quinta-feira, janeiro 13, 2022

Bolsonaro diz que Lula na Presidência será “recondução do criminoso à cena do crime”

Publicado em 13 de janeiro de 2022 por Tribuna da Internet

Bolsonaro diz que 'nosso STF', Executivo e Legislativo formam 'um só corpo'  | Política | G1

Bolsonaro afirma que Lula já está distribuindo ministérios

Marianna Holanda
Folha

O presidente Jair Bolsonaro (PL) disse nesta quarta-feira (12) que eleição do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) significaria “reconduzir criminoso à cena do crime”, e que o projeto de poder dos adversários seria “roubar a liberdade”.

“Querem reconduzir à cena do crime o criminoso, juntamente com Geraldo Alckmin? É isso que queremos para o nosso Brasil?”, questionou Bolsonaro, dizendo que chega a três anos de governo, com dois deles “em mar revolto”, por conta da pandemia.

EVENTO NO PLANALTO – O chefe do Executivo citou a virtual aliança entre ex-tucano e petista, sem mencionar Lula diretamente. A declaração ocorreu durante evento de lançamento de linhas de crédito para Aquicultura e Pesca no Palácio do Planalto.

O presidente disse não ter provas, mas voltou a falar que Lula já está oferecendo ministérios em troca de apoios. “Não tenho provas, mas vou falar. Como é que aquele cidadão está conseguindo apoios, apesar de uma vida pregressa imunda? Já loteando ministérios.”

Em entrevista recente, Bolsonaro disse que o comando da Caixa Econômica estaria em negociação pelo adversário e líder nas pesquisas.

MAIS ATAQUES – “A maioria de vocês que trabalham comigo poderiam estar muito bem aí fora, mas estão aqui dando sua cota de sacrifício, ajudando esse Brasil aqui realmente vencer a crise que se encontra no momento e fazendo com que não volte para a mão de bandidos, canalhas, que ocupavam esse espaço aqui para assaltar o país, por um projeto de poder, cujo ato final seria roubar nossa liberdade”, disse ainda o presidente.

Mais cedo, em entrevista ao site Gazeta do Brasil, Bolsonaro acusou os ministros Luís Roberto Barroso e Alexandre de Moraes, do STF (Supremo Tribunal Federal), de ameaçar e cassar “liberdade democráticas” com o objetivo, segundo Bolsonaro, de beneficiar a candidatura de Lula.

“Quem esses dois pensam que são? Que vão tomar medidas drásticas dessa forma, ameaçando, cassando liberdades democráticas nossas, a liberdade de expressão porque eles não querem assim, porque eles têm um candidato. Os dois, sabemos, são defensores do Lula, querem o Lula presidente”, declarou.

MESMA SITUAÇÃO – Ainda que demonstre incômodo com suposto loteamento de ministérios pelo candidato petista, o presidente está na mesma situação e teve de abrigar aliados na Esplanada no último ano para contornar um crise política.

No final do ano passado, escolheu para concorrer à reeleição o PL, partido comandado por Valdemar Costa Neto, ex-aliado de Lula, condenado e preso no mensalão.


Atritos com Exército e Anvisa aumentam o desgaste de Bolsonaro nas Forças Armadas

Publicado em 13 de janeiro de 2022 por Tribuna da Internet

O que pretende Bolsonaro? - Disparada

Discurso de Bolsonaro no Forte Apache desagradou o Exército

Jorge Vasconcellos
Correio Braziliense

Os recentes atritos do presidente Jair Bolsonaro com o comandante do Exército, general Paulo Sérgio Nogueira de Oliveira, e com o diretor-presidente da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), contra-almirante Antonio Barra Torres, abalaram ainda mais o prestígio do chefe do governo junto à cúpula das Forças Armadas. Oficiais ouvidos pelo Correio, em caráter reservado, revelaram os bastidores desses e de outros episódios sobre a relação entre o titular do Planalto e os militares.

Capitão reformado do Exército, Bolsonaro entrou em 2022 protagonizando conflitos com militares de alta patente. Primeiro, se irritou com uma diretriz do Comando do Exército que orienta a tropa a se vacinar contra a covid-19 e a não propagar informações falsas sobre vacinas. Porém o Alto Comando da Força marcou posição e manteve a norma em vigor.

