sábado, outubro 26, 2024

Donos do dinheiro acreditam que a economia vai bem, mas Lula vai mal


charge-divida-externa - Flávio Chaves

Charge do Iotti (Gaúcha/Zero Hora)

Vinicius Torres Freire
Folha

Por um lado, a conversa na praça do mercado é de “crise de confiança” em Luiz Inácio Lula da Silva – como o governo vai lidar com a dívida que cresce sem parar. O problema nem precisaria de nome. Basta olhar as taxas de juros no atacadão do mercado de dinheiro, que definem o custo de financiamento da dívida do governo e, pois, na prática, o piso geral das taxas.

Não param de subir, a caminho do monte da calamidade. A taxa real de um ano passa de 8%; a Selic pode ir a 13,5%, a julgar pelos preços da praça.

CONFIANÇA – Por outro lado, não necessariamente de modo contraditório, parece haver sinais de alguma confiança na economia, em sentido ligeiramente diferente da expressão.

O dinheiro levantado pelas empresas no mercado de capitais até setembro foi recorde, segundo dados da Anbima. De janeiro a setembro, foram R$ 541,9 bilhões, 16% mais do que em 2023 inteiro, ano bichado pelo crime da Americanas e outros problemas. Ainda assim.

No mercado de capitais, obtém-se crédito por meio da venda de debêntures e outros títulos de dívida. O dinheiro pode ser empregado em capital de giro, investimento na expansão do negócio ou em empreendimento novo, melhora do perfil da dívida (custos e prazos).

RECUPERAÇÃO – Ainda é crédito caro, embora movimentações e mudanças no mercado tenham reduzido o custo em relação aos pisos das taxas (como as pagas pelo Tesouro). De qualquer modo, recorde no mercado de capitais não é sinal de desconfiança.

Há indícios, com dados ora incompletos, de que o investimento na economia se recupera, ainda que devagar.

Investimento, neste caso, são recursos destinados à ampliação da capacidade de produção de bens e serviços (residências, instalações produtivas, máquinas, equipamentos, softwares etc.).

POR EXEMPLO – A importação de bens de capital (máquinas, equipamentos etc.) está crescendo rápido e mais rápido do que o total de compras brasileiras no exterior.

Há empresa por aí, pois, dedicada a ampliar a capacidade (que, pela estatística convencional, estaria no limite), renovar equipamentos e coisas assim. Enfim, diminui o saldo comercial (exportações menos importações). Dentro de certos limites, pode ser bom sinal. Fora dos limites, pode indicar superaquecimento da economia.

Sim, a taxa de investimento (a fatia do PIB dedicada ao investimento) ainda é menos do que medíocre. Não sustenta crescimento duradouro. Mas talvez algo se mova.

HÁ DÚVIDAS – Não se sabe quanto tempo vão durar certas animações (nem se previa que elas viriam, como se recorda). A soma dos rendimentos do trabalho cresce rápido, o gasto do governo cresceu muito (também nos estados e municípios, em particular neste ano eleitoral).

Mas as condições financeiras pioram: juros com cara de calamidade e dólar a R$ 5,70. A Selic vai subir. Há problemas importados, por assim dizer: descrença na retomada chinesa, perspectiva de os juros caírem mais devagar do que o previsto nos EUA e de aumentarem caso sobrevenha Trump 2, o que já influencia preços e taxas por lá e por aqui.

Nosso grande nó imediato, bidu, é a descrença na capacidade do governo Lula de apresentar um plano para, mesmo no médio prazo, conter o aumento de gastos obrigatórios e a dívida, ora sem limite. Não tomar providências pode dar em besteira feia, até de modo súbito. É ainda mais deprimente quando se nota que há sinais de vida na economia brasileira.

Após embate Lula x Nunes, prefeitura poda árvores na rua onde Lula mora


Cinco dias após embate Lula X Nunes, prefeitura faz poda de árvores em frente à casa do presidente em SP

Árvores da rua de Lula foram podadas e ele ainda reclamou

Thiago Herdy
do UOL

Cinco dias após a troca de críticas públicas entre o presidente Lula e o prefeito de São Paulo, Ricardo Nunes (MDB), sobre o papel da prefeitura na poda de árvores na cidade, a administração municipal determinou o corte de galhos na rua onde fica a casa alugada pelo presidente em Alto de Pinheiros, na zona oeste.

