A perda da indignação ou o torpor de uma sociedade longe da civilidade; por Mauro Costa
domingo, julho 30, 2023
A impunidade gera a audácia dos maus
Companheiro Junior de Satinha, parece que você está expressando preocupação com a corrupção, a omissão de vereadores e a normalização de comportamentos indefensáveis e injustificáveis na sociedade atual. Essas são questões importantes que afetam a integridade e a saúde da nossa democracia e sociedade como um todo.
A corrupção é um problema sério que mina a confiança nas instituições públicas e prejudica o desenvolvimento econômico e social de Jeremoabo e da nação. Quando alguém tenta justificar ou normalizar a corrupção, está perpetuando um ciclo de desonestidade e impunidade que prejudica a sociedade em geral.
Da mesma forma, a omissão de vereadores e outros representantes públicos em cumprir com suas responsabilidades é uma violação do dever e da confiança depositada pelos cidadãos. A falta de ação pode levar a consequências negativas, como a perpetuação de problemas não resolvidos e o desinteresse na melhoria da qualidade de vida das pessoas
É fundamental que a sociedade como um todo se levante contra a corrupção, a omissão e a normalização de comportamentos negativos. Isso pode ser feito através da participação ativa nas instituições democráticas, da cobrança de transparência e responsabilidade dos nossos representantes, além de promover uma cultura de honestidade e ética em todas as esferas da sociedade.
Também é importante reforçar a educação cívica e a consciência dos valores fundamentais que sustentam uma sociedade civilizada. Urge uma mudança de mentalidade para que possamos afastar-nos do caminho da incivilidade e trabalhar juntos para construir uma sociedade mais justa, transparente e íntegra.
Não podemos aceitar o status quo quando ele compromete o bem-estar coletivo. É preciso agir em prol de uma sociedade mais justa, e cada indivíduo tem um papel importante nesse processo. Juntos, podemos dar os passos necessários para construir um futuro melhor.
Quem diz que não dá em nada é mais corrupto do que o prefeito, é um tipo de reação que tenta enganar a si proprio ao querer justifcar o injustifiável, é tentar esconder a omissão e prevaricação por eles praticadas, que não tem outro nome a não ser desonestos.
PF comprova esquema de governador de Alagoas
Governo quer concluir esboço da reforma administrativa ainda este ano, dizem fontes do Planalto
O país dos compadres
TSE manda Bolsonaro comprovar gastos com festa de bicentenário e aplica multa de R$ 55 mil
Por Redação

O corregedor-geral do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), ministro Benedito Gonçalves, determinou que o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) e o seu então candidato a vice-presidente nas eleições de 2022, Walter Braga Netto (PL), mostrem como foram efetuados os gastos no evento do Bicentenário da Independência. As comprovações referem-se aos eventos feitos em Brasília e no Rio de Janeiro.
De acordo com o Metrópoles, parceiro do Bahia Notícias, o ministro ainda aplicou multa individual de R$ 55 mil aos dois por litigância de má-fé, ao manterem no ar publicidade do evento, considerada irregular.
Bolsonaro e Braga Netto são investigados em ações do TSE por abuso de poder político e uso indevido de comunicação. Ao aplicar as multas, que somam R$ 110 mil, considerou que eles descumpriram decisão para excluir das redes sociais propaganda eleitoral com material que continha imagens do então presidente da República e candidato às eleições, tiradas em eventos do Bicentenário da Independência.
Em quatro decisões diferentes, Benedito ainda marcou oitivas com: o governador do Distrito Federal, Ibaneis Rocha (MDB), o governador do Rio de Janeiro, Cláudio Castro (PL), o senador Ciro Nogueira (PP-PI)), ministro-chefe da Casa Civil à época e, hoje senador, e o então ministro da Defesa, Paulo Sérgio Nogueira.
VALORES
Os gastos do governo federal na celebração do Bicentenário da Independência, realizado em 7 de Setembro de 2022, em Brasília, superaram as despesas das últimas quatro festas juntas.
No total, foram empenhados pelo menos R$ 4,059 milhões para o desfile deste ano. A informação foi repassada pelo Ministério das Comunicações por meio da Lei de Acesso à Informação (LAI).
