domingo, novembro 22, 2020

 

Porque precisam que você seja um idiota

Quem aceita muito lixo na cultura também o consumirá nas informações buscadas na internet, nas manifestações artísticas, procurando sempre e invariavelmente na TV e nas redes sociais o grotesco, o sangrento, o baixo nível.

Por Julio Gomes.

Estamos no tempo da estupidez exacerbada, das execuções festejadas, do elogio da violência, da tortura, da afirmação do grotesco. Não é por acaso. Nada é por acaso.

Nós, povo brasileiro, já ouvimos no passado muita música de qualidade, desde o Já saudoso e distante no tempo Luiz Gonzaga até os não tão distantes, mas também saudosos roqueiros Cazuza e Chorão.

Já assistimos excelentes novelas, mesmo na tão criticada Rede Globo. Quem pode negar o quanto era bom assistir Roque Santeiro, O Bem-Amado, Gabriela e outros folhetins televisivos que nos levavam do riso às emoções mais profundas?

Também já tivemos excelentes autores, em prosa e verso, de Guimarães Rosa e Carlos Drumond de Andrade até nosso conterrâneo Jorge Amado.

E será que não há, hoje, bons músicos, boas produções para TV e bons cronistas? É claro que há, sim, muitos e excelentes. O que não existe mais é espaço para que eles apareçam, para que seus trabalhos se tornem cultura de massa.

Desde alguns anos, talvez desde o início dos anos 2000, temos visto uma perda de qualidade contínua e assustadora da produção artística que chega à maioria da população, ressalvadas poucas exceções.

O que consumimos hoje, especialmente como música, novelas e programas populares, do tipo crimes-sexo–mortes–sensacionalismo, tem uma qualidade muito ruim.

Entretanto, é preciso que seja assim.

Isso ocorre porque quem houve péssimas músicas, quem não raciocina acerca das informações que recebe, quem não diferencia – no campo da arte e da cultura – o que presta daquilo que é ruim, que só traz má formação, tenderá fortemente a continuar agindo assim em relação a quase todas as demais coisas em sua vida.

Quem aceita muito lixo na cultura também o consumirá nas informações buscadas na internet, nas manifestações artísticas, procurando sempre e invariavelmente na TV e nas redes sociais o grotesco, o sangrento, o baixo nível.

E, quando estiver convenientemente viciado na roda viva do lixo cultural, transportará isso para dentro de sua vida, de sua família, com relação a seus direitos, em sua comunidade, onde a opção será sempre pelo pior, pelo mais caricaturesco, pelo mais surreal ou irresponsavelmente grosseiro e estúpido.

Penso que seja isso que leva, hoje em dia, as pessoas a serem trabalhadores e criticarem os direitos trabalhistas. A serem homossexuais e criticarem a luta por respeito e por cidadania dos gays. A serem pobres e quererem desesperadamente que todos os direitos dos mais pobres sejam cortados.

A opção pelo lixo, pela frivolidade, pelo deboche, levada a cabo por quem passa o dia todo ouvindo música de baixaria, assistindo vídeos de violência gratuita, frequentando os piores sites e canais da internet, só pode resultar na exaltação das atitudes e das pessoas que expressam os valores dessa cultura, agora tida como modelo.

Assim, as pessoas procuram também o que há de pior na política, encontram e elegem, e fecham o círculo vicioso da estupidez, para suprema alegria dos mal-intencionados que estão no poder.

Julio Cezar de Oliveira Gomes é graduado em História e em Direito pela UESC – Universidade Estadual de Santa Cruz.

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Na eleição todos ganham, sem exceções

 

Na eleição todos ganham, sem exceções

A instituição do voto, inicialmente ocorrida na Civilização Grega, foi se espalhando lentamente entre os demais povos, e ganhando adeptos, afinal não era possível, a todo o momento e por qualquer disputa, sacar as armas e provocar mortes, ou expor-se ao risco da morte.

Por Julio Gomes.

Quem conhece os processos de luta pelo poder não se ilude: sangue, guerras e mortes sempre estiveram presentes, em todos os tempos, quando se trata da disputa por altas posições, seja entre as cidades-estados da Antiguidade, seja entre os países do mundo contemporâneo ou mesmo apenas entre pessoas.

As guerras que Roma fez em sua grandeza e, depois, em seu declínio; as duas Grandes Guerras Mundiais ocorridas no Século XX; e as disputas entre famílias ricas e ilustres pelo poder em pequenos rincões esquecidos do interior sempre estiveram marcadas por sangue, em quantidade proporcional ao tamanho da disputa.

