Laerte Braga
Com 110 pessoas em sua comitiva chega ao Brasil na quarta-feira o presidente do Irã Mahmoud Ahmadinejad. Vem a convite do governo do presidente Lula. A visita de Ahmadinejad desagrada a norte-americanos e a israelenses. O governo de Israel convocou o embaixador brasileiro para “explicar” o que isso significa. Há anos atrás, poucos meses antes do golpe de 1964, o ministro Celso Furtado foi a Moscou negociar acordos comerciais com o governo da antiga União Soviética. O embaixador dos Estados Unidos na URSS deu uma bronca pública no brasileiro, alegando, entre outras coisas, que “você não tem nada o que fazer aqui”. Furtado reagiu e assinou os acordos comerciais. Poucos meses depois os militares brasileiros e sua estranha vocação nacionalista para entregar o País derrubaram o governo de Goulart. Permaneceram vinte anos no poder cometendo toda a sorte de abusos, corrupção e barbárie possíveis e não deram ao Brasil uma cara brasileira. O tal nacionalismo e a democracia deles foi a transformação do País em sub produto do imperialismo norte-americano. E são nacionalistas. Imagine se não fossem. A revolução islâmica deu ao Irã a perspectiva de encontrar-se como país soberano, senhor de seu destino e não cabe julgar valores intrínsecos do islamismo, nem extrínsecos, do contrário se dá o direito de julgar o estranho prazer de norte-americanos por armas de fogo como distração e lazer no final de semana. E nos dias de semana um monte de corpos estendidos nas escolas em vários cantos do país. No Brasil os militares, militares é bom não se esquecer, venderam a idéia de transformar o país numa potência sob todos os aspectos, nas se resignaram e assinaram todos os acordos propostos pelos EUA. Ou impostos. Depende da ótica de quem vê. O golpe foi fomentado, organizado e patrocinado pelos donos do mundo. O Oriente Médio historicamente tem sido de suma importância para potências imperialistas. A Grã Bretanha, a França e agora os Estados Unidos. As constantes intervenções militares na região têm um único objetivo. Eliminar governos “inimigos” e controlar o petróleo. O fim da Segunda Grande Guerra trouxe um ingrediente novo. O estado terrorista de Israel. De principal base militar do imperialismo norte-americano transformou-se em importante fator de decisão dos destinos dos Estados Unidos. Grupos sionistas constituem-se em lobbies de tal força que detêm o controle das políticas chaves no governo de Washington. As intervenções norte-americanas no Irã começam em 1941 quando os aliados forçaram o xá a abdicar em favor de seu filho Mohammad Reza Pahlavi, no pressuposto que esse lhes seria mais favorável. E foi. Em 1953 a intervenção foi descarada e aberta quando o xá desentendeu-se com Mohammed Mossadegh, primeiro-ministro, que havia nacionalizado o petróleo no país. A Anglo-American Oil Company. Mossadegh foi deposto, o petróleo continuou com ingleses e norte-americanos e o regime de Reza Pahlavi transformou-se numa ditadura escancarada. Era dissimulada. Esse era o propósito real dos que o sustentavam. Na ótica ocidental o xá modernizava o país. Na visão dos iranianos o xá entregava o país e esmagava religiosos e defensores da democracia. O conceito capitalista de modernizar é o de predação. A revolução islâmica de Khomeyni trouxe o estado islâmico, mas o direito do povo escolher seus governantes. Foi-se o petróleo de norte-americanos e ingleses. A riqueza nacional passou a pertencer ao povo do Irã. Desde o primeiro momento norte-americanos insuflaram a ditadura de Saddam Hussein, aliado de Washington à época. A guerra montada e financiada pelos norte-americanos contra o Irã custou milhões de vidas a iraquianos e iranianos. Foi ali que Saddam usou armas químicas e biológicas contra iranianos e fornecidas por seus aliados, os EUA. Quando achou que poderia voar por conta própria teve as asas cortadas. As mesmas armas químicas e biológicas que já não existiam mais foram o pretexto para a invasão do Iraque no governo terrorista de George Bush. Saddam, confiando nos EUA, tentou desenvolver um programa nuclear em seu país e as usinas foram bombardeadas por aviões de Israel. O Irã é uma potência regional. Está situado estrategicamente no centro dos interesses dos norte-americanos e o programa nuclear desenvolvido pelo governo islâmico pode vir a ser o fator de desequilíbrio no Oriente Médio, onde até então Israel tem sido o braço terrorista dos EUA. As políticas de “salvação da democracia” cabem aos norte-americanos. Ou invadem e ocupam, ou compram governos (Arábia Saudita, Jordânia, Egito, Emirados Árabes, etc). O serviço sujo, o terrorismo fica para Israel (tem “tecnologia” de matar dois com um tiro). A América Latina e particularmente a América do Sul vive um momento de extrema importância em sua história. Começa a perceber-se como bloco de grande força. Governos eleitos pelo voto popular como o do presidente Chávez na Venezuela, Morales na Bolívia, Corrêa no Equador, Lugo no Paraguai, Ortega na Nicarágua e agora El Salvador, transformam-se em pesadelos para os norte-americanos. Já não é possível mais gritar “você não tem nada o que fazer aqui”. O presidente Lula encarregou o embaixador Celso Amorim de dirigir e comandar a política externa brasileira. Um notável diplomata e desde a deposição de João Goulart é a primeira vez que o Brasil assume sua cara, suas feições e coloca-se como país soberano. As limitações decorrentes da política econômica de Lula têm sido sabiamente contornadas pelo chanceler Amorim. Os arroubos “modernistas” do PT em busca de cargos e outras coisas mais, da mesma forma, não impediram que o Brasil se transformasse num dos protagonistas principais no mundo de hoje. O Brasil não tem que explicar nada a Israel sobre a visita do presidente do Irã. A constituição do Irã garante liberdade religiosa a judeus e cristãos. Muçulmanos são tratados como animais no estado terrorista de Israel. Os EUA são hoje um império em franco declínio. Não significa que estejam batidos ou vencidos em suas políticas escravagistas mundo afora. Em termos de história o declínio de um império não é como um tombo de uma ex-BBB que vira manchete nacional na política de informação e comunicação para Homer Simpson. A economia do país do negro de olhos azuis já não tem mais a força que tinha e o poder dos ianques está na força militar. A mesma que segundo a revista ÉPOCA – grupo GLOBO – mostra que soldados mulheres dos EUA são vítimas de assédio e estupro por parte de companheiros de farda quando no serviço militar no exterior. Típico de militares norte-americanos e israelenses. As críticas corretas e precisas ao governo Lula não obscurecem a política externa desenvolvido pelo ministro Celso Amorim. Se na ótica do modelo político e econômico vigente Lula não mudou coisa alguma, mas conseguiu um assento de destaque junto ao resto do mundo, isso se deve menos à economia e mais ao trabalho de Amorim. Mata um leão por dia levando em conta os setores desvairados do governo e principalmente do partido do presidente e dos aliados. Foi a opção de Lula, um capitalismo brasileiro. Ou o neoliberalismo populista. A visita de Mahmoud Ahmadinejad consolida a posição do Brasil no que chamam concerto das nações. Se o alinhamento do Brasil não é absoluto com as posturas do Irã, reforça a posição de países como a Venezuela, a Bolívia, a Nicarágua, o Equador que hoje, ao lado da Rússia somam-se no apoio às pretensões iranianas em seu programa nuclear e na construção da nação islâmica democrática. É uma nova realidade surgindo diante de um modelo estraçalhado pela sua própria gênese de barbárie. É uma luta que vem sendo travada e enormes são os obstáculos. Imensa é a força dos adversários, os donos dos arsenais nucleares. Não existe atraso e nem volta a tempos medievais no Irã. Existe um novo Irã sendo moldado segundo a vontade de seu povo. Há quem acredite que hambúrguer seja símbolo de modernidade e cultue o semi deus McDonalds. O deus é o mercado. Com todos os erros que possa ter cometido o presidente Mahmoud Ahmadinejad é a cara desse novo Irã. E certamente Lula haverá de compreender que é preciso avançar mais ainda e dar ao Brasil uma feição que até hoje não fomos capazes de dar. Mas que hoje se mostra possível, factível. É lógico que os meios de comunicação – braços dos EUA, dos latifundiários, dos grandes empresários/sonegadores, banqueiros – vão tratar o iraniano como ameaça, vão dar destaque aos protestos de governos terroristas como o de Israel e falar das “preocupações” de Obama. Tentam vender esse bicho papão que William Bonner – a face mais visível desse modo mentiroso de ser – chama de Homer Simpson. São pagos para isso e como toda e qualquer elite econômica não têm pátria e nem escrúpulos. Têm interesses. Mahmoud Ahmadinejad é um dos líderes desse novo mundo que começa a surgir. É natural que venha ao Brasil. Parte desse mundo. É um engano achar que o presidente do Irã vem tentar tirar uma lasquinha no prestígio internacional de Lula. Vem não. Entre os povos árabes Mahmoud Ahmadinejad é um “Lula” bem maior.
domingo, maio 03, 2009
Roseana entre 8 governadores que serão julgados pelo TSE
Após as cassações dos governadores da Paraíba, Cássio Cunha Lima (PSDB), e do Maranhão, Jackson Lago (PDT), o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) tem para julgar processos que podem resultar nas cassações de outros oito governadores.
Dois deles se referem, inclusive, aos que substituíram os cassados nos cargos: José Maranhão (PMDB), que assumiu o governo da Paraíba, e Roseana Sarney (PMDB), que tomou posse no Maranhão.
Segundo a assessoria do TSE, os processos de Marcelo Miranda (PMDB), governador do Tocantins, e de Luiz Henrique da Silveira (PMDB), governador de Santa Catarina estão em fase mais adiantada e devem ser os próximos a serem julgados.
A participação do presidente Luiz Inácio Lula da Silva em comício da então candidata ao governo do Maranhão Roseana Sarney às vésperas do segundo turno, em outubro de 2006, transformou-se num dos principais argumentos de recurso contra a diplomação dela e do candidato a vice, João Alberto. O recurso foi interposto, no início da semana passada, no TRE-MA, pelo advogado Welger Freire dos Santos, representante dos diretórios estaduais do PSDB, PSB e PT. Ele alegou, também, o uso da máquina federal com a celebração de convênios com prefeituras maranhenses em período eleitoral. Os convênios somam R$ 69,586 milhões.
Outro argumento apresentado no recurso diz respeito à infidelidade partidária de Roseana Sarney. Na ocasião das eleições, em 2006, a senadora estava filiada ao PFL (atual Democratas). Em dezembro daquele mesmo ano, após ter sido derrotada nas urnas por Jackson Lago (PDT), a filha de José Sarney filiou-se ao PMDB, partido pelo qual ela segue filiada, fato que contraria o entendimento da Justiça Eleitoral. No processo, cita-se julgado do ministro Carlos Ayres Britto, atual presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), em consulta sobre o tema.
"A recorrida [Roseana Sarney] não faz jus a exercer, já agora filiada ao PMDB, um mandato que foi conquistado pelo PFL, hoje DEM. Há, por isso mesmo, incompatibilidade entre a candidata de ontem e a chefia do Executivo hoje exercida, incidindo no caso concreto o item I do art. 262 do Código Eleitoral", diz o recurso. O advogado pede que o TRE-MA, após regular tramitação, envie o recurso ao TSE. A partir dos argumentos apresentados, pede que se anule a diplomação de Roseana e João Alberto e a imediata condução dos candidatos a governador e vice-governador classificados em terceiro lugar. Se isso for recusado, pede a realização de novas eleições.
Recurso contra expedição do diploma - O recurso tem 36 páginas e vários anexos com provas das irregularidades suscitadas cujo objetivo é anular as diplomações da ex-senadora Roseana Sarney e João Alberto. Eles assumiram o governo do Maranhão após decisão do TSE que cassou Jackson Lago e Luiz Porto. Após as explicações preliminares, sobre legitimidade do recurso, o advogado dos diretórios estaduais do PSDB, PSB e PT levanta o primeiro argumento para cassar o diploma: infidelidade partidária. Neste caso, citou-se o voto do ministro Ayres Britto relator da Consulta 1407, segundo o qual o mandato, mesmo nos cargos majoritários, "é titularizado, realmente, pelos partidos que inscrevem os candidatos, e não pelas pessoas físicas que são inscritas em seu nome".
"Fazendo incidir essas brilhantes considerações para o caso concreto, tem-se que a primeira recorrida [Roseana Sarney], ao afastar-se do partido pelo qual foi inscrita candidata a Governador do Maranhão em 2006, rompeu essa 'relação de representação' que, exatamente pelo abandono pela corrida da agremiação deixou de permanecer 'tridimensional', entre o povo, o partido político, corpo intermediário, e a candidata", argumenta o advogado no recurso.
E reproduz na peça recursal um trecho do voto do ministro-relator da consulta feita ao STF sobre fidelidade partidária: "Uma primeira resposta: se considerarmos que o mandato foi obtido em virtude de um obrigatório vínculo jurídico-partidário, a desfiliação não pode deixar de implicar uma perda do mandato. Perda, não como castigo ou sanção, visto que nenhum ato ilícito foi praticado. Porém como expressão de renúncia tácita. Um abrir mão da continuidade do exercício do mandato. Como sucederia com quem deixasse condição de sócio de qualquer outra entidade da espécie associativa, ainda que estivesse a exercer cargo de direção. O apejamento de ambas as condições seria automático", diz o voto do ministro.
