terça-feira, julho 25, 2023

Entenda por que é preciso punir com rigor quem planejou, financiou ou atuou no golpe.


Intérprete a charge política (foto) - brainly.com.br

Charge do Luscar (Arquivo Google)

Roberto Nascimento

Recebi um TikTok, com a fala de um idoso comparando o ladrão de rua ao político ladrão. Os dois são deploráveis, uns furtando nossos bens e os políticos roubando a esperança no futuro. Só que tem um problema: os candidatos que se apresentam para o povo votar, indicados pelos partidos, são quase todos corruptos, sejam da esquerda ou da direita.

Além disso, os candidatos representam algum segmento profissional ou social, tipo sindicatos, indústria, bancos, comércio, instituições religiosas, agronegócio e até o setor de armamentos…

MUDAR É PRECISO – Apesar desses defeitos congênitos, a verdade é que na democracia, a cada eleição, o cidadão tem a oportunidade de mudar tudo. Porém, numa ditadura civil ou militar o povo fica ainda mais perdido, pois quem coloca o governador, o senador biônico e o prefeito nas administrações, é o ditador de plantão. E ninguém pode reclamar, criticar ou espernear, se quiser continuar vivendo.

Resumindo: uma intervenção militar/civil é sempre ruim para a sociedade, pois não existe ditadura boa, seja de esquerda ou de direita.

GOLPE A BRASILEIRA – No caso do recente surto golpista, que sucedeu a Covid-19 aqui no Brasil, a ilegalidade estava no planejamento e na execução fracassada da tentativa de derrubar um governo eleito. Será que os golpistas estavam preparando rosas ou cravos para o povo nas ruas, ou viriam mesmo com tanques, porradas e bomba?

É por isso que, na investigação e no julgamento dos organizadores e participantes, não se pode passar pano para uns e para outros, não.

Se não houver rigor na punição de quem financiou, quem planejou, quem colocou bomba no aeroporto de Brasília e quem participou da derradeira tentativa, quebrando tudo no dia oito de janeiro, esse grupo “revolucionário” pode se julgar representativo a ponto de fazer nova tentativa. Aí, meus caros, quem nos livrará da prisão e da censura ampla, geral e irrestrita? Pense nisso.

Presença de Nísia Trindade na Saúde é vital para o povo e para a ética no governo


Nísia Trindade é a esperança da humanização de um sistema essencial

Pedro do Coutto

Setores do Centrão, sempre em busca de espaço cada vez maior na administração, voltaram as suas lentes para o Ministério da Saúde muito mais em função das verbas da pasta, do que pela capacidade de atendimento à população através do SUS. Por isso, a permanência da médica Nísia Trindade à frente do ministério torna-se um fator fundamental no sentido tanto da eficiência do atendimento quanto em face de um comportamento ético que tem que marcar a sua presença no governo, sobretudo na Saúde, da qual dependem diariamente centenas de milhares de homens e mulheres que não contam com recursos para recorrer aos hospitais e clínicas particulares.

Reportagem de Karolini Bandeira, O Globo desta segunda-feira, focaliza o tema de altíssima sensibilidade, porque, além da vida, relaciona-se diretamente com o bem estar humano e suas condições de trabalhar e produzir. É inaceitável os que tentam substituir a essência humana da missão por interesses presentes nos fornecimentos de remédios e materiais indispensáveis ao socorro diário destinado aos que ficam expostos às doenças e acidentes. Há também a importância essencial das vacinações que bloqueiam que o índice de moléstias aumente para situações fora de controle.

VÍTIMAS – Cada desvio de recursos na área em que atua Nísia Trindade significa, na verdade, condenar à morte milhares de pessoas que são vítimas da insuficiência de condições dignas ao longo de suas vidas. Basta ver os rios poluídos de esgotos que margeiam os becos sombrios que separam casas nas favelas do Rio de Janeiro em imagens diariamente mostradas pelo jornal da manhã da TV Globo.

