segunda-feira, novembro 20, 2023

As opções mortais da Argentina




Estabilização vai causar mais dor social; presidente não terá maioria parlamentar

Por Vinicius Torres Freire (foto)

Suponha-se que Javier Milei ganhe a eleição. Sua coalizão, "La Libertad Avanza", tem 38 dos 257 deputados da Câmara. No segundo turno, Milei tem o apoio do fracassado ex-presidente Mauricio Macri e de Patricia Bullrich, presidenciável derrotada, ambos da "Juntos por el Cambio" (JxC), de centro-direita. Juntas, as coalizões teriam 131 deputados, maioria. Não vai acontecer.

A JxC talvez não dure até o ano que vem. Um dos partidos do grupo, a União Cívica Radical (UCR), rompeu com Macri, que chama de traidor e culpa pela derrota de Bullrich. A UCR tem 25 deputados —alguns talvez se juntem a Sergio Massa. O PRO de Macri tem 41, mas alguns não toleram Milei. Etc. O "Unión por la Patria" de Massa tem 108 deputados. Ninguém tem maioria.

Parte do PRO, de Macri, diz que tolera Milei se o plano econômico for parecido com o de Bullrich, mais convencional. Mas, enfim, Milei não renegou a dolarização, o fim do Banco Central e o plano de choque. Economistas de institutos de pesquisa, de consultorias e de "o mercado" dizem que não fazem ideia de como será tal plano, que não tem apoio político, como se viu.

O dólar foi o assunto central da eleição. Há agora minidesvalorizações do peso oficial, de 3% ao mês. É ridículo, pois a inflação anda na casa de 8% e subindo. Isto é, o peso oficial continua supervalorizado e se valorizando. O dinheiro não volta para a Argentina a essa taxa de câmbio.

O país não tem dólares para pagar as dívidas. Não deve pagar. Deve haver outra "reestruturação" do papagaio com o FMI. Falta dólar até para pagar importações como a de combustíveis.

A fim de dolarizar a economia, seriam necessários uns US$ 36 bilhões. As reservas em "dólar" estão no vermelho —o BC tem passivo de US$ 10 bilhões.

É possível dolarizar por menos de US$ 36 bilhões ou US$ 46 bilhões desde que se convertam dólares por pesos a uma taxa altíssima, o que levaria a uma hiperinflação ainda mais rápida e, talvez, a uma crise bancária.

Suponha-se que Milei não dolarize de cara. Sendo adepto da dolarização, que confiança haveria no peso? Hum. Então, continua o problema da desvalorização acentuada, hiperinflação à vista etc.

Sim, os preços se estabilizam depois de um tempo de dolarização, como no Equador. É a paz dos cemitérios.

Para ficar de pé, um plano de estabilização, de choque ou paulatino, exigiria grande corte de gasto público (e, pois, de subsídios de serviços públicos), autonomia do BC, fim de controle de preços, de câmbio e de capitais e de impostos sobre exportações.

Massa terá de fazer algo parecido, sem dolarização e sem choque. Pode ser feito de modo paulatino, desde que alguém acredite que será feito. Massa é o ministro da economia e presidente de fato faz ano e meio. Que crédito tem?

Propõe um governo de "união nacional", até por falta de alternativa. Sugeriu nomear um ministro da Economia que não seja da sua coalizão e entregar metade da direção do BC à oposição. Isso quer dizer que a âncora de seu plano econômico seria a entrega do governo da economia a gente que não é da sua coalizão.

Acha que o maior problema é a falta de dólares; que o restante da barafunda horrenda se resolve aos poucos; que o dinheiro entrará com a volta das exportações agropecuárias (que foram à ruína também por causa da seca) e das novas vendas de gás e petróleo de Vaca Muerta. Não vai dar tempo.

O plano de estabilização de início dá em mais inflação. Menos subsídios e preços maiores vão resultar em mais sofrimento social.

Se o lunático Milei ganhar, o que os peronistas mais animados, La Cámpora e sindicatos, vão fazer? Se Massa ganhar, vai enrolar, seguindo no caminho da morte paulatina? Vai ceder o poder da economia?

