terça-feira, fevereiro 19, 2008

Presidente tem a melhor aprovação desde 2003

Márcio Falcão Brasília
Diante de um cenário incerto, assombrado pela crise dos cartões corporativos, a imagem do presidente Luiz Inácio Lula da Silva recuperou a força exibida no início de seu governo. Pesquisa CNT/Sensus divulgada ontem mostra que a avaliação positiva do governo Lula foi a melhor desde a sondagem realizada em janeiro de 2003. O desempenho pessoal do presidente também foi o melhor desde dezembro de 2003. Mas o peso de Lula ainda não foi capaz de dar fôlego aos possíveis candidatos petistas na corrida ao Palácio do Planalto em 2010.
Os dados da pesquisa - que ouviu 2 mil pessoas, entre 11 a 16 de fevereiro, em 136 municípios - apontam: a avaliação positiva do governo Lula passou de 46,5% em outubro de 2007 para 52,7% neste mês. Em janeiro de 2003, o índice foi de 56,6%. A avaliação do desempenho pessoal do presidente passou de 61,2% para 66,8%, entre outubro de 2007 e fevereiro deste ano. Em dezembro de 2003, esse índice foi de 69,9%. Os entrevistados também derrubaram a desaprovação do presidente, que caiu de 32,5% para 28,6%.
- A melhora da avaliação positiva do governo Lula e do presidente foi registrada em todas regiões do país e em todas as faixas etárias dos entrevistados em função do desempenho da economia aliado aos bom desempenho dos programas sociais do governo - explica o diretor do Instituto Sensus, Ricardo Guedes.
O prestígio do presidente ainda foi confirmado nas especulações sobre a disputa presidencial de 2010. Mesmo sem poder concorrer a um novo mandato, Lula foi o mais lembrado na chamada pesquisa espontânea, quando não há apresentação da lista de candidatos. Recebeu 18,6% das menções.
- O presidente tem um estilo popular, carismático, com o qual o brasileiro se identifica. É preciso levar ainda em consideração o sucesso dos programas sociais e o bom desenvolvimento da economia - avalia o líder do PT na Câmara, Maurício Rands (PE).
Apesar de ser considerado um excelente cabo eleitoral para as eleições municipais de outubro - segundo a pesquisa, 36,8% dos entrevistados poderia votar, ou votaria, no candidato apoiado pelo presidente - Lula terá um desafio: transferir aos candidatos do governo poder de fogo para lutar contra o governador de São Paulo, José Serra (PSDB), que lidera as intenções de voto em todas as listas apresentadas aos entrevistados, tanto no primeiro turno como no segundo.
Questionado sobre o desempenho de Serra e dos ministros-presidenciáveis na pesquisa, que não chegam a dois dígitos, o presidente Lula desconversa:
- Pesquisa para valer para mim, é a de dezembro de 2010 - declarou o presidente.
Nas simulações contra o PSDB, participam a ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, o ministro da Justiça, Tarso Genro, e o ministro do Desenvolvimento Social e Combate à Fome, Patrus Ananias. Dilma, que foi testada em dois quadros, foi quem alcançou o maior índice, com 5,4% da intenção de votos em um deles. Do lado governista, até agora, foi o deputado Ciro Gomes (PSB-CE), considerado do bloco independente ao Planalto, foi quem mais se destacou na briga com os tucanos Serra e Aécio Neves.
A indicação dos ministros-presidenciáveis está sendo estimulada por Lula em conversas reservadas no Planalto. Como há um longo tempo até as prévias eleitorais, a idéia palaciana seria incentivar o maior número de pré-candidaturas aliadas para observar quem voa mais alto. O presidente não esconde que tem uma certa predileção por Dilma. A ministra, que comanda o Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), principal pacote de investimentos do governo, publicamente nega a candidatura, mas tem se empenhado em demonstrar mais jogo de cintura.
Luz própria
Para petistas, ainda é cedo para falar em um candidato governista. O líder do governo na Câmara, Henrique Fontana (RS), reconhece que o apoio do presidente Lula será decisivo, mas defende que o indicado tenha luz própria.
- O PT tem um plano de governo e está trabalhando nele. Vamos pensar 2010 com calma, sem pressões - disse Fontana.
Fonte: JB Online

Thomaz Bastos ocultou cartões de seu ministério

Weiller Diniz Brasília
Em setembro de 2005, o Ministério da Justiça, comandado à época pelo advogado Márcio Thomaz Bastos, assegurou em um documento oficial - endereçado ao Senado Federal - que sua pasta não tinha nenhum cartão de crédito corporativo. A informação do ministério, encaminhada com a assinatura do ministro Bastos, colide frontalmente com as informações contidas na base de dados do Sistema Integrado de Administração Financeira do governo (Siafi) em relação ao ano de 2005. No mesmo período em que o ministério declara não haver cartões, o Siafi registrou despesas com 110 cartões atribuídos a servidores da pasta da Justiça que totalizaram gastos de R$ 350 mil.
Em 5 de setembro de 2005, o então ministro da Justiça, o jurista Márcio Thomaz Bastos, enviou o ofício-aviso 1924 ao Senado Federal. O ex-ministro respondia, como determina a Constituição, a um requerimento de informações do líder da oposição, Arthur Virgílio Neto (PSDB-AM). O senador indagava o custo mensal de gastos com cartões corporativos, o número de usuários, nome dos servidores titulares de cartões, o tipo e o detalhamento das despesas realizadas. A resposta do Coordenador-Geral do Logística do MJ, Sylvio de Andrade Júnior, no memorando 462 de 29 de agosto de 2005 é taxativa:
"Diante a essa solicitação, é oportuno noticiar que não há cartões corporativos por parte dos servidores deste ministério".
A informação foi levada ao ministro Bastos, que a repassou para o Senado no começo de setembro de 2005. Ao contrário do que afirmou o Ministério da Justiça, o Siafi atribuiu ao MJ 110 cartões corporativos com despesas variadas ao longo daquele ano. As menores ficaram em torno de R$ 200 e as mais elevados, acima dos R$ 20 mil. É o caso dos gastos lançados pelo Siafi em nome de Getúlio Silvio Bertoncello com despesas que totalizaram R$ 23.384,04. O segundo maior gasto da Justiça naquele ano foi de Iraneide Fonseca Filgueiras com R$ 16.580. Há ainda mais duas despesas na faixa de R$ 13 mil em nome de Juscelino Arlindo do Carmo Bessa e Adalberto Oliveira Lima.
O desencontro de informações entre os órgãos do governo e o Siafi dará muito trabalho à CPI. No caso da Agência Brasileira de Inteligência (Abin), também existem divergências quanto ao número de cartões e gastos totais. Os dois maiores saques com cartões da Abin (R$ 284 mil e R$ 175 mil) não estão registrados no Siafi. No ministério da Ciência e Tecnologia os desencontros se repetem no mesmo ano de 2005. Na correspondência oficial endereçada ao Senado, o ministro Sérgio Machado Rezende informou a existência de nove servidores titulares de cartões. O Siafi enumerou 11 funcionários do MCT titulares de cartões.
Duas servidoras do Centro Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPQ) aparecem como portadoras dos cartões na listagem enviada pelo MCT. Mas no Siafi, os nomes de Fabiana de Oliveira Coelho e Susana Castejon não são mencionados. Em compensação outros quatro funcionários não constam da lista enviada pelo ministro, mas têm despesas registradas pelo SIAFI. São eles: Domingos Sávio, Telma Santos Simplício Silva, Maurício Araújo Rocha e Roseny Rodrigues Mendes. Os nomes coincidentes entre o rol apresentado pelo ministro e o banco de dados do SIAFI apresentam valores divergentes de gastos.
Cartão pagou cadarço
No Siafi, o servidor Wanderley Vieira Borges, por exemplo, aparece com gastos de R$ 1.500 em 2005 e na informação do MCT ele só teria tido despesas em 2003 no valor de R$ 2.700. Dinheiro que usou para comprar, inclusive, 180 metros de cadarço, o suficiente para amarrar 90 pares de sapato utilizando meio metro em cada pé. O ministro da Ciência e Tecnologia, pasta onde o dinheiro foi utilizado para comprar alpiste e o cadarço, quer explicações para as compras exóticas:
- A decisão do ministro é averiguar todas as informações que ensejem possíveis irregularidades - informou a assessoria de Sérgio Rezende.
Fonte: JB Online

