terça-feira, outubro 05, 2010

Apenas cinco "famosos" elegem-se na Câmara

Divulgação
O ex-jogador Romário (PSB-RJ) foi um dos candidatos famosos que garantiu a vaga. Ele teve 1,84% dos votos válidos.
Thomaz Pires

A corrida eleitoral para a Câmara dos Deputados garantiu a vaga para apenas cinco candidatos de apelo popular. Durante a disputa nos estados, não faltaram nomes na longa lista de famosos, como ex-jogadores de futebol, celebridades e artistas. Mesmo com as previsões otimistas, a popularidade dos postulantes não surtiu efeito nas urnas e falhou na hora de garantir o resultado satisfatório na disputa eleitoral.

A nova composição da Câmara

Os deputados federais mais votados no país

Tudo sobre os resultados das eleições de 3 de outubro

O Congresso em Foco verificou os resultados divulgados pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Da longa lista de famosos, elegeram-se: o ex-jogador Romário (PSB-RJ), com 1,84% dos votos válidos, o humorista Tiririca (PR-SP), com 6,35%, o ex-jogador do Grêmio Danrlei, com 2,90%, Stepan Nercessian (PPS-RJ), com 1,84% e Jean Wyllys (Psol-RJ), com 1,05% dos votos. Tiririca foi o deputado mais votado do país, com 1,3 milhão de votos.

As expectativas e avaliações eram satisfatórias para alguns candidatos que despertaram a simpatia do eleitorado ao longo da disputa. Entretanto, a dificuldade de aferir as intenções de voto, por se tratar da disputa proporcional e alto número de candidatos, confirmou alguns prognósticos que já haviam sido antecipados por especialistas.

Diretor de marketing do Instituto Dados, Renato Riela já havia traçado um cenário de incertezas. Segundo ele, embora algumas pesquisas tenham indicado um favoritismo convincente de alguns famosos, a decepção não deve ser encarada como uma surpresa. “As pesquisas para a eleição proporcional são mais incertas. Ao contrário da disputa majoritária, onde há menos dificuldade e verificar a preferência do eleitor, a corrida para a Câmara dos Deputados reserva sempre algumas surpresas”, avalia Renato Riela.

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Fonte: Congressoemfoco

Uma radiografia da política no Brasil

“A democracia brasileira experimentou progressos notáveis nos últimos 25 anos. Os profissionais da política precisam, porém, honrar melhor a sua profissão”

Raimundo Caramuru Barros*

Os espectadores e telespectadores - que acompanharam com olhos um pouco mais críticos o debate dos presidenciáveis no último dia do mês setembro de 2010, fechando o desempenho antes da eleição do último domingo - entraram na madrugada do dia primeiro de outubro com dois sentimentos até certo ponto antagônicos: alívio e preocupação. Esses críticos sentiram alívio pelo nível civilizado adotado pelos quatro contendores que tentaram explicar em uma linguagem polida - sem descer a vis baixarias - as razões que os levavam a postular a Presidência da República. Trocaram apenas farpas de extrema finura, dirigidas com elegância a seus adversários políticos. O show foi bem conduzido sob a orientação de renomados publicitários - nos mínimos detalhes -, desde a maquiagem até o gestos dos protagonistas.

O debate ensejou, porém, uma radiografia do sistema político brasileiro e levantou três preocupações com respeito à sua solidez. Em primeiro lugar, o debate deixou transparecer a fragilidade dos partidos políticos. Todos eles são dominados por suas respectivas cúpulas, cujo objetivo quase exclusivo consiste em promover a eleição do grupo que o domina e a de seus respectivos apaniguados. O partido acolhe também como seu candidato líderes carismáticos bons de voto, que necessitam apenas de uma legenda partidária para atender às normas estabelecidas pelo regime de uma democracia representativa. Terminado o pleito eleitoral, porém, partido e candidatos de ocasião seguem suas respectivas agendas e interesses, sem nenhum compromisso um com o outro.

Em segundo lugar, os programas partidários são na maioria das vezes peças acadêmicas destinadas apenas a satisfazer exigências da legislação eleitoral. Com freqüência, carecem de uma visão estratégica sobre o destino que se deseja imprimir ao país nas próximas décadas. Além disso, os debates e campanhas não demonstram a mínima vinculação de uma visão estratégica com as políticas propostas para os quatro anos do mandato que seus candidatos postulam.

Em terceiro lugar, as propostas dos candidatos assumem chavões de extrema generalidade, quando não abraçam projetos para fins nitidamente eleitoreiros. No debate, todos os candidatos foram favoráveis à construção de metrôs em grandes capitais do país a custos astronômicos. Não analisaram, porém se o solo brasileiro de mais de oito milhões de quilômetros quadrados deve continuar demograficamente vazio para concentrar toda a população do país em algumas megalópoles estupidamente verticalizadas. Ao abordarem o sistema de transporte, os candidatos recorreram a chavões cediços, por não se darem conta de que os sistemas de movimentação de cargas e passageiros dependem crucialmente das opções de uso do solo nacional, adotadas por este país, e dos seus fluxos de intercâmbio com o resto do Planeta.

A democracia brasileira experimentou progressos notáveis nos últimos 25 anos. Os profissionais da política precisam, porém, honrar melhor a sua profissão não apenas em matéria de caráter ético e de carisma político, mas também de competência profissional. Além disso, a democracia representativa se aperfeiçoa na medida em que for associada a fortes doses de democracia participativa e direta para que o poder seja efetivamente exercido pelo povo, com o povo e para o povo. Tal complementação ficou evidente no caso da Lei conhecida como “Ficha Limpa”.