Em outro caso, o diretor-presidente da Anvisa divulgou uma nota, apresentando-se como contra-almirante, para desafiar Bolsonaro a comprovar a afirmação de que algo “está por trás” da decisão da agência de autorizar a vacinação de crianças de 5 a 11 anos contra o novo coronavírus.

SÉRIE DE ATRITOS – Segundo um oficial militar, esses dois episódios são os mais recentes de uma série de acontecimentos que contribuíram para o desgaste da imagem do presidente junto à cúpula das Forças Armadas.

Um dos fatos que mais trouxeram incômodo aos fardados, segundo ele, ocorreu em 19 de abril de 2020. Naquele dia, Bolsonaro discursou em uma manifestação que pregava, em frente ao Quartel-General do Exército, em Brasília, uma intervenção militar, com o fechamento do Supremo Tribunal Federal (STF) e do Congresso. O ato também protestava contra as medidas de distanciamento social.

“Aquilo ali foi bem emblemático. Depois da manifestação, houve um cuidado muito grande para evitar que acontecesse novamente. Evitar que aconteça, mas sem deixar transparecer ao presidente aquilo que está sendo feito para evitar isso”, relatou o militar, sob a condição de anonimato.

FECHAR A ÁREA – Segundo ele, a solução encontrada foi transformar os arredores do QG do Exército em área de lazer nos finais de semana. “Se você passar pelo Setor Militar Urbano hoje, em todos os finais de semana, a faixa ao lado da concha fica toda isolada com cones. Supostamente, aquilo ali é para o pessoal utilizar como área de lazer, andar de bicicleta, e o pessoal passou, realmente, a utilizar. Mas foi uma ‘vacinazinha’ para evitar que alguém possa fazer manifestação ali”, relatou.

Um outro episódio ocorreu também em 2020. Soldados que faziam a guarda em frente ao QG do Exército em Brasília solicitaram que manifestantes fossem protestar em um outro ponto do Setor Militar Urbano, em razão da segurança.

“E aí alguém gravou, filmou e enviou para o presidente reclamando. Então, criou-se um clima muito ruim, e o presidente chegou a ligar para o comandante do Exército para tirar satisfação”, contou a fonte.

SEM ALINHAMENTO – Outro oficial, por sua vez, ressaltou que os militares em geral votaram em Bolsonaro por causa das pautas conservadoras, como a defesa da pátria e da família, mas que nunca houve um alinhamento institucional com o governo.

Ao longo dos últimos três anos, segundo ele, a maior parte do generalato passou a se incomodar com as sucessivas tentativas do chefe do Executivo de interferir politicamente nas Forças Armadas.

“No auge da crise entre o presidente e o Supremo, aquela insistência do presidente de invocar o artigo 142 da Constituição — em uma interpretação equivocada de que as Forças Armadas são um poder moderador — foi muito tensa e gerou grande insatisfação entre os oficiais generais”, disse o militar. “Quando houve aquela ameaça de invasão ao STF, a coisa ficou tensa, as tropas ficaram de prontidão para atuar, caso necessário.”

CRISE DA COVID – O militar também afirmou que a crise sanitária provocada pela covid-19 evidenciou ainda mais os desencontros entre o presidente e as Forças Armadas.

“Houve várias situações em que ficou demonstrado esse descolamento, e a pandemia começou a escancarar isso. O ‘totozinho’ de cotovelo do comandante do Exército, aquilo ali já demonstrava”, afirmou o oficial, lembrando o momento em que o então comandante do Exército, Edson Pujol cumprimentou o presidente com um toque de cotovelo em vez de apertar a mão.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
 – Muito interessantes essas revelações de bastidores do jornalista Jorge Vasconcelos. Já havíamos informado aqui na Tribuna o descontentamento da cúpula do Exército com o discurso de Bolsonaro diante do Quartel-General, chamado de Forte Apache. A transformação do local em área de lazer foi muito inteligente, e Bolsonaro nunca mais ousou fazer manifestações diante do QG. Para a classe dos militares, Bolsonaro foi um ótimo presidente, não há dúvida, mas na vida tudo tem limites. (C.N.)