Políticos, quando reivindicam o Ministério da Saúde, na verdade, não desejam fazer evoluir o setor, mas aumentar a sua participação nas compras de remédios e equipamentos, sendo que em inúmeras situações a conivência faz com que o tempo criminosamente inviabilize a utilização de medicamentos. É incrível a emoção sempre gelada dos atores da corrupção que só visam lucros imorais e ilegítimos e que se encontram sempre distantes de qualquer compromisso com a vida humana e para a dignidade com que devem ser tratadas as camadas de menor renda da população.

São essas camadas que recorrem às redes públicas de Saúde enfrentando longas filas e o desespero de não terem certeza se serão atendidas. Em inúmeros casos, têm que enfrentar a dor física à espera de que apareça um profissional para retirá-la da situação opressiva e sufocante. É indispensável, mas também pouco possível, que uma expressiva parte de políticos considere a falta de atendimento dos postos de Saúde como uma calamidade que amplia o sofrimento.

BLINDAGEM  – Essa facção só está preocupada em participar dos efeitos de compras desvinculadas do interesse público, mas vinculadas ao enriquecimento dos ladrões, verdadeiros vampiros de vidas humanas. O presidente Lula da Silva age bem em blindar Nísia Trindade. Ela é a esperança da humanização de um sistema essencial para os que sofrem e não têm certeza de que poderão ser socorridos.

É possível que Nísia Trindade não possua habilidades para lidar com reivindicações e propostas sinuosas que se repetem em sua área. Mas isso ela aprenderá em mais alguns poucos meses. Vale a pena esperar. A sociedade brasileira agradece.

CHATGPT – Reportagem de Bruno Romani, o Estado de S. Paulo de domingo, destaca reações surgidas na área da Inteligência Artificial que se voltam contra a forma usada pelo ChatGPT para acumular dados de outras plataformas em sua própria base, que colocou em prática um degrau à frente da comunicação entre os seres humanos e as máquinas que não têm nervos ou emoções.

A matéria vale a pena ser lida e analisada em suas diversas dimensões. Uma delas é levantada pelo professor Luca Delli, coordenador do Centro de Tecnologia da Fundação Getúlio Vargas. Ele questiona sobre o uso de dados por grandes modelos  da Inteligência Artificial.

Delli alega que a plataforma invadiu o seu arquivo pessoal sem autorização para isso. Creio que o tema conduza a um outro, este sim, muito mais grave: o de atribuir a alguém opiniões que não emitiu sobre diversos assuntos controversos, por exemplo. Esta hipótese, de fato, é um perigo. Fica no ar aguardando uma resposta.



Delator revela como matador de Marielle subiu de vida, com lancha, carrão, casa…

Publicado em 25 de julho de 2023 por Tribuna da Internet

Acusado de matar Marielle, Ronnie Lessa é condenado por tráfico de armas | VEJA

A dúvida: por que a morte de Marielle valia tanto dinheiro?

Pepita Ortega e Daniel Haidar
Estadão

Tendo participado como motorista no assassinato da vereadora Marielle Franco, o ex-PM Élcio Queiroz ressaltou em sua delação premiada o ‘acréscimo patrimonial muito grande’ de Ronnie Lessa – autor dos disparos no dia 14 de março de 2018 – após o crime. Ele comprou uma Dodge Ram blindada, uma lancha, queria fazer uma casa de praia em Angra dos Reis.

Para os investigadores, as revelações do delator sobre as aquisições de bens de Ronnie Lessa podem reforçar a suspeita de que ele foi financiado por mandantes. Esta é a próxima etapa da apuração. Nesta segunda-feira, 24, o ministro da Justiça indicou o avanço do inquérito nessa direção.       

“NENHUM CENTAVO” – Em sua delação, Elcio Queiroz relatou que Ronnie Lessa jurava que ‘não levou nenhum centavo’ do assassinato. A Polícia Federal questionou se o delator acreditava nessa versão. Ele respondeu que não.

