Vicente Limongi Netto
A jornalista Ana Dubeux (Correio Braziliense- 03/08) brindou os leitores e assinantes com expressiva entrevista com o ministro aposentado do Supremo Tribunal Federal (STF) e ex-ministro das Relações Exteriores, Francisco Rezek.
Voz firme, competente e respeitada na luta do bem contra a crescente e avassaladora intolerância dos poderosos mundiais de plantão. Para Rezek, “Donald Trump não entende por que seu devoto Jair Bolsonaro enfrenta aqui consequências que ele próprio não teve que enfrentar perante a justiça norte-americana”.
A seu ver, “não há como imaginar uma saída brilhante para o impasse em que Trump coloca o Brasil de caso pensado e com dolo intenso”.
Trump acha que pode dirigir o mundo, sem ter o suco de laranja do Brasil?

Krugman aponta as idiotices que Trump está fazendo
Aline Bronzati
(Broadcast)
O economista americano Paul Krugman, vencedor do prêmio Nobel de 2008, afirmou que a isenção ao suco de laranja do Brasil é um sinal de que os Estados Unidos precisam do País. Ele voltou a tecer críticas à nova política comercial do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, quando entraria em vigor a cobrança das taxas ao mundo. A tarifação acabou sendo adiada para a próxima semana.
Para Krugman, a taxação do chefe da Casa Branca ao Brasil é um “flagrante” ao querer influenciar sua política interna e ilustra a “ilegalidade” do tarifaço. “Trump pode achar que pode governar o mundo, mas ele não tem o suco de laranja ou de outro tipo”, afirma, em análise divulgada nesta sexta-feira.
LIÇÃO AO MUNDO – Trump está, sem querer, dando ao mundo uma lição sobre os limites do poder dos EUA, diz Krugman. O economista diz que as negociações de Trump com o Brasil são “excepcionais” e suas exigências são “diferentes” do que as feitas a qualquer outro país, cuja taxação de 50% é “consideravelmente mais alta”.
“Trump vinculou explicitamente as tarifas ao Brasil à ousadia da nação em julgar o ex-presidente Jair Bolsonaro por tentar reverter uma eleição que ele perdeu”, destaca.
O Nobel acusa Trump de ser um “inimigo da democracia e da responsabilidade de aspirantes a autoritários”. “Mas nós sabíamos disso”, afirma.
TOTALMENTE ILEGAL – O economista americano também observa que é “totalmente ilegal” os EUA usarem tarifas para tentar influenciar a política interna de outro país. “Praticamente tudo o que Trump tem feito em termos de comércio é ilegal, mas no caso do Brasil é completamente flagrante”, reforça.
Conforme ele, as razões para a imposição de tarifas são limitadas, como, por exemplo, uma situação de emergência econômica, mas esse não é o caso dos EUA, que “estão indo muito bem”, nas palavras do chefe da Casa Branca.
“Portanto, o confronto com o Brasil ilustra de forma especialmente clara a ilegalidade da onda de tarifas de Trump”, afirma.
LIMITE AO PODER – Por outro lado, a taxação aos produtos brasileiros, na sua visão, também ilustra a “diferença entre a quantidade de poder que Trump aparentemente pensa que tem e a realidade”. Um sinal claro é a isenção ao suco de laranja fresco, 90% do qual é fornecido pelo Brasil.
“Aparentemente, precisamos do que o Brasil nos vende. E isso é uma admissão implícita de que, ao contrário das constantes afirmações de Trump, os consumidores dos EUA, e não os exportadores estrangeiros, pagam as tarifas”, avalia.
O Nobel cita ainda o café, que ficou fora da lista de cerca de 700 isenções dos EUA ao Brasil. “O que alguns de nós queremos saber é por que o suco de laranja, do qual as pessoas podem viver sem, está recebendo uma folga, enquanto o café, um nutriente absolutamente essencial, não está”, questiona.
EFEITOS CONTRÁRIOS – Já na política, Krugman observa que a taxação de Trump ao Brasil está tendo “efeitos contrários”, com a melhora da aprovação do governo petista no País.
“Em um eco do que aconteceu no Canadá, onde a pressão de Trump claramente salvou o governo Liberal de perdas eleitorais massivas, as ameaças contra o Brasil fizeram maravilhas pela popularidade de Luiz Inácio Lula da Silva, o atual presidente”, diz.
E discorda do critério que aponta os EUA como o segundo parceiro comercial mais importante do Brasil. Quando considerados todos os países europeus somados, a China segue na liderança isolada, respondendo por 28% das exportações do Brasil, mas a União Europeia (UE) sobe para a segunda posição, com uma fatia de 13,2%, enquanto que os EUA cairiam para a terceira, com 12,1%, segundo dados do Fundo Monetário Internacional (FMI).
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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG – Disse Krugman: “Trump e seus assessores realmente acham que podem usar tarifas para intimidar uma nação de mais de 200 milhões de pessoas a abandonar seus esforços para defender a democracia, quando ela vende 88% de suas exportações para países que não são os Estados Unidos?”. Bem, vê-se por que Krugman foi Nobel de Economia aos 61 anos. (C.N.)


