbróglio da política de preços da Petrobras, o presidente Jair Bolsonaro (PL) ainda vai ter que conviver com um exército de apoiadores insatisfeitos, os caminhoneiros, que estão procurando interlocução com o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que lidera as pesquisas de intenção de voto para as eleições majoritárias de outubro.

“O Lula tem adotado um discurso que está em linha com o nosso e queremos conversar com ele e outros pré-candidatos para que eles incluam no plano de governo o fim dessa política de paridade internacional de preços e busquem uma alternativa para amortizar para os consumidores uma alta muito forte dos preços do petróleo no mercado internacional”, disse Wallace Landim, o Chorão, presidente da Associação Brasileira dos Condutores Automotores (Abrava) e um dos líderes da greve de 2018.  

“FOMOS ILUDIDOS” – “O conto de fadas acabou. Fomos iludidos em 2018 e agora não vamos cair mais (na conversa de Bolsonaro)”, disse Chorão, em entrevista ao Blog, dizendo que já conversou com “pessoas muito próximas” de Lula e sua equipe está tentando agendar um encontro com o ex-presidente.

Chorão contou que frustração dos caminhoneiros com Bolsonaro é generalizada e a categoria partiu em busca de um candidato que possa ouvi-los e não faça novas promessas vagas. Para eles, é preciso que os uma alternativa mais viável à política de paridade de preços internacionais da Petrobras, a PPI, implementada em 2016, durante o governo Michel Temer (MDB), que ajudou a estatal a lucrar mais de R$ 100 bilhões no ano passado, enquanto a inflação se acelerava.

Em propaganda na televisão, Lula vem criticando a PPI e reforçou a tese de que os brasileiros ganham em reais e não podem continuar pagando a variação em dólar do combustível, com um discurso parecido com o dos caminhoneiros quando criticam a alta dos preços dos combustíveis.

MORO E CIRO -“Nossa ideia é conversar com todos os presidenciáveis, inclusive, com Sergio Moro (União) se ele for mesmo candidato”, disse Chorão, que contou que já teve um encontro recente com o ex-governador Ciro Gomes, pré-candidato do PDT.

 “O que precisamos é de um candidato que vai tentar fazer alguma coisa e não venha prometendo apenas. É preciso que ele coloque em seu plano de governo a mudança na política de preços da Petrobras”, afirmou o líder dos caminhoneiros.

Ele reforçou que a categoria está bastante desiludida com Bolsonaro, porque tanto ele quanto o ex-ministro Tarcisio Gomes (PL), que deixou o cargo para disputar o governo de São Paulo.

BALÃO APAGADO – Chorão disse que Bolsonaro e Freitas não cumpriram as promessas de campanha e o que concederam foi tudo “balão apagado”, como a promessa do auxílio diesel de R$ 400 que não enche o tanque de um caminhão que tem 600 litros.

“A gente não quer esmola, apenas condição de trabalhar com dignidade”, frisou.

Chorão lembrou também que a Abrava, inclusive, têm ação na Justiça para acabar com essa prática do aumento vinculado ao preço de importação, mas que está tramitando a passos lentos nos tribunais do Rio de Janeiro.

Corrupção na Codevasf! Empreiteira usa empresa de fachada e domina licitações de R$ 600 milhões


Rua do povoado Lagoa Verde, em Imperatriz (MA)

Rua do povoado onde a empresa fantasma estaria sediada

Flávio Ferreira, Mateus Vargas e Guilherme Garcia
Folha

A empreiteira Engefort tem conquistado a maioria das concorrências de pavimentação do governo Bolsonaro em diferentes licitações nas quais participou sozinha ou na companhia de uma empresa de fachada registrada em nome do irmão de seus sócios. A construtora, com sede em Imperatriz, sul do Maranhão, explodiu em verbas na atual gestão e sob Bolsonaro foge de sua tradição ao obter também contratos para asfaltamento longe de sua base.

Até agora, o governo reservou cerca de R$ 620 milhões do Orçamento para pagamentos à empresa — o valor total já quitado a ela soma R$ 84,6 milhões. Apesar do volume, a empresa é uma caixa-preta e silencia sobre seus contratos e a firma de fachada usadas nas concorrências.

ESTATAL DO CENTRÃO – A fonte de recursos dela são contratos com a Codevasf, estatal federal entregue por Bolsonaro ao centrão em troca de apoio político, e as verbas das emendas parlamentares, ampliadas no esquema do toma-lá-dá-cá pelo Congresso no atual governo. Procurada, a Codevasf não respondeu aos questionamentos específicos sobre a Engefort.

No ano passado, a Engefort Construtora e Empreendimentos liderou os repasses da Codevasf. Também em 2021, foi a segunda construtora em volumes totais empenhados pelo governo federal, atrás da LCM Construção, que acumulou R$ 843 milhões em verbas reservadas. ​

A Folha analisou documentos de 99 concorrências de pavimentação da Codevasf realizadas em 2021 por meio de um tipo de licitação simplificada chamada pregão eletrônico, que ocorre de forma online.

