quinta-feira, abril 22, 2021

Tarde demais para Bolsonaro demitir Salles; nunca houve um ministro tão atacado


Uma imagem vale mais do que mil palavras, dizia Confúcio

Pedro do Coutto

O presidente Jair Bolsonaro até a noite de ontem não havia demitido Ricardo Salles do Ministério do Meio Ambiente e tal omissão, inevitavelmente, vai se refletir na reunião do Clima convocada pelo presidente Joe Biden exatamente para discutir e traçar planos para o combate ao aquecimento global que tanto preocupa os países da Europa, além de todas as nações civilizadas.

A ameaça do aquecimento e da poluição realmente deve sensibilizar a todos. Exceto a Ricardo Salles: nunca houve um ministro tão atacado no País quanto ele.

REAÇÃO – Reportagem publicada ontem no O Globo, de Leandro Prazeres e Jussara Soares , focalizou a forte reação de quatrocentos servidores do Ibama contra as medidas tomadas por Salles que se refletem em uma situação praticamente de conivência com os desmatadores e devastadores da Floresta Amazônica e do Pantanal do Mato Grosso do Sul.

O ministro Ricardo Salles não podia ter tomado atitude pior do que a de posar para uma fotografia publicada no O Globo, tendo ao fundo, inclusive em curta distância, toras de madeira cortadas ilegalmente por empresários que não respeitam os limites nem da lei, nem da civilidade. Cortando troncos gigantescos como os da foto, Salles, com sorriso na face, revelou tacitamente tanto um desafio quanto desprezo pela condição humana dos que habitam a Amazônia, maior produtora de oxigênio limpo do planeta.

OMISSÃO – Jair Bolsonaro até agora não tomou providência alguma em relação ao caso e não tem justificativa para tal omissão, sobretudo porque os 400 funcionários do Ibama suspenderam os trabalhos de fiscalização e publicaram documento no qual manifestam absoluto descrédito em matéria de compromisso do ministro para com o meio ambiente.

Pessoas como Ricardo Salles são capazes até de praticar ações irrecuperáveis. Basta dizer que o desmatamento é aceito sem obrigação de replantio. O jornalista André Trigueiro, especialista em meio ambiente, tem destacado o grau do atentado do ministro contra o verde e também contra a esperança de que o Brasil combata a política de prevenção contra o aquecimento do mundo. Ricardo Salles conseguiu reunir contra si próprio uma gigantesca onda de protesto e revolta. O presidente Bolsonaro vai ter que enfrentar hoje e amanhã o debate no fórum do Meio Ambiente.

GRANDES CRISES – Outro dia, conversando com o meu amigo Ruy Castro, um passageiro e mergulhador da História, focalizamos as grandes crises que marcaram e continuam marcando a história moderna do Brasil, inclusive o presente em que vivemos. Fiquei pensando nos episódios e comentarei com ele, Ruy Castro, os desfechos dramáticos envolvendo Jânio Quadros, João Goulart, Costa e Silva, Fernando Collor e Dilma Rousseff,  no segundo mandato. Na lista é indispensável acrescentar Jair Bolsonaro.

O período do presidente Michel Temer foi consequência do impeachment de sua antecessora e os fatos ocorridos , embora graves, não traumatizaram o país porque a sua permanência no Planalto era pequena. Ocorrências como os visitantes da noite, um deles sendo recebido pelo presidente da República em sua residência particular. O outro visitante da noite correu pelas ruas de São Paulo levando consigo uma mala com R$ 500 mil. Escapou da polícia, mas não da filmagem da TV Globo.

PRONUNCIAMENTOS –  Reportagem de Ricardo Della Coletta, Folha de São Paulo desta quarta-feira, focaliza bem os pronunciamentos do general Braga Netto e do general Edson Pujol na transmissão dos cargos de ministro da Defesa e comandante do Exército da pasta, no período em que Fernando Azevedo ocupou o ministério.

