sábado, fevereiro 22, 2025

CNJ afasta magistrados do Amazonas por prejuízo de R$ 150 milhões à Eletrobras

 

CNJ afasta magistrados do Amazonas por prejuízo de R$ 150 milhões à Eletrobras

Por Adrisa De Góes*

21 de fevereiro de 2025
Da esquerda para direita: o desembargador do Amazonas Elci Simões; o corregedor nacional de Justiça, Mauro Campbell; e o juiz de Direito Jean Pimentel (Composição de Paulo Dutra/CENARIUM)
Da esquerda para direita: o desembargador do Amazonas Elci Simões; o corregedor nacional de Justiça, Mauro Campbell; e o juiz de Direito Jean Pimentel (Composição de Paulo Dutra/CENARIUM)

MANAUS (AM) – O corregedor nacional de Justiça, Mauro Campbell, determinou o afastamento de dois magistrados do Amazonas envolvidos em decisões judiciais que resultaram em um prejuízo temporário de aproximadamente R$ 150 milhões à Eletrobras. O valor, pago a um credor nascido em 1985 por títulos de crédito da década de 1970, foi posteriormente devolvido por decisão do Superior Tribunal de Justiça (STJ). A companhia alega ter sido vítima de fraude. As informações foram publicadas pela coluna de Lauro Jardim, em O Globo, nessa sexta-feira, 21.

Foram afastados o juiz Jean Pimentel, responsável pela ordem de pagamento, e o desembargador Elci de Oliveira, que inicialmente suspendeu a quitação, mas depois permitiu sua realização. Além da suspensão, os gabinetes dos magistrados no Tribunal de Justiça do Amazonas (TJAM) foram lacrados, assim como seus dispositivos eletrônicos funcionais, incluindo notebooks, celulares e tablets.

Os materiais apreendidos serão periciados por uma equipe do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), com apoio da Polícia Federal (PF). A investigação tem foco na Vara Única de Presidente Figueiredo, onde Pimentel atua como juiz titular. Equipamentos de servidores dessa unidade também serão analisados.

Sede do TJAM em Manaus (Arquivo/TJAM)

Campbell ordenou, ainda, a suspensão do acesso dos magistrados e servidores ao sistema do Judiciário. Ele classificou o caso como “estarrecedor” e destacou a rapidez do trâmite processual que levou à liberação do montante milionário. Para o corregedor, os juízes não adotaram a cautela necessária na análise da validade dos títulos e da legitimidade do beneficiário.

O destinatário do pagamento, Bruno Thomé, ingressou com a ação em 2021, representado por um escritório do Amazonas. Próximo ao desfecho do caso, outras quatro bancas de advocacia aderiram ao processo, mas se retiraram após o STJ determinar a devolução do valor. Thomé alega que a Eletrobras perdeu prazos para contestar e não questionou a autenticidade dos títulos, que seriam legítimos, segundo ele.

Contudo, Campbell levantou dúvidas sobre a escolha de Presidente Figueiredo para a tramitação do caso, uma vez que outras partes do processo estão sediadas em Manaus. O corregedor apontou inconsistências nas explicações apresentadas por Pimentel, que afirmou ter cumprido seu “dever jurídico” ao autorizar o pagamento, mas revogou a própria decisão antes da intervenção do STJ.

Para o corregedor nacional de Justiça, a revogação indica que a decisão inicial foi “teratológica” e que, considerando a complexidade do caso e os valores envolvidos, deveria ter sido mais rigorosamente analisada. O corregedor destacou a velocidade incomum do trâmite processual: quando o desembargador Oliveira permitiu a retomada do caso na primeira instância, os advogados de Thomé solicitaram o pagamento, que foi autorizado por Pimentel em menos de uma hora.

A conduta do juiz foi classificada como “temerária”, enquanto a do desembargador, “sem qualquer precaução”. Oliveira não respondeu aos questionamentos do CNJ e está próximo da aposentadoria. Ambos têm um prazo de cinco dias para apresentar suas defesas.

