domingo, janeiro 09, 2022

Autocrata em apuros - Editorial




Erdogan faz aposta arriscada de política econômica heterodoxa para tentar manter seu poder em 2023

Quando chegou ao poder como premiê em 2002, Recep Tayyip Erdogan herdou uma hecatombe econômica na Turquia, que vira taxas de juros de 250% ao ano para tentar conter os preços.

Adotando políticas ortodoxas, conseguiu tirar o país da fase aguda da crise, o que somou-se a seu apelo ao eleitorado mais religioso e conservador no lançamento de um projeto de poder autocrático que ora se vê ameaçado.

O agora presidente da Turquia, após ter concentrado poderes e derrotado um golpe contra si em 2016, praticamente abriu guerra ao sistema financeiro internacional e às práticas consideradas de bom senso ao adotar uma agenda radical para enfrentar a crise que assola seu país desde a pandemia.

Em resumo, ele tem forçado o Banco Central turco a baixar as taxas de juros do país, mesmo com as ondas inflacionárias que varrem o mundo tendo atingido fortemente as costas turcas. Após flutuarem nos 19% durante boa parte do ano, os juros caíram para 14% agora.

Erdogan diz que isso irá dinamizar a economia e mitigar a inflação. Mas a realidade interveio, e os preços começaram a galopar, chegando a 36,1% no ano, o maior patamar em quase duas décadas.

Para piorar, a lira turca perdeu 45% de seu valor ante o dólar no ano, o pior desempenho no mundo. O governo bolou uma espécie de gatilho compensador para correntistas, tirando de suas reservas para garantir depósitos, o que é visto como suicida e insustentável.

O presidente parece querer emular Turgut Ozal, o premiê dos anos 1980 que desvalorizou a lira para fomentar exportações. Como Erdogan, ele tinha o Exército à mão para abafar queixas nas ruas, mas diferentemente do atual líder, contava com apoio irrestrito do Ocidente.

O presidente ainda tempera sua jogada com as usuais tintas islâmicas que tanto atraem críticas —a Turquia moderna é um projeto secularista dos anos 1920. Evoca a condenação do muçulmanismo à usura e chama juros de "pai e mãe dos males", de olho em sua base social mais aguerrida.

Pode dar ou não certo, embora os sinais sejam pouco encorajadores. Por todo o caráter autocrático de Erdogan, nos pleitos recentes a oposição ganhou em cidades vitais como Ancara, Istambul e Izmir.

No ano que vem, a disputa será presidencial. Exaurido o impacto de sua política externa agressiva, restou a Erdogan colocar todas as fichas numa aventura doméstica.

Folha de São Paulo

EUA alertam para aumento de crianças hospitalizadas com coronavírus




Crescimento ocorreu entre menores de quatro anos, faixa etária que não pode ser vacinada

Nos Estados Unidos, o número de crianças internadas em hospitais com teste positivo para o coronavírus aumentou vertiginosamente na semana passada atingindo os níveis mais altos desde o início da pandemia, de acordo com dados divulgados na sexta-feira pelo Centro de Controle e Prevenção de Doenças (CDC).

O aumento foi observado em crianças de 4 anos ou menos, que não são elegíveis para vacinação nos Estados Unidos, e os dados incluem aquelas admitidas em hospitais por motivos diferentes da Covid e depois testadas positivo.

O crescimento pode ser parcialmente explicado pelo aumento geral de casos de Ômicron, que bateu recordes essa semana no país. As autoridades americanas disseram não haver sinal de aumento nos casos graves.

Mais de quatro em cada 100 mil crianças com 4 anos ou menos admitidas em hospitais foram infectadas com o coronavírus em 1º de janeiro — o dobro da taxa relatada há um mês e cerca de três vezes a taxa desta época do ano passado.

Em contraste, a taxa de crianças hospitalizadas de 5 a 11 anos infectadas foi de 0,6 por 100 mil, aproximadamente a mesma taxa observada nos últimos meses, comprovando a importância da vacinação dessa faixa etária

As crianças infectadas com a variante correm menos risco de ficarem gravemente doentes do que os adultos, e mesmo crianças pequenas parecem menos propensas a precisar de ventiladores do que aquelas admitidas durante surtos anteriores, disseram os especialistas.