*Filósofo e teólogo, com mestrado em Economia nos EUA, foi consultor do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) e atuou como especialista nas áreas de transportes, trânsito e meio ambiente, dedicando-se em seguida à assessoria de diversas organizações não-governamentais. É autor de Desenvolvimento da Amazônia – como construir uma civilização da vida e a serviço dos seres vivos nessa região (Editora Paulus, 2009), entre vários outros livros
Fonte: Congressoemfoco

Sinal verde só para 44 candidatos da nossa lista

O Congresso em Foco recomendou muita, muita atenção para 331 candidatos enrolados. Desses, apenas 44 já se elegeram. Maioria, porém, ainda depende da decisão final sobre a validade da Lei da Ficha Limpa

Dos 331 candidatos para os quais o Congresso em Foco pediu muita, muita atenção, 44 foram eleitos

Edson Sardinha, Renata Camargo e Thomaz Pires

Ao apertar a tecla para confirmar seu voto na urna, parte do eleitorado brasileiro deu sinal verde a candidatos para os quais este site acendeu o sinal o amarelo durante toda a semana passada. Dos 331 nomes que exigiam muita, muita atenção do eleitor na hora de votar, pelo menos 44 se elegeram no último domingo (3) e quatro passaram para o segundo turno. Esse número pode ser maior, já que muitas candidaturas ainda estão “sub judice” por causa do impasse em torno da aplicação da Lei da Ficha Limpa este ano.

Veja a relação dos eleitos enrolados

Veja a relação dos enrolados que disputam segundo turno


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Candidatos barrados pela Lei da Ficha Limpa receberam 8,9 milhões de votos

Entre esses 48 candidatos eleitos com algum tipo de complicação, 31 são réus de ações penais no Supremo Tribunal Federal por crimes como formação de quadrilha, corrupção, lavagem de dinheiro, apropriação indébita e contra a Lei de Licitações. Cinco já estiveram presos em operações das polícias Civil e Federal. Outros sete respondem a processo na Justiça Federal de Mato Grosso acusados de envolvimento com a chamada máfia dos sanguessugas.

Pelo menos cinco dos eleitos no domingo tiveram contra si parecer pela cassação no Conselho de Ética da Câmara ou do Senado. E outros três escaparam de ter seus votos anulados pela Lei da Ficha Limpa graças a liminares. Mas seus casos ainda são passíveis de novo julgamento. Esses foram os cinco critérios adotados pelo Congresso em Foco para a elaboração da lista que servia de alerta ao eleitor.

A eleição de domingo abriu caminho para o retorno ao Congresso de seis parlamentares que deixaram a Casa, na legislatura passada, sob a acusação de participar da máfia das ambulâncias. Réus na 2ª Vara da Justiça Federal em Mato Grosso, Nilton Capixaba (PTB-RO), Josué Bengtson (PTB-PA), Benjamin Maranhão (PMDB-PB), Paulo Feijó (PR-RJ) e Pastor Heleno (PRB-SE) conseguiram voltar à Câmara.

O ex-deputado Pastor Amarildo (PSC-TO), que também responde a processo pelo mesmo caso em Mato Grosso, pode voltar ao Senado como primeiro suplente do senador João Ribeiro (PR-TO), reeleito anteontem. O ex-deputado Raimundo Santos (PR-PA), outro réu, também se elegeu deputado estadual.

Maioria na Câmara

A maioria dos eleitos enrolados vai ocupar assento na Câmara. São 35 deputados federais, quatro senadores e um suplente de senador, dois deputados estaduais e um distrital. Um foi eleito vice-governador: o deputado Jackson Barreto (PMDB-SE), vice de Marcelo Déda (PT), reeleito em Sergipe. Jackson é réu em cinco ações penais em tramitação no Supremo por peculato.

A lista é composta ainda por dois candidatos a governador – Ronaldo Lessa (PSB), em Alagoas, e Neudo Campos (PP), em Roraima – e dois a vice: os deputados Francisco Rodrigues (DEM-RR) e Rômulo Gouveia (PSDB-PB). Os quatro ainda terão de passar por novo crivo dos eleitores no próximo dia 31.

Lessa conseguiu reverter no Tribunal Superior Eleitoral (TSE), na semana passada, a decisão do Tribunal Regional Eleitoral (TRE) de Alagoas que havia barrado sua candidatura com base na Ficha Limpa. O ex-governador foi condenado, em 2006, por abuso de poder político nas eleições de 2004 e ficou inelegível por três anos. Ele vai disputar o segundo turno com o atual governador, Teotônio Vilela Filho (PSDB).

Réus e presos

Com 47,61% dos votos válidos, Neudo Campos passou na primeira colocação para o segundo turno. Há dois meses, ele renunciou ao mandato na Câmara, e puxou para a Justiça em seu estado duas dezenas de ações e inquéritos contra ele que tramitavam no STF e lhe rendiam o título de campeão em número de processos entre os parlamentares.

O ex-deputado foi preso em 2003 na Operação Gafanhoto, acusado de liderar um esquema para criar folhas falsas de pagamento, que usava 5.500 funcionários fantasmas, os chamados “gafanhotos", para o enriquecimento de 30 autoridades do Estado, entre elas ex-parlamentares, atuais deputados estaduais e federais e conselheiros do Tribunal de Contas do Estado. O esquema pode ter desviado mais de R$ 230 milhões dos cofres públicos em Roraima.

O candidato a vice na chapa do adversário de Neudo, o deputado Francisco Rodrigues, também é réu no STF, acusado de peculato. Candidato a vice na chapa encabeçada por Ricardo Coutinho (PSB) na Paraíba, o tucano Rômulo Gouveia responde no Supremo por crimes eleitorais.

