segunda-feira, julho 28, 2025

Bomba no TJBA: Juiz baiano é afastado das funções por graves acusações de violência doméstica

 

Bomba no TJBA: Juiz baiano é afastado das funções por graves acusações de violência domésti

Denúncias incluem agressões físicas e verbais contra esposa e ameaças a enteada, além de histórico preocupante com filhos  |   Bnews - Divulgação Foto: Rodrigo Oliveira Braga/ BNews

Claudia Cardozo

por Claudia Cardozo

claudia.cardozo@bnews.com.br

Publicado em 28/07/2025, às 09h50 - Atualizado às 09h50



O Pleno Tribunal de Justiça da Bahia (TJBA) afastou o juiz Mauricio Baptista Alves, em um processo administrativo disciplinar instaurado no dia 9 de julho. O ato visa investigar suspeitas de violência doméstica e familiar, que incluem supostas agressões físicas e verbais contra a esposa, ameaças à integridade física de uma enteada, além de um histórico preocupante de incidentes envolvendo os filhos menores do casal.

As denúncias que levaram ao afastamento do juiz foram compiladas a partir de decisões colegiadas do Tribunal Pleno e de uma sindicância prévia, que revelaram "indícios suficientes de que o magistrado reclamado aparentemente adota postura absolutamente incompatível com o exercício da judicatura". A investigação abarcará possíveis violações da Lei Orgânica da Magistratura Nacional (LOMAN), da Lei de Organização Judiciária do Estado da Bahia (LOJ) e do Código de Ética da Magistratura.

Em decorrência das denúncias de 2021, o Tribunal determinou a suspensão cautelar do porte de arma do magistrado e a imediata apreensão de qualquer armamento. Ele também foi obrigado a se submeter a acompanhamento psicossocial, por meio de atendimento individual com profissionais de saúde. As medidas protetivas incluíram a determinação de que o juiz mantivesse uma distância mínima de 300 metros da ex-companheira e de seus familiares, e que não mantivesse qualquer tipo de contato com eles. Relatórios de psicólogos apresentados no processo indicam intenso sofrimento psicológico da ex-companheira, diagnosticada com Transtorno de Estresse Pós-Traumático, e a necessidade de avaliação psicológica para as crianças devido aos relatos de violência física e psicológica.

Além dessas graves denúncias, o juiz Mauricio Batista Alves já havia sido protagonista de outras controvérsias. Em janeiro de 2024, foi acusado de agressão contra uma companheira em São Paulo. Anteriormente, também ganhou destaque por um episódio incomum, sendo flagrado arrancando uma faixa de paralisação sindical em frente a um juizado. O processo disciplinar seguirá em tramitação sigilosa.

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Nota da Redação Deste blog -A Crise da Justiça Baiana e o Lamento de Rui Barbosa: "De Tanto Ver Triunfar as Nulidades"

A degradação ética e moral na justiça da Bahia, infelizmente, avança a passos largos. Constantemente, sites e jornais do estado estampam notícias que não apenas envergonham, mas também maculam a imagem dos muitos juízes bons e honestos que atuam no sistema. As manchetes recentes são um retrato doloroso: denúncias de venda de sentenças, corrupção e nepotismo não são mais exceção, mas sim uma preocupante regra.

Vemos juízes lotados em comarcas do interior que residem em outros estados, recebendo como se estivessem integralmente presentes. E, no mais recente e chocante episódio, somos confrontados com a notícia de um juiz do estado da Bahia afastado de suas funções por graves acusações de violência doméstica.

É nesse cenário que a clássica frase de Rui Barbosa ressoa com uma dolorosa pertinência: "De tanto ver triunfar as nulidades, de tanto ver prosperar a desonra, de tanto ver crescer a injustiça. De tanto ver agigantarem-se os poderes nas mãos dos maus, o homem chega a desanimar-se da virtude, a rir-se da honra e a ter vergonha de ser honesto."

Essa expressão, proferida por um dos maiores juristas brasileiros, captura com precisão o sentimento de desilusão que acomete a sociedade quando a incompetência e a falta de ética parecem ser recompensadas, enquanto a virtude e a honestidade são marginalizadas ou ignoradas. A inversão de valores é clara: aqueles que deveriam ser os guardiões da lei e da justiça, em alguns casos, tornam-se os próprios exemplos da desonra.

A presença constante de notícias sobre irregularidades no judiciário baiano é um lamento pela falta de reconhecimento da virtude e um alerta veemente sobre os perigos da ascensão do que é considerado inútil e desonesto na sociedade. Para que a confiança na Justiça seja restaurada, é imperativo que o Tribunal de Justiça da Bahia atue com rigor implacável, punindo exemplarmente os maus condutores e protegendo a reputação dos muitos que exercem suas funções com probidade e dedicação. Só assim a máxima de Rui Barbosa poderá, um dia, ser apenas uma recordação, e não uma constatação de um presente triste.

