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Charge do Genildo (Arquivo Google)
Flávio José Bortolotto
O ministro da Economia, Paulo Guedes, novamente fala em vender parte das reservas monetárias do Brasil, que tem relativamente o dobro do montante recomendado pela prática, que seria o equivalente ao custo das importações em um ano. Como se sabe, em 2019 o Brasil exportou US$ 225 bilhões, importou US$ 179 bilhões, com superávit comercial de US$ 46 bilhões.
A venda de parte dessas reservas, sem dúvida, faz sentido econômico, mas é totalmente contraprodutiva devido a seu efeito psicológico.
RECESSÃO MUNDIAL – Numa guerra da Saúde contra a Covid-19, trazendo a consequente recessão (queda de aproximadamente 5% no PIB 2020 do Brasil), que será mundial, como acontece em toda guerra, o fator psicológico é de longe o mais importante.
Vender reservas agora dará a impressão de estarmos vendendo a prataria da família para tentar salvar a casa. Economia é uma ciência simples, mas que não é nada fácil, por ser composta de 90% em psicologia e 10% em economia.
BASTA TER HABILIDADE – Essa venda não é necessária, porque o Brasil tem seu Banco Central e esse pode criar todo o crédito que o brasil necessita nessa emergência de saúde sem grande inflação. Basta ter habilidade.
O mundo viveu com moeda metálica (ouro e prata), depois passou para a moeda papel (trocável por moedas de ouro se o dono da moeda papel quisesse), depois papel moeda, e felizmente hoje crédito via conta bancária e cartão magnético, com créditos e débitos em contas bancárias. O lastro desse crédito, é que ele é aceito para pagar os impostos, não é mais ouro nem prata.
UM BOM SERVIÇO – com isolamento social dos trabalhadores não essenciais, o Brasil está fazendo bom serviço na emergência do Covid-19, ainda conseguindo não colapsar o Sistema de Saúde, principalmente o importantíssimo SUS e passando pela crise com relativamente pequeno número de óbitos, e o pico está previsto para meados de maio, ainda faltam três semanas, que chegam rapidamente. Depois, evitando-se o colapso no Sistema de Saúde, é sair rápido da recessão e recuperar produção.
Nosso PIB 2019 em números redondos foi de R$ 8 trilhões (o oficial é um tanto subestimado), e caindo 5%, devemos perder R$ 400 bilhões. Como a carga tributária é 35% do PIB, dá R$ 2,88 trilhões. Em 2020, o Ano da Crise, ela cai 30%, o que dá R$ 864 bilhões.
Deve o Banco Central injetar em 2020 cerca R$ 400 bilhões (queda do PIB), somados aos R$ R$ 864 bilhões (queda de arrecadação, num total de R$ 1,264 trilhão para sairmos bem da Recessão.
VAMOS CRIAR CRÉDITO – Tecnicamente não há nada que impeça de se criar esse crédito de R$ 1,264 trilhão. Vejam que o FED USA já injetou US$ 1,5 trilhão e o Senado norte-americano aprovou mais US$ 2 trilhões, num PIB USA 2019 de aproximadamente US$ 20 trilhões, e não parará por aí. A coisa é nessa proporção, cerca de 15% do PIB para estabilizar o barco norte-americano, mas depois o que não pode é deixar cair a produção e o consumo.
Quanto a congelar por dois anos o salário do funcionalismo, erra feio de novo no aspecto psicológico, porque antes disso deveria aumentar a alíquota do Imposto de Renda dos Funcionários que ganham mais do que R$ 20 mil por mês.