Por volta das 10h de quinta-feira (24), profissionais que prestam o serviço de poda na capital fechavam uma das vias da avenida Jaime Fonseca Rodrigues com cones e faziam a poda de árvores próximas à fiação elétrica.

BEM EM FRENTE – Uma van da prefeitura com a identificação do serviço de “poda e remoção de árvores” estava estacionada bem em frente à casa utilizada pelo presidente quando está em São Paulo. Os galhos e arbustos retirados eram recolhidos em dois caminhões de apoio.

No último sábado, Lula criticou a atuação do poder público em meio ao apagão vivido pela cidade na última semana. “Todo prefeito e vereador sabem que toda vez que chove tem problema de árvore. Era obrigação do prefeito ter podado. Não podou porque não olha para cima”, criticou o presidente durante uma live com o candidato à prefeitura Guilherme Boulos (PSOL).

Para o presidente, a poda de árvores evitaria danos à rede elétrica diante de eventos climáticos severos, como o temporal que atingiu a cidade na última semana.

No mesmo dia, Nunes respondeu ao presidente, dizendo entender que a culpa dos apagões não seria da prefeitura, mas da concessionária de energia que atua na cidade, a Enel.

DISSE NUNES – “É lamentável um presidente da República se prestar a um papel desse”, afirmou o prefeito da capital de São Paulo.

“Hoje, nós tivemos muitos desligamentos de energia e pouquíssimos casos são relacionados a árvores. A grande maioria foi sem ser relacionado a árvores, isso demonstra a ineficiência da Enel”, disse Ricardo Nunes.

Ele continuou: “Eu esperava do presidente Lula uma atitude em defesa da cidade de São Paulo e não um comportamento desse”.


Verba da cota parlamentar supostamente desviada pelo bolsonarista Gayer pode chegar a R$ 842 mil

 A investigação também apontou que quatro assessores do deputado, pagos com verba da Câmara, trabalhavam na loja registrada no nome do filho do parlamentar

Por JORNAL DO BRASIL com Brasil 247
redacao@jb.com.br

Publicado em 25/10/2024 às 17:41

Alterado em 25/10/2024 às 17:41




A Polícia Federal (PF) cumpriu nesta sexta-feira (25) mandados de busca e apreensão contra o deputado federal Gustavo Gayer (PL-GO), acusado de desviar recursos da cota parlamentar. De acordo com a coluna de Tácio Lorran, do Metrópoles, o valor supostamente desviado pode chegar a R$ 842 mil, conforme cruzamento de dados entre a apuração da PF e informações do Portal da Transparência da Câmara.

De acordo com a corporação, o deputado bolsonarista teria utilizado a cota parlamentar para pagar o aluguel da escola de inglês Gustavo Gayer Language e para manter o funcionamento de uma loja de roupas que está registrada no nome do filho, ambas localizadas em Goiânia.

“A análise dos dados extraídos das mídias eletrônicas apreendidas revelou indícios de que o deputado federal Gustavo Gayer teria utilizado espaço físico (Rua T-38, nº 147, QD 116,LT 11, Setor Bueno, Goiânia/GO) alugado com verbas de cota parlamentar, supostamente destinado ao funcionamento de Gabinete Parlamentar, para a operação da empresa loja Desfazueli e da escola de inglês Gayer Language Institute”, diz trecho da decisão do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF).

Conforme informado pela coluna, Gayer gastou cerca de R$ 128,5 mil apenas em aluguel, com despesas mensais variando entre R$ 6 mil e R$ 7 mil. Outros custos incluem R$ 11,8 mil em IPTU, R$ 2,9 mil em internet, R$ 16,7 mil em energia elétrica, além de R$ 3 mil em serviços de vigilância. Todos os gastos supostamente foram pagos com recursos públicos.


A investigação também apontou que quatro assessores de Gayer, pagos com verba da Câmara, trabalhavam na loja Desfazueli: Joelson Pereira Martins, Bruno Amaral Machado, Amanda Oliveira Caixeta e Letícia Bruno de Araújo.

