terça-feira, janeiro 11, 2022

Bagunça administrativa se junta ao populismo fiscal - Editorial




Governo dá nova demonstração de amadorismo com a barafunda criada em torno do projeto de lei de um novo Refis para empresas de pequeno porte e microempreendedores individuais

O governo Jair Bolsonaro deu nova demonstração de amadorismo com a barafunda criada em torno do projeto de lei que criaria um novo Refis para empresas de pequeno porte e microempreendedores individuais. Mais do que a decisão de vetar integralmente o texto do parcelamento de dívidas tributárias do Simples Nacional, aprovado pelo Congresso em dezembro, causa espanto o grau de desarticulação entre as autoridades. Pode até ser algo esperado em um governo recém-empossado, não em uma administração que entra no quarto ano de mandato e pretende reeleger-se. No plano econômico, os desencontros cada vez mais frequentes entre Bolsonaro e o ministro Paulo Guedes minam o que resta de credibilidade da política fiscal.

O novo Refis - oficialmente batizado de Programa de Reescalonamento do Pagamento de Débitos no Âmbito do Simples Nacional (Relp) - permitiria a renegociação de até R$ 50 bilhões em dívida com o Fisco. O país tem hoje cerca de 16 milhões de micro ou pequenas empresas, além de MEIs, que sofreram com os efeitos da pandemia. Boa parte tem a continuidade de seus negócios ameaçada. Como sinal da crise, há quatro meses, a Receita Federal notificou 440.480 devedores do Simples com “significativo” valor pendente de regularização.

É defensável a justificativa técnica do Ministério da Economia e da Advocacia-Geral da União (AGU) para recomendar o veto - a necessidade de apontar compensação, possivelmente por meio de aumento de tributos, à renúncia fiscal acarretada pelo perdão das dívidas. O que deixa todo o panorama embaçado é a bagunça gerencial.

O projeto teve aprovação praticamente unânime dos deputados, em sua votação final na Câmara, e o governo em nenhum momento apresentou ressalvas públicas ao texto. Diante do posicionamento de seus auxiliares contra a sanção, Bolsonaro reagiu supostamente indignado na “live” semanal das quintas-feiras e aparentemente sem saber que a transmissão havia começado, desdenhando “os caras [que] queriam que eu vetasse o Simples Nacional”. Mandou os técnicos “darem um jeito” e reverterem o veto recomendado. Em vão. Um dos motivos para barrar o Refis teria sido incompatibilidade com a legislação eleitoral, que impediria novos benefícios em ano de ir às urnas.

Revelou-se que, entre a vontade política de sancionar e a sugestão técnica de vetar, o martelo foi batido às 23h36 da quinta-feira - a menos de meio-hora do limite máximo para uma decisão final. Literalmente, é isso o que dá deixar para a última hora. Foi uma atitude desnecessária. O novo marco legal das ferrovias, aprovado pelo Congresso na mesma semana do Relp, teve sanção presidencial - e vetos específicos - no dia 23 de dezembro. Tivesse se debruçado antes sobre potenciais conflitos do Refis para as micro e pequenas empresas, uma solução de compromisso talvez pudesse ter sido achada.

Assim, doses praticamente semanais de confusão vão se sucedendo, não apenas na área econômica, como se viu no recente atropelo da Anvisa sobre a vacinação de crianças e no apagão de dados da plataforma ConecteSUS. No campo orçamentário, a precipitação de Bolsonaro em sinalizar reajuste salarial para policiais deflagrou movimentos grevistas em outras corporações do serviço público e engendrou nova fonte de pressão por aumento de gastos em 2022.

Como consequência, 324 profissionais da Receita Federal entregaram seus cargos comissionados. Operação-padrão dos auditores já causa atrasos na liberação de cargas nos portos de Santos (SP), Itajaí (SC) e Pecém (CE). Servidores do Banco Central seguem pelo mesmo caminho. O funcionalismo ameaça uma primeira paralisação no dia 18. Bolsonaro abriu a caixa de Pandora.

Pressionado pela queda na popularidade, o presidente vai cedendo. Acrescenta, às trapalhadas administrativas, um mergulho no populismo fiscal. Pode-se entender dessa forma a MP 1.090, que concede abatimento de até 92% das dívidas do Fies, para pouco mais de 1 milhão de estudantes que deixaram de pagar suas prestações. O fundo de financiamento universitário tem R$ 123 bilhões a receber dos devedores e o Balanço Geral da União registrou, ao fim de 2020, ajuste para perdas de R$ 27,9 bilhões com o programa. Sem focalização, ignorando distinções entre quem poderia e quem não poderia pagar, a MP destrava a porteira para outro problema mais à frente: a judicialização dos contratos ativos por quem está em dia com o programa e se sentirá, não à toa, punido por respeitar seus compromissos.

