segunda-feira, maio 22, 2023

Lula pede 'sérias providências' diante de xingamentos racistas contra Vinicius Junior

 

Lula pede 'sérias providências' diante de xingamentos racistas contra Vinicius Junior
Foto: Ricardo Stuckert/PR

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) manifestou neste domingo (21) solidariedade ao jogador brasileiro Vinicius Junior, que foi vítima, mais uma vez, de xingamentos racistas na Espanha. O jogo entre Valencia e Real Madrid, time de Vinicius, foi interrompido no segundo tempo depois de parte da torcida chamar o brasileiro de "macaco".
 

"A Fifa, a Liga Espanhola, têm que tomar sérias providências, não podemos permitir que o fascismo e o racismo tomem os estádios de futebol", disse Lula antes do início de entrevista coletiva ao final da cúpula do G7, em Hiroshima, no Japão.
 

"Não é justo que o menino pobre que venceu na vida, se transformando num dos melhores jogadores do mundo, seja ofendido em cada estádio em que comparece", disse o presidente. Ele acrescentou seu repúdio ao fato de que, "quase no meio do século 21" tenhamos o preconceito racial ganhando força em vários estádios na Europa."
 

O atacante brasileiro foi expulso neste domingo (21) depois de confusão iniciada após insultos racistas proferidos contra ele por torcedores do Valencia. As equipes se enfrentavam no estádio Mestalla, pela 35ª rodada do Campeonato Espanhol --o time da capital foi derrotado por 1 a 0.
 

Imagens mostram o momento em que o jogador da seleção brasileira encara torcedores da equipe mandante próximos à linha de fundo. A situação provocou uma aglomeração entre atletas dos dois times e a partida foi interrompida por alguns instantes. Apenas o brasileiro foi expulso, com interferência do VAR (árbitro assistente de vídeo).
 

Em mensagem nas redes sociais após o jogo, o atacante afirmou que o racismo "é normal" em La Liga e sinalizou que pode deixar a Espanha em decorrência desses episódios. Em nota, a organização informou ter requisitado as imagens para investigar "supostos insultos racistas direcionados a Vinicius Jr."
 

"Não foi a primeira vez, nem a segunda e nem a terceira. O racismo é o normal na La Liga. A competição acha normal, a Federação também e os adversários incentivam. Lamento muito. O campeonato que já foi de Ronaldinho, Ronaldo, Cristiano e Messi hoje é dos racistas", escreveu.
 

O presidente de La Liga, Javier Tebas, publicou mensagem após a reação de Vinicius e mandou ele "se informar adequadamente" antes de criticar a liga.
 

"Já que aqueles que deveriam não te explicam o que é e o que pode fazer a La Liga nos casos de racismo, tentamos explicar a você, mas você não compareceu a nenhuma das duas datas acordadas que você mesmo solicitou. Antes de criticar e difamar La Liga, é necessário que você se informe adequadamente. Não se deixe manipular e tenha certeza de entender bem as competências de cada um e o trabalho que estamos fazendo juntos", escreveu.
 

O jogador respondeu à crítica em seguida. "A imagem do seu campeonato está abalada. Omitir-se só faz com que você se iguale a racistas. Não sou seu amigo para conversar sobre racismo. Quero ações e punições. Hashtag não me comove", escreveu o jogador da seleção brasileira pelo Twitter.


Aras prevê escolha de Lula fora da lista tríplice e tenta emplacar sucessor na PGR

 

Augusto Aras segura um papel em sua mão
Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

Augusto Aras busca se cacifar junto ao entorno de Lula (PT) para ter voz na escolha de seu sucessor e emplacar seu substituto na PGR (Procuradoria-Geral da República).
 

O fato de ter sido escolhido para comandar o órgão fora da lista tríplice da categoria é considerado por Aras um de seus trunfos e ele agora tenta convencer o atual ocupante do Palácio do Planalto a repetir a dose.
 