É exatamente por isso que foi imensamente genial, revolucionária e abençoada a ideia que os gregos tiveram, ainda na Idade Antiga, alguns séculos antes de Cristo, de substituir a disputa armada pela manifestação de vontade das pessoas aptas a opinar, feita por meio da colocação de algum objeto em uma urna, já que a imensa maioria das pessoas não sabia ler nem escrever. Mas já sabia votar!

A instituição do voto, inicialmente ocorrida na Civilização Grega, foi se espalhando lentamente entre os demais povos, e ganhando adeptos, afinal não era possível, a todo o momento e por qualquer disputa, sacar as armas e provocar mortes, ou expor-se ao risco da morte.

Foi assim que Roma também passou a utilizar cada vez mais a instituição do voto – até quando e até onde os Césares o permitiram – e depois, ultrapassado o período de estagnação da Idade Média, o voto voltaria a ter mais valor quando da constituição dos primeiros Estados Nacionais na Europa Ocidental, quando França, Portugal, Inglaterra, Espanha e outras nações se estruturaram politicamente.

É certo que o voto nunca excluiu totalmente as guerras, mas pôde evitar muitas delas, quando os corações humanos assim o permitiram.

Também é igualmente certo que o direito ao voto, inicialmente restrito aos nobres e poderosos, com o passar do tempo passou a ser direito de uma quantidade cada vez maior de pessoas: plebeus, mulheres, analfabetos e outros grupos sociais, podendo-se afirmar que o progresso na amplitude e utilização do voto se constitui como sinal de evolução, de aperfeiçoamento institucional e humano das sociedades em que se verifica este fenômeno tão positivo.

Assim, as disputas entre “coronéis” do interior do Brasil, antes feitas na bala e na ponta da faca, através de jagunços, emboscadas e vinganças, fica cada vez mais no passado, sem deixar saudades.

Hoje, concluída a disputa eleitoral, ninguém mais tem de sepultar entes queridos, seja nas famílias dos trabalhadores recrutados como “soldados”; seja entre as famílias ricas, que têm enormes posses de bens e dinheiro e que disputam entre si o poder.

Após a eleição uns comemoram e outros choram; vários maldizem “apoiadores” traidores e lamentam pelo dinheiro gasto em vão, mas todos – após um tempo maior ou menor de alegrias ou de amargas desilusões – ficam vivos para, querendo, reiniciar todo o ciclo da política junto com sua família, amigos e apoiadores, todos vivos.

Por isso, valorize e defenda a Democracia, o voto, o respeito ao resultado expresso nas urnas. Ele pode não ter sido do seu agrado, mas certamente impediu que a disputa política terminasse com um banho de sangue.

Julio Cezar de Oliveira Gomes é graduado em História e em Direito pela UESC – Universidade Estadual de Santa Cruz.

BLOG DO GUSMÃO - Cidadania, política e sustentabilidade (blogdogusmao.com.br)


Rebocador Vega também é afundado na Baía de Todos-os-Santos; veja vídeo

 Sábado, 21 de Novembro de 2020 - 17:00


Rebocador Vega também é afundado na Baía de Todos-os-Santos; veja vídeo
Foto: Camila Souza/GOVBA

Além do ferry-boat Agenor Gordilho (assista aqui), o rebocador Vega também teve afundamento assistido neste sábado (21), na Baía de Todos-os-Santos. 

 

As duas embarcações submergiram a uma profundidade de 36 metros, em frente ao Yacht Clube da Bahia. 

 

O afundamento foi uma ação do governo estadual através da Secretaria do Turismo do Estado (Setur) com o objetivo de fortalecer o turismo náutico na Baía de Todos-os-Santos.

 

De acordo com a administração estadual, a expectativa é de que na próxima semana já sejam realizadas atividades de mergulho no local. O ponto de afundamento fica exatamente a 1,5 quilômetro da costa.

 

Bestas humanas, em repugnante sadismo, assassinaram João Alberto no supermercado Carrefour

 

Delegada diz que morte de João Alberto no Carrefour não foi racismo

Não é a primeira vez que acontece racismo no Carrefour

Pedro do Coutto

O título do artigo remete ao romance de Emile Zola, filmado por Jean Renoir, um clássico do cinema. Aqui no Brasil, foi um crime hediondo marcado por total sadismo que não encontra motivo lógico capaz de explicar quais as razões das cenas que levaram a um desfecho tão trágico, repudiado por toda a população que assistiu à gravação feita por um motoboy, que trouxe para a realidade um acontecimento tão brutal.

Qual a razão dos criminosos que justifique, não só o assassinato, mas o início de uma abordagem em um loja do Carrefour. A empresa, ela própria sentiu o peso da reação popular revoltada com o que foi demonstrado.

