sexta-feira, agosto 20, 2021

Augusto Aras não é Geraldo Brindeiro

 



Seu dadaísmo jurídico, em vez de protestar contra a brutalidade, chancela Bolsonaro

Por Conrado Hübner Mendes* (foto)

Augusto Aras está para Geraldo Brindeiro como Jair Bolsonaro está para Fernando Henrique Cardoso. Mas essa síntese não é suficiente para expressar a magnitude do equívoco dessa comparação apressada, incompleta e benevolente.

Brindeiro foi PGR pelos oito anos do governo FHC e se celebrizou como engavetador-geral da República. Não sem razão. Dizia examinar as representações que lhe chegavam "com a cautela que a matéria requer". Costumavam terminar mesmo na gaveta.

Por pressão de FHC, recuou e não pediu intervenção federal no Espírito Santo pelo colapso de segurança pública. Miguel Reale Jr., então ministro, demitiu-se por isso. Sua apuração sobre compra de votos para emenda da reeleição (a "pasta rosa") e os casos contra autoridades do governo também ilustram sua deferência.

Não foi pouco. Apesar disso, Brindeiro nunca foi inimigo do Ministério Público, nunca lutou contra a instituição a pretexto de combater o "facciosismo"; nunca perseguiu ou desqualificou colegas de MP, nunca saiu em defesa gratuita e performática do presidente, nunca disputou publicamente corrida ao STF. Nunca perseguiu críticos do presidente e de si próprio. E não tinha sobre sua mesa a delinquência de Bolsonaro.

O Senado, prestes a reconduzir o PGR para novo mandato, precisa de um balanço que faça justiça a Aras. Um balanço que não o diminua. A omissão de Aras, diferentemente da de Brindeiro, requer muito trabalho (como descrevi em outra coluna). Seu primeiro mandato foi uma enormidade.

Esses dois anos de gestão foram dedicados a três tarefas principais: garantir tranquilidade ao bolsonarismo; implodir a Lava Jato sem fazer as distinções que importam (entre Curitiba, Rio de Janeiro e São Paulo; entre combate à corrupção e a corrupção do combate à corrupção); conflagrar e definhar o MPF.

A primeira tarefa exerceu de forma tão espalhafatosa que resultou em inéditos escrachos públicos por ministros do STF, solicitando que faça algo, cumpra prazos; e culminou em duas representações por crime de prevaricação feitas por ex-subprocuradores e senadores.

A segunda, ao generalizar os graves vícios da Lava Jato de Curitiba para as forças-tarefas de São Paulo e Rio de Janeiro, bloqueou, abruptamente, avanços contra a corrupção. A cúpula dos governos de SP e RJ respirou aliviada. Aproveitou a onda e desmontou a Força Tarefa da Amazônia. À arbitrariedade do lavajatismo respondeu com mais arbitrariedade.

A terceira tarefa é extensa. Mas pode ser ilustrada pelas muitas manchetes que narram a guerra interna. Como esta: "Corregedora da PGR aponta manobra de Aras para blindar aliados e perseguir adversários". E esta: "Subprocuradores querem que MPF oficie MEC por censura a manifestação política".

Quando se defende das críticas, Aras surfa na hermenêutica declaratória. Autoafirmação é seu critério de legalidade. Vale qualquer coisa que saia de sua boca ou caneta: "existe alinhamento à Constituição", "vou me manifestar dentro do quadrado constitucional".

Vende silogismo jurídico e entrega dadaísmo. A premissa maior: o PGR deve obedecer a Constituição. A premissa menor: eu sou o PGR. A conclusão: Portanto, eu obedeço a Constituição. Inferências produzidas por fluxo de consciência, onde a lógica não entra.

Faz um dadaísmo troncho, para ficar claro. Abraça a contradição, recusa a racionalidade e se deleita com a sonoridade das palavras, mas ignora a parte do dadaísmo que combate a violência. Em vez do protesto contra a brutalidade, chancela Bolsonaro.

Esse dadaísmo também produz nonsenses ridículos. Diz, por exemplo, que Roberto Jefferson tem liberdade de expressão para incitar e ameaçar, mas cidadão não tem pra criticá-lo. Seu tratado sobre a liberdade nem precisa ser escrito, pois se resume à fórmula "acho que sim, acho que não". A fórmula não é lotérica nem jurídica. E nada ingênua.

Dia desses, citou em live corporativa o conceito de "sociedade aberta dos intérpretes da Constituição", de Peter Häberle. Concluiu que o MP não combina com eleições internas e listas tríplices, mas com mérito. Afora o palavrório, parecia crer que Bolsonaro o nomeou por mérito. A meritocracia bolsonarista, lembre-se, deixa brasileiro morrer sem vacina e oxigênio.