Lula diz não pensar mais em considerar a lista tríplice para a escolha de quem vai comandar a PGR. O ocupante do posto tem a prerrogativa de conduzir investigações e denunciar o presidente da República.
 

Mesmo tendo sido indicado pelo ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), Aras diz a interlocutores que ele é a melhor opção para Lula —sob o argumento de que não faz parte do seu estilo interferir no processo político.
 

Ele também diz que não daria ao ocupante do Planalto tratamento distinto ao que foi dispensado a Bolsonaro. O procurador-geral teve uma atuação atrelada aos interesses do ex-presidente e foi acusado de abdicar do dever de fiscalizar.
 

Por tal postura, chegou a ser considerado por Bolsonaro para uma indicação ao STF (Supremo Tribunal Federal), caso fosse reeleito presidente. Uma eventual recondução à PGR sob Lula alimentará o sonho de Aras de uma cadeira no Supremo.
 

O atual procurador tem apostado na interlocução com o Congresso para angariar apoios. A indicação presidencial é submetida ao crivo do Senado, que sabatina o escolhido e submete o nome a votação em plenário.
 

Em 2021, em meio a acusações contra Bolsonaro por atos antidemocráticos e pela omissão do governo no enfrentamento à Covid-19, o procurador-geral não teve problemas para renovar o mandato, incluindo votos da oposição.
 

Apesar dos acenos a Lula, Aras sabe que é alto o custo político de uma eventual recondução para o biênio 2023-2025. Por isso, caso não consiga se viabilizar para a recondução, Aras busca ser um ator na sucessão para vetar adversários e ver como seu substituto alguém alinhado.
 

Um deles é o subprocurador Luiz Augusto Santos Lima, um dos designados por Aras para atuar no STF e apontado como de perfil conservador e discreto.
 

Luiz Augusto assumiu o posto na gestão Aras após a saída de José Elaeres Marques Teixeira do cargo, em 2021, devido a um atrito com o procurador-geral.
 

Elaeres foi signatário de uma nota que criticava Aras por omissão durante a gestão Bolsonaro, sob o argumento de que ele não investigava autoridades com foro no Supremo por eventuais crimes de responsabilidade na pandemia.
 

Outro deles é o vice-procurador-geral eleitoral Paulo Gustavo Gonet Branco, que também tem o apoio do ministro Gilmar Mendes, decano do Supremo. Gonet foi sócio do ministro no IDP (Instituto Brasileiro de Ensino, Desenvolvimento e Pesquisa).
 

Ele foi nomeado para o cargo em 2021 sob a desconfiança dos subprocuradores que fazem oposição a Aras. Apesar do preparo técnico, eles entendiam que Gonet se alinharia aos interesses do Palácio do Planalto sob Bolsonaro, assim como o PGR.
 

Nos últimos meses, no entanto, Gonet se aproximou de pautas da gestão Lula, conforme aumentaram as apostas de que ele seria um forte candidato a procurador-geral.
 

Em abril, ele defendeu em uma manifestação no TSE (Tribunal Superior Eleitoral) que seja declarada a inelegibilidade de Bolsonaro no processo com andamento mais adiantado que poderá tirar o ex-presidente de disputas eleitorais por oito anos.
 

Outro cotado, mas visto com menos chance, é o subprocurador Carlos Frederico Santos, coordenador do Grupo Estratégico de Combate aos Atos Antidemocráticos, que apresenta as denúncias contra os manifestantes golpistas que atacaram as sedes dos três Poderes em 8 de janeiro.
 

Um nome descartado é o da vice-procuradora-geral da República e braço direito de Aras em suas duas gestões na PGR, Lindôra Araújo, que é alinhada à família Bolsonaro.
 

Outros membros do Ministério Público Federal também têm articulado para se viabilizarem à sucessão de Aras na PGR, tanto dentro como fora da lista da ANPR (Associação Nacional dos Procuradores da República).
 