Enquanto Braga Netto defendia que é preciso respeitar o projeto escolhido pela maioria dos brasileiros para governar o país, o general Edson Pujol respondia que se enganam aqueles que acreditam “estarmos sobre um terreno fértil para iniciativas que possam colocar em risco a liberdade consagrada na nossa Nação. É preciso respeitar o rito democrático e o projeto escolhido pela maioria dos brasileiros para conduzir os destinos do país”.

INTERESSES NACIONAIS – Pujol acrescentou: “A sociedade atenta a essas ações pode ter a certeza de que as suas Forças Armadas estão prontas a servir aos interesses nacionais. Neste período de intensa comoção e incertezas que colocam à prova a maturidade e independência das instituições democráticas brasileiras, o Exército , a Marinha e a Força Aérea mantém o foco em suas missões constitucionais, permanecendo sempre atentas à conjuntura nacional”.

Como se constata, os pronunciamentos podem ser interpretados como um claro enigma, poema de Carlos Drummond de Andrade. Não há necessidade de qualquer outra análise.

VALE TUDO – Na edição de ontem da Folha de São Paulo, como sempre ocorre às quartas-feiras, o ex-ministro Delfim Netto publicou o seu artigo. Nele sustentou que os Poderes além de se comportarem publicamente como comentaristas oficiais da realidade brasileira, como se não houvesse nenhuma responsabilidade sobre ela, partem para um verdadeiro vale tudo de consequências econômicas e sanitárias da pandemia. A palavra pandemia a meu ver foi usada apenas para não deixar tão claro a força da frase que a antecede.

Delfim Netto, um conservador,  mas também um homem de grande cultura econômica, há muito assumiu uma parceria com a Fiesp. O empresariado preocupa-se com os rumos políticos atuais.

PLÁGIO – A professora Cláudia Mansani de Toledo, autora de tese acadêmica para assumir a direção da Capes,rebateu matéria de Paulo Saldanha, Folha de São Paulo, de que o seu trabalho reúne opiniões de diversos autores vinculados à educação, mas negou que os tenha plagiado.

Em relação ao tema, digo que citações são válidas, mas desde que identifiquem as fontes e os autores. Por essas e outras é que nos artigos que publico na Tribuna da Internet me refiro sempre às fontes e nominalmente aos autores dos textos em que me baseio para as minhas análises e versões.

RESPONSABILIDADE FISCAL – A matéria é de Fábio Pupo, também na Folha de São Paulo, na qual revela afirmações do ministro Paulo Guedes, no dia 20, dizendo que as emendas dos parlamentares aprovadas pelo Congresso não atingem e nem abalam os pontos básicos da responsabilidade fiscal relativa ao Orçamento de 2021, tampouco furam o teto programado por nós.

Paulo Guedes é mais um integrante do governo a desdizer o que disse anteriormente. Ele pediu publicamente que Jair Bolsonaro vetasse os dispositivos que agora aceita. Empenha-se assim em permanecer no cargo, representando sua corrente partidária e sua ideologia mutante.

VALE COMPRAS – Reportagem de Diogo Maia, Folha de São Paulo, assinala que os supermercados no país, especialmente os de São Paulo, Rio de Janeiro e Belo Horizonte, resolveram criar um vale-compra para que os mais necessitados possam com ele combater a fome.

A fome realmente é um fator horrível na vida brasileira e alcança um percentual muito elevado no país, tanto assim que os dirigentes atacadistas e proprietários de supermercados decidiram criar um vale compra no valor de R$ 100. Tenho a impressão que esse vale será renovável uma vez que o valor assinalado nele é muito reduzido, embora represente uma ação diante de uma emergência efetivamente dramática.

Portanto, eu estava com a razão quando em artigo recente disse ter ficado surpreso com a afirmação do professor Marcelo Neri, diretor da Fundação Getúlio Vargas, de que o auxílio de emergência adotado pelo governo Bolsonaro  tinha livrado 10% das pessoas que se encontram em situação de miserabilidade. Deixo a questão para o próprio Marcelo Neri, se puder ou quiser, esclarecer me

quarta-feira, abril 21, 2021

STJ barra reabertura de ação penal contra Fernando Haddad por corrupção e lavagem de dinheiro


Haddad se tornou réu em 2018 após delação premiada de empreiteiro

Mônica Bergamo
Folha

O Superior Tribunal de Justiça (STJ) rejeitou nesta terça-feira, dia 20, um recurso do Ministério Público de São Paulo que pedia a reabertura de ação penal contra o ex-prefeito de São Paulo Fernando Haddad (PT) por corrupção e lavagem de dinheiro.