O montante é referente a cinco contratos fechados para a realização da cerimônia. No entanto, o custo dessas celebrações pode ser maior, uma vez que esses dados não incluem, por exemplo, os gastos das Forças Armadas – que disponibilizam tropas e carros para o desfile.
De 2016 a 2019, contudo, as quatro celebrações tiveram, juntas, custo total de R$ 3,675 milhões – valor ainda menor que o deste ano. Em 2016, o governo desembolsou R$ 1,1 milhão; em 2017, R$ 787,5 mil; em 2018, R$ 816,9 mil; e em 2019, primeiro ano de Jair Bolsonaro na presidência, R$ 971,5 mil.
Bolsonaro escondeu projeções de casos e mortes na pandemia
Bolsonaro escondeu projeções de casos e mortes na pandemia
Por Mateus Vargas | Folhapress

Agentes de inteligência do governo Jair Bolsonaro (PL) elaboraram mais de mil relatórios sobre a pandemia, projetando aumento no número de casos e mortes no Brasil, enquanto o ex-presidente boicotava medidas de combate à Covid-19 e o acesso às vacinas.
Mantidos em sigilo durante a gestão passada, os documentos foram produzidos ao menos de março de 2020 a julho de 2021. O material tem folhas com carimbos da Abin (Agência Brasileira de Inteligência), GSI (Gabinete de Segurança Institucional) ou sem identificação de autor.
Os documentos reforçam que Bolsonaro ignorou, além das recomendações do Ministério da Saúde, as informações que eram levantadas por agentes de inteligência e dentro do próprio Palácio do Planalto.
Os agentes da Abin e do GSI citam o distanciamento social e a vacinação como formas efetivas de controlar a doença, mostram estudos que desaconselham o uso da cloroquina e alertam sobre possibilidade de colapso da rede de saúde e funerária no Brasil.
Os relatórios ainda reconhecem falta de transparência do governo Bolsonaro na divulgação dos dados da pandemia, além de lentidão do Ministério da Saúde para definir estratégias de testagem e combate à doença.
A maior parte dos relatórios projeta três cenários de avanço de casos e mortes pela Covid no Brasil, do mais ao menos grave, para cerca de duas semanas seguintes.
Bolsonaro contrariou técnicos da saúde e agentes de inteligência em frases e no comportamento durante a pandemia ao promover aglomerações e desdenhar das recomendações para evitar a propagação do vírus. Em março de 2020, ele disse que a doença "é muito mais fantasia", "não é isso tudo que a grande mídia propaga".
Em fevereiro do ano seguinte, afirmou que ainda havia "idiotas que até hoje ficam em casa". No mês seguinte, quando o Brasil chegou a marca de 320 mil mortos, o mandatário pediu o fim das "frescuras" e do "mimimi" sobre a doença.
De forma geral, as estimativas feitas pela Abin se aproximaram dos dados efetivamente registrados. Em alguns casos, a alta da pandemia superou as expectativas dos agentes de inteligência.
Em 7 de abril de 2021, o Brasil registrou 341.097 mortos, conforme dados do consórcio de veículos de imprensa. A projeção que havia sido feita em 26 de março pelo setor de inteligência era de atingir de 330.216 a 338.558 mortos, no melhor e pior cenário, respectivamente, para esta data.
Durante a pandemia, o GSI era comandado pelo general Augusto Heleno, enquanto a Abin estava sob chefia de Alexandre Ramagem, atual deputado federal pelo PL do Rio. Ambos eram aliados fiéis de Bolsonaro e foram procurados pela reportagem, mas não se manifestaram.
Os ex-ministros Braga Netto (Casa Civil), Eduardo Pazuello (Saúde) também não quiseram comentar os relatórios. O ex-presidente Bolsonaro não se manifestou até a publicação deste texto.
Ao menos 18 relatórios elaborados nos primeiros meses da crise citam risco de "colapso" em diversas regiões do Brasil. Outros 12 documentos de maio de 2020 afirmam que o Brasil não havia atingido o pico da doença.
Documento da Abin de março de 2020 afirmava que "medidas como essas [distanciamento social] podem reduzir o tempo para que a epidemia alcance o pico do número de caos de contágio".
Esses papéis foram originalmente produzidos para as discussões do comitê chefiado pela Casa Civil sobre as ações do governo durante a pandemia, segundo integrantes da gestão passada. Os documentos não eram apresentados a todo o comitê e chegavam às mãos de assessores de poucos ministros, ainda de acordo com as mesmas autoridades.
