sexta-feira, julho 31, 2026

PF reage a Mendonça e aciona AGU para evitar a investigação de Lulinha


PF quer evitar que Mendonça relate o caso de Lulinha

Constança Rezende
Folha

A Polícia Federal acionou, na última semana, a AGU (Advocacia-Geral da União) contra medidas impostas pelo ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) André Mendonça, que aumentaram o controle do caso que investiga fraudes nos descontos no INSS (Instituto Nacional de Seguridade Social). As investigações sobre o caso envolvem Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, filho do presidente Lula (PT).

O objetivo do órgão é que a AGU encontre algum remédio judicial para rebater a determinação do ministro para que todos os atos da apuração sejam imediatamente juntados ao processo que tramita em seu gabinete. Ele também determinou que qualquer afastamento de policiais da equipe de investigadores seja comunicado previamente ao seu gabinete.

INTROMISSÃO – Nos bastidores, pessoas com acesso à cúpula da polícia classificaram as medidas como uma intromissão do magistrado na gestão de suas equipes e uma violação às competências do órgão. A decisão de compartilhar os dados diretamente com o gabinete também foi vista como um sinal de uma possível desconfiança do ministro em relação à imparcialidade da polícia na condução do caso.

Um investigador ligado às apurações disse que, se Mendonça avalia que há perseguição ou proteção a alguém ou alguma irregularidade, ele deve formalizar isso no processo e não ir contra uma instituição por uma suspeita genérica. A reportagem não conseguiu contato com o gabinete de Mendonça para falar do assunto e a AGU não respondeu sobre o pedido. A PF também não comentou o assunto.

LULINHA – As investigações do caso, no âmbito da Operação Sem Desconto, são consideradas sensíveis por envolverem Lulinha. Ele teve as suas quebras de sigilos bancário, fiscal e telemático autorizadas pelo ministro em fevereiro. Uma das linhas de investigação é que o filho do presidente seria sócio oculto do lobista Antonio Carlos Camilo Antunes, conhecido como Careca do INSS e apontado como um dos operadores centrais do esquema de fraudes.

A ida da PF à AGU representa uma escalada na crise entre Mendonça e a polícia. Devido à insatisfação do relator com o que vê como lentidão das investigações sobre o caso, o ministro havia determinado anteriormente que a PF concluísse, em até 60 dias, a análise do material apreendido na operação, como celulares, HDs, e pen drives dos presos.

Em resposta, a PF informou ao ministro que precisaria de mais prazo e falou em falta de pessoal. A polícia disse que há 11 pessoas atuando na investigação, enquanto seriam necessárias mais de 40 para cumprir o prazo desejado pelo ministro. Também afirmou que a análise global do material, de cerca de 1.700 itens, encontra-se em estágio inicial e que teria finalizado cerca de 40%.

JUSTIFCATIVAS – O ministro também havia pedido, em ofício enviado à corporação, que o órgão mantivesse a equipe de investigação e, em caso de alterações, que fossem apresentadas justificativas no processo.

A determinação foi feita devido a sua insatisfação com trocas na coordenação do caso feitas pela Polícia Federal. Ele avaliou que essas mudanças têm contribuído para a demora da conclusão da operação.

Também há uma percepção, entre autoridades que acompanham o caso, de que, apesar de ser mais antiga, a Sem Desconto, iniciada em 23 de abril de 2025, está mais lenta do que a operação Compliance Zero, que apura fraudes do Banco Master e teve a primeira fase deflagrada em 18 de novembro.

SURPRESA – A PF já havia anunciado a retirada do caso da Divisão de Repressão a Crimes Previdenciários e realocado a apuração para a Coordenação de Inquéritos em Tribunais Superiores, que investiga pessoas com foro privilegiado. Na ocasião, o chefe da divisão antiga, o delegado Guilherme Figueiredo Silva, foi pego de surpresa com a decisão da cúpula da Polícia Federal.

A polícia argumentou que a mudança foi feita para assegurar maior eficiência às investigações porque a Coordenação de Inquéritos em Tribunais Superiores tem estrutura para a condução de operações sensíveis com tramitação no STF.

As mudanças da PF levaram a oposição a acusar a corporação de proteger o filho do presidente. O assunto também tem gerado um racha entre investigadores que trabalham no caso.

MUDANÇA DO RUMO – Sob reserva, parte deles diz ver a opção de avançar sobre o filho do presidente como uma mudança do rumo das apurações e afirma que, até o momento, não há provas suficientes de que ele tenha cometido irregularidades. A defesa de Lulinha sempre negou que ele tenha cometido qualquer ilegalidade.