O nome do empreendimento, registrado no nome do filho do parlamentar, faz referência ao bordão "Faz o L" do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e vende camisetas com frases como "Fora Lula" e "Eu não votei em ladrão".

Moraes atendeu Procuradoria e vetou buscas no gabinete de Gustavo Gayer


Professores em Goiás acusam deputado Gustavo Gayer de perseguição

Gayer ataca Moraes e PF: “Um ditador e seus jagunços”

Gustavo Zucchi e Igor Gadelha
Metrópoles

O ministro do STF Alexandre de Moraes atendeu a uma recomendação da Procuradoria-Geral da República (PGR) e vetou que a Polícia Federal realizasse buscas e apreensões no gabinete de Gustavo Gayer (PL-GO) na sede da Câmara dos Deputados, em Brasília, nesta sexta-feira (25/10).

A coluna teve acesso à decisão na qual Moraes diz explicitamente que a operação está “circunscrita às pessoas físicas vinculadas aos fatos investigados, e os locais da busca estão devidamente indicados, limitando-se aos endereços residenciais e profissionais”, deixando o gabinete do parlamentar no Congresso de fora da lista.

DESVIO DE RECURSOS – Operação da PF teve como alvo assessores de Gustavo Gayer suspeitos de desvio de recursos da cota parlamentar.  Os agentes encontraram R$ 72 mil na casa de um assessor do deputado Gustavo Gayer

Em sua manifestação sobre a operação enviada ao STF, o procurador-geral da República, Paulo Gonet, havia destacado que uma operação em um gabinete da Câmara “importa significativa interferência de um Poder sobre a sede de outro Poder, tensionando o equilíbrio desejado entre eles”.

“A interferência física sobre repartições do Congresso Nacional exige robustez de maior magnitude na descrição de fatos que convençam da sobrelevada relevância da medida para os fins da investigação, de sorte a que se distinga, com nitidez, o seu caráter indispensável. Não vejo nos autos, ao menos neste estádio das investigações, fatos expostos que atendam ao rigor com que a postulação da providência deve ser sopesada”, escreveu o PGR na manifestação.

MORAES AUTORIZOU – A operação contra Gustavo Gayer e assessores de seu gabinete na Câmara investiga uma suposta associação criminosa voltada para desvio de recursos públicos da cota parlamentar e falsificação de documentos para criação de uma Organização de Sociedade Civil de Interesse Público (OSCIP).

A operação da PF envolveu cerca de 60 policiais federais, que cumpriram 18 mandados de busca e apreensão em cinco cidades diferentes. São elas: Brasília (DF), Cidade Ocidental (GO), Valparaíso de Goiás (GO), Aparecida de Goiânia (GO) e Goiânia (GO).

Após as buscas, Gayer atacou a PF e o ministro Moraes: “Jagunços de um ditador”

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG –
 O que é isso, minha gente? E os outros 593 parlamentares? E o presidente do PP, Ciro Nogueira, que paga o combustível de seu avião com dinheiro da cota? É preciso passar um pente fino em todos eles, mas isso não ocorrerá(C.N.)


Ex-suplente de Cristovam Buarque é preso em Brasília, acusado de pedofilia


Imagem colorida de Wilmar Lacerda

Wilmar Lacerda, do PT, é acusado pela segunda vez

Vicente Limongi Netto

Seguramente constrangido e perplexo, o respeitado intelectual, autor de estupendos livros que ninguém leu, todos esgotados, o ex-governador Cristovam Buarque está preocupado com a prisão do ex-suplente dele no Senado, Wilmar Lacerda, acusado de pedofilia, a aberração engomada.

Pedófilo não é homem, é rato. O canalha deslustra a atividade política. Em respeito à vida e à boa convivência humana, deveria ser sumariamente demitido da boquinha que ocupa, no PT de Brasília, e também expulso da legenda. Que, aliás, ficará ainda mais desmoralizada, junto aos brasileiros.

PUNIÇÃO À ALTURA – A justiça tem que ser implacável com Wilmar Lacerda. Nada da cretina audiência de custódia, nem tornozeleira.  Condenado, junto com outros da mesma escória, merece passar longa temporada na Papuda.

Na cadeia, o covardão saberá, com sofrimento e dor, o que os presos fazem com pedófilos. O pulha se arrependerá de ter nascido.