Brindeiro só não fazia. Era grave. Aras faz muito. É incomparável.

*Professor de direito constitucional da USP, é doutor em direito e ciência política e embaixador científico da Fundação Alexander von Humboldt.

Folha de São Paulo

É triste ser brasileiro hoje

 




Por Eduardo Fernandez Silva*

Já tive orgulho de ser brasileiro e quero voltar a ter. Falo por mim mas sei que muitos concordam. Alguns emigraram e outros têm ainda mais motivos para a tristeza: não são brancos, nem saudáveis, pouco estudaram e, pior, não sabem se amanhã terão comida, muito menos diversão e arte. É bastante geral a sensação de que o Brasil caiu num fosso que se aprofunda, e nada de luz no fim do túnel! A realidade parece surreal!

Por que chegamos a esta situação? Muitos jogam a culpa em algum bode da vez: os gringos, os portugueses, os comunistas, os capitalistas, os maconheiros, os caretas, os sem terra, os com terra, …. Há até quem diga que o culpado do crime é sua vítima: o ‘povinho’ brasileiro!

Mais importante é discutir como sair dessa triste situação. Essa resposta aqueles que pretendem altos cargos na República deveriam dar. Deles, porém, nada se ouve nesse sentido: não sabem, ou não se arriscam, ou escondem suas intenções e compromissos. E nós, brasileiros e brasileiras de todas as cores, continuaremos sem motivos para ter orgulho do que deveria ser a pátria amada.

Para amá-la é necessário que ela também nos ame, que nos seja gentil, nos proteja, nos dê esperanças, cuide de nós e não nos deixe com fome de comida, de saúde, de saídas. Queremos nossos campos com mais flores e bosques com mais vida, e em nosso seio mais amores. O que se canta no hino não se vê na realidade; caso víssemos, teríamos razões para o ter orgulho do nosso país.

Às vésperas de uma eleição crucial, não parece haver um único candidato que aponte caminhos que não sejam mais do mesmo, o que dá mais medo de continuarmos sem saída e sem orgulho!

Será motivo de orgulho que nesta pátria exportadora de alimentos ainda haja tanta fome? Pode-se orgulhar de termos mais de 50 milhões de pessoas sofrendo a vida com menos de 5 dólares por dia? Pode haver orgulho em conviver com uma taxa de assassinatos tão elevada? Governo entra, governo sai, e a tristeza permanece! Nossas autoridades não se envergonham de nos envergonharem todo tempo e seguem, impávidas e impunes, corresponsáveis pela degradação da nossa vida. Como ter orgulho? Não é triste viver em tal país? Precisamos de propostas concretas. Melhor definir pequenos passos que tragam clara melhoria da qualidade de vida do que insistir na miragem do “desenvolvimento”.

Sugiro alguns desses passos: acabar com o lixo nas ruas, rios, campos e cidades, passo inicial para o ideal de lixo zero; pontualidade no transporte coletivo, ganhando os usuários mais de meia hora por dia; renda básica universal da ordem de R$ 400,00 ou R$ 500,00 mensais, financiada por uma nova estrutura tributária, mais simples e progressiva; domínio do português e da aritmética aos dez (?) anos de idade, por todos nessa faixa etária. Alcançadas essas transformações da realidade atual, em quatro anos, teremos todos razão para orgulho e para dizer: “Tristeza por favor vá embora, quero voltar àquela vida de alegria, quero de novo cantar”.

*Ex-diretor da Consultoria Legislativa da Câmara

Jornal Metrópoles



Por Eduardo Fernandez Silva*

Já tive orgulho de ser brasileiro e quero voltar a ter. Falo por mim mas sei que muitos concordam. Alguns emigraram e outros têm ainda mais motivos para a tristeza: não são brancos, nem saudáveis, pouco estudaram e, pior, não sabem se amanhã terão comida, muito menos diversão e arte. É bastante geral a sensação de que o Brasil caiu num fosso que se aprofunda, e nada de luz no fim do túnel! A realidade parece surreal!

Por que chegamos a esta situação? Muitos jogam a culpa em algum bode da vez: os gringos, os portugueses, os comunistas, os capitalistas, os maconheiros, os caretas, os sem terra, os com terra, …. Há até quem diga que o culpado do crime é sua vítima: o ‘povinho’ brasileiro!

Mais importante é discutir como sair dessa triste situação. Essa resposta aqueles que pretendem altos cargos na República deveriam dar. Deles, porém, nada se ouve nesse sentido: não sabem, ou não se arriscam, ou escondem suas intenções e compromissos. E nós, brasileiros e brasileiras de todas as cores, continuaremos sem motivos para ter orgulho do que deveria ser a pátria amada.