Bahia perde R$300 milhões do orçamento da União

Dos R$594 mi previstos em emendas parlamentares, Bahia deve receber R$288,1 mi


BRASÍLIA - O governo federal libera a cada ano entre 30% e 50% das emendas de bancada. Para agravar, houve este ano uma diminuição de quase R$300 milhões nas emendas do Orçamento da União para a Bahia – recuou dos R$594 milhões iniciais para R$288,1 milhões. A informação é do subcoordenador da bancada baiana da Câmara Federal, deputado Luiz Carreira (DEM). O governo federal responsabiliza a rejeição da prorrogação da CPMF pelo corte. Luiz Carreira rebate, destacando que em relação a 2007, quando havia os R$40 bilhões de arrecadação do “imposto do cheque”, as emendas de bancada, que somaram R$330,7 milhões, não foram efetivamente empenhadas.
“Sem a CPMF, o governo será obrigado a fazer cortes”, afirmou o democrata, que acusou governantes de fazerem retórica. “O governo sempre estima o orçamento para baixo e esses valores são reestimados pelo Congresso em bases mais próximas à realidade. Sem a CPMF, o Orçamento da União terá que ser mais próximo daquilo que o governo arrecada verdadeiramente, obrigando este governo perdulário a fazer cortes nos excessos, como pagamentos de diárias, gastos com cartões corporativos, excesso de ministérios, entre outros casos”, explicou Carreira.“Na realidade, o governo fez um cavalo de batalha para passar à sociedade a idéia de que, sem a CPMF, áreas essenciais seriam prejudicadas, quando, na realidade, isso não existe.
Felizmente, o Congresso sempre reestima o orçamento para bases mais reais”, concluiu. O deputado democrata salientou que, das emendas parlamentares, apenas 15% foram efetivamente pagas no ano passado. “Raramente o governo empenha os recursos das emendas em sua totalidade. Pode até não haver corte nas emendas, mas isso não significa que os investimentos serão realizados, porque o governo não paga”, explicou Carreira.
Defendendo a mesma tese do governo federal, o deputado Colbert Martins (PMDB-BA) creditou a diminuição das emendas de bancada à não-prorrogação da CPMF. “Perdemos R$40 bilhões por ano. Não tinha como ser diferente. O governo tinha que cortar”, constatou Martins, acrescentando que, de todos os estados, a Bahia foi um dos que menos sofreram com os cortes. “De todo o país, a Bahia está entre os que menos perderam. E no Nordeste foi o menos afetado”.
Emendas - As ações com previsão de serem beneficiadas com as emendas são basicamente da área de infra-estrutura urbana, a exemplo de R$25 milhões para a recuperação do Centro Histórico destinados por emenda apresentada pelo senador Antonio Carlos Magalhães Júnior (DEM). Nos temas pactuados entre os 39 deputados federais baianos, foram priorizadas as solicitações do governador Jaques Wagner (PT) e do prefeito de Salvador, João Henrique Carneiro (PMDB).
Um dos pedidos de Wagner acolhidos foi a infra-estrutura urbana em Santo Amaro da Purificação, para combater a contaminação por chumbo.
As emendas de bancada, num total de 26 propostas, incluindo as inseridas durante a tramitação da Lei de Diretrizes Orçamentárias e no Plano Plurianual, tratam ainda de melhorias nas três universidades federais na Bahia e nas quatro instituições estaduais, parque tecnológico de Salvador (Tecnovia) e infra-estrutura turística na região da Feira de São Joaquim, em Salvador.
No campo do Poder Judiciário, as emendas da bancada baiana prevêem a construção da sede do Ministério Público Federal na Bahia e do anexo do Tribunal Regional Eleitoral. No interior, destaque ainda para o aeroporto de Porto Seguro. Já a capital será contemplada ainda com o trem metropolitano de Salvador, Vila Olímpica no Parque de Pituaçu, pavimentação urbana e instalação de infocentros.
Fonte: Correio da Bahia

