quarta-feira, janeiro 12, 2022

Rússia lança novo submarino “buraco negro” no Pacífico, considerado indetectável pelos EUA

 




Magadan: submarino “buraco negro” pode operar por 45 dias de forma autônoma e não ser detectado (Crédito: Alexander Demianchuk/Tass)

A atual força marítima da Rússia está longe dos padrões da antiga União Soviética, mas ainda assim segue uma das mais sólidas do mundo. Prova disso são os submarinos do projeto 636.3, versões avançadas da classe Kilo que foram apelidados pela marinha dos EUA como “Buraco Negro”(Black Hole).

Justamente por serem embarcações quase indetectáveis e, ao mesmo tempo, amplamente eficientes, com ótimo alcance de detecção de alvos, sistema de controle avançado e armas de última geração.

O mais novo modelo da classe — movida a diesel e eletricidade, vale ressaltar — é o Magadan, o nono a ser incorporado à Marinha da Rússia e o terceiro à frota do Pacífico depois do Petropalovsk-Kamchatsky e do Volkhov, entregues, respectivamente, em 2019 e 2020.

Construído a partir de novembro de 2019, o Magadan ingressou oficialmente em outubro de 2021, mas apenas neste ano irá participar de sua primeira missão, segundo informações da defesa russa. Desde então, o submarino faz parte da frota do Pacífico — uma das seis pertencentes à Rússia e uma das mais essenciais do ponto de vista geopolítico, tendo sido fundada no início do século 18.

Os outros seis modelos da classe integram a frota do Mar Negro: Novorossiysk e Rostov na Donu, entregues em 2014; Staryy Oskol e Krasnodar, em 2015; e Velikiy Novgorod e Kolpino, em 2016.

Profundidade de imersão de 300 m e autonomia de 45 dias

Como supracitado, o submarino “buraco negro” da classe 636.3 é movido a diesel e eletricidade. Com cerca de 240 pés (74 m) de comprimento, esses veículos contam com uma profundidade de imersão de 300 metros e deslocamento de mais de 3.900 toneladas.

As embarcações podem operar por 45 dias de forma autônoma e atingem uma velocidade máxima de 20 nós (37 km/h), com um alcance de 12 mil quilômetros.

O Magadan, o modelo mais recente, é equipado com radares, sonares e sistemas de comunicação de última geração, ostentando um sistema de torpedos e mísseis de cruzeiro integrados Club-S com alcance de fogo de 500 quilômetros.

A próxima embarcação do projeto 636.3 a ser entregue pela Marinha russa será a Ufa, que deve ser incorporada ainda neste ano. Ela será a quarta a fazer parte da frota do Pacífico.

"The mainstay of the Russian Navy's conventionally powered fleet are Project 877–class submarines, known as the Kilo class to NATO and the West. Nicknamed the “Black Hole” submarine by the U.S. Navy, the Improved Kilos are extremely quiet. ... They are not fast submarines."

Yahoo / DefesaNet

Presidente do Fed reitera que dívida pública nos EUA está em nível insustentável




O presidente do Federal Reserve (Fed, o banco central norte-americano), Jerome Powell, voltou a caracterizar a trajetória da dívida pública nos Estados Unidos como "insustentável" e disse que as autoridades no país devem começar a endereçar isso "em breve". Em audiência no Comitê Bancário do Senado dos EUA, Powell explicou que o melhor momento para ajustar os níveis de dívida pública é em contexto de economia forte.

Powell disse ainda que a variante Ômicron do coronavírus pode prejudicar os gargalos nas cadeias produtivas globais, intensificando as pressões inflacionárias.

Para ele, contudo, o impacto deve ser mais breve do que durante o choque anterior.

O presidente do Federal Reserve foi questionado sobre o aumento dos preços nos Estados Unidos, durante audiência no Comitê Bancário do Senado.

Segundo ele, as empresas podem tanto estar elevando os preços em prol do crescimento do lucro quanto porque a demanda está forte e elas têm espaço para fazer isso.

Balanço patrimonial

O presidente do Federal Reserve reiterou também que a autoridade monetária ainda não tomou uma decisão sobre a eventual redução do balanço patrimonial. Segundo ele, o Comitê Federal de Mercado Aberto (FOMC, na sigla em inglês) fornecerá maior clareza sobre o tema em breve.

"Não quero antecipar o comitê", afirmou Powell, durante audiência no Comitê Bancário do Senado dos Estados Unidos, no processo de confirmação para um possível mandato à frente do Fed.

