segunda-feira, dezembro 02, 2024

Lava Jato não morreu e a Odebrecht volta a ser julgada com mais 38 réus


Eixo capital

Entre os réus da juiza Rejane, estão Vaccari e Renato Duque

Pepita Ortega
Estadão

A juíza Rejane Zenir JungBluth Suxberger, da 1ª Zona Eleitoral de Brasília, colocou no banco dos réus o empresário e delator Marcelo Odebrecht, o ex-tesoureiro do PT João Vaccari Neto, o ex-diretor de serviços da Petrobrás Renato Duque e mais 36 investigados da antiga Operação Lava Jato.

Eles eram acusados de supostos crimes de corrupção, gestão fraudulenta de instituição financeira, lavagem de ativos e organização criminosa na construção e ampliação da “Torre de Pituba”, nova sede da Petrobras em Salvador.

NOVA DENÚNCIA – O caso nasceu da Operação Lava Jato e era conduzido pela 13ª Vara Federal de Curitiba. Depois, foi remetido para a Justiça Eleitoral de Brasília após o Supremo Tribunal Federal reconhecer a competência da mesma para analisar ações conexas a crimes eleitorais. Além disso, o processo foi atingido pela anulação das provas do acordo de leniência da Odebrecht, mas ainda assim permaneceu de pé.

O Ministério Público Federal ofereceu nova denúncia no processo, apontando que mesmo com a exclusão de inúmeras provas, a acusação ainda se mantinha de pé.

No último dia 13, a juíza Suxberger considerou que “estão presentes os pressupostos processuais e as condições da ação para o recebimento da denúncia”.

JUSTA CAUSA – Argumentou a juíza: “A justa causa reside na probabilidade do cometimento dos fatos atribuídos aos denunciados, que se sucederam em torno das obras de ampliação do Conjunto Torre de Pituba, destinada a abrigar a nova sede da Petrobrás em Salvador/BA. Nesse contexto, se verificou possível prática dos crimes de corrupção ativa, corrupção passiva, gestão fraudulenta, desvio de recursos de instituição financeira e lavagem de dinheiro, no bojo de organização criminosa”, anotou a magistrada.

Segundo a juíza, há “indício de materialidade” dos crimes, considerando documentos e depoimentos colhidos ao longo do inquérito, seja com diligências em operações, com acordos de colaboração e no próprio curso da ação penal, enquanto tramitou perante a 13ª Vara Federal de Curitiba. O despacho foi publicado no último dia 18.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
 – É uma pena que, lá no final, o Supremo jogue no lixo o trabalho dedicado e honrado dos juízes do primeiro grau e garanta a impunidade da corrupção. (C.N.)


Marinha acha (?) que só ela trabalha e o Brasil vive na vagabundagem


Marinha sugere que só ela trabalha e resto do Brasil é bando de inútil

Video da Marinha demonstração falta de solidariedade

Leonardo Sakamoto
do UOL

A Marinha divulgou, neste domingo (1º), um vídeo para celebrar o Dia do Marinheiro e aproveitou para questionar as críticas de que militares possuem “privilégios”. Isso ocorre três dias após o pacote de ajuste fiscal anunciado pela equipe econômica do governo Lula incluir mudanças na aposentadoria das Forças Armadas. Entre as imagens do vídeo, está a de um fuzileiro naval na lama que é sósia de Fernando Haddad, ministro da Fazenda.

Procurada, a assessoria da Marinha afirmou ao repórter Pedro Vilas Boas, do UOL, que o vídeo é composto em sua totalidade por militares da força. E disse que, em nenhum momento, foi

INCENTIVAR JOVENS – A peça de publicidade de um minuto e 16 segundos foi feita na carreira. Ela contrapõe imagens de membros da Marinha em ação e em treinamento duro e cenas festivas e alegres do cotidiano dos brasileiros. Ao final, uma

Isso tem sido visto como um recado aos que afirmam que os militares têm privilégios e as medidas do pacote de ajuste fiscal (como o estabelecimento de uma idade mínima de 55 anos para a aposentadoria; o fim da “morte ficta”, a equiparação de militares expulsos aos falecidos para poder garantir pensão à família; e o limite de transferência de pensões) seriam uma ação do governo Lula contra regalias que o resto dos trabalhadores não possui.

