quarta-feira, setembro 15, 2021

O triste fim dos ministros ‘técnicos’ de Bolsonaro, que estão desperdiçando suas biografias

Publicado em 14 de setembro de 2021 por Tribuna da Internet

Tarcísio é o remédio para problemas da direita e da esquerda

Tarcísio Freitas passou a ser garoto-propaganda de Bolsonaro

Vera Magalhães
O Globo

O que pode ser pior que ainda ser ministro de um governo completamente anômalo como o de Jair Bolsonaro? Resposta: ser um ministro desse governo antes tido como “técnico’, e que se dispôs a rasgar o currículo para permanecer nesse caos.

Peguemos o mico que Tarcísio Gomes de Freitas se dispõe de bom grado a pagar. Virou negociador de sequestro. No caso, o sequestro é do país pelos caminhoneiros que o ministro foi escalado para pajear pelo presidente a quem serve.

SEMPRE INSUFLANDO – Bolsonaro insufla essa categoria desde antes de 2018. Trabalhou fervorosamente pelo locaute que parou o país e derrubou a economia já quando era candidato a presidente. Nos dois anos e meio em que ocupa a Presidência, já cedeu a várias ameaças dos caminhoneiros, que insiste em ter em sua base social radicalizada, para que possam acossar governadores, o Supremo Tribunal Federal ou o Congresso quando o capitão precisar.

Tarcísio vem toureando esse pessoal desde quando ainda era visto como técnico. Agora que aceitou ser pré-candidato a governador tendo Bolsonaro como padrinho, esse papel se tornou mais ostensivo.

O outrora técnico foi aos palanques no Sete de Setembro, viajou às custas do Erário para ver o chefe pregar ruptura institucional, e agora, como se isso já não fosse desgraça o bastante para qualquer biografia, tem de procurar o foragido Zé Trovão e convencê-lo de que o áudio pedindo para que os parças desocupem as estradas é mesmo do presidente, que antes havia metido o louco para que eles tocassem o terror. Triste fim de um técnico, ministro.

ATÉ O GOLPISMO – No início do governo, o histórico invejável de Tarcísio como melhor aluno do Instituto Militar de Engenharia era glorificado, inclusive pelos generais do governo. Ele tem uma história de superação que o levou a alcançar essa marca. Como servidor em sucessivos governos sempre teve a capacidade de trabalho e gestão louvada.

 O que leva uma pessoa com essas características, em tudo diferentes da trajetória caricata de fracassos e ressentimentos e pregações ideológicas de outros colegas de primeiro escalão, a pegar um desvio e aceitar ir com Bolsonaro até a lama do golpismo que paralisa o país?

Da mesma maneira se pode analisar a carreira do advogado-geral da União, Bruno Bianco. Procurador federal de carreira, mestre em direito, especialista em direito público, formou a equipe inicial de Paulo Guedes, que aos poucos foi se dissolvendo quando ficou claro que não sairia mais reforma alguma da cartola após a da Previdência, na qual Bianco foi um protagonista.

BARBARIZANDO – O que leva alguém com essa trajetória tomar a decisão inacreditável de ser advogado-geral da União de um presidente que promete não cumprir decisões do Supremo Tribunal Federal? Que insiste em governar por decretos? Que condescende com um Orçamento secreto que impede qualquer equilíbrio fiscal? Que vai forçosamente, porque já avisou, questionar a lisura das eleições no ano que vem?

Bianco foi no avião ao lado de Bolsonaro para o ato em que o presidente já tinha avisado que iria barbarizar. E o fez: chamou Alexandre de Moraes de canalha. Com que cara o AGU vai aparecer para a próxima sustentação oral no plenário do STF? Em nome de que alguém atrela a própria história ao que há de pior em termos de política?

A LISTA É LONGA – Os outrora técnicos Bento Albuquerque, Tereza Cristina e mesmo Guedes seguem sendo colaboradores de um governo que, apenas em suas áreas, está deixando correr solta uma crise energética, usa o lado tosco do agronegócio para promover um locaute que paralisa o país e para retrocessos diários na política de controle ambiental e vê a inflação galopar, o mercado cair e o dólar escalar graças às sandices do presidente. Que “técnico” continua no emprego quando o chefe é um aloprado que coloca todo o trabalho a perder?