A questão será discutida nos próximos encontros, comentou ele.

Novas regras

O presidente do Federal Reserve afirmou ainda que as novas regras para negociações de ações por dirigentes da autoridade monetária são "as mais duras do governo americano". Ele explicou que os integrantes do BC americano não podem mais comprar ações individuais - apenas fundos - e precisarão avisar previamente as vendas que realizarem.

Moedas digitais

Powell afirmou também que a possível emissão de uma moeda digital pelo banco central (CBDC, na sigla em inglês) não impediria a existência de stablecoins privadas.

Stablecoins são divisas digitais atreladas a ativos relativamente estáveis e podem ser emitidas por entes privados. Diferem de criptomoedas como a bitcoin, que não têm valor intrínseco.

Mais cedo, Powell havia dito que o Fed deve lançar, nas próximas semanas, relatório sobre as CBDCs.

Estadão / Dinheiro Rural

Jornalistas podem ser conselheiros de políticos? O caso da Fox e Trump.

 




Âncoras como Sean Hannity e outros colegas eram íntimos do ex-presidente - e só deram bons conselhos quando aconteceu a invasão do Capitólio. 

Por Vilma Gryzinski

Ter acesso ao presidente é um privilégio para qualquer jornalista. Mas existe um limite entre “acesso” e “colaboração”? Qual o papel adequado, para um jornalista, no relacionamento com uma fonte de informações tão importante – mas, mesmo assim, fonte?

Um caso interessante está acontecendo atualmente nos Estados Unidos, onde mensagens e outros contatos de âncoras conhecidos da Fox News vão sendo revelados nas investigações da comissão de inquérito dos acontecimentos de 6 de janeiro do ano passado.

O jogo é conhecido: democratas e aliados, inclusive ou principalmente na imprensa, querem mostrar que a multidão de trumpistas que invadiu o Capitólio serviria para desfechar um golpe de estado – um golpe sem exército, marinha nem aeronáutica, um dos descalabros dessa interpretação.

Que a multidão, esquentada por um discurso de Donald Trump, agiu errado e os que cometeram abusos ou delitos devem ser punidos pela lei, não há dúvida nenhuma.

Mas o fato é que a massa sem líderes nem propósitos definidos, fora protestar contra o que consideravam uma eleição fraudada para dar a Casa Branca a Joe Biden, acabou prejudicando principalmente ao próprio Trump.

Ele saiu desmoralizado do episódio – talvez irreversivelmente, se quiser concorrer em 2024, em especial entre eleitores frustrados com Biden, mas assustados com a anarquia incitada pelo ex-presidente.

O curioso é que os âncoras com quem dialogava frequentemente identificaram o problema de imediato e mandaram mensagens frenéticas para chamá-lo à razão.

“Mark, o presidente precisa dizer para as pessoas no Capitólio irem para casa”, escreveu Laura Ingraham, uma das mais ardorosas trumpistas da Fox, para o chefe da Casa Civil, Mark Meadows. “Isso está fazendo mal a todos nós. Ele vai destruir o seu legado”.

Sean Hannity, talvez o mais próximo de Trump, também tentou fazer o presidente ver a realidade dos fatos através de Meadows.

“Ele não pode fazer um pronunciamento? Pedir para as pessoas deixarem o Capitólio?”, apelou Hannity, o âncora mais bem pago da emissora, tão identificado com Trump que chegou a ir num comício dele em 2018, atitude criticada como imprópria pela própria Fox.

Outro apelo do mesmo tipo foi feito por Brian Kilmeade, do programa matinal Fox And Friends, ao qual Trump telefonava regularmente quando estava na Casa Branca: “Por favor, leve-o à televisão. Está destruindo tudo o que vocês conseguiram”.

Como se vê, os âncoras avaliaram corretamente o tamanho da encrenca e tentaram alertar Trump para corrigir o erro. Mesmo que tenham programas completamente baseados em opiniões, estariam transpondo os limites que devem separar os que fazem jornalismo e os que são objeto dele?

Stephanie Grisham, que foi brevemente secretária de Imprensa e saiu depois do 6 de janeiro, falando mal de Trump e de Melania, com quem havia trabalhado antes, disse ao Washington Post que o ex-presidente citava literalmente Sean Hannity e outra âncora fiel, Jeanine Pirro, em reuniões do ministério. Também ligava para Hannity e Lou Dobbs (demitido em fevereiro da Fox Business) para que participassem por telefone dessas sessões.