Além da questão da infidelidade partidária, o recurso traz outro motivo para cassar os diplomas de Roseana e João Alberto: a celebração de convênios entre prefeituras maranhenses e o governo federal. A argumentação é que, se o TSE valeu-se de denúncias das assinaturas de convênios entre o governo estadual e 156 prefeituras como pano de fundo para cassar Jackson Lago, o mesmo deve ser válido contra Roseana. Em anexo ao recurso estão planilhas que comprovam os tais convênios com 144 cidades maranhenses num total de R$ 69,586 milhões.
Um DVD com o discurso de Lula é anexado ao recurso. Naquela ocasião, uma imposição do senador José Sarney (PMDB-AP), fez Lula um cabo eleitoral da candidata do clã Sarney. O trecho do discurso reproduzido é: "é por isso, meus companheiros e minhas companheiras, que eu quero terminar dizendo a vocês: essa companheira eleita governadora do Estado como vai ser, nós vamos fazer as parcerias que não foram possíveis ser feitas agora. Se vocês me derem voto de vocês dia 29, vocês vão ver que se, em quatro anos nós batemos nos oito deles, com mais quatro anos nós vamos fazer uma revolução democrática nesse país, uma revolução administrativa, uma revolução político-social. E para que eu tenha mais força, muito mais força pra fazer essa transformação, eu queria pedir a vocês: quem votar em mim, por favor, por favor, vote na Roseana Sarney para governadora do Estado. Muito obrigado, meus companheiros, e até a vitória, se Deus quiser". (Do Jornal Pequeno)
Fonte: Jornal Pequeno
Dois deles se referem, inclusive, aos que substituíram os cassados nos cargos: José Maranhão (PMDB), que assumiu o governo da Paraíba, e Roseana Sarney (PMDB), que tomou posse no Maranhão.
Segundo a assessoria do TSE, os processos de Marcelo Miranda (PMDB), governador do Tocantins, e de Luiz Henrique da Silveira (PMDB), governador de Santa Catarina estão em fase mais adiantada e devem ser os próximos a serem julgados.
A participação do presidente Luiz Inácio Lula da Silva em comício da então candidata ao governo do Maranhão Roseana Sarney às vésperas do segundo turno, em outubro de 2006, transformou-se num dos principais argumentos de recurso contra a diplomação dela e do candidato a vice, João Alberto. O recurso foi interposto, no início da semana passada, no TRE-MA, pelo advogado Welger Freire dos Santos, representante dos diretórios estaduais do PSDB, PSB e PT. Ele alegou, também, o uso da máquina federal com a celebração de convênios com prefeituras maranhenses em período eleitoral. Os convênios somam R$ 69,586 milhões.
Outro argumento apresentado no recurso diz respeito à infidelidade partidária de Roseana Sarney. Na ocasião das eleições, em 2006, a senadora estava filiada ao PFL (atual Democratas). Em dezembro daquele mesmo ano, após ter sido derrotada nas urnas por Jackson Lago (PDT), a filha de José Sarney filiou-se ao PMDB, partido pelo qual ela segue filiada, fato que contraria o entendimento da Justiça Eleitoral. No processo, cita-se julgado do ministro Carlos Ayres Britto, atual presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), em consulta sobre o tema.
"A recorrida [Roseana Sarney] não faz jus a exercer, já agora filiada ao PMDB, um mandato que foi conquistado pelo PFL, hoje DEM. Há, por isso mesmo, incompatibilidade entre a candidata de ontem e a chefia do Executivo hoje exercida, incidindo no caso concreto o item I do art. 262 do Código Eleitoral", diz o recurso. O advogado pede que o TRE-MA, após regular tramitação, envie o recurso ao TSE. A partir dos argumentos apresentados, pede que se anule a diplomação de Roseana e João Alberto e a imediata condução dos candidatos a governador e vice-governador classificados em terceiro lugar. Se isso for recusado, pede a realização de novas eleições.
Recurso contra expedição do diploma - O recurso tem 36 páginas e vários anexos com provas das irregularidades suscitadas cujo objetivo é anular as diplomações da ex-senadora Roseana Sarney e João Alberto. Eles assumiram o governo do Maranhão após decisão do TSE que cassou Jackson Lago e Luiz Porto. Após as explicações preliminares, sobre legitimidade do recurso, o advogado dos diretórios estaduais do PSDB, PSB e PT levanta o primeiro argumento para cassar o diploma: infidelidade partidária. Neste caso, citou-se o voto do ministro Ayres Britto relator da Consulta 1407, segundo o qual o mandato, mesmo nos cargos majoritários, "é titularizado, realmente, pelos partidos que inscrevem os candidatos, e não pelas pessoas físicas que são inscritas em seu nome".
"Fazendo incidir essas brilhantes considerações para o caso concreto, tem-se que a primeira recorrida [Roseana Sarney], ao afastar-se do partido pelo qual foi inscrita candidata a Governador do Maranhão em 2006, rompeu essa 'relação de representação' que, exatamente pelo abandono pela corrida da agremiação deixou de permanecer 'tridimensional', entre o povo, o partido político, corpo intermediário, e a candidata", argumenta o advogado no recurso.
E reproduz na peça recursal um trecho do voto do ministro-relator da consulta feita ao STF sobre fidelidade partidária: "Uma primeira resposta: se considerarmos que o mandato foi obtido em virtude de um obrigatório vínculo jurídico-partidário, a desfiliação não pode deixar de implicar uma perda do mandato. Perda, não como castigo ou sanção, visto que nenhum ato ilícito foi praticado. Porém como expressão de renúncia tácita. Um abrir mão da continuidade do exercício do mandato. Como sucederia com quem deixasse condição de sócio de qualquer outra entidade da espécie associativa, ainda que estivesse a exercer cargo de direção. O apejamento de ambas as condições seria automático", diz o voto do ministro.
Além da questão da infidelidade partidária, o recurso traz outro motivo para cassar os diplomas de Roseana e João Alberto: a celebração de convênios entre prefeituras maranhenses e o governo federal. A argumentação é que, se o TSE valeu-se de denúncias das assinaturas de convênios entre o governo estadual e 156 prefeituras como pano de fundo para cassar Jackson Lago, o mesmo deve ser válido contra Roseana. Em anexo ao recurso estão planilhas que comprovam os tais convênios com 144 cidades maranhenses num total de R$ 69,586 milhões.
Um DVD com o discurso de Lula é anexado ao recurso. Naquela ocasião, uma imposição do senador José Sarney (PMDB-AP), fez Lula um cabo eleitoral da candidata do clã Sarney. O trecho do discurso reproduzido é: "é por isso, meus companheiros e minhas companheiras, que eu quero terminar dizendo a vocês: essa companheira eleita governadora do Estado como vai ser, nós vamos fazer as parcerias que não foram possíveis ser feitas agora. Se vocês me derem voto de vocês dia 29, vocês vão ver que se, em quatro anos nós batemos nos oito deles, com mais quatro anos nós vamos fazer uma revolução democrática nesse país, uma revolução administrativa, uma revolução político-social. E para que eu tenha mais força, muito mais força pra fazer essa transformação, eu queria pedir a vocês: quem votar em mim, por favor, por favor, vote na Roseana Sarney para governadora do Estado. Muito obrigado, meus companheiros, e até a vitória, se Deus quiser". (Do Jornal Pequeno)
Fonte: Jornal Pequeno
Milionário de Brasília será suplente de Renan em 2010
Valmir Amaral - dono de várias empresas - fixa domicílio em Maceió para financiar a reeleição de Calheiros, que perdeu o caixa dos usineiros
FERNANDO ARAÚJO
O senador Renan Calheiros, que sempre recebeu ajuda financeira dos usineiros para alavancar seus negócios políticos, perdeu essa fonte de recursos ao romper com João Lyra, Téo Vilela e João Tenório. Com isso, criou um complicador a mais para sua reeleição em 2010, já minada pelos escândalos que protagonizou no comando do Congresso Nacional. Mas Renan não é do tipo de chorar o leite derramado nem de perder a cabeça na primeira paulada. Tanto que já providenciou um rico empresário de Brasília para financiar a sua reeleição em troca da vaga de suplente do senador. Renan Calheiros e Valmir Amaral Seu nome é Valmir Amaral, 48 anos, nascido em Patos de Minas, mas radicado no Distrito Federal onde fez fortuna em diversos ramos empresariais. O homem é trabalhador, nasceu para ga-nhar dinheiro, mas consolidou o seu pequeno império de 12 empresas com a ajuda de amigos alojados no poder público. Seus negócios vão de transporte coletivo urbano e de carga a táxi aéreo, passando por locadoras e revendas de automóveis. Além da política. É esse candango mineiro que poderá vir a ser senador por Alagoas, na condição de suplente de Renan Ca-lheiros. Afinal, foi como suplente que Valmir Amaral chegou ao Senado em 2000 ao assumir a vaga do titular Luiz Estevão, cassado por corrupção. Renan escapou da cassação ao ser absolvido do escândalo da amante custeada pelo contribuinte, mas nada garante que, reeleito, será salvo de outra patifaria. E aí assume o suplente, que só conhece Alagoas pelas manchetes negativas vei-culadas pela imprensa nacional. Para garantir seu domicílio eleitoral em Maceió, o novo mala-preta de Renan já adquiriu uma cobertura em apartamento de luxo na Ponta Verde, despachou pra cá uma de suas possantes lanchas tipo offshore e até fala-se que fará alguns investimentos em seu futuro Estado. Dinheiro não será problema, pois à boca miúda diz-se que o amigo de Renan é mais rico que Luiz Estevão e Paulo Octávio, juntos, os donos de Brasília.
Fonte: Extra Alagoas
FERNANDO ARAÚJO
O senador Renan Calheiros, que sempre recebeu ajuda financeira dos usineiros para alavancar seus negócios políticos, perdeu essa fonte de recursos ao romper com João Lyra, Téo Vilela e João Tenório. Com isso, criou um complicador a mais para sua reeleição em 2010, já minada pelos escândalos que protagonizou no comando do Congresso Nacional. Mas Renan não é do tipo de chorar o leite derramado nem de perder a cabeça na primeira paulada. Tanto que já providenciou um rico empresário de Brasília para financiar a sua reeleição em troca da vaga de suplente do senador. Renan Calheiros e Valmir Amaral Seu nome é Valmir Amaral, 48 anos, nascido em Patos de Minas, mas radicado no Distrito Federal onde fez fortuna em diversos ramos empresariais. O homem é trabalhador, nasceu para ga-nhar dinheiro, mas consolidou o seu pequeno império de 12 empresas com a ajuda de amigos alojados no poder público. Seus negócios vão de transporte coletivo urbano e de carga a táxi aéreo, passando por locadoras e revendas de automóveis. Além da política. É esse candango mineiro que poderá vir a ser senador por Alagoas, na condição de suplente de Renan Ca-lheiros. Afinal, foi como suplente que Valmir Amaral chegou ao Senado em 2000 ao assumir a vaga do titular Luiz Estevão, cassado por corrupção. Renan escapou da cassação ao ser absolvido do escândalo da amante custeada pelo contribuinte, mas nada garante que, reeleito, será salvo de outra patifaria. E aí assume o suplente, que só conhece Alagoas pelas manchetes negativas vei-culadas pela imprensa nacional. Para garantir seu domicílio eleitoral em Maceió, o novo mala-preta de Renan já adquiriu uma cobertura em apartamento de luxo na Ponta Verde, despachou pra cá uma de suas possantes lanchas tipo offshore e até fala-se que fará alguns investimentos em seu futuro Estado. Dinheiro não será problema, pois à boca miúda diz-se que o amigo de Renan é mais rico que Luiz Estevão e Paulo Octávio, juntos, os donos de Brasília.