“Por que depois do fato, vi um acréscimo muito grande… como se diz…no patrimônio; tinha a Evoque; comprou uma DODGE RAM blindada; uma lancha, uma nova; que a dele tinha virado no quebra mar, que ele refez e quase deu perda total, mandou reformar, vendeu e pegou uma zero; e depois disso viajou com o meu filho”, frisou.

Queiroz também comentou sobre a situação de uma terreno de Lessa em Angra dos Reis. Segundo o ex-PM, ele queria fazer a ‘casa dele ali, do jeito dele’, ‘uma casa e mais umas outras casinhas lá’.

QUEIXAS DA MULHER – “E a esposa reclamando que ele estava vivendo de aluguel, pagando na verdade duas casas, a 566 que ele morava; dois condomínios; que ele estava gastando, dando dinheiro pros outros e tal; podendo estar na nossa casa, não faz nossa casa”, indicou.

“Falei com ele: ‘pô cara, ao invés de fazer sua casa, você tá gastando dinheiro com casa de praia, podendo fazer sua casa, o seu pessoal tá chateado’; aí ele falou: ‘cara, eu tenho dinheiro pra fazer essa casa e fazer a da Barra, dinheiro eu tenho para as duas’”, completou o delator.

A delação de Queiroz, fechada após a Polícia Federal angariar novas provas sobre o caso Marielle/Anderson, foi o que abasteceu o inquérito sobre o crime cometido em março de 2018.

DEUSA DA ESPERANÇA – Com base nos relatos do ex-PM delator, corroborados pelos investigadores, a PF abriu na manhã desta segunda-feira, dia 24, a Operação Élpis, anunciando a conclusão da apuração sobre a mecânica do crime.

Agora, a apuração deve usar as provas colhidas nas diligências realizadas hoje para seguir na investigação sobre os mandantes e financiadores do assassinato de Marielle e Anderson. Segundo o ministro da Justiça, Flávio Dino, o nome da operação faz referência à ‘esperança’ de responder à pergunta ‘quem mandou matar Marielle e Anderson’. Élpis é o nome da deusa que seria a personificação da esperança.

###
NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
 – Para achar o mandante, é preciso encontrar o elo perdido da investigação. Afinal, o que Marielle estava fazendo de tão importante, a ponto de sua morte ter tanto valor financeiro? Reformulando: a quem Marielle estava incomodando tanto, a ponto de Lessa passar meses em sua campana e ganhar tanto dinheiro com a execução? (C.N.)

Governo define os ministérios “intocáveis” na reforma para fazer negócio bem rápido


Charge de Caio Gomez (Correio Braziliense)

Denise Rothenburg
Correio Braziliense

Em meio às especulações sobre a reforma ministerial, o governo fez chegar aos partidos a lista das pastas que estão fora da lista de possíveis substituições. Primeiramente, os ministros palacianos — Casa Civil, Secretaria Geral da Presidência e Relações Institucionais. Depois, os três da área econômica: Fazenda, Planejamento e Gestão.

Em seguida, vêm os da Defesa e da Saúde, no qual o governo coloca como ponto de honra manter uma gestão técnica. Os demais, ainda que o presidente tenha dito aqui e ali que um ou outro não será substituído, o aviso recebido pelos partidos que devem entrar no governo deixa tudo em aberto.

NESTA SEMANA – A ideia é afunilar essa decisão, para que o governo possa se reunir com os partidos, ainda nesta semana, com um desenho fechado.

Em tempo: as especulações sobre a reforma ministerial irritaram o presidente Lula da Silva. Ele não quer gerar mágoas que possam comprometer o todo. O trabalho paralelo será arrumar serviço para quem deixará o primeiro escalão.