Assim como Neudo, pelo menos outros quatro candidatos que saíram vitoriosos das urnas ontem também já tiveram o desgosto de serem presos: o senador Flexa Ribeiro (PSDB-PA), o deputado federal Sebastião Bala Rocha (PDT-AP), ambos reeleitos domingo; o deputado Carlos Magno (PP-RO), que desembarca na Câmara para o primeiro mandato, e o deputado estadual Antonio Albuquerque (PTdoB), de Alagoas. Albuquerque foi preso em 2008 na Operação Ressurgere, acusado de pistolagem e formação de quadrilha.

Entre os eleitos e reeleitos até agora, quem acumula mais ações penais no Supremo é o deputado Lira Maia (DEM-PA). Reconduzido ao mandato por 118 mil votos, Lira responde a quatro ações por crimes contra a Lei de Licitações e de responsabilidade.

Quem pode dividir com ele essa posição é o conterrâneo Jader Barbalho (PMDB-PA), candidato ao Senado que ainda aguarda decisão da Justiça para saber se será eleito de fato. Jader é um dos barrados pela Ficha Limpa que não conseguiram reverter o indeferimento da candidatura antes da eleição. O deputado busca a confirmação do mandato na base dos recursos.
Fonte: Congressoemfoco

Só 35 deputados se elegeram com seus votos

Nada menos que 478 eleitos foram beneficiados pela coligação com os puxadores de voto, como Tiririca e Garotinho

Leonardo Prado/Câmara
Luciana Genro foi a deputada não eleita mais votada do Brasil

Eduardo Militão

As regras de votação para vereadores, deputados estaduais e federais no Brasil permitem que alguns parlamentares, mesmo bem votados, fiquem de fora dos cargos públicos, enquanto outros entrem em seus lugares “puxados pelos bons de voto”. No domingo (3), apenas 35 deputados foram eleitos com seus próprios esforços, revela levantamento do Departamento Intersindical de Assessoria Parlamentar (Diap), a ser divulgado ainda nesta segunda-feira.

Veja lista dos deputados federais eleitos

A lista dos 35 que se elegeram sozinhos

Ou seja, os 478 restantes entrarão na Câmara em 2011 com a ‘ajudinha’ de outros. O deputados mais votados do país – Tiririca (PR-SP), com 1,35 milhão de votos, e Anthony Garotinho (PR-RJ), com 635 mil – vão levar com eles uma dezena de colegas que não convenceram tanta gente assim que eram os melhores para ocupar uma cadeira no Congresso. Em Brasília, está o deputado mais votado proporcionalmente do país. José Reguffe (PDT-DF) teve 18,95% do votos válidos do Distrito Federal. Ele também puxou alguns políticos de sua coligação com ele.

Na outra ponta, estão os menos votados. Em Roraima, estado com o menor eleitorado, Chico das Verduras (PRP) vai ser deputado com apenas 5.873 votos. À sua frente, Raul Lima (PP-RR) teve 8.331.

Proporcionalmente, o deputado federal menos apoiado pelos eleitores foi o ex-big brother Jean Wyllys (PSOL-RJ), com 0,16% dos votos válidos – apenas 13 mil votos, insuficiente para se tornar deputado estadual em Goiás, por exemplo. Mas Wyllys vai ser o novo deputado do PSOL, graças à votação expressiva de colega de partido Chico Alencar, que teve 240 mil votos.

OS MAIS VOTADOS

Candidato eleito Partido UF Votos %
TIRIRICA PR SP 1.352.147 6,35%
GAROTINHO PR RJ 693.705 8,68%
GABRIEL CHALITA PSB SP 559.669 2,63%
REGUFFE PDT DF 266.465 18,95%
MARCIO BITTAR PSDB AC 51.776 15,37%
MARINHA RAUPP PMDB RO 99.862 14,27%
*Em amarelo, os mais votados proporcionalmente


OS MENOS VOTADOS, mas também eleitos

Candidato eleito Partido UF Votos %
CHICO DAS VERDURAS PRP RR 5.873 4,57%
RAUL LIMA PP RR 8.331 3,77%
BERINHO BANTIM PSDB RR 10.088 2,66%
JEAN WYLLYS PSOL RJ 13.016 0,16%
SALVADOR ZIMBALDI PDT SP 42.709 0,20%
PAULO FEIJO PR RJ 22.619 0,28%
*Em amarelo, os menos votados proporcionalmente

Veja lista dos deputados federais eleitos

As mesmas regras impediram a deputada Luciana Genro (PSOL-RS) de continuar com o mandato. De acordo com a coluna “Vox publica”, do especialista em pesquisas e estatísticas José Roberto de Toledo, ela foi a parlamentar não-eleita que obteve mais votos no Brasil.

Foram 129 mil votos, mais do que o apoio obtido por Sérgio Morares (PTB-RS), o deputado “que se lixa” para a opinião pública e teve o apoio de 97 mil gaúchos.

O prestígio de ser filha do ex-ministro da Justiça Tarso Genro (PT) não ajudou Luciana. De acordo com Toledo, pelas regras do sistema proporcional, a deputada precisaria de 193.126 votos dos gaúchos para continuar seu mandato no ano que vem.

Alternativas

O diretor de documentação do Diap, Antônio Augusto de Queiroz, o Toninho, diz que o sistema atual procura dar espaço para as minorias da sociedade, que são representadas pelos pequenos partidos, os que mais se beneficiam das regras. O mesmo sistema permite que Tiririca (PR) se eleja sozinho e traga junto com ele parlamentares como Valdemar Costa Neto (PR-SP) e Milton Monti (PR-SP).