Lacerda chegou, inclusive, a exercer o mandato de senador, quando Buarque ausentou-se para ser ministro da Educação, até Lula demiti-lo pelo telefone, uma tremenda humilhação que Buarque sofreu.

APOIO AO BATORÉ – Bolsonaro declarou apoio a Davi Alcolumbre para a presidência do Senado. É o apoio do roto ao esfarrapado. A grandeza politica e constitucional do Senado não merecem e repudiam que o medonho e desqualificado senador pelo Amapá retorne ao cargo.

Bolsonaro, por sua vez, deixa claro que o apoio velado ao desprezível Davi, conhecido no Amapá como “senador Batoré”, objetiva obter cargos na futura Mesa Diretora da Câmara Alta, para senadores apaniguados do ex-presidente inelegível.

É o fim da picada. Bolsonaro e Alcolumbre seguem a desprezível cartilha que depõe contra a saudável e boa política, a descarada e desprezível barganha por cargos e vantagens.


Comissão da Câmara vai votar anistia aos réus envolvidos no 8 de Janeiro


Presidente da CCJ da Câmara pauta para votação anistia dos presos do 8 de  Janeiro

Caroline de Toni, presidente da CCJ, apoia esse projeto de anistia

Deu em O Globo

A Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara deve votar na próxima terça-feira o projeto de lei que estabelece anistia para os condenados nos atos golpistas do 8 de Janeiro. O texto está previsto na pauta da próxima reunião do colegiado.

O deputado Rodrigo Valadares (União-SE), relator do projeto, já apresentou seu parecer e foi concedido o período regimental de vista, para os parlamentares poderem analisar o projeto. Superada essa etapa, o caminho para a votação está livre. Apesar disso, integrantes do PT ainda tentam evitar a votação.

NOVO RELATOR – A presidente da CCJ é a deputada bolsonarista Caroline de Toni (PL-SC), que tenta fazer o projeto andar. No ano passado, antes de ela comandar a comissão, quem relatava o projeto era a deputada Sâmia Bomfim (PSOL-SP), que deu parecer contra a iniciativa.

No comando da CCJ, a aliada do ex-presidente Jair Bolsonaro mudou quem faz a relatoria e escolheu Valadares, que já participou de atos em apoio a Bolsonaro, e alterou o teor do parecer para fazer com que o texto avance e a anistia seja concedido.

Há também uma expectativa de parte da Câmara de que o projeto seja mudado novamente, seja na CCJ, ou no plenário, para incluir a reversão da inelegibilidade de Bolsonaro.

VOTAR LOGO – Aliados do presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL), dizem que ele pretende encerrar as discussões sobre a anistia ainda neste ano. A ideia é evitar que o tema contamine o seu processo de sucessão. Há uma expectativa de que o texto seja aprovado pela CCJ.

Apesar disso, não há clareza entre os líderes se há acordo para aprovar a iniciativa no plenário e se o relator nessa outra fase da tramitação vai continuar sendo um deputado bolsonarista.

Quem indicou Valadares para ser relator do texto foi o líder do União Brasil, Elmar Nascimento (BA), que também é candidato a presidente da Casa.

ELMAR REAGE – Após Elmar não conseguir o apoio de Lira para a sucessão na Câmara, o líder do União passou a adotar uma estratégia de buscar firmar um bloco governista com o PT e tem se posicionado contra o texto relatado pelo seu correligionário.

O próprio Bolsonaro foi alvo da Operação Tempus Veritatis, deflagrada pela Polícia Federal, que investiga a suspeita de atuação de uma organização criminosa na tentativa de golpe de Estado e abolição do Estado Democrático de Direito.

O texto original do projeto é de autoria do ex-deputado Major Vitor Hugo (PL-GO), que Foi líder do governo Bolsonaro. O projeto foi protocolado antes mesmo dos ataques de 8 de Janeiro, mas quando já haviam bloqueios nas estradas e tentativas de pressionar contra o resultado da eleição presidencial de 2022.

DIZ A ANISTIA – De acordo com o projeto de Vitor Hugo, “ficam anistiados manifestantes, caminhoneiros, empresários e todos os que tenham participado de manifestações nas rodovias nacionais, em frente a unidades militares ou em qualquer lugar do território nacional do dia 30 de outubro de 2022 ao dia de entrada em vigor desta Lei”.

