Ao buscar o Supremo, Flávio antecipou uma crise gravíssima
Carlos Newton
Para quem ainda espera e torce para que o país mude, a sensação foi de um enorme desânimo, ao tomar conhecimento de que o deputado estadual e senador eleito Flávio Bolsonaro (PSL-RJ) tinha obtido uma liminar do Supremo Tribunal Federal para suspender as investigações sobre as movimentações atípicas envolvendo Fabrício Queiroz , ex-assessor de seu gabinete.
“EXPLICAÇÃO PLAUSÍVEL” – O pedido ao STF foi um absurdo, porque constitui uma verdadeira confissão de culpa do deputado Flávio Bolsonaro, demonstrando que não há nem nunca houve “explicação plausível” sobre o comportamento de Queiroz, que se diz um “cara de negócios”, esquecido de classificar que se trata de “negócios escusos”.
Na reclamação feita ao Supremo, Flávio Bolsonaro argumentou que deveria ser processado no STF pelo fato de que assumirá o mandato no Senado em poucos dias, quanto terá (?) foro privilegiado.
FUX ERROU – A decepção foi ainda maior, porque o ministro Luiz Fux, considerado um dos maiores processualistas brasileiros, aceitou a liminar e decidiu pela suspensão das investigações, por entender que cabe ao relator sorteado no STF, ministro Marco Aurélio Mello, definir em que foro o caso deve prosseguir.
Com a máxima vênia, a jurisprudência do Supremo é clara e o próprio Fux participou do julgamento sobre o foro privilegiado, que limitou sua aplicação apenas a ilícitos cometidos durante o atual mandato. Ou seja, crimes anteriores devem ser julgados normalmente em primeira instância, seja federal ou estadual, dependendo da situação.
Além disso, não era caso de urgência, sem “fumus boni iuris” (aparência de direito real) nem “periculum in mora” (perigo de dano). Portanto, Fux não deveria ter se manifestado, bastava aguardar o fim do recesso. Mas tratava-se do filho do presidente, e é sabido que no Brasil nem todos são iguais perante a lei, a Constituição que nos perdoe.
CRIOU-SE A CRISE – O pedido de Flávio Bolsonaro ao Supremo não só é uma completa confissão de culpa, como também antecipa uma crise desnecessária, que só viria a eclodir muito tempo depois, quando fosse concluído o inquérito sobre o comportamento marginal da famiglia Queiroz, sendo a denúncia aceita pela Justiça.
Fica claro que não há “explicação plausível”, repita-se, e o ex-assessor Queiroz agia em nome do deputado estadual ao fazer a cobrança do pedágio dos falsos assessores, supostamente “contratados” sem prestar serviços, e a finalidade era enriquecer ilicitamente o parlamentar.
Aliás, essa movimentação atípica justifica com clareza o vultoso patrimônio imobiliário da família. Na verdade, Flávio Bolsonaro indiretamente confessou o crime e deixou muito mal seu pai, ao abrir uma grave crise institucional que apenas se esboçara.
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P.S. 1 – Fica provado que, além de desonesto, Flávio Bolsonaro também é um completo idiota, porque a jurisprudência do Supremo vai devolver o caso à Justiça do Rio de Janeiro.
P.S. 1 – Fica provado que, além de desonesto, Flávio Bolsonaro também é um completo idiota, porque a jurisprudência do Supremo vai devolver o caso à Justiça do Rio de Janeiro.
P.S. 2 – E também fica provado que, por mais que a gente vote, não consegue eleger um político decente que realmente mereça governar o país. O último que teve esse predicado chamava-se Itamar Franco e está cada vez esquecido. (C.N.)