Valor Econômico

Cazaquistão: governo diz que quase 8 mil pessoas foram detidas




Protestos no país já duram uma semana

Almaty (Cazaquistão) - Quase 8 mil pessoas foram detidas após uma semana de tumultos no Cazaquistão, informou hoje (10) o governo.

"Desde 10 de janeiro, 7.989 pessoas foram detidas", informou o Ministério do Interior em comunicado divulgado no site.

Pelo menos 164 pessoas morreram em protestos no país, segundo dados não governamentais, enquanto o governo aponta cerca de duas dezenas de mortos.

Os protestos transformaram-se em violência na semana passada e levaram a uma aliança militar liderada pela Rússia, responsável por enviar tropas ao país.

As autoridades disseram ter recuperado o controle dos edifícios administrativos ocupados pelos manifestantes, a quem o governo chama de "terroristas" com apoio estrangeiro, embora os protestos não tenham mostrado líderes ou organizações óbvias.

O ex-chefe da agência antiterrorismo do Cazaquistão Karim Masimov foi detido por suspeita de tentar derrubar o governo, poucos dias depois de ter sido demitido do cargo de chefe do Comitê de Segurança Nacional.

Rico em hidrocarbonetos, o Cazaquistão foi abalado por onda de protestos sem precedentes desde a sua independência, em 1989, que resultaram na morte de dezenas de pessoas.

Os protestos começaram domingo (2) nas províncias, após subida do preço do gás, antes de se espalharem pelas grandes cidades, especialmente Almaty, onde as manifestações se transformaram em tumultos contra o regime.

Um contingente de tropas da Rússia e outros aliados de Moscou chegou ao Cazaquistão na quinta-feira (6) para apoiar o governo, protegendo edifícios estratégicos e colaborando na operação antiterrorista e de manutenção da paz.

RTP - Rádio e Televisão de Portugal

Agência Brasil

Coreia do Norte lança 'projétil não identificado'

 




A Coreia do Norte lançou um "projétil não identificado no Mar do Leste, disseram as forças armadas sul-coreanas citadas pela agência de notícias Yonhap, menos de uma semana depois que Pyongyang testou um míssil hipersônico.

O lançamento também foi relatado pela guarda costeira japonesa, que indicou que era um "objeto semelhante a um míssil".

"O Estado-Maior Conjunto (sul-coreano) anunciou o lançamento em uma mensagem de texto aos jornalistas sem dar detalhes", disse a Yonhap.

O lançamento ocorreu depois que seis países, incluindo os Estados Unidos e o Japão, pediram à Coreia do Norte que cesse as "ações desestabilizadoras" antes de uma reunião do Conselho de Segurança da ONU para discutir o teste do míssil que Pyongyang chamou de "hipersônico".

Em uma reunião do partido governista norte-coreano em dezembro, o líder Kim Jong Un prometeu continuar fortalecendo o aparato militar do país.

Sob seu comando, a Coreia do Norte tem visto um rápido avanço na tecnologia militar, pelo qual enfrenta sanções internacionais.

Em 2021, a Coreia do Norte disse que testou com sucesso um novo tipo de míssil balístico lançado por submarino, uma arma lançada por trem e a ogiva hipersônica.

AFP / Estado de Minas

Sem prestígio internacional, Brasil enfrenta erosão da democracia

 




O ex-ministro das Relações Exteriores Ernesto Araújo cunhou um nome ao Brasil que colou como chiclete na imagem internacional. “Que sejamos pária”, disse o diplomata ao falar sobre o papel do país no mundo. Ao mitigar políticas ambientais e deteriorar a democracia nos últimos três anos, o solo tupiniquim se colocou à margem da sociedade internacional.

A questão, no entanto, vai além da fala de um embaixador. O presidente Jair Bolsonaro (PL) se tornou um chefe de Estado contestado pela comunidade internacional. Bolsonaro se utiliza de dados sem comprovação ou equivocados sobre a Amazônia — o que preocupa a maioria dos chefes de Estado. Desde sua primeira aparição para o mundo no Fórum Econômico Mundial, ocorrida em Davos, na Suíça, em janeiro de 2019, já parecia um “estranho no ninho”.