Neste sábado, o ministro da Defesa José Múcio e os comandantes militares se reuniram com Lula para discutir as mudanças.

E OS TRABALHADORES? – Porém, o vídeo vem sendo muito criticado nas redes sociais por passar a mensagem de que enquanto os civis se divertem na praia e em baladas, as Forças Armadas trabalham. Muitos perguntam se, para a Marinha, não existe classe trabalhadora que desempenha funções pesadas. E os operários, agricultores, vaqueiros, garis, coveiros e tantas outras profissões?

Outros lembram a campanha pelo fim da jornada de 6 dias de trabalho e um de descanso, que pegou fogo no debate público. Cerca de 75% trabalham mais de 40 horas semanais no Brasil. E se os civis retratados no vídeo estiverem vivendo esse um dia de descanso?

Militares dizem que sua atividade é de risco. Mas outras profissões também são e passam longe de serem beneficiadas. Além disso, não estamos em guerra.

MAIS HUMILDE – Após ter seu então comandante, o almirante Almir Garnier, dizendo sim à proposta de Jair Bolsonaro de embarcar em um golpe de Estado ao final de 2022, enquanto os chefes do Exército, general Freire Gomes, e da Aeronáutica, brigadeiro Baptista Júnior, negaram, a Marinha poderia ostentar ter um comportamento mais humilde.

Mas a força naval e fluvial parece ter dobrado a aposta e tomou a frente nas críticas públicas de militares às propostas apresentadas pelo governo Lula para mudanças na aposentadoria.

Em nota na última quarta (27), a Marinha afirmou que “em nenhum momento houve ordem, planejamento ou mobilização de veículos blindados para a execução de ações que tentassem abolir o Estado Democrático de Direito”.

INDICIAMENTOS – O relatório da Polícia Federal que indiciou 37 pessoas, incluindo 25 militares por tentar golpe de Estado, menciona que a Marinha teria tanques prontos para a ação.

Forças Armadas são importantes para qualquer país, desde que saibam a quem devem proteger. A sua potência está na capacidade de respeitar a Constituição Federal, não de obter benefícios em troca de ameaças ou de ser usada para atender às necessidades de um governo de plantão.

Este é o momento de promover mudanças legislativas para garantir que militares fardados fiquem na caserna, deixando a política para civis, e não discutir anistia a golpistas. Mas não só: o ideal é revisar a legislação para impedir a distorção da Constituição por extremistas que acreditam no tal poder moderador, acabar com privilégios das Forças Armadas e mandar para a cadeia generais e almirantes que participaram da tentativa de golpe.

O Que é Necessário para Implantar o Turismo em uma Cidade?


Nota da redação deste - Blog - O Que é Necessário para Implantar o Turismo em uma Cidade?

O turismo é uma atividade econômica estratégica para o desenvolvimento de qualquer região, capaz de impulsionar a economia local, criar empregos e valorizar a cultura e o patrimônio. No entanto, a implantação de um polo turístico requer planejamento, recursos e uma infraestrutura adequada. Como o turismo é uma disciplina com abordagem acadêmica devido à sua complexidade, o desafio de transformar uma cidade em um destino turístico exige ações integradas e uma visão de longo prazo.