Difícil saber como essas pessoas farão o caminho de volta para ter de novo o respeito dos seus pares, da sociedade, da História. Que políticos que não têm o menor prurido de mudar de lado como quem muda de máscara (se bem que eles não as usam, então exemplo ruim) façam isso é compreensível.

Que os bizarros ideológicos que só seriam ministros num governo bizarro como o de Bolsonaro façam isso, idem. Agora, essas pessoas tinham alguma ou muita respeitabilidade antes de atrelarem seu destino ao do capitão. Depois, difícil prever.

Brasil já é o quarto país mais perigoso do mundo para os defensores do meio ambiente

Publicado em 14 de setembro de 2021 por Tribuna da Internet

Brasil é o 4º país mais perigoso do mundo para ambientalistas - Época

Mais perigoso do que Brasil, só Colômbia, México e Filipinas

Nádia Pontes
O Globo

O número de assassinatos de ativistas ligados a causas ambientais bateu um novo recorde em 2020. Em todo o mundo, 227 pessoas foram mortas por defenderem seus territórios, o direito à terra, seus meios de subsistência e o meio ambiente. O dado faz parte do relatório A última linha de defesa, da ONG Global Witness, divulgado nesta segunda-feira.

No ranking global, o Brasil aparece na quarta posição, com 20 assassinatos, atrás de Colômbia (65 mortes), México (30) e Filipinas (29).

SUBNOTIFICAÇÕES – Os números, porém, não retratam com precisão a hostilidade crescente, aponta a Global Witness. “Em alguns países, a situação dos defensores é difícil de medir – as restrições à liberdade de imprensa, ou onde o monitoramento independente de ataques não está ocorrendo, podem levar a subnotificações”, alerta o relatório.

A América Latina foi a região mais letal do mundo para ambientalistas. Das 227 mortes, 165 foram em países latino-americanos, 72,7% do total. No Brasil, a maior parte dos crimes (75%) ocorreu na Amazônia e vitimou indígenas.

Além dos assassinatos também aumentaram as ameaças de morte, violência sexual e tentativas de criminalização, relata a Global Witness. Esses tipos de ataques, porém, são ainda mais difíceis de serem capturados no relatório, afirma a ONG, chamando a atenção para a possível subnotificação.

CONFLITOS NO BRASIL – Em 2019, o Brasil apareceu no mesmo relatório como o terceiro país mais perigoso para ambientalistas, com 24 mortes. A ligeira queda nos assassinatos registrada no ano passado, no entanto, não significa que o país esteja menos violento.

“Foi um ano diferente. O nosso centro de documentação teve dificuldade de decidir como registrar os casos. Com a pandemia, houve menos deslocamentos durante alguns meses, o que pode ter influenciado os números”, comenta a irmã Jeane Bellini, coordenadora da Comissão Pastoral da Terra (CPT) em entrevista à DW Brasil.

O órgão ligado à Igreja Católica, que há 35 anos acompanha o panorama da violência no campo brasileiro, é a principal fonte de dados para o relatório global. Em seu último levantamento, a CPT documentou 1.576 ocorrências de conflitos por terra, o maior número desde 1985.

LÍDER INDÍGENA – Entre os assassinados listados no relatório global está o de Ari Uru-Eu-Wau-Wau. Ele fazia parte de um grupo em Rondônia que registrava e denunciava invasões e roubo de madeira no território indígena. Mais de um ano depois do crime, ninguém foi responsabilizado ou preso.

“O povo parou de ir e vir por causa do perigo de contágio de covid-19, mas os latifundiários, pistoleiros, madeireiros não pararam”, comenta Jeane Bellini sobre a violência e o aumento de invasões em terras indígenas.