O preconceito racial está entre os motivos do crime, a exemplo da  morte de George Floyd nos EUA.  O fato é que o preconceito racial permanece absurdamente na realidade de hoje, apesar de estarmos distante há 130 anos do fim da escravidão. Esta, por sua vez, vigorou no Brasil por 350 anos.  É inadmissível que assim seja.

OUTRO ASSUNTO – Reportagem de Cassia Almeida, O Globo deste sábado, focaliza o levantamento da Confederação Nacional do Comércio a respeito do que seria uma reação do poder de consumo da parte da população cuja renda mensal está acima de 10 salários mínimos. Na minha opinião, trata-se de uma fraude. Afinal de contas, como é possível se configurar uma retomada de consumo se os salários estão congelados e os preços em ascensão? Não consigo aceitar tal afirmativa, a qual não tem nenhuma explicação lógica?

Entretanto a mesma matéria focaliza também uma opinião do diretor social da FGV, Marcelo Neri, que sustenta que um dos motivos da retomada de poder de consumo das classes A e B encontra-se no acesso ao crédito bancário. A CNC também apresenta tal hipótese como a forma de traduzir o que considero algo irreal. Com salários congelados perdendo fortemente para os juros bancários dos empréstimos, como vão poder as pessoas físicas que contratam os créditos poderão pagá-los? Para mim não há explicação, pois os juros são de 2% ao mês.

O que deve estar acontecendo refere-se às pessoas que tinham aplicações que passaram a nada render. Com dinheiro parado no banco, preferiram gastar parte dele em consumo ou em alguma atividade comercial.

Enquanto continuar ouvindo Ernesto Araújo e Ricardo Salles, Bolsonaro só dará bola fora


Depois de Weintraub, Ricardo Salles e Ernesto Araújo podem ser os próximos  a cair - Brasil 247

Com ministros desse tipo, Bolsonaro nem precisa de inimigos

Vicente Nunes
Correio Braziliense

Militares de dentro e de fora do governo dizem que, enquanto continuar ouvindo os ministros Ernesto Araújo (Relações Exteriores) e Ricardo Salles (Meio Ambiente), o presidente Jair Bolsonaro só dará bola fora. Ele havia prometido divulgar, na quinta-feira (19/11), uma lista de países que comprariam madeira extraída ilegalmente do Brasil. Não teve coragem.

Em cima da hora, Bolsonaro caiu na real que a maior parte da madeira surrupiada da Amazônia fica no Brasil e foi o governo dele que facilitou a venda de madeira para o exterior. Além disso,  não são países, mas empresas que fazem negócios com madeira ilegal.

NÃO FALTOU AVISO –  Desde que fez a ameaça pela primeira vez, em um encontro com presidentes do Brics, grupo que reúne Brasil, China, Rússia, Índia e África do Sul, Bolsonaro foi avisado pela ala sensata que ainda ocupa assentos no Palácio do Planalto de que ele deveria esquecer o assunto. Mas Araújo e Salles continuaram buzinando no ouvido do chefe.

O resultado disso é que, de novo, o presidente da República virou motivo de chacota. Logo ele que disse que o Brasil é um país de maricas e que todos aqueles que fizeram o isolamento social por causa da pandemia do novo coronavírus são frouxos.

CERCADO DE INCOMPETENTES – Por estar cercado de incompetentes, de pessoas com visão curta e extremamente ideológicas, Bolsonaro está metendo os pés pelas mãos.

Ele não conseguiu sequer entender o resultado das urnas, que lhe foram extremamente negativas nas eleições municipais.

Além dos candidatos que ele apoiava terem tomado uma sova, os eleitores votaram em peso na diversidade, ou seja, em mais mulheres, negros e transexuais, tudo o que o presidente tem ojeriza. Mais: o bolsonarismo que ele acreditava estar forte vem minguando rapidamente.

ALGUMAS PRAGAS – Os militares que ainda acreditam no governo dizem que Bolsonaro precisa se livrar de “algumas pragas” antes que seja tarde demais. Quem desfruta da intimidade do presidente, porém, garante que ele está feliz da vida com os ministros de Relações Exteriores e do Meio Ambiente.

“Bolsonaro está precisando ouvir bons conselhos, como por exemplo, descer do palanque e resolver problemas, como a situação do Amapá, que está há 20 dias mergulhado num apagão. Duvido que Ernesto e Ricardo o aconselharam a ver de perto o que está acontecendo aos amapaenses”, disse um militar, sobre o fato de Bolsonaro ter demorado tanto a ir ao Amapá, o que só aconteceu neste sábado, 21 de novembro, mas já será tarde.