1. Infraestrutura Básica

Nenhum turista se sentirá atraído por um lugar que não oferece conforto e segurança. Entre os pontos cruciais estão:

  • Saneamento básico: Água potável e sistemas adequados de coleta e tratamento de esgoto são fundamentais.
  • Iluminação pública: Ambientes bem iluminados transmitem segurança, especialmente à noite.
  • Estradas e transporte: Boas rodovias, ruas pavimentadas e transporte acessível são essenciais para facilitar o acesso e a circulação dos visitantes.
  • Alojamento: Hotéis, pousadas e outras opções de hospedagem devem ser de qualidade e oferecer diferentes níveis de conforto para atender diversos perfis de turistas.
  • Atendimento médico: Disponibilidade de postos de saúde, hospitais e farmácias bem estruturados é essencial, especialmente em destinos remotos.

2. Atrativos Turísticos Bem-Desenvolvidos

O turismo começa com um motivo para visitar. Cada cidade deve identificar seus atrativos naturais, culturais, históricos ou gastronômicos e investir na sua conservação e promoção. Em Jeremoabo, por exemplo, poderiam ser explorados:

  • Patrimônios históricos, como igrejas e construções antigas.
  • Festividades culturais e tradições locais.
  • Potencial ecológico, como rios, trilhas e áreas naturais preservadas.

3. Qualificação da Mão de Obra

Turistas exigem atendimento de qualidade. Isso inclui:

  • Capacitação em hospitalidade: Treinamentos para garçons, recepcionistas, guias turísticos e outros profissionais.
  • Cursos de idiomas: O domínio de línguas estrangeiras amplia o público-alvo.
  • Educação patrimonial: Os moradores locais precisam entender o valor cultural e econômico do turismo.

4. Marketing e Divulgação

  • Promoção digital: Websites, redes sociais e plataformas de viagem são ferramentas indispensáveis.
  • Participação em eventos e feiras de turismo: Divulgar o destino em eventos regionais e nacionais aumenta a visibilidade.
  • Criação de roteiros integrados: Envolver cidades vizinhas e criar pacotes turísticos diversificados.

5. Segurança Pública

Um ambiente seguro é indispensável. Investimentos em policiamento, vigilância e monitoramento das áreas turísticas garantem a tranquilidade dos visitantes.

6. Sustentabilidade

O turismo deve respeitar o meio ambiente e a comunidade local. Isso inclui:

  • Controle da poluição.
  • Gestão de resíduos sólidos.
  • Preservação dos ecossistemas e da fauna/flora locais.

7. Parcerias Público-Privadas (PPP)

As parcerias entre o poder público e a iniciativa privada podem acelerar investimentos e dividir responsabilidades. Hotéis, restaurantes e empresas de transporte podem ser incentivados a colaborar com o município.

A Situação de Jeremoabo

No caso de Jeremoabo, mencionado como ainda "engatinhando" no que diz respeito ao turismo, é evidente que o caminho é longo. A intenção do prefeito eleito Tista de Deda em investir no turismo é louvável, mas o sucesso depende de superar desafios como falta de infraestrutura, qualificação e a criação de uma identidade turística para a cidade. Investir em atrativos locais, oferecer serviços de qualidade e planejar de forma integrada são os primeiros passos para transformar Jeremoabo em um destino atrativo e sustentável.

Conclusão

A implantação do turismo é mais do que apenas atrair visitantes; é criar uma experiência que os motive a voltar e a recomendar o destino. Isso exige esforços conjuntos entre gestores públicos, comunidade e empresários. Com planejamento e ações consistentes, cidades como Jeremoabo podem transformar o turismo em um motor de desenvolvimento econômico e social. 

"Povo sem parlamento é povo escravo": A Necessidade de Renovação e Participação na Política Local

 

                                 Foto Divulgação


"Povo sem parlamento é povo escravo": A Necessidade de Renovação e Participação na Política Local

A frase "Povo sem parlamento é povo escravo" carrega um alerta poderoso: sem representantes competentes e comprometidos com os interesses coletivos, a sociedade se torna refém de práticas políticas inadequadas, onde os interesses particulares suplantam o bem comum. Em muitos municípios, como Jeremoabo, essa realidade se evidencia pela falta de competência e o oportunismo de alguns vereadores, que falham em suas atribuições fundamentais.