Os investigadores também têm feito críticas internamente à condução de Mendonça, assim como no caso da Compliance Zero. Segundo eles, os pedidos para quebra de sigilo ou de bloqueio de bens feitos pela PF ao gabinete não têm a mesma velocidade em suas análises, dependendo de quem são os alvos.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOGA Polícia Federal, que tantos serviços presta ao país, está se desmoralizando no final do governo Lula, nessa desesperada tentativa para evitar que Lulinha, o fenômeno no enriquecimento ilícito, seja investigado sob as ordens de um ministro digno e respeitável como André Mendonça. Com certeza, o diretor da PF, Andrei Rodrigues, prefere que Lulinha seja investigado por Dias Toffoli, para esculhambar de vez o Supremo. Chamem a Polícia, por misericórdia. Mas chamem uma Polícia verdadeira, não a PF… (C.N.)


PP barra Tereza Cristina e deixa Flávio Bolsonaro sem a aliança que buscava

Publicado em 31 de julho de 2026 por Tribuna da Internet

Nenhum país conseguiu se desenvolver sem possuir um Estado forte e atuante


Em prol da contenção

Charge do Nani (namihumor)

José Vidal

O bom da democracia é que podemos escolher quem quisermos. O ruim é que nem sempre os escolhidos fazem aquilo que desejamos e também muitas de nossas escolhas são aleatórias, sem base qualquer, naqueles candidatos nos quais colocamos votos, principalmente quando as eleIções não são majoritárias.

Pode ser um nome sugerido por um amigo ou parente, um nome num papel jogado no chão, etc. No dia seguinte nem lembramos em quem votamos.

CAPITALISMO – Como sabemos, hoje o regime econômico que venceu mundialmente é o capitalismo, seja qualquer o tipo que chamemos, como capitalismo financeiro, capitalismo de Estado, capitalismo liberal, capitalismo social.

Na realidade, há apenas dois tipos de capitalismo que interessam: o liberal sob todas as suas formas (neoliberal, liberal) que prega o Estado mínimo, a meritocracia etc., e o capitalismo social.

Na história moderna nenhum país se desenvolveu com essas premissas. Ao contrário, os países somente se desenvolveram no início com um Estado protetor e indutor do crescimento econômico e social.

PROTEÇÃO Á MAIORIA – Em antagonismo ao capitalismo liberal, o capitalismo social atua como uma proteção à maioria, com sistema de benefícios sociais e tem presença forte na economia, como ocorre nos países que praticam a democracia social ou o chamado capitalismo de Estado.

No caso do Brasil, há candidatos que pregam o capitalismo liberal, com a presença mínima do Estado (com exceção do favorecimento a certos grupos escolhidos às benesses) e outro que prega o capitalismo social com a presença forte do Estado como indutor do desenvolvimento, mas com exagero em certos gastos populistas.

O sistema atual é um disfarçado parlamentarismo da pior espécie, e o presidente fica manietado, com pouca margem de manobra. Portanto, devemos ter em mente que o governo é formado por três poderes e todos eles deveriam trabalhar em conjunto, para o bem da população, porém isso somente acontece na teoria.


“Se meu filho for culpado, vai pagar como todo mundo”, diz Lula

 

“Se meu filho for culpado, vai pagar como todo mundo”, diz Lula


Cúpula do TSE vê erro diplomático de Lula ao negar vistos a enviados dos EUA


Missão queria discutir “liberdade de expressão” nas eleições

Rafael Moraes Moura
O Globo

A cúpula do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) avalia que o governo Lula cometeu um equívoco ao negar os vistos de dois funcionários do governo dos Estados Unidos que viriam ao Brasil com a justificativa oficial de discutir liberdade de expressão no contexto das eleições.

A avaliação de três ministros do TSE ouvidos em caráter reservado é a de que a administração petista adotou uma solução “muito ruim diplomaticamente” e que a medida só contribuiu para tensionar as já conturbadas relações entre a Casa Branca e o Palácio do Planalto a menos de três meses das próximas eleições.

QUESTIONAMENTOS – Segundo uma reportagem publicada pelo Washington Post, os funcionários que tiveram os vistos cancelados – Riley M. Barnes e Samuel D. Samson, do Departamento de Estado americano — estavam sendo enviados ao Brasil pelo governo de Donald Trump para questionar a integridade das urnas eletrônicas.