Para Alexandre Uehara, doutor em ciência política e coordenador do centro brasileiro de negócios internacionais da Escola Superior de Propaganda e Marketing (ESPM), o Brasil chegou a situação de pária porque falta percepção do governo sobre quem é o Brasil no cenário internacional e como são as relações com os outros países. De acordo com o especialista, a percepção do Executivo é “muito presunçosa”. “Como se o Brasil fosse um país totalmente independente e que pudesse viver sem as relações com os demais países”, afirmou.

Uehara aponta que não se pode ignorar a dependência do Brasil frente às outras nações. “Apesar de ser considerado um país pujante, ainda é uma economia fechada. O governo considera que pode fazer o que desejar sem prestar contas à comunidade internacional, o que não é verdade, isso terá consequências nas relações com os demais países”, disse.

Chave

Além de implodir a democracia brasileira, Bolsonaro se afasta da principal política de alinhamento internacional com o Brasil: o meio ambiente. A falta de conhecimento e apresentação de dados imprecisos sobre a Amazônia pelo presidente brasileiro são um soco no estômago do Brasil na comunidade internacional. Além disso, o país deixou importantes acordos como o de Paris e do Pacto Global das Migrações.

“O Brasil nunca protestou. Medidas não foram tomadas para proteger, ou praticar política antidumping. Daí vieram uma série de medidas ilegais. Ele começou a passar um trator em cima das entidades. Demitiu o diretor do Inpe porque os dados da Amazônia estavam “errados”, além de desmantelar as organizações ambientais. Bolsonaro já estava grifado no mundo por sua postura ambiental”, avalia Paulo Roberto Almeida, diplomata e ex-presidente do Instituto de Pesquisa de Relações Internacionais (Ipri).

O afastamento das questões ambientais também preocupa o legislativo. De acordo com o presidente da Câmara dos Deputados, Arthur Lira (PP-AL), a imagem desgastada do Brasil no exterior é resultado, em primeiro lugar, da má gestão do meio ambiente brasileiro e as consequências são graves. “Há projetos importantes como a lei de licenciamento ambiental, da grilagem e a do agrotóxico. Essas pautas deverão ser debatidas independente do governo para o ano que se inicia”, afirmou ao Correio.

O líder da Frente Parlamentar Ambientalista, deputado Rodrigo Agostinho (PSB- SP), afirma que o colegiado acompanha mais de mil projetos ambientais. “Existem 5 propostas que chamam a atenção internacional: a lei de licenciamento ambiental e a lei da grilagem que estão no Senado, as propostas que acabam com terras indígenas, a legislação de mineração e a lei do veneno. Uma parte será aprovada e a última esperança será o Judiciário. O preço será caro pois teremos muita retaliação comercial. A Europa já está tirando produtos brasileiros das prateleiras”, frisou.

Economia internacional

A deterioração do PIB também é um ponto no qual o atual governo chama a atenção da comunidade internacional. No índice de liberdade econômica do think-thank Heritage Foundation Freedom of the World, que mede 12 liberdades – de direitos de propriedade e liberdade financeira – em 184 países, o Brasil pontuou 53.4 e ficou atrás da média global dos 48 países mais pobres da África Subsaariana, que pontuou 55.7. É a primeira vez desde 1996 que isso acontece.

No comércio exterior, o país fica cada vez mais aquém. Com a China, principal parceiro comercial, esta é a pior relação dos últimos anos. Segundo Alexandre Uehara, o Brasil se coloca como imprescindível para a China, o que não é verdade. “O Brasil hoje depende muito mais da China do que o oposto”, disse. Segundo o especialista, as relações do Brasil com a Ásia ainda é tímida. “O que falta ao Brasil, é olhar com mais cuidado para os países asiáticos de uma forma geral, dado que o mundo percebe a região como o futuro. O Brasil precisa de planejamento”, avaliou.

Cidadão prejudicado

A situação afeta a vida do cidadão comum. Paulo Roberto destaca que o impacto da falta de articulação internacional é “muito grave para os brasileiros”. De acordo com o ex-embaixador, “há impactos no comércio, na gestão sanitária e no Orçamento Público. Mandaram o Exército fazer toneladas de cloroquina, desperdiçando dinheiro. Há impacto no programa interno, erosão da democracia, ataque a instituições. No plano da credibilidade humana é um pária de direito e de fato. Na questão comercial, toda vez que ele (Bolsonaro) falava, o real caía e o dólar subia.

O custo dessa reconstrução de credibilidade ainda é incerto. Para Alcides Costa Vaz, professor do Instituto de Relações Internacionais da Universidade de Brasília, é possível, mas demandará um grande esforço. “Há no seio da comunidade internacional o reconhecimento de que as atuais posições do Brasil não são condizentes com aquelas tradicionalmente perseguiu. Antes de mais nada é necessário uma mudança no comando da política externa, resgatando as suas posições tradicionais, procurando reinserir o país nos principais fóruns de negociação multilateral a uma agenda global.