Joaquim Barbosa coloca um freio na decolagem do candidato Sergio Moro


Barbosa disse a aliados que vê com desconfiança a candidatura de Moro 

Pedro do Coutto

O ex-ministro Sergio Moro visitou segunda-feira, no Rio, o ministro aposentado do Supremo, Joaquim Barbosa, em busca de apoio para a sua candidatura à Presidência da República, mas, revela a reportagem de Julia Chaib e Catia Seabra, Folha de S.Paulo desta quarta-feira, que não obteve o êxito esperado.

Joaquim Barbosa disse a pessoas próximas que recebeu Moro por cortesia, mas que tem restrições à sua aproximação com procuradores e agora também com militares descontentes com o governo Bolsonaro.

FREIO – A posição de Joaquim Barbosa representou, na minha visão, um freio na candidatura daquele que na esteira aberta por Barbosa enfrentou e condenou ladrões de casaca. Entretanto, Joaquim Barbosa, como revela a reportagem, disse que Sergio Moro cometeu um erro crasso aceitando ser ministro da Justiça de Jair Bolsonaro.

A restrição de Joaquim Barbosa surgiu num momento muito sensível para a candidatura de Sergio Moro na medida em que este encontra-se num esforço para decolar e com isso tentar transformar-se numa terceira opção, visando sobretudo enfraquecer Bolsonaro. Ele consegue parcialmente isso porque seu potencial de eleitores, localizados nos segmentos de renda mais alta, são justamente aqueles que juntos aos quais Bolsonaro tem melhor colocação.

Junto aos eleitores e eleitoras de renda menor a penetração tanto de Bolsonaro quanto de Sergio Moro é muito pequena, com o agravante para Bolsonaro de o fenômeno resistir às suas ações administrativas, como é o caso do Auxílio Brasil. O Auxilio Brasil é uma concessão, mas não uma interação social entre o concessionário e os que recebem auxílio.

EFEITOS INFLACIONÁRIOS – Conforme começou a ser noticiado nos jornais de terça-feira e ontem na Folha de S. Paulo e no O Globo, o presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, dirigiu carta ao ministro Paulo Guedes tentando explicar a explosão da meta inflacionária de 2021 como consequência da economia mundial.

Como focalizamos ontem, a carta é a sexta edição de explicações transcorridas ao longo de 12 meses. A meta inflacionária era de 5% e acabou fechando em 10%. Roberto Campo Neto procura explicações que não convencem, é claro. Mas mesmo que convencessem,  falta uma consequência fundamental: os efeitos inflacionários no custo de vida brasileiro e no consumo de nossa população, inclusive as compras nos supermercados. Isso é um problema grave. Qual a solução que Roberto Campos Neto propõe para os efeitos inflacionários? Nenhum.

Quais as medidas esboçadas por Paulo Guedes para conter ou suavizar os efeitos do aumento do custo de vida? Nenhum. Qual a providência do presidente Jair Bolsonaro? Nenhuma. Então a explicação interessa menos do que os efeitos do processo, sobretudo porque refere-se à integridade e à própria vida humana dos brasileiros e brasileiras. Entre os efeitos não compensados da inflação, encontra-se o avanço da fome.

POPULARIDADE DIGITAL –  Reportagem de Carolina Linhares, Folha de S.Paulo de ontem, destaca que segundo pesquisa do Instituto Quaest,  a presença digital de Lula e de Bolsonaro neste ano passou a ser próxima uma da outra, inclusive até o final do ano passado houve um avanço de Lula. O Instituto chama índice de popularidade digital. Lula atinge 60 pontos contra 52 de Bolsonaro. Ciro Gomes é o terceiro e Sergio Moro é o quarto.

A proximidade entre Lula e Bolsonaro é uma consequência do avanço do petista junto ao eleitorado. Ele sempre perdeu a batalha digital para Bolsonaro, mas agora até o supera por pequena margem, consequência de sua popularidade e decorre também da medida em que se aproximam as eleições de outubro deste ano.