Folha de São Paulo

Políticos brasileiros comentam vitória de Javier Milei na Argentina




Parlamentares ligados a Lula lamentaram o resultado; Bolsonaro e sua base foram às redes para celebrar onda conservadora

Por Flávio Ismerim

Após a vitória do candidato ultraliberal Javier Milei (La Libertad Avanza) no segundo turno das eleições presidenciais da Argentina neste domingo (19), políticos brasileiros foram às redes sociais para tecer comentários sobre o resultado do pleito no país vizinho.

A polarização da eleição entre o ultraliberal e o ministro da Economia e candidato peronista Sergio Massa refletiu o tom dos comentários.

O ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) e parlamentares do seu campo político parabenizaram a vitória do candidato de extrema-direita Milei, enquanto deputados da base aliada do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) lamentaram o resultado.

Lula, por sua vez, desejou, neste domingo (19), boa sorte ao novo governo da Argentina sem citar o nome do presidente eleito.

O deputado federal Guilherme Boulos (PSOL-SP) disse que a vitória de Milei “é a repetição de uma tragédia”.

Gleisi Hoffmann, presidente do PT e deputada federal pelo Paraná, afirmou que Milei representa um “novo e duríssimo teste” para a democracia da Argentina.

A deputada federal Duda Salabert (PDT-MG) criticou agenda econômica de Milei e afirmou que Victoria Villarruel, eleita vice-presidente da Argentina, “passou parte da sua vida jurídica defendendo militares condenados por crimes contra a humanidade” cometidos durante a ditadura militar no país.

“Esperança volta a brilhar”, diz Bolsonaro

Jair Bolsonaro parabenizou Javier Milei pela eleição na Argentina e disse que a “esperança volta a brilhar” no país após a população escolher o novo representante.

Para o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), o resultado do pleito na Argentina representa uma vitória contra a esquerda e o comunismo e “um passo decisivo rumo à liberdade” na América Latina.

O deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG) parabenizou a Argentina pela escolha de Milei para comandar o país até 2028 e pediu que o Brasil aprenda com seus vizinhos.

Damares Alves (Republicanos-DF), senadora e ex-ministra de Bolsonaro, comemorou a vitória de Milei e desejou “que a onda conservadora avance por todo continente”.

CNN

Milei vence: quais são as principais ideias do novo presidente da Argentina

 



Economista que comandará Casa Rosada se tornou um fenômeno político graças a suas propostas radicais que incluem a dolarização da economia e a legalização da venda de órgãos.

'Javier Milei será o 12º presidente em 40 anos de democracia na Argentina' 

"Não vim guiar cordeiros, vim despertar leões."

Foi com esta frase que o candidato à Presidência da Argentina Javier Milei, representante da coalizão A Liberdade Avança, definiu sua surpreendente vitória nas eleições primárias do país em agosto. Aquele seria o primeiro passo da trajetória que levou à sua eleição neste domingo (19/11).

O peronista Sergio Massa reconheceu a vitória de Milei pouco depois das 20h, mesmo antes das autoridades eleitorais divulgarem os resultados oficiais..

Ele será o 12º presidente em 40 anos de democracia na Argentina, sucedendo o peronista Alberto Fernández. O ultraliberal assume a Casa Rosada em 10 dezembro.

Parlamentar desde 2021, economista e amante de cachorros, Milei se tornou um fenômeno político polêmico na Argentina nos anos recentes, com propostas como a dolarização da economia, a privatização de estatais e o fechamento do Banco Central.

O presidente eleito também já anunciou ideias como a permissão à venda de armas e órgãos humanos.

Autodefinido como "libertário", Milei é frequentemente comparado com outros políticos da direita radical, como o ex-presidente dos Estados Unidos Donald Trump e o brasileiro Jair Bolsonaro.

Mas afinal, quais são as principais propostas de Milei – e a as críticas a elas? Confira.

'Milei foi catapultado por programas de TV como analista de economia'

Dolarizar a economia e 'dinamitar' o Banco Central

Dolarizar a economia para abandonar o peso argentino é uma das principais promessas de Javier Milei.