Segundo a análise da coordenadora da CPT, o foco dos ataques no Brasil tem sido áreas de conservação e territórios habitados por indígenas, quilombolas e outras comunidades tradicionais. “Deduzimos que isso é por causa do discurso contínuo do Bolsonaro, que praticamente convida os invasores e diz que vai garantir a terra para eles”, analisa. Ao que tudo indica, afirma Jeane Bellini, o presidente não deverá recuar nessa retórica. “E claro, vale lembrar que não é só o presidente. Temos um Congresso que está flexibilizando todas as leis de proteção ambiental”, adiciona.


Oposições tentam se unir pelo impeachment, mas é uma possibilidade difícil de acontecer

Publicado em 15 de setembro de 2021 por Tribuna da Internet

TrateCOV e Impeachment de Bolsonaro

Charge do Duke (domtotal.com)

Merval Pereira
O Globo

Legendas de oposição, desde o Partido Novo até o PT, anunciam encontro para organizar manifestações a favor do impeachment de Bolsonaro, mas acredito que o resultado prático não deve ser uma manifestação conjunta.

O impeachment não interessa muito ao PT; e nesses grupos, como o MBL, há muita gente contra Lula e Bolsonaro. É difícil evitar que surjam grupos falando mal do PT ou de outro partido ou movimento.

PROTESTOS E CARTA – Acho também que o ambiente político para o impeachment ficou fragilizado com o fracasso das manifestações do fim de semana, e, junto com a carta feita pelo ex-presidente Michel Temer, melhorou a situação do Bolsonaro com relação ao impeachment, apesar de sua força eleitoral estar decadente.

Essas manifestações pretendidas pelos partidos de oposição, se forem sucesso terão a vantagem de unir a oposição contra Bolsonaro, embora ache que não haverá possibilidade de um impeachment transitar com rapidez suficiente para sair antes da campanha de 2022.

A união das oposições seria ótimo prenúncio de candidatura única, mas não acredito que aconteça.


Grupo ‘Derrubando Muros’ reúne empresários e economistas que defendem uma terceira via


Claudio Mor (@MORtoonOficial) | Twitter

Charge do Cláudio Mor (Arquivo Google)

Pedro Venceslau e Fernanda Guimarães
Estadão

Enquanto organizações e partidos de esquerda e direita disputam nas ruas o protagonismo na oposição ao presidente Jair Bolsonaro, um movimento formado por empresários, investidores, banqueiros, políticos e intelectuais atua nos bastidores para unificar a oposição ao governo federal. Batizado como “Derrubando Muros”, o grupo se intitula uma “iniciativa cívica” e conta com 92 membros.

Parte deles esteve na Avenida Paulista no domingo, 12, mas optou por não subir no palanque por onde passaram Ciro Gomes (PDT), João Doria (PSDB), Luiz Henrique Mandetta (DEM) e Simone Tebet (MDB).

PREFEREM LULA – O foco principal da iniciativa é buscar uma terceira via nas eleições de 2022, mas o “Derrubando Muros” tem mantido conversas também com o PT e maioria dos membros não descarta apoiar o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva em um eventual segundo turno se o adversário for Bolsonaro.

“Estamos em um regime fascista e o inimigo está na sala. Nossa prioridade é criar uma alternativa no centro moderno e que haja o menor número de candidatos possível”, disse o sociólogo e empresário José César Martins, coordenador do coletivo.

A lista de empresários do grupo, segundo Martins, conta com nomes como Horácio Lafer Piva (da Klabin), José Olympio Pereira (do banco Credit Suisse), Antonio Moreira Salles (filho do presidente do conselho de administração do Itaú, Pedro Moreira Salles), Marcelo Britto, da Associação Brasileira do Agronegócio, e os economistas Pérsio Arida, Armínio Fraga, André Lara Rezende e Elena Landau. Os quatro últimos iniciam na quarta-feira um ciclo de debates sobre a reforma do Estado com a participação de Fernando Haddad, ex-presidenciável petista em 2018. “Mas essa não é uma iniciativa empresarial, mas cívica”, disse o coordenador.

ESCOLHENDO O NOME – O Derrubando Muros começou a se articular há um ano no Rio Grande do Sul. O grupo se expandiu e já se reuniu com todos os presidenciáveis, menos Lula, o que não está descartado.