PREGÕES ONLINE – Esses pregões, como mostrou a Folha neste final de semana, fazem parte de uma manobra licitatória que passou a ser usada em larga escala sob Bolsonaro para dar vazão aos recursos bilionários das ​emendas parlamentares, distribuídas a deputados e senadores com base em critérios políticos e que dão sustentação ao governo no Congresso.

A estratégia deixa em segundo plano o planejamento, a qualidade e a fiscalização, abrindo margem para serviços precários, desvios, superfaturamentos e corrupção.

Na Codevasf, as concorrências envolveram diferentes tipos de pavimentação, como asfalto com CBUQ (Concreto Betuminoso Usinado a Quente), asfalto com TSD (Tratamento Superficial Duplo), bloquetes de concreto e paralelepípedos. A Engefort foi a única empreiteira que participou de todas essas licitações no Distrito Federal e nos 15 estados abrangidos pela Codevasf. A empreiteira ganhou 53 concorrências, ou mais da metade dos pregões.

CONCORRE SOZINHA – O desempenho mais expressivo foi em Minas Gerais, tendo conquistado 28 de 42 licitações nas modalidades asfalto CBUQ e bloquetes. Apesar de o setor de construção pesada ter mais de 200 empresas em Minas Gerais, em 10 dos 21 pregões para serviços com bloquetes de concreto a Engefort concorreu sozinha e levou os contratos.

Isso é permitido pela lei em situações excepcionais. Em vários casos, a firma ganhou com o preço praticamente cheio, tendo dado um desconto de apenas 0,01% em relação aos valores de

Em parte das concorrências da Codevasf, a Engefort teve a companhia de uma empresa que a Folha descobriu ser de fachada: a Del Construtora Ltda., registrada em nome de um dos irmãos dos sócios da líder Engefort. Um dos casos que mais chamam a atenção é o do pregão eletrônico que levou à assinatura de um contrato no valor de R$ 62,5 milhões para pavimentação no Amapá. Nessa licitação, as duas únicas empresas participantes foram a Engefort e a Del.

PASTA VAZIA – Na documentação apresentada pela Engefort para a disputa, constam como sócios da empresa Carlos Eduardo Del Castilho e Carla Cristiane Del Castilho.

Segundo a ata do pregão, a Del chegou a enviar um link para acesso à sua documentação, porém a pasta estava vazia. Se a firma tivesse apresentado os papéis, teria sido possível verificar que o sócio administrador da Del é Antonio Carlos Del Castilho Júnior, irmão dos sócios da Engefort. A falta da documentação levou a Del a ser desclassificada, e a Engefort ganhou o contrato também praticamente pelo valor cheio.

Outra licitação em que as duas empresas participaram, novamente com vitória da Engefort, foi um pregão no valor de R$ 55 milhões para pavimentação em vias rurais no Maranhão.

SEM CONCORRENTES – Não há registro de vitórias da Del Construtora em nenhuma concorrência federal ou estadual do Maranhão, de acordo com os portais oficiais consultados pela reportagem.

A consequência prática do uso de empresas de fachada em uma licitação é aparentar concorrência quando na verdade não há. O objetivo é garantir os maiores preços possíveis. Ao usar uma empresa de fachada para fazer número em uma concorrência, uma empreiteira pode buscar evitar chamar a atenção de órgãos de fiscalização, uma vez que a falta de competitividade pode dar margem a investigações.

Outro uso possível de uma empresa de fachada é para apresentação das chamadas propostas de cobertura, que são ofertas fictícias colocadas ao longo dos pregões segundo um roteiro combinado, para simular concorrência quando já há um resultado previamente combinado ao final dos lances.

EMPRESA FANTASMA – A Folha esteve em Imperatriz no início deste mês. ​A primeira tentativa de contato com representantes da Del ocorreu no endereço indicado nos registros públicos da companhia, no povoado de Lagoa Verde. A reportagem constatou que o endereço indicado não existe. “Eu nasci aqui na rua e nunca teve nada de construtora por aqui”, afirmou o marceneiro Guilherme Santos Reis, 24.

A reportagem também telefonou para o número da Del Construtora indicado no Portal da Transparência do governo federal. A atendente afirmou que a ligação havia caído na Engefort.

Indagada, ela respondeu: “Está na ficha cadastral aqui da Del mesmo, mas ela também faz parte da Engefort. São dos mesmos donos, na verdade, da mesma família. Associaram esse número à Del. Você quer falar com a Del ou com a Engefort?”

SEM RETORNO – A reportagem pediu o contato de algum representante das empresas, mas nunca houve retorno. Fernando Teles Antunes Neto, gerente comercial da Engefort, é neto de um ex-secretário estadual no governo Jackson Lago (2007-2009), que também foi presidente do diretório municipal do PDT de Imperatriz e presidente de um comitê criado para promover a proposta da criação de um novo estado, o Maranhão do Sul, a partir da separação da região sul do estado.

