sábado, abril 19, 2025

Reduzir penas é preciso, mas a anistia deve ser considerada um descalabro


Gilmar Fraga / Agência RBSMarcos Augusto Gonçalves
Folha

Há um esforço de setores da ultradireita para fazer a sociedade brasileira engolir um projeto de lei que promova a anistia de envolvidos no ataque à democracia de 8 de janeiro e, por extensão, arrume um jeito — o verdadeiro objetivo — de permitir que Jair Bolsonaro concorra à eleição de 2026.

Entre cenas explícitas de desfaçatez e banditismo parlamentar, o PL, sigla do capitão, arregimenta apoios para abrir a porteira e deixar a boiada passar.

MULHER DO BATOM – Toda a mistificação em torno da cabeleireira Débora Rodrigues, acusada de cinco crimes, presa preventivamente e ora em julgamento pelo STF, tem servido para maquiar a agressão golpista do 8/1. Teria sido um convescote de idosos desocupados e moças a fazer inocentes pichações em estátuas, usando um batom.

A direita tem dado demonstrações de notável capacidade de criar factoides e embrulhar mentiras em celofane de bombons para amplo consumo em redes digitais. A esquerda ainda parece estar distribuindo panfletos, como nos tempos do “agitprop” do século passado.

Entre as movimentações dos dois lados do espectro, os brasileiros, de acordo com a mais recente pesquisa Datafolha, não veem na anistia a meliantes antidemocráticos e no perdão a Bolsonaro uma pauta prioritária. São 56% os que se declaram contrários.

RIGOR DEMASIADO – Há, no entanto, hesitações quanto às penas determinadas pelo STF. Esse é um aspecto relevante a considerar. As divergências jurídicas sobre a cumulação dos crimes de tentativa de abolição violenta do Estado democrático de Direito e de golpe de Estado foram objeto de discussão no próprio tribunal.

Terminou por vencer a índole justiceira do superministro Alexandre de Moraes. A favor do Supremo, foi oferecida e concedida medida alternativa a centenas de indiciados.

Entretanto, ficou no ar uma sensação de sentenças exageradas que, embora não endossada na pesquisa pela maioria, dá margem a proselitismo e toca parte influente da opinião pública. Não vou me furtar a opinar, sem reivindicar razão ou sapiência jurídica: compartilho dessa impressão, as penas desde o início me pareceram fora da curva.

TARIFAÇO PENAL – O fato é que este suposto e controverso tarifaço penal virou possível moeda de troca, como aventou a ministra Gleisi Hoffmann, que, diga-se, deixou claro tratar-se de tema passível de discussão, mas da alçada do STF.

Que o Judiciário faça política é um segredo de polichinelo: não é que dá a impressão aqui e ali ou pareça que faz. Faz. Em muitos casos de forma oportuna, ainda que em outros oportunista.

O quadro de pressões congressuais da direita reacionária vai se tornando difícil para o governo Lula administrar, em seu déficit de popularidade e de hegemonia parlamentar.

MONSTRENGO DA ANISTIA – Não é, em nenhum aspecto, aceitável que a proposta prospere e esse monstrengo da anistia venha a ser aprovado. Seria um retrocesso em tudo nocivo à democracia e uma desmoralização nacional.

O Congresso empoderado dos últimos tempos está se transformando ou já se transformou numa disfunção política que atinge o gangsterismo deslavado.

O novo presidente da Câmara, Hugo Motta, está sendo chantageado à luz do dia para pautar um salvo-contudo para golpistas. É preciso que as forças democráticas demonstrem inteligência, articulação e resiliência para barrar esse descalabro.

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Colunistas, Cultura, Geral O CÁRCERE DO IMAGINÁRIO – por Wander Lourenço

 

Tribuna da Imprensa Livre

O CÁRCERE DO IMAGINÁRIO – por Wander Lourenço
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O CÁRCERE DO IMAGINÁRIO – por Wander Lourenço

Por Wander Lourenço –

Por sua incontestável importância histórica, porém, não especificamente literária, faz-se justa a menção ao gramático da língua tupi-guarani, poeta e teatrólogo de origem castelhana, José de Anchieta (1534 – 1597) que, por solicitação de seu superior hierárquico na Companhia de Jesus, o circunspecto pe. Manuel da Nóbrega, por ter inaugurado a dramaturgia luso-brasileira com o auto Na festa de São Lourenço (1587), encenado muito possivelmente no pátio ou quiçá no altar-mor da Capela de São Lourenço dos Índios, em Niterói. Mui longe de ser um Gil Vicente de batina e crucifixo, o teatrólogo tardio Anchieta fora um estrategista de refinada retórica que, decerto, se inspirou no comediógrafo responsável pela composição do Auto da Barca do Inferno (1516), para estabelecer o padrão do discurso dicotômico detectado em sua produção cênica de cunho intimidador e moralizante, por designação da Coroa Real de Portugal à Madre Igreja Católica e Apostólica Romana.