Nem sempre as relações eram tranquilas. Hannity calculou certo o tamanho do problema que Trump estava criando para si mesmo com o comício que terminaria com a invasão do prédio do Congresso.

“NÃO acho que o 6 de janeiro vai acontecer do modo como estão dizendo a ele”, escreveu o âncora, uma semana antes dos acontecimentos fatídicos, ao chefe da Casa Civil e a um deputado íntimo de Trump, Jim Jordan.

Depois do estrago, Hannity tentou aconselhar Trump sobre o que fazer no período atribulado que antecedeu a posse de Joe Biden. “Ele não pode falar mais em eleição. Nunca mais. Não tive uma conversa boa com ele hoje”.

Uma relação tão íntima entre um jornalista e um presidente levanta várias dúvidas sobre o comportamento ético do profissional. Na prática, as fronteiras se diluem. Da mesma forma que políticos “amigos” são fontes importantes, jornalistas abastecem-nos com informações, fofocas e, inevitavelmente, conselhos. “Governador, por que o senhor não…?”, é uma frase, em suas diversas versões, infinitamente repetida.

Quando a proximidade é excessiva, causa problemas. O caso mais recente disso foi o de Chris Cuomo, o apresentador mais visto da CNN. Quando a fase inicial da pandemia mostrou seu irmão, Andrew Cuomo, então governador de Nova York, como um herói do combate à doença, ele o entrevistava praticamente todos os dias.

A realidade foi mostrando que o governador não era tão heroico assim. Sua imagem desmoronou de vez quando surgiram sérias acusações de assédio sexual. As conversas dos irmãos Cuomo – não poderiam ser qualificadas tecnicamente de entrevistas – foram parecendo suspeitas e a coisa desandou quando vieram à tona e-mails de Chris Cuomo tramando com uma assessora do irmão como desmoralizar as denunciantes.

Chris Cuomo pode processar a emissora para receber 18 milhões de dólares referentes aos quatro anos que faltavam para seu contrato terminar. A quantia dá uma ideia de como as estrelas dos programas jornalísticos de opinião são bem recompensadas.

O contrato que Chris Cuomo perdeu empalidece diante dos 25 milhões de dólares anuais de Sean Hannity. Laura Ingraham ganha 15 milhões. Podem dar conselhos de graça a presidentes – embora “de graça ”seja apenas uma forma de dizer que não recebem dinheiro para isso.

Em compensação, ter um presidente ligando para conversar ao vivo, como fazia Trump, tem um valor inestimável.

Com seu estilo agressivo e matador, Hannity não pretende ficar quietinho enquanto a comissão de inquérito divulga suas mensagens. A última dele: “Nós sabemos agora, e foi confirmado e corroborado por numerosas fontes aqui nesse programa, que Donald Trump autorizou a convocação de até 20 mil soldados da Guarda Nacional para proteger o Capitólio. A autorização foi dada dois dias antes de 6 de Janeiro”.

O apresentador propõe, provocativamente, que a presidente da Câmara, Nancy Pelosi, e o prefeito do Distrito de Columbia, onde fica Washington, Muriel Bowser, sejam convocados pela comissão parlamentar a dar explicações.

O policiamento falho realmente facilitou a invasão do Congresso, mas o que Hannity e outros da mesma linha querem insinuar é que houve uma manobra deliberada para produzir os eventos daquele dia e prejudicar Trump.

Como se Trump não soubesse se prejudicar sozinho – inclusive ao demorar tanto para seguir os conselhos de seus influenciadores da Fox.

Revista Veja

EUA pede que Moscou se retire 'rapidamente' do Cazaquistão




Os Estados Unidos instaram nesta terça-feira (11) a Rússia a retirar "rapidamente" suas forças enviadas ao Cazaquistão a pedido do presidente Kassym Jomart Tokayev após violentos distúrbios.

Washington comemorou o retorno à calma no país da Ásia Central, abalado na semana passada por protestos e distúrbios não vistos desde sua independência em 1991, segundo o porta-voz do Departamento de Estado, Ned Price.

Ele também saudou "o anúncio do presidente Tokayev, que disse que as forças de paz da CSTO completaram sua missão", em referência aos quase 2.000 soldados, principalmente russos, da Organização do Tratado de Segurança Coletiva (CSTO) enviados a pedido do presidente cazaque.