Afinal, se arrumar o Centrão e comprometer todo o trabalho de juntar a esquerda que Lula começou, lá na pré-campanha, a soma é zero para o presidente e o PT.

FACILITA A VIDA – Quem não tem mandato parlamentar, é ministro e está na lista de quem pode ser substituído, tem a perspectiva de ocupar estatais e autarquias. Algo que os detentores de mandato eletivo não têm. Isso será levado em conta na hora de decidir a reforma ministerial. Por isso, a lista inclui Portos e Aeroportos, Ciência e Tecnologia e por aí vai.

Na reforma em curso, o PT não mexerá com os ministérios do MDB. O partido já deu muito trabalho no passado, quando ficou insatisfeito e deflagrou o impeachment de Dilma Rousseff. Lula quer paz com os emedebistas.

E a reunião que deveria ocorrer na quinta-feira entre Lula e o deputado Arthur Lira (PP-AL, foto) não aconteceu por um único motivo: ninguém no Planalto ligou com antecedência para o presidente da Câmara a fim de combinar o encontro.

SEM WHATSAPP – Entre os aliados de Lira, o comentário é que não se convida chefe de outro Poder para uma reunião via jornais nem por rede social. Não precisa ser um convite bordado a ouro, mas uma consulta para verificar a agenda do presidente da Câmara seria de bom tom. Lira estava em São Paulo, fazendo exames.

E Lula já tem nova viagem internacional agendada. Em agosto, estará na África do Sul, para reunião do Brics, bloco formado por Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul. Vladmir Putin avisou que não irá. A guerra é a prioridade do presidente russo.

Por fim, integrantes do PL calcularam mal a disposição do presidente do partido, Valdemar Costa Neto, de se manter distante do PT e apostar nos votos do bolsonarismo. A expulsão do deputado Yuri do Paredão (CE), em menos de uma semana, é uma demonstração de que o PL não abandonará o ativo que conquistou em 2022 — ou seja, os votos de Jair Bolsonaro e de seus aliados.


" Pai Deri" em busca de vagas para contratar seus simpatizantes sem concurso público, resolveu através de Portaria desrespeitar Artigos da Constituição Federal de 1988, a Emenda Constitucional 103/19, Decisão com Repercussão Geral do STF assim como Parecer Técnico do TCM-BA, o energúmeno é uma Potência

" Pai Deri" em busca de vagas para contratar seus simpatizantes sem concurso público, resolveu através de  Portaria  desrespeitar Artigos da Constituição Federal de 1988, a Emenda Constitucional 103/19, Decisão com Repercussão Geral do STF assim como Parecer Técnico do TCM-BA, o  energúmeno é uma Potência, acha´se acima da lei,

Pelo contexto apresentado no site Jeremoabo.com, parece tratar-se de uma situação jurídica onde impetrantes, servidores do Município de Jeremoabo, foram alvo de atos do prefeito Deri do Paloma orientado por seu conluio a partir de 18/05/2023. Esses atos consistem na instauração de Processo Administrativo Disciplinar (PAD) e no rompimento do vínculo com o município, alegando que os impetrantes estariam acumulando indevidamente os proventos da aposentadoria com os rendimentos do cargo/emprego, seria de bom alvitre que os assessores do prefeito estudassem um pouco os atos da Previdência Social,


No entanto, os impetrantes amparados nas leis argumentam que possuem direito adquirido, amparado pelo entendimento do Supremo Tribunal Federal (STF) no TEMA 606 e pelo artigo 6° da Emenda Constitucional 103/19. Eles também mencionam que o Tribunal de Contas dos Municípios do Estado da Bahia (TCM/BA) já emitiu parecer favorável ao mesmo entendimento.