Correio Braziliense / Daynews

Líder deposta de Myanmar é condenada a mais quatro anos de prisão




Julgamento poderá resultar em décadas de reclusão

A líder deposta no golpe de Estado promovido pelos militares em Myanmar, Aung San Suu Kyi, foi condenada hoje (10) a mais quatro anos de prisão, em julgamento que poderá resultar em décadas de reclusão. 

A ex-líder de Myanmar (antiga Birmânia), de 76 anos, que ganhou o Prémio Nobel da Paz em 1991, está em prisão domiciliar desde o golpe militar de 1º de fevereiro de 2021. Entre outras coisas, ela foi considerada culpada pela importação ilegal de walkie-talkies. 

Aung San Suu Kyi tinha sido condenada em dezembro a quatro anos de detenção por violação das restrições para conter a covid-19, pena reduzida depois para dois anos pelos generais no poder.  Ela cumpre a primeira pena, incomunicável, há quase um ano.

O porta-voz da junta militar, major-general Zaw Min Tun, disse que Suu Kyi permaneceria em prisão domiciliar enquanto fosse julgada.

A nova condenação "corre o risco de irritar ainda mais o povo birmanês", disse Manny Maung, da organização não governamental Human Rights Watch.

"Os militares estão usando essa tática de medo para mantê-la arbitrariamente detida e fora da arena política, acrescentou.

RTP - Rádio e Televisão de Portugal

Agência Brasil

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Aung San Suu Kyi é condenada a mais quatro anos de prisão

Líder deposta de Mianmar está detida desde golpe militar em fevereiro de 2021 e já havia sido condenada a dois anos de prisão em dezembro. Organizações internacionais acusam motivação política contra a Nobel da Paz.

Um tribunal em Mianmar sentenciou nesta segunda-feira (10/01) a líder civil deposta Aung San Suu Kyi a mais quatro anos de prisão, segundo fontes familiarizadas com os processos jurídicos que correm sob exclusão da imprensa e da opinião pública.

A laureada com o Nobel da Paz em 1991 foi acusada de violar medidas restritivas para conter a propagação do coronavírus e de importar e possuir walkie-talkies sem licença. No que diz respeito aos aparelhos, ela teria violado leis de comunicação e de importação-exportação válidas no país asiático.

No caso das acusações de quebrar as regras sanitárias do coronavírus, Suu Kyi foi condenada por acenar a apoiadores, apesar de estar usando máscara e um escudo protetor de plástico no rosto.

Aos 76 anos, Suu Kyi enfrenta atualmente 12 processos legais e é acusada de uma série de crimes, incluindo violar a lei de segredos de Estado e leis de comércio internacional. Segundo especialistas, ela poderia ser condenada a mais de 100 anos de prisão, se for considerada culpada de todas as acusações.

Roupas de prisão

Num primeiro veredicto, em dezembro, Suu Kyi foi condenada a quatro anos na prisão, por incitação à agitação popular e violação de regras sanitárias na pandemia de covid-19. Em seguida, a junta militar que lidera Mianmar decidiu reduzir a pena pela metade.

Não está claro se Suu Kyi deverá cumprir pena na prisão ou se continuará em prisão domiciliar. Desde sua primeira condenação, ela comparece ao tribunal em trajes de prisioneira fornecidos pelos militares (uma blusa branca e uma saia longa e marrom).

Ela está detida pelos militares num lugar desconhecido. Segundo a TV estatal, é lá que ela deverá cumprir sua pena. As duas penas deverão ser cumpridas simultaneamente.

Como os processos são fechados ao público, não é possível saber qual foi a reação de Suu Kyi ao anúncio da sentença.

Sem contato com o exterior

Aung San Suu Kyi foi presa em 1 de fevereiro do ano passado, horas antes de uma junta militar depor os líderes civis eleitos democraticamente no país e prender figuras-chave do partido da oposicionista, a Liga Nacional pela Democracia (NLD). A legenda venceu com ampla vantagem as eleições gerais em Mianmar em 2020, mas os militares afirmaram que a votação havia sido fraudada, informação da qual observadores internacionais duvidam.

Especialistas em direito suspeitam que a junta militar queira silenciá-la para legitimar a tomada de poder e impedir Suu Kyi de voltar à política. Ela já passou 15 anos em prisão domiciliar antes de sua última libertação, que abriu caminho para que se tornasse a chefe de governo em 2016.