RECUO DE RONALDO –  Numa extensa entrevista à Folha de S.Paulo, na edição desta quarta-feira, Ronaldo Fenômeno disse que a cada dia que ele e o seu grupo abrem uma gaveta do Cruzeiro encontram uma surpresa negativa. Na terça-feira surgiu o endividamento do clube da ordem de R$ 1 bilhão. A dívida, disse Ronaldo, é maior do que ele esperava. “Não quer dizer que eu vá desistir, embora no pré-contrato exista tecnicamente a possibilidade de uma desistência”, afirmou.

No processo, estão em processo de análise. Mas na minha opinião, Ronaldo Fenômeno não separou  a parcela de investimentos da parcela da dívida. Isso faz com que o aporte de capital do grupo que ele representa (que o dinheiro não é só dele, é claro),  tenha que atingir a ordem de R$ 1,4 bilhão.

Terceiro governo Lula não seria revanchista




O ex-presidente conhece as vantagens de uma inflação baixa e da responsabilidade fiscal

Por Nilson Teixeira (foto)

A vitória do ex-presidente Lula na eleição de outubro, em disputa polarizada com o presidente Bolsonaro, é provável. A chance é baixa de surgimento de uma candidatura única capaz de unir eleitores de perfil moderado e avessos aos dois candidatos. A rejeição à Bolsonaro, até por ser o postulante incumbente, recuará com o Auxílio Brasil.

Ao mesmo tempo, as intenções de voto em Lula podem diminuir com o esperado ataque nas redes sociais, associando-o aos malfeitos no governo PT. No entanto, a estagnação, o alto desemprego e os conflitos frequentes de Bolsonaro enfraquecem o cenário em que sua votação supere as de Lula. Quando muito, haveria 2º turno.

O quadro pode se tornar ainda mais favorável para Lula, caso a sua campanha convença eleitores com perfil conservador sobre a adoção de uma plataforma sem extremismos. A possível participação do ex-governador Geraldo Alckmin, como vice-presidente na sua chapa, demonstra a vontade de Lula de compor alianças com o centro.

Mesmo assim, alguns participantes de mercado projetam um governo PT radical e orientado pela revolta de ter sido vítima da suposta contrariedade da elite e de alegações de ligação com a corrupção. A escolha de um conjunto de economistas heterodoxos para coordenar a discussão na sua campanha reforça essa leitura.

Como a corrida eleitoral atém-se a platitudes sobre temas econômicos, a escolha desses economistas por Lula não é uma sinalização sobre quem seria o ministro da Economia nem sobre a linha a ser adotada. A análise dos governos de Bolsonaro e de Lula aponta que o mais eficaz seria ter um político experiente no cargo, com uma equipe mais ortodoxa do que a do grupo escolhido pelo PT. Os rumores de que um 3º governo Lula revisaria as privatizações, revogaria a reforma trabalhista e eliminaria a autonomia do Banco Central (BC), entre outros devaneios, são discursos de campanha para agradar as bases mais aguerridas ou circunscritos a comissões - caminho certo para não prosperarem. Ademais, essas propostas não seriam apoiadas pelos congressistas de centro, o que dificultaria seu avanço no Congresso. Independentemente da mágoa por sua condenação e prisão, Lula não teria ganhos em abraçar ações revanchistas.

Assim, a percepção de que Lula adotaria políticas heterodoxas se dissipará mais rapidamente do que na eleição de 2002, quando perdurou até o pleito. Um governo Lula defenderia uma plataforma moderada e direcionada às demandas dos mais pobres, em particular em educação, saúde e renda. O ex-presidente conhece as vantagens de uma inflação baixa e da responsabilidade fiscal. A autonomia do BC e o esperado recuo da inflação em 2022 ajudariam um governo PT, que não precisaria defender uma política monetária mais apertada nem um plano que, como em 2003, foque quase apenas nessa redução.

Esse arcabouço permitiria a Lula concentrar esforços em agendas pró-crescimento - estímulos aos investimentos em infraestrutura e tecnologia, de melhoria da distribuição de renda e de criação de oportunidades para os trabalhadores informais.