Adicionalmente, os impetrantes destacam que há servidores que nunca estiveram aposentados e também foram alvo da mesma ameaça. Eles afirmam ter apresentado defesas administrativas dentro do prazo estipulado, anexando provas, como cartas de concessão de aposentadoria, que comprovam que adquiriram o benefício antes das alterações da Emenda Constitucional 103/19. o prefeito está apelando para o abuso do poder e crime de responsabilidade, será que essa arbitrariedade é paar cobrir o buraco das festas juninas, ou aproprieção indevida de recursos previdênciários.

Nesse sentido, os impetrantes alegam que a norma constitucional é clara ao modular os efeitos, estabelecendo que os benefícios adquiridos antes da entrada em vigor da Emenda Constitucional 103/19 são considerados legais, permitindo a acumulação do cargo/emprego com a aposentadoria, será que o preefito está confundindo com o Nepotismo onde empregou toda a famiglia?

Com base nessas informações, é possível inferir que os impetrantes estão buscando proteger um direito líquido e certo que entendem ser garantido pela legislação e pelos entendimentos jurídicos mencionados. O objetivo provável é anular os atos do prefeito que ameaçam romper o vínculo de trabalho com o município em função da acumulação de proventos de aposentadoria com o salário do cargo/emprego. A utilização de um mandado de segurança pode ser uma das vias jurídicas escolhidas para fazer valer seus argumentos perante a Justiça.

TCU abre investigação contra presidente do Banco Central




Campos Neto falou sobre a possibilidade de terceirizar a administração de recursos financeiros em entrevista à gestora BlackRock

A corte irá apurar se há irregularidades no plano de passar à iniciativa privada a gestão de parte dos ativos sob administração do banco

Por Renata Agostini

O Tribunal de Contas da União (TCU) abriu uma investigação contra o presidente do Banco Central (BC), Roberto Campos Neto.

A Corte irá apurar se há irregularidades no plano de passar à iniciativa privada a gestão de parte dos ativos sob administração do banco.

O ministro Benjamin Zymler foi designado relator do caso. A apuração atende a pedido do subprocurador-geral Lucas Rocha Furtado.

Segundo apurou a CNN, o caso deve avançar na corte. De acordo com relatos de integrantes do TCU, há avaliação de que o chefe da autoridade monetária foi “imprudente” ao citar o plano de repassar a terceiros a gestão de ativos.

Campos Neto falou sobre a possibilidade de terceirizar a administração de recursos financeiros em entrevista à gestora BlackRock.

Ele não especificou como o processo se daria nem quais ativos seriam repassados. Mas, ao dizer que considerava o plano, ele precipitou nova leva de críticas por parte de governistas e levantou dúvidas sobre a conveniência de tal movimento.

O Banco Central faz, por exemplo, a gestão das reservas internacionais do Brasil, que é uma espécie de “poupança” do país.

Além da abertura de investigação, o subprocurador solicitou que o TCU determine, de forma cautelar, que Campos Neto fique impedido de prosseguir com qualquer tratativa para tirar do BC a gestão de ativos, como as reservas internacionais.

Segundo Lucas Rocha Furtado, é “inadmissível” que uma ação como essa avance.

“Com reservas internacionais bem administradas, o risco de o país não conseguir honrar seus compromissos financeiros em moeda estrangeira é reduzido, o que afeta a imagem do país aos olhos dos investidores estrangeiros, bem como a possibilidade de o país financiar a dívida pública com emissão de títulos”, diz trecho da representação.

Procurado, o Banco Central disse que não iria comentar.

CNN

Como lidar com a politização do STF




Nos últimos anos, cresceu entre muitos brasileiros a percepção de que os ministros do STF — se não todos, um número significativo deles — julgam conforme suas convicções pessoais.

Por Diogo Schelp (foto)

Em 2016, em um obituário de Antonin Scalia publicado na revista The Atlantic, o jurista Jeffrey Roson recordou um episódio em que pediu uma entrevista àquele que é considerado um dos mais influentes juizes conservadores que a Suprema Corte americana já teve. Roson relatou que Scalia recusou a solicitação com uma mensagem que, a meu ver, de maneira muito simples, serve como lição para os dilemas da tão falada politização do nosso Supremo Tribunal Federal (STF).