A Crise de Representatividade

Embora não seja justo generalizar, é inegável que a atuação de parte dos vereadores está aquém do esperado. Suas ações, muitas vezes, limitam-se a iniciativas paliativas, como "tapar buracos, trocar nome de escolas,  doar título de cidadão ou conceder seus próprios aumentos de vencimentos" na infraestrutura urbana, sem apresentar soluções estruturais para os problemas enfrentados pela população. Essa abordagem superficial reflete não apenas a falta de visão estratégica, mas também o despreparo para lidar com questões que exigem planejamento, conhecimento técnico e comprometimento.

Promessas de campanha não cumpridas são outro reflexo da ausência de seriedade na política local. Sem bases sólidas em dados e estudos, muitas propostas são lançadas apenas como ferramentas de convencimento eleitoral, sem a intenção real de implementação. O resultado é a frustração do eleitorado e a perpetuação de problemas que poderiam ser resolvidos com uma gestão responsável e eficiente.

Oportunismo e Alianças Questionáveis

Além da incompetência, o oportunismo político é um problema recorrente. Muitos vereadores se dedicam mais a alianças políticas motivadas por interesses pessoais do que ao trabalho legislativo que realmente beneficie a população. Essa prática mina a confiança dos cidadãos, comprometendo ainda mais a credibilidade das instituições políticas locais.

O caso específico dos mourões e ripões desaparecidos do Parque de Exposição de Jeremoabo exemplifica a gravidade dessa situação. Os vereadores não apenas foram ineficazes em investigar e identificar os responsáveis pelo desvio, mas também negligenciaram o dever de registrar formalmente a ocorrência, expondo uma omissão inaceitável diante de um possível crime de peculato ou furto.

O Papel da Sociedade

Um aspecto crucial, porém frequentemente ignorado, é a responsabilidade da população nesse cenário. O desinteresse em acompanhar e cobrar o trabalho dos vereadores permite que a incompetência e o oportunismo se perpetuem. Muitos cidadãos desconhecem as funções básicas dos vereadores e se envolvem apenas superficialmente com o processo político, o que reduz a pressão por transparência e eficiência.

Caminhos para a Transformação

Para romper esse ciclo vicioso, é essencial uma mudança de postura tanto dos representantes quanto dos representados. Os vereadores precisam atuar com ética, preparo e foco no bem coletivo, enquanto a sociedade deve exercer uma cidadania ativa, acompanhando de perto o trabalho legislativo, cobrando ações concretas e denunciando irregularidades.

A frase inicial nos lembra que um parlamento eficiente é uma das bases de uma sociedade livre e democrática. A renovação política deve começar na conscientização de cada cidadão, que, ao exigir mais de seus representantes, pavimenta o caminho para uma política mais ética e comprometida com o bem-estar de todos. Afinal, a democracia não se fortalece apenas com votos, mas com participação contínua e vigilante.

Marcelo Bomfim Araújo: A Liderança Renascente do Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Jeremoabo


Marcelo Bomfim Araújo: A Liderança Renascente do Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Jeremoabo

Marcelo Bomfim Araújo, ais conhecido como Marcelo do Sindicato, escreve mais um capítulo em sua história como líder dos trabalhadores rurais de Jeremoabo. Ele foi eleito, por unanimidade, para presidir o Sindicato dos Trabalhadores Rurais pela quarta vez. Sua liderança, que começou em 4 de março de 2013, marca mais de uma década de serviços prestados à categoria, consolidando-se como uma das figuras mais influentes e resilientes do movimento sindical local.

A nova jornada de Marcelo terá início em 2025 e se estenderá até 2029, o que reflete não apenas a confiança da classe trabalhadora em sua gestão, mas também o desafio contínuo de atender às demandas crescentes de uma base diversificada e exigente. Para uns, sua reeleição é motivo de alegria, um sinal de continuidade e de conquistas para o setor rural. Para outros, pode representar a persistência de uma liderança que gera controvérsias e opiniões divergentes.