A avaliação de Lula sobre os requisitos para a implementação dessa agenda será crucial para o seu sucesso. O aumento dos investimentos públicos e o das transferências de renda para os mais carentes sem nenhum comprometimento firme com o declínio da dívida pública e a obtenção de superávits fiscais não terão êxito. A composição das contas públicas demonstra que essa agenda requer reformas, em particular a tributária e a administrativa.

Não é uma missão fácil. Mesmo com o discurso liberal da sua equipe, Bolsonaro não avançou com essas reformas, em parte, devido à sua baixa crença nas propostas e à inabilidade dos seus operadores. O governo PT teria ainda mais dificuldade. Segmentos radicais do partido defenderiam aumento exagerado de impostos sobre os mais ricos e sobre os ganhos de capital, bem como a elevação da tributação sobre as correntes de comércio e as remessas de divisas para o exterior. Após oito anos como presidente, Lula sabe que essas medidas são pouco eficazes ou insuficientes e não afastam a necessidade de reformas.

Ao desprezar as versões de reforma tributária em tramitação no Congresso, Bolsonaro comprovou que não há condições de aprovar projetos sem partilhar cargos com a base aliada e sem a participação dos principais líderes na sua formulação. Essa parece ser a única maneira de avançar com ajustes amplos e de reduzir renúncias tributárias ineficientes.

A Reforma Administrativa também precisa ser perseguida, dado o peso dos gastos com servidores ativos e inativos nas contas públicas. Mesmo não tendo nenhuma dívida de gratidão com a maioria do funcionalismo, que nunca cerrou fileiras com o partido, o PT teria dificuldade de propor uma reforma administrativa de peso e a transferência do controle de estatais para o setor privado. Nesse caso, a melhor estratégia seria encorajar a tramitação da proposta existente no Congresso com ajustes, bem como manter o atual processo de venda de concessões.

As relações internacionais, bem como as políticas voltadas às minorias e de defesa do meio ambiente, melhorariam instantaneamente sob Lula. Não é certo, porém, que as ações implementadas seriam efetivas a ponto de mudar rapidamente o quadro desfavorável.

A construção de uma sólida base de apoio no Congresso para aprovar essas reformas seria relativamente fácil para o PT. A maioria dos partidos do Centrão, mesmo os que sustentam no momento o atual presidente, não teriam objeção de apoiar o novo governo. Além da federação de partidos de esquerda, PP, MDB e PSD, entre outros, comporiam provavelmente o governo Lula, ainda mais se Alckmin participar da articulação.

Em suma, não seria difícil formar um governo com atuação mais efetiva do que o atual. Lula precisaria, porém, partilhar a formatação de propostas com os principais líderes do Congresso. O risco seria de um governo PT crer que há atalhos menos desgastantes para alcançar seus objetivos. A consequência seria clara: mais anos de estagnação, inflação alta e frustração.

Valor Econômico

Fora da posse de Boric, Bolsonaro ignora vizinhos de esquerda




O presidente Jair Bolsonaro (PL) afirmou nesta quarta-feira, 12, que não vai comparecer à posse de Gabriel Boric, eleito presidente do Chile em dezembro do ano passado. A cerimônia, marcada para o dia 11 de março, não será a primeira do tipo sem a presença do mandatário brasileiro. Bolsonaro tem costume de não prestigiar a posse de eleitos ligados à esquerda na América Latina e já faltou a pelo menos três eventos semelhantes.

Em 2019, primeiro ano de seu mandato, Bolsonaro não compareceu à posse de Alberto Fernández na Argentina, rompendo uma tradição de 17 anos. O último presidente brasileiro a não prestigiar uma posse no país foi Fernando Henrique Cardoso (PSDB), quando o argentino Eduardo Duhalde foi nomeado pelo Congresso Nacional após renúncia de Adolfo Rodríguez Saá. Fernández, que é um político de esquerda, havia derrotado o candidato preferido de Bolsonaro, Maurício Macri, que concorria à reeleição. O Brasil foi representado pelo vice-presidente Hamilton Mourão (PRTB) no evento.