Fonte: Extra Alagoas
Receita Federal pega 3.600 sonegadores em Alagoas
Maioria é de profissionais liberais, principalmente médicos, psicólogos e dentistas que usaram notas frias para surrupiar o Fisco
JOÃO DE DEUS
A Delegacia da Receita Federal em Alagoas arrecadou nos últimos meses R$ 38 milhões sonegados do Governo através do famigerado esquema de recibos falsos, anexados pelos contribuintes às declarações do Imposto de Renda. O golpe, visto como um dos mais "manjados" pelos auditores da Receita Federal, foi aplicado no Estado por 3.600 profissionais li-berais, com maior incidência entre médicos, psicólogos e dentistas. Os autuados pagaram, além dos valores não declarados no Imposto de Renda, mais uma multa de 150% sobre o montante surrupiado.Auditores da Receita Federal esclareceram que esse tipo de trambique é habitualmente flagrado nas declarações de rendimentos de profissionais liberais, por isso a investigação fiscal é contínua. Isso até porque existe ainda a natural dúvida sobre o montante sonegado, com possibilidades de estar sempre bem acima dos valores declarados. A dúvida leva em conta também o fato de que, além das autuações fiscais, constam casos de processos encaminhados ao Mi-nistério Público Federal, de ações de cobrança judicial, por se tratar de crime contra a ordem tributária.Taturanas e "laranjas" começam a devolver dinheiro da sonegação
Fonte: Jornal Extra Alagoas
JOÃO DE DEUS
A Delegacia da Receita Federal em Alagoas arrecadou nos últimos meses R$ 38 milhões sonegados do Governo através do famigerado esquema de recibos falsos, anexados pelos contribuintes às declarações do Imposto de Renda. O golpe, visto como um dos mais "manjados" pelos auditores da Receita Federal, foi aplicado no Estado por 3.600 profissionais li-berais, com maior incidência entre médicos, psicólogos e dentistas. Os autuados pagaram, além dos valores não declarados no Imposto de Renda, mais uma multa de 150% sobre o montante surrupiado.Auditores da Receita Federal esclareceram que esse tipo de trambique é habitualmente flagrado nas declarações de rendimentos de profissionais liberais, por isso a investigação fiscal é contínua. Isso até porque existe ainda a natural dúvida sobre o montante sonegado, com possibilidades de estar sempre bem acima dos valores declarados. A dúvida leva em conta também o fato de que, além das autuações fiscais, constam casos de processos encaminhados ao Mi-nistério Público Federal, de ações de cobrança judicial, por se tratar de crime contra a ordem tributária.Taturanas e "laranjas" começam a devolver dinheiro da sonegação
Fonte: Jornal Extra Alagoas
Pesquisa mostra perfil do internauta da Grande Vitória
Cerca de 60% dos moradores da Grande Vitória com mais de 16 anos de idade navegam pela internet, segundo pesquisa feita pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Partindo desse referencial, o Instituto Futura foi às ruas e descobriu que 70% dessa parcela que tem acesso a internet o faz de dentro da própria casa, 15,4% do local de trabalho, e 11,2%, de casas de jogos ou Lans Houses.Quando o assunto é tipo de conexão, a pesquisa revela que o acesso discado é cada vez menor. Em 2006, 42% das residências com internet se conectavam dessa forma. Já neste ano, o número caiu para apenas 17%. A conexão a cabo, ou banda larga, já está presente em 62,1% das casas localizadas na Grande Vitória. Há dois anos, o percentual era de 27%.Mesmo com um número aparentemente expressivo, a pesquisa revela que ainda existem barreiras a uma maior inclusão digital da população da Região Metropolitana. Entre os entrevistados que alegam não navegar na internet, 31,9% disseram que não o fazem simplesmente por não terem acesso. Os que não gostam ou não tem conhecimento de informática suficiente, representam 30,6% dos ouvidos.DesigualdadeNo quesito classe social, os dados referentes à pesquisa revelaram que 42,2% das pessoas pertencentes às classes D e E não navegam na internet. Já entre os integrantes das classes A e B, com maior poder aquisitivo, o percentual das internautas chega a 80%. 93,9% dos jovens com idade entre 16 e 19 anos, disseram navegar pela web. Nesse sentido, os que possuem 60 anos ou mais e que usam internet, são apenas 20% dos entrevistados. EscolaridadeO resultado da pesquisa aponta que moradores da Grande Vitória que acessam à internet mas que possuem somente o ensino fundamental são superados em disparada pelos que tem ensino Superior: 22,7% contra 93%, respectivamente.ComércioEm 2003, 13,3% dos moradores da Grande Vitória faziam ou já haviam feito compras pela internet. Neste ano, esse número saltou para 25,7%.
Fonte: Gazeta Online
Fonte: Gazeta Online
Esquenta no PMDB
Gama diz que Almeida Lima envergonha Sergipe
Em uma entrevista concedida a um programa de rádio na manhã desta segunda-feira, 20, o secretário de Turismo, João Augusto Gama, afirmou que o senador Almeida Lima, seu correligionário do PMDB, envergonha o Estado. A crítica foi feita com base nas propagandas feitas em busdoors parabenizando o senador por sua escolha como presidente da Comissão Mista de Orçamento.
Segundo Gama, o material que cita que Almeida é motivo de orgulho para Sergipe pelo novo cargo, na verdade envergonha o Estado. O secretário ainda atrelou a relação próxima entre o senador sergipano e o ex-parlamentar Renan Calheiros. “Todo brasileiro sabe da história envolvendo Renan. Não é preciso comentar mais nada sobre isso”, alfinetou.
Fonte: Cinform
Em uma entrevista concedida a um programa de rádio na manhã desta segunda-feira, 20, o secretário de Turismo, João Augusto Gama, afirmou que o senador Almeida Lima, seu correligionário do PMDB, envergonha o Estado. A crítica foi feita com base nas propagandas feitas em busdoors parabenizando o senador por sua escolha como presidente da Comissão Mista de Orçamento.
Segundo Gama, o material que cita que Almeida é motivo de orgulho para Sergipe pelo novo cargo, na verdade envergonha o Estado. O secretário ainda atrelou a relação próxima entre o senador sergipano e o ex-parlamentar Renan Calheiros. “Todo brasileiro sabe da história envolvendo Renan. Não é preciso comentar mais nada sobre isso”, alfinetou.
Fonte: Cinform
MPF consegue corte nos salários de Valadares e Albano
Parlamentares recebem R$ 38.623 e o estipulado é de R$ 24.500
Acatando uma ação civil pública movida pelo Ministério Público Federal em Sergipe, a Justiça Federal determinou que os salários do deputado federal Albano Franco e do senador Antônio Carlos Valadares sejam adequados ao limite de remuneração do setor público estipulado em 24,5 mil reais.
Os ex-governadores recebiam R$ 38.623 mensais. Destes, R$ 16.512,09 são pagos pela União, como salário parlamentar. Já os outros R$ 22.111,25 eram pagos pelo Estado de Sergipe como pensão especial pelo exercício do cargo de Governador do Estado por mais de seis meses.
Antes desta sentença, a Justiça Federal já havia concedido uma liminar, em dezembro de 2008, determinando o corte imediato dos salários. Em sua defesa, os parlamentares dissertaram que a Câmara e o Senado editaram atos afirmando que, em caso de acumulação de vencimentos, cada remuneração deve ser considerada isoladamente, não somando os valores para fins de aferição da obediência do teto.
Na ação, o procurador da República Paulo Gustavo Guedes Fontes discordou da permissão e afirmou que ela fere frontalmente a Constituição Federal. Ele lembrou que o Poder Judiciário e o Ministério Público adequaram-se ao teto e chegaram a promover cortes na remuneração de membros e servidores.
Também a pedido do MPF/SE, o juiz da 3º Vara Rafael Soares Souza sentenciou os parlamentares a devolverem os valores os excedentes do teto remuneratório que receberam a partir do ajuizamento da ação.
Fonte: MPF/Cinform
Acatando uma ação civil pública movida pelo Ministério Público Federal em Sergipe, a Justiça Federal determinou que os salários do deputado federal Albano Franco e do senador Antônio Carlos Valadares sejam adequados ao limite de remuneração do setor público estipulado em 24,5 mil reais.
Os ex-governadores recebiam R$ 38.623 mensais. Destes, R$ 16.512,09 são pagos pela União, como salário parlamentar. Já os outros R$ 22.111,25 eram pagos pelo Estado de Sergipe como pensão especial pelo exercício do cargo de Governador do Estado por mais de seis meses.
Antes desta sentença, a Justiça Federal já havia concedido uma liminar, em dezembro de 2008, determinando o corte imediato dos salários. Em sua defesa, os parlamentares dissertaram que a Câmara e o Senado editaram atos afirmando que, em caso de acumulação de vencimentos, cada remuneração deve ser considerada isoladamente, não somando os valores para fins de aferição da obediência do teto.
Na ação, o procurador da República Paulo Gustavo Guedes Fontes discordou da permissão e afirmou que ela fere frontalmente a Constituição Federal. Ele lembrou que o Poder Judiciário e o Ministério Público adequaram-se ao teto e chegaram a promover cortes na remuneração de membros e servidores.
Também a pedido do MPF/SE, o juiz da 3º Vara Rafael Soares Souza sentenciou os parlamentares a devolverem os valores os excedentes do teto remuneratório que receberam a partir do ajuizamento da ação.
Fonte: MPF/Cinform
Em visita ao Rio, Lula fala da gripe suína e diz que Brasil precisa de 'febre de crescimento'
POR RICARDO VILLA VERDE, RIO DE JANEIRO
Rio - O presidente Lula disse nesta quinta-feira que espera que a gripe suína não chegue ao Brasil. Ele disse que o governo tem tomado todo cuidado para que a doença não chegue em solo brasileiro. "Espero que essa gripe termine rápido no México e nos Estados Unidos, onde começou", disse. A afirmação foi feita nesta quinta logo após o presidente ter participado da solenidade de comemoração do Dia do Trabalho nas instalações da Companhia Siderurgica do Atlântico (CSA), em Santa Cruz. No evento foi entregue o crachá funcional de número 30 mil para um trabalhador recém-contratado para a construção da usina siderúrgica. Lula fez uma comparação da gripe com a economia brasileira. "A única coisa que estamos precisando agora é de febre de crescimento da economia; febre de relação de emprego e de distribuição de renda. Essas três febres eu quero que chegue ao Brasil logo", afirmou.De manhã ele participou da inauguração do laboratório no Centro de Tecnologia da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) que vai ajudar a Petrobras em pesquisas na área de atuação do pré-sal. Nesta tarde ele participa de mais duas solenidades, uma no Copacabana Palace e outra no Morro da Urca.o Presidente dorme esta noite no Rio e tem mais duas agendas amanhã. A inauguração do Hospital da Rede Sarah Kubitschek, em Jacarepagua, e outro evento onde vai debater a respeito do pré-sal.
Fonte: O DIA
Rio - O presidente Lula disse nesta quinta-feira que espera que a gripe suína não chegue ao Brasil. Ele disse que o governo tem tomado todo cuidado para que a doença não chegue em solo brasileiro. "Espero que essa gripe termine rápido no México e nos Estados Unidos, onde começou", disse. A afirmação foi feita nesta quinta logo após o presidente ter participado da solenidade de comemoração do Dia do Trabalho nas instalações da Companhia Siderurgica do Atlântico (CSA), em Santa Cruz. No evento foi entregue o crachá funcional de número 30 mil para um trabalhador recém-contratado para a construção da usina siderúrgica. Lula fez uma comparação da gripe com a economia brasileira. "A única coisa que estamos precisando agora é de febre de crescimento da economia; febre de relação de emprego e de distribuição de renda. Essas três febres eu quero que chegue ao Brasil logo", afirmou.De manhã ele participou da inauguração do laboratório no Centro de Tecnologia da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) que vai ajudar a Petrobras em pesquisas na área de atuação do pré-sal. Nesta tarde ele participa de mais duas solenidades, uma no Copacabana Palace e outra no Morro da Urca.o Presidente dorme esta noite no Rio e tem mais duas agendas amanhã. A inauguração do Hospital da Rede Sarah Kubitschek, em Jacarepagua, e outro evento onde vai debater a respeito do pré-sal.
Fonte: O DIA
Dilma Rousseff: ‘A solidariedade me emociona’
As manifestações de apoio que vem recebendo desde que tornou pública a sua doença deixaram a ministra Dilma Rousseff extremamente comovida
Alfredo Junqueira e Rachel Vita
Rio - As manifestações de apoio que vem recebendo desde que tornou pública a sua doença deixaram a ministra Dilma Rousseff extremamente comovida. Na primeira entrevista exclusiva desde que anunciou seu problema de saúde, ela demonstrou otimismo, mas admitiu que poderá diminuir o ritmo de suas atividades. A ministra confirmou novos investimentos para o Rio e garantiu que o pequeno poupador não tem o que temer com as mudanças que o governo federal fará na caderneta de poupança. Dilma afirma também que está satisfeita com o andamento do PAC no Rio. Dados obtidos por O DIA mostram, no entanto, que iniciativas como o Arco Metropolitano, por exemplo, tiveram apenas 5,13% de seu orçamento liberados no ano passado.