Como o principal objetivo das representações teatrais do século XVI era que se amainassem as vicissitudes dos silvícolas ameríndios que, inclusive, já contaminavam os padrões sociais de missionários, degredados e aventureiros aptos a “fazer a América”, com a indústria corroída pelas ‘cordialidades obscenas’ das dóceis anfitriãs indígenas que, na ausência de sentido da culpa judaico-cristã, substituíam com total liberalidade as mulheres brancas impossibilitadas da travessia atlântica. Destarte, para se ter ideia da urgência da necessidade de se estancar os maus hábitos e costumes destes sítios d’além-mar, vide abaixo o fragmento da Carta de Manoel da Nóbrega a El-Rey de Portugal, D. João III, reivindicando o envio de órfãs e meretrizes que combatessem a permissibilidade das amásias da terra, para a formação do núcleo familiar em prol da moralidade apregoada pelo Cristianismo:
“Nesta terra há um grande pecado, que é terem os homens quais todos suas negras da terra (indígenas) por mancebas (…), segundo o costume da terra, que é terem muitas mulheres.

 

E estas deixam-nas quando lhes apraz, o que é grande escândalo para a nova Igreja que o Senhor quer fundar. (…) Parece-me cousa mui conveniente mandar Sua Alteza algumas mulheres que lá têm pouco remédio de casamento a estas partes, ainda que fossem erradas, porque casarão todas mui bem, com tanto que não sejam tais que de todo tenham perdido a vergonha a Deus e ao mundo (…) De maneira que logo as mulheres terão remédio de vida, e estes homens remediariam suas almas, e facilmente se povoaria a terra (Nóbrega, 2007).

Neste contexto de devassidão aos olhos da Madre Igreja recém-fundada por estes trópicos, o apostólico Anchieta tomou as rédeas do discurso de persuasão civilizatória, a partir das adaptações cênicas das biografias exemplares dos heróis canonizados; leia-se, santos católicos, de modo que se coibissem as práticas antropofágicas, o consumo exacerbado do caiu e a permissividade da poligamia. De fato, estas tradições culturais dos aborígenes americanos apavoravam os jesuítas que cumpriam o voto de castidade imposto pela instituição religiosa; e, destarte, o ilustrado José de Anchieta dedicou-se a escrever os seus registros dramáticos com extrema habilidade, em diálogo com a realidade autóctone deste Paraíso Terreal, no dizer do Frei Rocha Pita. Portanto, tal empreitada dramatúrgica fora exercida com a função pedagógica de doutrinamento social, por intermédio do sequestro do imaginário da assistência do espetáculo teatral. Por este mecanismo de apropriação indébita do discernimento e da consciência do questionamento pelas artes da representação, o teatro jesuítico fora concebido como meio prático da ação de captura do imaginário destas almas perdidas (ameríndios, degredados e aventureiros), através do proselitismo dos ensinamentos cristãos vigentes, sem qualquer vestígio de preocupação artística ou valorização estética.

Não obstante, ao contrário da catarse propositada pela tragédia grega assinada por Ésquilo, Sófocles e Eurípides, o teatro luso-brasileiro do período do Brasil Colônia surge-nos com a finalidade de ascendência e hierarquização de uma etnia detentora da religiosidade e da pólvora (branco europeu colonizador mercantilista), sobre uma ‘sub-raça’ considerada inferior por ser desprovida das homílias, códigos e prédicas do Cristianismo (selvagem íncola subjugado pela aculturação forjada pela fé cristã). Diga-se de passagem, a missão do teatrólogo Anchieta fora cumprida à risca com extraordinária disciplina e eficácia, de vez que obteve o êxito mais significativo do que os instrumentos de opressão dos castigos físicos, provindos das correntes de ferro e do vergalho em pelourinho público. Neste sentido, observar-se-á que, não coincidentemente, estas ferramentas de suplício e tortura eram instalações obrigatórias ao lado das ermidas católicas na fundação de povoados vilarejos e arrabaldes, batizados com a nomenclatura extraída santos cristãos, não logravam o mesmo resultado que o efeito da escritura e montagem dos denominados autos, que são peças de pouca duração com linguagem simples e direta, oriundas do período medieval e compostas em versos que buscam a doutrinação da assistência (plateia) através de símbolos e alegorias. Pano. Fim do Ato I.