Para amá-la é necessário que ela também nos ame, que nos seja gentil, nos proteja, nos dê esperanças, cuide de nós e não nos deixe com fome de comida, de saúde, de saídas. Queremos nossos campos com mais flores e bosques com mais vida, e em nosso seio mais amores. O que se canta no hino não se vê na realidade; caso víssemos, teríamos razões para o ter orgulho do nosso país.

Às vésperas de uma eleição crucial, não parece haver um único candidato que aponte caminhos que não sejam mais do mesmo, o que dá mais medo de continuarmos sem saída e sem orgulho!

Será motivo de orgulho que nesta pátria exportadora de alimentos ainda haja tanta fome? Pode-se orgulhar de termos mais de 50 milhões de pessoas sofrendo a vida com menos de 5 dólares por dia? Pode haver orgulho em conviver com uma taxa de assassinatos tão elevada? Governo entra, governo sai, e a tristeza permanece! Nossas autoridades não se envergonham de nos envergonharem todo tempo e seguem, impávidas e impunes, corresponsáveis pela degradação da nossa vida. Como ter orgulho? Não é triste viver em tal país? Precisamos de propostas concretas. Melhor definir pequenos passos que tragam clara melhoria da qualidade de vida do que insistir na miragem do “desenvolvimento”.

Sugiro alguns desses passos: acabar com o lixo nas ruas, rios, campos e cidades, passo inicial para o ideal de lixo zero; pontualidade no transporte coletivo, ganhando os usuários mais de meia hora por dia; renda básica universal da ordem de R$ 400,00 ou R$ 500,00 mensais, financiada por uma nova estrutura tributária, mais simples e progressiva; domínio do português e da aritmética aos dez (?) anos de idade, por todos nessa faixa etária. Alcançadas essas transformações da realidade atual, em quatro anos, teremos todos razão para orgulho e para dizer: “Tristeza por favor vá embora, quero voltar àquela vida de alegria, quero de novo cantar”.

*Ex-diretor da Consultoria Legislativa da Câmara

Jornal Metrópoles

Simone Tebet viraliza nas redes ao detalhar irregularidades em contratos

 



Senadora Simone Tebet

A líder da bancada feminina vem destrinchando contratos e apontando irregularidades durante sessões da CPI da COVID

Por Ana Mendonça

“Craque de jogo” e "Terror dos contratos”. A senadora Simone Tebet (MDB-MS) acabou virando alvo de elogios nas redes sociais pela atuação na Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da COVID. A líder da bancada feminina vem destrinchando contratos e apontando irregularidades durante sessões da comissão.

"Estamos ficando experts em saber ler o silêncio daqueles que não são inocentes", disse Tebet no depoirmento de Fernando Maximiano, presidente da Precisa Medicamentos.
 
Leia: CPI da COVID ouve Francisco Maximiano, dono da Precisa Medicamentos 

Nas redes, a senadora se transformou em "ícone" e acabou virando alvo de memes. Entre os apelidos dados para ela, estão “craque de jogo” e “terror dos contratos”.

“Simone Tebet na #CPIdaCovid é um trator!”, escreveu um internauta. “A senadora Simone Tebet tem que ser classificada como Dr. Manhattan da CPI!”, afirmou outro.

Confira: 

O dia da CPI
 
Depois de quatro adiamentos, o sócio-proprietário da Precisa Medicamentos, Francisco Maximiano, depõe nesta quinta-feira (19/8), à Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da COVID, instalada pelo Senado. A empresa representou o laboratório indiano Baraht Biotech no Brasil, fabricante da Covaxin, e estaria envolvida em irregularidades no processo de compras do imunizante pelo Ministério da Saúde.  

Até o momento ele está em silêncio. 

O requerimento para convocação de Maximiano foi feito pelo senador Alessandro Vieira (Cidadania-SE). Segundo ele, é “imprescindível esclarecer os exatos termos das tratativas entre a Precisa Medicamentos e o governo federal para aquisição da Covaxin”. 

O servidor da pasta Luis Ricardo Miranda, irmão do deputado federal Luis Miranda (DEM-DF), denunciou que estava sendo pressionado para acelerar a compra. Em depoimento à CPI, eles disseram ter avisado ao presidente Jair Bolsonaro (sem partido) sobre a suspeita de corrupção e fraude na contratação. 

A Covaxin estava sendo negociada ao preço de US$ 15 a dose e o contrato previa a aquisição de 20 milhões de doses, num total aproximado de R$ 1,6 bilhão, na conversão da época.

Depois que as denúncias de irregularidades vieram à tona na comissão, o contrato foi cancelado pelo Ministério da Saúde e a Bharat Biotech rompeu com a Precisa, em julho. 

A Precisa Medicamentos é sócia de outra empresa, a Global Saúde, acusada de não ter cumprido contrato fechado com o Ministério da Saúde para fornecer remédios de alto custo. O negócio foi feito no fim de 2017, quando a pasta era chefiada pelo deputado federal Ricardo Barros (PP-PR), atual líder do governo Bolsonaro na Câmara. 