“Ainda não vimos um sinal de que haja um aumento da gravidade nessa faixa etária”, disse a diretora do CDC, Rochelle Walensky, em coletiva de imprensa.

Walensky reforçou que não houve aumento semelhante nas infecções por coronavírus entre crianças hospitalizadas de outras idades e a vacinação é a responsável por parte da disparidade, já que apenas 16% das crianças americanas de 5 a 11 anos estão totalmente vacinadas.

“Infelizmente, estamos vendo as taxas de hospitalizações aumentando para crianças de 0 a 4 anos, que ainda não são elegíveis para a vacinação contra Covid-19”, disse ela. “É extremamente importante que os cerquemos de pessoas que foram vacinadas para fornecer proteção.”

A agência também atualizou as recomendações para isolamento de professores e alunos infectados com o coronavírus e quarentena para aqueles expostos ao vírus. As recomendações alinham-se às feitas para profissionais de saúde e população em geral: um período de isolamento de cinco dias.

O Globo / Daynews

Mudanças climáticas: as nuvens que pairam sobre as promessas feitas na COP26




O progresso feito na conferência das Nações Unidas sobre mudanças climáticas, a COP26, já está em risco por causa dos desafios de 2022?

Por Matt McGrath

2021 foi um ano importante para as mudanças climáticas.

Além de uma série de eventos extremos e destrutivos influenciados pelo aumento das temperaturas, os últimos 12 meses viram um engajamento político sem precedentes sobre o assunto, culminando na cúpula da COP26, em Glasgow, em novembro.

Sem dúvida, houve progresso, e o impulso geral da reunião foi no sentido de uma ação mais rápida em uma série de medidas para reduzir as emissões.

Mas agora existem preocupações crescentes de que esse ímpeto possa se dissipar nos próximos meses.

O golpe mais doloroso vem dos Estados Unidos.

Próximo passo - China

O potencial fracasso do presidente americano, Joe Biden, em conseguir que sua lei Build Back Better ("reconstruir melhor", em tradução livre) seja aprovada no Congresso afetaria significativamente a capacidade dos Estados Unidos de cumprir as rígidas metas climáticas com as quais a Casa Branca se comprometeu.

Isso também afetaria enormemente a abordagem relativamente unificada das mudanças climáticas exibida entre os líderes mundiais na COP26.

"Tudo o que Biden prometeu levou a esta atmosfera relativamente boa em Glasgow", disse Joanna Depledge, pesquisadora do Centro de Cambridge para Meio Ambiente, Energia e Governança de Recursos Naturais.

"Mas essas eram apenas promessas, ele precisa passar o projeto de lei no Congresso. E isso agora está parecendo cada vez mais arriscado. Ele pode fazer algumas coisas com atos executivos, mas certamente não é uma mudança institucional sustentada da legislação climática como a que estamos almejando."

"Acho que a situação para nós é crítica."

O desespero entre muitos nos Estados Unidos com o possível fracasso do projeto de lei também terá repercussões em todo o mundo. Certamente será o caso na China, um país sobre o qual paira a percepção de que usou sua força política em Glasgow para conseguir o que queria. As dificuldades políticas de Biden são vistas como uma evidência de que "o Ocidente está declinando".

"Estou preocupado que, em 2022, a tensão geopolítica domine a agenda climática", disse Li Shuo, do Greenpeace no Leste Asiático.

Ele também está preocupado com o fato de que a introdução de impostos de carbono sobre produtos importados para a Europa possa aumentar um sentimento de injustiça e frustração em Pequim.

"O lado chinês verá como eles são tratados em relação aos outros e fará seu julgamento sobre se o jogo é justo e, o mais importante, se é sobre meio ambiente ou apenas geopolítica e comércio", disse ele à BBC News. "No geral, espero um ano mais turbulento pela frente. Os anos anteriores ao acordo de Paris foram um exemplo de geopolítica que ajudou a avançar a agenda climática. O que vem pela frente pode ser o contrário."

Essa visão pessimista encontra eco no fato de a COP do próximo ano ser realizada no Egito, e a seguinte nos Emirados Árabes.

"Nenhum desses países pode ser descrito como líder em termos climáticos", disse o professor J. Timmons Roberts, da Univerisdade Brown, nos Estados Unidos. "O lado bom é que a COP27 será em um país em desenvolvimento, e algumas questões como perdas e danos (quem paga pelo impacto das mudanças climáticas nos países mais afetados e como é pago) podem ter mais força, mas, na questão das reduções de emissões, não está claro se eles conseguirão liderar os debates."