CENARIUM solicitou um posicionamento do TJAM, que informou e que “trata-se de uma decisão da Corregedoria Nacional de Justiça e o Tribunal de Justiça do Amazonas dará o devido cumprimento, observando todas as determinações estabelecidas”. A Eletrobras também foi procurada pela reportagem, mas não respondeu aos questionamentos até a publicação da matéria. O espaço segue aberto.

Leia mais: Lula nomeia amazonense Mauro Campbell como corregedor nacional de Justiça
(*) Com informações de O Globo
https://revistacenarium.com.br/cnj-afasta-magistrados-do-amazonas-por-prejuizo-de-r-150-milhoes-a-eletrobras/
Nota da redação deste Blog -  CNJ Afasta Magistrados do Amazonas por Prejuízo de R$ 150 Milhões à Eletrobras

O Conselho Nacional de Justiça (CNJ) determinou o afastamento de dois magistrados do Amazonas por envolvimento em decisões que causaram um prejuízo temporário de aproximadamente R$ 150 milhões à Eletrobras. A decisão foi tomada pelo corregedor nacional de Justiça, Mauro Campbell, em resposta a indícios de irregularidades no pagamento de um credor nascido em 1985, referente a títulos de crédito da década de 1970. O montante foi posteriormente devolvido por determinação do Superior Tribunal de Justiça (STJ), e a companhia alega ter sido vítima de fraude. A informação foi divulgada pela coluna de Lauro Jardim, no jornal O Globo, na sexta-feira, 21.

Os magistrados afastados são o juiz Jean Pimentel, que autorizou o pagamento, e o desembargador Elci de Oliveira, que inicialmente suspendeu a quitação, mas posteriormente permitiu que fosse realizada. Além do afastamento, os gabinetes dos magistrados no Tribunal de Justiça do Amazonas (TJAM) foram lacrados, e todos os dispositivos eletrônicos funcionais, como notebooks, celulares e tablets, foram apreendidos para investigação.

A decisão do CNJ reforça a preocupação crescente com casos de improbidade dentro do Poder Judiciário, que até pouco tempo eram mais frequentemente associados ao Executivo e ao Legislativo. Hoje, é raro um dia sem notícias de magistrados sendo investigados ou afastados por condutas irregulares. A situação levanta questionamentos sobre a integridade e a transparência dentro do Judiciário, um órgão que deveria zelar pela justiça e pela legalidade das decisões.

O caso envolvendo a Eletrobras demonstra como decisões judiciais podem impactar significativamente empresas, governos e a economia em geral. A fiscalização sobre a atuação dos magistrados torna-se essencial para garantir que o sistema judiciário permaneça um pilar de confiança na sociedade brasileira. Como diria o ex-senador Francelino Pereira: "Que país é esse?"




'De vez em quando a gente erra' em escolha de ministros, diz Lula

 

'De vez em quando a gente erra' em escolha de ministros, diz Lula

Por Catarina Scortecci e Nicola Pamplona | Folhapress

'De vez em quando a gente erra' em escolha de ministros, diz Lula
Foto: Fábio Rodrigues Pozzebom / EBC

Perto de anunciar uma reforma ministerial, o presidente Lula (PT) afirmou que "de vez em quando a gente erra" ao escolher ministros.
 

"De vez em quando a gente erra, mas na maioria das vezes a gente acerta, quando a gente escolhe um ministro de qualidade", disse o presidente, sem citar nomes.
 

O presidente prepara uma mudança na Esplanada e, como revelou a Folha, já decidiu demitir a ministra da Saúde, Nísia Trindade.
 

A declaração foi dada em evento em Itaguaí (RJ), em meio a elogios ao ministro de Portos e Aeroportos, Silvio Costa Filho, que o petista disse que "tem dado um show".
 

"É um menino, um pernambucano, que não tem preconceito, que não tem discórdia com ninguém, e é um companheiro que só trabalha para fazer as coisas acontecerem", afirmou.
 

"Eu já era amigo do pai do Silvinho, e agora eu sou amigo do pai do filho, e logo, logo, talvez eu seja amigo do neto dele, do filho dele, porque eu quero viver 120 anos. É importante vocês saberem que eu tenho uma conversa todo dia com Deus. Eu não quero ir para o céu. Eu quero ficar aqui na terra porque tem muita coisa para a gente fazer", afirmou Lula.
 