A guerra do boi

Por: Carlos Chagas

BRASÍLIA - Nos idos de 1962 o Brasil se viu envolvido na "guerra da lagosta", episódio surrealista que levou a França a enviar navios de guerra para o Atlântico Sul, em protesto pela apreensão de pesqueiros franceses no litoral do Nordeste. As embarcações invadiam a faixa marítima brasileira quando nem estava em vigência a lei das 200 milhas.
Nossa Marinha mobilizou-se, mesmo inferiorizada para um confronto direto. Felizmente houve bom senso de lá e de cá. O então presidente João Goulart mandou liberar os pesqueiros, claro que sem as lagostas, e o general De Gaulle refluiu, sem nunca ter ficado provado haver dito a frase de que "o Brasil não era um país sério".
Já se vão quase cinqüenta anos e eis que a história ameaça repetir-se, obviamente como farsa. E com o adendo de a guerra poder travar-se não apenas com a França, mas com toda a União Européia. Uma guerra diferente, sem belonaves nem apreensões, pois travada no campo econômico. O Velho Mundo suspendeu a importação da carne bovina brasileira, alegando não estar o produto de acordo com suas normas profiláticas e impôs ao nosso governo a seleção da origem dos bois.
Como só tínhamos condições de fiscalizar o abate e a seleção em 300 fazendas, os europeus exigiram que apenas delas saíssem nossas exportações, obviamente um exagero. O ministro da Agricultura, Reinhold Stephanes, admitiu que certa quantidade de carne seguiu sem as especificações exigidas e procura, até hoje, através do diálogo, demonstrar a excelência dos bois oriundos de mil e uma outras propriedades. Desembarca na próxima semana uma comissão de fiscais europeus para visitar, por amostragem, algumas fazendas.
A pergunta que se faz é sobre o direito do importador de impor condições, prática geralmente aceita no mundo dos negócios. O frango exportado para a Arábia Saudita, por exemplo, segue exigências minuciosas para o abate, congelamento e demais etapas do processo. A China não admite mistura com transgênicos da soja que nos compra.
O que salta aos olhos é a prevalência dos interesses de quem importa, ainda que a via disponha de mão dupla. Porque também importamos produtos da União Européia, da Arábia Saudita e da China, como praticamente do mundo inteiro.
Caberia ao Brasil estabelecer condições para as exportações que chegam a nossos portos, abandonando a postura de subserviência por nós adotada desde o descobrimento. O diabo é calcular o prejuízo, ou seja, quem seria mais prejudicado numa hipotética queda de braço?
Aqui as coisas engrossam para nós, tanto que determinadas incoerências emergem de nosso comércio exterior. Damos prevalência à exportação de produtos que não beneficiam nossa produção. O suco de laranja, por exemplo, que somos o maior exportador mundial. Quantos brasileiros tomam um copo de laranjada no café da manhã? Quantos comem soja?
O caso do boi poderia marcar uma virada no jogo: a União Européia não quer a carne brasileira? Mas os brasileiros querem, se os preços baixarem. A produção de soja ocupa boa parte da nossa terra cultivável, sem beneficiar a população? Melhor substituir parte dela pela cultura do feijão, do milho e até do trigo, que um complexo de inferioridade e muita malandragem insistem em não cultivar.
Numa palavra, exportar é a solução, mas há limites, o maior dos quais será beneficiar a população, com ênfase para os menos favorecidos. Tudo isso se chama mercado interno. Se quiserem, desenvolvimento auto-sustentado. Se nessa luta o boi for alistado, tornando-se um soldado combatente de peso, grande vitória se conquistará na guerra pela independência do País. A União Européia que se habilite a comer carne de lagosta...
Um estranho no ninho
A semana começa com mais uma crise a atormentar os tucanos. Não se fala, hoje, da CPI dos Cartões Corporativos ou dos entreveros em torno da prefeitura de São Paulo, com parte do PSDB apoiando Geraldo Alckmin e outra parte empenhada em cumprir acordo com Gilberto Kassab.
A briga, agora, acontece em torno da performance de um estranho no ninho. Deputados e senadores que permaneceram em seus estados, assim como aqueles chegando à capital federal, espantaram-se com a virulência das críticas de Fernando Henrique Cardoso diante de um plenário de vereadores do partido, no fim de semana. O sociólogo agrediu as lideranças do PSDB ao sugerir que as bases se rebelem e não aceitem decisões provenientes das cúpulas. Falou no estabelecimento de "uma nova democracia".
Quer mudar o sistema de voto universal. Não poupou o governo Lula, esquecendo-se de ter servido de modelo para os companheiros, não apenas na política econômica, mas ate na "roubalheira". Ofendeu as próprias bancadas, acentuando que jamais farão a reforma política para não prejudicar-se.
Acionou diversas vezes a metralhadora giratória, cujo propósito parece um só: abater todos os possíveis candidatos presidenciais, de José Serra a Aécio Neves e a Artur Virgílio visando abrir espaço para sua obsessão permanente: voltar ao poder. Por isso fala mal de todos, insinuando-se como a verdadeira solução. Qualquer dia desses aparecerá, senão metralhado, ao menos todo bicado.
O presidente que veio do frio
Os percalços passados pelo presidente Lula em sua aventura ao Pólo Sul terão contribuído para uma possível metamorfose nele e no governo. Pelo depoimento de alguns integrantes da comitiva, nas prolongadas horas de ócio forçado olhando a neve pelas janelas do hotel onde se hospedou, o Lula comportou-se de modo invulgar. Pouco falou, limitando-se no máximo a mexer os lábios e, de quando em quando, alguma exclamação solitária de assentimento consigo mesmo.
Há quem preveja, ainda que sem a menor comprovação, ter o presidente aproveitado para uma espécie de revisão íntima de sua administração. Não em termos de metas, porque essas exigiriam prolongadas reuniões com montes de auxiliares, mas em termos de pessoas. O Lula é o primeiro a saber da mediocridade de parte de seu ministério.
Ministros indicados politicamente, sem a menor relação com o setor que deveriam dirigir, tanto quanto ministros nos quais acreditou, mas malograram, a verdade é que desse jeito chegará ao final de seu segundo mandato sem ter concretizado as promessas feitas. Não por ele, que justiça se faça, desdobra-se ao máximo, mas pela parcela da equipe que deixa a desejar.
Pode ter retornado a Brasília um presidente diferente, que veio do frio e, por isso, tenha-se tornado menos emotivo e mais inclinado a dispensar amigos e aliados que não correspondem às expectativas. Vale a pena aguardar por essa imprescindível mas incerta reforma ministerial.
Fonte: Tribuna da Imprensa