ODIA: Desde que a senhora descobriu a sua doença e a tornou pública, qual a manifestação que mais a emocionou até agora?Dilma: O que mais emociona é a forma como as pessoas se aproximam, de maneira muito protetora. É um gesto. Geralmente a pessoa chega, me aperta a mão, olha no meu olho. E naquele olhar tem um nível de solidariedade imensa, que me deixa estarrecida. Às vezes, a pessoa me diz que já passou por isso e superou. Sempre uma mensagem de otimismo. Tem quem fale que vai rezar por mim. Não são pessoas que me olham com pena. O sentimento é ‘você vai conseguir, você vai conseguir’. É mais que cumplicidade. Eles se colocam como companheiros meus nessa jornada. É extremamente comovente. São as mais variadas pessoas, de todas as classes sociais. A senhora já começou a fazer quimioterapia?Eu não vou discutir meu tratamento. Pretendo, ao longo do tratamento, fazer algumas manifestações. Agora, eu preciso de uma certa tranquilidade para fazer o tratamento. E também... eu tenho família, né? Tenho filha e mãe.Já houve pedido de sua família para a senhora diminuir o ritmo de suas atividades para se dedicar ao tratamento?Não é necessário. Estou fazendo aquilo que posso. Se for necessário em algum momento futuro, eu faço isso (diminuo o ritmo). Mas nada indica que será. Agora, tenho que ter cuidado. É sempre bom que as pessoas levem em conta que eu não sou eu sozinha.Em relação ao Rio, existe alguma previsão de novo investimento no estado, além das obras do PAC? Vamos conversar com os governos dos estados e os municípios assim que saírem as cidades escolhidas para a Copa de 2014. Sei que o estado e o município do Rio já têm projetos. Vamos soltar um projeto de mobilidade urbana específico para as cidades escolhidas para a Copa do Mundo. Além disso, no (programa de habitação popular) ‘Minha casa, minha vida’, sei que aqui já há uma cadastramento significativo de pessoas. Este será um programa muito forte no Rio. Nossa expectativa é a de uma grande realização de obras aqui.Aqui no Rio, a gente vê que algumas iniciativas do PAC estão com problemas de execução. Isso a preocupa? O PAC deu grandes passos aqui. O problema é que o Estado brasileiro – União, estados e municípios – parou de investir durante 25 anos. Ou investia a conta-gotas. Uma obrinha ali, uma obrinha aqui. O PAC é um projeto ambicioso porque ele concentra o investimento naquilo que é estruturante. Ou seja, aquilo que melhora a vida do povo. Até agora, consideramos que o governo do estado vem cumprindo todos os acordos que fizemos no Complexo do Alemão, Rocinha, Manguinhos e no Arco Rodoviário. Nós detectamos que, em obras complexas, ter atraso de alguns meses é normal. A senhora acha que isso estará solucionado até 2010?Vamos ter desempenho razoável no Rio. O governo do estado tem boa equipe. E o (prefeito) Eduardo (Paes) entrou com todo vapor. Acredito que sai.Os modelos de reurbanização do Alemão, Manguinhos e Rocinha poderão ser levados para outras favelas?Sim, podem. Há grande característica aqui no projeto. Ele não é segmentado. O projeto tenta construir condições integradas para melhorar a vida dentro do Alemão. É essa a grande contribuição que ele pode dar para os outros projetos.E em relação à poupança. Como está a discussão sobre a mudança no cálculo do rendimento? O que está sendo de fato estudado?Primeiro, o governo tem clareza de que poupança e investimento são coisas distintas. A poupança do pequeno é um dinheiro que a pessoa separou ali para uma eventualidade, uma doença ou uma escola de filho. Ele não tem a função de investimento, mas de proteção. O investimento, em volumes maiores, é garantia de rentabilidade e que tem um lado de especulação. Buscamos formas de tornar mais neutras possíveis, eu diria assim, em termos dos seus efeitos, as consequências de qualquer medida. Não chegamos ainda ao que faremos. Agora, uma coisa eu posso garantir como princípio do que faremos: nós, em momento algum, afetaremos a poupança da população brasileira. Essa poupança feita com esforço, feita com o chamado sangue e suor do próprio rosto.Mas o que é o ‘pequeno poupador’?92% da caderneta de poupança, em termos de pessoas, têm aplicações de até R$ 30 mil, se não me engano (o dado correto é até R$ 5 mil). Então, a pequena poupança domina a caderneta. Isso não significa a mesma coisa se você pegar valores. Porque você tem hoje um deslocamento para a poupança de gente aplicando R$ 1 bilhão. Então a mudança vai ser a partir de R$ 30 mil?Não. Não sei se vai até R$ 30 mil. Citei como exemplo. Ainda não concluímos a discussão. Em termos políticos, como está a relação com o PMDB para 2010 e qual a possibilidade para uma eventual chapa Dilma-Cabral?Vou falar uma coisa para vocês: tenho sido, do Oiapoque ao Chuí, indagada sobre essa questão. Entendo as razões da indagação. Mas eu tenho respondido que nem amarrada eu respondo isso agora. O COI tem feito vistorias verificando as instalações do Rio como concorrente para os Jogos de 2016. Apesar dos problemas de infraestrutura, o que, na opinião da senhora, torna o Rio um candidato forte numa disputa com cidades consideradas de Primeiro Mundo?Acho que ficou muito claro na exposição que fizemos para o COI o imenso potencial do Brasil, do Rio, e o comprometimento do governo federal com a construção de infraestrutura, tanto de transporte quanto social e urbana. Alguns deles vão beneficiar diretamente a população. Por exemplo, todos os equipamentos esportivos que vão permitir que os Jogos Olímpicos ocorram. Eles têm a ver tanto com a melhoria da qualidade de vida na cidade como também têm a ver diretamente com o jovem, o grande beneficiário de uma política de esporte do governo: tirar o jovem da droga, do crime, da rua, significa dar oportunidade a ele.
Fonte: O DIA
Alfredo Junqueira e Rachel Vita
Rio - As manifestações de apoio que vem recebendo desde que tornou pública a sua doença deixaram a ministra Dilma Rousseff extremamente comovida. Na primeira entrevista exclusiva desde que anunciou seu problema de saúde, ela demonstrou otimismo, mas admitiu que poderá diminuir o ritmo de suas atividades. A ministra confirmou novos investimentos para o Rio e garantiu que o pequeno poupador não tem o que temer com as mudanças que o governo federal fará na caderneta de poupança. Dilma afirma também que está satisfeita com o andamento do PAC no Rio. Dados obtidos por O DIA mostram, no entanto, que iniciativas como o Arco Metropolitano, por exemplo, tiveram apenas 5,13% de seu orçamento liberados no ano passado.
ODIA: Desde que a senhora descobriu a sua doença e a tornou pública, qual a manifestação que mais a emocionou até agora?Dilma: O que mais emociona é a forma como as pessoas se aproximam, de maneira muito protetora. É um gesto. Geralmente a pessoa chega, me aperta a mão, olha no meu olho. E naquele olhar tem um nível de solidariedade imensa, que me deixa estarrecida. Às vezes, a pessoa me diz que já passou por isso e superou. Sempre uma mensagem de otimismo. Tem quem fale que vai rezar por mim. Não são pessoas que me olham com pena. O sentimento é ‘você vai conseguir, você vai conseguir’. É mais que cumplicidade. Eles se colocam como companheiros meus nessa jornada. É extremamente comovente. São as mais variadas pessoas, de todas as classes sociais. A senhora já começou a fazer quimioterapia?Eu não vou discutir meu tratamento. Pretendo, ao longo do tratamento, fazer algumas manifestações. Agora, eu preciso de uma certa tranquilidade para fazer o tratamento. E também... eu tenho família, né? Tenho filha e mãe.Já houve pedido de sua família para a senhora diminuir o ritmo de suas atividades para se dedicar ao tratamento?Não é necessário. Estou fazendo aquilo que posso. Se for necessário em algum momento futuro, eu faço isso (diminuo o ritmo). Mas nada indica que será. Agora, tenho que ter cuidado. É sempre bom que as pessoas levem em conta que eu não sou eu sozinha.Em relação ao Rio, existe alguma previsão de novo investimento no estado, além das obras do PAC? Vamos conversar com os governos dos estados e os municípios assim que saírem as cidades escolhidas para a Copa de 2014. Sei que o estado e o município do Rio já têm projetos. Vamos soltar um projeto de mobilidade urbana específico para as cidades escolhidas para a Copa do Mundo. Além disso, no (programa de habitação popular) ‘Minha casa, minha vida’, sei que aqui já há uma cadastramento significativo de pessoas. Este será um programa muito forte no Rio. Nossa expectativa é a de uma grande realização de obras aqui.Aqui no Rio, a gente vê que algumas iniciativas do PAC estão com problemas de execução. Isso a preocupa? O PAC deu grandes passos aqui. O problema é que o Estado brasileiro – União, estados e municípios – parou de investir durante 25 anos. Ou investia a conta-gotas. Uma obrinha ali, uma obrinha aqui. O PAC é um projeto ambicioso porque ele concentra o investimento naquilo que é estruturante. Ou seja, aquilo que melhora a vida do povo. Até agora, consideramos que o governo do estado vem cumprindo todos os acordos que fizemos no Complexo do Alemão, Rocinha, Manguinhos e no Arco Rodoviário. Nós detectamos que, em obras complexas, ter atraso de alguns meses é normal. A senhora acha que isso estará solucionado até 2010?Vamos ter desempenho razoável no Rio. O governo do estado tem boa equipe. E o (prefeito) Eduardo (Paes) entrou com todo vapor. Acredito que sai.Os modelos de reurbanização do Alemão, Manguinhos e Rocinha poderão ser levados para outras favelas?Sim, podem. Há grande característica aqui no projeto. Ele não é segmentado. O projeto tenta construir condições integradas para melhorar a vida dentro do Alemão. É essa a grande contribuição que ele pode dar para os outros projetos.E em relação à poupança. Como está a discussão sobre a mudança no cálculo do rendimento? O que está sendo de fato estudado?Primeiro, o governo tem clareza de que poupança e investimento são coisas distintas. A poupança do pequeno é um dinheiro que a pessoa separou ali para uma eventualidade, uma doença ou uma escola de filho. Ele não tem a função de investimento, mas de proteção. O investimento, em volumes maiores, é garantia de rentabilidade e que tem um lado de especulação. Buscamos formas de tornar mais neutras possíveis, eu diria assim, em termos dos seus efeitos, as consequências de qualquer medida. Não chegamos ainda ao que faremos. Agora, uma coisa eu posso garantir como princípio do que faremos: nós, em momento algum, afetaremos a poupança da população brasileira. Essa poupança feita com esforço, feita com o chamado sangue e suor do próprio rosto.Mas o que é o ‘pequeno poupador’?92% da caderneta de poupança, em termos de pessoas, têm aplicações de até R$ 30 mil, se não me engano (o dado correto é até R$ 5 mil). Então, a pequena poupança domina a caderneta. Isso não significa a mesma coisa se você pegar valores. Porque você tem hoje um deslocamento para a poupança de gente aplicando R$ 1 bilhão. Então a mudança vai ser a partir de R$ 30 mil?Não. Não sei se vai até R$ 30 mil. Citei como exemplo. Ainda não concluímos a discussão. Em termos políticos, como está a relação com o PMDB para 2010 e qual a possibilidade para uma eventual chapa Dilma-Cabral?Vou falar uma coisa para vocês: tenho sido, do Oiapoque ao Chuí, indagada sobre essa questão. Entendo as razões da indagação. Mas eu tenho respondido que nem amarrada eu respondo isso agora. O COI tem feito vistorias verificando as instalações do Rio como concorrente para os Jogos de 2016. Apesar dos problemas de infraestrutura, o que, na opinião da senhora, torna o Rio um candidato forte numa disputa com cidades consideradas de Primeiro Mundo?Acho que ficou muito claro na exposição que fizemos para o COI o imenso potencial do Brasil, do Rio, e o comprometimento do governo federal com a construção de infraestrutura, tanto de transporte quanto social e urbana. Alguns deles vão beneficiar diretamente a população. Por exemplo, todos os equipamentos esportivos que vão permitir que os Jogos Olímpicos ocorram. Eles têm a ver tanto com a melhoria da qualidade de vida na cidade como também têm a ver diretamente com o jovem, o grande beneficiário de uma política de esporte do governo: tirar o jovem da droga, do crime, da rua, significa dar oportunidade a ele.
Fonte: O DIA
Reprovada no ENADE, faculdade de Gilmar Mendes pode ser fechada pelo MEC
Por marcosomag 03/05/2009 às 00:14
Original de Maurício Dias para a Carta Capital em: http://www.cartacapital.com.br/app/coluna.jsp?a=2&a2=5&i=4003 ;este Gilmar...
Criada pelo ministro Gilmar Mendes em 2001, a Faculdade de Ciências Sociais e Aplicadas de Diamantino, hoje administrada pela família do presidente do Supremo Tribunal Federal, vai ficar sob a fiscalização do Ministério da Educação e pode, em caso extremo, vir a ser fechada. O risco advém daquilo que pode manchar definitivamente a imagem de qualquer instituição de educação: a péssima qualidade do ensino. Gerida pela União de Ensino Superior de Diamantino (Uned), a faculdade obteve conceito muito baixo ? nota 2 em uma escala de zero a 5 ? no Exame Nacional de Desempenho dos Estudantes (Enade) e será submetida à fiscalização federal. Fica, assim, na alça de mira da Superintendência do Ensino Superior. A Uned tem uma história complicada. Afinal, nasceu em pecado. Em agosto de 2000, levou ?bomba? da Comissão de Ensino Jurídico (CEJ) da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB). A decisão foi por unanimidade. O relatório assinado pelo advogado Adilson Gurgel de Castro, presidente da CEJ, concluiu pela não recomendação do ?curso pleiteado?. Gilmar Mendes aparece assim no relatório: ?O projeto menciona que um dos docentes da Faculdade é o professor-doutor Gilmar Ferreira Mendes, que, inclusive, assina como um dos sócios cotistas?. A decisão da OAB tinha peso nas decisões do Ministério da Educação até o governo de Fernando Henrique. ?A opinião da Ordem era considerada. Mas o ministro da Educação, Paulo Renato, passou como um trator em cima dos pareceres que demos?, diz o advogado Reginaldo de Castro, que presidia naquele ano o Conselho Federal da OAB. Muitos dos quesitos exigidos pela OAB deixaram de ser atendidos na faculdade. Até mesmo o projeto da biblioteca não satisfazia. Uma delas era, e ainda é, a exigência de uma população mínima de 100 mil habitantes no município onde a instituição será criada. Diamantino tinha na ocasião, segundo o relatório, apenas 15.159 habitantes. Isso, para a OAB, evidenciava ?a ausência da necessidade social?. Vários outros obstáculos barravam a faculdade de Gilmar Mendes, que pontificava como advogado-geral da União no governo FHC. Não se sabe se a decisão do ministro Paulo Renato atendeu aos interesses empresariais do parceiro de governo, mas, em agosto de 2001, o MEC expediu portaria autorizando o curso.
Fonte: CMI Brasil
Original de Maurício Dias para a Carta Capital em: http://www.cartacapital.com.br/app/coluna.jsp?a=2&a2=5&i=4003 ;este Gilmar...