Escreveu Scalia: "Desde que me tornei um juiz [da Suprema Corte], tenho adotado a conduta uniforme de recusar entrevistas para artigos sobre mim. Essa conduta certamente tem seus custos, mas está de acordo com a nossa tradição jurídica de evitar exposição pública. (Como você sabe, sou um grande adepto da tradição.) É tentador abrir uma exceção para um artigo de rara natureza como o que você descreve, mas regra é regra. (Também sou grande adepto de regras.) Perdão por desapontá-lo — e desejo a nós dois boa sorte no artigo."

A mensagem, observou Roson, resume a atuação de Scalia, marcada pela defesa da separação de preferências pessoais de conclusões jurídicas e pela necessidade de recorrer à tradição e às regras para resistir à tentação de seguir no caminho contrário. Roson afirma que, na prática, ao longo dos anos Scalia contradisse algumas vezes sua promessa de não deixar sua visão política interferir na interpretação da constituição. Mas também ocorreu o contrário: em outros tantos de seus votos em julgamentos na Suprema Corte, Scalia acabou tendo um entendimento constitucional com resultado contrário à sua opinião pessoal. Por exemplo, quando acompanhou a maioria atestando o direito de manifestantes queimarem a bandeira americana. "Por mim, colocava na cadeia todo esquisitão barbudo de sandália que queima a bandeira", disse Scalia depois. Mas ele precisava seguir a letra fria da Constituição — e o que os seus autores tinham em mente quando a escreveram.

Sobre as eventuais contradições entre os princípios que o norteavam e o seu voto nos julgamentos, Scalia afirmava que nem toda teoria é perfeita. Mas o fato é que ele perseguia a separação entre visão pessoal e a interpretação do texto constitucional como um ideal.

Nos últimos anos, cresceu entre muitos brasileiros a percepção de que os ministros do STF — se não todos, um número significativo deles — julgam conforme suas convicções pessoais, extrapolando ou até mesmo contradizendo o texto constitucional. Mais do que isso, existe a suspeita de que por vezes os integrantes da Corte julgam ao sabor de conveniências pessoais (por exemplo, pelo fato de alguns ministros serem casados com advogadas com ações no Supremo, como revelou a revista Crusoé) ou de mudanças na conjuntura política (recentemente, alguns ministros mudaram seus votos de forma a favorecer interesses do governo Lula, segundo reportagem do jornal Folha de S.Paulo).

Obviamente, tampouco contribui para a imagem do STF a frequência com que alguns de seus ministros participam de eventos públicos, expondo suas ideias e visões pessoais, muito além da discussão teórica de cunho jurídico, em palestras, debates e entrevistas. No mais recente deles, o ministro Luís Roberto Barroso, em reação a manifestantes estudantis, afirmou que "derrotamos o bolsonarismo", no que foi interpretado como uma confissão de que a corte atuou contra o movimento político associado ao ex-presidente Jair Bolsonaro (o STF divulgou nota explicando que o sujeito da frase era "o voto popular" e o próprio Barroso afirmou depois que se referia ao "extremismo golpista" e que não pretendia ofender os eleitores de Bolsonaro).

Barroso vai assumir a presidência do Tribunal em outubro deste ano, depois da aposentadoria de Rosa Weber, o que significa a substituição de uma ministra de perfil discreto por outro que não se contém em expressar sua opinião sobre temas diversos, inclusive sobre a conjuntura política.

Há várias formas de lidar com a politização do STF. A mais eficiente delas seria que ocorresse por iniciativa dos próprios ministros da corte um esforço de autocontenção, para usar uma expressão do ex-ministro Marco Aurélio Mello. Mas a possibilidade de os ministros deixarem de avançar em atribuições de outros Poderes ou de expor suas preferências políticas espontaneamente é próxima de zero porque a sensação de poder, para qualquer pessoa que as alcança, é inebriante e porque a vaidade, quando deixa de ser alimentada, provoca síndrome de abstinência.