TSE encontra mais de R$ 60 milhões irregulares nas prestações de contas de candidatos


(Arquivo do Google)

Jan Niklas
O Globo

Um levantamento do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) aponta que indícios de irregularidades nas prestações de contas de candidatos no primeiro turno das eleições somam mais de R$ 60 milhões. Esse valor abrange as doações e os gastos com pagamentos de serviços das campanhas de candidatos a vereador e prefeito.

Segundo o levantamento, a maior ocorrência é de doações realizadas por pessoas sem emprego formal registrado, cujas inconsistências somam mais de R$ 33 milhões e envolvem 9.068 doadores. O relatório feito pelo Núcleo de Inteligência da Justiça Eleitoral foi concluído na última quarta-feira, dia 16.

RENDA INCOMPATÍVEL – Em seguida, aparecem 1.981 doadores com renda incompatível com o valor doado. As doações realizadas por essas pessoas ultrapassam R$ 17 milhões. Ainda segundo o documento, há 1.745 fornecedores sem registro ativo na junta comercial ou na Receita Federal que receberam R$ 3,3 milhões por serviços prestados durante a campanha deste ano.

O órgão identificou também 1.289 fornecedores que possuem em seu quadro societário pessoas que são beneficiárias do programa Bolsa Família. Outras 1.227 pessoas que estão inscritas em programas sociais de auxílio do estado efetuaram doações financeiras somando um montante de R$ 573 mil.

Além disso, 925 fornecedores de campanha têm relação de parentesco com o candidato ou seu vice, recebendo, no total, mais de R$ 1,6 milhão. Também foram encontrados 15 doadores no Sistema de Controle de Óbitos (Sisobi) que, apesar dessa inconsistência, teriam doado uma quantia total de R$ 19.587,40.

FORNECEDORES – Na lista de indícios de irregularidades foram ainda encontrados fornecedores contratados por empresas cujos sócios são filiados a partidos políticos. Nessa tipologia, foram identificados 1.745 casos em que os contratados receberam R$ 3,3 milhões até o momento.

O documento do TSE foi elaborado através de um cruzamento de dados de outros seis órgãos federais: Receita Federal do Brasil (RFB), Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf), Ministério Público Eleitoral (MPE), Defensoria Pública Federal (DPF), Tribunal de Contas da União (TCU) e Ministério da Cidadania (MC).

Entrevista de bolsonarista investigado por criar fake news é compartilhada por Trump


Allan fez acusações levianas e Twitter pôs alerta de desinformação

Camila Mattoso
Folha

O presidente norte-americano Donald Trump compartilhou no Twitter uma entrevista do bolsonarista Allan dos Santos, um dos investigados pelo STF no inquérito das fake news, sobre fraude nas eleições norte-americanas. Santos deixou o Brasil em julho e passou a morar nos Estados Unidos.

Um dos responsáveis pelo site bolsonarista Terça Livre e alvo de ao menos duas operações de busca e apreensão da Polícia Federal ordenadas pelo Supremo, ele participou de programa do canal de TV a cabo chamado One America News Network, pró-Trump.

FRAUDES – Allan tem dito que identificou fraudes na recente eleição norte-americana que deu a vitória para o democrata Joe Biden contra Trump, de quem é um defensor. No entanto, no programa não apresentou qualquer prova concreta e se restringiu a reproduzir teorias frágeis de manipulação das eleições que têm sido disseminadas por apoiadores do presidente norte-americano.

Autoridades eleitorais dos Estados Unidos têm dito que a disputa foi a mais segura da história.O Twitter colocou na publicação de Trump um alerta de desinformação que diz que a acusação de fraude ali contida é contestada.Também repetindo senda aberta por Giuliani e outros trumpistas, Allan atacou a empresa Dominion, responsável pelos softwares de máquinas de contagem de votos.

O próprio Trump já fez críticas à empresa, acusando-a de ter computado milhões de votos a menos para ele. A Dominion publicou uma declaração em conjunto com departamento de segurança dos EUA afirmando não existir qualquer evidência de que qualquer sistema de votação tenha deletado, perdido ou mudado votos nas eleições norte-americanas de 2020.

sábado, novembro 21, 2020

Missão da OEA aponta falhas nas eleições e critica falta de fiscalização do Fundão Eleitoral


Reveja os principais acontecimentos de 2018 nas charges marcantes de Jorge  Braga

Charge do Jorge Braga (O popular)

Felipe Bächtold
Folha

Uma missão de observadores da OEA (Organização dos Estados Americanos) que acompanhou as eleições municipais no primeiro turno elogiou os esforços para a realização do pleito no Brasil em plena pandemia, mas fez uma série de críticas à Justiça Eleitoral em pontos como acompanhamento público do uso do fundo eleitoral e a análise jurídica das candidaturas.