Na atualidade, sem guardarmos as devidas proporções, os opressores hodiernos se utilizam das mesmas práticas de dominação utilizadas por colonizadores e jesuítas, hoje substituídos por doutrinadores adaptados ao período contemporâneo; leia-se, padrões norte-americanos e pastores evangélicos. Isto porque a Nova Ordem Mundial implícita e coeva se predispõe de instrumentos mais abrangentes de apropriação e aprisionamento do imaginário coletivo do que o Teatro de Anchieta que, subjugado pelos veículos de comunicação (rádio, televisão, cinema, streaming etc.), passou a significar, como originalmente, sinônimo de liberdade e reflexão, sobretudo a partir da instauração do fatídico período da ditadura cívico-militar de 1964, que completa 61 anos neste Primeiro de abril, em que escrevo este artigo singelo e franco.

Brasília, 1964 – Tanque diante do Palácio do Planalto e do Congresso Nacional, durante o Golpe Militar. (Reprodução)

Todo este preâmbulo para dizer aos/às Leitores(as) que as mesmas práticas de captura da consciência humana usadas pelos adestradores dos séculos coloniais são reproduzidas por líderes políticos e religiosos, habilitados ao rapto da inteligência crítica da sociedade, independendo-se de classe social. Neste contexto, a elite brasileira aculturada e rica se prevalece do direito de defesa ao patrimônio provindo da herança ancestral da mão de obra da escravatura e tráfico negreiro; ou contemporaneamente, óbvio que em menor escala econômica, da força do trabalho, como se constata no caso dos emergentes que migraram para a classe média reivindicadora da manutenção do status quo adquirido a duras penas.

Por fim, diante deste cenário de predomínio e castração do discernimento através da imposição das técnicas opressivas de dominação, dá-se o encarceramento do imaginário explicitado no título do artigo em voga. Em poucas palavras, pode-se resumir o sequestro psíquico do ideário desta Terra dos Papagaios (Alô, Zé Carioca!…) que se impõe drasticamente, a partir da desvalorização das prédicas antropofágicas no sentido oswaldiano, da cultura brasileira de um modo geral e o esvaziamento do papel da universidade pública, por exemplo. Assim sendo, enquanto o povo serviçal prosseguir assimilando o discurso pujante das elites castradoras, que orquestram o adestramento da nação, tudo estará no seu devido lugar graças a Deus, Pátria e Família. Porém, este tríptico forjado pelo aprisionamento do intelecto começará a ruir ladeira abaixo, quando cultivarmos o imaginário coletivo deste país, com a valorização do discernimento e da inteligência crítica, através do fortalecimento das raízes pátrias. Desta feita, as elites centenárias e os cardeais católicos e luteranos desta República Federativa do Brasil irão assistir de camarote ao espetáculo do protagonismo do povo brasileiro, ilustrado e imbatível em seu ideário de luta e sublimação.

Aleluia, irmão. Amém.

WANDER LOURENÇO é professor, cineasta, poeta, letrista e escritor. PhD em Literatura Comparada pela Universidade Clássica de Lisboa; pela PUC-GO; e pela UFMG. Doutor, mestre e especialista em Literatura Brasileira pela Universidade Federal Fluminense. Produtor e diretor do documentários “Carlos Nejar, o Dom Quixote dos Pampas (2015); “Nélida Piñon, a Dama de Pétalas” (2017); e o “Cravo e a lapela: biografia de Ricardo Cravo Albin” (2021). Livros recentes: Escrevinhaturas – Poesia / Editora Elefante-SP (2022); e A República do Cruzeiro do Sul – Romance histórico / Editora Almedina (2023).