O presidente afirmou também que seus exames de saúde indicaram que ele está bem e que, aos 79 anos, se sente melhor do que aos 50.
 

"Se alguém pensava, como o aloprado, que fez um plano para me matar, que eu ia parar de fazer política por causa da cabeça, eu quero dizer: se prepare que o Lulinha está melhor ao 79 do que quando ele tinha 50. E vou trabalhar para este país crescer", disse ele, em discurso no Rio de Janeiro.
 

Para a plateia, Lula afirmou que estava alegre, entre outros motivos, por causa do resultado dos exames realizados nesta quinta-feira (20).
 

"Em setembro, eu estava cortando a minha unha sentado e caí e bati a cabeça. E foi uma batida muito forte. Eu sinceramente pensei que tinha chegado a minha hora", iniciou Lula. "Passou dois meses. Quando pensei que estava bom, voltei ao médico para fazer uma tomografia, e aí tinha piorado. Fui para São Paulo, fiz uma cirurgia para tirar o excesso de líquido, e muita gente pensou que eu ia morrer", continuou.
 

"Como sou amigo de Deus, falei: ‘Deus, ó, ainda não é minha hora, eu quero viver mais uns 40 anos. Deixa eu aqui, eu vou lhe ajudar, eu não sou do mal, eu sou do bem, só gosto de fazer coisa boa, sou seu representante aqui, vai por mim’. E eu estou aqui. Ontem fui fazer um check-up, cinco horas e meia dentro de um hospital. Fiz tudo que um ser humano tem que fazer", disse.
 

Segundo o presidente, os exames terminaram por volta das 23h30 e os médicos disseram que ele estava "com saúde de 30 e com vontade política de 20".
 

"A partir de agora, quem quiser disputar comigo, tem que ir para rua. Tem que me enfrentar na rua, na porta de fábrica, na porta do estaleiro, na porta da Petrobras, na porta do Banco do Brasil, na rua conversando com o povo. Porque é para isso que eu fui eleito, para melhorar a vida do povo brasileiro", discursou Lula.
 

Na semana passada, durante uma entrevista, o presidente havia ponderado sobre sua idade e saúde em uma possível candidatura à reeleição em 2026. Ele afirmou que não podia mentir para si, "nem para ninguém" ao tratar do tema.
 

"2025 é meu ano. Agora, se eu vou ser candidato ou não… Eu tenho 79 anos, não posso mentir para ninguém nem para mim. Se eu tiver 100% de saúde, como estou hoje…", disse o petista.
 

Na ocasião, ele comentou os recentes problemas de saúde e afirmou que, se "tiver legal", pode ser candidato, mas que essa não é uma prioridade neste momento.
 

No evento desta sexta, Lula fez outra menção a Bolsonaro, sem citar diretamente o nome do ex-mandatário. Ao falar da construção de creches, o presidente disse que voltou ao Planalto para "reconstruir coisas que a Dilma [Rousseff] tinha começado e que os golpistas, e depois aquela loucura que governou o país, não ligaram".
 

"Porque o governo passado só sabia mentir, ele e a família dele. Mentiam, mentiam, mentiam. E eles eram tão aloprados que carregam nas costas pelo menos metade das 700 mil pessoas que morreram de Covid", disse Lula sobre as falas do ex-presidente em relação à imunização contra a doença. "O mundo inteiro provou que a vacina é a garantia que a gente vai salvar a humanidade de doenças", continuou.
 

Bolsonaro, que está inelegível, foi denunciado nesta terça-feira (18) pelo procurador-geral da República, Paulo Gonet, sob acusação de liderar uma tentativa de golpe de Estado para impedir a posse de Lula em 2022.
 

Lula participou nesta sexta de cerimônia no Porto de Itaguaí, na região metropolitana do Rio de Janeiro, sede de um futuro terminal de minério de ferro concedido pelo governo em dezembro, no maior leilão de concessão portuária da história.
 