Em novembro de 2018, Haddad se tornou réu sob acusação de corrupção passiva e lavagem de dinheiro em decorrência da delação premiada do empreiteiro Ricardo Pessoa, da UTC.

AÇÃO PENAL – O juiz Leonardo Barreiros, da 5ª Vara Criminal da Barra Funda, na capital paulista, instaurou uma ação penal ao aceitar denúncia do Ministério Público de suposto pedido de R$ 3 milhões para quitar dívidas de campanha.

De acordo com a delação, o então tesoureiro do PT, João Vaccari Neto, teria se reunido com o executivo Ricardo Pessoa em abril ou maio de 2013 e teria pedido R$ 3 milhões em nome do prefeito para sanar as dívidas. A UTC teria negociado o pagamento de R$ 2,6 milhões.

AUSÊNCIA DE ELEMENTOS – Após habeas corpus impetrado pela defesa, o Tribunal de Justiça de São Paulo trancou a ação por ausência de elementos para acusação. O Ministério Público recorreu ao STJ, que nesta terça determinou o arquivamento da ação penal por unanimidade.

De acordo com o ministro Ribeiro Dantas, relator da ação no STJ, Haddad já foi absolvido das acusações na Justiça Eleitoral e não faria sentido dar continuidade ao processo. A defesa do petista foi feita pelos advogados Pierpaolo Cruz Bottini e Tiago Rocha.


Rua Santa Clara em 21.04. obra eleitoreira, sem planejamento sem técnica, como sempre o povo é o perdedor.



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Rua Santa Clara, hoje 21.04, obra eleitoreira, sem planejamento sem técnica, feita por cima de tudo em busca de votos, dinheiro do povo jogado fora;  esse mesmo povo e quem " paga om pato", penalizado talvez até o resto da vida.
A única salvação  para quebrar um galho é ingressar com uma ação na justiça em busca de indenização pelos prejuízos causados.

STF decidirá se mantém parcialidade de Moro e se processos de Lula vão para DF ou SP


por Matheus Teixeira | Folhapress

STF decidirá se mantém parcialidade de Moro e se processos de Lula vão para DF ou SP
Foto: Reprodução / YouTube

O STF (Supremo Tribunal Federal) prevê concluir nesta quinta-feira (22) o julgamento sobre a anulação das condenações do ex-presidente Lula (PT) e decidirá se os processos do petista devem ser remetidos à Justiça Federal do Distrito Federal ou de São Paulo.

Na sequência, os ministros discutirão se a decisão da Segunda Turma que declarou a parcialidade do ex-juiz Sergio Moro tem de ser mantida ou se deve ser revogada.

Esse tema tem potencial para gerar o debate mais acalorado da sessão, com discursos favoráveis e contrários à Lava Jato.

É incomum o plenário do tribunal sustar os efeitos do julgamento de uma das turmas. Porém, caso o entendimento do relator, ministro Edson Fachin, prevaleça, esse será o efeito prático da decisão.

Isso porque, ao anular as condenações do petista, Fachin afirmou que uma consequência direta seria a perda de objeto do habeas corpus em que a defesa de Lula aponta a suspeição do ex-juiz.

O ministro, porém, começará a análise do tema com quatro votos distantes de serem conquistas, pois Gilmar Mendes, Ricardo Lewandowski, Kassio Nunes Marques e Cármen Lúcia já divergiram desse ponto da decisão individual do colega ao resolverem julgar a parcialidade de Moro da mesma maneira.

O julgamento do caso foi iniciado no último dia 14, quando, por 9 a 2, os ministros decidiram manter a discussão dos processos de Lula no plenário em vez de remetê-los à Segunda Turma, colegiado fracionado da corte que costuma revisar decisões da Lava Jato.