Ex-presidente da entidade, Antônio Carlos Bigonha tem apoio de advogados alinhados ao Planalto e circulado em tribunais superiores para obter apoio. Apesar de ter sido da ANPR, ele não deve se candidatar à lista da entidade.
 

Membros do Ministério Público que pretendem se candidatar pela lista apontam que a relação pode servir como uma opção para a decisão do presidente da República, que não necessariamente teria que escolher por fora.
 

Devem concorrer à lista nomes que estiveram nas duas últimas votações da ANPR, como os subprocuradores Mario Bonsaglia e Luiza Frischeisen.
 

Presidente da ANPR, Ubiratan Cazetta faz a defesa do processo. "Vamos defendê-la. A lista tríplice é o modelo que traz transparência ao processo e permite a participação da sociedade", afirmou.
 

Partiu de Lula, em 2003, a iniciativa de considerar as escolhas dos procuradores para definir seu indicado –sequência interrompida em 2019 por Bolsonaro ao optar por Aras.

Preço dos combustíveis faz políticos jogarem para a torcida

 em 22 maio, 2023 8:21

Adibertode Souza


Não acreditem no sucesso da empreitada de alguns políticos sergipanos que andam prometendo obrigar a direção da privatizada refinaria de Mataripe baixar os preços dos combustíveis. Controlada pelo grupo árabe Mubadala, a antes estatal “Landulpho Alves” só se submete se quiser à nova política de preços da Petrobras. E ela não quer. Prefere apostar na regulação dos preços pelo próprio mercado. Portanto, não adianta alguns políticos sergipanos ameaçarem acionar o Procon e pedir providências ao governo federal. Podem até se queixar ao galo da torre da igreja que não adianta. O jus sperniandi é livre, porém esses políticos sabem que não existe no Brasil uma lei obrigando empresas particulares a reduzirem os preços de seus produtos por determinação do governo. Portanto, a privatizada refinaria de Mataripe vai continuar vendendo combustíveis pelos preços que melhor lhe aprouver e quem não quiser comprar dela que procure outro fornecedor. No mais, é conversa mole para enganar os bobos. Simples assim!

Angu de caroço

O governo do presidente Lula se assemelha a uma corda de caranguejo que, ao ser desatada, esparrama crustáceos pra todos os lados. Para o eleitor do “Barba”, contudo, fica difícil entender esse angu de caroço. Portanto, ao entregar a direção da Codevasf em Sergipe ao ex-deputado direitista André Moura (União), o presidente Lula apenas agradou a um aliado, mesmo sabendo que estava contrariando o senador Rogério Carvalho e o deputado federal João Daniel – ambos do PT. O inquilino do Planalto sabe que os dois petistas votam com o governo dele independente de cargos federais, o que não ocorre com a deputada federal Yandra de André (União), teleguiada do pai. E assim caminha a humanidade.

Preso pelo pé

Solto na última sexta-feira (19), após ter ficado quatro meses preso no Complexo Penitenciário da Papuda, em Brasília, o sergipano Luciano Oliveira dos Santos, vulgo “Popó Bolsonaro”, já está a Itabaiana. O dito cujo foi preso por ter participado dos atos golpistas do dia 8 de janeiro na capital federal. O fato de ter deixado a cadeia não significa que “Popó” está livre, leve e solto. Preso pelo pé por uma tornozeleira eletrônica, o bolsonarista cumpre uma série de restrições impostas pela Justiça e se vacilar volta a ver o sol nascer quadrado. Home vôte!

CNJ inspeciona o TJ

De hoje até a próxima quarta-feira, a Corregedoria Nacional de Justiça fará uma inspeção no Tribunal de Justiça de Sergipe. Serão fiscalizados os setores administrativos e judiciais de primeiro e segundo grau do TJ e de serventias extrajudiciais do estado. Os trabalhos forenses e os prazos processuais não serão suspensos durante a inspeção. Nesse período, pelo menos um juiz e um servidor com conhecimento das atividades devem estar presentes para prestar auxílio à equipe de inspeção. Ah, bom!

