sábado, outubro 11, 2025

Lula em ascensão: o novo ciclo político que se desenha no Brasil


Lula lidera em todos os cenários de 1º e 2º turnos, diz Quaest

Pedro do Coutto

A pesquisa Genial/Quaest divulgada nesta sexta-feira pelo O Globo confirma um movimento que já vinha sendo captado nas últimas semanas: a popularidade do presidente Lula da Silva voltou a crescer e se reflete diretamente no cenário eleitoral para 2026. Segundo o levantamento, Lula vence todos os confrontos de segundo turno testados, com margens seguras sobre seus principais adversários.

O petista superaria Ciro Gomes por 41% a 32%, derrotaria Tarcísio de Freitas por 47% a 33%, venceria Michelle Bolsonaro por 46% a 34%, e ampliaria a vantagem sobre nomes como Ratinho Júnior, Ronaldo Caiado, Romeu Zema e Eduardo Bolsonaro — todos ficando na casa dos 30%. O quadro é de conforto político e de consolidação de liderança.

FATORES – O avanço de Lula se explica por um conjunto de fatores. Nos primeiros meses de 2025, o governo enfrentou críticas pelo custo de vida e pela lentidão na retomada econômica. Mas a partir do segundo semestre, a agenda começou a mudar de tom. O Planalto intensificou ações na economia, apostou em gestos simbólicos de política externa — como o diálogo direto com o presidente Donald Trump e o encontro entre o chanceler Mauro Vieira e o senador Marco Rubio, nos Estados Unidos — e retomou protagonismo em temas internacionais, o que reforçou a imagem de estabilidade e liderança.

O gesto de aproximação entre Brasília e Washington, inclusive, foi interpretado como um sinal de maturidade diplomática e desarmou, de vez, as teses conspiratórias de parte da extrema direita que chegou a alimentar a fantasia de uma “intervenção americana” no Brasil.

A conjuntura também favorece Lula pela fragilidade e dispersão de seus adversários. Tarcísio de Freitas, considerado nome promissor da direita moderada, já sinalizou que disputará a reeleição em São Paulo e, portanto, dificilmente estará no páreo presidencial.

RESISTÊNCIA – Michelle Bolsonaro mantém popularidade no eleitorado conservador, mas enfrenta resistência interna e falta de estrutura partidária. Já Ciro Gomes, apesar de ser o adversário mais competitivo nos testes, ainda sofre com altos índices de rejeição e desgaste de imagem. Os demais governadores citados — Zema, Caiado, Ratinho Júnior — têm força regional, mas não nacional.

Por outro lado, Lula mantém uma base sólida, estimada em cerca de um terço do eleitorado, e se beneficia da fragmentação dos opositores. Quanto mais nomes surgem na direita, maior tende a ser a vantagem do presidente, que segue concentrando o voto útil do campo progressista e parte do centro. A pesquisa também aponta um crescimento na aprovação do governo, que chegou a 48%, seu melhor patamar em 2025, segundo a Quaest.

OSCILAÇÕES – O cenário, no entanto, não é definitivo. A economia ainda será determinante, e oscilações em indicadores como inflação e desemprego podem redesenhar o humor do eleitorado. Além disso, há o risco da “fadiga política”: Lula, no seu terceiro mandato, precisa equilibrar narrativa e entrega, sem parecer distante das demandas cotidianas. O desafio é transformar a liderança momentânea em hegemonia duradoura, consolidando um ciclo que una estabilidade institucional, crescimento econômico e governabilidade.

Por ora, a fotografia é inequívoca: Lula chega à reta final de 2025 em ascensão, com o cenário eleitoral a seu favor e uma oposição ainda em busca de discurso, unidade e rumo. O país, que há poucos meses parecia dividido entre desalento e radicalização, começa a assistir a um novo equilíbrio — mais pragmático, menos inflamado e, sobretudo, mais atento aos resultados do que às retóricas. O tempo dirá se essa tendência se transformará em destino.

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