A iniciativa atua em várias frentes. Na Educação, por exemplo, os representantes são o ex-ministro Cristovam Buarque e Priscila Cruz, do Todos pela Educação.

Em agosto, centenas de empresários, economistas, diplomatas e representantes da sociedade civil divulgaram um manifesto em defesa do sistema eleitoral brasileiro, destacando que “o princípio-chave de uma democracia saudável é a realização de eleições e a aceitação de seus resultados por todos os envolvidos”.

SEM GOLPE – O comunicado não citou nominalmente o presidente Jair Bolsonaro, mas foi categórico ao dizer que o País “terá eleições e seus resultados serão respeitados” e ao afirmar que “a sociedade brasileira é garantidora da Constituição e não aceitará aventuras autoritárias”. O documento foi divulgado no mesmo dia em que Bolsonaro passou a ser investigado pelo Supremo Tribunal Federal (STF) no inquérito das fake news.

Fábio Alperowitch, fundador e gestor da Fama, um dos precursores de investimentos “ESG” no Brasil, esteve na manifestação na Avenida Paulista no último domingo, mas se disse decepcionado. “Independente do número de pessoas, acho que o evento não foi contra o Bolsonaro, como deveria ser, mas cheio de agendas e se esvazia na sua natureza”, afirma.

Segundo ele, por conta disso, não se pregou união, visto que no evento também foi contra o ex-presidente Lula, o que afastou a esquerda da manifestação. “Um evento democrático deveria abarcar todos os tipos de pessoas, na minha visão”, frisando que a manifestação não foi de oposição, mas da “terceira via”.

Planalto quer usar fracasso dos atos contra Bolsonaro para animar a militância radical

Publicado em 15 de setembro de 2021 por Tribuna da Internet

Esquerda e direita resistem a ato unificado contra Bolsonaro

Sem a militância do PT e PSOL, protestos foram esvaziados

Marianna Holanda e Ricardo Della Coletta
Folha

Auxiliares do presidente Jair Bolsonaro viram a baixa adesão de participantes aos atos contra o governo neste domingo (12) como uma oportunidade para reanimar a base bolsonarista nas redes sociais. Há preocupação entre assessores no Palácio do Planalto com os efeitos da “Declaração à Nação”, nota retórica divulgada por Bolsonaro na semana passada na qual afirmou que não teve “nenhuma intenção de agredir quaisquer dos Poderes”.

O documento, divulgado dias após os atos do 7 de Setembro em que Bolsonaro ameaçou o STF (Supremo Tribunal Federal), dividiu aliados bolsonaristas.

CAI A POPULARIDADE – Além do mais, Bolsonaro registrou um tombo de popularidade nas redes na esteira da divulgação da carta, que foi redigida com ajuda do ex-presidente Michel Temer (MDB).

Assessores presidenciais avaliam, reservadamente, que o passo atrás dado por Bolsonaro na escalada da crise com o Judiciário fragiliza a base mais fiel do bolsonarismo, que foi às ruas no Dia da Independência defendendo uma agenda radicalizada.

Eles comemoraram o resultado das manifestações convocadas pelo MBL (Movimento Brasil Livre), pelo Vem Pra Rua e por outros grupos em defesa do impeachment de Bolsonaro. O diagnóstico do Planalto é que o comparecimento foi reduzido e deixou patente que a chamada terceira via —que defende uma opção que não Bolsonaro ou o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT)— não tem até o momento o poder de mobilizar as ruas.

POUCA PRESENÇA – Estiveram presentes no ato da avenida Paulista os presidenciáveis João Doria (PSDB), governador de São Paulo; Simone Tebet (MDB-MS), senadora; Luiz Henrique Mandetta (DEM), ex-ministro da Saúde; e Ciro Gomes (PDT).