Em Washington, Jaques Wagner diz acreditar não ser possível expandir prazo de tarifas

 Foto: Divulgação

Jaques Wagner está nos Estados Unidos com outros senadores28 de julho de 2025 | 12:06

Em Washington, Jaques Wagner diz acreditar não ser possível expandir prazo de tarifas

mundo

O líder do governo no Senado, Jaques Wagner (PT-BA), reconheceu nesta segunda-feira (28) ser difícil conseguir adiar o prazo para as tarifas de 50% sobre produtos brasileiros entrarem em vigor, em 1º de agosto.

O parlamentar está em Washington com uma comitiva de oito senadores para tentar sensibilizar empresários e autoridades americanas para negociar as sobretaxas.

Sobre as conversas da semana, ele afirmou: “Expectativa positiva, apesar da dificuldade”.

Questionado se vê chance de estender o limite para a implementação de tarifas, foi pessimista. “Eu acho que não [é possível adiar]. O que a gente está fazendo é a diplomacia parlamentar. É preciso que os governos se entendam. A gente está aqui para contribuir”, afirmou.

A declaração foi dada durante a chegada do grupo de senadores à residência da Embaixada do Brasil em Washington. A programação inclui uma conversa com a embaixadora do país, Maria Luiza Viotti. Os parlamentares também devem se reunir com integrantes do BID (Banco Interamericano de Desenvolvimento).

À tarde, se reúnem com líderes empresariais na Câmara de Comércio dos EUA. A agenda do grupo, porém, não inclui ninguém do Executivo dos EUA.

A comitiva de senadores é presidida pelo senador Nelsinho Trad (PSD-MS), e formada por oito senadores, sendo dois ex-ministros de Jair Bolsonaro: Tereza Cristina (Agricultura) e Marcos Pontes (Ciência e Tecnologia).

Trad afirmou, após reunião com a embaixadora, que o objetivo é distensionar as relações entre Brasil e EUA com os parlamentares americanos. O senador disse que tem encontros marcados com seis senadores, democratas e republicanos, mas não quis dizer quais para evitar que atrapalhem os encontros.

“Essa reunião está previamente marcada para amanhã nós já temos seis parlamentares confirmados a proximidade dela. Alguns outros já estão entrando em contato e a gente está aguardando até em função de uma estratégia essa informação para que não haja nenhuma interferência no sentido de inibir ou cancelar qualquer agenda previamente marcada”, disse.

O deputado Eduardo Bolsonaro (PL-SP) tem atuado para impedir a agenda dos brasileiros com as autoridades americanas. Trad, porém, evitou atribuir o medo da interferência ao filho de Jair Bolsonaro (PL).

O grupo ainda tem Carlos Viana (Podemos-MG), que só chegará nesta segunda à tarde devido a atraso no voo, Rogério Carvalho (PT-SE), Esperidião Amin (PP-SC), e Fernando Farias (MDB-AL).

Mesmo com a participação de ex-ministros de Bolsonaro, a iniciativa irritou o deputado Eduardo Bolsonaro (PL-SP), que vem atuando desde o início do ano por sanções do governo americano contra o ministro Alexandre de Moraes. A atuação de Eduardo foi importante para o tarifaço anunciado por Trump.

A missão dos senadores é lida no entorno de Lula como forma de tentar sensibilizar os americanos e, sobretudo, o setor privado da importância de negociar as tarifas. O governo aposta na pressão de empresas sobre Trump para evitar as sobretaxas.

Na terça (29), haverá encontros com senadores americanos, tanto republicanos como democratas. Na quarta (30), último dia da missão, a comitiva brasileira reúne-se com líderes do setor privado americano no Council of the Americas (Conselho das Américas).

Julia Chaib/Folhapress

Além de não ajudar, Lula e Haddad dificultam qualquer negociação

Publicado em 28 de julho de 2025 por Tribuna da Internet

Emerson Oliveira | Charge para o Jornal da Manhã Juros: Lula e Haddad em  saia justa O Banco Central piorou sua projeção de crescimento econômico do  Brasil... | Instagram

Charge do Emerson Oliveira (J. de Amanhã)

Dora Kramer
Folha

Depois de breves momentos de relativa contenção e alguma calmaria, o presidente Luiz Inácio da Silva (PT) voltou a adotar o tom de enfrentamento com Donald Trump.