"Enquanto as forças da CSTO não se retirarem, continuaremos a pedir que respeitem os direitos humanos e respeitem o seu compromisso de se retirarem rapidamente do Cazaquistão, conforme exigido pelo governo cazaque", acrescentou o porta-voz da diplomacia americana durante uma coletiva de imprensa.

Tokayev afirmou que a retirada do contingente da CSTO começaria em dois dias, que seria "progressiva" e que não duraria mais de 10 dias.

Mas o ministro da Defesa russo, Sergei Shoigu, alertou que a saída será feita quando a situação estiver "totalmente estabilizada" e "por decisão" das autoridades cazaques.

O secretário de Estado dos EUA, Antony Blinken, irritou Moscou na semana passada ao declarar que "uma vez que os russos entram em sua casa, às vezes é muito difícil fazê-los sair".

Tokayev, apoiado pela Rússia, chamou os distúrbios de tentativa de golpe que deixou dezenas de mortos, centenas de feridos e cerca de 10.000 pessoas presas.

AFP / Estado de Minas

Novo laser da China não foi projetado como arma – mas uma versão maior pode ser

 




Na última sexta-feira (7), o jornal South China Morning Post noticiou que a China desenvolveu um dispositivo a laser que poderia ser montado em um satélite para permitir comunicações de alta velocidade, bem como o rastreamento e identificação de alvos.

Segundo um pesquisador não identificado da Academia Chinesa de Ciências, esse dispositivo em particular, que pesa menos de 3,3 kg (incluindo a fonte de energia), não é uma arma. No entanto, ele reforça o coro de outros especialistas de que “uma versão maior pode ser”.

De acordo com a publicação, tal aparato poderia destruir alvos distantes gerando ondas de choque. Partículas carregadas também podem ser usadas para danificar sensores dos sistemas de orientação de mísseis dos adversários — uma ameaça muito real aos ativos espaciais dos concorrentes da China.

EUA impuseram sanções à China

Embora os EUA recentemente tenham imposto sanções aos esforços de desenvolvimento a laser da China, o país está trabalhando simultaneamente em seu próprio sistema de armas de 1 megawatt baseado em laser destinado à órbita.

O artifício foi projetado para ser capaz de derrubar armas hipersônicas antes que atinjam seus alvos. No entanto, não seria o caso do novo dispositivo a laser anunciado recentemente, que se prepara para sua primeira missão de teste no espaço após vários testes terrestres.

Além disso, a China também está fazendo grandes avanços no desenvolvimento de lasers que permitem aos satélites tirar imagens altamente detalhadas e transferir dados de volta para o solo em velocidades extremamente altas.

O uso de lasers em campos de batalha está se tornando mais comum a cada ano. No mês passado, os EUA neutralizaram com sucesso um alvo flutuante de um navio da Marinha em movimento. Resta esperar, no entanto, para saber quando a tecnologia de energia armada fará sua estreia no espaço.

Yahoo / DefesaNet

A bem da verdade




Após meses submersos, militares voltam à tona contra o negacionismo, a favor da verdade

Por Eliane Cantanhêde (foto)

Depois de um mergulho temerário no bolsonarismo, dos solavancos que levaram à demissão de toda a sua cúpula e dos vexames do general Eduardo Pazuello e seus coronéis na Saúde, as Forças Armadas submergiram e saíram do foco e do noticiário por um bom tempo. Voltam à tona agora afirmativas e sob aplausos de boa parte da opinião pública que andava ressabiada com os militares.

Não é trivial que na mesma semana um contra-almirante da Marinha reaja a acusações levianas do presidente e o Exército emita diretrizes em perfeita discordância com o que o presidente prega o tempo todo na pandemia. Até os militares estão perdendo a paciência com o capitão insubordinado Jair Bolsonaro.

A comparação é inevitável e leva a uma reflexão: o que se espera dos nossos militares? Agir com a sabujice do general da ativa Pazuello a favor do chefe e contra a saúde, ou com a altivez e responsabilidade do contraalmirante da reserva Antônio Barra Torres a favor da ciência?

Pazuello desmereceu o Exército ao fazer papel de bobo na Saúde, enquanto Bolsonaro e seu gabinete paralelo é que mandavam e coronéis da pasta se metiam em escândalos. “É simples assim: um manda, o outro obedece”, disse o general.

Já Barra Torres, que também é médico, preside a Anvisa e teve um mau momento sem máscara numa aglomeração com Bolsonaro. Sua lealdade, porém, é à ciência e à agência, seus quadros e decisões técnicas. Lá atrás, já advertia contra a cloroquina. Depois, disse a verdade na CPI da Covid. Agora, é firme contra insinuações inaceitáveis.