Em depoimento à CPI na semana passada, Barros disse não ter relação pessoal com Maximiano, negou ter participado de processos de negociações de vacinas e deu explicações sobre os problemas contratuais com a Global.  

Estadão / Estado de Minas

Dono da Precisa Medicamentos se cala na CPI

 



Francisco Maximiano (dir.), dono da Precisa Medicamentos, conversa com advogado em depoimento à CPI

Francisco Maximiano utiliza diversas vezes direito de ficar em silêncio concedido pelo STF, mas sai arranhado de depoimento. Sua empresa é acusada de irregularidades nas negociações para compra da vacina Covaxin.

O sócio-proprietário da Precisa Medicamentos, Francisco Emerson Maximiano, depôs nesta quinta feira (19/08) à CPI da Pandemia no Senado. A empresa atuou como intermediária nas negociações da compra da vacina indiana Covaxin pelo Ministério da Saúde.

O empresário, que teve seu comparecimento à CPI adiado várias vezes, se recusou a responder a maioria das perguntas e invocou diversas vezes o direito de ficar em silêncio, conforme autorização do Supremo Tribunal Federal (STF) em junho.

Esse direito foi concedido pelo STF para que o depoente não tivesse que responder perguntas que pudessem incriminá-lo. Maximiano, porém, surpreendeu ao utilizá-lo também em questões que não teriam implicações diretas contra ele.

No início da sessão, ele se recusou a prestar um juramento de dizer somente a verdade em seu depoimento, e em seguida, não respondeu às questões do relator Renan Calheiros.

Maximiano também é sócio da empresa Global Gestão em Saúde, que teria fraudado o governo federal em um negócio de 20 milhões de reais no ano de 2017, envolvendo uma compra de medicamentos que jamais foram entregues.

Ele afirmou que a Precisa tem apenas um contrato ainda em vigor com o Ministério da Saúde, que prevê a entrega de preservativos femininos.

A Precisa Medicamentos era a representante do laboratório indiano Bharat Biotech, que produz a Covaxin, nas tratativas com o Ministério da Saúde, apesar de não possuir vínculo formal com a empresa.

A CPI quis saber o motivo pelo qual o preço estipulado para as doses do imunizante indiano ter sido mais alto do que qualquer outra vacina negociada pelo governo.

Elo com Ricardo Barros

À CPI, Maximiano, confirmou que conhece o deputado federal Ricardo Barros  (PP-PR), líder do governo na Câmara dos Deputados, investigado pela Comissão por suspeitas de irregularidades na compra da Covaxin.

O empresário admitiu que a Precisa tinha interesse em uma emenda editada pelo deputado no Congresso, que visava facilitar a importação de vacinas.

O líder do governo incluiu em um projeto de lei uma emenda que permitiria a autorização da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) para as importações e distribuição de imunizantes que tivessem sido aprovados por agências sanitárias de outros países. Uma das agências citadas da emenda era a indiana Central Drugs Standard Control Organization, que autorizou a Covaxin no país asiático.

Maximiano disse que nunca manteve tratativas com o deputado. "Ela [a emenda] tornava a Covaxin elegível também, assim como outras, de outras autoridades. Mas não houve absolutamente nenhum contato com o deputado Ricardo Barros, tampouco com outro, para se fazer essa inclusão.”

Barros, em seu depoimento à CPI na semana passada, negou que tivesse "relação pessoal” com Maximiano, e que jamais tratou sobre assuntos relativos à Covaxin com o empresário.

O deputado responde a processo por supostamente ter beneficiado a empresa Global Gestão em Saúde, que é sócia da Precisa, durante sua gestão no Ministério da Saúde entre 2018 e 2018.

Nesta quarta-feira, Renan Calheiros, incluiu o nome do líder do governo na lista de investigados pela comissão. Ele é apontado como mentor de supostas irregularidades na compra da vacina indiana, o que ele negou em seu depoimento à CPI.

Os senadores da CPI aprovaram nesta quinta-feira a quebra de sigilo fiscal de Barros e de Frederick Wassef, advogado da família Bolsonaro, suspeito de envolvimento no processo de compra de vacinas.

Documentos fraudados

Maximiano afirmou que fraudes em documentos entregues ao Ministério da Saúde na negociação da vacina Covaxin, que foram atribuídas à Precisa, teriam sido cometidas pela empresa Envixia, que atuava como atravessadora dos Emirados Árabes.

O senador Humberto Costa (PT-PE) quis saber o motivo pelo qual Maximiano embarcou para a Índia pouco depois de as irregularidades virem à tona. O empresário disse que viajou para mostrar para a Bharat Biotech os documentos que recebera da Envixia, numa tentativa de provar que a atravessadora seria a responsável pela fraude.