A medida visa combater a inflação galopante que assola o pais e que, no ano passado, chegou a 100% no acumulado do ano.

"O peso é a moeda emitida pelo político argentino, portanto, não pode valer nem um excremento, porque esses lixos não servem nem para adubo", disse em entrevista a uma emissora de rádio local.

Originalmente, sua proposta era dolarizar em dois anos e meio, mas depois passou a dizer que vai implementar o plano no "menor tempo possível."

Porém, para dolarizar é preciso ter um estoque de dólares – e é justamente isso que a Argentina não tem, já que as reservas do país diminuíram drasticamente e a disponibilidade de dólares é limitada.

Milei disse em uma conta nas redes sociais que já teria um caminho para obter os dólares a um valor de mercado, mas não explicou como.

Segundo estimativas do grupo de assessores do candidato, atualmente são necessários cerca de US$ 35 bilhões para implementar a ideia.

Leia também: As semelhanças e diferenças entre Milei, Trump e Bolsonaro

Segundo Milei, o fechamento do Banco Central permitiria que os dólares do BC como reservas internacionais pudessem ser colocados em circulação.

Antes de avançar para a dolarização, diz Milei, ele flexibilizaria o mercado de trabalho e abriria a economia.

O segundo passo, segundo ele, seria eliminar o órgão que regula as instituições financeiras para que haja "competição entre moedas".

"Depois que você desregulamenta, você escolhe o que quer. Você pode usar ouro, franco suíço, libra", afirmou em declarações à imprensa local. A última fase para conseguir a dolarização seria trocar alguns recursos do Banco Central por "dívida pública" e usar outros recursos para injetar dólares na economia, fechando a agência que imprime os pesos argentinos. Seus assessores argumentaram que, no final, os argentinos escolheriam o dólar como moeda.

Economistas, no entanto, consideram pouco provável que a dolarização possa ser implementada e que, se isso acontecer de fato, não será a solução para os problemas da economia da Argentina.

Isso porque, para dolarizar, seria preciso tomar dólares emprestados, mas como o país tem um alto índice de endividamento, é muito improvável que consiga esses empréstimos.

Além disso, uma vez dolarizada, a Argentina ficaria submetida ao ciclo econômico e política monetária dos Estados Unidos, sem a possibilidade de se defender de choques externos.

Os analistas também apontam que a dolarização pode até domar a inflação num primeiro momento, mas que ela só será de fato derrotada quando o país conseguir controlar seu déficit fiscal excessivo.

Saída do Mercosul e afastamento de China e Brasil

No âmbito da política externa, Milei promete retirar a Argentina do Mercosul – bloco econômico criado em 1991, que engloba Brasil, Argentina, Uruguai e Paraguai.

Ele também é contrário à adesão do país aos Brics (grupo formado por Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul, que em agosto anunciou sua expansão, com seis novos membros).

'Argentina foi um dos seis países convidados a se integrar ao Brics em agosto, ao lado de Arábia Saudita, Emirados Árabes Unidos, Egito, Irã e Etiópia'

Milei afirmou ainda, durante a campanha, que não manterá parcerias com a China e outros governos de esquerda – incluindo o Brasil de Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

"O Mercosul é uma união aduaneira de má qualidade, que cria distorções comerciais e prejudica seus membros", disse Milei em uma entrevista à Bloomberg.

A posição preocupa o governo brasileiro.

"Obviamente não podemos comentar assuntos internos da Argentina, mas a preservação do Mercosul é uma preocupação legítima. É um patrimônio de mais de trinta anos e é parte do patrimônio de paz e prosperidade que criamos e que queremos fortalecer", afirmou o ex-chanceler e assessor especial da Presidência, Celso Amorim, à BBC News Brasil.

Já o rompimento com a China, devido ao fato de que o país asiático é governado pelo Partido Comunista, é considerado improvável por analistas.

"Este rompimento [da Argentina com a China] seria impossível. A China é o principal destino da carne bovina e da soja que exportamos. É impossível deixar de negociar com a China. Não é possível ideologizar o comércio exterior, isso é impossível", disse à BBC News Brasil Diego Guelar, ex-embaixador da Argentina no Brasil.

