domingo, abril 19, 2020

Bolsonaro corre risco liberando o comércio, mas o risco maior é da população


Novo ministro da saúde
Charge da Carol Andrade (Humor Político)
Pedro do Coutto
Ao dar posse ao ministro Nelson Teich, na sexta-feira, o presidente Jair Bolsonaro afirmou estar disposto a liberar o funcionamento do comércio, estando consciente do risco dessa aposta. Portanto, acentuo, na verdade o risco maior em consequência da medida corre a população do país que ficará ainda mais exposta à contaminação pelo coronavirus 19.
Isso porque até agora todos os médicos e pesquisadores são praticamente unânimes em afirmar que a virose encontra-se ascendente até meados de maio e que só há um meio de bloquear a contaminação em massa da população. Esse meio reside no isolamento horizontal. O isolamento chamado vertical, ao contrário do que pensa o presidente da República iria permitir uma contaminação maior do que aquela que se está verificando.
10% AO DIA – Na tarde deste sábado por exemplo, havia 33 mil casos de contaminação com 2.700 mortes. Os dois números tristemente acusam uma progressão em torno de 10% ao dia. Estes números já são muito altos e tornar-se-iam ainda mais altos com a volta do funcionamento do comércio.
O vírus possui uma força de contaminação muito forte, sendo numerosos os casos de sua propagação inclusive entre médicos enfermeiros, e todo o pessoal que atua na linha de frente. A população, assim, tem toda a razão de, como vem fazendo, aplaudir as equipes que se encontram combatendo a epidemia.
SUPREMO JÁ DECIDIU – O presidente Bolsonaro anunciou, portanto, sua intenção de liberar o comércio para conter o desemprego, mas esqueceu que o Supremo Tribunal Federal determinou por unanimidade que o protocolo em torno das ações seja realizado pelos estados e municípios do país.
Ficou clara a tendência de estender o isolamento, como a decisão que foi tomada pelo governador de São Paulo, João Doria, que ele não está sozinho nessa diretriz, pois todos os governadores estão seguindo o mesmo caminho, até porque essa direção é a que implica não só no combate mais efetivo a contaminação, mas também pelo fato de não aceitarem bancar o risco como anunciou para si o presidente Bolsonaro.
BOLSONARO ISOLADO – A responsabilidade é muito grande, uma vez que o risco é compatível com a decisão assumida. Assim o presidente da República fica ainda mais isolado no episódio que se prolonga dia a dia no país. Se o presidente Jair Bolsonaro tiver alguma ´dúvida sobre a eficácia do isolamento bastará ele reconhecer que todos os países afetados (e são muitos) estão adotando a mesma providência.
O presidente da República, cada vez mais isolado em matéria de combater a epidemia, não está sintonizado com a realidade dos fatos. E não percebe que ele é o único que defende a volta do funcionamento do comércio.
Com seu discurso de sexta-feira, assumiu por sua própria vontade um risco enorme. Resta a esperança de os governadores e prefeitos assumirem a posição oposta.

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