Barra divide o PT

O desejo do advogado Danilo Segundo (PT) de disputar a Prefeitura da Barra dos Coqueiros está dividindo o PT sergipano. O senador Rogério Carvalho (PT) já disse que não apoia o projeto de Danilo nem que a vaca tussa, pois já tem compromisso com a reeleição do prefeito Alberto Macedo (MDB). Já o deputado federal João Daniel (PT) e o ministro Márcio Macedo (PT) estão prontos para subir no palanque de Segundo, que vem a ser casado com Lurian Lula e, portanto, o genro querido do presidente Lula da Silva (PT). Esse racha petista promete bons rounds até a campanha de 2024. Marminino!

Me dá um dinheiro aí

Ao mandar para a Assembleia um projeto pedindo autorização para contrair um empréstimo de até R$ 300 mil visando construir uma ponte, o governador Fábio Mitidieri (PSD) apenas copiou seus antecessores. Em 2015, Jackson Barreto (MDB) obteve do Legislativo estadual autorização para tomar emprestado 100 milhões de dólares ao Banco Interamericano de Desenvolvimento, objetivando fortalecer as Redes de Inclusão Social de Atenção à Saúde. No começo de 2019, o então governador Belivaldo Chagas (PSD) pediu e a Assembleia autorizou um empréstimo de R$ 80 milhões junto ao Banco Daycoval S/A para capitalização do Fundo Financeiro de Previdência do Estado. Tudo para o contribuinte pagar. Cruz, credo!

Passo de cágado

Iniciada pelo governo de Sergipe no distante 2014, a rodovia SE-255, ligando Itaporanga a Itabaiana, não tem prazo para ser concluída. Com apenas 52 quilômetros de extensão, a estrada é de fundamental importância para desafogar o trecho da BR-235, entre Itabaiana e Aracaju. Por conta da demora do governo em concluir a obra, o poderoso Grupo Maratá desistiu de construir um moderno frigorífico nas imediações da rodovia inacabada. Outro empresário deu com os burros n’água ao edificar um posto de combustíveis na interminável estrada. Só Jesus na causa!

Tapa na macaca

Essa notícia interessa à galera da fumaça: o Supremo Tribunal Federal pautou para a próxima quarta-feira, o julgamento sobre a descriminalização do porte de maconha para uso pessoal. O caso levado ao Supremo pede a suspensão de um artigo da Lei Antidrogas que proíbe o armazenamento, plantio e transporte de drogas para uso pessoal. Para quem não sabe, oito milhões de brasileiros adultos já usaram maconha pelo menos uma vez na vida. É o que revela estudo da Universidade Federal de São Paulo. Aff Maria!

Ambulanciaterapia

Mais da metade das pessoas atendidas nas unidades de saúde de Aracaju são oriundas do interior, atestando que permanece forte em Sergipe a prática da ambulancioterapia. Isso ocorre porque a maioria dos prefeitos prefere custear o transporte dos doentes à capital sergipana, a ter que investir em saúde básica para a população. Por causa disso, as rodovias continuam cheias de ambulâncias transportando para Aracaju pessoas com simples resfriados ou unhas encravadas. Danôsse!

Cadê o reajuste?

Os servidores da Prefeitura de Aracaju estão impacientes com a demora da gestão em anunciar o reajuste salarial da categoria. Vários deles já pediram ao blog para lembrar ao prefeito Edvaldo Nogueira (PDT) que alguns servidores estão recebendo apenas o salário mínimo. Vale ressaltar que a última majoração salarial do funcionalismo municipal ocorreu em abril de 2022, quando foi concedeu um reajuste linear de 5%. Para os profissionais do Magistério também foi criada uma gratificação especial, com aumento de 53% a 98% nos vencimentos. Ah, bom!