MP recorre contra volta de deputados afastados

MACEIÓ - O Ministério Público de Alagoas (MP-AL) entrou, no início da noite de ontem, com pedido de suspensão de execução da liminar do desembargador Juarez Marques Luz, que determinou o retorno dos deputados estaduais afastados da Mesa Diretora da Assembléia Legislativa de Alagoas. Os parlamentares foram indiciados pela Polícia Federal (PF), durante as investigações da Operação Taturana, pelo rombo de R$ 200 milhões dos cofres da Assembléia.
No pedido, dirigido ao presidente do Tribunal de Justiça de Alagoas (TJ-AL), José Fernandes Holanda, o procurador-geral de Justiça, Coaracy Fonseca, e promotores de Justiça do Grupo Estadual de Combate às Organizações Criminosas (Gecoc) e da Fazenda Pública alegam que a decisão do desembargador Marques Luz "tolhe o andamento da investigação desenvolvida pelo Ministério Público de Alagoas".
Ainda segundo o MP alagoano, ao devolver ao comando da Assembléia aos agentes públicos investigados, "documentos que poderiam comprovar os supostos atos de improbidade administrativa - que teriam alcançado cifras astronômicas como foi amplamente divulgado após a Operação Taturana - voltariam a estar em poder dos próprios investigados".
Fonte: Tribuna da Imprensa

Justiça condena Celso Pitta a quatro anos de prisão

SÃO PAULO - O juiz federal da 8ª Vara Criminal de São Paulo, Márcio Rached Millani, condenou ontem Celso Pitta, ex-secretário das Finanças da gestão Paulo Maluf e ex-prefeito paulistano, e o ex-coordenador municipal da Dívida Pública Wagner Baptista Ramos a quatro anos e quatro meses de detenção em regime semi-aberto. Eles foram condenados pelos crimes de desvio de verba pública e endividamento do município no caso que ficou conhecido como o "escândalo dos precatórios". Eles podem recorrer da sentença em liberdade.
Millani considerou na sentença, ao aplicar as penas, os seguintes pontos: o montante de títulos emitidos em desacordo com a lei e o montante de recursos aplicados em finalidade diversa - vários milhões, em ambos os casos; as conseqüências danosas que ocasionaram a emissão de títulos, aumentando o endividamento do município; as circunstâncias dos delitos, realizados mediante o envio de inúmeras informações falsas ao Banco Central; as manobras engendradas para a maquiagem dos valores que acabaram por dificultar a apuração do montante real; a experiência que Wagner Ramos detinha na matéria - era coordenador da Dívida Pública; e a função estratégica de Celso Pitta na prefeitura de São Paulo como secretário das Finanças.
"A conclusão é lógica. Os recursos obtidos com a venda das letras e que só poderiam ser utilizados para a finalidade constitucionalmente prevista, pagamento de precatórios, foram desviados e usados em finalidade distinta", destacou o juiz federal.
De acordo com a denúncia do Ministério Público Federal (MPF), Pitta e Ramos teriam inserido declarações falsas em documentos públicos, com a finalidade de justificar a autorização, pelo Senado, da emissão de títulos públicos no valor equivalente a US$ 600 milhões.
Com a aprovação do então prefeito Maluf, Celso Pitta teria pedido ao Senado emissão desses títulos para o pagamento de precatórios, se utilizando de valores falsos. O pedido teria o intuito de ludibriar o Senado para que todos os precatórios fossem incluídos e considerados para a emissão das Letras do Tesouro.
O MPF entendeu que os denunciados teriam obtido autorização fraudulenta do Senado, captado recursos com a colocação de títulos no mercado e utilizado o montante para pagamento de despesas diversas além do permitido pela Constituição Federal, gerando o endividamento desnecessário e ilegal do município.
"Os réus alijaram os órgãos competentes da discussão inserindo, nos documentos enviados, afirmações falsas, omitindo a real natureza de todos os precatórios que ensejariam a emissão dos títulos", afirmou Millani.
Fonte: Tribuna da Imprensa

Serra lidera em todas simulações para 2010

BRASÍLIA - Segundo a pesquisa CNT/Sensus divulgada ontem, o governador de São Paulo, José Serra, lidera as intenções de voto em todas as listas apresentadas aos entrevistados, tanto no primeiro como no segundo turnos da eleição presidencial de 2010. Na primeira lista, o tucano Serra conta com 38,2% das intenções, seguido de Ciro Gomes, do PSB, com 18,5%; Heloisa Helena, do PSOL, com 12,8%; e Dilma Rousseff, petista e ministra-chefe da Casa Civil, com 4,5%.
Em outra lista, Dilma é substituída pelo ministro do Desenvolvimento Social e Combate à Fome, Patrus Ananias. Serra, nesse caso, conta com 37,5% das intenções de voto, Ciro com 19,6%, Heloisa Helena com 13,9% e Patrus com 3,4%.
Quando o candidato do PT é o ministro da Justiça, Tarso Genro, Serra aparece com 37,3% das intenções, Ciro com 19%, Heloisa Helena com 13,3% e Tarso com 4,9%. Em uma lista em que Serra não aparece, Ciro Gomes lidera com 25,8% das intenções, seguido por Heloisa Helena com 19,1%, Aécio Neves, do PSDB, com 16,6% e Dilma Rousseff com 5,4%.
Nas simulações de segundo turno, Serra também vence em todas as listas apresentadas. Diante do candidato do PT, a folga do tucano é bem maior. Contra Patrus Ananias, Serra venceria por 59,1% contra 8%. Na disputa com Dilma Rousseff, venceria com 57,9%, ante 9,2%.
Já em um eventual embate contra Tarso Genro, Serra teria 57,5%, e o ministro da Justiça teria 10,1%. Serra só venceria com um placar mais apertado a disputa com Ciro Gomes, com 46,5%, enquanto o deputado cearense teria 25,5%.
A pesquisa também fez duas simulações considerando Aécio Neves no segundo turno, enfrentando Dilma Rousseff e Tarso Genro. O tucano vence nas duas simulações. Contra Dilma, ele teria 36,9%, ante 14,5% da ministra; e contra Tarso, 36,1%, ante 15,5% do petista.
Apoio de Lula
Apesar do desempenho fraco dos candidatos do PT nas simulações, Guedes afirma que, se o nome for "palatável", o apoio do presidente Lula provavelmente vai colocar o candidato no segundo turno. O mesmo raciocínio vale para candidatos de outros partidos da base aliada que venham a ser apoiados por Lula.
Essa força pode ser medida no levantamento das intenções de voto na pesquisa espontânea. Mesmo não podendo se candidatar à reeleição, Lula foi citado por 18,6% dos entrevistados, liderando as intenções de voto espontâneo. Em segundo lugar apareceu Serra, com 5,1%, seguido de Aécio Neves, com 3%; Geraldo Alckmin, com 2,1%; Ciro Gomes, com 1,2%; e Fernando Henrique Cardoso, com 1%.
O diretor da Sensus destacou o fato de que 57,1% dos entrevistados não indicaram nenhum candidato, o que somado, com os 18,6% atribuídos a Lula, mostra um cenário eleitoral para 2010 ainda bastante indefinido. A pesquisa constatou que 9,6% dos entrevistados votariam somente em um candidato apoiado pelo presidente nas eleições municipais deste ano.
Outros 27,2% disseram que poderiam votar no candidato do presidente. Segundo o Guedes, a soma dos dois resultados forma o limite de voto transferido pelo presidente. De acordo com a pesquisa, 25,9% dos entrevistados disseram que não votariam de jeito nenhum no candidato de Lula. Um nível de rejeição que não inviabiliza as candidaturas apoiadas por Lula, avalia Guedes, o que ocorreria se a rejeição superasse 40%.
Licença por pleito
A maioria dos entrevistados é contra o ato de ministros, secretários ou altos funcionários da administração federal ou estadual deixarem seus cargos para se candidatarem a prefeito, é o que aponta a pesquisa. Para 50,8%, essa postura não é positiva nem legítima, enquanto 30,8% consideram o movimento positivo e legítimo. Já para 11,6% dos entrevistados, a manobra é indiferente.
A pesquisa aponta que o principal critério de escolha para prefeito é ser bom administrador, com 39,6%. O critério seguinte é estar atento às questões sociais, apontado por 25,9% dos entrevistados, e o terceiro item foi o compromisso com a geração de empregos, apontado por 19,8%.
De acordo com a pesquisa, a informação que as pessoas mais consideram na escolha do candidato é o contato direto com o político, com 44,2%. Para 26,3%, os programas eleitorais de rádio e TV são as informações que mais consideram na hora de escolha do seu candidato. Para 12,1%, a opinião de amigos e familiares é a mais importante, seguida dos comícios, com 7,8%, e da opinião de pastores, padres e lideranças comunitárias, com 4%.
Fonte: Tribuna da Imprensa