Usou a figuração do jogo de truco para indicar que dobraria a pedida de mão, caso o norte-americano resolva impor sanções ainda mais gravosas que a tarifa de 50% sobre produtos brasileiros. Lula falou como se houvesse paridade de forças entre os dois países.

BOM DE PALANQUE – O discurso pode funcionar no palanque e daria ganhos sólidos ao autor, se ele fosse um candidato de oposição. Na boca de um presidente da República, pretendente à reeleição, soa como uma temeridade completamente descolada dos fatos.

A realidade é adversa, mas dela não se pode escapar: o poderio dos Estados Unidos e a ausência de limites de seu atual mandatário são incomparáveis à capacidade do Brasil de sair-se bem numa guerra de retaliações.

Nessa situação de desvantagem objetiva, o blefe de Lula seria apenas inconsequente se não desse margem a consequências indesejáveis.

NEGOCIAÇÃO – Entre a submissão aos ditames inadmissíveis de Trump e o confronto aberto, há uma via intermediária. Caminho já adotado por países muito mais poderosos que conseguiram mitigar os efeitos nefastos sobre as respectivas economias, atuando com estratégia. Não consta que nenhum deles tenha posto a soberania nacional a serviço dos Estados Unidos.

Animado com os ganhos políticos, o presidente cria um cenário de dissonâncias no encaminhamento do problema. Ele vocaliza atrito, enquanto o vice Geraldo Alckmin (PSB) atua no pragmatismo, o ministro Fernando Haddad (PT) transita entre os dois polos e o Itamarati fica refém do antiamericanismo residente no Palácio do Planalto, conceito manifestado em várias ocasiões.

Haddad e Lula fragilizam o Brasil quando um admite que os filhos de Jair têm mais força que o governo junto à Casa Branca e outro diz que Alckmin telefona, mas “ninguém quer falar com ele” em Washington. Não ajudam e conviria não atrapalharem.

Justiça torna deputado Nikolas Ferreira e aliados réus sob acusação de desinformação eleitoral

 Foto: Kayo Magalhães/Câmara dos Deputados/Arquivo

O deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG)27 de julho de 2025 | 19:00

Justiça torna deputado Nikolas Ferreira e aliados réus sob acusação de desinformação eleitoral

brasil

Nikolas Ferreira (PL), deputado federal, e Bruno Engler (PL-MG), deputado estadual, viraram réus na Justiça Eleitoral de Minas Gerais sob acusação de disseminar informações falsas contra o então prefeito de Belo Horizonte, Fuad Noman (PSD), no segundo turno das eleições municipais de 2024. Caso sejam condenados, podem ter os direitos políticos suspensos, se tornar inelegíveis e pagar indenização por danos morais coletivos.

Também são alvos da ação a deputada estadual Delegada Sheila (PL) e Coronel Cláudia (PL), que foi candidata a vice-prefeita na chapa de Engler. A decisão, assinada pelo juiz Marcos Antônio da Silva, da 29ª Zona Eleitoral, foi publicada na sexta (25). No despacho, o magistrado afirmou que a denúncia da Promotoria apresenta elementos que indicam violação à legislação eleitoral.

A reportagem não conseguiu contato com os acusados.

De acordo com a denúncia, os suspeitos participaram de uma campanha organizada de desinformação nos últimos dias da eleição, com publicações em redes sociais, rádio, TV e internet, com o objetivo de influenciar o resultado do segundo turno em Belo Horizonte.

A denúncia aponta que os acusados distorceram trechos do livro “Cobiça” (Editora Ramalhete), escrito por Fuad Noman, sugerindo falsamente que o autor endossava crimes contra crianças, além de o acusarem de permitir que menores tivessem acesso a conteúdo sexual em um festival de quadrinhos. Ambos os episódios foram alvo de decisões da Justiça Eleitoral que classificaram as acusações como ilegais. Fuad Noman venceu a eleição em 2024 e morreu em março deste ano, aos 77 anos.

A obra “Cobiça”, escrita em 2020, trata da história de uma mulher que investiga o passado de sua família e se depara com uma série de episódios de vingança pessoal envolvendo seus antepassados.

Nos ataques a Fuad, os adversários afirmavam que o prefeito escreveu um livro erótico em que relata um estupro de uma criança de 12 anos.

A Promotoria afirma que Nikolas teve papel central na divulgação das informações, utilizando seu alcance nas redes sociais para disseminar conteúdo falso e ofensivo, além de descumprir ordem judicial que determinava a remoção das publicações.

Caso sejam condenados, os deputados podem perder os direitos políticos, o que os impediria de votar e disputar eleições.