Entretanto, Toninho entende que o sistema deve ser aperfeiçoado. No Congresso, tramitam propostas para mudar o sistema proporcional para o de voto distrital e voto distrital misto. No primeiro, os estados são divididos em distritos e o mais votado em cada um deles é eleito. “Mas isso privilegia o poderio econômico”, critica o diretor do Diap, lembrando que, nos EUA, um deputado geralmente só deixa de ser reeleito para a Câmara quando morre.

O outro sistema mistura o regime atual com o distrital. Os eleitores votariam em dois vereadores, dois deputados estaduais e dois federais. Um seria eleito com base na regras atuais, beneficiando-se das coligações. O outro, com base nos distritos.

Sem discussão

Toninho diz que não existe no Congresso discussão para fazer a eleição de deputados bem mais simples, igual à dos senadores. Ou seja, os mais votados em cada estado seriam eleitos. Ninguém seria beneficiado com “puxadores de votos”.

“É uma outra alternativa. Seria um dos caminhos de escolher”, reflete o diretor do Diap. “Acho que, no final, poderia eventualmente massacrar os pequenos partidos. Sinceramente não tenho opinião formada”, conta Toninho.

Fonte: Congressoemfoco

Diretor do Sensus: "Efeito Marina" foi menor do que parece


Raphael Falavigna/Terra
Para Ricardo Guedes, a chamada onda verde não foi a principal responsável pelo segundo turno
Para Ricardo Guedes, a chamada "onda verde" não foi a principal responsável pelo segundo turno

Dayanne Sousa

Nem o crescimento de Marina Silva (PV) no dia da eleição presidencial foi tão grande, nem os institutos de pesquisa erraram por não determinar com clareza que haveria segundo turno, afirma o diretor do Instituto Sensus, Ricardo Guedes. Para ele, a abstenção mais alta nas regiões Norte e Nordeste em comparação com outros locais é que provocou as discrepâncias entre o que previram as pesquisas - inclusive a de boca de urna - e o resultado final.

- O "efeito marina" é muito menor do que se supõe. Foi algo localizado em grandes capitais como Rio de Janeiro, Brasília e Belo Horizonte, mas não influiu em mais que 2% nos resultados de Dilma Rousseff (PT).

Marina terminou as eleições com 19,33% dos votos válidos, mais do que os quatro principais institutos de pesquisa indicavam em seus levantamentos mais recentes. Pesquisa Datafolha, um dia antes da eleição, dava a ela 17% dos válidos. Considerando-se, porém, todo o universo do eleitorado (incluindo votos nulos, brancos e não comparecimento/sem opinião), Marina teve 17,65% enquanto as pesquisas davam a ela 16% dos votos no total do eleitorado.

- Tem um pouquinho que pode ser atribuído à onda verde? Pode. Mas o tanto que ocorreu imprevisível em relação a ela é de 1,75, absolutamente dentro da margem de erro!

Como explicar, então, a diferença das previsões em relação à Dilma, líder nas pesquisas? Guedes afirma que está concluindo um estudo a respeito, mas aponta a abstenção maior no Nordeste e Norte como o fator determinante.

Segundo os cálculos de Guedes, a abstenção somada a votos brancos e nulos no Nordeste foi igual a 29,34% dos eleitores da região. O Norte teve abstenção de 25,03 enquanto a média brasileira foi de 25,19% e no Sul foi de 21,13%. Isso prejudicaria Dilma, uma vez que ela tem uma porcentagem maior de votos entre os eleitores nordestinos.

- Isso desproporciona o voto. Nós vamos agora ponderar o que ocorreu nas eleições como se a abstenção tivesse sido a mesma em todas as regiões. Aí nós teríamos os resultados corretos do que seria se a abstenção fosse uniforme. Eu acredito que os resultados que nós vamos obter serão equivalentes aos da boca de urna do Ibope - explica Guedes.

Os possíveis motivos dessa abstenção, porém, são difíceis de explicar. "Não foi a chuva, porque só choveu no sudeste e centro-oeste onde o Serra ganhou", brinca o pesquisador.

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segunda-feira, outubro 04, 2010

As novidades desta eleição

Por Luciano Martins Costa, do Observatório da Imprensa

As eleições deste ano no Brasil trazem algumas constatações interessantes na relação entre a política e a comunicação. A primeira delas é que os institutos de pesquisa já não conseguem captar o pensamento da sociedade: todos eles erraram por muito na contagem final dos votos. A segunda é que a internet já compete com a mídia tradicional na influência do eleitorado. E a terceira é que o Brasil parece ter adquirido finalmente o respeito internacional pela solidez de sua democracia, depois de haver chamado a atenção do mundo pelo desempenho de sua economia.

A alienação dos institutos que tentam adivinhar o resultado das eleições já vinha se manifestando nos dias anteriores, com a oscilação dos votos da candidata Dilma Rousseff, que no começo da semana passada era considerada a mais atingida por correntes de mensagens na internet sobre a descriminalização do aborto.

Na véspera da eleição, porém, as pesquisas voltavam a apontar a grande probabilidade de vitória no primeiro turno, tendência que se manteve nas sondagens de boca de urna. No final, a realidade mostrou o crescimento da candidata Marina Silva e a transferência da decisão para 31 de outubro.

Espetáculo democrático

A rede caótica da internet foi determinante, segundo os analistas citados pela imprensa, para tirar votos da candidata do governo e transferi-los para a outra postulante, Marina Silva, o que, segundo especialistas, revela um cuidado do eleitor de não confrontar o atual presidente da República, dono de índices de popularidade e aprovação históricos.

O eixo da mudança teria sido a questão do aborto, o que revela de certa maneira a antecipação de um fenômeno esperado para os próximos anos: o aumento do conservadorismo das novas classes médias, recém promovidas socialmente.