Brasileiros querem fim do cartão corporativo

BRASÍLIA - Pesquisa encomendada pela Confederação Nacional de Transporte ao instituto Sensus (CNT/Sensus), divulgada ontem, aponta que 53,3% dos entrevistados se manifestaram contra a manutenção do uso dos cartões corporativos, enquanto apenas 7% se disseram a favor e 2,2% a favor, desde que regido por normas.
Outro dado da pesquisa é que 45% dos entrevistados disseram que ministros e funcionários que usaram indevidamente os cartões deveriam perder o cargo e repor os gastos. Para 12,8%, deveriam somente repor os gastos. E para 3,2%, somente perder o cargo. Disseram que não devem nem perder o cargo nem repor o cargo, 1,4% dos entrevistados.
A pesquisa mostra que nem as notícias sobre o mau uso dos cartões corporativos no governo federal reduziram o apoio ao governo, embora, para 48% dos entrevistados, o uso indevido de cartões corporativos no governo federal afeta a imagem do presidente Lula.
Se forem consideradas apenas as pessoas que têm acompanhado ou ouviram falar do tema, 74,9% consideram que o escândalo dos cartões afeta a imagem do presidente. Já para 13% dos entrevistados, a crise não afeta a imagem de Lula.
Questionado sobre a contradição entre as pessoas afirmarem que a crise afeta a imagem de Lula, ao mesmo tempo em que a popularidade dele e do governo atingiram os melhores níveis desde 2003, o diretor da Sensus, Ricardo Guedes, explicou que essa crise não é determinante para a popularidade do presidente.
"Ela afeta, mas não é determinante para o presidente. Determinante é a economia", afirmou Guedes, que não soube afirmar se na ausência dessa crise política Lula estaria com a popularidade ainda maior. "É difícil afirmar, mas a popularidade poderia estar mais alta", disse.
Avaliação positiva
A avaliação positiva do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva atingiu 52,7% em fevereiro, ante 46,5% em outubro de 2007, de acordo com a pesquisa CNT/Sensus divulgada ontem. O índice é o maior desde janeiro de 2003, quando Lula assumiu o governo e a avaliação ficou em 56,6%.
A avaliação regular do governo caiu de 35,9% para 32,5% e a avaliação negativa recuou de 16,5% para 13,7%. Já a aprovação do desempenho pessoal do presidente Luiz Inácio Lula da Silva subiu de 61,2% para 66,8%, o melhor nível desde dezembro de 2003, quando ficou em 69,9%. A desaprovação, por sua vez, recuou de 32,5% para 28,6%.
Segundo o diretor da Sensus, a popularidade significativamente alta do presidente Lula se deve ao desempenho da economia e aos programas sociais. A pesquisa foi feita entre os dias 11 e 16 de fevereiro e entrevistou 2 mil pessoas nas cinco regiões do País. A margem de erro é de 3% para cima ou para baixo.
Expectativas
Houve uma melhora significativa no índice de expectativa, que sintetiza as perspectivas para indicadores de emprego, renda, saúde, educação e segurança pública para os próximos seis meses. Segundo a pesquisa, o índice de expectativa subiu de 64,46 pontos, em outubro de 2007, para 71,25 pontos, em fevereiro.
De acordo com a pesquisa, para 58,4% dos entrevistados, o nível de emprego vai melhorar nos próximos seis meses, ante 50,6% na pesquisa anterior. Para 23,3%, o emprego vai se manter estável (27,7% na pesquisa anterior) e para 13,6% o indicador vai piorar (15,9% na avaliação anterior).
Em relação à renda, 55,2% esperam uma elevação (45,9% na anterior), 29,9% acreditam que haverá estabilidade (37,8% anteriormente), e 10,6% acham que haverá uma redução (10,9% na anterior). Em relação à saúde, 54,4% esperam melhora (ante 43,6% na pesquisa anterior), 25,5% acham que a saúde ficará do mesmo jeito (32,3% na anterior) e 16,1% opinaram que irá piorar (19,6% na avaliação anterior).
Fonte: Tribuna da Imprensa

segunda-feira, fevereiro 18, 2008

Cinco mortos e dez feridos em colisão na BR-101

Vítimas fatais ocupavam a van de placa MDC-9313, que saiu de Alagoas com destino a São Paulo