Bolsonaro não deixou alternativa a ele ao dizer que há “interesses” (econômicos?) da Anvisa na vacinação das crianças. Já o almirante deu duas alternativas ao acusador: ou se retrata ou prova que teve corrupção, sob risco de prevaricação.

Já o Exército incomodou o presidente com diretrizes de combate à pandemia. Nada demais. Só a atualização da condenação a mentiras (hoje fake news) já prevista no Código Penal Militar e das regras anticovid adotadas pelo general Paulo Sérgio Oliveira antes mesmo de assumir o Comando da Força.

O presidente queria um desmentido quanto às fake news e à exigência de vacinas, mas o comandante explicou a ele num café da manhã que apenas alinhou suas medidas com as da Defesa. Está tudo lá. Bolsonaro iria bater de frente com mais um ministro, o general Braga Netto, seu apoiador?

O que continua nebuloso para civis, até do Centrão, e militares, até bolsonaristas, é o que Bolsonaro ganha, ou acha que ganha, com seu negacionismo absurdo. 

O Estado de São Paulo

As violentas tempestades solares que ameaçam a Terra




Explosões solares violentas podem causar danos sérios à estrutura tecnológica que usamos todos os dias

Por Chris Scott*,  Professor da Universidade de Reading, no Reino Unido

Cientistas vêm alertando que uma violenta tempestade solar poderia interromper as comunicações na Terra e causar enormes danos econômicos. Por que as tempestades solares são uma ameaça tão grande?

Em 1972, dezenas de minas marítimas perto da costa do Vietnã explodiram misteriosamente - e foi recentemente confirmado que as explosões foram causadas por tempestades solares, que podem desestabilizar significativamente o campo magnético da Terra.

Hoje em dia, os efeitos de um evento como esse poderão ser muito mais sérios, prejudicando a tecnologia que usamos para tudo, desde satélites até redes de eletricidade. O custo para a economia de um evento inesperado como esse, somente no Reino Unido, foi estimado em 16 bilhões de libras (R$ 122,5 bilhões).

Existem boas razões para nossa vulnerabilidade a eventos que acontecem a milhões de quilômetros da Terra.

O que causa um evento solar extremo?

O Sol é uma estrela - uma massa de hidrogênio em ebulição, carregado de eletricidade. À medida que esse fluido se move, ele acumula energia no seu complexo campo magnético.

Essa energia magnética é liberada por intensos raios de luz conhecidos como erupções solares e por vastas emissões de material e campos magnéticos conhecidos como ejeções de massa coronal ou tempestades solares.

Embora as erupções possam prejudicar as comunicações por rádio na Terra, as tempestades solares são as que apresentam maiores ameaças. Cada tempestade contém energia equivalente a 100 mil vezes todo o arsenal nuclear do mundo, mas essa energia é espalhada ao longo de um enorme volume no espaço.

'A aurora boreal é um dos efeitos das tempestades solares sobre o campo magnético da Terra'

O Sol gira como um imenso conjunto de fogos de artifício giratórios, lançando emissões em todas as direções no espaço. Se uma dessas erupções for lançada em direção ao nosso planeta e seu campo magnético estiver em alinhamento oposto ao da Terra, os dois campos podem se unir. À medida que a tempestade solar varre o espaço, parte do campo magnético da Terra é distorcida em uma longa cauda.

E, no momento em que esse campo magnético distorcido se alinha novamente, ele acelera partículas eletrificadas em direção à Terra. Aqui, elas atingem a atmosfera superior e a aquecem, brilhando de forma espetacular e formando o que é conhecido como a aurora austral e boreal.

Mas essa distorção do campo magnético da Terra tem outros efeitos mais significativos. Acredita-se que ela tenha acionado as minas marítimas na costa do Vietnã em 1972. As minas haviam sido projetadas para detectar pequenas variações do campo magnético causadas pela aproximação de navios com cascos metálicos. Mas seus engenheiros não imaginaram que a atividade solar poderia ter o mesmo efeito.

Quando ocorrerá o próximo evento solar extremo?

Os cientistas estão em busca de indicações sobre o que ocasiona essas vastas erupções e, depois que elas tenham sido lançadas pelo Sol, como rastreá-las através do espaço interplanetário.

Nossos registros do campo magnético da Terra remontam a meados do século 19. Eles sugerem a probabilidade de ocorrência de um evento extremo do clima espacial a cada 100 anos, mas eventos menores ocorrem com mais frequência.