Criada pelo ministro Gilmar Mendes em 2001, a Faculdade de Ciências Sociais e Aplicadas de Diamantino, hoje administrada pela família do presidente do Supremo Tribunal Federal, vai ficar sob a fiscalização do Ministério da Educação e pode, em caso extremo, vir a ser fechada. O risco advém daquilo que pode manchar definitivamente a imagem de qualquer instituição de educação: a péssima qualidade do ensino. Gerida pela União de Ensino Superior de Diamantino (Uned), a faculdade obteve conceito muito baixo ? nota 2 em uma escala de zero a 5 ? no Exame Nacional de Desempenho dos Estudantes (Enade) e será submetida à fiscalização federal. Fica, assim, na alça de mira da Superintendência do Ensino Superior. A Uned tem uma história complicada. Afinal, nasceu em pecado. Em agosto de 2000, levou ?bomba? da Comissão de Ensino Jurídico (CEJ) da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB). A decisão foi por unanimidade. O relatório assinado pelo advogado Adilson Gurgel de Castro, presidente da CEJ, concluiu pela não recomendação do ?curso pleiteado?. Gilmar Mendes aparece assim no relatório: ?O projeto menciona que um dos docentes da Faculdade é o professor-doutor Gilmar Ferreira Mendes, que, inclusive, assina como um dos sócios cotistas?. A decisão da OAB tinha peso nas decisões do Ministério da Educação até o governo de Fernando Henrique. ?A opinião da Ordem era considerada. Mas o ministro da Educação, Paulo Renato, passou como um trator em cima dos pareceres que demos?, diz o advogado Reginaldo de Castro, que presidia naquele ano o Conselho Federal da OAB. Muitos dos quesitos exigidos pela OAB deixaram de ser atendidos na faculdade. Até mesmo o projeto da biblioteca não satisfazia. Uma delas era, e ainda é, a exigência de uma população mínima de 100 mil habitantes no município onde a instituição será criada. Diamantino tinha na ocasião, segundo o relatório, apenas 15.159 habitantes. Isso, para a OAB, evidenciava ?a ausência da necessidade social?. Vários outros obstáculos barravam a faculdade de Gilmar Mendes, que pontificava como advogado-geral da União no governo FHC. Não se sabe se a decisão do ministro Paulo Renato atendeu aos interesses empresariais do parceiro de governo, mas, em agosto de 2001, o MEC expediu portaria autorizando o curso.
Fonte: CMI Brasil
De Antonio Roberto Espinosa - Jornalista, professor de Política Internacional, doutorando em Ciência Política pela USP, autor de Abraços que sufocam -
De Antonio Roberto Espinosa - Jornalista, professor de Política Internacional, doutorando em Ciência Política pela USP, autor de Abraços que sufocam - E outros ensaios sobre a liberdade e editor da Enciclopédia Contemporânea da América Latina e do Caribe.
Caros amigos,
A Folha de São Paulo preparou uma "armadilha" para a Dilma usando uma entrevista que concedi a uma das suas repóteres da sucursal de Brasília. Encaminhei a carta abaixo à redação. E peço que todos os amigos que a façam chegar a quem acharem necessário: redações de jornais, revistas, emissoras de TV e pessoas que talvez possam ser afetadas ou se sintam indignadas pela má fé dos editores do jornal. Como sabem, sou favorável à transparência, por achar que a verdade é sempre o melhor caminho e, no fundo, revolucionária.
À coluna Painel do LeitorSeguem cópias para o Ombudsman e para a redação. Vou enviar cópias também a toda a imprensa nacional. Peço que esta carta seja publicada na próxima edição. Segue abaixo:
Prezados senhores, Chocado com a matéria publicada na edição de hoje (domingo, 5), páginas A8 a A10 deste jornal, a partir da chamada de capa "Grupo de Dilma planejou seqüestro de Delfim Neto", e da repercussão da mesma nos blogs de vários de seus articulistas e no jornal Agora, do mesmo grupo, solicito a publicação desta carta na íntegra, sem edições ou cortes, na edição de amanhã, segunda-feira, 6 de abril, no "Painel do Leitor" (ou em espaço equivalente e com chamada de capa), para o restabelecimento da verdade, e sem prejuízo de outras medidas que vier a tomar. Esclareço preliminarmente que:
1) Não conheço pessoalmente a repórter Fernanda Odilla, pois fui entrevistado por ela somente por telefone. A propósito, estranho que um jornal do porte da Folha publique matérias dessa relevância com base somente em "investigações" telefônicas; 2) Nossa primeira conversa durou cerca de 3 horas e espero que tenha sido gravada. Desafio o jornal a publicar a entrevista na íntegra, para que o leitor a compare com o conteúdo da matéria editada. Esclareço que concedi a entrevista porque defendo a transparência e a clareza histórica, inclusive com a abertura dos arquivos da ditadura. Já concedi dezenas de entrevistas semelhantes a historiadores, jornalistas, estudantes e simples curiosos, e estou sempre disponível a todos os interessados; 3) Quem informou à Folha que o Superior Tribunal Militar (STM) guarda um precioso arquivo dos tempos da ditadura fui eu. A repórter, porém, não conseguiu acessar o arquivo, recorrendo novamente a mim, para que lhe fornecesse autorização pessoal por escrito, para investigar fatos relativos à minha participação na luta armada, não da ministra Dilma Rousseff.
Posteriormente, por e-mail, fui novamente procurado pela repórter, que me enviou o croquis do trajeto para o sítio Gramadão, em Jundiaí, supostamente apreendido no aparelho em que eu residia, no bairro do Lins de Vasconcelos, Rio de Janeiro. Ela indagou se eu reconhecia o desenho como parte do levantamento para o seqüestro do então ministro da Fazenda Delfim Neto. Na oportunidade disse-lhe que era a primeira vez que via o croquis e, como jornalista que também sou, lhe sugeri que mostrasse o desenho ao próprio Delfim (co-signatário do Ato Institucional número 5, principal quadro civil do governo ditatorial e cúmplice das ilegalidades, assassinatos e torturas).
Afirmo publicamente que os editores da Folha transformaram um não-fato de 40 anos atrás (o seqüestro que não houve de Delfim) num factóide do presente (iniciando uma forma sórdida de anticampanha contra a Ministra). A direção do jornal (ou a sua repórter, pouco importa) tomou como provas conclusivas somente o suposto croquis e a distorção grosseria de uma longa entrevista que concedi sobre a história da VAR-Palmares. Ou seja, praticou o pior tipo de jornalismo sensacionalista, algo que envergonha a profissão que também exerço há mais de 35 anos, entre os quais por dois meses na Última Hora, sob a direção de Samuel Wayner (demitido que fui pela intolerância do falecido Octávio Frias a pessoas com um passado político de lutas democráticas). A respeito da natureza tendenciosa da edição da referida matéria faço questão de esclarecer:
1) A VAR-Palmares não era o "grupo da Dilma", mas uma organização política de resistência à infame ditadura que se alastrava sobre nosso país, que só era branda para os que se beneficiavam dela. Em virtude de sua defesa da democracia, da igualdade social e do socialismo, teve dezenas de seus militantes covardemente assassinados nos porões do regime, como Chael Charles Shreier, Yara Iavelberg, Carlos Roberto Zanirato, João Domingues da Silva, Fernando Ruivo e Carlos Alberto Soares de Freitas. O mais importante, hoje, não é saber se a estratégia e as táticas da organização estavam corretas ou não, mas que ela integrava a ampla resistência contra um regime ilegítimo, instaurado pela força bruta de um golpe militar; 2) Dilma Rousseff era militante da VAR-Palmares, sim, como é de conhecimento público, mas sempre teve uma militância somente política, ou seja, jamais participou de ações ou do planejamento de ações militares. O responsável nacional pelo setor militar da organização naquele período era eu, Antonio Roberto Espinosa. E assumo a responsabilidade moral e política por nossas iniciativas, denunciando como sórdidas as insinuações contra Dilma; 3) Dilma sequer teria como conhecer a idéia da ação, a menos que fosse informada por mim, o que, se ocorreu, foi para o conjunto do Comando Nacional e em termos rápidos e vagos. Isto porque a VAR-Palmares era uma organização clandestina e se preocupava com a segurança de seus quadros e planos, sem contar que "informação política" é algo completamente distinto de "informação factual". Jamais eu diria a qualquer pessoa, mesmo do comando nacional, algo tão ingênuo, inútil e contraproducente como "vamos seqüestrar o Delfim, você concorda?". O que disse à repórter é que informei politicamente ao nacional, que ficava no Rio de Janeiro, que o Regional de São Paulo estava fazendo um levantamento de um quadro importante do governo, talvez para seqüestro e resgate de companheiros então em precárias condições de saúde e em risco de morte pelas torturados sofridas. A esse propósito, convém lembrar que o próprio companheiro Carlos Marighela, comandante nacional da ALN, não ficou sabendo do seqüestro do embaixador americano Charles Burke Elbrick. Por que, então, a Dilma deveria ser informada da ação contra o Delfim? É perfeitamente compreensível que ela não tivesse essa informação e totalmente crível que o próprio Carlos Araújo, seu então companheiro, diga hoje não se lembrar de nada; 4) A Folha, que errou a grafia de meu nome e uma de minhas ocupações atuais (não sou "doutorando em Relações Internacionais", mas em Ciência Política), também informou na capa que havia um plano detalhado e que "a ação chegou a ter data e local definidos". Se foi assim, qual era o local definido, o dia e a hora? Desafio que os editores mostrem a gravação em que eu teria informado isso à repórter; 5) Uma coisa elementar para quem viveu a época: qualquer plano de ação envolvia aspectos técnicos (ou seja, mais de caráter militar) e políticos. O levantamento (que é efetivamente o que estava sendo feito, não nego) seria apenas o começo do começo. Essa parte poderia ficar pronta em mais duas ou três semanas. Reiterando: o Comando Regional de São Paulo ainda não sabia com certeza sequer a freqüência e regularidade das visitas de Delfim a seu amigo no sítio. Depois disso seria preciso fazer o plano militar, ou seja, como a ação poderia ocorrer tecnicamente: planejamento logístico, armas, locais de esconderijo etc. Somente após o plano militar seria elaborado o plano político, a parte mais complicada e delicada de uma operação dessa natureza, que envolveria a estratégia de negociações, a definição das exigências para troca, a lista de companheiros a serem libertados, o manifesto ou declaração pública à nação etc. O comando nacional só participaria do planejamento , portanto, mais tarde, na sua fase política. Até pode ser que, no momento oportuno, viesse a delegar essa função a seus quadros mais experientes, possivelmente eu, o Carlos Araújo ou o Carlos Alberto, dificilmente a Dilma ou Mariano José da Silva, o Loiola, que haviam acabado de ser eleitos para a direção; no caso dela, sequer tinha vivência militar; 6) Chocou-me, portanto, a seleção arbitrária e edição de má-fé da entrevista, pois, em alguns dias e sem recursos sequer para uma entrevista pessoal - apelando para telefonemas e e-mails, e dependendo das orientações de um jornalista mais experiente, no caso o próprio entrevistado -, a repórter chegou a conclusões mais peremptórias do que a própria polícia da ditadura, amparada em torturas e num absurdo poder discricionário. Prova disso é que nenhum de nós foi incriminado por isso na época pelos oficiais militares e delegados dos famigerados Doi-Codi e Deops e eu não fui denunciado por qualquer um dos três promotores militares das auditorias onde respondi a processos, a Primeira e a Segunda auditorias de Guerra, de São Paulo, e a Segunda Auditoria da Marinha, do Rio de Janeiro.
Osasco, 5 de abril de 2009
Antonio Roberto EspinosaJornalista, professor de Política Internacional, doutorando em Ciência Política pela USP, autor de Abraços que sufocam e outros ensaios sobre a liberdade e editor da Enciclopédia Contemporânea da América Latina e do Caribe.
Fonte: Caros Amigos
Caros amigos,
A Folha de São Paulo preparou uma "armadilha" para a Dilma usando uma entrevista que concedi a uma das suas repóteres da sucursal de Brasília. Encaminhei a carta abaixo à redação. E peço que todos os amigos que a façam chegar a quem acharem necessário: redações de jornais, revistas, emissoras de TV e pessoas que talvez possam ser afetadas ou se sintam indignadas pela má fé dos editores do jornal. Como sabem, sou favorável à transparência, por achar que a verdade é sempre o melhor caminho e, no fundo, revolucionária.
À coluna Painel do LeitorSeguem cópias para o Ombudsman e para a redação. Vou enviar cópias também a toda a imprensa nacional. Peço que esta carta seja publicada na próxima edição. Segue abaixo:
Prezados senhores, Chocado com a matéria publicada na edição de hoje (domingo, 5), páginas A8 a A10 deste jornal, a partir da chamada de capa "Grupo de Dilma planejou seqüestro de Delfim Neto", e da repercussão da mesma nos blogs de vários de seus articulistas e no jornal Agora, do mesmo grupo, solicito a publicação desta carta na íntegra, sem edições ou cortes, na edição de amanhã, segunda-feira, 6 de abril, no "Painel do Leitor" (ou em espaço equivalente e com chamada de capa), para o restabelecimento da verdade, e sem prejuízo de outras medidas que vier a tomar. Esclareço preliminarmente que:
1) Não conheço pessoalmente a repórter Fernanda Odilla, pois fui entrevistado por ela somente por telefone. A propósito, estranho que um jornal do porte da Folha publique matérias dessa relevância com base somente em "investigações" telefônicas; 2) Nossa primeira conversa durou cerca de 3 horas e espero que tenha sido gravada. Desafio o jornal a publicar a entrevista na íntegra, para que o leitor a compare com o conteúdo da matéria editada. Esclareço que concedi a entrevista porque defendo a transparência e a clareza histórica, inclusive com a abertura dos arquivos da ditadura. Já concedi dezenas de entrevistas semelhantes a historiadores, jornalistas, estudantes e simples curiosos, e estou sempre disponível a todos os interessados; 3) Quem informou à Folha que o Superior Tribunal Militar (STM) guarda um precioso arquivo dos tempos da ditadura fui eu. A repórter, porém, não conseguiu acessar o arquivo, recorrendo novamente a mim, para que lhe fornecesse autorização pessoal por escrito, para investigar fatos relativos à minha participação na luta armada, não da ministra Dilma Rousseff.