Cinco pessoas morreram e pelo menos dez ficaram feridas no choque frontal entre a van de placa MDC-9313 e o caminhão IAC-7261, ocorrido no km 343 da BR-101, entre as cidades de Teolândia e Tancredo Neves, ontem pela manhã. Todos os mortos viajavam na van, que saiu de Ibatiguara, em Alagoas, com destino a São Paulo, levando 15 pessoas. Patrulheiros da Polícia Rodoviária Federal (PRF) acreditam que o motorista da van, José Ederaldo da Silva, 30 anos, tenha dormido ao volante.
O acidente aconteceu cerca de 20 quilômetros depois do posto rodoviário de Gandu. O choque foi tão violento que deixou a van totalmente destruída, sendo considerado pelos policiais rodoviários um milagre não ter ocorrido mais mortes. Dos feridos, cinco chegaram ao hospital em estado considerado delicado mas, de acordo com o boletim médico do Hospital de Base de Itabuna, fornecido no final da tarde de ontem, não correm risco de morte.
Morreram no acidente Ingrid Rosane Nascimento, 17; Cícera Possidômio, 75; Edilma Maria Faustino da Silva, 47; José Ederaldo da Silva (motorista) e uma criança de cerca de 10 anos que não teve o nome divulgado. Os corpos das vítimas já se encontram no Instituto Médico-Legal (IML) de Valença.
O motorista do caminhão, Carlos Roberto Coelho, 40, sofreu ferimentos leves no braço direito e foi liberado após ser medicado no hospital de Teolândia. Além dele, saíram feridos na colisão Rogério José da Silva, Guilherme Augusto Faustino, Ednaldo Brasil Nascimento, Irene Domingos da Silva, Marluce Maria da Conceição, duas mulheres de prenomes Giselle e Gabrielle e outras duas pessoas. Eles foram encaminhados para o hospital de Itabuna e de Teolândia.
Capotamento - Outro acidente ocorrido na BR-101, também no trecho de Teolândia, teve como vítima fatal Antonio Soares Batista, 27, que estava no Gol JPU-6697, conduzido por Marcos José Vieira, 21. O motorista perdeu o controle do veículo, bateu em um barranco e capotou.
No carro ainda viajavam Arilma Menezes de Souza, 24. Os três foram encaminhados para o Hospital de Base Luís Eduardo Magalhães, em Itabuna, mas Antonio Soares não resistiu. Eles retornavam de uma festa em Gandu.
Fonte: Correio da Bahia

Celular com TV em breve no Brasil

Paulo Marcio Vaz
A TV digital via celular é a vedete do momento no mundo da tecnologia móvel. É isso o que diz uma pesquisa global feita em conjunto pela rede americana CNN e a empresa sueca Ericsson - líder mundial no fornecimento de tecnologia e serviços para operadoras de telecomunicações. Foram ouvidos usuários de todos os continentes, seguindo uma proporcionalidade definida pelos pesquisadores.
A maior parte dos usuários ouvidos é da América do Norte (59,3%). Em seguida, vem a Europa (14,48%), a Ásia/Pacífico (13,8%), as Américas do Sul, Central e Caribe (6,1%) e, por último, Oriente Médio e África (6%). Cerca de um terço dos usuários (34%) diz que a TV via celular é o aplicativo de maior interesse e praticamente metade (44%) deles disse que vai adotar a TV móvel num período de até dois anos.
Tendência
Os resultados foram publicados na semana passada durante o Mobile World Congress - feira internacional sobre tecnologia móvel, em Barcelona - onde foram mostrados diversos novos modelos de celulares que recebem sinais de TV aberta.
Uma tendência que, aos poucos, vai se apresentando no Brasil. Por aqui, ainda não há aparelhos de celular capazes de receber o sinal de TV, apesar de a tecnologia digital lançada recentemente já possibilitar a novidade em São paulo. No Rio, neste primeiro semestre, será possível assistir a TV digital móvel, desde que, é claro, haja aparelhos.
A primeira empresa a anunciar oficialmente que pretende lançar em breve seu celular capaz de receber as imagens da TV foi a Samsung. O anúncio, feito em dezembro, promete o lançamento para o primeiro trimestre deste ano. Apesar de ainda não confirmar a data, a empresa disse, na semana passada, que mantém os planos.
A forma como a TV digital foi implementada no Brasil deixou de fora as operadoras de telefonia móvel. Quem tiver um celular capaz de receber o sinal da TV aberta não vai precisar pagar pelo serviço. Ou seja: Claro, Tim, Vivo, Telefônica e suas concorrentes, por enquanto, não ganham nada com a TV móvel.
- A TV digital em si mesma não é problema. O governo brasileiro fez a escolha de um padrão terrestre de TV digital e nada impede que exista um nicho de consumidores que demande a combinação 3G mais TV digital. No entanto, se as operadoras não tiverem um modelo comercial para adotar a combinação, o nicho não se desenvolverá - aposta Ricardo Tavares, vice-presidente de políticas públicas da GSM Association, associação que reúne operadoras de celular no mundo todo.
Tavares ressalta que a TV digital via celular não deveria ser misturada ao padrão da TV aberta convencional, não só por motivos comerciais, mas por uma questão de diferenças entre as próprias características físicas como, por exemplo, o tamanho da tela dos aparelhos.
- Na verdade, o que estamos vendo no mundo é o desenvolvimento de uma indústria de conteúdo visual específica para o celular porque a tela é pequena. O conteúdo de TV requerido para o celular é diferente da TV aberta - observa.
Samsung
O gerente de produto da divisão Telecom da Samsung, André Varga, aposta na praticidade de se ver TV praticamente em qualquer lugar somada ao que André chama de "paixão do brasileiro pela TV":
- Ninguém é ingênuo a ponto de negar que é melhor assistir TV numa tela grande do que numa de celular, da mesma forma que é melhor assistir a um filme no cinema do que na TV. Mas, com o celular, o brasileiro pode fazer uma das coisas que mais gosta, em lugares e situações onde isso, antes, era impossível.
André antecipou alguns detalhes a respeito do aparelho brasileiro. Ele virá com tela Oled - tecnologia que alia imagens mais brilhantes a telas superfinas - garantindo um celular com baixo consumo de energia e imagem de alto padrão.
Uma prévia do celular pode ser o modelo V805, que é utilizado como demonstração da tecnologia em uma loja da Samsung em um shopping de São Paulo. Em relação ao preço, por enquanto, o primeiro celular brasileiro com TV deve atender apenas "ao topo da pirâmide de consumo". Quer dizer: será para poucos.
- É uma tendência mundial em relação aos novos lançamentos tecnológicos. Primeiro se atende à demanda de um nicho menor até expandi-la para um nicho maior. Mas acreditamos que, em um ano e meio, outos modelos serão lançados e o celular com TV se tornará tão popular como aconteceu com o de câmera fotográfica - prevê.
Fonte: JB Online