Entretanto, Humberto Costa disse que tinha provas de que as manipulações ocorreram dentro do Ministério da Saúde. O advogado do empresário negou a acusação, e afirmou que o arquivo original continha dados da Envixia, sugerindo que as fraudes teriam ocorrido na empresa, e não no Ministério.

A senadora Simone Tebet (MDB-MS) ironizou a resposta do empresário. "A Envixia é dos Emirados Árabes e sabe escrever português perfeitamente", disse.

CGU aponta omissões 

Tebet exibiu à CPI um ofício enviado pela Controladoria Geral da União (CGU) ao Ministério da Saúde, no qual relatava a omissão no processo de compra da Covaxin de quatro memórias de reunião, nas quais foram tratados os preços da compra do imunizante.

"Observou-se que parte significativa dos documentos enviados em resposta ao requerimento de informação, em especial as quatro memórias de reunião, foram omitidos do processo, em que pese tratar-se de informações críticas à aquisição relacionada, devendo, assim, estar formalizadas no processo de aquisição autuado pelo gestor para essa finalidade", afirma o ofício de 5 de julho, assinado por José Paulo Julieti Barbiere, diretor de auditoria em políticas sociais da CGU.

A primeira das memórias omitidas se refere a uma reunião realizada em 20 de novembro, quando o laboratório indiano Bharat Biotech, que produz a Covaxin, teria fixado o preço de 10 dólares por dose da vacina.

Em outra, um representante da Precisa afirmava que não podia precisar o preço, uma vez que a vacina ainda estava em fase 3 de testes clínicos. Na reunião seguinte, era mencionada uma oferta de 15 dólares por dose.

A CGU quer saber os motivos pelos quais os documentos referentes a preços não estavam incluídos no processo, e pediu uma análise técnica sobre o que chamou de "aumento repentino do preço de aquisição por dose, de 10 para 15 dólares, que elevou o montante final da contratação de 200 mil para 300 mil dólares".

A Controladoria pediu ainda uma análise sobre a estimativa de preço e uma justificativa para a dispensa da licitação no processo de compra.

Simone Tebet expôs uma cronologia de documentos para demostrar como o Ministério da Saúde teria tentado pôr fim ao caso Covaxin. Isso, em questão de poucos dias, segundo afirmou a senadora. Após a intervenção da Controladoria, a Secretaria Executiva do Ministério da Saúde exigiu explicações do departamento de logística da pasta sobre essas irregularidades.

A senadora apontou que a Secretaria Executiva, então comandada pelo coronel Elcio Franco, teria enviado o ofício que centralizava as tratativas da compra da vacina, e estaria por trás da omissão das quatro memórias de reunião.

Deutsche Welle

Escudo de Bolsonaro, Augusto Aras enfrenta cada vez mais oposição para ser reconduzido à PGR

 

AUG



O procurador Augusto Aras, no dia 4 de agosto, no Congresso Nacional.

Ao menos seis ministros do STF já cobraram manifestações do procurador, responsável por abrir investigações contra o presidente, enquanto senadores e ex-procuradores o acusam de prevaricar por não agir contra Bolsonaro. Sabatina para aprovar sua manutenção no cargo está marcada para terça

Por Afonso Benites

Brasília - A insatisfação contra o procurador-geral da República, Augusto Aras, é crescente em Brasília. Responsável por dar pareceres, apurar e propor ações contra o presidente Jair Bolsonaro, há queixas entre os integrantes do Ministério Público de que o procurador tem falhado na defesa da democracia. No Supremo Tribunal Federal, 6 dos 10 ministros (uma cadeira está vaga) já cobraram manifestações dele em casos recentes que envolvem o Governo Bolsonaro. Para senadores, ele tem se omitido perante as mentiras que o presidente profere sobre fraudes nas eleições e ante o desastroso combate à pandemia de covid-19 feito pelo Governo federal. Sua recondução ao cargo, que precisa ser aprovada pelo Senado na sabatina que está marcada para a próxima terça, 24, não será tão tranquila como há dois anos, quando teve 68 votos a favor de seu nome, 10 contrários e 1 abstenção. Hoje, ao menos 15 dos 81 senadores já negam a nomeação, mas há uma campanha para buscar novas adesões sendo feita nos bastidores entre os parlamentares.