Em 1859, o Evento Carrington - a maior tempestade solar já registrada - causou fagulhas em sistemas telegráficos e a aurora boreal foi observada até nas Bahamas.

Na próxima vez em que ela acontecer, seus efeitos provavelmente serão muito mais sérios.

'Observadores acompanham o lançamento de um satélite. Os satélites são propensos a sofrer sérios danos em caso de eventos solares extremos'

A cada ciclo de atividade solar, nossa comunidade global torna-se mais dependente da tecnologia. Atualmente, os satélites espaciais são fundamentais para a comunicação e a navegação global, enquanto aeronaves conectam os continentes e extensas redes elétricas cruzam o planeta. Todos eles poderão ser seriamente afetados em consequência de eventos solares extremos.

Os sistemas eletrônicos dos aviões e espaçonaves poderão ser danificados, pois partículas de energia aceleradas na nossa atmosfera podem destruir seus circuitos eletrônicos miniaturizados. Já as redes de energia em terra podem ser sobrecarregadas pelo excesso de corrente elétrica.

Como podemos nos planejar

Vários satélites e redes elétricas falharam durante os últimos eventos espaciais, deixando claro que o Sol precisa ser cuidadosamente monitorado, para ajudar a prever quando uma tempestade solar irá afetar a Terra.

Especialistas em previsões estão trabalhando nisso em todo o mundo, desde os Escritórios Meteorológicos do Reino Unido e da Austrália até o Centro de Previsão do Clima Espacial Noaa, nos Estados Unidos. Se tudo correr bem, eles podem detectar quando uma tempestade estiver se dirigindo à Terra e prever seu horário de chegada com seis horas de antecedência.

Essa previsão ainda oferece relativamente pouco tempo de preparação, mas poderá reduzir os custos para a economia do Reino Unido, por exemplo, de 16 bilhões para 3 bilhões de libras (de R$ 122,5 bilhões para R$ 23 bilhões).

O clima espacial agora está incluído no registro de riscos do governo do Reino Unido, ao lado de outros riscos mais conhecidos, como pandemias de gripe e inundações graves. O clima espacial é considerado um risco equivalente a uma severa onda de calor ou ao surgimento de uma nova doença infecciosa.

As agências governamentais estão agora se comunicando com as companhias de energia, operadoras de espaçonaves e companhias aéreas para garantir que elas tenham planos estabelecidos para limitar o impacto de eventos extremos do clima espacial. É fundamental, por exemplo, garantir que haja energia suficiente para refrigerar estoques de alimentos e remédios, bem como garantir que a água e o combustível possam ser bombeados conforme o necessário.

Se a comunicação com alguns satélites for perdida, tecnologias conhecidas como satélites de navegação e televisão por satélite poderão parar de funcionar. Os engenheiros das espaçonaves estudam eventos extremos para poder fornecer resistência aos veículos espaciais, protegendo circuitos eletrônicos vulneráveis e instalando sistemas de backup.

'Com as previsões de eventos solares extremos, as companhias aéreas podem alterar a rota de voos que passam pelas regiões polares'

Previsões precisas do clima espacial permitirão que os operadores protejam melhor seus equipamentos, garantindo sua segurança depois que a tempestade passar.

Muitos aviões voam sobre o polo norte em suas viagens entre a Europa e a América do Norte. Durante eventos espaciais, os operadores das aeronaves desviam seus aviões para longe dos céus polares, por onde a maior parte das partículas de energia entra na atmosfera da Terra. Esse desvio permite limitar a exposição a doses elevadas de radiação e garantir comunicação via rádio confiável.

Nós aprendemos muito sobre o clima espacial desde os eventos de 1972, mas, à medida que as tecnologias modernas evoluem, precisamos garantir que elas possam suportar até as piores condições que o Sol pode nos oferecer.

* Chris Scott é professor de física atmosférica e espacial da Universidade de Reading, no Reino Unido.

BBC Brasil

Resposta adequada a uma leviandade - Editorial




Não se sabe se Bolsonaro responderá legalmente pela acusação feita contra os servidores da Anvisa, mas nota de Barra Torres está à altura da agressão

No sábado passado, o diretor-presidente da Anvisa, Antonio Barra Torres, publicou uma nota corajosa, em tom marcadamente pessoal, como resposta à grave acusação feita pelo presidente Jair Bolsonaro de que interesses escusos de servidores da agência sanitária teriam motivado a aprovação da vacinação de crianças entre 5 e 11 anos contra a covid-19. “Qual o interesse da Anvisa? Qual o interesse daquelas pessoas taradas por vacinas?”, insinuou Bolsonaro, em mais uma demonstração de que é indigno do cargo no qual, infelizmente, foi investido.