Outra preocupação importante em 2022 é que alguns países podem simplesmente ignorar aspectos dos quais não gostam em relação ao pacto climático de Glasgow.

Uma medida importante no acordo foi o pedido de todos os países para "revisitar e fortalecer" suas promessas climáticas nacionais quando os delegados se reunirem no Egito no final de 2022.

Apesar de concordar com isso, vários países agora dizem que simplesmente não vão atualizar seus planos, entre eles Austrália e Nova Zelândia. O ministro do clima neozelandês, James Shaw, disse que essa disposição realmente se aplica somente a grandes emissores como Índia, China, Rússia e Brasil, que não fortaleceram significativamente seus planos a tempo de Glasgow.

'Um acordo para ajudar a África do Sul a se livrar do carvão pode se tornar um modelo para outros'

No entanto, também há alguns desdobramentos positivos iminentes que podem fazer uma diferença significativa no humor geral em relação às mudanças climáticas.

Durante a COP26, o Reino Unido, a União Europeia, os Estados Unidos, a Alemanha e a França concordaram em pagar US$ 8,5 bilhões para ajudar a África do Sul a abandonar o carvão. Agora, aqueles próximos às negociações dizem que dois novos acordos para ajudar a Índia e a Indonésia a fazerem o mesmo estão sendo costurados.

Isso sairá caro, na casa das dezenas de bilhões, mas se acontecer representará um grande passo. Acordos deste tipo, além do compromisso de dobrar o financiamento de ações de adaptação feito pelos países mais ricos, serão a chave para o progresso em 2022, dizem as autoridades.

O presidente da COP26, Alok Sharma, deixou claro que pretende avançar nos próximos meses nos esforços para garantir que os acordos firmados em Glasgow sobre desmatamento, carvão, finanças e automóveis comecem a ser implementados.

"O Reino Unido, como anfitrião da COP26, passou os últimos dois anos trabalhando incansavelmente com os países para construir confiança, o que nos permitiu entregar o pacto climático de Glasgow", disse ele à BBC News. "Continuaremos na mesma linha até 2022 para garantir que os países cumpram suas promessas, revisitem suas metas de redução de emissões, concretizem o fluxo financeiro e cumpram os muitos compromissos assumidos durante as duas semanas da cúpula."

Outro ponto positivo é o fato de a Alemanha presidir o grupo de países do G7. O colíder do Partido Verde alemão é agora o ministro das Relações Exteriores do país, então o clima continuará no topo da agenda diplomática internacional.

O investimento em infraestrutura após a pandemia de covid-19, especialmente em países de renda média, também oferece uma grande chance de realizar ações significativas para limitar as emissões.

A ameaça de um desastre

O acordo final sobre as regras para os mercados de carbono, firmado em Glasgow, coincidiu com um aumento recorde no preço das licenças de carbono na Europa e no Reino Unido.

Embora isso tenha desvantagens, um preço alto e sustentado do carbono poderia acelerar significativamente a transição para fontes de energia mais limpas.

Mas, como sempre, os eventos globais podem ver todos esses potenciais aspectos positivos empalidecerem rapidamente.

Disputas entre a Rússia e a Ucrânia, o não envolvimento da China e uma potencial surra dos democratas nas eleições de meio de mandato nos Estados Unidos podem atrapalhar ou pelo menos atrasar qualquer progresso futuro em relação às mudanças climáticas.

E parar ou dar pequenos passos agora seria um desastre para os esforços para manter o aumento das temperaturas globais abaixo de 1,5°C neste século. "No momento, etapas incrementais são uma sentença de morte", diz Roberts.

'Inundações na Malásia no final de 2021 tiveram um forte impacto sobre as pessoas e propriedades'

No entanto, o processo de negociações sobre o clima é altamente imprevisível - e mesmo quando as coisas parecem estar no seu pior momento, os países muitas vezes são capazes de fazer concessões suficientes para manter as coisas avançando.

O presidente da COP26 diz que está determinado a seguir em frente. "Sair da COP26 com o pacto climático de Glasgow foi um momento histórico, demonstrando o compromisso compartilhado do mundo em tomar ações climáticas reais", disse Alok Sharma.