Privatizar empresas e obras estatais

Como parte de sua promessa de reformar o Estado argentino por meio de uma guinada liberal, Milei disse que pretende privatizar as empresas estatais que considera "deficitárias".

Na mira do presidente eleito, estão companhias como a YPF (Yacimientos Petrolíferos Fiscales), maior petroleira do país. "Primeiro é preciso racionalizar a YPF e depois vendê-la", disse em entrevista.

Milei já disse também que pretende fechar a Televisón Pública (TN), rede pública de televisão argentina, fundada em 1951. Ameaçou ainda pôr fim ao Instituto Nacional de Cine y Artes Audiovisuales (INCAA), principal órgão responsável por fomentar o cinema na Argentina.

A motosserra, símbolo de seus planos para diminuir o Estado argentino, tornou-se uma de suas marcas registradas. Entre esses planos, está a eliminação das obras públicas estatais, para substituí-las por um sistema privado "ao estilo chileno", segundo informações da imprensa argentina.

Nesse modelo, as obras de infraestrutura no país passariam às mãos do setor privado, que teria uma renda mínima garantida pelo Estado para assumir essas responsabilidades.

Milei quer também reduzir o número de ministérios para apenas oito (atualmente são 18 ministérios, sem contar outras agências estatais).

Saúde paga e vouchers na Educação

Dentro da proposta de redução de gastos públicos, Milei tem deixado claro que haverá cortes nas principais áreas sociais: saúde, educação e desenvolvimento social.

Ele quer aglutinar os três ministérios que tratam dessas questões em um só, que se chamaria de "Capital Humano".

'Milei tem deixado claro que haverá cortes nas principais áreas sociais: saúde, educação e desenvolvimento social'

Na área da saúde, ele propõe a criação de um "seguro universal", em que os usuários e médicos chegariam a um acordo sobre valores pelos serviços médicos.

No campo da educação, Milei propõe um sistema de vouchers, no qual a educação não seria nem obrigatória nem gratuita.

"O sistema obrigatório não funciona. Se você quiser estudar, terá um voucher e poderá estudar. O dinheiro que o Estado separa para isso seria dividido entre as crianças em idade escolar e um voucher seria entregue aos pais, para que eles possam escolher a escola que querem para os seus filhos", disse.

Professora de carreira e parlamentar, Victoria Morales Gorleri foi uma das pessoas que se manifestaram contra o projeto.

"A educação obrigatória não é uma arma que se coloca na cabeça da sociedade, mas um estímulo essencial para a sobrevivência", avaliou Gorleri.

Armas e venda de órgãos

Em várias ocasiões durante a campanha presidencial, Milei afirmou ser a favor de que os argentinos possam comprar armas livremente, justificando para isso o aumento de incidentes de segurança em algumas áreas do país.

O candidato já defendeu também a facilitação para outro mercado: o da venda de órgãos, atividade atualmente proibida.

"Há 7.500 pessoas sofrendo, esperando por transplantes. Tem alguma coisa que não está funcionando bem. O que proponho é procurar mecanismos de mercado para resolver este problema", disse o candidato ao canal de televisão TN.

A proposta foi categoricamente rejeitada por Carlos Soratti, diretor do Instituto Central Coordenador Nacional de Ablação e Implantação (Incucai), órgão que regulamenta a doação de órgãos no país.

"Essas propostas exóticas, que já eram colocadas há um século, hoje são absurdas", disse Soratti em um comunicado.

Redução da maioridade penal e militarização de presídios

'Victoria Villarruel é o segundo nome na chapa de Javier Milei'

Na área de segurança, Milei propõe uma agenda de "linha dura" contra a criminalidade, com medidas como a redução da maioridade penal para 14 anos, a criação de um comitê de crise de combate ao narcotráfico, políticas de "tolerância zero" contra a criminalidade urbana e a militarização das prisões.

Ele também inclui nessa agenda o combate à ocupação de terras por povos originários e práticas de luta social, como o fechamento de estradas e piquetes.