Mesmo assim, em termos de comparecimento, Bolsonaro conseguiu colocar mais apoiadores nas ruas. A Secretaria de Segurança Pública de São Paulo estimou cerca de 6.000 manifestantes na Paulista neste domingo, contra 125 mil no ato bolsonarista de 7 de setembro e 15 mil na manifestação da esquerda no mesmo dia no Vale do Anhangabaú.

A contraposição do público de domingo com o das manifestações pró-Bolsonaro tem sido amplamente explorada por aliados do Planalto nas redes sociais.

MANTER A MILITÂNCIA – De acordo com esses assessores, as publicações que ironizam e até ridicularizam o MBL têm ajudado a manter a militância digital coesa em um momento importante, após a divulgação da “Declaração à Nação”.

Não é possível afirmar se a estratégia será suficiente para ofuscar as queixas sobre a nota de Bolsonaro. Porém, afirmam que, pelo menos por ora, a ofensiva digital tem mostrado resultados.

O próprio Bolsonaro ridicularizou os atos deste domingo. Em conversa com apoiadores na saída do Palácio da Alvorada, disse que os contrários ao governo são uma minoria e que eles são “dignos de pena”.


Medidas populares são uma farsa para ocultar fracasso da política social, econômica e financeira do governo

Publicado em 15 de setembro de 2021 por Tribuna da Internet

Não se observa neste governo qualquer iniciativa efetiva para reduzir a pobreza

Pedro do Coutto

Reportagem de Fernanda Trisotto, Evandro Éboli e Dimitrius Dantas, edição desta terça-feira de O Globo, revela um conjunto de medidas elaboradas pelo ministro Paulo Guedes por pressão do presidente Jair Bolsonaro no sentido de reduzir os impactos negativos dos aumentos de preço dos combustíveis, da energia elétrica e da alimentação, esta última atingindo fortemente os grupos de menor renda. Por falar em renda média, esta recuou no país.

O que o governo chamou de pacote de bondades, representa também um esforço de transferir concretamente os efeitos do desemprego e dos desembolsos pelo Tesouro Nacional. Assim, no cerne da questão, surge um aspecto essencial: sem recuperação do mercado de trabalho e dos salários diante da inflação, não há como o poder público – não só no Brasil , mas em todo o mundo – enfrentar e superar os obstáculos sociais cada vez maiores que separam a pobreza do impasse em que se envolveu o governo Bolsonaro, em grande parte aprisionado numa teia imobilista traçada por Paulo Guedes e sua equipe.

CICLO VICIOSO – Não se observa em todo o governo qualquer iniciativa, não paternalista, mas efetiva, no sentido de reduzir a pobreza que avança com os seus efeitos, os mais diversos, sobre a realidade brasileira. Sem emprego não pode haver produção, não havendo produção, não pode haver consumo, não havendo consumo, coloca-se em risco a própria existência humana representada em nosso país por pelo menos por 40 milhões de pessoas que se encontram sob risco de não poder se alimentar e que já enfrentam as consequências gravíssimas da falta de saneamento e até da ausência regular do abastecimento de água potável.  

Reduzir tarifas muito altas de energia elétrica nao é solução efetiva tanto para o presente, quanto para o futuro do país. Mas para o governo Bolsonaro o futuro concentra-se apenas em outubro de 2022, no caminho das urnas, o que já representou um recuo anunciado por projeto de não realizar as eleições caso o voto impresso não fosse reinventado no Brasil em um retrocesso que pelo menos conduziria a 1996.

As perspectivas relativas ao Produto Interno Bruto, de acordo com o boletim Focus do Banco Central, não são positivas. Pelo contrário, indicam um avanço pequeno em relação a 2021. Mas aí surge uma outra questão. Os percentuais relativos a avanços referem-se a que base numérica absoluta? Este é um outro problema porque é preciso distinguir entre um avanço relativo a uma situação de recuo anterior e a incidência do avanço sobre o Produto Interno Bruto que havia antes da queda.