Em 2020, Bolsonaro não viajou a La Paz para a posse do esquerdista Luis Arce, eleito presidente da Bolívia. Diferente de outras ocasiões, o governo brasileiro não enviou sequer um representante para a cerimônia, deixando a presença simbólica do País a cargo do embaixador brasileiro na Bolívia, cuja aparição é protocolar.

Em julho de 2021, o presidente também não compareceu à cerimônia de posse do também esquerdista Pedro Castillo, presidente do Peru. Na ocasião, o Brasil foi novamente representado pelo vice-presidente Mourão. Castillo é dirigente sindical e foi eleito sob temores de assumir uma postura radical à esquerda. Ele saiu vitorioso de um pleito acirrado contra sua adversária de direita, Keiko Fujimori, após uma apuração dos votos que durou vários dias.

Diferentemente dos episódios acima, Bolsonaro decidiu comparecer à posse do ex-banqueiro Guilherme Lasso no Equador em 2021. O presidente equatoriano defende pautas conservadores e representa a direita tradicional no país.

Gabriel Boric

O esquerdista Gabriel Boric foi eleito em dezembro de 2021 o presidente mais jovem da história do Chile, aos 35 anos de idade. Ele venceu o candidato da direita, José Antonio Kast, conhecido como o "Bolsonaro chileno". O Brasil foi o último país da América do Sul a cumprimentar a vitória.

Estadão / Dinheiro Rural

Entrega de cargos da Receita vai a 1.288 auditores, diz Sindifisco




O Sindicato Nacional dos Auditores Fiscais da Receita (Sindifisco) informou no período da tarde desta quarta-feira, 12, que 1.288 cargos já foram entregues no órgão, em protesto dos auditores contra o governo federal. As exonerações vão começar a ser publicadas nesta data no Diário Oficial, segundo o Sindifisco.

Há duas semanas, o presidente do sindicato disse ao Broadcast (sistema de notícias em tempo real do Grupo Estado) que os delegados e superintendentes estavam "segurando" a publicação oficial da exoneração dos auditores.

Nesta quarta, nota do Sindifisco aponta que "os delegados da 8ª RF, do Estado de SP, irão publicar as exonerações dos chefes vinculados às suas respectivas unidades. A estimativa é de saírem cerca de 80 exonerações dessa Região Fiscal".

Segundo a entidade, amanhã deve haver uma reunião de líderes do sindicato com o ministro da Economia, Paulo Guedes, para discutir a regulamentação do bônus de eficiência.

Estadão / Dinheiro Rural

Bota o retrato do velho




Por Carlos Brickmann (foto)

Os dois primeiros colocados nas pesquisas nasceram lá pela metade do século passado, já foram presidentes e o último que botou a mão no fogo por qualquer dos dois ganhou o apelido de Capitão Gancho. Quando Francisco Alves, na época o mais famoso cantor do país, lançou a música de Haroldo Lobo e Marino Pinto em favor de Getúlio Vargas, O Retrato do Velho não precisou dizer o nome do candidato: só um se enquadrava na descrição do velhinho que já havia estado lá. “Bota o retrato do velho outra vez, bota no mesmo lugar/o sorriso do velhinho faz a gente trabalhar”. Hoje não tem jeito: a letra, adaptada aos tempos modernos, ou usa os defeitos do candidato para identificá-lo - e eles não vão gostar - ou vira só lembrança do século 20.

Um é o grosseirão de maus modos e linguagem de estrebaria, com quatro filhos que são zeros à esquerda, que pouco se importa com a morte dos outros, seja por tragédias naturais, como agora, seja por falta de vacinas. Uma letra adaptada: “o sorriso do velhinho é de a gente arrepiar”.  Ou “eu já peguei o meu, da família não sairá/a aula eu já te dei, e tu não vais rachar?” Ou “Bota o Centrão do meu lado, outra vez/A ajuda do Centrão deixa a gente governar”. Dá galho.