Bota fora

O superintendente da Codevasf em Sergipe, Marcos Alves, só tem hoje e amanhã para arrumar as gavetas, pois na próxima quarta-feira a estatal passará a ser comandada no estado pelo gestor público Thomas Jeferson. O novo mandachuva da Codevasf é fiel escudeiro de André Moura, presidente do União Brasil em Sergipe e pai da deputada federal Yandra de André (União). Já o bolsonarista Marcos Alves é sobrinho querido da ex-senadora Maria do Carmo Alves (PP). Sem mandato, a ilustre pepista não conseguiu segurar o emprego do afilhado. Crendeuspai!

INFONET

Áudios sobre o golpe sugerem uma ação militar orquestrada contra a democracia

Publicado em 21 de maio de 2023 por Tribuna da Internet

Tentativa de golpe fracassada | Charges | O Liberal

Charge do J.Bosco (Jornal O Liberal

João Gabriel de Lima
Estadão

Uma reportagem de Marcelo Godoy publicada nesta semana no Estadão revelou o incômodo da cúpula do Exército com os militares bolsonaristas suspeitos de tramar um golpe contra a democracia. Segundo Godoy, que possui inúmeras fontes no meio fardado, generais usam a palavra “deslealdade” para se referir aos acusados de golpismo.

“Deslealdade” é um eufemismo para “traição” – a maior das desonras para um militar. E multiplicam-se as evidências que apontam para uma ação orquestrada.

ÁUDIOS E MENSAGENS – A Polícia Federal se debruça sobre o caso – e trechos do relatório dos investigadores foram publicados nesta semana pelo jornal O Globo. Áudios e mensagens trocados entre militares mencionam uma certa “operação” – segundo a PF, “um codinome para a execução de um golpe de Estado, que culminaria na tomada de poder pelas Forças Armadas brasileiras”.

De acordo com o relatório, “o plano descrito pelo interlocutor incluía a prática de abolição violenta do estado democrático de direito”.

“De fato houve uma tentativa de golpe, isso agora está muito claro, não apenas pelo 8 de janeiro, mas por tudo o que foi descoberto desde então”, diz o cientista político Octavio Amorim Neto, professor titular da Fundação Getulio Vargas e um dos maiores especialistas brasileiros no assunto. Ele acaba de lançar o livro New studies in civil-military relations and defense policy in Brazil.

NÃO É SURPRESA – Amorim Neto diz que as evidências de golpe não surpreendem os analistas, que alertaram para a excessiva presença fardada no governo Bolsonaro. “

Colocar militares no centro de um regime democrático é instalar a ameaça de uso da força física como base para se fazer política”, afirma. “Isso parecia ambíguo no início do governo, e no final se tornou explícito, como vimos no 8 de janeiro. Era uma tragédia anunciada.”

Segundo o relatório da PF, os militares suspeitos de golpismo queriam que o ex-presidente Jair Bolsonaro continuasse na Presidência após a “operação”.

SOB SUSPEITA – Bolsonaro é investigado por incitação aos atos de vandalismo no 8 de janeiro. Em depoimento nesta semana, o ex-presidente negou ter orientado “qualquer ato de subversão ou insurreição”.

Nos áudios e mensagens, os conspiradores tentam envolver seus superiores na trama – e não conseguem. “Sinal de que há generais, almirantes e brigadeiros com um forte sentido de legalismo, de constitucionalismo e de respeito à democracia”, diz Amorim Neto.

As investigações irão prosseguir. Esclarecer os fatos, identificar os crimes e punir os culpados, tudo isso é fundamental para que a tragédia anunciada não se repita.