Os 14 observadores, de nove nacionalidades, estiveram em seções eleitorais pelo país, entrevistaram autoridades responsáveis e publicaram um relatório prévio sobre os temas analisados na quarta (18). Foi a segunda vez que a entidade, que reúne 35 países das Américas, fez esse trabalho no Brasil —a primeira havia sido em 2018.

HOUVE ELOGIOS – Apesar das falhas que atrasaram a divulgação de resultados e que provocaram instabilidade em aplicativo do TSE (Tribunal Superior Eleitoral), de maneira geral o grupo parabenizou o trabalho de organização da eleição e o compromisso de realização do pleito em uma complexa situação como a provocada pelo coronavírus.

Em relação a um dos principais temas da organização das eleições, o uso da urna eletrônica, os diplomatas não levantaram dúvidas sobre a confiabilidade do sistema e destacaram a tradição de agilidade na apuração dos votos, embora na semana passada, após o primeiro turno, o presidente Jair Bolsonaro tenha voltado a questionar a segurança do modelo de votação brasileiro.

AUDITORIA E FISCALIZAÇÃO – Em seu trabalho de observação, a equipe da OEA recomendou que sejam ampliadas ocasiões públicas de auditoria, de forma a “dar garantias à população”, e também sugeriu mais presença de partidos políticos na fiscalização das urnas.

Um dos procedimentos públicos citados é a chamada “votação paralela”, demonstração na qual técnicos fazem um teste público de alguns dos equipamentos no dia da votação.

Em entrevista à Folha, por e-mail, o chefe da missão, o uruguaio Agustín Espinosa, disse: “Na democracia, há espaço para todas as opiniões, mas o importante é que esse debate ocorra mais a nível técnico do que a nível político. Que os questionamentos tenham consistência e que as respostas esclareçam as dúvidas”.

ATRASO NA APURAÇÃO – O atraso na divulgação dos resultados, na noite do domingo (15), foi mencionado pelos diplomatas no informe, que elogia o que considerou ser a maneira transparente com a qual o TSE, presidido pelo ministro Luís Roberto Barroso, comunicou o problema à população.

O custo de organização da eleição foi estimado em outubro em R$ 647 milhões. Outros R$ 2 bilhões de recursos públicos foram destinados ao financiamento dos candidatos.

Para o grupo de observadores, há ineficiência na fiscalização dos recursos destinados aos candidatos e faltam funcionários em número suficiente para o volume de trabalho de acompanhamento das prestações de despesas dos partidos.

ANÁLISE DE CONTAS – O relatórios também diz que não foi concluído um sistema eletrônico de análise automática de contas, como era previsto.

Ainda dentro desse assunto, os diplomatas consideraram positivas as cotas para financiamento de candidaturas de mulheres e negros, mas citaram que o critério racial foi definido já durante a campanha, sem regulamentação. Disseram ainda que faltam punições para as agremiações que não respeitam essas normas.

Os diplomatas também se mostraram contrariados com o fato de milhares de candidaturas terem ficado pendentes de julgamento às vésperas do pleito.

13 MIL PENDENTES – O relatório afirma que dois dias antes do pleito ainda havia 13 mil casos de registro de candidaturas à espera de decisão final nas cortes eleitorais e que, com as várias instâncias de apelação, os processos são alongados, em que pese proporcionar mais garantias aos envolvidos.

Julgamentos após a votação podem provocar reviravolta nos resultados das urnas e até novas eleições.

À Folha o chefe da missão citou duas propostas apoiadas pela equipe: criar um pré-registro das candidaturas na Justiça Eleitoral, o que ampliaria o tempo disponível para análise e julgamento, e antecipar o período de registro sem modificar o restante do calendário eleitoral. “O importante é que exista um debate amplo sobre estas duas recomendações”, afirmou ele.

FAKE NEWS – Outro problema marcante das eleições recentes no país, a desinformação e as notícias falsas, também foi abordado no relatório preliminar. O grupo de observadores disse que o impacto dessas ações foi minimizado neste ano com medidas como colaboração com plataformas digitais e com agências de checagem de notícias.

“O problema agora é investigar a relação de financiamento que existe entre os grupos interessados em disseminar notícias falsas”, disse Agustín Espinosa à reportagem.

Os observadores acompanharam a votação nas cidades de São Paulo, Rio de Janeiro, Goiânia e Valparaíso de Goiás.

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