E o outro candidato? Só um companheiro precisou devolver US$ 100 milhões, que tinha recebido de forma desburocratizada. Letra adaptada: “O retrato não é meu, o meu amigo é que vai botar”. Ou “Bota o retrato do velho outra vez/bota pra gente roubar”. Dá galho também.

A letra inteira

Em 1950, Getúlio Vargas, que tinha sido ditador de 1930 a 1945, quando foi deposto, queria voltar ao poder em eleições democráticas. Seu adversário, forte, era o brigadeiro Eduardo Gomes. Entre outros cuidados, Getúlio buscou astros da música para seu jingle: Haroldo Lobo e Marino Pinto, os compositores, e Francisco Alves, o cantor-ídolo. E saiu a marchinha, enorme sucesso:

https://www.youtube.com/watch?v=eVgOODBrCMc

Bota o retrato do velho outra vez/Bota no mesmo lugar

Bota o retrato do velho outra vez/Bota no mesmo lugar

O sorriso do velhinho faz a gente trabalhar

O sorriso do velhinho faz a gente trabalhar

Eu já botei o meu/E tu, não vais botar?

Eu já enfeitei o meu/E tu, não vais enfeitar?

O sorriso do velhinho faz a gente se animar

O sorriso do velhinho faz a gente se animar

Lembrança

Agora é hora de se lembrar de que teremos eleições em menos de nove meses – 2 de outubro é o primeiro turno. E o prazo para tirar o título de eleitor termina no dia 4 de maio. Quem perder o prazo não poderá votar na eleição.

Invertendo o jogo

A bancada do PT na Câmara Federal pediu à Presidência do Congresso a convocação de uma comissão que avalie o impacto das enchentes e analise a melhor maneira de reduzir os danos à população. Curioso: o então ministro Roberto Campos dizia que o resultado do trabalho de uma comissão em geral é ruim. Completava: “O camelo é um cavalo projetado por uma comissão”. Os parlamentares aprenderam que a melhor maneira de adiar uma decisão é formar uma comissão para avaliar o que fazer.

Mas as coisas mudam: hoje, uma comissão é muitas vezes a melhor forma de fazer as coisas andarem.

Boa notícia, má notícia

A boa notícia em primeiro lugar: a informação de que Bolsonaro não quis interromper suas férias e assumir o comando do socorro à Bahia, vítima das inundações, não tem nada a ver com desprezo aos nordestinos, aos baianos, nem mesmo ao governador petista, Rui Costa, que lhe faz oposição.

A má notícia é que Bolsonaro não quer mesmo é enfrentar problemas desse tipo, seja qual for o local em que ocorram: também não vai a Minas, igualmente vítima de inundações, e onde houve uma tragédia à parte, a morte de dez turistas que passeavam de barco e foram atingidos pelo desabamento de um paredão de rocha. O governador de Minas, Romeu Zema é do Novo e tem tido até um bom relacionamento com o presidente. Mas ir até lá significa trabalhar. Há até torresmos para engolir inteiros e provocar problemas, mas vamos convir que torresmo, por melhor que seja, é sempre mais barato que camarão.

Preparando a estreia

A sala de 400 metros quadrados destinada ao novo ministro do Supremo André Mendonça, antigo ministro da Justiça, já está sendo preparada para sua estreia, nos próximos dias: o primeiro objeto pessoal a ser levado para lá foi o Troféu D. Quixote de la Mancha, prêmio a quem defende a Justiça e a paz social, que lhe foi ofertado em 2019. Mendonça recebeu seu prêmio na mesma cerimônia que homenageou William Witzel, que na época iniciava seu mandato como governador do Rio (ficou pouco mais de um ano, sendo o primeiro governador do país a sofrer impeachment).

Brickmann.com.br

Vacina: Bolsonaro cobra da Anvisa “antídoto” para “possíveis efeitos colaterais”

 




O presidente Jair Bolsonaro cobrou, nesta quarta-feira (12/1), da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) “um antídoto” para o que chamou de ‘possíveis efeitos colaterais’ da vacina contra covid-19 em crianças entre 5 e 11 anos de idade. O chefe do Executivo e o presidente da Anvisa, Antônio Barra Torres, entraram em rota de colisão por conta da vacinação para o público pediátrico. O órgão regulador liberou a imunização infantil após parecer de técnicos especialistas e embasamento de sociedades médicas.