O projeto tem previsão de investimento de R$ 3,580 bilhões. Foi concedido à Cedro Participações S.A, por R$ 1 milhão de bônus de outorga. O contrato de concessão tem 35 anos. As obras do terminal serão iniciadas em 2027 e o início de operação está previsto para 2029.
 

Nesta sexta, Lula também se dividiu entre elogios e críticas a empresários. Disse que o empresário Lucas Kallas, presidente do conselho de administração da Cedro Participações, é "sério, com visão nacional, que ama, acredita e torce pelo Brasil", ao contrário de gente que "vai no governo, conversa, pede as coisas e ainda sai falando mal do governo".
 

É o segundo evento do presidente no estado do Rio de Janeiro nesta semana. Na segunda (17) ele esteve em Angra dos Reis para anunciar contratos de compra de navios pela Petrobras.
 

Com o pior índice de aprovação de todas as suas gestões, segundo pesquisa Datafolha, Lula intensificou a agenda de viagens pelo país —na semana passada, esteve também em Macapá e no Pará.

Advogado de Bolsonaro pedirá anulação da delação de Mauro Cid

Publicado em 22 de fevereiro de 2025 por Tribuna da Internet

Celso Vilardi quer provar que a delação de Cid é nula

Deu na Folha

Celso Vilardi, advogado que compõe a equipe de defesa de Jair Bolsonaro (PL), afirmou nesta quinta-feira (20) que vai pedir a anulação da delação do ex-ajudante de ordens Mauro Cid, amplamente utilizada em denúncia feita pela PGR (Procuradoria-Geral da República) sobre a trama golpista de 2022.

Ele criticou o andamento do caso em entrevista à GloboNews e o fato de o ministro Alexandre de Moraes, do STF (Supremo Tribunal Federal), ter ouvido Cid.

NOVO DEPOIMENTO – Para Vilardi, um novo depoimento deveria ser tomado pela Polícia Federal ou pelo Ministério Público Federal.

“Cadê os juristas, cadê os advogados que criticaram a Lava Jato? Qual é o recado que nós vamos passar para o país admitindo uma delação como essa?”, perguntou. “Precisamos ter cuidado porque é grave o que está acontecendo.”

Para Vilardi, que integra a equipe de defensores do ex-mandatário desde janeiro, o Judiciário deve atuar apenas para homologar a delação de acordo com o que foi dito à PF ou ao MPF.

INCONSISTÊNCIAS – O advogado disse que a defesa tentará mostrar a não participação de Bolsonaro no plano de golpe e afirmou ver inconsistências na denúncia da PGR.

“Não há dúvida de que existiram atos graves narrados na denúncia. A questão agora é a verificação da participação de cada pessoa em atos que aconteceram (…). Estou convicto de que o presidente não participou de uma questão relativa a um golpe de Estado”, reiterou.

A Procuradoria denunciou Bolsonaro e outros 33 por envolvimento em um plano de golpe, apontando o ex-presidente como o líder desse grupo.

OUTRAS PROVAS – Como o UOL mostrou, além da delação de Cid, o procurador-geral da República, Paulo Gonet, se baseou em documentos, mensagens e outras provas para embasar a denúncia.

Vilardi disse, ainda, que vai pedir o julgamento do caso no plenário do STF, e criticou a eventual análise na Primeira Turma, como tem sido aventado na corte. “O julgamento justo é a única forma de preservar a democracia”, acrescentou.

A Primeira Turma é atualmente composta por Moraes, o relator do caso, e pelos ministros Cristiano Zanin, Cármen Lúcia, Luiz Fux e Flávio Dino.

Nesta quinta, Moraes negou pedido para ampliar prazo da defesa para analisar a denúncia de 15 para 83 dias. Segundo os defensores do ex-presidente, havia necessidade de “paridade de armas” com o Ministério Público, dando ao acusado o mesmo tempo que a acusação demorou para analisar todo o conteúdo da investigação.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG –
 Bolsonaro está envolvido até o pescoço, mas o sexto depoimento de Mauro Cid parece ter sido feito para garantir a delação e sair praticamente ileso. Mauro Cid é um homem rico nos Estados Unidos, onde moram o pai, general Cid Lorena, e o irmão Daniel Cid, que já montaram um patrimônio milionário em dólares. Mauro Cid é sócio deles na próspera empresa Cid Family Trust, que opera na Califórnia e na Flórida. Se ficar solto, Mauro Cid pega o avião e bye bye Brazil… (C.N.)