Dois desses congressistas que se opõem a Aras, Fabiano Contarato (REDE-ES) e Alessandro Vieira (Cidadania-SE), entraram com uma representação para que o Conselho Superior do Ministério Público apure se ele prevaricou. No início do mês, um grupo de procuradores aposentados já havia apresentado queixa semelhante. Na prática, essa será a primeira vez em que o principal responsável por investigar os poderes se tornará alvo de uma série de apurações. “O comportamento desidioso do procurador-geral da República fica evidente não só pelas suas omissões diante das arbitrariedades e crimes do presidente da República, mas também pelas suas ações que contribuíram para o enfraquecimento do regime democrático e do sistema eleitoral e para o agravamento dos impactos da covid-19 no Brasil, além de ter atentado direta e indiretamente contra os esforços de combate à corrupção no país”, justificaram os senadores.

Além de não investigar Bolsonaro pelo nebuloso acordo de compra da vacina Covaxin assinado pelo seu Governo, há outros episódios em que Aras teria se omitido. Como quando, na TV estatal, o presidente acusou sem provas que haveria fraudes no sistema eleitoral. Bolsonaro tentou ainda intimidar o Legislativo com um desfile de tanques da Marinha momentos antes da votação na Câmara sobre o voto eletrônico, que era de seu interesse. Além disso, o mandatário ameaça constantemente o STF, inclusive xingando ministros da corte, e contraria protocolos sanitários básicos contra a covid-19. Nesta semana, a procuradoria-geral liderada por ele foi responsável por uma decisão considerada negacionista, ao se manifestar contrariamente à abertura de uma investigação contra Bolsonaro pela ausência do uso de máscaras em público e por promover aglomerações. A subprocuradora geral, Lindôra Araújo, próxima a Aras, justificou sua decisão afirmando que não há evidências científicas que justifiquem o uso de máscaras contra a covid-19, o que contraria especialistas e entidades como a Organização Mundial da Saúde (OMS). Em entrevista à Folha de S.Paulo nesta quarta, ele negou que tenha sido omisso.

Em linha similar ao pedido de investigação dos senadores, estava a representação assinada por quatro ex-procuradores. “Eis os fatos claríssimos e bastantes. Indicam que o procurador-geral da República Antônio Augusto Brandão de Aras, por si próprio ou por intermédio de pessoa da sua mais estreita confiança, o vice-procurador-geral da República, Humberto Jacques de Medeiros, vem, sistematicamente, deixando de praticar ou retardando a prática de atos funcionais para favorecer a pessoa do presidente da República ou de pessoas que lhe estão no entorno”, alegaram.

Aras é procurador-geral desde setembro de 2019. Chegou ao cargo por indicação de Bolsonaro e sem o apoio de seus pares, já que não concorreu na eleição interna da Associação Nacional dos Procuradores da República. Entre seus eleitores no Senado estavam políticos alinhados ao presidente, ao Centrão e ao PT. Seu pedido de recondução também quebrou a tradição adotada nos três governos anteriores (Temer, Dilma e Lula) e ignorou a lista tríplice da associação. A última lista foi composta pelos subprocuradores Luiza Frischeisen, Mario Bonsaglia e Nicolado Dino.

Com a atuação questionável, ele tem acumulado alcunhas. Membros do Ministério Público ouvidos reservadamente pelo EL PAÍS disseram que, nos corredores, ele tem sido chamado de prevaricador-geral da República. Entre formadores de opinião, há quem o chame de poste-geral da República, como o batizou o professor de direito constitucional da Universidade de São Paulo e colunista da Folha de S. Paulo Conrado Hubner Mendes, que foi processado por Aras —a queixa acabou arquivada pela Justiça. Até mesmo a discretíssima ministra Rosa Weber, do Supremo Tribunal Federal, criticou o procurador indiretamente. Durante um julgamento cobrou que a Procuradoria-Geral deveria investigar, sim, o presidente, e não esperar a conclusão da Comissão Parlamentar de Inquérito, como Aras queria. “No desenho das atribuições do Ministério Público, não se vislumbra o papel de espectador das ações dos Poderes da República”.

A escalada contra o procurador tem recebido uma série de críticas de seus pares. Em ao menos três ocasiões, subprocuradores da República o provocaram a agir ou emitiram notas ressaltando que entre os deveres do Ministério Público estava a “incondicional defesa do regime democrático, com efetivo protagonismo”. Uma das signatárias de todos esses manifestos e representações é a subprocuradora Luiza Frischeisen, que esteve nas duas últimas listas tríplices que foram ignoradas por Bolsonaro. “Quando fazemos essa instigação, nós gostaríamos que ele fosse mais proativo. Mas ele vê o Ministério Público de uma forma diversa. Ele o vê como um fiscalizador de atos a partir de processos que são propostos. Muitos de nós não achamos isso. A atividade criminal é exclusiva e ela precisa ser exercida, afinal ele é o procurador-geral”. Em sua defesa, Aras costuma dizer que tem sua independência funcional garantida, como todos os outros membros da categoria. Em tese, o Supremo Tribunal Federal poderia abrir uma investigação contra o presidente sem a anuência de Aras, mas, além de ser um ato raro, seria mais um elemento de desgaste político entre o Executivo e a corte.