Indígenas argentinos têm lutado nos últimos anos contra grandes projetos de exploração de recursos naturais no país, como a prospecção de petróleo em Vaca Muerta e de lítio em Jujuy.

"O objetivo não é criminalizar o protesto. O direito de manifestação é reconhecido pela Constituição. Mas fechar estradas, colocar fogo em pneus, impedir o trânsito e levar crianças a uma manifestação para usá-los como escudo não pode acontecer. Todos devem poder exercer o seu direito sem promover o da livre circulação do resto dos cidadãos", disse Victoria Villarruel, coordenadora de Segurança e Defesa dA Liberdade Avança e vice de Milei, ao jornal La Nación.

As declarações de Villarruel têm sido duramente criticada por organizações indígenas argentinas.

Em um comunicado, a Confederação Mapuche de Neuquén afirmou que "a guerra de Milei contra os povos originários já começou", classificando o candidato como "negacionista, homofóbico, racista e violento".

BBC Brasil

Ministro Luiz Fux acata ação do PV contra perdão de multa de Bolsonaro


Por Redação

Ministro Luiz Fux acata ação do PV contra perdão de multa de Bolsonaro
Foto: Marcelo Camargo / Agência Brasil

O PV acionou o Supremo Tribunal Federal (STF) com uma Ação Direta de Inconstitucionalidade (ADI 7.511) contra a anistia de multas administrativas aplicadas pelo descumprimento de regras sanitárias durante a pandemia da Covid-19, concedida pelo governador Tarcísio de Freitas (Republicanos), que na prática livram o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) em cerca de 1 milhão de reais.
 

Em seu despacho, o ministro Luiz Fux afirma que sua decisão é definitiva e a ação tenha rito abreviado. “A presente ação direta de inconstitucionalidade questiona a validade de norma estadual que, conforme alegado, viola o direito fundamental à saúde e a higidez das receitas públicas, o que evidencia a relevância da matéria e seu especial significado para a ordem social e a segurança jurídica", afirmou Luiz Fux.

 

Ainda na decisão o miistro enfatizou "a conveniência de que decisão venha a ser tomada em caráter definitivo, mediante a adoção do rito abreviado previsto no artigo 12 da Lei federal 9.868/1999" e pediu que as autoridades requeridas fossem notificadas para que prestem informações no prazo de 10 (dez) dias.

 

"Após, dê-se vista ao Advogado Geral da União e ao Procurador-Geral da República, para que cada qual se manifeste, sucessivamente, no prazo de 5 (cinco) dias”, decidiu Fux.
 

Para a secretária de Assuntos Jurídicos do partido, Vera Motta, que assina a ação com os advogados Lauro Rodrigues de Moraes Rego Jr. e Caio Henrique Camacho Coelho, “a anistia concedida pelo governador de São Paulo revela nítido desvio de finalidade ao anistiar pessoas que sonegaram a participação nas campanhas de vacinação contra a COVID-19".

 

Na visão dela, essas figuras "relutaram em adotar políticas públicas coerentes com o cenário pandêmico, ainda que o Brasil tenha tido um dos mais letais e gravosos quadros de enfrentamento à Pandemia, com a ocorrência evitável de pelo menos 700.000 óbitos em decorrência, exclusivamente, de uma política sanitária retrógrada, atrasada, cientificamente falida e politicamente equivocada”.
 

Já o presidente do PV, José Luiz Penna, afirma que Bolsonaro cometeu vários crimes durante a pandemia e que anistiá-lo é um péssimo exemplo à população, principalmente aos nossos jovens.  

 

Procurada, a assessoria de Jair Bolsonaro ainda não se manifestou.

Carros de comitiva de Taylor Swift cantora são apreendidos por estarem com placa adulterada


Por Gabriel Vaquer / Folhapress

Carros de comitiva de Taylor Swift cantora são apreendidos por estarem com placa adulterada
Foto: Reprodução/Instagram

Carros que faziam parte da comitiva da cantora Taylor Swift no Rio de Janeiro foram apreendidos pela polícia civil na noite do último sábado (18) por andarem na capital fluminense com a placa adulterada. O caso é investigado pela 19ª Delegacia de Polícia Civil, no bairro do Leblon, zona sul da cidade.
 