“A Anvisa não disse qual o antídoto para possíveis efeitos colaterais. Por que eu falo possíveis? Alguns já existem por aí. Você não comprovou, mas já existem”, alegou, em entrevista à Gazeta Brasil.

Na semana passada, Bolsonaro questionou “o que está por trás” da decisão da Anvisa ao autorizar a vacinação de crianças de 5 a 11 anos. Também chamou os defensores da imunização infantil de “tarados por vacinas”. Barra Torres divulgou uma nota cobrando o presidente provas de corrupção do órgão ou que se retratasse.

Nessa segunda-feira (10), o presidente negou ter mencionado haver corrupção na agência e afirmou que não havia motivo para o tom agressivo do presidente da Anvisa. “Me surpreendi com a carta dele. Carta agressiva. Não tinha motivo para aquilo”, disse na data.

Também na entrevista de hoje, o presidente minimizou os impactos da ômicron no Brasil e disse que a nova variante da covid-19 é “bem-vinda”. Com letalidade menor, mas com capacidade de disseminação maior, o vírus pode sobrecarregar o sistema de saúde.

Bolsonaro disse ainda que “quase zero, um número muito pequeno” de crianças morreu por covid no país. “E esse número pequeno ainda tinha o fato de criança com comorbidade”, completou. Com isso, segundo ele, não se justificaria a vacinação em crianças menores.

O Ministério da Saúde afirmou que, de março de 2020 a dezembro de 2021, 311 crianças de 5 a 11 anos morreram em decorrência da doença no Brasil.

Correio Braziliense / Daynews

Bolsonaro chama Dino de ‘gordo’ e governador reage: ‘vai trabalhar’

 




O presidente Jair Bolsonaro (PL) comparou a forma física do governador do Maranhão, Flávio Dino (PSB), à de líderes comunistas mundo afora. Segundo ele, todos são "gordos". A declaração foi feita a apoiadores em Brasília nesta terça-feira, 11, e gerou reação do político maranhense, que fez uma publicação nas redes sociais destacando o tom preconceituoso da piada e recomendando que o chefe do Executivo "vá trabalhar".

"A senhora é do Estado do Partido Comunista do Brasil", afirmou o presidente nesta terça-feira, dirigindo-se a uma apoiadora supostamente do Maranhão. "Já reparou que nos países comunistas, geralmente o chefe é gordo? Coreia do Norte, Venezuela, são gordinhos, né? Maranhão…", completou. Não é a primeira vez que o mandatário tenta desqualificar o governador por sua forma física.

'Escassez de neurônios'

Desde o ano passado, Dino não é mais filiado ao Partido Comunista do Brasil (PCdoB), mas ao PSB. Em resposta, ele afirmou que a declaração é compatível com a "notória escassez de neurônios" de Bolsonaro e listou problemas mais graves com os quais, segundo ele, o presidente deveria estar lidando. "Ao bisonho e fracassado 'piadista', faço uma conclamação: VAI TRABALHAR. Os problemas federais são cada dia mais graves: inflação, desemprego, aumento dos combustíveis etc.", escreveu.

Dino é um dos principais opositores de Bolsonaro nos governos estaduais. Ele e o presidente já se enfrentaram em outras ocasiões. Em julho de 2019, o chefe do Executivo afirmou que, dos governadores de "Paraíba" - referindo-se de forma preconceituosa à Região Nordeste -, "o pior é o do Maranhão". Após essa declaração, o mandatário tentou se aproximar da região, intensificou visitas e chegou a posar para fotos vestindo um chapéu típico da região.

Bolsonaro e Flávio Dino também ficaram em lados opostos durante a pandemia de covid-19. Enquanto o presidente critica a atuação de governadores e prefeitos na crise sanitária, sobretudo a restrição de atividades econômicas, Dino já foi a público responsabilizar o governo federal pela escassez de vacinas, o alto número de mortes e a taxa de contágio da doença no País.

Estadão / Dinheiro Rural

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