O enorme interesse da imprensa internacional pelas eleições no Brasil também é um fato inédito. Depois de surpreender o mundo com o crescimento econômico dos últimos anos e a maior dinâmica social, o país apresenta aos observadores o espetáculo democrático das eleições ordeiras, seguras e livres, com um território quase continental e uma ampla diversidade populacional.

Está em jogo o legado de Lula, segundo a revista Época uma surpreendente história de sucesso.


(Envolverde/Observatório da Imprensa)

Após votação recorde, Tiririca viaja ao Ceará: 'Vão ter que me engolir'

Deputado federal eleito teve mais de 1,3 milhão de votos em São Paulo





Redação CORREIO

O deputado federal eleito Francisco Everardo Oliveira Silva, o Tiririca, viajou para o Ceará na noite de domingo (3) e disse que descansaria com a a famílía. Tiririca, que obteve mais de 1,3 milhão de votos em São Paulo, recorreu a uma frase do técnico Zagalo para se dirigir aos seus críticos. "Como diria o Zagalo, vocês vão ter que me engolir", afirmou, em seu Twitter.

Não houve ainda coletiva do Partido da República, para falar sobre a vitória de Tiririca. Na sede do partido, na Avenida República do Líbano, na Zona Sul da capital, só apareceu uma secretária para trabalhar.



Após votação recorde, Tiririca viaja ao Ceará: 'Vão ter que me engolir'

Pela internet, o partido publicou no fim da manhã a noticia da vitória, ressaltando que, por pouco Tiririca não superou a marca de outro candidato famoso do partido, Eneas Carneiro, que morreu em 2007. A coordenação da campanha confirmou que Tririca foi viajar na noite de segunda.

A reportagem gravou o deputado eleito desembarcando no aeroporto de Fortaleza, no Ceará, sorridente, em companhia da família. O coordenador da campanha diz que ele foi descansar e só volta na quarta-feira. As informações são do G1.

Fonte: Correio da Bahia

Propaganda gratuita no rádio e na TV irá até o dia 29

Agência Brasil

Os candidatos à Presidência da República José Serra (PSDB) e Dilma Roussef (PT) podem iniciar a propaganda eleitoral gratuita no rádio e na televisão para o segundo turno 48 horas após a proclamação dos resultados do primeiro turno pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE). O dia 16 de outubro é a data limite estabelecida pela legislação eleitoral para que ela comece a ser veiculada.

A informação foi divulgada hoje (4) pelo TSE. Segundo o tribunal, serão veiculados dois períodos diários de 20 minutos para cada cargo em disputa, inclusive aos domingos, até o dia 29. Tal como no primeiro turno, no rádio, a propaganda será veiculada às 7 e às 12h. Na televisão, às 13h e às 20h30. Primeiro, serão transmitidos os 20 minutos destinados aos candidatos a presidente, e a seguir os 20 minutos para os candidatos a governador.

Cada candidato a presidente e a governador tem direito a dez minutos em cada bloco de transmissão. Eles ainda têm mais 7 minutos e 30 segundos diários, cada um, para divulgar propaganda em forma de inserções de 15 a 60 segundos, o que totaliza 30 minutos diários de inserções.

Fonte: Tribuna da Bahia

Jaques Wagner é reeleito governador

Lílian Machado

Com total superioridade sobre os adversários, o governador Jaques Wagner foi o grande vencedor das eleições estaduais deste ano na Bahia, sendo reeleito com 63,83% dos votos válidos. A vitória considerada histórica permitiu a prevalência do projeto petista no Estado, que além de conquistar a permanência no poder Executivo emplacou os dois senadores, Walter Pinheiro (PT) e Lídice da Mata (PSB). O democrata Paulo Souto ficou em segundo lugar com 16,07% dos votos válidos, enquanto o peemedebista Geddel Vieira Lima em terceiro, com 15,55%.

Em clima de comemoração no Palácio de Ondina – residência oficial do governador, Wagner agradeceu ao eleitorado pelo êxito de seu projeto nas urnas e prometeu “trabalhar ainda mais para devolver a confiança e a generosidade do povo baiano”. Com o resultado, o governador admitiu ter criado uma nova “hegemonia” política no Estado. O petista deve ser um dos comandantes da campanha da candidata Dilma Rousseff (PT) para o segundo turno das eleições presidenciais.

“Podem ter tranquilidade, pois esse governador vai trabalhar ainda mais para levar melhorias para todos vocês”, disse, mandando o recado para a população, em ambiente de muita celebração ao lado de aliados no Palácio de Ondina. Segundo Wagner, sua vitória foi a concretização de “uma mudança de pensamento” na Bahia. “Os eleitores, em 2006, apostaram em um projeto para o futuro. Hoje, depois de um trabalho de quatro anos, apostaram em uma continuidade”, enfatizou.

O governador reeleito atribuiu sua vitória também ao resultado de uma atuação coletiva. “Não faço nada sozinho, porque não acredito em estrela solitária.

Trabalho em equipe. A humildade e o trabalho são os melhores para o sucesso. O objetivo hoje é construirmos uma hegemonia de pensamento, não é uma hegemonia do governador”.

O reconhecimento da “união de um mesmo projeto” também ajudou a definir a reeleição, conforme o governador. “A vaidade individual de cada um não é um defeito, mas ela não pode ser maior do que a vaidade de um projeto coletivo”, disse, alfinetando o PMDB que rompeu com o governo e lançou como candidato o ex-ministro Geddel Vieira Lima, terceiro colocado no processo eleitoral.

Alianças para a próxima gestão

Sobre as alianças para a próxima gestão, Wagner disse que irá pensar primeiro nos partidos aliados, que contribuíram com o projeto principalmente durante a campanha. “Não há como conversar agora com aqueles que foram oposição a mim. Não posso tratar de DEM e PMDB. Os atores dos dois partidos é quem precisam resolver essa questão”, restringiu.