Desde sua primeira eleição, Marcelo Bomfim tem trabalhado em prol de políticas que fortalecem os direitos dos trabalhadores rurais, buscando diálogo com diferentes esferas governamentais e promovendo programas que impactam diretamente a qualidade de vida de seus representados. Sua gestão também é marcada por desafios, como as pressões econômicas que afetam o campo e as disputas políticas que envolvem o sindicato.

Sob sua liderança, o sindicato alcançou conquistas significativas, mas também enfrentou críticas, típicas de qualquer gestão de longo prazo. Marcelo do Sindicato inicia mais esse ciclo com a experiência de quem conhece bem os desafios e as complexidades da luta sindical, e com a responsabilidade de atender às expectativas de seus apoiadores, que depositaram novamente sua confiança nele.

A nova presidência de Marcelo é um reflexo do dinamismo e da capacidade de reinvenção que ele imprime ao cargo. A partir de 2025, ele terá pela frente a tarefa de unir os trabalhadores em torno de objetivos comuns, fortalecendo a classe rural em um cenário de transformações e incertezas, mas com a promessa de seguir na luta por dias melhores.

PGR prepara modelo controverso de denúncia conjunta em investigações contra Bolsonaro

 

PGR prepara modelo controverso de denúncia conjunta em investigações contra Bolsonaro

Por Arthur Guimarães | Folhapress

PGR prepara modelo controverso de denúncia conjunta em investigações contra Bolsonaro
Foto: Marcos Corrêa/PR

O procurador-geral da República, Paulo Gonet, prepara uma denúncia conjunta ao STF (Supremo Tribunal Federal) contra o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) de modo a reunir os casos da trama golpista, das joias sauditas e do cartão de vacina. Advogados ouvidos pela Folha divergem sobre a viabilidade da estratégia.
 

A Polícia Federal indiciou Bolsonaro por suspeita de envolvimento em plano para impedir a posse de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) em 2022. A imputação criminal se soma a outras contra o capitão da reserva.
 

Além de suspeito na investigação da trama golpista, o ex-presidente também já foi indiciado pela PF em apuração sobre a venda de joias sauditas recebidas de presente pelo governo brasileiro e de falsificação de certificados de vacinas contra a Covid-19.
 

Bolsonaro não é réu em nenhum dos casos nem formalmente acusado. A PGR (Procuradoria-Geral da República) vai analisá-los e definir os próximos passos conforme os elementos colhidos nas investigações. O órgão pode oferecer a denúncia, pedir o arquivamento do inquérito ou solicitar mais diligências.
 

A Procuradoria confirma já ter recebido o relatório da PF sobre a trama golpista. A lei estabelece um prazo de 15 dias para ela se manifestar, mas, na prática, o prazo pode ser flexibilizado se for necessário mais tempo. A instituição não perde o direito de oferecer a denúncia caso ele seja descumprido.
 

O procurador-geral cogita apresentar uma acusação conjunta contra o ex-presidente, agregando os casos. A estratégia fica a critério do Ministério Público, dizem especialistas ouvidos pela reportagem.
 

Ao oferecer a acusação, a PGR deve observar se há prova da materialidade do crime e indícios de autoria, ou seja, elementos concretos que comprovem a existência de um delito e evidências de que ele está relacionado a um autor.
 

O conteúdo do relatório será analisado pelo Grupo Estratégico de Combate aos Atos Antidemocráticos do MPF (Ministério Público Federal).
 

Segundo a coluna da Mônica Bergamo, Gonet só deve apresentar uma denúncia contra Bolsonaro em 2025. Ministros do STF, por sua vez, avaliam que o julgamento deve ocorrer no primeiro semestre do ano que vem, para evitar o calendário eleitoral de 2026.
 