Glauber Braga e greve de fome

 

Glauber Braga e greve de fome

O espelho no qual nos vemos nem sempre reflete o que somos. A formação social brasileira decorreu da usurpação das terras dos povos originários, a pilhagem das suas riquezas e a eliminação daqueles que se opunham à sanha predatória. Gilberto Freire, autor que os que não o leram tentam cancelar, nos indica que a religião foi um fator de unidade nacional. No momento da colonização do Brasil, na Europa ardiam as fogueiras onde eram colocadas mulheres consideradas bruxas e homens chamados de hereges. A eliminação dos indesejáveis foi exportada para o Novo Mundo. Utilizando-se das brigas religiosas na África, os colonizadores declararam os vencidos adquiridos como se mercadoria fossem e os trataram como corpos sem alma, não sujeitos à cristianização.

Desde o século VII, o processo de islamização da África vinha promovendo a transformação de seres humanos em mercadorias. Os animistas, escravizados pelos africanos convertidos ao islamismo, eram, desde aquele século, castrados no Egito e vendidos para o Oriente Médio. Não se tem na história registro de que pessoas tenham sido transformadas em mercadoria, embora a história do mundo do trabalho, até o surgimento do capitalismo, seja de trabalho forçado. O Sudão do Sul, mais novo país do mundo, criado em 2010, é parte desta história. Darfur, à leste do Sudão, foi a região de onde saíram as primeiras pessoas convertidas em mercadoria e até hoje seu povo vive sob a ameaça de genocídio.

A eliminação do outro, física ou moralmente, é componente da formação social brasileira. O feminicídio, o assassinato de homossexuais, a violência contra os pobres e pretos e a constante ameaça à vida dos povos indígenas no Brasil é expressão desta concepção. Mas nos consideramos um povo amavelmente cordial e receptivo, esquecendo os horrores da escravidão e outras formas de opressão e violência difundidas e naturalizadas entre nós.

Quem resiste à violência é tratado como incivilizado. Dos oprimidos deseja-se que tolerem com paciência a violência lhes dirigida. O poeta escreveu que dizem violentas as águas do rio que tudo arrasta, mas não dizem violentas as margens que o oprime. A violência que permeia o nosso dia a dia visa à apropriação de bens e à eliminação de quem contraria interesses espúrios. Não temos registro, no Brasil, de revoltas das oligarquias pelas liberdades. Todas as “revoluções brasileiras” foram motivadas pela recusa de pagamento de impostos. Apenas as revoltas populares lutaram por liberdade, mas foram esmagadas pelo poder. Palmares, Canudos, Revolta da Chibata e Contestado são exemplos de levantes populares esmagados pelas oligarquias econômicas, políticas e militares. Nossa história é uma história construída com sangue popular.

Quem anda caminho do cadafalso é o jovem deputado Glauber Braga. E quem o ameaça é a própria instituição para a qual foi eleito pelo voto popular, a Câmara dos Deputados. Seus colegas se dispõem jogar o desafeto ao mar, mesmo que isto implique a própria credibilidade da instituição parlamentar. Glauber Braga cometeu a imprudência de denunciar as emendas secretas ao orçamento da União, cuja prática - ofensiva à moralidade pública -, foi explicitada na CPI dos Anões. Por meio de emendas parlamentares, agora secretas, bilhões do orçamento podem ser desviados para as oligarquias locais e gastos com destinatários determinados, ao arrepio do interesse dos cidadãos. Por vezes verbas públicas podem ser direcionadas para enriquecimento de dirigentes de entidades ‘pilantrópicas’.

Os rumos que o processo de cassação segue, embora adiado, indica a eliminação do seu mandato e sua inelegibilidade. A acusação é de que teria violado o decoro parlamentar e chutado a bunda de um provocador que ofendia sua mãe, que se encontrava no leito de morte. Se inexistisse este fundamento poderia ser acusado de não ter se barbeado para comparecer ao Plenário. Os desejosos de sua cassação acolheriam como grave esta ou qualquer outra acusação.

A lógica dos julgamentos das minorias ou de indivíduos pela maioria contrariada e enfurecida é a mesma lógica do linchamento, pois não respeita os direitos fundamentais da pessoa humana, esculpidos na Constituição como garantia contra mesquinhos e momentâneos sentimentos persecutórios. Tanto Sócrates quanto Cristo foram julgados por coléricas maiorias circunstanciais. Isto haveria de nos ter ensinado alguma coisa.

A desproporcionalidade da pena com a qual se ameaça Glauber Braga haverá, se imposta, de ser revista pelo judiciário. Jamais houve cassação de parlamentar por atos de violência no âmbito do Congresso Nacional, nem mesmo quando se tratou de violência ilegítima. Nem o assassinato de um senador no plenário do Senado Federal, por outro senador, implicou na cassação do homicida. Um oleiro disse ao poderoso Imperador Frederico Guilherme da Prússia, que lhe ameaçava subtrair um bem: “Ainda há juízes em Berlim!”. Sem justiça as sociedades afundam na vilania. E hoje podemos dizer que ainda há juízes no STF.