Folhapress

Fux rompe padrão punitivista e lidera divergências contra Moraes em processos contra bolsonaristas

 Foto: Fellipe Sampaio/STF/Arquivo

O ministro Luiz Fux, do STF (Supremo Tribunal Federal)27 de julho de 2025 | 18:02

Fux rompe padrão punitivista e lidera divergências contra Moraes em processos contra bolsonaristas

brasil

Na última semana, Luiz Fux divergiu novamente de Alexandre de Moraes e contestou as medidas restritivas impostas a Jair Bolsonaro. O voto marca uma guinada do ministro, que passou a liderar as divergências contra Moraes, votando em sentido oposto em cerca de 21% dos casos – a maioria deles relacionada ao 8 de Janeiro e à investigação sobre a tentativa de golpe, na qual Bolsonaro é réu. A posição reforça um padrão recente e contrasta com o histórico de Fux, tradicionalmente associado a posições mais duras em matéria penal, como nos julgamentos do Mensalão e da Operação Lava Jato.

Levantamento do jornal O Estado de São Paulo, com base na plataforma Corte Aberta, mostra que, desde 2023, Fux é o ministro que mais divergiu em ações penais relatadas por Moraes na Primeira Turma do STF. De 100 processos, o ministro votou contra o relator em cerca de 21% dos casos e lidera o número de pedidos de vista, com 11 solicitações que suspenderam temporariamente os julgamentos para permitir uma análise mais aprofundada. A maioria dos processos envolve réus dos atos antidemocráticos de 8 de janeiro, incluindo o próprio ex-presidente Bolsonaro.

Já entre 2019 e 2022, em 108 ações penais relatadas por Moraes e outros ministros e julgadas no Plenário do STF, Fux divergiu em cerca de 9% dos casos.

Fux foi o último a votar na decisão de Moraes que impôs cautelares a Bolsonaro, que incluem, entre outras medidas, o uso de tornozeleira eletrônica e a proibição de acessar redes sociais. As restrições foram determinadas no âmbito da investigação que apura uma suposta atuação coordenada entre o ex-presidente e seu filho, o deputado federal Eduardo Bolsonaro, para coagir o Supremo, por meio de autoridades americanas, e tentar reverter a ação penal do golpe, na qual Bolsonaro é réu.

O dado reforça um movimento recente do ministro, avalia o pesquisador da UFMG Shandor Torok, especialista no comportamento judicial do STF. Ele destaca a mudança brusca de postura de Fux, a despeito da gravidade dos crimes investigados.

Torok lembra que, ao longo da trajetória no Supremo, Fux teve uma atuação marcada pelo rigor punitivista, o que contrasta com o posicionamento adotado nos últimos julgamentos da Primeira Turma. “Justamente nesses casos, Fux faz uma guinada de 180 graus e se revela um garantista”, afirma.

Esse movimento não tem sido isolado. O ministro tem se notabilizado por abrir contrapontos com os demais integrantes da Primeira Turma em temas relacionados ao 8 de janeiro, especialmente na dosimetria das penas dos condenados. Foi o que ocorreu, por exemplo, no caso da cabeleireira Débora Rodrigues dos Santos, que pichou, com batom, a frase “Perdeu, mané” na estátua A Justiça, em frente ao prédio do Supremo.

Fux pediu vista do processo e, posteriormente, divergiu da pena proposta por Moraes, que fixou 14 anos de prisão e foi seguido pela maioria. Para Fux, a pena adequada seria de 1 ano e 6 meses.

Além disso, Fux também fez ressalvas durante o recebimento da denúncia contra o núcleo central do golpe, que tem como réu Bolsonaro. Na ocasião, embora tenha votado a favor do recebimento da denúncia contra todos os acusados, ele foi o único ministro a acolher uma das preliminares da defesa: a de que o processo deveria ir para instâncias inferiores ou, caso permanecesse no STF, ser julgado pelo Plenário, e não pela Primeira Turma.

Ao mesmo tempo em que adota um posicionamento mais garantista nesses processos, Fux mantém seu perfil rígido em decisões individuais sobre liberdade. Entre 2023 e 2025, concedeu apenas 0,84% dos habeas corpus e recursos apresentados para contestar prisões supostamente ilegais ou abusivas, um dos índices mais baixos da Corte.

Para o criminalista e pesquisador David Metzker, responsável pelo levantamento, a variação decorre do perfil do ministro. “São dados que ajudam a compreender, com base empírica, como a Suprema Corte tem atuado na tutela da liberdade”, diz.