O Comitê do Nobel em Estocolmo emitiu declaração afirmando que está "profundamente preocupado" com a situação da líder deposta. Segundo a diretora do comitê, Berit Reiss-Andersen, "a última decisão contra Aung San Suu Kyi tem motivação política".

O governo militar não autorizou ninguém do exterior a se encontrar com a laureada do Prêmio Nobel da Paz desde que tomou o poder, apesar de pressão internacional para diálogos incluindo Suu Kyi, o que poderia abrandar a violenta crise política que abala o país.

"Refém política de militares"

As condenações divulgadas nesta segunda-feira foram criticadas de maneira veemente por Phil Robertson, vice-diretor de assuntos relacionados à Ásia da organização de defesa dos direitos humanos Human Rights Watch.

"O circo da junta de Mianmar em tribunais, com processos secretos sobre acusações fictícias, só tem como objetivo amontoar constantemente condenações contra Aung San Suu Kyi, para que ela permaneça na prisão indefinidamente", criticou.

"Mais uma vez, Aung San Suu Kyi se tornou um símbolo do que está acontecendo ao seu país, e voltou ao papel de refém política de militares obcecados em controlar o poder por meio do uso de intimidação e violência", acrescentou.

Logo depois do golpe de Estado, houve protestos pacíficos em todo o país contra a deposição do então governo. A junta militar usou de força bruta para reprimir as manifestações e movimentos de resistência, e Mianmar está mergulhado em tumultos políticos.

A organização de ajuda humanitária AAPP (sigla em inglês para Associação de Assistência para Prisioneiros Políticos) afirma que mais de 1.400 pessoas foram mortas e cerca de 11 mil foram presas desde que os militares tomaram o poder.

As manifestações pacíficas prosseguiram, mas, em meio à violenta repressão, a resistência armada também cresceu. Especialistas das Nações Unidos alertaram que o país poderia estar a caminho de uma guerra civil.

Deutsche Welle

Desastres naturais provocaram prejuízo de US$ 280 bilhões em 2021

 




Estudo de seguradora alemã adverte que catástrofes naturais tendem a se tornar mais frequentes e extremas por causa das mudanças climáticas. EUA e Alemanha registraram maiores perdas por causa de desastres em 2021.

Por Elizabeth Schumacher

Uma das maiores seguradoras da Alemanha, a Munich Re, aponta em relatório divulgado nesta segunda-feira (10/01) que os desastres naturais ocorridos em 2021 provocaram prejuízos de US$ 280 bilhões de (R$ 1,58 trilhão) em todo o mundo.

O relatório destaca que esses desastres tendem a ficar mais frequentes ou severos por causa das mudanças climáticas.

Só nos EUA, os desastres naturais provocaram danos de US$ 145 bilhões. O país sofreu com furacões, tornados, incêndios e enchentes ao longo do ano passado.

Segundo o documento, "as perdas totais e as seguradas foram significativamente mais altas do que nos dois anos anteriores”. Em 2019, os prejuízos somaram US$ 52 bilhões.

Somente o furacão Ida, o desastre mais caro do mundo em 2021, acarretou prejuízos de US$ 65 bilhões.

Na Alemanha, o custo das enchentes devastadoras de julho de 2021 foi calculado em US$ 40 bilhões - de longe o desastre natural mais caro da história do país. O índice pluviométrico foi o mais alto registrado em um século.

Aquecimento global

"O dilúvio causou enchentes repentinas que devastaram incontáveis edifícios, além de causarem danos graves em infraestruturas como estradas, linhas férreas, pontes e rodovias. Mais de 220 pessoas morreram”, destacou o relatório.

Os consultores científicos que prestaram serviços para a seguradora alemã avaliaram que as mudanças climáticastendem a agravar os efeitos dos desastres.

"Algumas das ocorrências de clima extremo são do tipo que podem se tornar mais frequentes ou mais severas como resultado do aquecimento global. Entre estas, as tempestades extremas nos EUA ou as fortes chuvas seguidas de enchentes na Europa”.

"As imagens de desastres naturais em 2021 são preocupantes. A pesquisa climática confirma cada vez mais que as condições meteorológicas extremas se tornaram mais prováveis. As sociedades precisam se adaptar urgentemente aos crescentes riscos climáticos e fazer da proteção do clima uma prioridade", disse Torsten Jeworrek
membro do conselho de administração da Munich RE.

Deutsche Welle

Criação da moeda única trouxe prosperidade para a Europa, mas necessita ajustes ainda incompletos - Editorial




A criação da moeda única europeia completou duas décadas no início deste ano. Embora o euro já fosse usado como referência contábil em transações bancárias desde 1999, a troca do meio circulante ocorreu três anos depois num contexto de forte otimismo com o projeto europeu, apoiado maciçamente pela população.