Na última quinta-feira (15), por 8 a 3, os magistrados mantiveram o entendimento de Fachin de declarar a incompetência territorial da 13ª Vara Federal de Curitiba nos casos de Lula.

Em outras palavras, a maioria dos integrantes da corte afirmou que a Lava Jato de Curitiba não poderia ter sido a responsável por processar quatro denúncias apresentadas pela força-tarefa do Paraná da Lava Jato contra o petista.

Segundo os magistrados, a competência de Moro era restrita a esquemas diretamente relacionados à Petrobras, enquanto as acusações contra Lula envolvem outros órgãos públicos que vão além da estatal petrolífera. Com a decisão do STF, as condenações que retiravam os direitos políticos de Lula perderam efeito, e ele ficou apto a se candidatar nas próximas eleições, em 2022.

Entre os oito ministros que seguiram essa linha, porém, houve divergência. Fachin defendeu que as ações têm de ser enviadas à Justiça Federal do Distrito Federal, local em que os crimes imputados ao ex-presidente teriam ocorrido.

O ministro Alexandre de Moraes, no entanto, abriu uma divergência e afirmou que o mais adequado seria enviar os processos para São Paulo, onde os procuradores da Lava Jato dizem que teriam sido entregues os benefícios ao petista pelas empreiteiras em troca de contratos com o governo federal.

Os ministros Luís Roberto Barroso e Rosa Weber acompanharam Fachin e afirmaram que o caso deve ser enviado para Brasília.

Lewandowski, Cármen Lúcia, Gilmar e Dias Toffoli concordaram com a anulação das condenações, mas deixaram para votar nesta semana sobre o destino adequado para os processos.

Os ministros Kassio Nunes Marques, Marco Aurélio e Luiz Fux, por sua vez, divergiram da maioria e se posicionaram contra a invalidação das ações a que Lula respondia em Curitiba.

O julgamento trata de quatro processos contra o petista. Em um deles, sobre o tríplex de Guarujá (SP), a Segunda Turma declarou a suspeição de Moro.

Nesse caso, todas as provas do processo têm de ser anuladas. Nos outros três, as ações devem voltar à fase da análise da denúncia por um novo juiz, que pode convalidar as provas que constam dos autos.

As três denúncias do MPF contra Lula que passarão a tramitar em outro local do Judiciário dizem respeito ao sítio de Atibaia (SP), à sede do Instituto Lula e a doações feitas ao instituto.

Na questão do sítio, o ex-presidente foi condenado a 12 anos e 11 meses de prisão em primeira instância pela juíza Gabriela Hardt, da 13ª Vara Federal de Curitiba.

Segundo Hardt, as empreiteiras Odebrecht e OAS fizeram benfeitorias no local por ao menos R$ 1 milhão, e as obras teriam sido dadas em forma de propina a Lula.

A magistrada afirmou que "é fato que a família de Lula era frequentadora do imóvel, bem como usufruiu dele como se dona fosse".

Em segunda instância, o TRF-4 (Tribunal Regional Federal da 4ª Região) confirmou a condenação e ampliou a pena para 17 anos, 1 mês e 10 dias de prisão.

Como Moro conduziu o início desse processo, na fase da coleta de provas e tomada de depoimentos, a defesa de Lula pede que essa ação também seja anulada, assim como a do tríplex.

Por enquanto, porém, não há pronunciamento do STF a respeito. Assim, prevalece a decisão de anular a condenação e mandar o processo voltar à fase da análise da denúncia pelo novo juiz do caso, que deve ser do DF ou de SP.

As outras duas são similares. Em uma, em que o então juiz Moro aceitou a denúncia e tornou Lula réu, o petista é acusado de receber um terreno para construção do Instituto Lula, que teria sido comprado por um amigo e antigo sócio de Marcelo Odebrecht, e um apartamento vizinho à cobertura onde mora, em São Bernardo do Campo (SP).

Na outra, o MPF afirma que Lula usou o Instituto Lula para lavar R$ 4 milhões doados pela Odebrecht entre dezembro de 2013 e março de 2014.

Segundo a denúncia, os valores --feitos formalmente por doações legais-- foram repassados em quatro operações de R$ 1 milhão cada uma e tiveram como origem contratos fraudados da Petrobras.