Silêncio do tenente-coronel Mauro Cid mantém Jair Bolsonaro na corda bamba

Publicado em 21 de maio de 2023 por Tribuna da Internet

Mauro Cid fica calado em depoimento e frustra aliados

Mauro Cid quer proteger Bolsonaro na fraude das vacinações

Bruno Boghossian
Folha

Jair Bolsonaro não deve estar dormindo muito bem. A privação de sono talvez ajude a explicar a atitude desconcertada do ex-presidente quando tenta se desviar das acusações que recaem sobre o tenente-coronel Mauro Cid ou explicar a relação com aquele que era seu braço direito no Palácio do Planalto. Bolsonaro faz uma caminhada trôpega sobre uma corda bamba.

Desde que Cid foi preso por falsificar o cartão de vacinação do chefe, o ex-presidente tenta manter distância dos atos praticados pelo ajudante de ordens. Ao mesmo tempo, faz acenos para evitar que o ex-auxiliar se sinta abandonado e resolva contar o que viu no gabinete presidencial.

CONTRADIÇÕES – O ex-presidente exibiu sinais dessa vacilação ao longo da semana. Numa entrevista dada à revista Veja na quarta-feira (18), Bolsonaro praticamente reconheceu que houve crime (“Ao que tudo indica, alguém fez besteira”) e insinuou que o alvo deve ser apenas Cid (“Não quero acusá-lo de nada”). Depois, elogiou o ex-auxiliar e disse considerá-lo “um filho”.

O comportamento se manteve no dia seguinte, numa passagem de Bolsonaro pelo Congresso. O ex-presidente afagou o subordinado (“Foi um excelente oficial do Exército”), mas também fez questão de manter o abacaxi no colo de Cid (“Peço a Deus que ele não tenha errado, e cada um siga sua vida”).

Entre a entrevista e a visita de Bolsonaro ao Congresso, Cid foi à sede da PF para prestar depoimento, mas preferiu ficar em silêncio. A decisão claramente não tranquilizou o ex-presidente, já que a expectativa era que o auxiliar assumisse a culpa de uma vez, descartando a possibilidade de implicar o antigo chefe.

PIORES SEGREDOS – O nervosismo de Bolsonaro é nítido porque o tenente-coronel Mauro Cid guarda os piores segredos do gabinete presidencial.

O ex-ajudante de ordens foi personagem do plano golpista do ex-presidente, da tentativa de ficar com as joias sauditas e do uso de dinheiro vivo pela então primeira-dama.

Uma generosa (e excessiva) quebra de sigilo autorizada pelo Supremo Tribunal Federal já começou a abastecer essas investigações.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG –
 Está cada vez mais evidente que Mauro Cid tenta livrar Bolsonaro de participação na fraude dos cartões de vacina. Ele ficou em silêncio, mas sua mulher, Gabriela Santiago Ribeiro Cid, prestou depoimento e admitiu ter utilizado o cartão de vacinação falsificado. Ela afirmou que a responsabilidade pela fraude foi de seu marido. O problema é que o celular de Mauro Cid pode conter provas que incriminem outras pessoas, inclusive, Bolsonaro, e não somente na fraude dos cartões de vacina, mas também na conspiração golpista. Até agora nada foi divulgado a respeito pela Polícia Federal e há muitas especulações. Vamos aguardar. (C.N.)


CPI do MST começa como excelente palco para oposição e exige reação do governo

Publicado em 21 de maio de 2023 por Tribuna da Internet

Homens sentados à bancada falam; há uma bandeira atrás

Maioria da CPI do MST está formada por oposicionistas

Bruno Boghossian
Folha

O deputado Luciano Zucco já se referiu a Lula como “ex-presidiário” e comparou a ocupação de terras pelo MST ao terrorismo. Ricardo Salles disse que gestões petistas são lenientes com invasões. Kim Kataguiri sentenciou, aos 100 dias de mandato, que o atual governo é desastroso.