Posteriormente, por e-mail, fui novamente procurado pela repórter, que me enviou o croquis do trajeto para o sítio Gramadão, em Jundiaí, supostamente apreendido no aparelho em que eu residia, no bairro do Lins de Vasconcelos, Rio de Janeiro. Ela indagou se eu reconhecia o desenho como parte do levantamento para o seqüestro do então ministro da Fazenda Delfim Neto. Na oportunidade disse-lhe que era a primeira vez que via o croquis e, como jornalista que também sou, lhe sugeri que mostrasse o desenho ao próprio Delfim (co-signatário do Ato Institucional número 5, principal quadro civil do governo ditatorial e cúmplice das ilegalidades, assassinatos e torturas).
Afirmo publicamente que os editores da Folha transformaram um não-fato de 40 anos atrás (o seqüestro que não houve de Delfim) num factóide do presente (iniciando uma forma sórdida de anticampanha contra a Ministra). A direção do jornal (ou a sua repórter, pouco importa) tomou como provas conclusivas somente o suposto croquis e a distorção grosseria de uma longa entrevista que concedi sobre a história da VAR-Palmares. Ou seja, praticou o pior tipo de jornalismo sensacionalista, algo que envergonha a profissão que também exerço há mais de 35 anos, entre os quais por dois meses na Última Hora, sob a direção de Samuel Wayner (demitido que fui pela intolerância do falecido Octávio Frias a pessoas com um passado político de lutas democráticas). A respeito da natureza tendenciosa da edição da referida matéria faço questão de esclarecer:
1) A VAR-Palmares não era o "grupo da Dilma", mas uma organização política de resistência à infame ditadura que se alastrava sobre nosso país, que só era branda para os que se beneficiavam dela. Em virtude de sua defesa da democracia, da igualdade social e do socialismo, teve dezenas de seus militantes covardemente assassinados nos porões do regime, como Chael Charles Shreier, Yara Iavelberg, Carlos Roberto Zanirato, João Domingues da Silva, Fernando Ruivo e Carlos Alberto Soares de Freitas. O mais importante, hoje, não é saber se a estratégia e as táticas da organização estavam corretas ou não, mas que ela integrava a ampla resistência contra um regime ilegítimo, instaurado pela força bruta de um golpe militar; 2) Dilma Rousseff era militante da VAR-Palmares, sim, como é de conhecimento público, mas sempre teve uma militância somente política, ou seja, jamais participou de ações ou do planejamento de ações militares. O responsável nacional pelo setor militar da organização naquele período era eu, Antonio Roberto Espinosa. E assumo a responsabilidade moral e política por nossas iniciativas, denunciando como sórdidas as insinuações contra Dilma; 3) Dilma sequer teria como conhecer a idéia da ação, a menos que fosse informada por mim, o que, se ocorreu, foi para o conjunto do Comando Nacional e em termos rápidos e vagos. Isto porque a VAR-Palmares era uma organização clandestina e se preocupava com a segurança de seus quadros e planos, sem contar que "informação política" é algo completamente distinto de "informação factual". Jamais eu diria a qualquer pessoa, mesmo do comando nacional, algo tão ingênuo, inútil e contraproducente como "vamos seqüestrar o Delfim, você concorda?". O que disse à repórter é que informei politicamente ao nacional, que ficava no Rio de Janeiro, que o Regional de São Paulo estava fazendo um levantamento de um quadro importante do governo, talvez para seqüestro e resgate de companheiros então em precárias condições de saúde e em risco de morte pelas torturados sofridas. A esse propósito, convém lembrar que o próprio companheiro Carlos Marighela, comandante nacional da ALN, não ficou sabendo do seqüestro do embaixador americano Charles Burke Elbrick. Por que, então, a Dilma deveria ser informada da ação contra o Delfim? É perfeitamente compreensível que ela não tivesse essa informação e totalmente crível que o próprio Carlos Araújo, seu então companheiro, diga hoje não se lembrar de nada; 4) A Folha, que errou a grafia de meu nome e uma de minhas ocupações atuais (não sou "doutorando em Relações Internacionais", mas em Ciência Política), também informou na capa que havia um plano detalhado e que "a ação chegou a ter data e local definidos". Se foi assim, qual era o local definido, o dia e a hora? Desafio que os editores mostrem a gravação em que eu teria informado isso à repórter; 5) Uma coisa elementar para quem viveu a época: qualquer plano de ação envolvia aspectos técnicos (ou seja, mais de caráter militar) e políticos. O levantamento (que é efetivamente o que estava sendo feito, não nego) seria apenas o começo do começo. Essa parte poderia ficar pronta em mais duas ou três semanas. Reiterando: o Comando Regional de São Paulo ainda não sabia com certeza sequer a freqüência e regularidade das visitas de Delfim a seu amigo no sítio. Depois disso seria preciso fazer o plano militar, ou seja, como a ação poderia ocorrer tecnicamente: planejamento logístico, armas, locais de esconderijo etc. Somente após o plano militar seria elaborado o plano político, a parte mais complicada e delicada de uma operação dessa natureza, que envolveria a estratégia de negociações, a definição das exigências para troca, a lista de companheiros a serem libertados, o manifesto ou declaração pública à nação etc. O comando nacional só participaria do planejamento , portanto, mais tarde, na sua fase política. Até pode ser que, no momento oportuno, viesse a delegar essa função a seus quadros mais experientes, possivelmente eu, o Carlos Araújo ou o Carlos Alberto, dificilmente a Dilma ou Mariano José da Silva, o Loiola, que haviam acabado de ser eleitos para a direção; no caso dela, sequer tinha vivência militar; 6) Chocou-me, portanto, a seleção arbitrária e edição de má-fé da entrevista, pois, em alguns dias e sem recursos sequer para uma entrevista pessoal - apelando para telefonemas e e-mails, e dependendo das orientações de um jornalista mais experiente, no caso o próprio entrevistado -, a repórter chegou a conclusões mais peremptórias do que a própria polícia da ditadura, amparada em torturas e num absurdo poder discricionário. Prova disso é que nenhum de nós foi incriminado por isso na época pelos oficiais militares e delegados dos famigerados Doi-Codi e Deops e eu não fui denunciado por qualquer um dos três promotores militares das auditorias onde respondi a processos, a Primeira e a Segunda auditorias de Guerra, de São Paulo, e a Segunda Auditoria da Marinha, do Rio de Janeiro.
Osasco, 5 de abril de 2009
Antonio Roberto EspinosaJornalista, professor de Política Internacional, doutorando em Ciência Política pela USP, autor de Abraços que sufocam e outros ensaios sobre a liberdade e editor da Enciclopédia Contemporânea da América Latina e do Caribe.
Fonte: Caros Amigos
As denuncias de Ana Julia
Leandro Fortes
Em janeiro de 2008, a governadora do Pará, Ana Júlia Carepa, foi surpreendida por um telefonema de um antigo companheiro do PT, o ex-deputado Luiz Eduardo Greenhalgh. De São Paulo, Greenhalgh manteve uma conversa evasiva e pediu uma audiência com a governadora. De pronto, Ana Júlia convidou o correligionário para um almoço na residência oficial, em Belém. O que deveria ter sido uma conversa entre velhos amigos tornou-se um encontro constrangedor. Greenhalgh levou a tiracolo o empresário Carlos Rodenburg, então vice-presidente do Banco Opportunity e ex-cunhado do banqueiro Daniel Dantas. Enquanto saboreava um peixe da região, a governadora haveria de descobrir um segredo que só seria revelado ao País dali a seis meses, após a Operação Satiagraha: Greenhalgh, antigo defensor de trabalhadores rurais e presos políticos da ditadura militar, havia se tornado advogado e lobista de Dantas. O petista intercedeu a favor do banqueiro e de suas atividades pecuárias no Pará. Na quarta-feira 29, Ana Júlia Carepa recebeu CartaCapital no escritório da representação do estado do Pará, no Setor Comercial Sul de Brasília. A governadora não consegue esconder a decepção de ver o companheiro Greenhalgh do outro lado da trincheira e denuncia uma conspiração, segundo ela, montada pela turma de Dantas para tentar passar a imagem de que o Pará é uma terra sem lei. CartaCapital: De que maneira o ex-deputado Luiz Eduardo Greenhalgh se aproximou da senhora para interceder pelo Opportunity? Ana Júlia Carepa: O Greenhalgh é um companheiro por quem sempre tive muito respeito. Ele telefonou para mim, de São Paulo, e disse que precisava falar comigo, que viria a Belém, em janeiro de 2008. Eu falei “pois não, meu companheiro”. Quando ele chegou, percebi que tinha vindo com Rodenburg (Carlos Rodenburg, do Opportunity). Fiquei surpresa. CC: Qual foi a sua reação? AJC: Eu me virei e disse a ele (Rodenburg): “Já o conheço de situações bem menos confortáveis do que esta aqui”. Eu o conhecia da CPI dos Correios, ele estava lá acompanhando o Daniel Dantas, a quem desafiei muitas vezes e acusei de subjugar os fundos de pensão, durante o governo Fernando Henrique Cardoso, para manter o controle acionário da Brasil Telecom. Mesmo assim, seguimos para a residência oficial e fomos almoçar. CC: Havia mais alguém nesse almoço, além de vocês três? AJC: Sim, o meu então chefe de gabinete, João Cláudio Arroio. CC: O que Greenhalgh e Rodenburg queriam? AJC: Eles queriam “vender” a imagem da empresa (Agropecuária Santa Bárbara) e reclamar que tinham recebido uma notificação de crime ambiental da Secretaria de Meio Ambiente do Pará. Perguntaram se era uma coisa específica para eles. Eu disse que não, pois a certificação ambiental é obrigação de todo mundo. Somos cobrados por isso. Greenhalgh queria saber especificamente sobre esse documento, do qual o governo do Pará não abre mão. Disse que se eles precisassem de mais algum prazo para levantar a documentação não seria problema. Mas o documento seria mantido. Disse que a única exigência que o estado faz para qualquer empreendedor do Pará é que trabalhe dentro da legalidade, dentro das leis ambientais, e por isso mesmo houve a notificação.
Fonte: Carta Capital
Em janeiro de 2008, a governadora do Pará, Ana Júlia Carepa, foi surpreendida por um telefonema de um antigo companheiro do PT, o ex-deputado Luiz Eduardo Greenhalgh. De São Paulo, Greenhalgh manteve uma conversa evasiva e pediu uma audiência com a governadora. De pronto, Ana Júlia convidou o correligionário para um almoço na residência oficial, em Belém. O que deveria ter sido uma conversa entre velhos amigos tornou-se um encontro constrangedor. Greenhalgh levou a tiracolo o empresário Carlos Rodenburg, então vice-presidente do Banco Opportunity e ex-cunhado do banqueiro Daniel Dantas. Enquanto saboreava um peixe da região, a governadora haveria de descobrir um segredo que só seria revelado ao País dali a seis meses, após a Operação Satiagraha: Greenhalgh, antigo defensor de trabalhadores rurais e presos políticos da ditadura militar, havia se tornado advogado e lobista de Dantas. O petista intercedeu a favor do banqueiro e de suas atividades pecuárias no Pará. Na quarta-feira 29, Ana Júlia Carepa recebeu CartaCapital no escritório da representação do estado do Pará, no Setor Comercial Sul de Brasília. A governadora não consegue esconder a decepção de ver o companheiro Greenhalgh do outro lado da trincheira e denuncia uma conspiração, segundo ela, montada pela turma de Dantas para tentar passar a imagem de que o Pará é uma terra sem lei. CartaCapital: De que maneira o ex-deputado Luiz Eduardo Greenhalgh se aproximou da senhora para interceder pelo Opportunity? Ana Júlia Carepa: O Greenhalgh é um companheiro por quem sempre tive muito respeito. Ele telefonou para mim, de São Paulo, e disse que precisava falar comigo, que viria a Belém, em janeiro de 2008. Eu falei “pois não, meu companheiro”. Quando ele chegou, percebi que tinha vindo com Rodenburg (Carlos Rodenburg, do Opportunity). Fiquei surpresa. CC: Qual foi a sua reação? AJC: Eu me virei e disse a ele (Rodenburg): “Já o conheço de situações bem menos confortáveis do que esta aqui”. Eu o conhecia da CPI dos Correios, ele estava lá acompanhando o Daniel Dantas, a quem desafiei muitas vezes e acusei de subjugar os fundos de pensão, durante o governo Fernando Henrique Cardoso, para manter o controle acionário da Brasil Telecom. Mesmo assim, seguimos para a residência oficial e fomos almoçar. CC: Havia mais alguém nesse almoço, além de vocês três? AJC: Sim, o meu então chefe de gabinete, João Cláudio Arroio. CC: O que Greenhalgh e Rodenburg queriam? AJC: Eles queriam “vender” a imagem da empresa (Agropecuária Santa Bárbara) e reclamar que tinham recebido uma notificação de crime ambiental da Secretaria de Meio Ambiente do Pará. Perguntaram se era uma coisa específica para eles. Eu disse que não, pois a certificação ambiental é obrigação de todo mundo. Somos cobrados por isso. Greenhalgh queria saber especificamente sobre esse documento, do qual o governo do Pará não abre mão. Disse que se eles precisassem de mais algum prazo para levantar a documentação não seria problema. Mas o documento seria mantido. Disse que a única exigência que o estado faz para qualquer empreendedor do Pará é que trabalhe dentro da legalidade, dentro das leis ambientais, e por isso mesmo houve a notificação.