O tempo vai dizer se a acusação leviana – mais uma do presidente, digase – terá alguma consequência legal. A rigor, deveria ter. O que Bolsonaro fez foi lançar dúvidas infundadas sobre a honestidade de servidores públicos que, após analisarem os estudos de segurança e eficácia do imunizante da Pfizer para o público infantil, o mesmo já aplicado em crianças daquela faixa etária em diversos países, decidiram autorizar a vacinação infantil como forma de aumentar o nível de proteção dos brasileiros contra uma doença que já causou a morte de mais de 620 mil pessoas no País. Entretanto, ao menos por ora, a nota do contra-almirante Barra Torres já é por si só uma eloquente resposta à irresponsabilidade e à falta de espírito público que marcam a atuação de Bolsonaro no curso da pandemia.

Como diretor-presidente de uma agência estatal que, na insinuação do presidente da República, agiria motivada por interesses antirrepublicanos, se não criminosos, Barra Torres, com razão, sentiu-se pessoalmente atacado por Bolsonaro em sua honra e profissionalismo. O tom de sua nota, portanto, não haveria de ser outro que não o de uma resposta pessoal e direta a seu acusador. Com a indignação típica dos que se veem acusados de um crime que não cometeram – “Vou morrer sem conhecer riqueza, senhor presidente, mas vou morrer digno” –, e decerto respaldado pela autonomia que lhe assegura seu mandato à frente de um órgão de Estado, e não de governo, Barra Torres exortou Bolsonaro a agir como manda a lei, nada mais. “Se o senhor dispõe de informações que levantem o menor indício de corrupção sobre este brasileiro”, escreveu o diretor-presidente da Anvisa, “não perca tempo nem prevarique. Determine a imediata investigação policial sobre minha pessoa, aliás, sobre qualquer um que hoje trabalhe na Anvisa, que com orgulho eu tenho o privilégio de integrar.”

No início de seu mandato, havia dúvidas se Barra Torres, indicado pelo presidente da República para o cargo, não seria mais um esbirro de Bolsonaro na defesa de seus desatinos, e justamente no momento mais dramático da história da agência. Mas o tempo se encarregou de dissipar essas dúvidas. Como destacou em sua nota, o também médico Barra Torres tem marcado sua gestão à frente da Anvisa por colocar a ciência acima da política, “a razão à frente do sentimento”, o interesse público acima dos interesses eleitorais de quem o indicou.

Afirmando ser “cumpridor dos mandamentos” cristãos e jamais ter levantado “falso testemunho”, Barra Torres pediu que Bolsonaro “exerça a grandeza que o seu cargo demanda e, pelo Deus que o senhor tanto cita, se retrate”.

É improvável que o presidente mande instaurar investigação ou se retrate. Primeiro, porque não há indício de corrupção envolvendo a aprovação técnica das vacinas pela Anvisa a ensejar a abertura de um inquérito policial. Segundo, porque este é exatamente o modus operandi do presidente da República: a Bolsonaro não interessam os fatos, interessa apenas lançar mentiras e teorias conspiratórias no ar para que elas circulem no esgoto das redes sociais e dos aplicativos de mensagem, onde ganham vida própria e excitam a base de apoio radical ao presidente.

Bolsonaro desconhece limites legais, institucionais e morais para fazer valer seus interesses particulares. A acusação infundada contra os servidores da Anvisa é uma pequena amostra do que ele será capaz de fazer neste ano eleitoral, quando o que está em jogo é a continuidade de seu projeto pessoal de poder. 

O Estado de São Paulo

A tragédia do Capitólio é a alegoria de um desastre nacional

 




O apagão de dados do SUS, que impossibilita uma avaliação precisa da propagação da variante ômicron da covid-19, não impede que as pessoas fiquem doentes

Por Luiz Carlos Azedo (foto)

Muito usada por pensadores gregos, como Platão, autor da mais famosa delas, o Mito da Caverna, uma alegoria pode ter vários significados, que transcendem ao seu sentido literal. Representa uma coisa por meio da aparência de outra, uma metáfora ampliada. Com 10 pessoas mortas — todas já identificadas, a maioria da mesma família, ocupantes da lancha Jesus, atingida pelo desmoronamento de parte de uma das escarpas do grande cânion da represa de Furnas —, a tragédia do Capitólio (MG) é a alegoria de um desastre nacional anunciado.