Fora o processo do tríplex, em que Moro foi declarado parcial, nos outros três o novo juiz pode validar as provas que já foram coletadas, o que aceleraria o trâmite das ações.

O magistrado do caso pode analisar os depoimentos e os elementos que estão nos autos e verificar que, ali, já estão comprovadas as acusações do MPF contra Lula.

Mesmo nesse cenário, especialistas na área consideram muito improvável que dê tempo para o petista ser condenado novamente em duas instâncias em alguma das três ações até julho do ano que vem.

Assim, a tendência é que a decisão tomada pelo STF na semana passada por 8 votos a 3, de anular as condenações e mandar os processos retornarem à fase da análise da denúncia, tenha consolidado a liberação para Lula participar das eleições de 2022.

Bahia Notícias

PGR nega interferência de Aras em ofícios a governadores e diz que ‘cumpre dever de fiscalizar’


Charge do Éton(Arquivo do Google)

Rayssa Motta
Estadão

Depois de distribuir ofícios a todos os 27 governadores, cobrando informações sobre a desativação dos hospitais de campanha e o uso de verbas públicas na pandemia, a Procuradoria Geral da República (PGR) minimizou o movimento e disse nesta quarta-feira, dia 21, que ‘cumpre seu dever de fiscalizar’ e que as notificações a agentes públicos fazem parte da rotina da instituição.

“É dever da 1CCR [Câmara de Direitos Sociais e Fiscalização de Atos Administrativos em Geral] velar por atos, contratos e aplicação de verbas públicas, e fiscalizar e controlar a correta destinação de recursos públicos federais nas áreas de saúde e educação”, diz a nota institucional.

NOTIFICAÇÃO – Os governantes foram notificados após a instalação da CPI da Covid no Senado, que vai investigar a atuação e possíveis omissões do governo Jair Bolsonaro na crise sanitária. Foram requisitados esclarecimentos complementares depois que uma primeira leva de informações foi considerada ‘insuficiente’ ou ‘incompleta’ pelo Ministério Público Federal.

“A fiscalização, que é dever do órgão superior do Ministério Público Federal, não começou na semana passada”, segue a PGR. “Em outra linha de atuação, na esfera criminal, a PGR investigava oito governadores desde o início da pandemia.”

Nos documentos, a subprocuradora-geral da República Lindôra Araújo pede esclarecimentos sobre o uso de repasses federais. Recentemente, o presidente Jair Bolsonaro (sem partido), em guerra com governadores e prefeitos desde o início da pandemia, levantou desconfiança sobre supostos desvios de recursos da Saúde. No final de fevereiro, o presidente chegou a publicar nas redes sociais uma lista com valores enviados pela União para cada Estado em 2020.

BRAÇO DIREITO – Lindôra é braço direito do chefe do Ministério Público Federal, Augusto Aras, que vem sendo criticado nos bastidores da PGR por, na visão de adversários, tentar se cacifar para a vaga que será aberta no Supremo Tribunal Federal em julho, com a aposentadoria do decano Marco Aurélio Mello.

Na nota divulgada, a PGR esclarece que a decisão de enviar os ofícios aos governadores foi tomada em conjunto pelos membros da Câmara de Direitos Sociais e Fiscalização de Atos Administrativos em Geral do MPF.

INTERFERÊNCIA –   “É preciso destacar que as Câmaras de Coordenação e Revisão do MPF são órgãos cujos membros têm independência funcional e que o procurador-geral da República, Augusto Aras, não interfere nos seus trabalhos. Além disso, as apurações que envolvem governadores vêm sendo realizadas, dentro das atribuições da instituição, para garantir a correta aplicação das verbas públicas no enfrentamento da grave epidemia de covid-19”, concluiu a Procuradoria.

Na semana passada, o próprio procurador-geral pediu informações dos governadores sobre o ritmo de vacinação contra a covid-19. Aras quer esclarecimentos sobre diferença entre número de vacinas que Ministério da Saúde diz ter distribuído e doses efetivamente aplicadas. Como mostrou o Verifica, núcleo de checagens do Estadão, reservas para segunda aplicação e intervalo para entrega de lotes e registro de informações contribuem para diferença nas contagens.