Em Imperatriz, a principal obra feita pela empreiteira com recursos de contrato com a Codevasf tem menos de dois anos, já teve de passar por reforma e possui buracos enormes que colocam em risco a segurança de condutores e moradores.

A avenida Manoel Ribeiro, também conhecida como anel viário, foi entregue em dezembro de 2020 com extensão de 2,2 km e custo de R$ 3,8 milhões, para servir de ligação entre a BR-010 e bairros da cidade. Quatro meses depois da inauguração, a pavimentação já apresentava grandes buracos e deformidades.

EMPRESA SILENCIA – A direção da Engefort e a Codevasf não se manifestaram em relação às apurações quanto à falta de competitividade nos pregões, ao uso de empresa de fachada e à precariedade da obra recente do anel viário.

No fim de março, a reportagem falou por telefone com o gerente comercial da Engefort, Fernando Teles Antunes Neto. Ele afirmou desconhecer concorrências em que a Engefort tenha participado sozinha. Sobre a participação da Engefort em pregões na companhia da empresa registrada em nome do irmão dos sócios, Antunes Neto disse que não tinha conhecimento e só poderia responder em relação à Engefort.

Indagada sobre os fatos relativos à Engefort e à Del Construtora, a Codevasf respondeu de forma genérica e sem tratar dos casos apontados pela Folha. A estatal relatou que suas concorrências observam a legislação e exige que os licitantes também cumpram a lei.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
 – Enviada por Armando Gama, a reportagem mostra a importância da imprensa livre, comprovando que o combate à corrupção no governo Bolsonaro é uma falácia. E não adianta colocar a culpa apenas no Centrão. A responsabilidade é dessa política imunda que hoje vigora no Brasil, onde nenhum dos três Poderes funciona com dignidade e eficiência. (C.N.)

Na era dos cafajestes, não há mais respeito à liturgia dos cargos, a baixeza já é automática


DESCONTROLE DE BOLSONARO - "Esse dinheiro usava para comer gente" - DIÁRIO  DO RODRIGO LIMA - YouTubeMuniz Sodré
Folha

Não é preciso sequer observação minuciosa de notícias, artigos e blogs da mídia nacional para se dar conta de que juízos de natureza moral suplantam em muito as classificações políticas tradicionais, do tipo esquerda ou direita. O foco maior está na conduta de figuras públicas: machismos, grosserias, agressões, preconceitos etc.

Em casos extremos, oscila-se entre canalhice e cafajestice, o que demanda algum esclarecimento sobre a distinção etimológica. Sobre o canalha, há um razoável consenso filológico em torno do significado de vilania, registrado em dicionários. Já cafajeste é um exemplo enigmático, senão questionável, porque parece ter origem em “cafas” no português de séculos atrás, com sentido sempre duvidoso, entre o indesejável e o vulgar.

No Brasil de hoje, pode ser resumido como a referência popular a um adulto de classe média para cima com conduta publicamente reprovável.

UM TIPO DEFINIDO – Não se conhece cafajeste do sexo feminino, nem cafajeste pobre. Tanto que existiu, anos atrás, um Clube dos Cafajestes, composto por playboys ricos e notórios. Gastavam dinheiro a rodo em façanhas grosseiramente pueris e irresponsavelmente reproduzidas na imprensa.

Mas em “Os Cafajestes” (1962), o cineasta Ruy Guerra optou por uma etnografia de picaretas ou pilantras, que se comprazem na humilhação de mulheres. A crítica do filme converge hoje para a identificação dos personagens com o arbítrio perverso de turistas brasileiros em seu relacionamento com mulheres no exterior.

Foi o que aconteceu durante a Copa do Mundo quando alguns deles divertiam-se nas ruas de Moscou com expressões obscenas para jovens russas que, sem entender português, sorriam para fotos, acreditando estar em contato com a mitológica alegria brasileira.

NO PODER PÚBLICO – O que parecia restrito à perversão privada dissemina-se agora na esfera pública com personagens oficiais. Busca-se mandato para conseguir audiência. Mas fica patente o quanto podem ser abjetos os modos reais de pensar e agir das figuras que reverberam nas redes sociais.

Até mesmo onde se poderia esperar algum respeito à liturgia dos cargos, a baixeza faz-se automática. Eis a fórmula paradigmática: “Uso o bem público para comer gente”. O cafajeste é sem noção.

O inquietante é a aparente normalização desses fatos pelo espírito do tempo cultural e moralmente rebaixado que se atravessa: uma insólita era da cafajestice com holofotes digitais. Pode-se condenar ou cassar um exagero por demais visível, mas agora o rastro algorítmico dessa modalidade de fama, melhor, de infâmia, persiste como rastilho da incivilidade paralela nas redes. E com horripilantes consequências políticas: cada like divertido será, na urna, um voto cafajeste.


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