"Olhando para o futuro, a questão mais urgente é a escala de tempo em que essa ação ocorrerá, e a realidade é que o mundo precisa agir em um ritmo muito mais rápido."

BBC Brasil

Tumulto nas eleições

 




Por Pablo Ortellado (foto)

Nesta semana, a invasão do Congresso americano completou um ano. Em 6 de janeiro de 2021, uma multidão que participava de comício convocado por Donald Trump se dirigiu ao Capitólio para tumultuar a sessão que sacramentaria o resultado das eleições vencidas por Joe Biden.

O que aconteceu naquele dia? Foi um protesto pacífico com episódios isolados de violência? Ou um tumulto orquestrado para atrapalhar a sessão? Foi uma tentativa fracassada de golpe de Estado? Qual a responsabilidade do ex-presidente Donald Trump e da cúpula do Partido Republicano? O que aconteceu em 2021 foi apenas um ensaio para 2024? Há bons motivos para acompanharmos o debate que tenta responder a essas questões, já que Estados Unidos e Brasil têm muitas semelhanças.

Quando acompanhamos a ascensão e consolidação de Donald Trump no Partido Republicano, chama a atenção como o então empresário e apresentador de TV passou de um candidato marginal e excêntrico — ironizado e duramente combatido pelas forças dominantes do republicanismo nas primárias de 2016 — a líder incontestável da legenda. Hoje praticamente não há espaço no Partido Republicano para quem diverge do ex-presidente. A transformação levou metade da classe política do país a aderir a teses conspiratórias sobre as eleições, além de a outras posições extremas em temas como pandemia e imigração.

Por aqui, a inabilidade de Jair Bolsonaro, combinada com seu discurso antipartidos, retardou a captura da classe política por seu projeto populista e autoritário. Mas a adesão entusiasmada de políticos do Centrão, sua entrada no PL e a perspectiva de formação de uma poderosa federação partidária com PL, PP e Republicanos mostram o risco de uma bolsonarização mais acentuada da classe política. As perspectivas ficam ainda mais sombrias se imaginarmos que, a esse grupo de partidos, poderia se juntar o União Brasil, fruto da aliança entre PSL e DEM — cenário hoje improvável, mas que poderia se dar para a formação de uma base parlamentar, na eventualidade de Bolsonaro assegurar um segundo mandato.

Bolsonaro não esconde que se inspira na estratégia de Trump para desacreditar por aqui o processo eleitoral. Nos Estados Unidos, a estratégia de alegar fraude falhou, e a invasão do Congresso, tenha sido planejada ou espontânea, não conseguiu reverter o triunfo eleitoral de Biden. Mas governadores republicanos estão agora adotando uma série de medidas para ter maior controle sobre o processo eleitoral, que nos Estados Unidos é descentralizado. Com isso, esperam poder controlar quais urnas contar e quais descartar, para conseguir determinar como o resultado será certificado nos estados. Funcionários que não aderiram ao discurso da fraude eleitoral foram demitidos e vêm sendo substituídos por outros, alinhados com a linha oficial do partido.

No Brasil, Bolsonaro parece ter suspendido, por ora, o discurso que desacreditava a urna eletrônica, aparentemente por receio de, como reação, o Supremo endurecer a investigação sobre seus filhos no inquérito sobre as ameaças à democracia. Apesar disso, a desconfiança relativa à urna eletrônica, fruto da campanha realizada em 2021, deverá seguir elevada. Cerca de 34% dos brasileiros tinham confiança baixa ou nenhuma confiança nela, e 31% confiança apenas moderada, de acordo com pesquisa da CNT/ MDA em julho do ano passado.

Segundo reportagem do jornal Folha de S.Paulo, exercícios militares previstos para o último trimestre de 2022 foram adiantados, e toda a tropa do Exército estará de prontidão no período pós-eleitoral para poder ser acionada em caso de conflitos semelhantes aos que aconteceram nos Estados Unidos. Segundo os militares, o risco de conflitos generalizados é remoto, mas é possível que tenhamos conflitos localizados.