A informação foi confirmada pela reportagem pela delegada de Polícia Thaianne Barbosa de Moraes Pessoa, titular da delegacia do Leblon. Segundo ela, um inquérito já foi instaurado. A equipe de Taylor Swift já prestou depoimento. "A polícia investiga agora as circunstâncias do fato", diz a delegada.
 

O caso ganhou repercussão desde a última sexta (17), quando a cantora americana chegou no Brasil. Para zelar por sua segurança, a equipe da cantora cobriu a placa de diversos carros Jeep Commander, que faziam parte da comitiva e levaram a equipe para o hotel onde estão hospedados.
 

Retirar, encobrir, alterar ou remarcar as placas de um veículo são considerados como infração gravíssima e tipificado como crime no código penal, após uma lei sancionada em abril deste ano pelo vice-presidente e então mandatário em exercício Geraldo Alckmin.
 

Se a polícia estivesse no local onde as placas foram adulteradas, a equipe de Taylor Swift poderia ter sido presa em flagrante, como manda a atual legislação. Se condenados, a pena pode ser de 3 a 6 anos de prisão.
 

Em nota oficial após a publicação da reportagem enviada ao F5, a assessoria de imprensa da Polícia Civil também confirmou a apreensão.
 

"A 14ª DP (Leblon) recebeu a informação de que as placas dos carros que fazem a comitiva da cantora estavam cobertas com um plástico preto e uma equipe da delegacia foi ao hotel onde a artista está hospedada. Em declaração na delegacia, os motoristas disseram que foram orientados a cobrir as placas para trafegar em faixas exclusivas", diz a nota.
 

"Os veículos chegaram a ser apreendidos e foram entregues, tendo em vista que não houve flagrante e já não estavam com as placas cobertas. Os agentes solicitaram imagens de câmeras de segurança do local para serem analisadas. Os condutores poderão responder pelo crime de ocultar ou adulterar sinais identificadores de veículos. A investigação está em andamento", conclui o comunicado.
 

O advogado Juliano Santana, especialista na área criminal, explica que a mudança da lei ainda não é sabida por muita gente e que ainda causa bastante confusão.
 

"Hoje, quem anda com a placa assim pode ser preso. Antes era uma infração de trânsito. Como o crime passou a usar bastante placa adulterada, optou-se por esta mudança", diz o advogado.

Bolsonaro diz que 'esperança volta a brilhar', e aliados celebram vitória de Milei

Bolsonaro diz que 'esperança volta a brilhar', e aliados celebram vitória de Milei

Por Nathalia Garcia e Marianna Holanda | Folhapress

Jair Bolsonaro
Foto: Marcelo Camargo / Agência Brasil

O ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) celebrou nas redes sociais a vitória do ultraliberal Javier Milei, eleito presidente da Argentina neste domingo (19), dizendo que "a esperança volta a brilhar na América do Sul".
 

Aliados do ex-chefe do Executivo também parabenizaram o presidente eleito argentino pela conquista e desejaram "sorte", "sucesso" e "força" a Milei.
 

"Parabéns ao povo argentino pela vitória com Milei. A esperança volta a brilhar na América do Sul", escreveu Bolsonaro em sua conta no X (antigo Twitter). "Que esses bons ventos alcancem os Estados Unidos e o Brasil para que a honestidade, o progresso e a liberdade voltem para todos nós", acrescentou.
 

Membros da oposição do governo de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) classificaram o resultado do pleito como uma vitória da direita e vincularam o peronista e atual ministro da Economia Sergio Massa ao governo petista.
 

O PT e integrantes do governo apoiavam Massa nas eleições, mas o presidente Lula nunca fez uma menção direta ao tema.
 

O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) publicou no Instagram um vídeo que mostra Milei em festa, com a legenda "Javier Milei é eleito presidente da Argentina".
 