ILUSÃO – O PIB brasileiro era de R$ 6,6 trilhões. Assim, os avanços concretos só podem ser confirmados se o crescimento incidir sobre esse montante porque se qualquer avanço recair sobre um produto menor que o montante de R$ 6,6 trilhões, os números podem iludir uma grande parcela da população. Mas o seu uso é incapaz de mudar a realidade. Essa visão concreta é indispensável para mostrar que pacotes de bondade não são de todo negativos, mas ocultam uma realidade essencial que ultrapassa a queda de prestígio de Bolsonaro para disputar o pleito do próximo ano.

Há que se estabelecer uma diferença entre o que é um benefício e um direito. A sociedade brasileira espera obter direitos sociais e não receber benefícios eventuais. A questão da popularidade, sem dúvida, é importante. Mas ela não se conquista apenas com iniciativas isoladas e subsidiadas pelo Tesouro Público. Elas têm que ser resultado de uma política integrada sob os ângulos social, econômico e financeiro. Sem isso, não há solução efetiva para a sociedade brasileira ou para qualquer sociedade.

ARGENTINA –  Vejam agora o exemplo da Argentina. As eleições legislativas preliminares das eleições gerais marcadas para novembro apontaram uma derrota do presidente Alberto Fernández e da vice Cristina Kirchner. O peronismo assim, como em poucas vezes da história política do país, coloca-se em crise. Para mim, consequência de compromissos assumidos na campanha eleitoral não cumpridos pela chapa vencedora. Mais uma diferença, portanto, entre as promessas e a sua concretização.

Nas campanhas, como é habitual, os candidatos se comprometem com uma série de projetos e soluções. Uma vez no poder, esquecem tanto das soluções quanto das promessas. Essa é uma das raízes institucionais que ocorre principalmente no Brasil. Para mudar essa tendência, os candidatos devem no mínimo dizer a verdade e, quando eleitos, lembrar o que disseram aos eleitores e eleitores ao longo das campanhas.

ZIZINHO – Uma bela reportagem de Alex Sabino, Folha de S. Paulo, sobre os 100 anos de Zizinho que transcorreria ontem se vivo fosse. Foi sem dúvida, um dos maiores jogadores brasileiros de todos os tempos. Pertence à era anterior às vitórias de Pelé e Garrincha. Jogou no Flamengo, foi tricampeão em 42,43 e 44, jogou no Bangu de 1949 a 1956 e encerrou a carreira no São Paulo.

Representou uma lembrança inesquecível para todos aqueles das gerações que o viram jogar. Meio-armador, meio-avançado e centroavante, deixou a sua marca no futebol. O destino não permitiu que fosse campeão do mundo em 1950. O campeonato mundial caberia bem para ele, como também para Ademir de Menezes. Ele, aliás, lembrou este ângulo da história esportiva num diálogo com o próprio Ademir.

Mas é que houve um Uruguai de Obdulio Varella no caminho e os 2×1 no Maracanã. Esteve fora da seleção brasileira na conquista do Pan-Americano de 1952 em Santiago do Chile. Não existia um bom relacionamento entre ele e o treinador Zezé Moreira. Com Zezé Moreira, o Brasil derrotou o Uruguai por 4×2, devolvendo a derrota de 1950 e conquistou o título numa final, derrotando o Chile por 3×0.

CONTUSÃO –   No lugar de Zizinho, no meio-campo, Zezé Moreira escalou Didi, então no Fluminense que, eis novamente o destino, se tornaria campeão e bicampeão do mundo nas jornadas heroicas de 1958 e 1962. No Pan-Americano de 1952, Zezé Moreira convocou apenas um jogador da equipe efetiva de 1950, Ademir de Menezes. Mas ele se contundiu e no seu lugar entrou Baltzar, do Corinthians.

A vitória de 1952 lavou a alma dos brasileiros. Eis o time que Zezé Moreira escalou: Castilho, Djalma Santos, Pinheiro, Brandãozinho e Nilton Santos. No meio, Eli do Amparo, Didi e Pinga, na frente, Julinho Botelho, Baltazar e Rodrigues Tatú. A conquista de 1952 representa também uma alteração tática de grande importância: o futebol nao se ganha apenas do meio para frente, mas também depende do desempenho da defesa e da entrega de bola do meio-campo para as ações ofensivas.

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