Registrado por meio de vídeos e fotos de turistas que presenciaram a tragédia, o flagrante do acidente do Capitólio é chocante. Em circunstâncias normais, um passeio de lancha no local contrastaria fortemente com as imagens de desespero e dor de milhares de famílias desabrigadas pelas enchentes em diversas cidades mineiras, muitas das quais ainda submersas, repetindo o que ocorreu na Bahia há duas semanas. O que era para ser uma tarde de sábado magnífica se transformou na tragédia que comove o país, enquanto chuvas torrenciais castigam Minas Gerais.

Foi uma fatalidade. Entretanto, o gerenciamento de risco ensina que acidentes desse tipo não acontecem de uma hora para outra, são tecidos por meio de uma sucessão de fatos identificáveis e de consequências previsíveis. Contingências e erros acabam confluindo para um desfecho catastrófico. Em quaisquer circunstâncias, mesmo num período de seca, as rochas que desabaram se desprenderiam, porque a erosão progressiva da escarpa estava em curso irreversível. O fenômeno é muito estudado por geólogos. O Rio de Janeiro vive permanentemente esse tipo de problema, por causa de suas encostas, muitas delas ocupadas por favelas e/ou circundadas por habitações e logradouros. Ou seja, o acidente poderia ter sido evitado.

É uma metáfora com o que está acontecendo no país, neste começo de ano sob temporais. Fomos surpreendidos pela quarta onda da pandemia, que já chegou com tudo, conforme se pode observar por meios dos relatos de médicos e pelas imagens registradas no pronto-atendimento dos postos de saúde. O ministro da Saúde, Marcelo Queiroga, utiliza um subterfúgio antiquado para esconder da opinião pública o que está acontecendo: tapar o sol com a peneira. O apagão de dados do SUS, que impossibilita uma avaliação precisa da propagação da variante ômicron, não impede que as pessoas fiquem doentes. Uma epidemia de Influenza H3N2, que chegou ao país muito antes do previsto, agrava ainda mais a situação.

Nas redes sociais, circula um vídeo de um bando de pequenos pássaros numa praia que se movimentam de forma sincronizada: quando as ondas vêm, eles se afastam do mar; quando se vão, eles se aproximam das águas. Sempre tem uma ave mais afoita ou um retardatário que acabam alcançados pelas ondas. Um gozador resolveu comparar essas imagens com o nosso comportamento diante da covid-19. A grande maioria participou de confraternizações de Natal e ano-novo. Os mais afoitos ou descuidados acabaram doentes. Agora, diante do avanço da ômicron, os desfiles de blocos e escolas de samba, os bailes e outros eventos de carnaval estão sendo cancelados. As viagens também.

Vacinação

Medidas de prevenção estão sendo tomadas pelas autoridades sanitárias, prefeitos e governadores, porém, contrastam fortemente com o comportamento negacionista do presidente Jair Bolsonaro, cujas atitudes são previsíveis. Estima-se que a quarta onda dure de dois a três meses, com base no que aconteceu na África do Sul, onde surgiu a variante ômicron. Naquele país, com 56 milhões de habitantes, em 106 dias, os casos subiram de dois mil para 20 mil por dia e, depois, voltaram para dois mil. Estudos mostram que essa variante é menos letal do que a delta, mas é preciso levar em conta a diferença de escala demográfica, pois o Brasil tem 212 milhões de habitantes, ou seja, caso haja um grande número de contaminados, a baixa letalidade, em termos quantitativos, pode representar muitos óbitos.

Muitas pessoas com a terceira dose de vacina estão contraindo e propagando a doença, a maioria de forma branda ou assintomática. Cerca de 25% dos brasileiros não tomaram sequer a primeira dose da vacina, principalmente as crianças; 33%, tomaram somente uma dose. É muita gente, o que compromete o controle da pandemia. Por isso, é grande o risco sanitário. Por causa do apagão de dados do SUS, não se sabe bem o que está ocorrendo em termos estatísticos, mas os indícios de que a economia já está sendo afetada pela situação sanitária são evidentes, devido ao número de pessoas afastadas do trabalho, o que deve agravar a recessão e complicar ainda mais a situação da população de baixa renda, que sofre com a fome e o desemprego.

Correio Braziliense

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