A experiência americana nos ensina que, uma vez que a dinâmica de desconfiança no processo eleitoral é disparada, é difícil depois detê-la, sobretudo se abraçada por uma força política relevante. TSE e STF fizeram bem ao se engajar no debate sobre o voto impresso, seja defendendo a lisura de eleições passadas, seja contendo os arroubos de Bolsonaro. A designação do general Fernando Azevedo para dirigir o TSE é bastante heterodoxa, mas é uma ação estratégica inteligente para ampliar a confiança no processo eleitoral e diminuir as contestações que virão de setores do bolsonarismo. Azevedo foi ministro da Defesa no governo Bolsonaro, demitido por ser contra o emprego político das Forças Armadas. Ele tem o respeito da tropa e demonstrou compromisso com a democracia. Esperamos que dê certo.

O Globo

Presidente da Anvisa reage e cobra retratação de Bolsonaro

 




O diretor-presidente da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), Antonio Barra Torres, rebateu neste sábado, dia 8, o presidente Jair Bolsonaro e cobrou uma retratação pública dele. A reação do chefe da agência reguladora aconteceu dois dias depois de Bolsonaro levantar suspeitas sobre a diretoria do órgão, ao reclamar do aval da Anvisa para a vacinação de crianças de 5 a 11 anos contra covid-19. Em entrevista a uma emissora de rádio de Pernambuco, Bolsonaro perguntou, em tom insinuativo, "qual o interesse da Anvisa por trás disso aí?".

Barra Torres desafiou Bolsonaro a fornecer indícios de corrupção contra ele. "Se o senhor não possui tais informações ou indícios, exerça a grandeza que o seu cargo demanda e, pelo Deus que o senhor tanto cita, se retrate", cobrou o militar da reserva da Marinha, indicado pelo próprio Bolsonaro ao cargo. "Estamos combatendo o mesmo inimigo e ainda há muita guerra pela frente. Rever uma fala ou um ato errado não diminuirá o senhor em nada. Muito pelo contrário."

A autorização para vacinação de crianças contra a covid-19 motivou uma série de críticas do presidente e atos do governo que protelaram o início da imunização. Em dezembro, ele orientou o Ministério da Saúde a adotar a cobrança de prescrição médica e a promover uma consulta pública sobre o tema. Apesar disso, a pasta deu aval para a imunização infantil no último dia 5 de janeiro, por pressão da opinião pública e de especialistas médicos. (https://saude.estadao.com.br/noticias/geral,ministerio-da-saude-vacinacao-infantil-criancas-autorizacao,70003942501).

A postura atual do chefe da Anvisa difere de seu comportamento no início da pandemia. Em março de 2020, antes de ser confirmado no cargo pelo Congresso, ele esteve, ao lado do presidente, em uma manifestação de bolsonaristas na Praça dos Três Poderes, em Brasília. Em depoimento à Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Covid, em maio do ano passado, Barra Torres admitiu que foi "um ato inadequado".

Leia a íntegra da nota:

Nota - Gabinete do Diretor Presidente da Anvisa, Sr. Antonio Barra Torres

Em relação ao recente questionamento do Presidente da República, Jair Messias Bolsonaro, quanto à vacinação de crianças de 05 a 11 anos, no qual pergunta "Qual o interesse da Anvisa por trás disso aí?", o Diretor Presidente da Anvisa, Antonio Barra Torres, responde:

Senhor Presidente, como Oficial General da Marinha do Brasil, servi ao meu país por 32 anos. Pautei minha vida pessoal em austeridade e honra. Honra à minha família que, com dificuldades de todo o tipo, permitiram que eu tivesse acesso à melhor educação possível, para o único filho de uma auxiliar de enfermagem e um ferroviário.

Como médico, Senhor Presidente, procurei manter a razão à frente do sentimento. Mas sofri a cada perda, lamentei cada fracasso, e fiz questão de ser eu mesmo, o portador das piores notícias, quando a morte tomou de mim um paciente.

Como cristão, Senhor Presidente, busquei cumprir os mandamentos, mesmo tendo eu abraçado a carreira das armas. Nunca levantei falso testemunho.

Vou morrer sem conhecer riqueza Senhor Presidente. Mas vou morrer digno. Nunca me apropriei do que não fosse meu e nem pretendo fazer isso, à frente da Anvisa. Prezo muito os valores morais que meus pais praticaram e que pelo exemplo deles eu pude somar ao meu caráter.