A rigidez nos pedidos de liberdade acompanha a trajetória de Fux, marcada por posições firmes em matéria penal desde que chegou ao STF, em 2011. Ele votou de forma dura em casos como o Mensalão e a Lava Jato, defendeu a prisão após condenação em segunda instância e relativizou o princípio do in dubio pro reo, segundo o qual, na dúvida, a decisão deve favorecer o réu.

Da mesma forma, resistiu ao uso – em favor da defesa – das mensagens obtidas por hackers entre procuradores da Lava Jato e o então juiz Sergio Moro, e negou o pedido de entrevista de Lula enquanto este estava preso.

Para o professor do Insper e pesquisador da USP Luiz Gomes Esteves, o comportamento de Fux nos casos ligados a Bolsonaro e ao 8 de Janeiro não reflete, necessariamente, uma mudança de convicção jurídica, mas sim uma reação ao contexto do momento. “São pontos fora da curva no histórico do tribunal”, afirma.

Segundo ele, a postura mais garantista do ministro nesses processos pode sinalizar uma inflexão política, e não uma guinada doutrinária. “Não se trata, necessariamente, de uma mudança geral de entendimento sobre o direito penal, mas pode indicar um posicionamento específico diante de ações com forte carga simbólica e institucional.”

Na mesma linha, Torok pontua que Fux construiu sua trajetória no Supremo como um ministro de perfil punitivista, reconhecido pela rigidez na interpretação da lei penal e pela postura dura contra os réus.

Para ele, trata-se de uma mudança que “salta aos olhos”, embora não seja possível afirmar com precisão se decorre de uma inflexão pontual, estratégica ou de uma transformação mais ampla, podendo resultar de uma combinação de fatores.

“Essa mudança pode decorrer de várias razões, desde uma improvável transformação na forma como Fux passará a decidir em todos os casos penais daqui em diante, até um eventual alinhamento político com o bolsonarismo”, diz.

Torok também lembra que juízes, em geral, mantêm padrões interpretativos relativamente estáveis, sendo raras guinadas bruscas de posicionamento, embora reconheça que julgadores podem calibrar o rigor conforme o perfil do réu. Nesse sentido, aponta, Fux pode estar encarnando o que chama de “garantista de ocasião”. “Julgadores que adotam maior rigor em função do perfil específico do réu”, explica.

Divergência pode contribuir para decisões mais legítimas

Apesar da inflexão de Fux, Torok e Esteves avaliam que a divergência entre os ministros é, em si, positiva, na medida em que o dissenso contribui para tornar as decisões mais robustas e legítimas, sobretudo em um cenário de desgaste institucional, após os ataques sofridos pela Corte durante o governo Bolsonaro.

Ainda assim, Torok pondera que nem toda divergência é igualmente fundamentada. Ao citar o voto de Fux no julgamento das medidas cautelares contra Bolsonaro, ele afirma que a posição do ministro levanta questionamentos sobre a consistência dos argumentos apresentados.

“É difícil compreender um dissenso baseado em alegações genéricas, que poderiam se aplicar a praticamente qualquer outro processo”, completa.

Hugo Henud/EstadãoPolitica Livre

Maioria dos brasileiros não acredita que Trump conseguirá reverter inelegibilidade de Bolsonaro

 Foto: Antônio Cruz/Arquivo/Agência Brasil

O ex-presidente Jair Bolsonaro28 de julho de 2025 | 06:53

Maioria dos brasileiros não acredita que Trump conseguirá reverter inelegibilidade de Bolsonaro

brasil

A maioria dos brasileiros não acredita que Donald Trump será capaz de reverter a inelegibilidade de Jair Bolsonaro (PL) no Brasil.

De acordo com pesquisa Genial/Quaest feita entre 10 e 13 de julho, 59% dos 2004 entrevistados afirmaram que não acreditam nessa possibilidade. Outros 31% disseram que sim, ela pode acontecer.

Até mesmo entre eleitores de Jair Bolsonaro a descrença é grande: 45% acham que ele seguirá fora da cédula eleitoral mesmo com a tentativa de interferência do norte-americano.

Entre eleitores de Lula (PT), 69% acham que Trump não tem o poder de reverter a situação eleitoral do ex-presidente.

No dia 9 de julho, Trump enviou carta a Lula ameaçando sobretaxar em 50% produtos brasileiros que são vendidos nos EUA.

Já nos primeiros parágrafos ele afirmava que Bolsonaro sofre perseguição no país e que essa era uma das razões para as medidas.

Na sequência, ele deu declarações à imprensa dizendo que Bolsonaro sofria caça às bruxas e enviou carta ao ex-mandatário afirmando que o processo contra ele no Supremo Tribunal Federal (STF) deveria para “imediatamente”.

Mônica Bergamo/Folhapress

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