O Itamaraty alega que os vistos foram recusados no último dia 24, antes, portanto, da publicação da reportagem do Washington Post, que ocorreu no dia seguinte. A visita dos dois funcionários estava prevista para ocorrer de 27 a 30 de julho, incluindo encontros com autoridades brasileiras, lideranças religiosas e representantes da sociedade civil.

“O melhor mecanismo é a transparência e o diálogo. São autoridades de um país importante, se quiserem conversar conosco, qual o problema disso?”, comenta um ministro do TSE que não atua na órbita do governo Lula.

RESPOSTA TÉCNICA – “Se o governo dos Estados Unidos têm alguma dúvida, o certo é deixar eles virem, para esclarecermos, até porque podemos responder de forma técnica. A decisão do Itamaraty gera desconfiança e desconforto, ao invés de ajudar.”

No entorno do presidente do TSE, Kassio Nunes Marques, há dúvidas se os representantes do governo Trump viriam para o Brasil com a missão específica de tentar colocar em xeque o sistema eleitoral brasileiro, ou se a atuação deles seria mais voltada a pedidos de esclarecimentos sobre o funcionamento dos aparelhos.

Fontes do Itamaraty, no entanto, discordam dessa avaliação. Sustentam que o objetivo da missão americana era disseminar desinformação a respeito das eleições brasileiras e provocar instabilidade institucional, seguindo o roteiro adotado por Trump em sua política doméstica.

INFORMAÇÕES SEGURAS – “A decisão seguiu elementos muito sólidos, de defesa do sistema brasileiro como um todo”, afirmou um integrante do governo Lula ouvido reservadamente. “Havia informações seguras sobre o objetivo do Departamento de Estado e por isso se decidiu por esse caminho.”

Criado com a ajuda dos militares, o sistema de votação brasileiro é adotado no país desde as eleições municipais de 1996 e até hoje nenhuma acusação de fraude foi comprovada, apesar da insistência da tropa de choque bolsonarista de lançar suspeitas infundadas sobre as urnas.

REUNIÃO COM EMBAIXADORES –  No próximo dia 17, o presidente do TSE fará um novo encontro com embaixadores para explicar o funcionamento das urnas. Nunes Marques já havia feito uma primeira rodada de conversas com representantes diplomáticos no mês passado, quando se reuniu com 25 embaixadores no TSE para tratar do sistema eletrônico de votação. Naquela ocasião, o governo norte-americano não enviou ninguém.

O mesmo gesto já foi feito por Edson Fachin durante as eleições de 2022, quando comandou a Corte Eleitoral. Na época, Fachin buscou construir uma aliança internacional em defesa do sistema brasileiro diante do recrudescimento dos ataques do governo Bolsonaro – e da ameaça do ex-presidente de não reconhecer uma eventual derrota em sua tentativa de reeleição.

REPRESENTAÇÃO – Se desta vez aceitarem o convite do TSE, os Estados Unidos podem ser representados na reunião por Kimberly Kelly, que ocupa interinamente o posto de encarregada de negócios da embaixada.

O deputado estadual da Flórida Daniel Perez, indicado por Trump para assumir a embaixada dos Estados Unidos no Brasil, foi aprovado pelo Comitê de Relações Exteriores do Senado no último dia 22, por 13 votos a 8, mas ainda precisa ganhar o aval do plenário da Casa.

“A maneira como os Estados Unidos se relacionarem com o Brasil nos próximos anos terá enorme importância”, disse Perez na sabatina. “Minhas principais prioridades serão a proteção dos cidadãos americanos no Brasil, o avanço de nossos interesses nacionais em comércio e investimento, o combate ao tráfico de drogas e ao crime transnacional, e a construção de parcerias resilientes que beneficiem a economia e o trabalhador americanos”.

TEMÁTICA DA AGENDA – O TSE informou que a área internacional da Corte Eleitoral foi procurada pela Embaixada dos Estados Unidos para “tratar sobre visita de integrantes do governo norte-americano, mas não foi informada a temática da agenda, que não foi marcada em razão do recesso do Judiciário”.

O Itamaraty, por sua vez, não se manifestou sobre as críticas de ministros do TSE citadas nesta reportagem. Já a embaixada dos Estados Unidos em Brasília não esclareceu se vai enviar representantes para a reunião do TSE no próximo dia 17, nem comentou a decisão do Itamaraty de recusar os vistos dos funcionários do Departamento de Estado.

Livro Mensalão O Julgamento do Maior Caso de Corrupção da História Política Brasileira 2012 Marco A Villa

 

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