Se o senhor dispõe de informações que levantem o menor indício de corrupção sobre este brasileiro, não perca tempo nem prevarique, Senhor Presidente. Determine imediata investigação policial sobre a minha pessoa aliás, sobre qualquer um que trabalhe hoje na Anvisa, que com orgulho eu tenho o privilégio de integrar.

Agora, se o Senhor não possui tais informações ou indícios, exerça a grandeza que o seu cargo demanda e, pelo Deus que o senhor tanto cita, se retrate.

Estamos combatendo o mesmo inimigo e ainda há muita guerra pela frente.

Rever uma fala ou um ato errado não diminuirá o senhor em nada. Muito pelo contrário.

Antonio Barra Torres

Diretor Presidente - Anvisa Contra-Almirante RM1 Médico Marinha do Brasil

Estadão / Dinheiro Rural

A situação da pandemia de covid-19 no mundo em oito pontos




Esta é uma compilação das últimas notícias relacionadas com a pandemia de covid-19, como as novas medidas adotadas, os saldos atualizados e sua influência em áreas como o esporte.

- Dois milhões de casos diários no mundo -

Na semana de 1 a 7 de janeiro, mais de dois milhões de casos diários de covid-19 foram detectados, em média, em todo o mundo; um número que dobrou em dez dias, de acordo com uma contagem da AFP.

O número de novos casos diários aumentou 270% desde a descoberta da variante ômicron em Botswana e na África do Sul no final de novembro de 2021.

A grande maioria das infecções recentes foi detectada na Europa (7.211.290 casos em sete dias, 47% a mais que na semana anterior) e nos Estados Unidos e Canadá (4.808.098 infecções, +76%).

No entanto, a atual onda de infecções não é acompanhada por um aumento nas mortes. Nos últimos sete dias, ocorreram em média 6.237 mortes por dia no mundo, o menor número desde o final de outubro de 2020.

- Mais de 150.000 mortos no Reino Unido -

A covid-19 já matou pelo menos 150.057 pessoas no Reino Unido, as autoridades anunciaram neste sábado (8). 313 mortes foram registradas nas últimas 24 horas.

- Djokovic pede para treinar -

O tenista Novak Djokovic, que foi proibido de entrar na Austrália por causa de medidas sanitárias e que considera que deveria ser isento da vacinação anticovid por ter sido infectado em dezembro, pediu no sábado para deixar o centro de detenção onde está, em Melbourne, para poder treinar.

Na segunda-feira, um tribunal federal examinará o recurso interposto pelo jogador, o número um do mundo, a pouco mais de uma semana do Aberto da Austrália.

Djokovic participou de dois eventos públicos em Belgrado no dia em que testou positivo e no dia seguinte, de acordo com diferentes publicações nas redes sociais. Uma foi a cerimônia em homenagem a jovens jogadores sérvios, no dia 17 de dezembro, em que ele não usava máscara, e a apresentação de um selo em sua homenagem, na véspera.

A tenista tcheca Renata Voracova, por sua vez, deixou a Austrália neste sábado, após o cancelamento do visto por motivos de saúde.

- Protesto em Viena contra restrições -

40.000 pessoas, segundo estimativa da polícia, se manifestaram neste sábado na capital austríaca, Viena, contra o projeto de vacinação obrigatória e as restrições sanitárias. A polícia fez várias prisões, mas a marcha correu bem.

- Equipe de Burkina Faso afetada pela covid-19 antes da CAN -

"Entre quatro e cinco jogadores" da equipe de Burkina Faso e seu treinador testaram positivo para covid-19, pelo que não poderão participar no jogo de abertura da Copa Africana de Nações (CAN) no domingo, em Yaoundé, explicou o assistente técnico, que reclamou do procedimento.

- Poeta iraniano Baktash Abtin morre na prisão após pegar covid -

O poeta e cineasta iraniano Baktash Abtin, opositor do regime de Teerã, morreu na prisão depois de ser infectado com covid-19, anunciaram várias organizações de direitos humanos no sábado.

- Fim da quarentena para dezenas de personalidades em Hong Kong -

Dezenas de funcionários e legisladores de Hong Kong, incluindo o chefe da polícia e o ministro das finanças, podem encerrar sua quarentena depois que um dos dois casos covid-19 detectados em uma festa que eles compareceram revelou ser um falso positivo.