Fonte: Carta Capital
Poço sem fundo
Redação CartaCapital
Ainda é maio, mas a sucessão de escândalos a envolver o Congresso dá sinais de que 2009 será um ano fervilhante em Brasília. Entre os destaques, o caso do ex-diretor do Senado João Carlos Zoghbi, dono de empresas com negócios milionários com o próprio Senado, segundo revelou a revista Época. Ou os 181 diretores “descobertos” também no Senado, como aquele responsável pela garagem, com salário de 18 mil reais. Ou ainda o escândalo das passagens aéreas utilizadas por familiares ou pelos próprios parlamentares em passeios no Brasil e no exterior. Na avaliação do cientista político Marco Antonio Teixeira, professor da Fundação Getulio Vargas, trata-se de algo “sem precedente” na história, cheia de altos e baixos, do Parlamento nacional. “Estamos presenciando uma sucessão de escândalos que não tem intervalo temporal algum. E isso contribui para a falta de uma agenda positiva no Congresso”, avalia. CartaCapital: Na sua avaliação, o País já assistiu a uma crise no Congresso semelhante à atual? Marco Antonio Teixeira: Em termos quantitativos e em um espaço tão curto de tempo, não há precedente. Claro que, desde os anos 80, tivemos diversos escândalos que marcaram a nossa história política. Mas o que estamos presenciando nos últimos anos é uma sucessão de escândalos que não tem intervalo temporal algum. E isso contribui para a ausência de uma agenda positiva do Congresso. CC: Existe algum denominador comum nesses escândalos? MAT: Há uma questão importante nessa série de escândalos mais recente, que é a gente perceber o quanto uma parcela de nossos políticos simplesmente confunde o seu próprio bolso com o bolso do Estado. Eles não levam em consideração o fato de que o dinheiro deve ser usado em atividades públicas, de interesse público. Basta olhar para o caso das passagens aéreas. Alguns parlamentares quiseram justificar descaradamente passeios com a família como algo que não era ilegal. Podia não ser ilegal, mas era no mínimo imoral, já que se trata de uma atividade privada. Esses casos revelam a falta de espírito republicano. CC: A natureza dos partidos influencia o grau de desfaçatez dos políticos? MAT: Os partidos políticos não cumprem o seu papel de representantes da sociedade ou de setores perante o Estado. Eles têm sido muito mais uma correia de transmissão de poder para as elites partidárias do que instrumentos de representação de interesses sociais. Dentro dos partidos, existem muito mais oligarquias partidárias do que um programa político coeso que, de alguma maneira, oriente os seus parlamentares. CC: E qual o papel da mídia nessa história? MAT: Não existiriam os escândalos não fosse a cobertura da imprensa. A mídia tem funcionado como o principal instrumento de repercussão desses fatos, que só chegam à opinião pública a partir do próprio noticiário. Mas é preciso ver também que as instituições brasileiras foram sendo obrigadas a se abrir mais, a dar maior transparência a seus atos, e boa parte do material divulgado pela mídia é produto da necessidade de publicização. Não podemos esquecer, porém, que a mídia também é alimentada muitas vezes pela própria disputa pelo poder. CC: E o senhor vê uma luz no fim desse túnel? MAT: Os assuntos públicos não estão tão encobertos como já estiveram. Por outro lado, o Legislativo não evoluiu da mesma maneira, apesar de que não há como negar que houve algum avanço. A definição de regras para as passagens é um exemplo. Talvez possamos ver uma luz no fim do túnel não só quando nos escandalizamos, mas também quando temos como resposta a criação de normas, de sistemas de controle que evitem que essas coisas voltem a acontecer. As instituições vão aprendendo com os seus erros. ::
Fonte: Carta Capital
Ainda é maio, mas a sucessão de escândalos a envolver o Congresso dá sinais de que 2009 será um ano fervilhante em Brasília. Entre os destaques, o caso do ex-diretor do Senado João Carlos Zoghbi, dono de empresas com negócios milionários com o próprio Senado, segundo revelou a revista Época. Ou os 181 diretores “descobertos” também no Senado, como aquele responsável pela garagem, com salário de 18 mil reais. Ou ainda o escândalo das passagens aéreas utilizadas por familiares ou pelos próprios parlamentares em passeios no Brasil e no exterior. Na avaliação do cientista político Marco Antonio Teixeira, professor da Fundação Getulio Vargas, trata-se de algo “sem precedente” na história, cheia de altos e baixos, do Parlamento nacional. “Estamos presenciando uma sucessão de escândalos que não tem intervalo temporal algum. E isso contribui para a falta de uma agenda positiva no Congresso”, avalia. CartaCapital: Na sua avaliação, o País já assistiu a uma crise no Congresso semelhante à atual? Marco Antonio Teixeira: Em termos quantitativos e em um espaço tão curto de tempo, não há precedente. Claro que, desde os anos 80, tivemos diversos escândalos que marcaram a nossa história política. Mas o que estamos presenciando nos últimos anos é uma sucessão de escândalos que não tem intervalo temporal algum. E isso contribui para a ausência de uma agenda positiva do Congresso. CC: Existe algum denominador comum nesses escândalos? MAT: Há uma questão importante nessa série de escândalos mais recente, que é a gente perceber o quanto uma parcela de nossos políticos simplesmente confunde o seu próprio bolso com o bolso do Estado. Eles não levam em consideração o fato de que o dinheiro deve ser usado em atividades públicas, de interesse público. Basta olhar para o caso das passagens aéreas. Alguns parlamentares quiseram justificar descaradamente passeios com a família como algo que não era ilegal. Podia não ser ilegal, mas era no mínimo imoral, já que se trata de uma atividade privada. Esses casos revelam a falta de espírito republicano. CC: A natureza dos partidos influencia o grau de desfaçatez dos políticos? MAT: Os partidos políticos não cumprem o seu papel de representantes da sociedade ou de setores perante o Estado. Eles têm sido muito mais uma correia de transmissão de poder para as elites partidárias do que instrumentos de representação de interesses sociais. Dentro dos partidos, existem muito mais oligarquias partidárias do que um programa político coeso que, de alguma maneira, oriente os seus parlamentares. CC: E qual o papel da mídia nessa história? MAT: Não existiriam os escândalos não fosse a cobertura da imprensa. A mídia tem funcionado como o principal instrumento de repercussão desses fatos, que só chegam à opinião pública a partir do próprio noticiário. Mas é preciso ver também que as instituições brasileiras foram sendo obrigadas a se abrir mais, a dar maior transparência a seus atos, e boa parte do material divulgado pela mídia é produto da necessidade de publicização. Não podemos esquecer, porém, que a mídia também é alimentada muitas vezes pela própria disputa pelo poder. CC: E o senhor vê uma luz no fim desse túnel? MAT: Os assuntos públicos não estão tão encobertos como já estiveram. Por outro lado, o Legislativo não evoluiu da mesma maneira, apesar de que não há como negar que houve algum avanço. A definição de regras para as passagens é um exemplo. Talvez possamos ver uma luz no fim do túnel não só quando nos escandalizamos, mas também quando temos como resposta a criação de normas, de sistemas de controle que evitem que essas coisas voltem a acontecer. As instituições vão aprendendo com os seus erros. ::
Fonte: Carta Capital
Lula e Obama
Emiliano José
Chega ser quase obscena a posição hegemônica da mídia brasileira quanto a Lula. Isso voltou a se evidenciar nas reações iradas, irônicas, rasteiras às reiteradas falas do presidente dos EUA, Barack Obama, que não economizou elogios ao presidente brasileiro. Talvez pudéssemos qualificar tais reações como “ódio de classe”, para seguir a trilha teórica do marxismo. Não creio, no entanto, que isso explique tudo. Há, aqui, como tenho sustentado em alguns trabalhos meus, uma posição política de nossa mídia, também associada a aspectos culturais, como o acentuado desprezo das classes dominantes àqueles que vêm de baixo, quanto mais se provenientes do Nordeste. Descartadas sempre as honrosas exceções, CartaCapital entre elas, a imprensa brasileira carrega a marca da Casa Grande. A ascensão de Senzala a incomoda muito, provoca urticária. Foi Obama falar e ela se agitar. Os colunistas entraram rapidamente em ação. Um dizia que Lula apenas enfeitava o projeto dos grandes países capitalistas, capitaneado pelos EUA. Outro dizia que tudo bem, belo elogios, mas que Lula devia voltar logo e “começar a governar o Brasil em crise”. Outro, alcançando os píncaros da indigência intelectual, afirmava que tudo aquilo era ironia do presidente dos EUA. Eles não resistem à afirmação desse “presidente-operário-metido a-besta”. O que as reiteradas declarações de Obama, a performance de Lula no G-20 e na Cumbre recente provocaram foi a discussão sobre a liderança de Lula na cena mundial, particularmente o seu papel diante da crise econômica. Volto ao início: todo esse discurso está fundado numa posição política: a mídia brasileira sempre sustentou uma atitude contrária a governos reformistas e democráticos. Não cabe detalhar isso nos limites desse texto. Se apenas passássemos os olhos em episódios históricos como o suicídio de Getúlio, o golpe de 64 e a própria convivência com a ditadura, perceberiam o quanto houve de participação decisiva na tentativa de golpe em 54, na articulação de 64 e na convivência com os militares, na seqüência. Aceitar uma liderança como Lula é demais. Trata-se da encarnação de um projeto bastante diferente do que a maior parte de nossa mídia defende. Não me parece que seja correto discutir a ascensão de Lula como líder mundial a partir das declarações do presidente dos EUA. É evidente que elas têm um significado forte, um poderoso impacto político e midiático. A liderança de Lula, no entanto, ao ser reconhecida pelo país-líder do Império, reclama uma explicação que vai muito além da “chancela” de Obama. Essa liderança se constitui ao longo do tempo e é a encarnação de um projeto histórico-cultural e político coletivo. É evidente que esse projeto encontrou em Lula um ator excepcional, de um talento raro. Talento que vem se afirmando de maneira indiscutível. Quando o atual presidente da República se colocou a frente da classe operária moderna, nas impressionantes mobilizações do final da década de 70 do século passado, pouca gente podia desconfiar estar ali o germe de um novo poder político no Brasil. De líder operário a líder político foi um salto. Lula deixa de ser uma liderança corporativa, desprega-se do exclusivismo da luta operário-sindical, para elevar-se à condição de dirigente político, passando a representar o conjunto da classe trabalhadora e, com isso, caminhando para hegemonizar toda a sociedade brasileira. E dos anos 80 em diante, o novo projeto foi ganhando consistência, constituindo-se uma constelação de forças capitaneada pelo Partido dos Trabalhadores que, com altos e baixos, erros e acertos, foi ganhando pacientemente a conf iança da população brasileira até que em 2002 Lula se torna presidente da República, rompendo pela primeira vez uma tradição secular. Um integrante da classe operária dirigia os destinos do Brasil. As classes dominantes e suas elites políticas desdenharam. Tinham certeza de que “ele e sua equipe” não saberiam o que fazer, que tudo desandaria rapidamente. Deram com os burros n’água. Lula e sua equipe imprimiram um novo rumo ao País. Podemos dizer que de 2003 para cá, o Brasil passou a experimentar uma revolução democrática. Iniciou-se um processo real de distribuição de renda, com políticas públicas capazes de garantir melhorias das condições de vida de milhões de pessoas. Claro que se trata do inicio de um processo, mas revelando inegavelmente uma mudança profunda de rumos no plano da política interna. Esse projeto foi duramente atacado em 2005/2006. Para além dos erros cometidos, e que o PT reconheceu, o fato é que tudo girava em torno da necessidade de derrotar Lula e o projeto que ele encarnava. Lula resistiu porque tinha a convicção de que era fundamental continuar as mudanças que apenas havia iniciado. E ele tinha plena convicção de ter as mãos limpas. Era necessário continuar a distribuir renda, promover o desenvolvimento, modernizar o país, redesenhar sua infra-estrutura isso depois de ter conseguido equilibrar as finanças públicas. Lula se reelegeu. O povo brasileiro reconhecia nele a sua liderança. No plano da política externa, deu um giro de 180 graus. Privilegiou as relações com a América Latina, Ásia e África. Tomou posições corajosas, como a de opor-se à guerra do Iraque, à Alca (que foi derrotada), defendeu os interesses dos países mais pobres, pregou a união entre eles, lutou e luta pelo Mercosul. E, diante da crise econômica originada no coração do Império, foi incisivo: os mais pobres não podem pagar essa conta. Lula conseguiu firmar-se no seu país e ao fazê-lo sabia que não podia deixar o mundo de lado. A seu modo, compreendeu que precisava enfrentar os desafios da globalização com posições políticas democráticas, capazes de opor-se à crescente exclusão dos mais pobres. E por isso tornou-se essa liderança. Que tem compromissos profundos com o seu povo e com os povos do mundo. Os líderes se afirmam quando são capazes de interpretar sentimentos e aspirações profundas dos povos. Lula tem sabido fazer isso. Não desvinculou-se de suas raízes.