Presidente, relator e vice-presidente terão palco livre na CPI que foi instalada para investigar a atuação do MST, mas tem o governo como alvo principal. A comissão dificilmente conseguirá fôlego suficiente para atrapalhar Lula, mas deve manter os oposicionistas agitados e exigir uma dose extra de mobilização política do Planalto.

RIGOR NAS LEIS – A ideia de rivais do petista é usar a CPI para propor o endurecimento de leis contra a invasão de terras (incluindo áreas improdutivas), mas também exibir ligações do governo com os sem-terra. Considerando que Lula e seus auxiliares já emprestam apoio público ao movimento, a existência da investigação só se explica pelo desejo de fustigar o petista.

Os riscos para o Planalto são os atalhos que a oposição pode buscar para fazer estragos. Um desses caminhos seria uma pouco justificável aprovação em massa de quebras de sigilo de dirigentes do MST e de políticos ligados ao PT.

Se algo do tipo ocorrer, o governo terá que brigar no STF, uma vez que a composição da CPI dá ao governo pouca margem para conter no voto os planos da oposição. Críticos de Lula são maioria na comissão, cujas vagas foram distribuídas como uma espécie de presente aos bolsonaristas que integram cada partido.

ESCOLHA DOS NOMES – Mesmo a União Brasil, com três ministérios no governo, adotou esse método.

Além de Kataguiri, o partido tem na CPI um deputado que ligou Lula ao crime organizado e outro que pediu a queda do presidente no primeiro dia de legislatura.

A escolha dos nomes foi vista pelo Planalto como um recado, mas o governo preferiu poupar energias na relação com a legenda. Auxiliares de Lula querem guardar capital para evitar derrotas em arenas mais sensíveis, como a CPI do 8 de janeiro.


Para propiciar a inovação, as sociedades precisam ser mais tolerantes, e não menos

Publicado em 21 de maio de 2023 por Tribuna da Internet

Ilustração reproduzida do Arquivo Google

Hélio Schwartsman
Folha

Precisamos falar sobre Elon Musk. Além de mal-educado (vide emojis de cocô), suas opiniões políticas podem ser controversas. Ao que consta, ele também é um patrão difícil. Dizem ainda que destruiu o Twitter. Só que nem seus mais severos críticos negam que ele seja um inovador.

Transformou os carros elétricos em realidade e revolucionou o campo dos foguetes espaciais, apesar de reveses isolados. E essas são só duas das muitas áreas em que ele atua. Meu ponto é que, apesar de Musk por vezes dizer coisas ultrajantes, no frigir dos ovos é bom para o mundo que existam pessoas como ele.

EXCENTRICIDADES – A correlação entre capacidade de inovar e excentricidades é alta e não vem por acaso. O psicólogo Geoffrey Miller, num delicioso artigo intitulado “The Neurodiversity Case for Free Speech”, sustenta que Isaac Newton, um dos maiores gênios de todos os tempos, não duraria muito numa universidade de elite moderna, com seus códigos de linguagem e de comportamento.

É que Newton tinha personalidade obsessiva paranoide, síndrome de Asperger, humor instável e ainda era dado a episódios de mania e depressão psicóticas.

Ele simplesmente não era capaz de reconhecer o que poderia configurar “desrespeito à dignidade de terceiros” e, mesmo que conseguisse, dificilmente se controlaria.

SÃO OS ESQUISITÕES – Para Miller, várias condições, como Asperger, TDAH, Tourette, TEPT e transtorno bipolar, que reduzem o traquejo social e podem favorecer o pensar fora da caixa, têm prevalência maior em universidades que na população geral. São os esquisitões.

Não é realista exigir que esses indivíduos se comportem de acordo com códigos concebidos para neurotípicos. Ao fazê-lo, limitamos os horizontes dessas pessoas, quando não as excluímos.

A ideia central de Miller é que, a menos que desejemos castrar a criatividade e estagnar a inovação, a sociedade em geral e as universidades em particular precisam de mais, não de menos, tolerância.

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