As autoridades ordenaram uma quarentena de 21 dias para cerca de 180 pessoas que participaram do evento.

- Mais de 5,4 milhões de mortos -

A pandemia deixou mais de 5.478.486 mortos em todo o mundo, de acordo com o balanço da AFP deste sábado às 11:00 GMT (08:00, no horário de Brasília). O Estados Unidos é o país com maior número de óbitos (836.603), seguido do Brasil (619.822), Índia (483.463) e Rússia (315.400). O México, por sua vez, ultrapassou o limite de 300.000 mortos na sexta-feira.

A Organização Mundial da Saúde considera, entretanto, que o saldo da pandemia pode ser duas a três vezes maior, se o excesso de mortalidade direta e indiretamente relacionado à covid-19 for levado em consideração.

AFP / Estado de Minas

A prioridade para 2022




Insistir em candidatura sem chances ajuda a matar a terceira via

Por Ricardo Rangel (foto)

Há muitas prioridades para 2022. A vacinação. O combate à fome, à miséria e à desigualdade, que recrudesceram por causa da recessão e da pandemia. Recuperar o tempo perdido na educação. Retomar o crescimento econômico e as reformas do Estado e reduzir o desemprego.

Combater o desmatamento (e estipular que a meta é zero). Recuperar os investimentos em ciência e tecnologia. Discutir como reduzir o impacto da revolução tecnológica nos empregos. Reconstruir a democracia e suas instituições.

E, claro, retirar Bolsonaro do poder.

Com exceção do último item (que ele quer impedir), nada disso é prioridade para Jair Bolsonaro. E é por isso mesmo que a maior prioridade do Brasil para 2022 é remover Jair Bolsonaro do poder.

Felizmente, tudo indica que isso ocorrerá. O problema é que esse “tudo indica” está levando a conclusões precipitadas, potencialmente equivocadas e perigosas. Bolsonaro, ao contrário do que muitos acreditam, não está morto. Ele tem o Diário Oficial e uma caneta cheia de tinta, vai gastar dinheiro a rodo nos próximos meses. É provável que suas intenções de votos subam.

Por seu lado, a nação petista tem tanta certeza de que Bolsonaro está morto e anda tão confiante na vitória de Lula que já está até fazendo a partilha dos ministérios. Não existe nada mais perigoso do que o clima de “já ganhou”: quem acha que a vitória é certa não percebe os próprios erros. E Lula tem cometido erros.

Lula defende ditaduras e afirma que o mensalão e o petrolão não existiram e que a Lava-Jato foi uma operação dos EUA para “destruir a indústria naval brasileira” (que indústria naval?). Nos últimos dias, ameaçou revogar a reforma trabalhista e permitiu que Guido Mantega publicasse um artigo afrontoso em sua escancarada mistificação. Com isso, não ganha voto (a esquerda já vota nele), mas perde.

Se Bolsonaro crescer, Lula cair e a terceira via continuar parada, aumenta a chance de uma surpresa desagradável no segundo turno. Mas os erros de Lula favorecem também a terceira via, que não está morta — até porque a eleição de 2022 será diferente de todas as eleições que o Brasil já teve.

Em uma eleição comum, costuma ser melhor seguir até o final e ser derrotado do que renunciar: o candidato fica mais conhecido e tem mais força para negociar apoios no segundo turno. Neste ano, entretanto, insistir em uma candidatura sem chances contribui para matar a terceira via e garantir um segundo turno entre Bolsonaro e Lula. Candidatos sem chances serão abandonados por seus próprios partidos e pressionados a desistir. Os próprios candidatos tendem a preferir renunciar a ser os causadores do que o empresário Pedro Passos descreveu como uma escolha “entre o inaceitável e o indesejável”.

Quem sobreviver ao jogo de resta um receberá os votos de todos que quiserem evitar um segundo turno entre Lula e Bolsonaro — não serão poucos. Ainda há muita água para rolar, mas será uma ironia amarga caso o Brasil, que em 2018 cometeu o despautério de eleger Jair Bolsonaro para escapar do PT, se veja obrigado a eleger o PT para escapar de Bolsonaro.

Revista Veja

Xi Jinping parabeniza Cazaquistão por 'fortes medidas' tomadas contra avanço de 'revolução colorida'




Os protestos em massa no Cazaquistão contra o aumento nos preços do gás começaram no início de 2022 e o estado de emergência foi instaurado até 19 de janeiro.