A advogada criminalista Carolina Amorim, doutora em processo penal, avalia que o correto seria o PGR oferecer três denúncias, por serem investigações distintas. "A investigação sobre as vacinas e sobre as joias não detêm conexão com as acusações da suposta trama golpista", afirma, dizendo que seriam necessárias circunstâncias similares e de tempo e lugar comuns para uma peça única.
 

O argumento tem origem nas hipóteses do artigo 76 do Código de Processo de Penal, que estabelece as situações que motivam a junção das acusações, como quando as provas de uma infração interferem nas de outras ou quando as condutas forem praticadas pelas mesmas pessoas de forma conjunta, ao mesmo tempo e no mesmo lugar.
 

De acordo com Jacinto Coutinho, professor titular de direito processual penal da UFPR (Universidade Federal do Paraná), não há um impedimento legal para a união dos casos em uma mesma denúncia, embora seja "um tanto arriscado, pela complexidade do processo e por eventual dificuldade para a defesa".
 

Coutinho sustenta que, apesar de haver "remotamente uma conexão" entre os casos, são situações diferentes e estruturas diferentes, de modo que o ideal seria fazer uma denúncia para cada fato e delas resultarem os respectivos processos.
 

"O risco que se tem de embaralhar muito e dar complexidade para o processo é se cometer algum vício. Em face de um vício, aconteceu o que aconteceu na Lava Jato", diz o professor.
 

Maurício Zanoide de Moraes, professor de processo penal da USP (Universidade de São Paulo), por outro lado, considera haver mais lógica em se construir uma narrativa com começo, meio e fim, mesmo que se divida por grupos, do que fazer de maneira isolada.
 

Segundo ele, a Procuraria poderia oferecer uma denúncia conjunta se julgasse que faz sentido do ponto de vista da eficiência, da utilidade e da melhor apuração global das condutas.
 

Mas o advogado cita obstáculos, como, por exemplo, o fato de a acusação e a defesa poderem arrolar cada uma até oito testemunhas para cada conduta imputada. Se forem quatro imputações, já seriam 64 testemunhas no limite fixado em lei.
 

"Imagine a complexidade que isso não leva", diz ele. "Não adianta para a Procuradoria oferecer uma denúncia que demore anos a fio para ser posta ao fim."
 

Outra questão é a diferença nas etapas de cada investigação. A necessidade de novas diligências em uma delas pode atrasar o oferecimento da denúncia única. Uma vantagem de apresentar três seria permitir que cada caso amadurecesse no seu tempo.
 

Raquel Scalcon, consultora e professora de direito penal da FGV-SP, afirma que, se a PGR identificar com clareza conexões entre as investigações, apresentar uma denúncia conjunta faz sentido. Para isso, seria necessário haver uma narrativa que costure um ato único com várias etapas, afirma a advogada.
 

"Essa denúncia precisa ser muito bem construída para que se sustente e para que efetivamente tenha uma viabilidade, porque ela envolve um ex-presidente, envolve uma discussão sobre tentativa de golpe. É um caso muito, muito sensível. Espero e imagino que a PGR vai ser muito cautelosa. Não vai ser uma denúncia feita às pressas", afirma Scalcon.


Atestado? Governador de Sergipe é flagrado assistindo final da Libertadores no estádio após se afastar com licença médica

 

Atestado? Governador de Sergipe é flagrado assistindo final da Libertadores no estádio após se afastar com licença médica
Foto: Reprodução

O governador de Sergipe, Fábio Mitidieri (PSD), foi flagrado no Estádio Monumentral de Nuñez, em Buenos Aires, assistindo a final da Copa Libertadores entre Botafogo e Atlético-MG. Mitidieri havia se afastado do cargo na última terça-feira (26), por motivos de saúde, segundo uma publicação do próprio governador em sua conta no X (ex-Twitter).

 

"Tirei uns dias para garantir que minha saúde esteja 100% após pneumonia. O governo segue sob a orientação do nosso vice Zezinho Sobral. Agradeço a compreensão e reafirmo meu compromisso de estar sempre pronto para servir nosso estado e os sergipanos", escreveu.