O texto diz ainda que a anistia abrange “crimes supostamente cometidos ao se ingressar em juízo e as consequentes condenações por litigância de má-fé em processos de cunho eleitoral relacionados ao pleito presidencial de 2022”.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
 – O texto original não interessa mais. O importante agora são os acréscimos, que vão incluir Bolsonaro, Braga Netto, Augusto Heleno e outros envolvidos na preparação do golpe que não houve. (C.N.)


Supremo jamais passaria no teste de ética que impõe a seus funcionários

Publicado em 26 de outubro de 2024 por Tribuna da Internet

Alexandre de Moraes | VESPEIRO | Página 2

Charge do Zappa (humortadela.com0

Conrado Hübner Mendes

Se alguém produzisse relatório periódico do colapso ético da conduta de ministros do STF, as últimas semanas não decepcionariam. Os episódios não repercutiram porque a magistocracia, no final, vence pelo cansaço. Se essa é das leis mais estáveis da história do patrimonialismo brasileiro, difícil manter motivação para lutar contra ela.

Gilmar Mendes reconduziu, por liminar monocrática, presidente da CBF ao cargo. Há duas semanas, votou pela manutenção da decisão. O IDP, empresa da qual o ministro é sócio, e que organiza encontros político-advocatício-empresariais, gere operação lucrativa da “CBF Academy”. Se você fizer curso na “Academy”, parte do recurso vai para o IDP.

SUSPEITOS – Honrosamente, Barroso e Fux se declararam suspeitos no caso da CBF. Mas Fux, menos honrosamente, ao lado de seu filho advogado, participou do “Forbes Power Dinner”, sediado na casa de sócio do “Nelson Wilians Group” em Brasília.

Barroso foi ao “II Fórum Esfera Internacional”, em Roma, cujos patrocinadores, na sua totalidade, têm casos no STF. Na palestra, disse: “Temos ainda no Brasil um problema atávico, que é essa má divisão entre o espaço público e o espaço privado”.

Não se deu conta da saborosa contradição performativa, pois ele, ali naquele pódio, corporifica exemplarmente a confusão que suas palavras criticam. Toffoli também estava lá.

INTEGRIDADE – O STF anunciou, em 2021, um “Programa de Integridade” (Resolução 757). Quis “prevenir desvios éticos” e promover “princípios e normas éticas comuns que sustentam e priorizam o interesse público sobre os interesses privados”. Anunciou intenção de combater ilícitos como o nepotismo e o conflito de interesses. Criou até “Comitê de Gestão da Integridade”.

Em julho de 2024, o STF lançou “Plano de Integridade 2024-2025”. O documento é propositivo, ressalta valores da transparência, integridade e responsabilidade, apresenta a “cadeia de valor do STF” e descreve atividades que almejam “agregar valor aos seus produtos”.

Não sei bem o que significa “agregar valor” ao STF, mas intuo que deve ter a ver com a curiosa menção feita pelo documento a um “Código de Ética do STF”.

CÓDIGO DE ÉTICA? – Se você procurar, descobrirá que, na verdade, a menção era ao “Código de Ética dos Servidores do STF”, de 2020 (Resolução 711). Servidores, não ministros, se é que você entende a distinção.

Esse código define que o tribunal “reclama elevados padrões de conduta ética”, assume compromissos de “evitar situações conflitantes com suas responsabilidades profissionais”, de “abster-se de realizar atividade de interesse pessoal no horário de expediente”, “atentar para que atos da vida particular não comprometam o exercício de suas atribuições”. Veda “valer-se do cargo para obter favores, benesses e vantagens indevidas para si ou para outrem”. E cria uma Comissão de Ética.

JUSPORNOGRAFIA – A “governança” do STF ignora condutas de ministros, seus conflitos de interesse, as restrições a mimos e hospitalidades, o dever de transparência etc. Não passa no teste de integridade da CGU.

Parece piada, mas é juspornografia. O Brasil é o país da piada pronta, diz o Zé Simão. Ministros do STF fazem da instituição do STF o tribunal da pornografia pronta.

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