Reconstruindo Jeremoabo: O Desafio de Tista de Deda

 



Reconstruindo Jeremoabo: O Desafio de Tista de Deda

Desde que assumiu a Prefeitura de Jeremoabo no dia 1º de janeiro, o prefeito Tista de Deda tem enfrentado um enorme desafio: reconstruir uma cidade devastada por seis anos de incompetência e improbidade administrativa. O cenário encontrado pelo novo gestor foi de calamidade, com os serviços públicos em colapso e a população desassistida em áreas essenciais como saúde, educação e infraestrutura.

Um dos principais problemas herdados foi o setor da saúde. De acordo com Tista de Deda, a gestão anterior, comandada por Deri do Paloma (PP), deixou o município sem condições básicas de atendimento médico, prejudicando a população mais carente. O desmonte da rede de assistência à saúde exige um esforço redobrado para restabelecer consultas, exames, distribuição de medicamentos e a reabertura de unidades de atendimento.

Na educação, o cenário não foi diferente. Escolas sucateadas, falta de material didático e merenda escolar comprometida foram algumas das dificuldades encontradas pela nova gestão. Além disso, a limpeza urbana estava abandonada, tornando a cidade um reflexo do descaso administrativo dos últimos anos.

Outro grave problema identificado pela atual administração é a falta d'água nos povoados da zona rural, prejudicando centenas de famílias. O abastecimento precário tem sido uma prioridade para a gestão de Tista de Deda, que busca soluções para garantir o fornecimento regular de água à população.

As estradas vicinais também foram deixadas em situação crítica. Muitos trechos estão praticamente intransitáveis, dificultando o deslocamento de moradores e o escoamento da produção agrícola. O prefeito já iniciou ações emergenciais para a recuperação dessas vias, visando melhorar a mobilidade rural e urbana.

Além de todas essas dificuldades, a Prefeitura de Jeremoabo enfrenta um grande entrave burocrático: a inadimplência do município junto a diversas secretarias e ministérios. A falta de regularidade fiscal impede o recebimento de recursos e a realização de investimentos essenciais para a reconstrução da cidade. No entanto, Tista de Deda tem atuado com responsabilidade e competência para solucionar essas pendências e destravar projetos fundamentais para o desenvolvimento do município.

Diante desse cenário, é natural que algumas pessoas questionem o ritmo das mudanças. No entanto, é preciso compreender que não se reconstrói uma cidade devastada em poucos meses. O trabalho de recuperação de Jeremoabo exige tempo, planejamento e, acima de tudo, compromisso com a população. Com seriedade e dedicação, Tista de Deda segue firme na missão de devolver dignidade e qualidade de vida aos jeremoabenses.



Bolsonaro sugere IA contra Moraes, mas pode ser prejudicado com resposta

 Foto: Fernando Frazão/Arquivo/Agência Brasil

O ex-presidente Jair Bolsonaro22 de fevereiro de 2025 | 07:12

Bolsonaro sugere IA contra Moraes, mas pode ser prejudicado com resposta

brasil

Jair Bolsonaro (PL) fez uma postagem nesta sexta-feira (21) propondo aos seus seguidores no X (antigo Twitter) que perguntem à inteligência artificial se juízes podem participar de delações premiadas, sugerindo erro na atuação do ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) Alexandre de Moraes, que conduziu a delação de Mauro Cid, ex-ajudante de ordens do ex-presidente.

Quando a pergunta foi feita em plataformas de inteligência artificial pela Folha, entretanto, as ferramentas trouxeram resultados que podem ir na contramão da intenção crítica de Bolsonaro. A busca por temas complexos em IAs, alertam especialistas, não é recomendada, pois pode gerar erros e incompletudes.