Ainda sobre os seus adversários, que eram aliados no início de 2006 - Geddel Vieira Lima e César Borges –, o gestor petista disse que “o tempo mostrou que eles fizeram uma escolha errada”. “Os números das urnas estão mostrando que ele (César Borges) fez uma escolha errada”, afirmou.

O governador enumerou como prioridades de seu segundo mandato o “aprofundamento” pela redução da desigualdade social com a geração e ampliação do número de empregos e a atração de investimentos. Segundo ele, será meta de trabalho também a intensificação do trabalho nas áreas da agricultura familiar e da infraestrutura, com melhorias das estradas.

“Não há porque não devolver esse carinho dos baianos com mais trabalho ainda também na área da saúde, da segurança e da educação”, disse. Wagner disse ainda que pretende “aprofundar a relação democrática com a sociedade e trabalhar ainda com mais transparência”

O governador comentou ainda sobre a disputa presidencial, que será decidida em segundo turno entre sua "companheira" de partido Dilma Rousseff e o tucano José Serra, no próximo dia 30. “Como militante desse projeto, me coloco à disposição para trabalhar e eleger Dilma. Creio que temos tudo para ganhar o segundo turno. Por isso agora vamos chamar todos aqueles não votaram em nosso projeto no primeiro turno. Vamos lutar para que possamos dar continuidade ao projeto do governo Lula”. (LM)

Fonte: Tribuna da Bahia

Luiz de Deus e Anilton Bastos foram os maiores derrotados

Redação Notícias do Sertão

image
Luiz de Deus.

Lista de votação completa da cidade de Paulo Afonso/BA

O candidato a deputado federal Luiz de Deus (DEM) foi o mais votado em na cidade de Paulo Afonso na Bahia, com 17.659 votos. Em segundo lugar ficou o Mário Negromonte (PP), que conseguiu sua reeleição, e recebeu 12.553 votos.

O DEM foi o grande derrotado nestas eleições da Bahia. O que mostra agora que depois da morte do velho cacique Antônio Carlos Magalhães, os que ficaram não conseguiram manter seu capital político. A exceção é seu neto que conseguiu ser o mais votado em todo o estado.

Com a derrota, Luiz sai da cena política no estado. Este resultado muda a correlação de forças na cidade. Sai os “deuses” e surgem os “negromontes”.

Os maiores derrotados locais chamam-se Luiz de Deus e Anilton Bastos (prefeito de Paulo Afonso).

Lista completa em Anexo ao lado direito.

Ordem

Colunas1

Colunas2

Colunas3

Colunas4

Colunas5

1

Núm.

Candidato

Partidos

Votação

% Válidos

2

2555

LUIZ DE DEUS

DEM

17.659

35,41%

3

1111

MÁRIO NEGROMONTE

PP - PRB / PP / PDT / PT / PHS / PSB / PC do B

12.553

25,17%

4

1500

MARCELO GUIMARÃES

PMDB - PTB / PMDB / PSC / PR / PRTB

2.232

4,48%

5

4040

LEONELLI

PSB - PRB / PP / PDT / PT / PHS / PSB / PC do B

1.515

3,04%

6

1346

PELEGRINO

PT - PRB / PP / PDT / PT / PHS / PSB / PC do B

1.505

3,02%

7

1331

EMILIANO

PT - PRB / PP / PDT / PT / PHS / PSB / PC do B

1.255

2,52%

8

1357

JOSEPH BANDEIRA

PT - PRB / PP / PDT / PT / PHS / PSB / PC do B

1.244

2,49%

9

4013

BEBETO

PSB - PRB / PP / PDT / PT / PHS / PSB / PC do B

936

1,88%

10

6565

DANIEL ALMEIDA

PC do B - PRB / PP / PDT / PT / PHS / PSB / PC do B

760

1,52%

11

1010

MÁRCIO MARINHO

PRB - PRB / PP / PDT / PT / PHS / PSB / PC do B

652

1,31%



Balanço inicial do primeiro turno

A esquerda teve o melhor resultado eleitoral de sua história: Dilma em primeiro lugar, governadores no Rio Grande do Sul, na Bahia, em Pernambuco, no Ceará, no Espírito Santo, Sergipe, Acre, boas possibilidades no Distrito Federal, possibilidades ainda no Pará, limpa impressionante e renovação com grande bancada no Senado, maiores aumentos nas bancadas parlamentares na Câmara.

A frustração veio da expectativa criada pelas pesquisas de uma eventual vitória no primeiro turno para presidente. Uma análise mais precisa é necessária, a começar pelo altíssimo numero de abstenções e também dos votos nulos e brancos que, somados, superam um quarto do eleitorado. Mas também dos efeitos das campanhas de difamação – sobre o aborto, luta contra a ditadura, etc., assim como o efeito que o caso da Erenice efetivamente teve para diminuir o resultado final da Dilma.

A votação da Marina certamente influenciou. A leitura desse eleitorado é complexa, nem de longe se trata de onda ecológica no Brasil – as outras votações dos verdes foram inexpressivas. Juntaram-se varias coisas, desde votos verdes, esquerda light, até votos anti-Dilma, votos desencantados com o Serra, entre outros. Mas o montante alto requer uma análise mais precisa.

Para o segundo turno contam esses votos: mais da metade concentrados em São Paulo, Rio de Janeiro e Minas Gerais, além do DF, onde ela ficou em primeiro lugar. Qualquer que seja a decisão de apoio no segundo turno – a convocação de assembléias para definir deve confirmar a tendência a abstenção, tornando mais difícil a operação política da direção de apoiar Serra -, esse eleitorado se orientará, em grande medida, não pela decisão partidária, ficando disponível para os outros candidatos. Em 2006, nem o PSol conseguiu que seus votos deixassem de ir para outros candidatos, desobedecendo a orientação do voto em branco.