Um segundo caminho para reduzir a politização do STF seria a troca gradual de seus ministros por outros menos conectados com o mundo político e mais dispostos a seguir os princípios de Scalia descritos acima. Mas isso levaria muito tempo e, ademais, definitivamente não é algo do interesse do atual presidente, que já nomeou um novo ministro, Cristiano Zanin, que foi seu advogado pessoal — o que por si, independente das qualidades jurídicas e da reputação profissional do indicado, já aponta para uma tentativa de influenciar a corte a seu favor. Lula terá a chance de indicar mais um nome para o STF e os sinais são de que o critério será o mesmo.

A terceira maneira de despolitizar o STF, segundo defendem alguns juristas e políticos, seria limitar os mandatos dos ministros, fixando-os em oito ou dez anos (atualmente, precisam se aposentar aos 75 anos), ou transferir para o Legislativo a prerrogativa de indicar os substitutos. Porém, dificilmente isso teria o efeito desejado. Primeiro, porque a regra dos mandatos fixos só passaria a valer para os novos indicados. Segundo, porque não há nenhum motivo para acreditar que ministros com mandato fixo serão menos afeitos ao ativismo judicial ou à politização de sua atuação. Ao contrário, eles podem se ver na tentação de usar seus mandatos como trampolim para uma carreira política ou para o setor público. Podem acabar julgando de olho nos frutos profissionais que podem colher depois de terminado o mandato, e não apenas após a aposentaria compulsória, e isso pode estimular o jogo político.

Há, sim, algumas medidas, por meio de Proposta de Emenda à Constituição, que podem restringir o poder solitário de um ministro do STF, por exemplo reduzindo as decisões monocráticas, e aumentar a moralidade na Corte, coibindo situações de conflito de interesse na atuação de seus integrantes.

Mas o que sobra mesmo, de mais imediato, para combater a politização do STF é a crítica serena, bem embasada, que a sociedade pode fazer à atuação dos ministros. Não o tipo de enfrentamento que Bolsonaro promoveu nos últimos anos, chegando ao ponto de afirmar que não obedeceria a decisões do STF ou fazendo ofensas pessoais aos ministros. Isso só agravou e estimulou a politização da Corte. Ataques de cidadãos comuns a integrantes da Corte, como os que sofreram os ministros em evento em Nova York no ano passado ou como os que foram feitos pelo ex-deputado federal Daniel Silveira, que o levaram à condenação pela própria Corte, tampouco ajudam.

Em vez disso, são necessárias críticas embasadas, serenas e claras a situações específicas em que os ministros deixam em dúvida sua imparcialidade e sua capacidade de deixar de lado preferências pessoais e políticas na interpretação da Constituição. É preciso coragem para engajar-se nessas críticas, pois há um temor de que qualquer contestação à politização e às atitudes dos ministros possa ser interpretada como golpismo ou ofensa pessoal.

Os excelentíssimos ministros e ministras do STF precisam compreender, com essas críticas, que o tempo de enfrentamento entre os Poderes passou. Que existem responsabilidades a serem apuradas e punidas pelos atos golpistas de 8 de janeiro, mas que de resto é chegado o momento de recuperar a imagem da Corte — inclusive junto àqueles que chegaram a acreditar que o país estaria melhor com seu fechamento. Para isso, os guardiões da Constituição precisam retirar-se do debate político e deixar claro que estão aí para defender os direitos também dos bolsonaristas, não para derrotá-los ou persegui-los.

Gazeta do Povo (PR)

Em destaque

Pressão sindical resulta em avanços no Planserv

  Medidas são anunciadas após reunião com o governo na Serin Após uma série de cobranças sindicais por melhorias no Planserv, articuladas pe...

Mais visitadas