Salles atuou de forma explícita a favor de madeireiros, diz delegado da PF afastado


Alexandre Saraiva, ex-superintendente da PF no Amazonas Foto: Reprodução/TV Globo

Delegado Saraiva é especialista no combate ao desmatamento

Leandro Prazeres
O Globo

Após 11 anos trabalhando na Amazônia, a última semana do delegado da Polícia Federal Alexandre Saraiva foi, sem dúvidas, uma das mais tumultuadas. Na terça-feira (14), ele enviou uma notícia-crime contra o ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, e o senador Telmário Mota (PROS-RR) por favorecimento a madeireiros. No dia seguinte, a PF anunciou sua substituição no cargo de superintendente do órgão no Amazonas.

Em entrevista ao GLOBO, Saraiva reforça que denunciou Salles por entender que ele estaria atuando a favor de madeireiros e diz que nunca havia presenciado algo assim durante seus quase 18 anos na Polícia Federal.

O senhor foi surpreendido pela sua substituição?
Toda vez que muda o diretor-geral, há uma expectativa sobre quem vai ficar e quem vai sair. Mas, como eu sou um dos que mais atua nessa parte de meio ambiente e como tem uma situação grave e urgente, eu imaginei que fosse ficar.

O senhor avalia que sua substituição foi uma punição pelo fato de o senhor ter denunciado o ministro do Meio Ambiente?
Não posso e não irei fazer especulações sobre isso. O colega que me substituiu no cargo (Leandro Almada) é um ótimo delegado.

Como o senhor viu a atuação do ministro Ricardo Salles na área onde foram apreendidas madeiras? Foi uma postura condizente com a de um ministro do Meio Ambiente?
Em relação a isso, a conduta dele a gente descreveu na notícia-crime que enviamos ao STF. Num primeiro momento, ele colocou em dúvida o trabalho da PF. Em um segundo momento, foi uma conduta que patrocinava justamente a ação dos criminosos. Nos pareceu que a conduta toda favorecia os criminosos. Quando recebemos os documentos dos madeireiros e analisamos, verificamos ainda mais fraudes. Foi quando nós começamos a redigir o documento para o STF. Isso não era uma opção pra mim. É um poder-dever. Era uma obrigação. Se fosse uma pessoa sem foro, instauraríamos o inquérito. Como tinha foro privilegiado, comunicamos ao Supremo.

O senhor pode descrever de forma detalhada qual foi a atuação do ministro no episódio?
Comunicamos a prática de obstar ou dificultar a ação fiscalizadora do poder público, o embaraço à investigação de organização criminosa e a advocacia administrativa. Em todos esses tipos (penais), ele estaria atuando e favorecendo os madeireiros e isso foi feito de uma forma muito explícita. Tem vídeo dele apontando para a placa de uma empresa investigada que segundo ele “estava tudo certinho” e que, na verdade, em relação a esta empresa, já existia até laudo pericial apontando as ilegalidades cometidas.

Que sinal a sua substituição logo após o envio da notícia-crime passa?
Olha…eu espero que o trabalho de combate aos crimes ambientais tenha continuidade. O delegado que foi anunciado para o meu lugar é um excelente delegado. A PF é uma estrutura que independe das pessoas, mas qualquer movimentação na PF ganha amplitude e interpretações diversas. É preciso ter cuidado com essas coisas.

O Brasil vai participar da Cúpula de Líderes sobre o Clima. Na sua avaliação, a condução do ministro Ricardo Salles, à luz dos últimos eventos, gera confiança na comunidade internacional?
Eu vou falar sobre o âmbito do Ministério da Justiça. Nos últimos anos, tanto na gestão do ministro Sergio Moro quanto na gestão do ex-ministro André Mendonça, nós tivemos um apoio incondicional no combate a crimes ambientais. Não podemos falar ainda do novo diretor-geral (Paulo Maiurino), porque ele assumiu há muito pouco tempo. Nesse aspecto, em janeiro e fevereiro, o desmatamento deu uma arrefecida, mas se outras pastas não têm um discurso alinhado, é um remando para frente e outro remando pra trás.