Para especialistas, Aras é mais uma peça na engrenagem bolsonarista na tentativa de enfraquecer os poderes. “O presidente capturou as instituições, em especial o Ministério Público e as Forças Armadas”, diz o coordenador do grupo de advogados Prerrogativas, Marco Aurélio de Carvalho. Em sua visão, há inércia por parte do procurador, que deveria ser barrado pelo Senado. “Quando ele toma a decisão de jogar parado, é uma omissão criminosa.” Ainda assim, como o Senado está mais dedicado à CPI da Pandemia do que a outras pautas, não há uma segurança de que um muro será levantado tão prontamente contra o procurador. Afinal, essa paralisia também age contra boa parte dos que são oposição ao presidente e, direta ou indiretamente, acabam se beneficiando de um Ministério Público estático.

El País

Tempos estranhos

 



Por Merval Pereira (foto)

A reunião do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) com os representantes de plataformas digitais como Facebook, YouTube, Instagram, Twitter e outras, para definir regras de pagamento a sites e plataformas durante o período eleitoral com o objetivo de evitar a propagação de fake news, deveria estabelecer critérios mais rígidos de monetização das notícias também em tempos além do eleitoral.

Me incomodou a decisão do corregedor-geral do TSE, ministro Luiz Felipe Salomão, de proibir o pagamento de qualquer notícia divulgada por canais bolsonaristas, com a intenção de cessar o financiamento dos blogs que espalham notícias falsas com objetivos políticos.

A “imprensa marrom” existe muito antes das redes digitais e deve ser combatida com a legislação existente quando calunia, difama e constrange cidadãos ou instituições, ou quando espalha boatos com a intenção de obter lucros econômicos ou políticos.

A expressão surgiu no fim do século XIX e vem do inglês “yellow press” (“jornalismo amarelo”). Os jornais New York World e The New York Journal disputavam as aventuras de Yellow Kid, a primeira história em quadrinhos. Uma disputa tão pesada que o amarelo passou a designar publicações sensacionalistas e sem ética.

A cor para identificar uma imprensa inescrupulosa passou a ser “marrom” no Brasil em 1959, na redação do jornal carioca Diário da Noite. Para noticiar um escândalo internacional da época, a manchete se referia à “imprensa amarela”, como nos jornais dos EUA, mas o editor achou que amarelo é uma cor muito alegre para classificar notícias escandalosas. Mudou para “marrom”, cor de excrementos.

Não é diferente com os meios digitais, com exceção do fato de terem alcance muito maior. O pagamento por visualizações, pelo número de seguidores, adotado por todas as plataformas, faz com que o noticiário digital perca credibilidade a cada dia, embora alcance um número altíssimo de pessoas e tenha efeito deletério nas relações sociais e políticas.

Mas punir os que espalham fake news com intervenção nas mídias sociais ou o bloqueio de financiamento não me parece o melhor caminho. A não ser que o governo subvencione canais ilegítimos. Críticas, por mais abusivas que sejam, devem ser aceitas como parte da vida democrática. Somente as ameaças físicas a cidadãos, não apenas a autoridades, como os ministros do STF, ou antidemocráticas a instituições deveriam ser interrompidas por uma intervenção fora dos processos cíveis ou criminais.

Outra coisa que é preciso rever é a análise por órgãos não especializados de questões complexas. A Polícia Federal descobriu a pólvora ao explicar que o noticiário desses blogueiros tornou-se uma máquina de ganhar dinheiro e que as notícias são replicadas inúmeras vezes para ter maior alcance e ser recompensadas devido à audiência pelas plataformas digitais. Ora, esse é o sistema adotado por esses novos meios, que realmente estimula notícias escandalosas e propagação de fake news, não apenas políticas ou econômicas.

O que seria preciso mudar é o conceito das plataformas digitais, que só buscam audiência, sem cuidar do que é divulgado. Os influenciadores que têm milhões de seguidores e recebem por isso podem ser inofensivos se tratam de assuntos de interesse geral. Mas esse sistema de pagamento para notícias políticas e econômicas precisa ser alterado.

Exemplo escandaloso de decisão jurídica inepta, sem base científica, é a da subprocuradora Lindôra Araújo sobre o não uso de máscara por parte do presidente Bolsonaro. Numa demonstração clara de que a Procuradoria-Geral da República sob Augusto Aras há muito perdeu sua função básica de defesa dos interesses da sociedade, ela não viu indícios de crime nas constantes aglomerações que Bolsonaro promove, sem máscara, pelo país inteiro. E divide a culpa com a população que acorre às aparições do presidente.