Fonte: Carta Capital
Chega ser quase obscena a posição hegemônica da mídia brasileira quanto a Lula. Isso voltou a se evidenciar nas reações iradas, irônicas, rasteiras às reiteradas falas do presidente dos EUA, Barack Obama, que não economizou elogios ao presidente brasileiro. Talvez pudéssemos qualificar tais reações como “ódio de classe”, para seguir a trilha teórica do marxismo. Não creio, no entanto, que isso explique tudo. Há, aqui, como tenho sustentado em alguns trabalhos meus, uma posição política de nossa mídia, também associada a aspectos culturais, como o acentuado desprezo das classes dominantes àqueles que vêm de baixo, quanto mais se provenientes do Nordeste. Descartadas sempre as honrosas exceções, CartaCapital entre elas, a imprensa brasileira carrega a marca da Casa Grande. A ascensão de Senzala a incomoda muito, provoca urticária. Foi Obama falar e ela se agitar. Os colunistas entraram rapidamente em ação. Um dizia que Lula apenas enfeitava o projeto dos grandes países capitalistas, capitaneado pelos EUA. Outro dizia que tudo bem, belo elogios, mas que Lula devia voltar logo e “começar a governar o Brasil em crise”. Outro, alcançando os píncaros da indigência intelectual, afirmava que tudo aquilo era ironia do presidente dos EUA. Eles não resistem à afirmação desse “presidente-operário-metido a-besta”. O que as reiteradas declarações de Obama, a performance de Lula no G-20 e na Cumbre recente provocaram foi a discussão sobre a liderança de Lula na cena mundial, particularmente o seu papel diante da crise econômica. Volto ao início: todo esse discurso está fundado numa posição política: a mídia brasileira sempre sustentou uma atitude contrária a governos reformistas e democráticos. Não cabe detalhar isso nos limites desse texto. Se apenas passássemos os olhos em episódios históricos como o suicídio de Getúlio, o golpe de 64 e a própria convivência com a ditadura, perceberiam o quanto houve de participação decisiva na tentativa de golpe em 54, na articulação de 64 e na convivência com os militares, na seqüência. Aceitar uma liderança como Lula é demais. Trata-se da encarnação de um projeto bastante diferente do que a maior parte de nossa mídia defende. Não me parece que seja correto discutir a ascensão de Lula como líder mundial a partir das declarações do presidente dos EUA. É evidente que elas têm um significado forte, um poderoso impacto político e midiático. A liderança de Lula, no entanto, ao ser reconhecida pelo país-líder do Império, reclama uma explicação que vai muito além da “chancela” de Obama. Essa liderança se constitui ao longo do tempo e é a encarnação de um projeto histórico-cultural e político coletivo. É evidente que esse projeto encontrou em Lula um ator excepcional, de um talento raro. Talento que vem se afirmando de maneira indiscutível. Quando o atual presidente da República se colocou a frente da classe operária moderna, nas impressionantes mobilizações do final da década de 70 do século passado, pouca gente podia desconfiar estar ali o germe de um novo poder político no Brasil. De líder operário a líder político foi um salto. Lula deixa de ser uma liderança corporativa, desprega-se do exclusivismo da luta operário-sindical, para elevar-se à condição de dirigente político, passando a representar o conjunto da classe trabalhadora e, com isso, caminhando para hegemonizar toda a sociedade brasileira. E dos anos 80 em diante, o novo projeto foi ganhando consistência, constituindo-se uma constelação de forças capitaneada pelo Partido dos Trabalhadores que, com altos e baixos, erros e acertos, foi ganhando pacientemente a conf iança da população brasileira até que em 2002 Lula se torna presidente da República, rompendo pela primeira vez uma tradição secular. Um integrante da classe operária dirigia os destinos do Brasil. As classes dominantes e suas elites políticas desdenharam. Tinham certeza de que “ele e sua equipe” não saberiam o que fazer, que tudo desandaria rapidamente. Deram com os burros n’água. Lula e sua equipe imprimiram um novo rumo ao País. Podemos dizer que de 2003 para cá, o Brasil passou a experimentar uma revolução democrática. Iniciou-se um processo real de distribuição de renda, com políticas públicas capazes de garantir melhorias das condições de vida de milhões de pessoas. Claro que se trata do inicio de um processo, mas revelando inegavelmente uma mudança profunda de rumos no plano da política interna. Esse projeto foi duramente atacado em 2005/2006. Para além dos erros cometidos, e que o PT reconheceu, o fato é que tudo girava em torno da necessidade de derrotar Lula e o projeto que ele encarnava. Lula resistiu porque tinha a convicção de que era fundamental continuar as mudanças que apenas havia iniciado. E ele tinha plena convicção de ter as mãos limpas. Era necessário continuar a distribuir renda, promover o desenvolvimento, modernizar o país, redesenhar sua infra-estrutura isso depois de ter conseguido equilibrar as finanças públicas. Lula se reelegeu. O povo brasileiro reconhecia nele a sua liderança. No plano da política externa, deu um giro de 180 graus. Privilegiou as relações com a América Latina, Ásia e África. Tomou posições corajosas, como a de opor-se à guerra do Iraque, à Alca (que foi derrotada), defendeu os interesses dos países mais pobres, pregou a união entre eles, lutou e luta pelo Mercosul. E, diante da crise econômica originada no coração do Império, foi incisivo: os mais pobres não podem pagar essa conta. Lula conseguiu firmar-se no seu país e ao fazê-lo sabia que não podia deixar o mundo de lado. A seu modo, compreendeu que precisava enfrentar os desafios da globalização com posições políticas democráticas, capazes de opor-se à crescente exclusão dos mais pobres. E por isso tornou-se essa liderança. Que tem compromissos profundos com o seu povo e com os povos do mundo. Os líderes se afirmam quando são capazes de interpretar sentimentos e aspirações profundas dos povos. Lula tem sabido fazer isso. Não desvinculou-se de suas raízes.
Fonte: Carta Capital
Casa-grande e senzala, sempre
Mino Carta
Respeitados economistas europeus e americanos avisam que a crise econômica global ainda vai atingir maior gravidade nos países em desenvolvimento. Responsáveis pela saúde do mundo temem a pandemia suína. Mas não é destas crises que aqui se fala, e sim de outra, específica, de nítida marca brasileira. Nasce do descrédito das instituições democráticas, nas barbas do Pacto Republicano recentemente selado. O País tem o presidente mais popular de sua história e goza de um prestígio internacional nunca dantes navegado, graças à simpatia e à vocação diplomática de Lula, e a uma política externa inteligente, independente e assertiva. Em contrapartida, a nação não alimenta a mais pálida confiança em relação ao Legislativo e ao Judiciário. A opinião pública brasileira, por mais difícil que seja traçar-lhe os contornos, está indignada com os comportamentos dos parlamentares federais, entregues a uma mamata, como se dizia antigamente, sem precedentes. Muitos brasileiros fingem não perceber a evidência: a falta de decoro e pudor é apenas um dos aspectos de uma inesgotável trajetória de predações variadas e crescentes, a gerar uma crise moral que transcende largamente as fronteiras do Congresso Nacional. Sem grande esforço tropeçaremos em desmandos iguais nas assembleias estaduais e nas câmaras municipais de todo o País, sem excluir a possibilidade de algumas, raras, surpresas. E sem falar da leniência mais ou menos generalizada em relação a valores éticos, em nome do célebre jeitinho, praticado em quaisquer níveis com a celebração do lema: aos amigos tudo, aos inimigos a lei. Quanto ao Judiciário, é o império do presidente Gilmar Mendes, despótico não somente em Diamantino. O ministro Joaquim Barbosa não está enganado quando afirma que a Justiça está a ser “destruída”, embora nem todas as responsabilidades caibam a Mendes. Resta um fato indiscutível: o entrevero no STF, encenado ao vivo na semana passada do Oiapoque ao Chuí, teria cenário mais adequado se desenrolado em um botequim do arrabalde. Barbosa também não erra quando recomenda prestar atenção aos humores da rua. Mendes pode contar com o apoio estratégico dos seus pares e de boa parte da mídia, espanta, porém, a maioria dos patrícios e os incentiva a desacreditar da Justiça a partir da sua mais alta instância. São sentimentos e pensamentos que vêm de longe, agora, entretanto, se exasperam. É possível que a crise das instituições não esteja tão clara aos olhos dos privilegiados e dos aspirantes ao privilégio. Ou, ao menos, dos cidadãos prontos a se identificarem com a hipocrisia midiática. Assentam suas crenças no seu próprio bem-estar, e o resto que se moa. Conviria, porém, entender as razões deste descrédito vertiginoso em que despencaram o Legislativo e o Judiciário. Não se exija dos descrentes que na operação espremam as meninges. Constatem, simplesmente, que o Brasil continua atado à cultura da escravidão, a da casa-grande e da senzala. A prepotência, a desfaçatez, a empáfia dos predadores baseiam-se na certeza da impunidade e na resignação popular. A casa-grande age à vontade porque se sente à vontade. Sim, em outros tempos a crise das instituições submeteria o Brasil a riscos hoje inimagináveis. Gerados inclusive pela necessidade dos presidentes governarem com o apoio de oligarcas e apaniguados. A questão tornou-se crucial depois do enterro do Estado Novo, primeiro com Getúlio democraticamente eleito e enfim suicida, depois com JK, com Jânio e suas apostas falidas, com Jango até o golpe. A composição não foi árdua, depois da ditadura, para Sarney e Fernando Henrique Cardoso, excelentes no cumprimento da praxe antidemocrática. A dificuldade de Lula está aí com a nitidez do meio-dia, apesar de seu talento de conciliador, talento que nem sempre convém à situação. Nos tais tempos idos a casa-grande, em meio à meteorologia turva, não hesitou em convocar seus gendarmes. Hoje os gendarmes não são mais aqueles e os senhores quem sabe se tenham convencido de que como está é bom para eles, bom demais. A casa-grande porta-se, sempre e sempre, com extremo imediatismo. O presente é que interessa, predação-já. Houvesse a vontade de cogitar do futuro, creio que o Brasil teria tomado os rumos da contemporaneidade. Mas a casa-grande jamais se preocupou com a senzala.
Fonte: Carta Capital
Respeitados economistas europeus e americanos avisam que a crise econômica global ainda vai atingir maior gravidade nos países em desenvolvimento. Responsáveis pela saúde do mundo temem a pandemia suína. Mas não é destas crises que aqui se fala, e sim de outra, específica, de nítida marca brasileira. Nasce do descrédito das instituições democráticas, nas barbas do Pacto Republicano recentemente selado. O País tem o presidente mais popular de sua história e goza de um prestígio internacional nunca dantes navegado, graças à simpatia e à vocação diplomática de Lula, e a uma política externa inteligente, independente e assertiva. Em contrapartida, a nação não alimenta a mais pálida confiança em relação ao Legislativo e ao Judiciário. A opinião pública brasileira, por mais difícil que seja traçar-lhe os contornos, está indignada com os comportamentos dos parlamentares federais, entregues a uma mamata, como se dizia antigamente, sem precedentes. Muitos brasileiros fingem não perceber a evidência: a falta de decoro e pudor é apenas um dos aspectos de uma inesgotável trajetória de predações variadas e crescentes, a gerar uma crise moral que transcende largamente as fronteiras do Congresso Nacional. Sem grande esforço tropeçaremos em desmandos iguais nas assembleias estaduais e nas câmaras municipais de todo o País, sem excluir a possibilidade de algumas, raras, surpresas. E sem falar da leniência mais ou menos generalizada em relação a valores éticos, em nome do célebre jeitinho, praticado em quaisquer níveis com a celebração do lema: aos amigos tudo, aos inimigos a lei. Quanto ao Judiciário, é o império do presidente Gilmar Mendes, despótico não somente em Diamantino. O ministro Joaquim Barbosa não está enganado quando afirma que a Justiça está a ser “destruída”, embora nem todas as responsabilidades caibam a Mendes. Resta um fato indiscutível: o entrevero no STF, encenado ao vivo na semana passada do Oiapoque ao Chuí, teria cenário mais adequado se desenrolado em um botequim do arrabalde. Barbosa também não erra quando recomenda prestar atenção aos humores da rua. Mendes pode contar com o apoio estratégico dos seus pares e de boa parte da mídia, espanta, porém, a maioria dos patrícios e os incentiva a desacreditar da Justiça a partir da sua mais alta instância. São sentimentos e pensamentos que vêm de longe, agora, entretanto, se exasperam. É possível que a crise das instituições não esteja tão clara aos olhos dos privilegiados e dos aspirantes ao privilégio. Ou, ao menos, dos cidadãos prontos a se identificarem com a hipocrisia midiática. Assentam suas crenças no seu próprio bem-estar, e o resto que se moa. Conviria, porém, entender as razões deste descrédito vertiginoso em que despencaram o Legislativo e o Judiciário. Não se exija dos descrentes que na operação espremam as meninges. Constatem, simplesmente, que o Brasil continua atado à cultura da escravidão, a da casa-grande e da senzala. A prepotência, a desfaçatez, a empáfia dos predadores baseiam-se na certeza da impunidade e na resignação popular. A casa-grande age à vontade porque se sente à vontade. Sim, em outros tempos a crise das instituições submeteria o Brasil a riscos hoje inimagináveis. Gerados inclusive pela necessidade dos presidentes governarem com o apoio de oligarcas e apaniguados. A questão tornou-se crucial depois do enterro do Estado Novo, primeiro com Getúlio democraticamente eleito e enfim suicida, depois com JK, com Jânio e suas apostas falidas, com Jango até o golpe. A composição não foi árdua, depois da ditadura, para Sarney e Fernando Henrique Cardoso, excelentes no cumprimento da praxe antidemocrática. A dificuldade de Lula está aí com a nitidez do meio-dia, apesar de seu talento de conciliador, talento que nem sempre convém à situação. Nos tais tempos idos a casa-grande, em meio à meteorologia turva, não hesitou em convocar seus gendarmes. Hoje os gendarmes não são mais aqueles e os senhores quem sabe se tenham convencido de que como está é bom para eles, bom demais. A casa-grande porta-se, sempre e sempre, com extremo imediatismo. O presente é que interessa, predação-já. Houvesse a vontade de cogitar do futuro, creio que o Brasil teria tomado os rumos da contemporaneidade. Mas a casa-grande jamais se preocupou com a senzala.
Fonte: Carta Capital
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