É uma ilusão considerar que o segundo turno é outra eleição. É a continuação do primeiro, em novas condições – de bipolarização. A campanha deve ser dirigida diretamente por Lula, deve ser centrada na comparação dos governos do FHC e do Lula, deve ter uma estratégia específica para o eleitorado da Marina e deve multiplicar os comícios e outros atos de massa – um diferencial importante entre as duas candidaturas.

Em 2006 o segundo turno foi muito importante para dar um caráter mais definido à polarização com os tucanos, o mesmo deve se dar agora. Que ele multiplique a votação e a mobilização, para tornar mais forte ainda a vitória da Dilma. Ela é favorita, mas devemos precaver-nos das manobras dos adversários, do uso da imprensa, das campanhas difamatórias.

Pode ser um segundo turno de polarização mais clara também, porque os debates diluíam os temas, na medida em que havia um coro de 3 candidatos colocando ênfase nas denúncias. Não soubemos colocar como agenda central o fato de que o Brasil se tornou menos injusto, menos desigual, com Lula, e que esse é o caminho central a seguir.

Outros temas do primeiro turno abordaremos em outros artigos. Este é para abrir a discussão com todos.

LEIA TAMBÉM:

O segundo turno e a revolução democrática - Emiliano José

Postado por Emir Sader às 02:20

Resultados Esperados e Inesperados


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Agora é juntar os cacos para quem perdeu e bom trabalho aos eleitos

Apurados os votos das eleições de ontem, 03.10, tivemos resultados inesperados e alguns até aparentemente inexplicáveis, esperando-se dos cientistas políticos que já começaram a ser ouvidos na noite de ontem, suas interpretações, geralmente especulativas e sem a precisão para quem se debruça nos números eleitorais e seus reflexos.

Quando tudo parecia que a eleição para Presidente se definiria no 1º turno, coisa que nem Lula conseguira em suas duas eleições, a ascensão de Marina Silva tirou votos de Dilma e determinou a realização do 2º Turno. Em São Paulo onde pela primeira vez se indicava maioria para o PT, no final deu Serra 40,33% contra 38,14% de Dilma e 20,10% de Marina. Já em Minas Gerais Marina voltou a surpreender, ficando com 21,25% contra 46,98% de Dilma e 30,76%.

No segundo turno não haverá mais a terceira via chamada Marina Silva e o bom combate será direto, tête-à-tête (do francês), Dilma X Serra que deverá ser lido Lula x oposição.

Ainda no plano nacional tivemos Tiririca, candidato a deputado federal em São Paulo como recordista de votos com 1.353.820. O inesperado veio com as derrotas para o Senado dos caciques Tasso Jereissati (PSDB-CE), Marco Maciel (DEM-PE), Heloisa Helena (PSOL-AL), Albano Franco (PSDB-SE), Heráclito Fortes e Mão Santa (DEM e PSC no Piauí), Efraim Morais (DEM-PB) e Arthur Virgílio (PSDB-AM). Todos eles, exceto Albano Franco foram os mais veementes opositores de Lula (ficaram com um X cravado nas costas e foram para o beleléu). Surpreendente foi às ascensões de Aloisio Nunes (PSDB) em São Paulo e Eduardo Amorim (PSC-SE). Nas pesquisas mais recentes eles estavam na 3ª colocação em cada Estado e abertas ficaram em 1º.

Nenhum cientista político ouvido na noite de ontem souberam explicar o fenômeno. O raciocínio lógico ficou por conta de Guilherme Afif. Segundo ele como o voto para o senador é majoritário, ele tende a se vincular ao voto para governador. No particular eu concordo plenamente. Eu disse anteriormente que na reta de chegada Pinheiro e Lídice tenderiam ascender em razão direta da extraordinária vitória de Jaques Wagner. Foi assim quando Waldir Pires se elegeu Governador da Bahia e levou consigo Rui Bacelar e Juthay Magalhães. Em São Paulo Alckmin foi o mais votado para Governador e Mercadante veio em segundo e seguindo a lógica, deu Aloisio Nunes e Marta Suplicy, eles vinculados, na ordem respectiva. Netinho que se indicava como em primeiro colocado fez o que sabe fazer, sambou.

Aqui para nós baianos tivemos nossas surpresas. Candidatos a Deputados que tínhamos como certa e reeleição sambaram. É o caso de João Almeida, Colbert Martins, Sérgio Carneiro, Leonelli, Uldurico Pinto, Severiano Neto e alguns outros. Emiliano José e Joseph Bandeira ficaram na beira do caminho. Dilma eleita no segundo turno, por certo eles assumirão o mandato. Emiliano José, um republicano, pela sua honradez, compromisso político e seriedade merece a Câmara Federal.

Outra surpresa positiva não foi à eleição de Mário Negromonte (PP-BA) porque sua eleição era dada como certa como um dos mais votados para a Câmara Federal. Foi o sexto mais votado na Bahia com 169.209 votos. A surpresa positiva não foi à eleição de Mário Júnior que também esperada, a surpresa foi sua colocação no quadro geral para deputado estadual, o segundo mais votado do Estado com 113.398. Quanto a Paulo Rangel sua reeleição era dada como certa. Ele obteve 55.761, ficando como 24º mais votado no quadro geral e 9º mais votado do PT. Na Bahia são 63 deputados estaduais. Valeu o boi.

Luís de deus foi à surpresa negativa. Pelas projeções feitas ele seria eleito. Não foi. Com 53.351 votos obtidos ele seria o 3º estadual mais votado do DEM e resolveu trocar o certo pelo duvidoso. Pesou em seu desfavor o péssimo desempenho de Paulo Souto para governador e Aleluia para o senador que obtiveram 16,09% e 8,12%, na ordem respectiva.