Prefeito é alvo de frustração do eleitorado

O atual prefeito de Salvador, João Henrique Carneiro, assumiu o mandato em 2005, respaldado numa vitória acachapante sobre o adversário César Borges, então no PFL. Obteve 75% dos votos válidos. Em torno dele criou-se uma grande expectativa popular. Pelo resultado das últimas pesquisas, entretanto, a frustração parece ser o sentimento do eleitorado. No último levantamento do Datafolha, João Henrique, de 49 anos, aparece como um dos prefeitos de menor índice de aprovação das capitais brasileiras.
João Henrique, eleito pelo PDT, hoje está no PMDB. Sua administração tem sido marcada por problemas financeiros, que se refletem na sucessão de quatro secretários da fazenda em três anos. A escassez de recursos tem lhe dificultado até no custeio da máquina administrativa, com atraso no pagamento de salários dos servidores e falta de combustível para os veículos oficiais.
Avaliações
O presidente do PMDB, Lúcio Vieira Lima, irmão do ministro Geddel, discorda da avaliação negativa do prefeito. Para ele, o mandato de João Henrique pode ser dividido em duas fases. Os primeiros dois anos, quando a participação do PSDB prejudicou a gestão, dificultando a relação com o governo federal, e o último biênio, quando o prefeito abriu maior espaço para o PMDB na prefeitura.
- Agora a cidade está um canteiro de obras e as pesquisas já indicam a melhora na avaliação - garante Lúcio Vieira Lima.
Com relação à saída de outros quatro partidos da base desde o final de 2007, explica que o PCdoB optou por uma candidatura própria e não poderia permanecer à frente da secretaria de educação. Já o PDT saiu mas estaria voltando. O PV estaria dividido com parte dele ainda permanecendo no governo municipal.
- O PSB, sim, saiu porque vai lançar a deputada federal Lídice da Matta como candidata - disse.
Segundo os partidos, o desligamento da base estaria relacionada à defesa da prefeitura de um Plano Diretor de Desenvolvimento Urbano (PDDU), que fora aprovado no ano passado.
- Era uma necessidade premente para o desenvolvimento da cidade - diz Lúcio.
A visão dos partidos é de que faltou discussão com a sociedade e o projeto aprovado é nocivo aos interesses de Salvador. (J.P.M.F.)
Fonte: JB Online

Radialista lidera a corrida pela prefeitura

José Pacheco Maia Filho Salvador
Ele tem aparecido sempre entre os mais lembrados pela população de Salvador nas pesquisas para prefeito. De segunda a sexta-feira, está presente no rádio e na tv com o programa Balanço Geral, o qual define como "ouvidoria do povo". Vítimas da precariedade do serviço público de saúde, do desemprego, da violência e criminalidade são personagens freqüentes dos horários que ele comanda na mídia. Com 60 anos de idade, o comunicador Raimundo Varela está no ar há 28. Antes de enveredar pelos meios de comunicação foi jogador de futebol profissional e gerente de uma fábrica de cimento, além de dirigente de clubes do subúrbio baiano.
Em sua carreira à frente do microfone, Varela nunca manifestara o desejo de trilhar o caminho da política, inclusive, chegara a falar no ar que nunca seria candidato. Mas, justifica, o transplante duplo que fez de fígado e rins em 2006 mexeu com sua cabeça.
- Mudei a forma de pensar. Cansei de ser serviçal e quero participar do poder - afirma, confirmando que será candidato pelo PRB.
Em 2004, seu nome apareceu nas pesquisas, empatado com o de João Henrique (PDT), atual prefeito. Segundo Varela, o senador Antonio Carlos Magalhães, na ocasião, lhe propôs ser vice de César Borges, que acabaria sendo derrotado por João Henrique.
Para Varela, se seu nome aparece entre os preferidos da população, é por causa do consenso que se tem criado que todo político é desonesto.
- Então, se há desgaste dos políticos, há espaço para os comunicadores - afirma o radialista, correligionário do vice-presidente, José Alencar (PRB).
Do vice de Lula, Varela ouviu que deveria administrar a cidade como se administra uma empresa privada.
- É isso que pretendo fazer, equilibrar receita e despesa, prestando sempre contas ao povo. Farei uma gestão transparente - diz, comentando superficialmente que a prefeitura gasta mal.
O pré-candidato diz que está criando musculatura política e empresarial. Trabalha na Rádio Sociedade da Bahia e TV Itapoan, veículos ligados à Igreja Universal, e tem apoio dos bispos ligados à instituição religiosa. Afirma que, se eleito, não pretende transformar o secretariado num balaio de gato.
Fonte: JB Online

Candidatos disputam o espólio político de ACM

José Pacheco Maia Filho Salvador
A morte do senador Antonio Carlos Magalhães embaralhou o jogo da política baiana. A sucessão municipal em Salvador promete ter uma disputa acirrada este ano, como não se vê há muito tempo. Deve ficar para trás a tradicional polarização entre os carlistas, grupo liderado por ACM, e os anticarlistas, reunindo diversas matizes ideológicas. Até agora, sete pré-candidatos anunciaram a disposição de lutar pelos votos dos soteropolitanos. Estão na briga pelo Palácio Tomé de Souza o PMDB, PSDB, DEM, PCdoB, PTB, PSB, o nanico PRB e ainda, possivelmente, uma oitava candidatura ainda indefinida do PT.
A última pesquisa de intenção de voto, realizada pelo Datafolha no final do ano passado, sinaliza a falta de favoritismo e empate técnico entre quatro candidatos: o radialista Raimundo Varela (PRB), o ex-prefeito Antonio Imbassahy (PSDB), o atual João Henrique (PMDB) e o deputado federal ACM Neto (DEM). No PT, ainda indeciso se mantém a aliança para a reeleição de João Henrique ou se sai com uma candidatura independente, três nomes circulam: Nelson Pelegrino, o maior defensor de um nome do partido para a disputa, Walter Pinheiro e Luiz Alberto Santos.
Com estrutura de arrecadação tributária precária e endividamento de 2,7 vezes a receita anual, a administração de Salvador não é fácil. A carência da maioria de seus 3 milhões de habitantes, com rendimento inferior a R$ 500, exige políticas sociais e ações para a geração de emprego e renda. A observação de um professor da Universidade Federal da Bahia sinaliza para um jogo em que a vitória de Salvador funciona muito mais como estratégica para a conquista do governo estadual do que para a solução dos problemas da cidade.
- Atrelar a política municipal à estadual tem sido um veneno letal para Salvador - avalia.
Os pré-candidatos evitam reduzir a discussão política em torno da polarização. O diálogo está mais aberto. Parece que, desta vez, o foco do debate vai ser a cidade. ACM Neto acredita na possibilidade de administrar a cidade sem um centavo do governo do Estado ou do governo federal. Apesar de não ser a meta dele, diz que, se eleito, pretende equacionar os problemas financeiros, ajustar a gestão e em melhorar a qualidade do gasto público.
O comunicador Raimundo Varela, mesmo leigo com relação à administração pública e neófito na política, inclui no discurso a gestão responsável e a transparência administrativa.
Experiente, com dois mandatos à frente da prefeitura de Salvador, Antonio Imbassahy diz estar informado da situação da atual administração municipal, que teria um endividamento em curto prazo de R$ 300 milhões, mas não se assusta, porque, segundo ele, ao assumir o primeiro mandato em 1997, o quadro que encontrou não foi diferente.
- Faltou a João competência para criar projetos que aumentassem a arrecadação e captassem novos recursos - comenta Imbassahy.
Na defesa do prefeito, o presidente estadual do PMDB, Lúcio Vieira Lima, desqualifica as críticas do adversário:
- O menos indicado para falar de dívidas da prefeitura é Imbassahy. Ele deixou um débito de R$ 200 milhões de restos a pagar. E um dos erros de João foi pagar R$ 180 milhões de dívida do governo dele.
Fonte: JB Online