Diferentemente do que os seus acusadores esperavam, o deputado Glauber Braga não se silenciou, tal como Cristo fez perante Pilatos, nem suplicou por clemência ante tortura a lhe ser infringida. Ao contrário, iniciou uma greve de fome e denunciou os horrores de um processo injusto, porque afastado dos princípios que regem uma sociedade democrática, republicana e norteada pelo Estado de Direito. O Deputado Glauber Braga defendeu a honra de sua mãe e quem tem mãe sabe honrá-la. Fez greve de fome contra a ilegalidade e, abraçado pela sociedade, a interrompeu. Esperamos que não haja motivo para sua retomada e que a Câmara dos Deputados e o Brasil tome novos rumos. Ninguém há de viver com a espada de Dâmocles sobre suas cabeças.


Publicado originariamente no jornal O DIA, em 19/08/2025, pag. 12. Link: https://odia.ig.com.br/opiniao/2025/04/7041465-joao-batista-damasceno-glauber-braga-e-greve-de-fome.html

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Cordel pra João Calixto Montalvão – No seu aniversário de 14 anos



💌 Cartão de Aniversário para João Calixto Montalvão 💌🎉

João Calixto Montalvão,
14 anos de luz!

🌾 Cordel de Amor e Orgulho 🌾

No sertão da bela Palmeira,
Terra do Graciliano,
Nasceu João Calixto, um dia,
Brilhando como um cigano.
Traz no nome a nobre herança
E no peito a esperança
De um futuro soberano.

Filho amado e tão querido,
De Montalvão é raiz,
Hoje completa catorze
Com alma leve e feliz.
Sua vida é poesia,
Paz, amor e alegria,
Com Deus sendo o seu juiz.

Herdou do avô o saber,
A paixão pelo saber bem,
O futebol corre em suas veias,
Como um canto que convém.
E no campo ou na escola,
Ele joga, brilha e rola,
Sempre fazendo o que tem.

Tem o brilho do sertão,
Do céu limpo e estrelado,
Com o coração sereno
E o olhar sempre encantado.
É menino de respeito,
Com fé forte no seu peito,
Por Deus sempre abençoado.

João Calixto, parabéns!
Teu caminho é de luz pura.
Com teus passos tão firmados
Na verdade e na ternura.
Teu destino está traçado,
Com amor sendo o legado
Dessa linda criatura.


🎂 Feliz Aniversário, João!
💙 Com amor, paz e muito orgulho do teu caminhar.
🖋️ Assinado com carinho por quem muito te ama.

A Verdade da Páscoa e a Liberdade de Expressão

 



Para nós, crentes, a Páscoa transcende a futilidade dos ovos de chocolate e a profanação mercantil que busca obscurecer seu significado sacrossanto. A Páscoa é a exaltação da vida eterna, da redenção imaculada e da verdade inabalável. Ela personifica Jesus Cristo, o Agnus Dei que se imolou em sacrifício por nossa salvação. Como atesta a epístola aos Coríntios (I Coríntios 5:8):

“Portanto, celebremos a solenidade, não com o fermento vetusto, nem com o fermento da malícia e da perversidade, mas com os pães ázimos da pureza e da verdade.”

A Páscoa, destarte, clama por uma introspecção profunda acerca de nossa essência, dos princípios que defendemos e da conduta que adotamos ante a verdade e a justiça. Imbuído deste espírito de probidade e veracidade, aproveito o instante para suscitar algumas indagações – pois o questionamento jamais profana.

Recentemente, um oficial forense de Jeremoabo ousou, fundado em suas elucubrações pessoais, asseverar que o BlogDeDeMontalvao o alcunhou de "índole nefasta". Ora, o referido blog não nominou indivíduos, apenas ecoou uma assertiva proferida por outrem no plural. Porventura não seria o próprio indivíduo quem, ao arrogar para si o que não lhe foi diretamente endereçado, incorre em flagrante calúnia contra o blog? Não seria tal atitude um patente abuso da interpretação subjetiva, urdido para intimidar e sufocar a liberdade de expressão?