O contexto político da época era propício. O passo final foi dado a partir da queda da cortina de ferro, que trouxe certa ansiedade.

O então presidente francês, François Mitterrand, considerava que a moeda comum seria um mecanismo para ancorar definitivamente a Alemanha —cuja dimensão econômica seria ainda mais dominante depois da unificação— na Europa Ocidental, e assim garantir a perenidade da paz no continente.

Na virada de 2002, 11 países substituíram suas moedas nacionais pelo euro (universo depois ampliado para 19), mas os impactos positivos foram sentidos muito antes.

A expectativa de sua criação propiciou um boom econômico ao longo da década de 1990, quando as taxas de juros dos esperados membros convergiram para a referência livre de risco de crédito, os títulos públicos emitidos pela Alemanha.

Com juros menores na periferia e transferências fiscais do bloco, houve forte crescimento e investimentos em infraestrutura em países como Espanha, Portugal e Itália, processo que se estendeu na década seguinte e foi interrompido apenas com a crise financeira de 2008, que confirmou as temidas fragilidades do projeto.

Nos anos que antecederam a crise, a percepção popular era de que as expectativas mais positivas estavam sendo cumpridas, com bom desempenho econômico geral e o crescimento do uso do euro internacionalmente e como moeda reserva, rivalizando com o dólar.

Os problemas legados pela crise, contudo, expuseram os excessos financeiros em países como Espanha, Grécia e Portugal, e trouxeram desconfiança quanto à solvência desses governos.

A falta de uma união bancária e a permanência de instituições fiscais separadas em nível nacional se mostraram críticas. A resistência dos países superavitários em aceitar transferências quase pôs o projeto a perder entre 2010 e 2014.

Tardiamente, mas de forma decisiva, o bloco conseguiu realizar melhorias institucionais e o pior da crise ficou para trás.

Mas o ajuste permanece incompleto, pois alguns países continuam a ter superávits nas contas externas frente a outros, com níveis muito distintos de prosperidade. Não por acaso, o apoio popular hoje é menor, mas os avanços dos últimos anos dão margem a otimismo quanto à perenidade do ambicioso projeto político e econômico.

Folha de São Paulo

Covid e cenário para juro nos EUA elevam incerteza




Fed mais duro e avanço da ômicron tornam o quadro para o Brasil em 2022 mais complicado

Por Sergio Lamucci 

As perspectivas para a economia brasileira no começo de 2022 tornaram-se um pouco mais complicadas. Com o avanço da ômicron, está em curso um aumento expressivo do número de casos de covid-19 no país, o que deverá ter algum efeito sobre a atividade econômica no primeiro trimestre, ainda que limitado. Além disso, o Federal Reserve (Fed, o banco central americano) indicou na semana passada que vai elevar os juros antes do que a maior parte dos analistas esperava. É uma notícia desfavorável para países emergentes como o Brasil, colocando pressão sobre as moedas desses países.

Por enquanto, esses dois aspectos ainda não provocaram revisões nas estimativas de crescimento para o ano, mas são dois pontos que apontam para um cenário mais complexo para o país. A expectativa dominante já era de uma economia fraca em 2022, dada a combinação de inflação resistente, juros em alta e incertezas fiscais e políticas elevadas, num ano de eleições presidenciais. O consenso de mercado é de um crescimento de apenas 0,36%, com alguns analistas projetando contração do PIB na casa de 0,5%.

Para o economista-chefe da MB Associados, Sergio Vale, a onda de contágio acelerado da ômicron deverá ter um “certo impacto” sobre a atividade, “especialmente em serviços que tendem a retomar com mais lentidão no primeiro trimestre”. Esse repique da pandemia ocorre num quadro de uma economia já enfraquecida, com inflação e juros mais elevados, o que pode ter o efeito “de manter o estado de estagnação”, afirma Vale. Ele ressalta que o resultado do PIB no quarto trimestre de 2021 pode ter sido negativo, considerando provável que “isso possa acontecer também no primeiro trimestre deste ano, especialmente por causa dos serviços.” No segundo e no terceiro trimestre do ano passado, o PIB já recuou em relação aos três meses anteriores.

Vale estima um crescimento de 4,5% em 2021 e de zero em 2022. No entanto, o peso adicional de um avanço mais forte da covid no começo do ano “pode levar o PIB para terreno negativo”, diz ele, explicando que a projeção de uma economia estável está muito atrelada aos juros altos e à incerteza eleitoral.