Contrariando todas as instruções médicas, nacionais e internacionais, ela diz que “há incerteza sobre o grau de eficiência do equipamento”. De maneira ridícula, alega que o presidente “não foi notificado a usar o equipamento” em suas viagens, como se fosse lícito a alguém argumentar que desconhece tal lei ao cometer uma infração. Tanto ela quanto Aras merecem ser processados.

O Globo

O naufrágio de Bolsonaro

 



Reacionários são obcecados pelo medo das mudanças e se comportam de maneira nostálgica, sonhando com um passado idealizado, que não é o que a História registra

Por Luiz Carlos Azedo (foto)

O analista político e ensaísta Mark Lilla, professor de História das Ideias na Universidade de Columbia, em Nova York, ganhou muita notoriedade após a eleição de Donald Trump, ao publicar um artigo no The New York Times no qual pedia que a esquerda norte-americana abandonasse a “era do liberalismo identitário” e buscasse a unidade diante da especificidade das minorias. É autor de O progressista de ontem e o do amanhã: desafios da democracia liberal no mundo pós-políticas identitárias (no original, The Once and Future Liberal: After Identity Politics) e A Mente Naufragada, publicados pela Editora Schwarcz e Cia. das Letras, respectivamente.

Voltou a gerar polêmicas em meados do ano passado, ao articular uma carta-manifesto assinada por 150 intelectuais, entre os quais Noam Chomsky, Gloria Steinem, Martin Amis e Margaret Atwood, no qual reivindicavam o direito de discordar, sem que isso colocasse em risco o emprego de ninguém, uma reação à patrulha ideológica dos setores progressistas dos Estados Unidos contra intelectuais conservadores. Esse posicionamento foi importante para a unidade dos democratas, fundamental para a vitória de Joe Biden nas eleições presidenciais do ano passado e o racha dos republicanos, ao isolar a extrema-direita na tentativa de golpe de Estado de Trump.

Lilla é um estudioso dos dramas ideológicos do século XX. No livro A Mente Naufragada, faz uma clara distinção entre o reacionarismo e o pensamento conservador. Segundo ele, “os reacionários da nossa época descobriram que a nostalgia pode ser uma forte motivação política, talvez mais poderosa até do que a esperança. As esperanças podem ser desiludidas. A nostalgia é irrefutável”. Isso tem tudo a ver com o presidente Jair Bolsonaro, o grupo de militares saudosistas do regime militar que o cerca e os grupos de extrema-direita que organizou por meio das redes sociais, que, agora, estão armados até os dentes.

Enquanto velhos revolucionários da geração 1968 ainda alimentam expectativas de uma nova ordem social redentora, os reacionários são obcecados pelo medo das mudanças em curso no mundo e se comportam de maneira nostálgica, sonhando com a volta a um passado idealizado, que não é o que a História registra. “A nostalgia baixou como uma nuvem sobre o pensamento europeu depois da Revolução Francesa e nunca mais se afastou totalmente”, lembra Lilla, propósito dos pensadores que, há um século, serviram de caldo de cultura para o nazismo e o fascismo.

Nostalgia da ditadura

Quando o ministro da defesa, o general Braga Netto, por exemplo, comparece à Câmara para prestar esclarecimentos e nega que houve uma ditadura no Brasil, revela uma mente naufragada no passado, quando Tancredo Neves foi eleito no colégio eleitoral e o regime militar caiu sem um tiro, em 1985. O regime militar foi, sim, uma ditadura, que durou 20 anos, suprimiu as liberdades, prendeu, sequestrou e matou oposicionistas. Essa era a narrativa dos generais que se revezaram na Presidência e impuseram um artificial sistema bipartidário, para disfarçar o regime autoritário, sob o argumento de que se tratava de uma “democracia relativa”.

A outra face dessa narrativa é a recorrente interpretação de Bolsonaro sobre o artigo 142 da Constituição, ao atribuir às Forças Armadas o papel de “poder moderador” nas relações entre o presidente da República, o Congresso e o Supremo Tribunal Federal (STF). Busca-se, como em 1937, no golpe do Estado Novo, e em 1964, na deposição de João Goulart, uma suposta ameaça comunista, no caso representada pelo favoritismo do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva nas pesquisas eleitorais sobre o pleito de 2022.

Constrói-se uma tese de afronta à legalidade para justificar uma “intervenção militar”, com base em suposta insegurança da urna eletrônica e nas medidas tomadas pelo Supremo Tribunal Federal contra a rede montada para disseminar mentiras e apregoar um golpe de Estado. “Onde os outros veem o rio do tempo fluindo como sempre fluiu, o reacionário enxerga os destroços do paraíso passando à deriva”, explica Lilla. É mais ou menos o que distingue o presidente Jair Bolsonaro dos setores conservadores que participam e ainda apoiam o seu governo, mas não sua loucura golpista.

Correio Braziliense

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