Outra questão premente: se o tribunal derradeiro é o juízo popular, poderá tal servidor – notório a todos – que perpetra atos que ultrajam a moralidade administrativa e a ética republicana, ser considerado um "santo varão"? Seria ele plenamente responsável por seus atos, ou habita numa redoma de impunidade, escudado por laços e conveniências obscuras?

Exaltemos a liberdade de expressão!

Execremos, sem temor, a perseguição e a impunidade!

A genuína justiça não se edifica sobre o silenciamento ou a intimidação, mas sobre a coragem, a transparência e a verdade – a exemplo do Cristo, que não se quedou ante o poder injusto e nos legou o caminho da luz, em detrimento das trevas.

Nesta Páscoa, que a fortaleza da cruz inspire em cada um de nós a defesa intransigente da justiça, da liberdade e da dignidade humana.




Trump recicla a própria ignorância e deve perder seu quintal para Pequim


Balão com a imagem do presidente dos EUA, Donald Trump, durante protesto contra o governo em Los Angeles

Trump virou boneco numa manifestação em Los Angeles

Elio Gaspari
O Globo

Não se pode exigir que os presidentes dos Estados Unidos conheçam a América do Sul. Franklin D. Roosevelt (1933-1945) chamou Getúlio Vargas de general, e George W. Bush (2001-2009) perguntou a Fernando Henrique Cardoso se havia negros no Brasil. A ignorância pontual é uma condição do gênero humano. Afinal, ninguém é obrigado a saber tudo, mas o problema se agrava quando o sujeito recicla a própria ignorância e acredita ter conseguido sabedoria. Esse é o caso de Donald Trump e de sua turma.

O secretário de Defesa, Pete Hegseth, disse que “o governo Obama (…) permitiu que a China se infiltrasse em toda a América do Sul e Central com sua influência econômica e cultural”, e acrescentou: — Estamos retomando o nosso quintal.

O doutor falava do Canal do Panamá, onde empresas chinesas se estabeleceram no vácuo deixado pelos interesses comerciais dos Estados Unidos.

ESTILO CHINÊS – A China investe em matérias-primas e na infraestrutura na Ásia, África e América Latina de acordo com seus interesses. Não há um só caso de iniciativa chinesa contra a vontade de um país. (O Canal do Panamá foi arrancado da Colômbia no início do século XX.)

A miopia de Trump e sua turma está em querer fazer uma política a um só tempo isolacionista e expansionista, avançando sobre o Panamá, a Groenlândia, o Canadá e “retomando o nosso quintal”. Querem curar ressaca tomando mais um gole.

Deixando de lado considerações genéricas, pode-se ir ao mundo dos fatos. Enquanto os Estados Unidos estrangulam centros de estudo como o Wilson Center, de Washington, a Comunidade de Estados Latino-Americanos e Caribenhos (Celac) se reunirá em maio. Onde? Pequim.

CARA DE GAROTO – O Império do Meio é paciente, metódico e discreto. Em 1996, enquanto Donald Trump cuidava de imóveis a cassinos, a China mandou uma missão comercial a Fortaleza. Nela, mais magro e com cara de garoto, estava o vice-governador da Província de Fujian, Xi Jinping. Voltou em 2014, para uma reunião do Brics. Xi já esteve com três presidentes brasileiros e voltará a se encontrar com Lula no evento da Celac.

O governo americano teve, mas não tem mais, uma diplomacia atuante na América Latina. Roosevelt achou que Getúlio Vargas era um general, mas mandou Adolf Berle, um de seus principais assessores, para a embaixada no Rio.

Hoje, os laços culturais dos Estados Unidos com seu “quintal” continuam fortes, mas o trumpismo hostiliza estudantes estrangeiros e avacalha suas universidades. Tudo bem. Foi-se o tempo em que Ralph Della Cava corria pelo Ceará estudando a vida do Padre Cícero e Alfred Stepan estava no Rio pesquisando a política dos militares.

TUDO MUDOU – Veio o novo tempo, com a intimidação das universidades americanas e o objetivo de silenciar um pensamento radical. Vá lá, mas o problema está em outro lugar.

O agronegócio brasileiro deve parte de sua prosperidade às vendas que faz para a China (perto de US$ 50 bilhões em 2024).

Quando Della Cava e Stepan eram jovens pesquisadores, um dos grandes frigoríficos que operavam no Brasil era o Armour, com o nome do magnata que ajudou a revolucionar a indústria de alimentos dos Estados Unidos no século XIX, para onde Trump quer levar seu país e, junto, o “quintal”.


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