O comentário foi divulgado pela imprensa estatal chinesa Xinhua nesta sexta-feira (7). O comunicado diz que a liderança da China é contra forças externas que provocam agitações.

"A China se opõe fortemente às forças externas que deliberadamente instigam distúrbios e incitam a uma 'revolução colorida' no Cazaquistão", disse o presidente Xi Jinping em mensagem ao presidente cazaque Kassyn-Jomart Tokaev.

Xi Jinping disse ainda que é contrário a qualquer tipo de força que tente prejudicar a estabilidade do Cazaquistão, ameaçando a segurança do país e sabotando a vida pacífica do povo cazaque.

O líder chinês também disse que não vai aceitar que tentem abalar a amizade entre China e Cazaquistão e prejudicar a cooperação que existe entre os dois países.

Os protestos em massa no Cazaquistão contra o aumento nos preços do gás liquefeito começaram no início do ano. Confrontos com a polícia foram registrados nas ruas das principais cidades, incluindo Almaty e a capital Nursultan.

'Não é operação antiterrorista': entenda motivos do envio de tropas de paz da CSTO ao Cazaquistão

No dia 5 de janeiro, a Internet chegou a ser desligada em todo o território do país e vários canais de televisão pararam de ser transmitidos. No mesmo dia, o presidente Kassym-Jomart Tokaev demitiu o governo e assumiu a presidência do Conselho de Segurança da República.

O estado de emergência foi introduzido no país até 19 de janeiro.

Sputnik News

Nossa eterna e vil tristeza




A eleição do sr. Jair Bolsonaro foi o reflexo perfeito de um País carente de elites capazes de balizar o processo político

Por Bolívar Lamounier (foto)

A crise que ora assola o Brasil deve-se a problemas acumulados ao longo de décadas e a outros de ocorrência recente, entre os quais cumpre destacar os efeitos da recessão econômica iniciada no governo Dilma Rousseff, a pandemia Covid-19, o péssimo desempenho das instituições políticas, nos três Poderes e, não menos importante, a ascensão à presidência do sr. Jair Bolsonaro. Essa é, digamos assim, a parte visível do iceberg político, acima das elites e dos eleitores em geral. Hoje quero discorrer brevemente sobre as elites, fator raramente considerado. Entendo que sem elites robustas e bem preparadas, dificilmente as instituições políticas formais terão um bom desempenho.

Sempre que falo em elites, faço questão de logo advertir que não vou me referir a aristocracias, tampouco a grupos dirigentes ligados por laços de hereditariedade ou consanguinidade. Outro ponto preliminar importante é que elites entendidas como grupos reais são algo muito raro no mundo atual. Na maioria dos casos, o termo designa elites abstratas, que no fundo são pura e simplesmente os ápices de quantas hierarquias quisermos imaginar com base em posições objetivas (dirigentes políticos eleitos, alta administração civil e militar, empresários, líderes sindicais etc) ou na reputação de exercer grande influência na sociedade, como é o caso de universitários, intelectuais e jornalistas. Claro, os “ápices” a que me refiro não são homogêneos em termos de poder. Um jornalista destacado é parte de um deles, mas para pertencer à elite econômica você precisa viver em uma mansão, ter uma casa de campo ou no litoral e, quem sabe, um iate de dez milhões de reais.

Assim, enquanto as elites de antigamente, que eram grupos reais, caracterizavam-se por uma coesão “natural”, as elites atuais, sendo meros grupos numéricos, geralmente carecem de coesão. Este é o meu ponto. A eleição do sr. Jair Bolsonaro foi o reflexo perfeito de um País carente de elites capazes de balizar o processo político. Foi um fogo-cruzado rancoroso entre os cidadãos cuja imaginação ele conseguiu capturar para se contrapor aos petistas, que devolviam na mesma moeda.

Não por acaso, Bolsonaro começou prometendo uma “nova” “política” e pulou sem rebuços para o extremo oposto: o Centrão. O Supremo Tribunal Federal e o Congresso Nacional não deixaram por menos. Com a débil pressão moral que nossa sociedade é capaz de exercer, ambos têm perpetrado todo tipo de disparate. E, infelizmente, tudo indica que esse enredo se repetirá em 2022.

Revista IstoÉ

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