Lula: CPI dos Cartões "não incomoda"

BRASÍLIA - O presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse ontem, na base brasileira na Antártida, que a criação da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI), que vai investigar o uso dos cartões corporativos, "não incomoda". Na avaliação de Lula, o "cartão corporativo é a coisa mais decente que foi criada, ainda no governo anterior".
"Eu não sou deputado, não estou no Congresso Nacional. A CPI deve ter como objetivo detectar o que acontece de errado e apresentar sugestões que possam aperfeiçoar as contas públicas brasileiras", afirmou o presidente.
"Certamente, se a gente for analisar, no Brasil como um todo, deve haver muitos lugares onde as contas não têm a qualidade da prestação que possuem as contas do governo federal. Queremos aprimorar o Portal da Transparência, aprimorar o cartão, para que todo mundo saiba o que acontece todo o santo dia com os gastos públicos", disse.
Lula lembrou que, durante a campanha eleitoral de 2006, num debate, disse para o candidato tucano derrotado na disputa pela presidência da República, Geraldo Alckmin, "que a única coisa boa que o governo passado criou foi o cartão corporativo".
Para Lula, o cartão corporativo permite que a imprensa e os cidadãos, de casa, tenham acesso às informações sobre gastos no Portal da Transparência (www.portaldatransparencia.gov.br), disponibilizada pela Controladoria Geral da União (CGU). "É uma informação que nós estamos prestando à sociedade e eu fico agradecido quando a imprensa vai atrás; procure, encontre e publique, porque a gente vai consertando", observou Lula.
Ele defendeu ainda o uso dos cartões corporativos. "A idéia de que os cartões são prejudiciais é no mínimo ignorância de quem fala. Porque os cartões são a coisa mais moderna que existe. É uma coisa fantástica", afirmou.
Comando
Em represália à decisão do governo de ficar com os postos de comando da CPI Mista dos Cartões, os partidos de oposição ameaçam protocolar hoje requerimento para a criação de um comissão formada exclusivamente por senadores.
Uma reunião entre os líderes de oposição prevista para amanhã de manhã vai definir se o requerimento da CPI do Senado será apresentado antes do pedido de criação de CPI Mista, previsto para se lido em sessão do Congresso desta quarta-feira.
"Vamos pressionar para ter um dos postos de comando da CPI mista dos cartões corporativos. Se o governo não concordar com isso, colhemos assinaturas para uma CPI só do Senado em uma hora, impedindo a instalação da comissão mista", afirmou o líder do DEM no Senado, José Agripino Maia (RN). "É o último apelo que vamos fazer ao governo para ficarmos com a presidência ou a relatoria da CPI", completou.
"A reunião vai definir se devemos desistir do dialogo com o governo", observou o líder do PSDB no Senado, Arthur Virgílio Neto (AM). Os governistas estão divididos em relação a ceder uma das vagas para a oposição. O líder do governo no Senado, Romero Jucá (PMDB-RR), é favorável à negociação.
Mas parte do PMDB e o PT são contra. "Não acho que o governo vai ceder uma das vagas para a oposição", disse o líder do PSB no Senado, Renato Casagrande (ES). A oposição estuda criar logo uma comissão de inquérito integrada apenas por senadores porque, segundo técnicos do Congresso, não é possível o funcionamento ao mesmo tempo de CPI Mista - que é composta por deputados e senadores - e de uma outra exclusiva do Senado sobre o mesmo tema.
Se o governo insistir em ficar com o comando da CPI Mista em suas mãos, a oposição protocola rapidamente o requerimento para a comissão só do Senado. São necessárias as assinaturas de, no mínimo, 27 senadores para a instalação de comissão exclusiva do Senado. O DEM e o PSDB juntos têm 28 senadores.
Instalação
A formalização para a instalação de uma CPI integrada apenas por senadores tem de acontecer antes da leitura do pedido de CPI Mista, que irá ocorrer em sessão do Congresso, na quarta-feira. "Vou ler o requerimento na quarta-feira, quando terá sessão do Congresso para analisar cerca de 50 vetos presidenciais a projetos aprovados", anunciou o presidente do Senado, Garibaldi Alves (PMDB-RN).
A leitura do requerimento de CPI do Senado precisa ser feita em uma sessão da Casa, que ocorre todos os dias geralmente na parte da tarde. Em uma CPI Mista, a correlação de forças é desfavorável aos oposicionistas. Simulações preliminares apontam que, dos 24 cargos da comissão de inquérito, a oposição terá, na melhor das hipóteses, dez vagas.
Além disso, pelo regimento, a presidência e a relatoria da comissão cabem aos maiores partidos da Câmara e do Senado. O PMDB já anunciou o senador Neuto de Conto (SC) como presidente da CPI Mista. O ex-líder do PT na Câmara Luiz Sérgio (RJ) foi escolhido como relator. Em uma CPI exclusiva do Senado, o governo é obrigado a dividir com a oposição um dos cargos de comando da comissão de inquérito.
Fonte: Tribuna da Imprensa

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