A postagem de Bolsonaro ocorre em contexto de intensificação de críticas do político a Moraes depois de o ex-mandatário ter sido denunciado na terça-feira (18) sob a acusação de liderar uma trama golpista para impedir a posse do presidente Lula (PT). Com a denúncia da PGR (Procuradoria-Geral da República), Bolsonaro se aproxima da possibilidade de se tornar réu na ação penal.

Ele é acusado dos crimes de tentativa de abolição violenta do Estado democrático de Direito e de golpe de Estado, de dano qualificado pela violência e grave ameaça contra patrimônio da União, deterioração de patrimônio tombado e participação em uma organização criminosa.

O ex-presidente, que nega ter participado da trama, pode ser condenado a mais de 40 anos de prisão pelos crimes. Por causa do cenário, ele e aliados intensificaram críticas à delação de Mauro Cid e a autoridades que apuram os crimes.

Bolsonaro escreveu na rede social: “Um convite ao debate. Que tal escrever a frase: ‘O juíz pode participar das audiências realizadas durante a delação premiada?’ no ChatGPT”.

Apesar da intenção crítica de Bolsonaro implícita na sugestão de busca, uma pesquisa com a pergunta elaborada por ele, feita pela Folha no ChatGPT, trouxe como resultado que um juiz pode sim participar das audiências, com a ressalva de que sua atuação precisa ser “cuidadosa e respeitar os princípios do devido processo legal”.

“Durante a audiência, o juiz pode intervir para garantir que o procedimento seja conduzido de maneira justa e transparente, mas é importante que sua participação não comprometa a imparcialidade do julgamento futuro do caso”, afirmou a resposta da IA.

A mesma pergunta foi feita pela Folha ao chatbot Deepseek. De maneira similar, a ferramenta disse que juízes podem participar de delações premiadas.

“O juiz tem um papel central nesse processo, pois é responsável por garantir que os procedimentos sejam conduzidos de acordo com a lei, assegurando os direitos das partes envolvidas e a legalidade da colaboração. Durante as audiências, o juiz ouve o depoimento do delator, avalia a relevância das informações fornecidas e decide sobre a concessão dos benefícios previstos na lei.”

Segundo Luísa Walter da Rosa, autora de livros sobre acordos penais e colaboração premiada e doutoranda em processo penal na USP, a ideia geral de que juízes podem participar de delações premiadas é correta, se for como fiscalizadores e depois que o acordo foi firmado pelas partes.

Ela explica que, depois de homologada a delação, o colaborador pode ser intimado a prestar esclarecimentos. O magistrado participa e decide em cenários em que é preciso analisar se a colaboração precisa ou não ser rescindida, como aconteceu com Mauro Cid.

A colaboração premiada é um acordo entre investigador e investigado, no qual o segundo se compromete a ajudar na investigação em troca de benefícios negociados, como a diminuição de pena.

As respostas trazidas pelas IAs, entretanto, trouxeram incorreções ou foram incompletas, ao não especificar, por exemplo, que o juiz só participa depois da homologação do acordo.

“Quanto a respeitar o devido processo legal, na verdade o juiz precisa observar o procedimento previsto na lei 12.850/2013. O devido processo legal envolve presunção de inocência, direito ao silêncio, de não produzir prova contra si mesmo, todas garantias que o colaborador abre mão voluntariamente para firmar a colaboração premiada”, diz Luísa.

Mariza Ferro, professora de inteligência artificial do Instituto de Computação da UFF (Universidade Federal Fluminense), alerta que tais ferramentas não são adequadas para a busca de temas complexos.

Ela afirma que a promessa atual desse tipo de tecnologia é entregar respostas que pareçam coerentes e semelhantes à linguagem humana, mas que não há compromisso das plataformas em entregar a informação correta.

“O ChatGPT não é uma ferramenta de busca. É possível receber dele resultados verdadeiros, como é possível que não tenha nada de verdade [na resposta] ou meia verdade “, afirma.

As respostas da ferramenta também podem mudar a cada vez que ela for acionada e a depender de como a pergunta é feita. Além disso, inteligências artificiais não são ferramentas neutras e podem apresentar vieses.