Como vivemos em Paulo Afonso vamos tratar do nosso terreiro (Aiá não quer casca de coco no terreiro). O resultado das eleições em Paulo Afonso para nós foi ingrato, não em razão da não eleição de Luís de Deus e de Raimundo Caires. A não reeleição de Luís de Deus fez nossa representação política andar de banda. Ficamos com apenas um representante na Câmara Federal, Mário Negromonte, e dois na Assembléia Legislativa, Paulo Rangel reeleito e Mário Júnior eleito, mantendo apenas dois.

Na minha avaliação se Luís de Deus mantivesse a sua candidatura a estadual estaria eleito e os números não mentem. Agora é tarde e Inez é morta. Particularmente, embora jamais tenha votado em candidatos do Demo, isso mesmo, Demo, reconheço que Luís de Deus é um político republicano, pessoa proba e que nos mandatos de prefeito e deputados jamais teve seu nome envolvidos em atos incompatíveis com a coisa pública. Isso agora é coisa do passado.

Assustou-me o fraco desempenho dos nossos candidatos aqui em Paulo Afonso. Luiz de Deus que nas eleições de 2006 teve 19.367, agora bateu apenas em 17.59, quando a projeção seria de chegar até 22.000. Mário Negromonte para o qual se esperava uma disputa acirrada com Luiz de Deus ficou com 12.553. No plano estadual Raimundo Caires desprovido de sua anterior base parlamentar, sozinho, saiu fortalecido e alcançou uma votação de 13.171, o que significa que depois de Luís de Deus é a segunda maior liderança local. Ele e Luís por falta de mandato tenderão e enfraquecer, embora 2010 esteja muito próximo. Mário Júnior ficou apenas com 8.503, não acompanhando a votação do pai e Paulo Rangel foi quem mais avançou em relação às eleições de 2006, batendo em 6.302. Nem Mário Júnior e nem o estadual de Luiz de Deus tiveram o voto totalmente casado com as respectivas lideranças.

O que se denota das urnas é quem em relação a 2012, muita coisa mudará em Paulo Afonso. O DEM que sempre manteve 50% votos, nas últimas eleições perdeu essa maioria. Luís de Deus sem voz na Assembléia fará com que o DEM em Paulo Afonso perca espaço e se anuncia o ocaso antecipado, além da péssima performance do DEM no Estado. Mário subiu e nem tanto. Paulo Rangel agora reeleito tende a se fortalecer aqui e na região. Isso significa que Raimundo Caíres se antecipa como o fiel da balança. Meu caro amigo isso é história para outra oportunidade.

FRASE DA SEMANA. "A política não é uma ciência matemática; em política nem sempre é verdade que dois mais dois fazem quatro, nem que a linha reta seja a mais curta." Eugéne Poitou.

Paulo Afonso, 04 de outubro de 2010.

Fernando Montalvão é colunista do Site Notícias do Sertão.

montalvao.adv@hotmail.com

Eleições: Lista dos deputados federais eleitos na Bahia

Para a Câmara dos Deputados, a dianteira não foi surpresa. ACM Neto (DEM) encabeçou durante toda a apuração como o candidato mais votado. Ele foi seguido pelo postulante Lúcio Vieira Lima (PMDB) e pelo deputado Pelegrino (PT). Confira abaixo a lista dos eleitos para o cargo:

PRA BAHIA SEGUIR MUDANDO (Vagas: 22)
Rui Costa (PT) – 205.082
Pelegrino (PT) – 202.470
João Leão (PP) – 201.719
Mário Negromonte (PP) – 168.492
Márcio Marinho (PRB) – 157.742
Felix Jr (PDT) – 148.104
Afonso (PT) – 141.401
Daniel Almeida (PC DO B) – 134.680
Valmir Assunção (PT) – 131.775
Zézeu (PT) – 108.539
Edson Pimenta (PC DO B) – 103.286
Alice Portugal (PC do B) – 101.298
Waldenor (PT) – 87.800
Oziel Oliveira (PDT) - 79.516
Geraldo Simões (PT) – 75.879
Josias Gomes (PT) – 69.245
Jose Carlos Araujo (PDT) – 68.873
Marcos Medrado (PDT) – 68.068
Luiz Argôlo (PP) – 66.677
Roberto Britto (PP) – 63.981
Amauri Teixeira (PT) – 63.603
Luiz Alberto (PT) – 63.308
PARA FAZER ACONTECER (Vagas: 8 )
Lucio Vieira Lima (PMDB) – 219.031
Mauricio Trindade (PR) – 77.255
João Bacelar (PR) – 74.918
José Rocha (PR) – 71.408
Sérgio Brito (PSC) – 70.759
Antonio Brito (PTB) – 70.125
Arthur Maia (PMDB) – 69.556
Erivelton Santana (PSC) – 69.501
DEMOCRATAS (Vagas: 6)
ACM Neto (DEM) - 326.893
Fernando Torres (DEM) – 78.347
Claudio Cajado (DEM) – 71.978
José Nunes (DEM) – 70.406
Fabio Souto (DEM) – 65.913
Paulo Magalhães (DEM) – 53.452
PARTIDO DA SOCIAL DEMOCRACIA BRASILEIRA (Vagas: 2) �
Antonio Imbassahy (PSDB) - 112.465
Jutahy Magalhães Júnior (PSDB) - 108.086
VITORIA DE UMA BAHIA QUE TEM PRESSA (Vagas: 1)
Jânio Natal (PRP) – 41.537

Fonte: Sudoeste Hoje

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