Três membros da cúpula do Ministério da Saúde de Bolsonaro disseram que desconheciam os relatórios. Mais de 1.100 arquivos foram disponibilizados à reportagem após diversos pedidos baseados na LAI (Lei de Acesso à Informação).
A partir de janeiro, os agentes de inteligência passaram a fazer relatórios sobre a falta de oxigênio no Amazonas, além do risco de a crise se repetir em outras regiões.
À época, Bolsonaro disse que o governo foi "além daquilo que somos obrigados a fazer" na crise do estado. A gestão dele, porém, havia ignorado alertas em série sobre a falta de oxigênio.
Fora da Presidência, Bolsonaro ainda é pressionado por apurações sobre a Covid. O ministro Gilmar Mendes, do STF (Supremo Tribunal Federal), anulou neste mês uma decisão da Justiça Federal que havia arquivado parte de uma investigação sobre irregularidades cometidas pelo ex-presidente na pandemia.
Um documento do setor de inteligência do governo, de 2 de fevereiro de 2021, apontou que ainda não havia informações suficientes para concluir se a variante P.1 da Covid-19 era mais ou menos agressiva. "No entanto, por apresentar maior transmissibilidade, a nova variante aumenta o risco de colapso do sistema de saúde, levando a maior número de óbitos relacionados", disse o documento.
O mesmo papel cita a vacinação como medida efetiva contra a Covid. "Em um cenário de descontrole da pandemia no país, maior seria a chance de o vírus sofrer mutações em série e, consequentemente, afetar a eficácia das vacinas desenvolvidas", afirma o relatório que leva carimbo do GSI.
Dias mais tarde, em 11 de fevereiro, Bolsonaro disse que "o cara que entra na pilha da vacina, só a vacina, é um idiota útil. Nós devemos ter várias opções".
Ao menos oito informes dos primeiros meses da pandemia citam manifestações de entidades científicas e governos estrangeiros desaconselhando o uso da cloroquina ou da hidroxicloroquina.
"Estudos recentes realizados em pacientes com Covid-19 que usaram esses medicamentos identificaram graves distúrbios do ritmo cardíaco, em alguns casos fatais, particularmente se utilizados em dosagens altas ou em associação com o antibiótico azitromicina", afirma relatório de 23 de abril de 2020.
Apesar dessas análises, Bolsonaro usou o Laboratório do Exército, além do corpo diplomático, para produzir e receber doações estrangeiras dos fármacos, que acabaram encalhados durante a pandemia.
Alguns dos relatórios alertam para o desgaste político da má gestão federal na pandemia. Em documento de 19 de maio de 2020, os agentes afirmam que prováveis falhas no sistema funerário poderiam "acarretar graves consequências sociais, impactando a percepção sobre as ações estatais de enfrentamento à pandemia e, no limite, a própria confiança da população no Estado".
Em 7 de junho, um "briefing" não assinado diz que a decisão do Ministério da Saúde de esconder dados da Covid-19 "gerou desgaste na imagem do ministério e do governo federal".
"A consequência desta situação específica é o ministério perder espaço político e controle das informações prestadas e, com isso, há redução na transparência dos dados brasileiros, o que dificultaria a tomada de decisão nos estados e a adoção de ações e políticas para refrear a epidemia no país", disse o relatório.
O documento ainda citou risco de boicotes internacionais ao país e disse que a Saúde ainda não havia publicado "padrões técnicos" para combate e avaliação da pandemia nos estados e municípios.
À época, Bolsonaro debochou do atraso na divulgação dos dados. "Acabou matéria no Jornal Nacional", disse ele em 5 de junho de 2020, quando também se referiu à Globo como "TV funerária".
Os papéis da Abin não foram entregues à CPI da Covid. A comissão chegou a solicitar previsões feitas pelo governo sobre a pandemia, mas recebeu apenas análises da Saúde sobre o cenário do momento.
O governo Bolsonaro negou o acesso à Folha de S.Paulo aos documentos da Abin e do GSI durante a pandemia. "Todos os relatórios referentes ao novo coronavírus (Covid-19) são instrumentos de estudo e a sua publicização está resguardada", afirmou uma das respostas do governo passado.