Ana Gabriela Oliveira Lima/FolhapressPoliticaLivre

Moraes proíbe que a Rumble, empresa de Trump, funcione no Brasil

Publicado em 21 de fevereiro de 2025 por Tribuna da Internet

Mão segura celular com logo Rumble

Na decisão, Moraes finge não saber que a Rumble é de Trump

Mariana Muniz
O Globo

O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, determinou a suspensão da plataforma de vídeos Rumble no Brasil. A decisão ocorre após o magistrado exigir que a empresa indicasse representantes legais no país.

A plataforma entrou com um processo judicial contra Moraes nos Estados Unidos por suposta violação da soberania americana. As empresas Trump Media & Technology Group, comandada pelo presidente americano Donald Trump, também ingressaram com ação.

ALLAN DOS SANTOS – O despacho de Moraes foi dado em uma investigação sobre a atuação do influenciador bolsonarista Allan dos Santos. De acordo com o ministro, Allan dos Santos usa a plataforma para disseminar desinformação e ataques contra as instituições democráticas.

Na decisão desta sexta-feira, Moraes afirma que as condutas praticadas por Allan dos Santos são graves, e que o descumprimento das ordens judiciais pela plataforma é uma ilicitude.

“As condutas praticadas por ALLAN LOPES DOS SANTOS são graves, reiteradas e também tem por objetivo, por meio de inúmeros perfis nas redes sociais, expor os nomes, dados pessoais e familiares dos policiais federais que atuam ou atuaram nos procedimentos investigatórios em curso nesta SUPREMA CORTE, com clara incitação à prática criminosa”, diz Moraes na decisão.

SEDE NO BRASIL – Segundo o ministro, “não há, portanto, qualquer prova da regularidade da representação da RUMBLE INC. em território brasileiro”.

De acordo com o ministro do STF, o dono da plataforma Rumble, Chris Pavlovski, “confunde liberdade de expressão com liberdade de agressão” e deliberadamente “censura” com “proibição ao discurso de ódio”.

“CHRIS PAVLOVSKI confunde LIBERDADE DE EXPRESSÃO com uma inexistente LIBERDADE DE AGRESSÃO, confunde deliberadamente CENSURA com PROIBIÇÃO CONSTITUCIONAL AO DISCURSO DE ÓDIO E DE INCITAÇÃO A ATOS ANTIDEMOCRÁTICOS, ignorando os ensinamentos de uma dos maiores liberais em defesa da liberdade de expressão da história, JOHN STUART MILL”, apontou o magistrado.

EM PORTUGUÊS – Nesta semana, Pavlovski fez uma postagem na rede social X em que escreveu, em português, que irá “lutar pela liberdade de expressão”.

“Ao povo brasileiro, eu posso não ser brasileiro, mas prometo que ninguém lutará mais pelos seus direitos à liberdade de expressão do que eu. Lutarei até o fim, incansavelmente, sem jamais recuar”, escreveu o dirigente da plataforma de Trump.

Moraes diz, no despacho, que o “abuso na liberdade de expressão para práticas ilícitas” pretendido, segundo ele, pelo dono da plataforma de rede social, “sempre permitirá responsabilização cível e criminal pelo conteúdo difundido”.

DIZ MORAES – O ministro do STF observou que o uso chamado por ele de “instrumentalizado” das redes sociais foi um dos fatores que provocou situações extremas como os ataques golpistas de 8 de janeiro de 2023.

“Observe-se que, não se trata de novidade a instrumentalização das redes sociais, inclusive da RUMBLE INC., para divulgação de diversos discursos de ódio, atentados à Democracia e incitação ao desrespeito ao Poder Judiciário nacional”.

E o dirigente do Rumble retrucou: “Você não tem autoridade sobre o Rumble aqui nos EUA, a menos que passe pelo governo dos Estados Unidos. Repito — nos vemos no tribunal”, escreveu Pavlovski em referência a Moraes e ao processo movido pelo Rumble e pela Trump Media & Technology Group contra Moraes, revelado pelo jornal “The New York Times”.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
 – Moraes é um poço até aqui de vaidade. Na decisão, finge que não sabe que a Rumble pertence a Trump. A quem Moraes pensa que engana? (C.N)


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