terça-feira, abril 21, 2020

Militares consideram impeachment a melhor solução e não pretendem apoiar Bolsonaro



4 pontos sobre o discurso de Bolsonaro em ato a favor de ...
De camisa vermelha, Bolsonaro bagunçou a cerimônia do Dia do Exército
Carlos Newton
Conforme registramos aqui na Tribuna da Internet no início do governo, em 2019, o presidente Jair Bolsonaro nem precisa de oposição. Ele é do tipo autocarburante, que entra em combustão espontaneamente, não é necessário que alguém se disponha a acender o fósforo. Um ano depois, é exatamente isso que está acontecendo. Bolsonaro tem feito tantas bobagens que os militares já se cansaram dele. E a cerimônia do Dia do Soldado foi a gota d’água. Nenhum dos oficiais superiores que ainda apoiavam seu governo poderia prever que Bolsonaro chegasse ao ponto de insanidade que demonstrou nesse domingo.
O Dia do Exército, 19 de abril, é uma das mais importantes datas do calendário militar, só comparável ao 25 de agosto (Dia do Soldado) e ao 7 de setembro (Dia da Independência). Jamais se poderia esperar que a família Bolsonaro (ele e os filhos) tivesse a ousadia de menosprezar e bagunçar essa data festiva.
PRESENÇA OBRIGATÓRIA – No cerimonial do governo brasileiro, o dia 19 de abril está sempre reservado na agenda presidencial como de presença obrigatória. Nenhum presidente da República deixa de comparecer, salvo quando está em compromisso internacional ou ocorre imprevisto de muita gravidade.
Bolsonaro em homenagem ao dia do Exército diz que a instituição ...
Em 2019 choveu forte e Bolsonaro e ficou encharcado na cerimônia
Para citar apenas os mais recentes, Fernando Henrique Cardoso, Lula da Silva, Dilma Rousseff e Michel Temer jamais deixaram de comparecer, e a cerimônia inclui passar em revista à tropa, que bate continência ao comandante-em-chefe das Forças Armadas.
No ano passado, Jair Bolsonaro compareceu, acompanhado da mulher Michelle, e até pegou chuva forte no palanque principal e ficou encharcado, junto com as demais autoridades de República e os alunos do Colégio Militar.
FESTIVAL DE SURPRESAS – Neste domingo, no entanto, a comemoração do Dia do Exército foi um teatro de absurdos. Sem motivo relevante, o presidente da República simplesmente não apareceu e foi substituído pelo vice Hamilton Mourão.
A segunda surpresa foi acontecer uma manifestação, com muitas pessoas vestindo verde e amarelo, a maioria de meia idade ou idosos, carregando faixas pedindo intervenção militar e fechamento do Congresso e do Supremo, ou seja, defendendo a volta da ditadura.
Mas o impacto maior foi o inesperado aparecimento do presidente Jair Bolsonaro, no final da cerimônia, acompanhado dos seguranças. E sem estar devidamente trajado. Ao invés do terno escuro tradicional, o chefe do governo apareceu usando calça jeans e uma camisa pólo vermelha, cor que até as mulheres dos militares evitam usar, por motivos óbvios.
AFRONTA PROPOSITAL – Nenhum dos chefes militares tem a menor dúvida. Foi uma afronta proposital do presidente, que intencionalmente fez uma provocação às Forças Armadas, na presença do ministro da Defesa, dos comandantes das três Armas e dos oficiais superiores dos Alto-Comandos de Exército, Marinha e Aeronáutica.
O pior foi depois saberem que a manifestação foi convocada e organizada pelo “gabinete do ódio”, chefiado pelos filhos de Bolsonaro. O procurador-geral da República, Augusto Aras, já pediu ao Supremo que a Polícia Federal investigue a manifestação.
Se ficar provado que o ato público foi preparado pelo “gabinete do ódio”, nos mínimos detalhes, para que o presidente da República tripudiasse sobre os chefes militares, a postura de Bolsonaro será considerada uma traição institucional, que os militares não aceitam.
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P.S. – É consenso em Brasília que ainda não é hora de impeachment, mas o processo começará tão logo seja superada a crise da pandemia. O futuro político de Bolsonado tem o mesmo valor de uma nota de três dólares. E o vice, general Mourão. vai mandar fazer seu terno de posse na Presidência. Será verde oliva, é claro. (C.N.) 


Comentário:

                                         (...)


Por que os antigos filósofos achavam a democracia falha?
Sócrates a achava falha porque muitas vezes os governantes não tinham aptidão, capacidade de governar. Ele propunha que os eleitores deveriam ser ensinados para terem direito de escolher seus representantes, para que as escolhas fossem advindas de escolhas racionais e não aleatórias.
Na alegoria do navio, contada por Platão, ele demonstra essa tese.
Já Aristóteles achava que a política deveria ser tudo que se relacionasse a ações que visassem tanto o bem estar individual quanto o coletivo. Quanto à democracia, para ele, sua falha seria a demagogia. O filósofo afirma que a demagogia seria uma corrupção para a democracia.
Demagogia é o uso de estratégias para enganar a população. A demagogia lida com as emoções, com falácias, demonização, eufemismos. É o controle das paixões populares com vista ao poder político, política imoral, apelo a emoções e sentimentos para ter o apoio do povo, a prática de aparentar honestidade com segundas intenções.
A democracia, apesar de suas falhas, ainda é o melhor regime político, mas para que melhores será que um dia teremos a educação e maturidade suficiente para saber escolher nossos governantes?
Será que um dia teremos condições de discernir quem é demagogo?
Será que um dia poderemos escolher o comandante que melhor nos conduza?

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