Nos últimos meses, o ministro Ricardo Salles vem cobrando recursos estrangeiros para financiar ações de combate ao desmatamento. Como o senhor avalia esse argumento?
O combate ao desmatamento é muito mais uma questão de foco e estratégia do que de recursos.

Uma das propostas de Salles para o combate ao desmatamento na Amazônia seria a criação de uma patrulha que substituiria o Ibama, ICMBio e PF nas ações de combate ao desmatamento. Essa nova força seria, de fato, necessária?
Essa proposta é desnecessária. para dizer o mínimo. Nós já temos a PF, Ibama e ICMBio para fazer isso. São instituições que tem uma ampla experiência e não haveria necessidade de mais uma força para realizar esse trabalho”

O senhor atua na Amazônia desde 2011. Em algum momento algum outro ministro do Meio Ambiente fez ingerência ou criticou o seu trabalho da forma como aconteceu agora?
Não. Nenhum outro ministro fez o que foi feito agora. Veja… o braço do MMA é o Ibama e ICMBio. Nas operações da PF, a gente prefere fazê-las junto com o Ibama, porque as ações administrativas e punitivas do Ibama complementavam o trabalho nosso. E, nos últimos anos, isso deixou de acontecer. E faz muita falta não ter o Ibama em campo.

Quando o senhor fala que isso deixou de acontecer, o senhor está se referindo aos últimos dois anos?
Sim. Nos últimos dois anos. Não foi de uma hora pra outra. Gradualmente, foi deixando de acontecer. E na operação Handrohantus, não tinha mais o Ibama. Apesar de o órgão ter sido instado várias vezes, o Ibama não entrou em campo.

Sob qual alegação?
Não tinha alegação alguma. A coisa simplesmente não rodava.

Como delegado, o senhor já deve ter tido seu trabalho criticado por políticos ou outros agentes públicos. A pressão que o senhor recebeu nesse último episódio foi ponto fora da curva?
Foi, sim. E essa pressão toda mostra a importância de se dar autonomia pra Polícia Federal e para os cargos todos. É preciso fortalecer um arcabouço normativo da PF pra que esse tipo de pressão não surta efeito. Não estou falando novidade. É lógico que esses criminosos do meio ambiente encontram parlamentares simpáticos a eles. Não é segredo algum. Precisamos de mandato pra diretor-geral pra PF, mandato pra superintendente, garantias para os policiais. A gente tem autonomia em alguma medida, mas é muito mais uma cultura de autonomia e nós precisamos mais do que isso.

Pelo fato de o senhor ter sido especulado como ministro do Meio Ambiente, há críticas de que a notícia-crime contra Salles foi uma forma que o senhor encontrou para atingí-lo e, eventualmente, substituí-lo. Como o senhor responde a essas críticas?
É a ilação mais ridícula possível. Eu tive apenas duas conversas com o presidente Jair Bolsonaro. Conversamos sobre temas ambientais. Quando eu vim pra Amazônia em 2011, não havia nem sonho disso (indicação). Eu não tenho controle algum sobre o que as pessoas pensam, mas eu tenho a minha história a meu favor. São 18 anos na polícia e nunca me envolvi com política ou com qualquer tipo de irregularidade. Sempre me envolvi com o meio ambiente. Esse tipo de crítica tem que ser avaliada do ponto de vista do criticado, mas também a partir de quem me critica. Olha o perfil de quem me critica. Basta olhar perfil de quem diz esse tipo de coisa e olhar o meu. O meu perfil profissional é impecável.

À luz da notícia-crime que o senhor enviou ao STF, o senhor acha que Ricardo Salles deveria continuar no cargo?
Não me cabe fazer esse juízo de valor. Isso cabe ao STF.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
 – Uma entrevista importantíssima. Em qualquer país minimamente sério, essas denúncias seriam suficientes para derrubar não somente o ministro do Meio Ambiente, mas também o presidente da República, que é o principal responsável por essas gravíssimas irregularidades. Mas quem se interessa? (C.N.)

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