 

O "flagra" foi alvo de críticas de usuários da rede social, que questionaram se o governador teria colocado o atestado médico justamente para acompanhar a final da Libertadores na Argentina.

 

 

Após a repercussão negativa, o governador fez uma nova publicação, em que afirma estar afastado oficialmente, seguindo o que a lei determina, e em uma viagem com a família, paga com recursos próprios.

 

"Lamento o uso político de informações, distorcendo propositalmente o fato de estar em descanso após o período em que estive doente", escreveu.

 

Botafoguense, o governador assistiu ao título inédito do clube em partida contra o Atlético-MG, disputada na Argentina. Após a vitória, Mitidieri publicou uma imagem comemorativa e celebrou "o tão sonhado título continental".

 

O governador chegou a ser internado justamente por conta de um pneumonia no dia 15 de novembro, mas teve alta dois dias depois.

 

De acordo com as publicações de Mitidieri nas redes sociais, o governador já havia retomado as agendas normalmente. No dia 22, por exemplo, participou da inauguração de uma nova fábrica de cimento em Nossa Senhora do Socorro.

Opinião: Direita "limpinha" agradece indiciamento de Bolsonaro

 

Opinião: Direita "limpinha" agradece indiciamento de Bolsonaro

Por Fernando Duarte

Opinião: Direita "limpinha" agradece indiciamento de Bolsonaro
Foto: Alan Santos/PR

O indiciamento do ex-presidente Jair Bolsonaro no inquérito de tentativa de golpe de estado tem sido considerado uma espécie de "pá de cal" nas pretensões políticas do "pai" do bolsonarismo. Se na esquera há comemorações fervorosas, a direita é mais discreta, pois reconhece a ascendência que Bolsonaro ainda tem sobre parte da população. No entanto, é essa mesma direita que celebra o que alguns classificam como "o começo do fim".

 

Publicamente, quase ninguém fala abertamente sobre o assunto. Todavia, o timming do lançamento da pré-candidatura de Ronaldo Caiado à presidência da República pelo União Brasil é um dos exemplos de como a direita "limpinha" pretende explorar o espólio do ex-presidente. A postura reacionário de Bolsonaro e do seu entorno obrigou esse segmento político a recuar, sob o risco de ser fagocitado. Agora, com esse risco cada vez menor, é possível perceber a mobilização para ocupar o vácuo que deve ser aberto a partir de 2026.

 

O próprio PSDB, por exemplo, que antagonizou como o PT o comando do Brasil até 2014, também segue essa linha. Ainda que não tenha um nome a lançar, caciques do partido admitem que o indiciamento somado à inelegibilidade de Bolsonaro podem criar um novo momento para que a direita menos radical consiga reviver seus momentos áureos. Vivemos um momento com balões de ensaio para entender como será o país após os sucessivos embates entre o petismo e a linha radical do bolsonarismo. Possivelmente, entretanto, qualquer alternativa viável fora dos atuais extremos só deve vingar a partir de 2030.

 

Enquanto convivemos com devaneios e tentativas de viabilização dos partidos como alternativa à dualidade pós-2018, o governo de Luiz Inácio Lula da Silva ainda não conseguiu convencer integralmente os eleitores que é possível viver numa social-democracia com perspectiva de menos desigualdade econômica. O resultado é que, para o cidadão médio, a força do 13 tem muito mais impacto eleitoral do que as políticas desenvolvidas pelos governos petistas.

 

O cenário da próxima eleição presidencial deve ser ancorado em uma candidatura plebiscitária de Lula e uma alternativa ao bolsonarismo que ainda não se efetivou. É sabido que a "direita limpinha" tenta encontrar quem poderia ocupar esse espaço. Acompanhemos as mobilizações para saber se nomes como Caiado ou quem quer que apareça se tornam viáveis eleitoralmente...

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