A gestão Lula chegou a impedir o acesso aos relatórios, mas mudou de postura e passou a apresentar os papéis a partir de maio.
Do início da pandemia até esta quarta (26), eram registrados 704.659 mortes pela Covid e 37.717.062 casos, segundo o Ministério da Saúde.
Ex-governador do DF é condenado ao pagamento de R$ 10 milhões e à perda dos direitos políticos por 12 anos
Sexta-Feira, 28/07/2023 - 21h00
Por Redação

O juiz titular da 2ª Vara da Fazenda Pública do Distrito Federal, Daniel Eduardo Branco Carnacchioni, condenou, na quinta-feira (27), o ex-governador José Roberto Arruda ao pagamento de multa de R$ 10 milhões, em valores atualizados, por improbidade administrativa.
A sentença foi expedida em uma das ações judiciais decorrentes da Operação Caixa de Pandora, que levou Arruda à prisão e revelou o maior esquema de corrupção da capital do país. As informações são do portal Metrópoles, parceiro do Bahia Notícias.
Arruda e outros seis réus foram condenados por um esquema de pagamento de propina de pelo menos R$ 1,5 milhão, em 2009, envolvendo contrato de informática da Secretaria de Educação do Distrito Federal com a empresa Info Educacional. Cabe recurso contra a sentença.
Carnacchioni condenou Arruda a pagar, em reparação de dano, R$ 1,5 milhão corrigido pela inflação e com mais juros de 1% ao mês, solidariamente com os demais réus. Em valores corrigidos, daria um total de R$ 9 milhões, de forma que cada um dos sete condenados deveria pagar R$ 1,2 milhão.
O ex-governador também foi condenado a pagar mais R$ 1,5 milhão. Após a correção, daria R$ 9 milhões. Se a sentença for mantida, a soma da reparação do dano e da multa aplicada a Arruda deve superar os R$ 10 milhões.
A sentença condena Arruda à suspensão dos direitos políticos pelo prazo de 12 anos. O ex-governador já havia recebido essa sanção em outro processo oriundo da Caixa de Pandora, que o impediu de concorrer nas eleições de 2022.
O juiz também proibiu Arruda de contratar com o poder público ou de receber incentivos fiscais, pelo período de 10 anos.
O secretário de Relações Institucionais do governo Arruda, que depois se tornou o delator da Pandora, Durval Barbosa, também foi condenado a pagar a multa solidária entre os réus por reparação do dano provocado pelo esquema ilícito.
Os demais condenados são: o ex-chefe da Casa Civil José Geraldo Maciel; o ex-subsecretário de Educação Básica Adailton Barreto Rodrigues; a Info Educacional; o proprietário da Info, Alexandre Tavares de Assis; e o servidor da Secretaria de Educação Mayasa Kondo.
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Não importa mais saber onde ou quando começamos a perder nosso poder de indignação com a violência gratuita. Importa ter a consciência de que esse sentimento de torpor, ou mesmo de complacência, está cada vez mais presente em uma sociedade que já se vangloriou de ser pacata, cordial e acolhedora.
Uma sociedade sã não pode achar normal uma quantidade frequente de chacinas, que se sucedem com a mesma fórmula e as mesmas justificativas. Pior ainda quando efetuadas pelo Estado e suas forças da Lei, a quem se pensava confiar a tarefa de proteger. Não é também razoável se normalizar o assustador número de mortes violentas, com índices que ultrapassam em muito os de países em guerra.
É menos concebível ainda se acompanhar, com um misto de indiferença e de medo de ser também vítima, casos de barbárie policial como os registrados na última semana, pontualmente com um rapaz com transtornos mentais, assassinado de maneira brutal em uma abordagem de truculência desnecessária; e de maneira quase sistêmica, em mais uma operação policial em comunidades do Rio de Janeiro, do tipo que vitima foras da lei e inocentes, como se a execução fosse a forma mais eficaz de resolver o problema. Ou como se fosse justificado o grau de violência de acordo com a situação legal ou penal da pessoa.
A cultura de morte e violência estimulada nos últimos tempos em nosso país precisa ser questionada de maneira ampla e consciente. Ela tem nos levado cada vez mais longe da civilidade e da humanidade. Certamente não é esse o país que queremos.