Em relatório sobre os impacto econômicos da ômicron, o Bank of America (BofA) afirma esperar um padrão de alta e queda abruptas de casos na maior parte dos países. O cenário-base da equipe do economista Ethan Harris é um choque de cerca de dois meses em cada região. Na visão do BofA, a evidência até o momento sugere que a fase aguda da ômicron deve durar cerca de metade da onda da variante delta. Na África do Sul, a delta levou 106 dias para fazer os casos subirem de 2 mil para 20 mil por dia e depois recuarem novamente para a casa de 2 mil. Extrapolando a tendência para a ômicron, essa trajetória tenderia a durar 60 dias. Por ser altamente transmissível, o BofA avalia que a nova onda atingirá os países em ondas sucessivas. A boa notícia é que a gravidade da doença causada pela ômicron parece bem menor do que a de uma variante como a delta, levando a um número mais baixo de hospitalizações e mortes, num momento em que fatias mais expressivas das populações estão vacinadas.

Nesse quadro, o maior impacto da nova onda sobre a economia global deve ser um choque curto e intenso na oferta de trabalho, afirmam os economistas do BofA. Segundo eles, é o que tem ocorrido nos EUA, onde o número de trabalhadores em quarentena pode atingir um pico de mais de quatro milhões. No âmbito global, o afastamento de funcionários do trabalho por causa da ômicron tende a provocar perturbações sucessivas em setores diferentes da economia, à medida que a variante passa a afetar com mais força as diferentes regiões do planeta, aponta o BofA. “Um ponto a se notar é que a ômicron ainda não se estabeleceu nos países asiáticos mais envolvidos nas cadeias globais de suprimento, caso de China, Japão, Coreia do Sul e as nações do ASEAN [bloco que reúne economias como Tailândia, Filipinas, Malásia, Indonésia, Vietnã e Camboja]”, observa o relatório do banco. “Isso significa que poderemos ver novas perturbações nas cadeias de oferta na primavera [no Hemisfério Norte], mesmo que o panorama para o sistema de saúde melhore significativamente nos EUA e na Europa.”

É um quadro que pode levar a um pouco menos crescimento e a um pouco mais de inflação. O efeito, porém, não deve ser muito forte, tanto pela menor gravidade dos casos provocados pela ômicron como pela expectativa de uma onda de menor duração. No Brasil, o aumento simultâneo dos casos de covid e de influenza tem afetado a mão de obra em alguns segmentos de serviços, como bares, restaurantes e companhias aéreas. Para Vale, a nova onda “deve causar impactos relativamente pequenos na economia”. Ele lembra que, no começo do ano passado, a segunda onda no Brasil foi muito mais agressiva, mas o efeito na atividade não foi tão forte. No caso de sua projeção para o PIB neste ano, de variação zero, isso pode ser suficiente para levar o número para o terreno negativo, ainda que os estragos não sejam grandes.

O avanço da vacinação no país é um trunfo importante, embora o governo de Jair Bolsonaro faça o possível para atrapalhar. O presidente busca sabotar e desacreditar a imunização de crianças, inventando obstáculos e difundindo informações falsas sobre o assunto. Além disso, não há dados precisos sobre a situação da covid-19 no país desde 10 de dezembro, quando houve um ataque cibernético aos sistemas do Ministério da Saúde. Até agora, a pasta não conseguiu normalizar a situação.

Nos primeiros dias do ano, mudou também o panorama para a política monetária dos EUA. A expectativa é que os juros americanos comecem a subir já em março e o Fed passe em seguida a reduzir o volume de ativos em seu balanço. Isso tende a elevar a aversão global ao risco, pressionando as moedas de países emergentes. É mais um fator a contribuir para a desvalorização do real, num cenário em que incertezas fiscais e políticas já mantêm a divisa brasileira muito mais depreciada do que o sugerido pela solidez das contas externas e pelo forte aumento da Selic, dificultando o combate à inflação. O Bradesco espera três altas de juros pelo Fed neste ano, a primeira delas em março, com a taxa subindo 0,25 ponto percentual por trimestre, até atingir 3% em 2023 - hoje, está entre zero e 0,25% ao ano. Como se vê, o fim da era do juro zero nos EUA está cada vez mais próximo, o que deve se traduzir num quadro global menos favorável para os emergentes ao longo deste ano e dos próximos.

Valor Econômico

Os "zoológicos humanos" da era colonial




Classificação de "tipos raciais" que realçava ideias racistas de superioridade na Europa

Até o século 20, espetáculos etnológicos promovidos por nações colonizadoras exibiam pessoas como objetos exóticos. Exposições em Bruxelas e Berlim jogam luz sobre esse capítulo sombrio da história colonial.