Em outra rede social, o filho de Bolsonaro disse ter certeza de que o ultraliberal fará "o melhor pela Argentina" e representa um "passo decisivo rumo à liberdade".
 

"Que Deus ilumine seu caminho na presidência. A Casa Rosada trará desafios gigantescos, mas tenho certeza de que você fará o melhor pela Argentina. Pouco a pouco vamos vencendo a esquerda e o comunismo na América Latina", afirmou Flávio no X.
 

"Que a Argentina seja um exemplo e apenas a primeira de muitas mudanças para melhor no nosso continente. Milei é um passo decisivo rumo à liberdade da América Latina!", continuou.
 

Já o senador Ciro Nogueira (PI), presidente do PP e ex-ministro de Bolsonaro, afirmou em sua conta que os argentinos rejeitaram "o PT de lá" e falou em avanço da liberdade.
 

"Hoje é dia de autocrítica para a esquerda sul-americana, leia-se PT. A vitória de Milei prova que desprezar o déficit público, cair no populismo, governar para um partido e não para o país tem limite. A Argentina disse não ao PT de lá, tão apoiado pelo PT daqui. A liberdade avança!", escreveu.
 

Carregando post do Twitter
 

A deputada Bia Kicis (PL-DF), presidente da Comissão de Fiscalização Financeira e Controle da Câmara, desejou "sorte, sabedoria e força" para Milei e disse que o Brasil "não conseguiu" atrapalhar dessa vez.
 

"Derrota do Foro de São Paulo. Vitória para a direita. O Brasil tentou atrapalhar, mas dessa vez não conseguiu. Grande dia! Não será fácil com a oposição esquerdista que bem conhecemos, por isso, desejamos sorte, sabedoria e força a Milei", publicou.
 

O senador Sergio Moro (União Brasil-PR) foi outro que desejou "sorte e sucesso" para o ultraliberal recém-eleito na Argentina e fez uma referência ao futebol. "Argentina ganhou duas Copas do Mundo seguidas. Sorte e sucesso agora para Milei", disse.
 

Após uma ascensão meteórica na política, Milei conseguiu 55,76% dos votos válidos, contra 44,23% do rival com 97,48% das urnas apuradas.
 

A participação dos argentinos foi de 76%, número abaixo dos índices registrados no primeiro turno em outubro (77%) e acima do das eleições primárias em agosto (69%).
 

O deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG) fez uma provocação à primeira-dama do Brasil, Rosângela da Silva, a Janja, ao comentar a vitória de Milei.
 

"Aprende, Brasil. Parabéns Argentina! E chupa essa manga, Janja", escreveu.
 

Mais cedo, Janja havia publicado uma mensagem na qual implicitamente demonstrava seu apoio ao candidato peronista.
 

Na imagem, as personagens Mônica e Mafalda – criadas, respectivamente, pelo brasileiro Maurício de Sousa e pelo cartunista argentino Quino– estão abraçadas. No quadrinho, a protagonista da Turma da Mônica traz uma mensagem de consolo e esperança.
 

Na legenda que acompanha o quadrinho, Janja escreveu "que Massa esse abraço!"
 

Em outro post, Ferreira colocou o ultraliberal argentino no mesmo rol de Bolsonaro e do ex-presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.
 

"A esquerda destrói o país, depois vem um candidato de direita, arruma a bagunça, perde as eleições e a esquerda retorna ao poder com a casa arrumada. Trump, Bolsonaro e agora Milei. Vamos ver se irá acontecer o mesmo com ele", disse.
 

O senador Rogério Marinho (PL-RN), líder da oposição, também falou em liberdade e desejou que o exemplo da Argentina seja seguido pelos demais países da América Latina.
 

"Liberdade!!! O pulso ainda pulsa. Viva a Argentina e que seu exemplo em breve seja seguido por toda a América Latina. Milei presidente", afirmou.

 

Em destaque

Nada é rápido, fácil ou barato na gestão de pessoas, diz José Calso Cardoso Jr

  Por Dentro da Máquina | JOTA   < MGI José Celso Cardoso Jr: Nada é rápido, fácil ou barato na gestão de pessoas no serviço público José...

Mais visitadas