Por Sven Töniges

Em um amplo parque no subúrbio de Tervuren, em Bruxelas, 267 mulheres e homens da colônia belga do Congo eram exibidos como em um jardim zoológico.

Trazidos para a Bélgica a mando do rei Leopoldo 2º, eles foram abrigados em cabanas com telhados de palha em uma falsa "aldeia do Congo", para serem admirados pelo público europeu. Até 40 mil pessoas por dia iam observá-los durante a Feira Mundial de 1897.

Até o final do evento, sete congoleses morreram. Em sua homenagem, o AfricaMuseum de Tervuren – projetado como um museu colonial no final do século 19 e, desde então, reformado e renomeado diversas vezes – realizará até o dia 5 de março uma exposição especial: "Zoológicos humanos: a era das exposições coloniais".

"Superioridade europeia"

Na Conferência de Berlim de 1884-1885, também conhecida como Conferência da África Ocidental ou Conferência do Congo, o continente africano foi dividido entre 14 nações europeias. O rei belga Leopoldo 2º recebeu uma área 80 vezes maior do que o território de seu país para ser sua colônia particular: o Congo.

Seu museu de nome "Palácio Africano" em Tervuren, complementado pelas exposições com atracões vivas, não deixava dúvidas sobre a alegação europeia de uma suposta superioridade. Uma placa de bronze debaixo de uma imagem de Leopoldo 2º com duas crianças negras trazia a seguinte frase: "A Bélgica leva a civilização ao Congo."

Na realidade, porém, os belgas exploraram impiedosamente os recursos do país africano, com os nativos abusados na condição de trabalhadores ou trazidos para a Europa para serem expostos como animais.

Passatempo popular

O zoológico humano atraía multidões, conta o historiador e antropólogo Marteen Couttenier, um dos três curadores da exposição em Bruxelas.

Os congoleses eram apresentados, literalmente, como homens das cavernas, que dançavam com saias de ráfia, cheios de instintos primitivos. Eles jamais eram exibidos como intelectuais, artistas ou simplesmente como pessoas normais.

Isso tampouco era um fenômeno regional, afirma Couttenier. Pessoas de diferentes raças eram expostas e exibidas em toda a parte, na Europa, América, Japão e até na África. O mecanismo, porém, era sempre o mesmo. Os visitantes iam observar algo completamente estranho a eles, de modo a se sentirem "superiores".

Pseudociência de tipos raciais

Durante o auge do colonialismo europeu, exposições de africanos, "pele-vermelhas", ou lapões escandinavos, chamadas de "zoológicos humanos", viajavam por várias cidades como atracão popular. As pessoas exibidas eram classificadas usando-se um tipo rudimentar de antropologia "científica".

Um diagrama de 1903 de "tipos raciais" mostrava como as fantasias racistas de superioridade rebaixavam os não europeus ao nível dos primatas. Os poderes coloniais estavam realmente convencidos de sua "superioridade civilizada".

'Belgas afirmavam levar civilização ao Congo'

Na Alemanha, Carl Hagenbeck, comerciante de animais em Hamburgo e fundador de um zoológico, transformou a exposição de humanos em um modelo de negócios. Na Oktoberfest de Munique, a exposição "Selvagens dos mares do sul", apresentada pelo showman Friedrich Wilhelm Siebold, durou até 1931.

Exposição em Berlim sobre "zoos humanos"

A primeira exposição colonial realizada na Alemanha foi em 1896. Como parte de uma feira comercial em Berlim, os organizadores ergueram uma aldeia em um parque no bairro de Treptow.

Atraídos por promessas falsas, mais de 106 africanos das colônias alemãs foram levados para Berlim, onde foram forçados a se apresentarem para o público durante sete meses como aldeões em trajes exóticos. Eles eram constantemente submetidas a humilhações públicas e "exames raciais".

A exposição permanente Zurückgeschaut ("Olhar para trás") no Museu Treptow, reaberta em outubro de 2021, joga luz sobre esse capítulo sombrio e rastreia as biografias de pessoas que eram reduzidas a objetos.

'Exposição "Zurückgeschaut", em Berlim, rastreia as biografias de pessoas que eram reduzidas a objetos'

O evento também mostra como os colonizadores inesperadamente encontravam resistência quando as atracões das exposições saíam do papel a eles designado. Por exemplo, quando o camaronês Kwelle Ndumbe comprou um par de binóculos de ópera para observar o público.

Deutsche Welle

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